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quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A parábola da rosa


Um certo homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente e, antes que ela desabrochasse, contemplou-a. Ele viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou: como pode uma bela flor vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados? Entristecido por este pensamento, ele recusou-se a regar a rosa, e, antes que estivesse pronta para desabrochar, ela morreu.
Assim é com muitas pessoas. Dentro de cada alma há uma rosa: os dons concedidos por Deus e plantados em nós crescem no meio dos espinhos das nossas faltas. Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos. Por vezes, desanimamos e sentimos que nada de bom pode vir do nosso interior. Recusamo-nos a regar o bem dentro de nós, e, consequentemente, isso morre. Nós nunca percebemos o nosso potencial. Algumas pessoas não vêem a rosa dentro delas mesmas; alguém mais deve mostrá-la a elas.
Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas. Esta é a característica do amor - olhar uma pessoa e conhecer as suas verdadeiras faltas. Aceitar essa pessoa na sua vida, enquanto reconhece a beleza na sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar as suas aparentes imperfeições. Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, elas superarão os seus próprios espinhos. Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.
Fonte:ilustrar.com

domingo, 26 de agosto de 2007

A maçã e a pérola


Todas as manhãs o rei poderoso e rico de Bengodi recebia as ofertas dos seus súditos. No meio dos outros, sempre pontual, aparecia também um mendigo silencioso, que trazia ao rei uma maçã. Depois retirava-se. O rei, habituado a melhores presentes, aceitava a oferta, mas logo que o mendigo virava costas começava a zombar dele, seguido por toda a corte. O mendigo não desanimava. Voltava em cada manhã com a sua oferta. O rei aceitava-a e punha-a numa cesta ao lado do trono. A cesta continha todas as maçãs trazidas pelo mendigo com gentileza e paciência. Por fim, já transbordava.
Um dia o macaco predilecto do rei pegou num daqueles frutos e deu-lhe uma dentada. Depois deitou-o fora aos pés do rei: O soberano, surpreendido, viu no coração da maçã uma pérola brilhante. Maravilhado, o rei mandou chamar o mendigo e interrogou-o. "Trouxe-vos todas estas ofertas, Majestade", respondeu o homem, "para vos fazer compreender que a vida vos oferece todas as manhãs um dom extraordinário que esqueceis e deitais fora, porque estais rodeado de demasiadas riquezas. "

Autor desconhecido

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A escolha


Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto. Sempre que fazia prisioneiros, não os matava: levava-os para uma sala onde havia um grupo de arqueiros de um lado e uma imensa porta de ferro do outro, sobre a qual viam-se gravadas figuras de caveiras cobertas por sangue. Nesta sala, o rei ordenava-lhes que se posicionassem em círculo e dizia-lhes, então:
- «Vocês podem escolher entre morrerem atingidos pelas setas dos meus arqueiros ou passarem por aquela porta e por mim serem lá trancados.»
Todos escolhiam serem mortos pelos arqueiros. Ao terminar a guerra, um soldado que por muito tempo servira ao rei dirigiu-se ao soberano:
-«Senhor, posso fazer-lhe uma pergunta?»
-«Diga, soldado.»
-«O que havia por detrás da assustadora porta?»
-«Vá e veja você mesmo.»

O soldado, então, abre vagarosamente a porta e, à medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente... E, finalmente, ele descobre, surpreso, que... a porta se abria para um caminho que conduzia à LIBERDADE !!!

O soldado, admirado, apenas olhou o seu rei, que diz:
- «Eu oferecia-lhes a escolha, mas preferiram morrer a arriscar-se a abrir esta porta.»

Autor desconhecido

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Sê autor da tua vida; e vê em cada pedra no caminho uma oportunidade

Quem decide por mim?

«Certo dia, um jornalista acompanhava um amigo à banca dos jornais. O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como resposta recebeu um tratamento rude e grosseiro. O amigo do jornalista pegou no jornal que foi atirado na sua direcção, sorriu educamente e desejou um bom fim-de-semana ao jornaleiro.
Quando os dois amigos desciam pela rua, o jornalista perguntou:
- Ele sempre te trata com tanta agressividade e má disposição?
- Sim, infelizmente foi sempre assim...
- E tu és sempre tão educado e amigável com ele?
- Sim, procuro ser.
- Porque és tão amistoso e educado para com ele, uma vez que ele tem sempre uma atitude rude e grosseira?
- Porque não quero que ele decida como eu devo agir.»

Autor desconhecido
A Pedra
O distraído tropeçou nela...O bruto usou-a como projéctil. O empreendedor, utilizando-a, construiu. O camponês, cansado da lida, dela fez assento. Para os meninos, foi brinquedo. Drummond poetizou-a. Já Davi matou Golias, e Michelângelo extraiu-lhe a mais bela escultura... E em todos estes casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!
Não existe "pedra" no teu caminho que não possa ser aproveitada para o teu próprio crescimento.
Autor desconhecido

quinta-feira, 19 de julho de 2007

O diabo e o seu amigo

Saiu o diabo a passear, um dia,
com um amigo seu; viram um homem
que, ali perto, se inclinava para o chão
e parecia pegar em algo caído sobre a estrada.

«Que terá ele encontado?». pergunta o amigo.
«Foi um pedaço de Verdade», diz o diabo.
«E isso não te perturba?», volta o amigo.
«De modo algum, respondeu-lhe o demónio;
deixarei, simplesmente, que ele faça,
daquele pedacinho de verdade,
nem mais nem menos que uma crença religiosa!».

Uma crença religiosa é como um sinal de trânsito que aponta o caminho da Verdade. As pessoas que se agarram ao poste e à tabuleta, evidentemente não caminham para a verdade por terem a falsa sensação de já a terem encontrado.

Anthony de Mello, O canto do pássaro

terça-feira, 17 de julho de 2007

A Loja da Verdade

Mal pude crer nos olhos quando vi
o nome do lugar: A Loja da Verdade.
Ali eles vendiam a Verdade!

A funcionária ao balcão foi delicada:
que tipo de verdade eu procurava...
só parte dela ou a Verdade toda?
Pois claro, a Verdade toda.
Não me dê decepções nem altos pensamentos.
Eu disse que gostava da Verdade
muito clara, simples, inteira.
Ouvindo isto, ela conduziu-me então
para o outro lado do balcão onde vendiam,
somente aí, a tal Verdade inteira.

O comerciante olhou-me compassivo
e mostrou-me a «etiqueta» com o preço:
«Como assim?», perguntei, determinado
a conseguir, custasse o que custasse
a Verdade toda.
«É que... se levar esta Verdade,
o preço que por ela vai pagar
será não ter mais descanso na vida».

Foi o que disse o homem do balcão
e eu, triste, afastei-me dessa loja
porque pensava eu, tolo, que podia
achar a Verdade inteira... a baixo preço.
Não estou pronto ainda para ela;
quero descanso e paz, de vez em quando;
sinto que preciso ainda de racionalizar,
de usar defesas,
escondendo-me atrás dessas muralhas
que levantei com crenças imbatíveis!

Anthony de Mello, O canto do pássaro

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Mudar ou não mudar...

Fui um neurótico por muitos anos.
Cheio de depressões, angústias e egoísmos.
E toda a gente me dizia que mudasse;
acrescentando:«hás-de ter muitos amigos,
com esse feitio».
Eu sentia isso e concordava, ao mesmo tempo;
e queria até mudar, mas não podia;
e tentando, tentava o impossível.

Mas o que mais me feriu foi um amigo,
o meu melhor amigo, ele também, sempre a dizer:
«tu precisas de mudar, estás neurótico!».

Certo dia, porém, este amigo foi diferente:
«Não mudes! - disse. Fica assim como és!
Eu gosto de ti; não mudes;
não consigo deixar de te amar!».

Que melodia foi, nos meus ouvidos,
esta frase do amigo: «Não mudes... Não mudes!
Não mudes... eu gosto de ti!».

Posto isto, relaxei; voltei à vida
e, oh grande maravilha, foi então que eu mudei!

Agora sei que não teria conseguido, realmente, transformar-me, até ao dia em que encontrasse alguém que me amasse do modo que eu era: com ou sem mudança!

É assim que Vós me amais, oh Deus?

O canto do pássaro, Anthony de Mello

sábado, 30 de junho de 2007

Como mudar o mundo


Eis o que conta, de si mesmo.
O sufi Bayazid: «Na juventude,
eu era um revolucionário e rezava assim:
Dai-me energia, ó Deus, para mudar o mundo!».

Mas notei, ao chegar à meia-idade,
que metade da vida já passara
sem que eu tivesse mudado homem algum.
Então, mudei a minha oração, dizendo a Deus:
«Dai-me a graça, Senhor, de transformar
os que vivem comigo, dia a dia,
como sejam a família e os amigos;
e com isto eu já fico satisfeito...».

Agora que sou velho e com os dias contados,
percebo bem quanto fui tolo ao rezar assim.
A minha oração, agora, é apenas esta:
«Dai-me a graça, Senhor,
de me mudar a mim mesmo.
Se eu tivesse rezado assim, desde o princípio,
não teria esbanjado a minha vida».

O canto do pássaro, Anthony de Mello

quinta-feira, 28 de junho de 2007

A ovelha perdida


Uma ovelha encontrou um buraco na cerca
e, fugiu por ele, satisfeita por se ver,
assim, em liberdade.

Caminhou muito tempo e perdeu o caminho
de volta para casa. Só então percebeu
que um lobo faminto a seguia de perto.
A ovelhinha começou a correr e o lobo
correu também;
até que, de repente, chegaram os pastores
e salvando-a da fera, levaram-na para casa,
com muito carinho.

Mas, apesar do conselho de amigos
que viram como foi,
o pastor recusava fechar o buraco
da cerca por onde a ovelhinha fugira.


O canto do pássaro, Anthony de Mello

terça-feira, 26 de junho de 2007

Categorias coloridas


Um Padre, certo dia, perguntava a um grupo de crianças, numa turma:«Se os homens bons, no mundo, fossem brancos e fossem negras as pessoas más, cada um de vós que estão aqui, que cor teriam?».

E a pequena Maria respondeu:«Acho que eu seria às riscas...».


********************************


Certo homem procurava uma igreja para rezar e, na que encontrou, o pregador orava com o seu povo. E, diziam eles, mais ou menos assim:«Deixámos de fazer aquelas coisas que era nosso dever realizar; ao contrário, fizemos muitas coisas que jamais devíamos ter feito».Ouvindo isto, aquele homem suspirou e, com grande alívio, disse para consigo:«Encontrei, finalmente, o meu lugar».



O canto do pássaro, Anthony de Mello

Onde está a diferença?


Uma mãe com um bébé nos braços, entrou num consultório médico e, diante do médico, começou a lamentar-se:– «Doutor, o senhor precisa de me ajudar num problema muito sério. Este meu bébé ainda não completou um ano e estou grávida de novo! Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas sim num espaço grande entre um e outro».

O médico pergunta:– «Muito bem... e o que a senhora quer que eu faça?»

A mulher, já esperançosa, respondeu:– «Desejo interromper esta gravidez e quero contar com a sua ajuda.»

O médico pensou alguns minutos e disse para a mulher:– «Acho que tenho uma melhor opção para solucionar o problema e é menos perigoso para a senhora.»

A mulher sorria, certa que o médico aceitara o seu pedido, quando o ouviu dizer:

– «Veja bem, minha senhora... para não ficar com dois bébés em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está nos seus braços. Assim, o outro poderá nascer... Se o caso é matar, não há diferença para mim entre um e outro. Até porque sacrificar o que a senhora tem nos braços é mais fácil e a senhora não corre nenhum risco.»

A mulher apavorou-se:–«Que horror!!! Matar uma criança é crime!!! É infanticídio!!!».

O médico sorriu e, depois de algumas considerações, mostrou à mãe que não existe a menor diferença entre matar uma criança ainda por nascer (mas que já vive no seio materno) e uma já crescida. O crime é exactamente o mesmo.

sábado, 23 de junho de 2007

Um dia de pobre...

«Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.» - Mateus 18, 3

«Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz...» - Mateus 6, 21-22

Certo dia, um pai de uma família muito rica levou o seu filho numa viagem pelo interior do país com o firme propósito de lhe mostrar o quanto as pessoas podem ser pobres. Eles passaram um dia e uma noite na casa de uma família muito pobre. Quando regressaram da viagem, o pai perguntou:
-«Como foi a viagem?»
-«Muito boa, Pai!»
-«Meu filho, viste como as pessoas pobres vivem?»
-«Sim.»
-«E o que aprendeste?»
O filho respondeu: -«Eu vi que nós temos um cão em casa; eles têm quatro! Nós temos uma piscina que chega ao meio do jardim; eles têm um riacho que não tem fim! Nós temos uma varanda coberta e iluminada com luz; eles têm as estrelas e a lua! O nosso quintal vai até ao portão de entrada; eles têm uma floresta inteira! Quando o pequeno menino estava a acabar de responder, o pai ficou estupefacto.
E o filho acrescentou:- «Obrigado, pai, por me mostrar o quão "pobres" nós somos!»

terça-feira, 12 de junho de 2007

Rótulos


A nossa vida é como uma garrafa
de vinho generoso. Há quem
fique satisfeito só de ler o rótulo;
outros precisam de provar o conteúdo.

Buda, um dia, mostrou aos seus discípulos
uma flor e pediu-lhes que disessem
uma coisa qualquer a seu respeito.
Olharam, (em silêncio), para a flor
durante algum tempo e, logo, um deles
fez sobre ela uma erudita prelecção.

Um outro dedicou-lhes uma poesia
e um terceiro compôs uma parábola,
tentando cada qual sobrepujar,
em arte e profundeza, o seu colega.
Mahakashyap, porém, olhou a flor,
sorriu silencioso... e nada disse.

Apenas ele foi capaz de ver a flor!

Fabricantes de rótulos! Ah, se eu pudesse «saborear» um pássaro, uma flor, uma árvore, um rosto humano!
Infelizmente, porém, não tenho tempo! Ando ocupado demais em ler os rótulos e em produzir alguns da minha própria autoria. E assim, nunca me deixo inebriar com este vinho!

O canto do pássaro
de Anthony de Mello

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Os entendidos

« Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.» - Mateus 11, 25

Um homem que pensavam estar morto
foi levado por amigos, ao sepulcro.
Ao baixá-lo, porém, à sepultura,
o defunto reviveu e começou
a esmurrar a tampa do caixão.
Abriram o caixão e o homem sentou-se:
«Que estão vocês a fazer?- perguntou à multidão.
Não estou morto; vejam!, estou bem vivo!».
Houve espanto e silêncio perante isto.
E, disse, peremptório, um dos presentes:
«O médico e o Padre, caro amigo,
declararam que você já estava morto,
e os entendidos, sabe, não se enganam».
Fecharam, novamente, o seu caixão...
e, com respeito solene, o sepulturam.
O canto do Pássaro
de Anthony de Mello

quinta-feira, 7 de junho de 2007

O explorador


Ao meu amigo de além-mar - H.K. Merton

Voltou o explorador para o seu povo
que o esperava ansioso por saber
tudo sobre o Amazonas. Entretanto,
com que termos podia ele exprimir
todos os sentimentos que inundaram
o seu coração, quando viu, na densa mata,
aquelas flores de beleza sem igual?
E, quando ele ouviu, à noite, os sons da selva?
Como contar os seus medos e ansiedades
perante a ameaça das feras e dos rios
que ele em frágil canoa navegara?

Eis o que ele disse, então: «Ide lá vós mesmos!
Nada melhor que o próprio risco
e a experiência pessoal». Para guiá-los,
deu-lhes um mapa do Amazonas.
Pegou, então, no mapa aquela gente,
pôs-lhe uma moldura e colocou-o
numa sala da sua Prefeitura.
Fizeram dele cópias pessoais
e cada um que possuía destas cópias
já se julgava um bom conhecedor
do famoso Amazonas, pois no mapa
estavam todas as curvas deste rio,
igarapés, cascatas, corredeiras.
E o pobre explorador arrependeu-se
de, um dia, lhes ter dado aquele mapa!
O canto do pássaro
de Anthony de Mello

domingo, 3 de junho de 2007

Uma história sobre o céu e o inferno


Deus, numa atitude incomum, convidou um Pastor e um Padre para conhecer o céu e o inferno. Ao abrirem a porta do inferno, viram centenas de pessoas sentadas à volta de uma mesa enorme. No centro da mesa, viam-se os manjares mais requintados que qualquer pessoa poderia imaginar e, embora todos tivessem uma colher para chegar ao prato central, estavam mortos de fome! O problema era que as colheres tinham o dobro do comprimento dos seus braços e estavam presas às suas mãos. Assim, todos podiam servir-se, mas ninguém conseguia levar a comida à boca. A situação era deveras desesperada e ouviam-se gritos de dor e sofrimento.


Entraram numa sala idêntica à primeira, onde se depararam com o mesmo cenário; as pessoas em volta e, para surpresa dos dois, as mesmas colheres de cabo comprido, que alcançavam o prato central, mas não podiam alcançar a boca. Mas a grande diferença é que todos estavam saciados. O pastor e o padre se questionaram? - Eu não compreendo - disse o padre- por que aqui as pessoas estão felizes, enquanto na outra sala morrem de aflição, se é tudo igual, inclusive as colheres com cabos compridos? - Sim, como isso é possível? - completou o pastor. Deus sorriu e respondeu:- Ainda não compreenderam? Aqui, no céu, ninguém morre de fome, porque os meus servos aprenderam a dar comida uns aos outros.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Os Dons de Deus



Um dia, um homem entrou numa loja e, estupefacto, viu um anjo atrás do balcão.
Maravilhado com aquela visão, perguntou:

- Anjo, o que vendes?
O anjo respondeu: - Todos os dons de Deus.
O homem voltou a perguntar: - E custam caro?
E a resposta do anjo foi: - Não. São de graça... é só escolher.


O homem, cheio de entusiasmo e alegria, olhou para toda a loja e viu jarras de vidro de fé, pacotes de sabedoria, caixas de felicidade ... Não estava a acreditar que poderia adquirir tudo aquilo.
- Por favor, embrulhe para mim: muito amor de Deus, bastante felicidade, abundante perdão d'Ele, amor ao próximo, paciência, tolerância...
O anjo anotou o pedido e foi separar os produtos. Ao regressar, entregou-lhe vários pacotinhos, que cabiam na palma da mão do homem.

Espantado, ele indagou: - Como é possível que me possa dar apenas esses pacotinhos?! Eu quero levar uma grande quantidade dos dons de Deus.
O anjo respondeu: - Querido amigo, na loja de Deus nós não vendemos frutos. Apenas sementes
.

terça-feira, 29 de maio de 2007

O Barbeiro


Um homem foi ao barbeiro. Enquanto este lhe cortava o cabelo, ele falava da vida e de Deus. Passado algum tempo, o barbeiro incrédulo não aguentou e disse:

- Deixa-te disso, meu amigo, Deus não existe!

- Porquê? - questionou o homem.

- Ora, se Deus existisse não haveria tantos miseráveis a morrer de fome! Olha em volta e vê quanta tristeza. Basta andar pelas ruas e observar!

- Bem, essa é a tua maneira de pensar, não é?

- Sim, claro!


O cliente pagou o corte e saiu. Á porta da barbearia, deparou-se com um mendigo imundo, com os cabelos compridos e sujos; a barba desgrenhada, suja, abaixo do pescoço. Não se conteve, deu meia volta e interpelou o barbeiro:

- Queres saber uma coisa? Não acredito em barbeiros!

- Como?

- Sim, se existissem barbeiros, não haveria pessoas de cabelos e barbas compridas!

- Ora - respondeu o barbeiro - eles estão assim porque querem. Se desejassem mudar, viriam até mim!

- Agora, tu compreendes-te! - afirmou o homem.

sábado, 26 de maio de 2007

Verdadeiro Amor


Um homem bastante idoso entrou numa clínica para lhe fazerem um curativo na sua mão ferida, e logo se confessou muito apressado porque estava atrasado para um compromisso.
Enquanto o tratava, o jovem médico quis saber o motivo da sua pressa e ele disse que precisava de ir a um Lar de Idosos tomar o pequeno almoço com a sua mulher que vivia lá há bastante tempo...
A sua mulher sofria da doença de Alzheimer em estágio bastante avançado...
Enquanto terminava o curativo, o médico perguntou-lhe se ela não ficaria assustada pelo facto de ele estar atrasado.
-" Não, disse ele. Ela já não sabe quem eu sou. Há quase cinco anos que ela não me reconhece..."
Intrigado o médico pergunta-lhe:
-"Mas se ela já não sabe quem é o senhor, por que essa necessidade premente de estar com ela todas as manhãs?"
O velho sorriu, deu uma palmadinha na mão do médico e disse:
-"É verdade, ela não sabe quem eu sou, mas eu sei muito bem QUEM ELA É"
Enquanto o velhinho saía apressado, o jovem médico sorria emocionado e pensava:
-"Esta é a qualidade de amor que eu gostaria para a minha vida"


O Amor não se resume à atracção física, à paixão e ao romantismo...
O Amor verdadeiro é a aceitação
DE TUDO O QUE O OUTRO É....
DE TUDO QUE O OUTRO FOI....
DO QUE SERÁ....
DO QUE JÁ NÃO É......

domingo, 18 de março de 2007

o elefante acorrentado


Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Durante o espectáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um peso, tamanho e força descomunais… Mas, depois da sua actuação e pouco antes de voltar para os bastidores o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas.No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a torrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um animal capaz de arrancar uma arvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.O mistério continua a parecer-me evidente.O que é que o prende, então?Porque é que não foge?Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.Fiz, então, a pergunta óbvia:-Se é amestrado, porque é que o acorrentam?Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante e da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro... Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força...

Transcrito do livro "Deixa-me que te conte" de Jorge Bucay