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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Lição de um professor

«Cada vez me apetece menos classificar os rapazes, dar-lhes notas, pelo que eles "sabem". Eu não quero (ou dispenso) que eles metam coisas na cabeça; não é para isso que eu dou aulas. O saber - diz o povo - não ocupa lugar; pois muito bem: que eles saibam, mas que o saber não ocupe lugar, porque o que vale, o que importa (e para isso pode o saber contribuir e só contribuir) é que eles se desenvolvam, que eles cresçam, que eles saibam "resolver", que eles possam "perceber".»

Sebastião da Gama, in "Diário"

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A COMPARAÇÃO


«Estamos constantemente a comparar-nos uns com os outros, com alguém que teve mais sorte, o que somos com aquilo que deveríamos ser. A comparação, de facto, mata. A comparação é degradante, ela perverte a nossa observação. E é no seio da comparação que somos criados.

Toda a nossa educação se baseia na comparação, assim como a nossa cultura. Portanto, existe uma constante luta para sermos uma coisa diferente daquilo que realmente somos.
A compreensão do que somos liberta a criatividade, mas a comparação alimenta a competitividade, a crueldade, a ambição e, pensamos nós, isso gera progresso. O progresso só nos levou até agora a guerras cruéis e à infelicidade como jamais o mundo conheceu.
A verdadeira educação é educar as crianças sem comparação.»


J. Krishnamurti, em "Cartas a uma jovem amiga"

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

AOS PROFESSORES

«Há profissões de alta sublimidade. Permito-me destacar a do professor.
Educar não é simplesmente passar conhecimentos, mas trocar corações.
A educação é uma obra de amor. O verdadeiro educador cinzela, com mãos especiais, o carácter dos seus alunos e constrói, através deles, as certezas futuras e os destinos de um povo.

E que recompensa terão os educadores pela dedicação e grandes renúncias da sua profissão, senão a de, uma vez esquecidos, ainda se lembrarem dos seus alunos?»

Pe. Neylor J. Tonin

terça-feira, 24 de junho de 2008

Pedidos dos filhos (2)

Eis a 2ª parte do precioso e pertinente artigo publicado pelo meu caro amigo Pe. Sandro Rogério. O artigo é da autoria de Dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina/PR, é presidente do Setor Família da CNBB. Com a devida autorização, reproduzo hoje a segunda parte.

«Os filhos aprendem imitando. Daí a necessidade do casal se querer bem e dar bom exemplo. Dizia um filho aos pais: “peço que vocês me amem quando eu não mereço, porque é aí que eu mais preciso ser amado.” Nada disso é fácil. O nascimento dos filhos traz grandes mudanças na família. Os cônjuges esquecem de ser esposos, trocam os papeis, e começam a ser somente pais. Apegar-se aos filhos e esquecer o cônjuge é um perigo. O primeiro amor na família é sempre o amor conjugal, depois o amor filial.

Além disso, temos pais agressivos e pais permissivos, mas precisamos de pai e mãe participativos. Os pais apegados aos filhos sofrem demais quando eles devem deixar o lar. Os desequilíbrios dos filhos levam ao desajuste do casal e vice-versa. Os pais conscientes tratam os filhos conforme a idade que eles têm. É preciso saber mudar de marcha. Pais ajustados, filhos equilibrados.

Um filho escreveu para seus pais: “Eu sou forte no mal porque vocês foram fracos no bem. Por isso estou preso”. Os pais nunca podem abdicar do diálogo, devem estar abertos em buscar soluções e aceitar ajuda. Ninguém é infalível. Os pais aprendem com os filhos, mas devem sempre colocar limites e apresentar valores. Lares sem disciplina criam filhos folgados e omnipotentes que se tornam delinquentes. É a tirania dos filhos sobre os pais.

Temos hoje a “família filiarcal” que sucedeu à família matriarcal e depois à patriarcal. Filiarcalismo é fazer dos filhos pequenos deuses. Eles não ajudam em nada nos trabalhos da casa, deixam roupas sujas em cada canto, só comem o que querem, dominam os pais que se tornam seus escravos e reféns. Pais permissivos são mais prejudiciais que os autoritários.

Os filhos emitem sintomas que sinalizam a presença de problemas familiares. Quando os pais vão mal os filhos entram em ansiedade. Hoje a grande tentação é resolver as crises com o “divórcio fácil”. É preciso crer nas soluções, na reorganização da família. O filho problema pode tornar-se o melhor. A ovelha negra se torna uma benção, quando recorremos a Deus, ao perdão, ao diálogo, à disciplina. Quem olha as soluções não cai nas acomodações. Os heróis se forjam nas carências e crises.

A arte de ser bons pais começa já no útero materno. A preparação para a missão de ser pai e mãe é assunto do namoro e noivado. Pais despreparados, filhos desequilibrados; pais ausentes, filhos delinqüentes; pais permissivos, filhos onipotentes; pais omissos, filhos rebeldes. Carregamos dentro de nós a criança que fomos no passado. Vale a pena investir no casal para que os filhos cresçam sadios, seguros e amorosos. A família é a esperança da sociedade e o futuro do mundo.»

domingo, 22 de junho de 2008

Pedidos dos filhos (1)

No magnífico blog do meu caro amigo Pe. Sandro Rogério, encontrei uma pérola de sabedoria que tenho o prazer de partilhar convosco.

«Os filhos pedem a seus pais e educadores vinte solicitações.

1. Não tenham medo de ser firmes comigo. Sua firmeza me dá segurança.
2. Não me tratem com excesso de mimo. Nem tudo o que eu peço me convém.
3. Não me corrijam na frente de outras pessoas. Isso me revolta.
4. Não permitam que eu forme maus hábitos. Dependo de vocês para saber o que é certo e o que é errado.
5. Não façam promessas apressadas. Sinto-me mal quando as promessas não são cumpridas.
6. Não me sufoquem com suas preocupações. Eu também preciso aprender com o sofrimento e com os erros.
7. Não sejam falsos comigo. A falsidade me faz perder a fé em vocês.
8. Não me incomodem com ninharias. Irei fazer-me de surdo.
9. Não dêem a impressão de serem perfeitos, infalíveis. O choque será muito grande quando eu descobrir seus defeitos.
10. Não deixem sem respostas minhas perguntas. Do contrário, deixarei de fazê-las e buscarei informações em outros lugares.
11. Não se sintam humilhados ao terem que pedir desculpas. O perdão me aproxima de vocês.
12. Não digam que minhas preocupações e problemas são tolices. Tentem compreender-me. Ficarei mais sereno.
13. Não esqueçam que estou crescendo e mudando rapidamente. Tentem acertar o passo comigo.
14. Não me comprem presentes. O melhor presente é a presença de vocês. Com vocês sinto-me seguro, forte, amado.
15. Acolham-me desde a fecundação, alimentem-me com aleitamento materno, dêem-me colo, toquem-me porque preciso de tudo isto para crescer saudável e equilibrado.
16. Preciso de um pai forte e amigo, de uma mãe equilibrada e feliz. Seu jeito de ser é que fica marcado em mim. Poderei esquecer suas palavras, não esquecerei seus gestos.
17. Não imponham nem direcionem minha profissão e vocação. Podem aconselhar-me, mostrar-me suas razões, mas deixem-me a liberdade de escolher.
18. Se vocês se amam eu me sinto amado por vocês. Se vocês brigam, não dialogam, não se perdoam, eu me sinto um órfão de pais vivos.
19. Porque vocês foram fracos no bem, eu agora sou forte no mal. Se vocês são pais despreparados eu cresço desequilibrado.
20. Se vocês não me elogiarem, se me castigarem injustamente, se não me ensinarem a rezar, se satisfizerem todos os meus desejos, vocês estragam minha vida.
Os filhos aprendem imitando.»
[continua no próximo post]

Dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina/PR, é presidente do Setor Família da CNBB e escreveu o artigo com o título acima (pedidos dos filhos).Com a devida autorização, reproduzi hoje a primeira parte.

domingo, 10 de junho de 2007

O que é educar?


Educar é produzir um homem feliz e sábio. Educar é produzir um homem que ama o espectáculo da vida. Desse amor, emana a fonte da inteligência. Educar é produzir uma sinfonia em que rimam dois mundos: o das ideias e o das emoções.

Há dois tipos de educação: a que informa e a que forma. A educação que informa ensina o homem a conhecer o mundo em que habita; a educação que forma vai além, ensina-o também a conhecer o mundo que ele é.


O Mestre do amor
de Augusto Cury

domingo, 18 de março de 2007

o elefante acorrentado


Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Durante o espectáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um peso, tamanho e força descomunais… Mas, depois da sua actuação e pouco antes de voltar para os bastidores o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas.No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a torrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um animal capaz de arrancar uma arvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.O mistério continua a parecer-me evidente.O que é que o prende, então?Porque é que não foge?Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.Fiz, então, a pergunta óbvia:-Se é amestrado, porque é que o acorrentam?Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante e da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro... Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força...

Transcrito do livro "Deixa-me que te conte" de Jorge Bucay