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quinta-feira, 7 de maio de 2009

O VIAJANTE

O viajante precisa bater
em muitas portas alheias
para finalmente
chegar à sua própria;
precisa vagar por todos os mundos exteriores;
para finalmente alcançar o santuário mais íntimo.

Rabindranath Tagore

sexta-feira, 6 de março de 2009

Meu amor é único


Ela está perto do meu coração,
tão linda quanto uma flor no jardim;
é suave, como é o descanso para o meu corpo.

O amor que lhe tenho é minha vida fluindo plena,
como corre o riacho nas manhãs de outono,
em sereno abandono.
Minhas canções são únicas como meu amor,
como é único o murmúrio de um rio que canta com todas suas ondas e correntes.

(Rabindranath Tagore)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

QUEM É ELE?

Eu me vangloriei entre os homens de haver-Te conhecido.
Eles vêem as Tuas imagens em todas as minhas obras.
Então se aproximam e perguntam: ‘Quem é Ele?’
Não sei o que lhes responder, e digo apenas:‘Na verdade, não sei como vos contar’.
Eles troçam de mim e se afastam, com desprezo.
E Tu ficas aí, sentado e sorrindo.


Conto as Tuas histórias em canções sem fim,
e nelas o segredo do meu coração acaba escapando.
Eles se aproximam e me perguntam: ‘Conta-nos o que significam todas essas canções’.
Não sei o que lhes responder, e digo apenas: ‘Ah, quem pode saber o que elas significam?’
Eles sorriem e vão-se embora, me desprezando.
E Tu continuas aí, sentado e sorrindo.”


Rabindranath Tagore

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A PRISÃO DO ORGULHO

Choro, metido na masmorra
do meu nome.
Dia após dia, levanto, sem descanso,
este muro à minha volta;
e à medida que se ergue no céu,
esconde-se em negra sombra
o meu ser verdadeiro.

Este belo muro é o meu orgulho,
que eu retoco com cal e areia
para evitar a mais leve fenda.

E com este cuidado todo,
perco de vista
o meu ser verdadeiro.

(Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera")

domingo, 28 de dezembro de 2008

EGOÍSMO

Fui sozinho à minha entrevista,
Quem é esse que me segue
na escuridão calada?

Afasto-me para ele passar,
mas não passa.

Seu andar soberbo
levanta poeira,
sua voz forte
duplica a minha palavra.

Senhor,
é o meu pobre eu!
Ele não se importa com nada.
Mas como sinto vergonha
por ter de vir com ele à tua porta!

(Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera")

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A Corrente do Teu Amor


Permite que de mim reste apenas aquele pouco,
pelo qual eu possa chamar-Te o meu tudo.
Permite que da minha vontade reste apenas aquele pouco,
pelo qual eu possa sentir-Te em todo o lugar,
chegar a Ti em cada coisa,
e em cada momento oferecer-Te o meu amor.

Permite que de mim reste apenas aquele pouco,
pelo qual eu jamais possa Te esconder.

Permite que das minhas correntes reste apenas aquele pouco,
pelo qual eu fique ligado à Tua vontade,
aquele pouco pelo qual
o Teu projecto se realiza na minha vida:
a corrente do Teu amor.

(Rabindranath Tagore)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Teu Silêncio


Se não falas, vou encher o meu coração
Com o Teu silêncio, e aguentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.
A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará,
e a Tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.
Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.

(Rabindranath Tagore)

domingo, 1 de junho de 2008

O Jardineiro

«- Aceito apenas o que de boa vontade me ofereces: nada mais peço.
- Sei disso! Bem conheço o pedinte modesto que és: queres tudo quanto tenho.
- Ah! se eu tivesse essa flor que deixaste cair, levá-la-ia no meu coração.
- E se ela tivesse espinhos?
- Eu os suportaria.
- Sei disso! Bem conheço o pedinte modesto que és: queres tudo quanto tenho.
- Um olhar apenas dos teus olhos amorosos tornaria para sempre feliz a minha vida.
- E se esse olhar fosse mau?
- Guardaria no coração a cicatriz que ele me deixasse.
- Sei disso! Bem conheço o pedinte modesto que és: queres tudo quanto tenho.

(Rabindranath Tagore)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Eis aqui minha biografia

Senhor, eis aqui minha biografia, meu livro de vida...
É documentário e confesso que é muito difícil escrever a vida como vós quereis...
É difícil, Senhor, escrevê-la quando não se é escritor,
quando nunca se aprendeu tal ofício.
Mas a vida não se aprende:
Toda vida é um romance novo, único no género, sempre obra de primeira mão.
É difícil, Senhor, não poder copiá-lo, pois vós não aceitais plágios.
É difícil, Senhor, não poder corrigi-la.
Dela não podemos arrancar páginas mal escritas, ou apagar alguma coisa.
O que escrevi ficará sempre escrito.
O que eu posso é manifestar meu arrependimento,
escrevendo páginas melhores.
É difícil, Senhor, seguir este ritmo da vida que me leva inexoravelmente adiante...
Mas obrigado, Senhor, por retratar-me das páginas passadas
em cada nova página que escrevo.
É difícil, Senhor, ir virando as folhas, dia a dia,
na angústia de não saber o dia da entrega do manuscrito...
Mas não seria, Senhor, mais angustioso ainda saber o dia e a hora?
É difícil, Senhor, não sabermos quantas folhas em branco nos restam
para desenvolver satisfatoriamente o tema...
Um dia qualquer vós me tomareis a caneta das mãos
e escrevereis debaixo do meu último rabisco:
Fim.
É difícil, Senhor, não poder reclamar, então:
"Ainda não terminei...",
porque há sinfonias inacabadas que são obras primas
e há existências longevas que nunca acertaram o tema.
Tive pena do tempo perdido...
Mas, Senhor, não tivestes minha vida, a cada instante, em vossas mãos?

(Rabindranath Tagore)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Dá-me forças


"Dá-me, ó Deus, forças para tornar o meu amor frutuoso e útil.
Dá-me forças para jamais desprezar o pobre nem curvar o joelho ante o poder insolente.
Dá-me forças para levantar o espírito bem alto, acima das futilidades de todo dia.
Dá-me forças para que me humilhe, com amor, diante de Ti.

Não sou mais que um farrapo de nuvens de outono, vagando inútil pelo céu, ó Sol glorioso!
Se é Teu desejo e Teu aprazimento, toma do meu nada, pinta-o de mil cores, irisa-o de ouro,
fá-lo flutuar no vento, e espalha-o pelo céu em múltiplas maravilhas...
E depois, se for Teu desejo terminar à noite tal recreio,
eu desaparecerei, esvaecendo-me em treva,
ou talvez em um sorriso de alvorada,
na frescura da pureza transparente".
(Rabindranath Tagore)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Minha Canção

Minha Canção Te Envolverá Com Sua Música,
como os abraços sublimes do Amor.
Tocará o teu rosto como um Beijo de Graças.
Quando estiveres só, se sentará a teu lado e te falará ao ouvido.

Minha Canção será como asas para os teus sonhos
e elevará teu coração até o Infinito.
Quando a noite escurecer o teu caminho,
minha Canção brilhará sobre ti como a Estrela Fiel.
Se fixará nos teus lindos olhos e guiará teu olhar até à Alma das Coisas.
Quando minha Voz se calar para sempre,
minha Canção te seguirá em teus pensamentos."
(Rabindranath Tagore)

terça-feira, 29 de abril de 2008

O amor fresco e puro...


Não quero o amor que desconhece limites,
como o vinho espumante que rompe o vaso e se derrama,
perdendo-se em um instante.

Envia-me o amor fresco e puro como Tua chuva
que abençoa a terra sedenta e enche as vasilhas do lar.
Envia-me o amor que penetra até ao centro do ser
e daí se espalha, como seiva invisível, pelos ramos da árvore da vida,
fazendo brotar flores e frutos.
Envia-me o amor que mantém o coração tranquilo, com a plenitude da paz.

(Rabindranath Tagore)

domingo, 27 de abril de 2008

Quando estiverem afinadas...


Quando estiverem afinadas, Mestre,

todas as cordas da minha vida,

cada vez que as toques, cantarão de amor.

(Rabindranath Tagore)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O pássaro livre e o pássaro domesticado



O pássaro domesticado vivia na gaiola e, o pássaro livre, na floresta.

Mas o destino deles era se encontrarem, e a hora finalmente havia chegado.

O pássaro livre cantou: - Meu amor voemos para o bosque.

O pássaro preso sussurrou: - Vem cá, e vivamos juntos nesta gaiola.

O pássaro livre respondeu: - Entre as grades não há espaço para abrir as asas.

- Ah, lamentou o pássaro engaiolado - no céu não saberia onde pousar.

O pássaro livre cantou: - Amor querido, canta as canções do campo.

O pássaro preso respondeu: - Fica junto comigo, e eu te ensinarei as palavras dos sábios.

O pássaro da floresta retrucou: - Não, não! As canções não podem ser ensinadas!

E o pássaro engaiolado gemeu: - Ai de mim! Eu não conheço as canções do campo.

Entre eles o amor era sem limites, mas eles não podiam voar asa com asa.

Olhavam-se através das grades da gaiola, mas em vão desejavam se conhecer.
Batiam as asas ansiosamente, e cantavam: - Chega mais perto, meu amor!

Mas o pássaro livre dizia: - Não posso! Tenho medo da tua gaiola com portas fechadas.

E o pássaro engaiolado sussurrava: - Ai de mim! As minhas asas ficaram fracas e morreram. - (Rabindranath Tagore)

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sim, bem sei...


Sim, bem sei, ó Amado do meu coração,
tudo isso não é senão o Teu Amor ;
esta luz dourada que dança sobre as folhas,
estas nuvens preguiçosas navegando pelo céu,
esta brisa fugitiva deixando uma frescura em minha fronte.

A luz da manhã inundou os meus olhos;
essa é a Tua mensagem ao meu coração.
A Tua face debruça-se do alto,
os Teus olhos olham os meus olhos aqui em baixo,
e o meu coração resvala pelos Teus pés.

(Rabindranath Tagore)