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sexta-feira, 26 de junho de 2009

PORQUE ELE NOS AMOU PRIMEIRO


Como vamos trazer o Amor para dentro dos nossos corações?
Vamos trabalhar a nossa vontade, para mantê-lo sempre próximo.
Vamos tentar copiar os que aprenderam a amar.
Vamos esquecer todas as regras que nos ensinaram sobre o que é o Amor, inclusive estas minhas palavras.

Vamos orar.
Vamos vigiar.
Nada disso, porém, nos vai fazer amar, porque o Amor é um efeito,
E só ao conhecermos a causa, o efeito se manifesta.

Devo dizer qual é esta causa?
Se lermos a Versão revisada da Primeira Epístola de João, vamos encontrar as seguintes palavras:
"Nós amamos porque Ele nos amou primeiro."Esta escrito: "nós amamos", e não "nós O amamos", como traduziram antes, de maneira errada. "Nós amamos porque Ele nos amou primeiro."
Reparem na palavra porque. Esta é a causa a que me refiro. Porque Ele primeiro nos amou, o efeito - consequentemente - é que nós amamos.

Somos todos manifestações do Amor.
Amamos a Ele, amamos a nós mesmos, amamos a todos.

É assim.
Nosso coração transforma-se aos poucos.

Contempla o amor que te é dado e saberás como amar.
Não podes ser obrigado a amar, e tampouco podes obrigar qualquer outra pessoa.
Tudo que podes fazer é olhar o Amor,
apaixonar-te por ele, e copiá-lo.

Ama o Amor.
Olha o grande sacrifício que Ele propôs a si mesmo.
Ao amarmo-Lo, tornamo-nos como Ele.
O Amor produz Amor.

Coloca uma peça de ferro numa fonte de electricidade, e levarás um choque.
É um processo de indução.
Ou coloca-a perto de um íman, e esta peça transforma-se em íman enquanto estiver ali. Permanece perto de Quem nos amou, e serás magnetizado por esse Amor.

Qualquer homem que buscar esta Causa, terá o seu Efeito.
Tentemos livrarmo-nos do preconceito de que a Busca Espiritual existe por acaso, ou capricho, ou devido ao nosso gosto pelo mistério.
Ela está aí por causa de uma lei natural - ou melhor, espiritual, porque é uma lei divina.

Edward Irving visitava um menino que estava a morrer.
Ao entrar no quarto, colocou a mão na testa do rapaz e disse:
"Rapaz, Deus ama-te."
Não disse mais nada. Saiu em seguida.
O menino levantou-se, chamou todas as pessoas da casa, e gritava:
"Deus ama-me! Deus ama-me!"

A mudança foi completa; a certeza de que Deus o amava deu-lhe forças, destruiu o que havia de mal, e permitiu a sua transformação.
Da mesma maneira, o Amor derrete o mal que existe no coração de um homem, e transforma-o numa criatura nova - paciente, humilde, tolerante, gentil, entregue, sincera.

Não existe nenhuma outra maneira de conseguir amar - e tão pouco há qualquer mistério sobre isto.
Nós amamos os outros, amamos a nós mesmos, amamos nossos inimigos, porque, primeiro, fomos amados por Ele.

"O Dom Supremo", Henry Drummond (traduzido e adaptado por Paulo Coelho)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

APRENDER A AMAR

Este deve ser o nosso objectivo no mundo: aprender a amar.

A vida oferece-nos milhares de oportunidades para aprender a amar. Todo homem e toda mulher, em todos os dias de suas vidas, têm sempre uma boa oportunidade de entregar-se ao Amor.

A vida não é um longo feriado, mas um constante aprendizado. E a mais importante lição que temos é: aprender a amar. Amar cada vez melhor.
O que faz do homem um grande artista, um grande escritor, um grande músico?
Prática.
O que faz do homem um grande homem?
Prática. Nada mais.

O crescimento espiritual aplica as mesmas leis usadas pelo corpo e pela alma. Se um homem não exercita seu braço, jamais terá músculos. Se não exercita sua alma, jamais terá fortaleza de carácter, nem ideais, nem a beleza do crescimento espiritual.

O Amor não é um momento de entusiasmo. O Amor é uma rica, forte e generosa expressão das nossas vidas - a personalidade do homem no seu mais completo desenvolvimento.
E, para construir isto, precisamos de uma prática constante.

O que fazia Cristo na carpintaria?
Praticava.
Embora perfeito, aprendia - todos nós já lemos sobre isto. E assim ele crescia em sabedoria, para Deus e para os homens.

Procuremos ver o mundo como um grande aprendizado de Amor, e não lutemos contra aquilo que acontece nas nossas vidas. Não reclamemos por precisarmos de estar sempre atentos, ser obrigados a viver em ambientes mesquinhos, cruzando com almas pouco desenvolvidas. Esta foi a maneira que Deus encontrou para praticarmos.

Não nos assustemos com as tentações. Não te surpreendas com o facto de elas estarem sempre à tua volta, e não se afastarem - apesar de tanto esforço e tanta prece. É desta maneira que Deus trabalha as nossas almas.

Tudo isto te está a ensinar a ser paciente, humilde, generoso, entregue, delicado, tolerante.

Não afastes a Mão que esculpe a tua imagem, porque esta Mão também mostra o teu caminho. Está certo de que estás a ficar mais belo a cada minuto que passa - e, embora não percebas, dificuldades e tentações são as ferramentas utilizadas por Deus.

Lembra-te das palavras de Goethe: "O talento se desenvolve na solidão; o carácter no rio da vida." O talento desenvolve-se na solidão; a prece, a Fé, a meditação, a visão clara da vida. Mas o carácter só pode crescer se fizermos parte do mundo. Porque é no mundo que aprendemos a Amar.

"O Dom Supremo", Henry Drummond (traduzido e adaptado por Paulo Coelho)

terça-feira, 23 de junho de 2009

COMO AMEI?




Mateus nos dá uma descrição clássica do Juízo Final:
o Filho do Homem senta-se num trono, e separa, como um pastor, os cabritos das ovelhas.
Neste momento, a grande pergunta do ser humano não será:
"Como vivi?"
Será, isso sim: "Como amei?"

O teste final de toda busca da Salvação, será o Amor.
Não será levado em conta o que fizemos, em que acreditámos, o que conseguimos.
Nada disso nos será pedido. O que nos será pedido: será a maneira de amar o próximo.

Os erros que cometemos nem sequer serão lembrados.
Seremos julgados pelo bem que deixamos de fazer.
Pois manter o Amor trancado dentro de si é ir contra o Espírito de Deus, é a prova de que nunca O conhecemos, de que Ele nos amou em vão, de que Seu Filho morreu inutilmente.

Deixar de Amar significa dizer que Deus jamais inspirou os nossos pensamentos, as nossas vidas, e que nunca chegámos junto Dele o suficiente para sermos tocados pelo seu deslumbrante Amor.
Significa que:
"eu vivi por mim mesmo,
pensei por mim mesmo,
por mim mesmo, e ninguém mais como se Jesus jamais tivesse vivido,
como se Ele jamais tivesse morrido."

É diante de Deus que as nações do mundo serão reunidas.
É na presença de todos os outros homens que seremos julgados.
E cada homem julgar-se-á a si mesmo.
Ali estarão presentes aqueles que encontramos e ajudamos.
Ali também vão estar aqueles que desprezamos e negamos.
Não há necessidade de chamar qualquer Testemunha,
pois nossa própria vida se encarregará de mostrar, na frente de todos, o que fizemos.
Nenhuma outra acusação - além da falta de Amor - será proferida.

Não se enganem;
as palavras que neste Dia ouviremos não virão da teologia,
não virão dos santos,
não virão das igrejas.
Virão dos famintos e dos pobres.
Não virão dos credos e das doutrinas.
Virão dos desnudos e desabrigados.
Não virão das Bíblias e dos livros de orações.
Virão dos copos de água que damos ou deixamos de dar.

Quem é Cristo?
É aquele que alimentou os pobres, vestiu os nus, e visitou os doentes.

Onde está Cristo?
"Todo aquele que receber uma criancinha destas em meu nome, também me recebe."

E quem está com Cristo?
Aquele que ama.

"O Dom Supremo", Henry Drummond (Traduzido e adaptado por Paulo Coelho)

domingo, 21 de junho de 2009

O AMOR PERMANECE

"Quinze segundos de pureza aqui, outros dez além: com um pouco de sorte, terá havido na minha vida, quando partir, pureza suficiente para perfazer uma hora." (Christian Bobin)

Exijam de vós mesmos: viver uma vida plena e correcta. Se olharem para trás, perceberão que os melhores e mais importantes momentos da vida foram aqueles onde estava presente o espírito do Amor.

Quando olhamos o nosso passado - e não nos detemos nos prazeres transitórios da vida -, notamos que os momentos marcantes de nossa existência são aqueles em que vivíamos o amor; ou que, escondidos, fizemos algo de bom para alguém. Coisas às vezes tolas demais para serem contadas, mas que, por fracções de segundo, nos fizeram sentir como se estivéssemos mergulhados na Eternidade.

Eu já vi quase todas as coisas belas que Deus criou. Já gozei quase todos os prazeres que um homem pode gozar. Mesmo assim, ao olhar o meu passado, sobram apenas quatro ou cinco momentos - geralmente muito curtos - em que pude fazer uma pobre imitação do Amor de Deus. São estes momentos que justificam minha vida. Todo o resto é passageiro. Qualquer outro bem ou virtude é apenas uma ilusão. Estes pequenos actos de Amor que ninguém reparou, que ninguém conhece, justificam minha vida.
Porque o amor permanece.

"O Dom Supremo", Henry Drummond (traduzido e adaptado por Paulo Coelho)