Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Santiago. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Santiago. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Faz-me menino...

"Faz-me menino de encantos e brincadeiras, a correr descalço e solto pelo carreiro térreo da Tua Vontade." 

[Rui Santiago Cssr, in "Ora Vê"]

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Liberdade


«Liberdade é uma condição essencial para ser feliz. É muito mais que fazer o que lhe apetecer! Isso é livre-arbítrio, não Liberdade… Liberdade é querer fazer o que considero melhor fazer, ainda que custe, ainda que, superficialmente, não me apeteça. Ser livre implica ser muito forte, porque é um combate que se trava consigo próprio. Ser livre é ser protagonista nas minhas opções, decisões e acções, não porque só se faz o que apetece, mas porque se está radicalmente comprometido com o que se faz.»

Rui santiago, Jovens redentoristas

quarta-feira, 26 de março de 2008

Amar é viver

"(...) Vida é o "algo mais" da existência. Não é um suceder de dias gastos e desgastantes, sem passado que alegre nem futuro que entusiasme. É uma construção quotidiana do mais fundo de mim próprio, do que sou, para lá do que tenho ou pareço. É uma descoberta do essencial, do eterno, do "eu" que permanece porque é mais forte que a morte. E só o que tem coração é eterno… só o que tem densidade de amor permanece, porque no frente-a-frente com a morte, só o amor se aventura sem lutar para perder. Seremos eternamente a plenitude do que agora construirmos; e construímo-nos agora na medida em que amamos.(...)"

sexta-feira, 7 de março de 2008

Ser feliz


«(...) Porque ser Feliz não é sentir-se assim ou assado… Não é a “consequência” de uma maneira de viver ou de certos acontecimentos… É uma maneira de viver! Ser Feliz é uma maneira de viver que, não anulando as experiências de dor, sofrimento, derrota ou traição, as transfiguram no seu âmago! É possível sofrer, falhar e chorar como pessoa Feliz! Ser Feliz é uma maneira de viver, não a consequência desta ou daquela coisa… E se é uma maneira de Viver, ser Feliz é também uma maneira muito especial de sofrer, de chorar e de recomeçar.(...)»


Rui Santiago, Derrotar Montanhas

quinta-feira, 6 de março de 2008

Blog do Emanuel

Já conheces o Blog do Emanuel?(clica sobre as palavras) Não?! Então, não sabes o que perdes!
Visita-o assim que puderes. Ele gosta muito de fazer amigos e está sempre disponível para ajudar todos aqueles que o procuram e aprendem a amá-lo.

Agora, deixo que o Emanuel se apresente pessoalmente. Só Deus sabe se não poderá ser o início de uma bela e eterna amizade!


Splaaashh!...






Afinal, o que é isso da Ressurreição?





"Então, (i)Reverência?!"






terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Feliz Natal!



Jesus, neste natal encontrar-nos-ás?...

Já houve um dia em que não tiveste lugar nas casas iluminadas da cidade...

Hoje, com as pernas e o Coração a Caminho,
procuro-te nas ruas enfeitadas,
nas luzes, nas montras, nos rostos,
nas mãos carregadas de presentes sem história…


Há passos apressados e sacos cheios de menoridades necessárias
que esvaziam as algibeiras
mas não vejo encherem muito os corações…
Há rostos pesados e cansados
de olhares em sobressalto
entre a mais recente promoção e os últimos nomes da lista…
Há embrulhos, laços, postais, música…

E há as crianças...

Sim, sempre elas, a dar o tom da Alegria
Sem outra preocupação senão descobrir a última novidade
no céu, no semáforo que fica intermitente
ou no rafeiro que está deitado à entrada de um prédio...

Há as crianças...

Porque a alegria da maior parte dos que não são como elas não me convence…
Estão preocupados demais
para poderem estar alegres.
Estão apressados demais
para saborearem os caminhos que percorrem.
Estão ocupados demais
para perguntarem o porquê dos gestos que fazem.


Parece-me que o natal lhes sai dos bolsos
mas não lhes entra no coração!

E depois, sem que se dêem conta,
o natal já passou.
E não ficou…


Porque inventámos um natal
onde ninguém precisa de nascer para que seja NATAL!
Porque já vai longe a lembrança
de que um dia um Menino nasceu,
antes de haver shoppings e cartões de crédito;
num país onde não havia um Pai Natal
que gostasse de andar atrelado a renas;
onde não havia pinheirinhos com luzinhas
nem se cantava Jinglebells…


E, apesar de faltar tudo isso,
consta que houve NATAL…
E hoje,apesar de haver tudo isso,
consta que não há tanto NATAL como as montras dizem…



Rui Santiago, Derrotar Montanhas
_

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A Magia do Humor


E acima de tudo o Humor! Sim, sim, sim! No coração o Amor, no rosto o Humor! Se eu fosse um Messias, agora diria qualquer coisa como: “Nem só de Amor vive o Homem, mas de todo o Humor que brota do seu coração!” (pronto, já disse). Está cientificamente provado o poder terapêutico do humor e do riso. E mesmo que não estivesse! Está historicamente comprovado que os melhores momentos da nossa vida estão marcados por uma boa gargalhada.

Aprendamos a rir-nos de nós próprios, sem medos nem inseguranças. É um dos mais evidentes sinais de maturidade é a capacidade de se rir de si próprio e ser causa de riso para os outros (riso, não gozo…).
Vá lá, ri-te de ti próprio, porque de qualquer maneira alguém se há-de rir de ti! E não te queiras alhear disto com desculpas deste género: “Eu não sou dado a risos, não nasci com grande humor…” Eu também não me sinto vocacionado a ser palhaço! Mas não perco a oportunidade de uma boa risada, nem tenho medo de manifestar a minha alegria.

Não estamos a falar da comédia dos palhaços, mas do humor dos sábios, a atitude espontânea e despretensiosa diante das situações, o humor anti-peneiras e anti-superficialidades. O humor dos simples, o riso fácil das crianças de coração feliz quando lhes fazemos uma careta, a alegria de ir nascendo em ti a certeza de que tudo isto é verdadeiramente possível se quiseres. Tens a vida ao teu alcance

Não achas bonito que os bebés, ao nascer, nasçam de cabeça! Sim, nascemos “de cabeça para a vida” (quer dizer, eu por acaso nasci de cesariana, mas dá para perceber a ideia, não dá?!). Entramos na vida “de cabeça”, e depois é que vamos ganhando os medos, as cobardias, os pessimismos…Viver uma Espiritualidade Prática implica redescobrir todos os dias como se “entra na vida de cabeça”, de peito aberto, coração confiante e mente criativa. Por isso, é nascer de novo todos os dias…

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Inverter a lógica


É fundamental compreendermos que a realidade “não é simplesmente o que é”, mas acaba sempre por tornar-se o modo como olhamos para ela. As coisas tomam a cor da luz que as ilumina. Numa sala com uma lâmpada azul, todas as paredes, móveis e pessoas ficam azuis. Muda a lâmpada para verde, e tudo ficará verde. Para ver bem, é preciso escolher a “luz” certa. “Olhar” os acontecimentos significa “interpretá-los”. E é fundamental aprendermos a interpretar os acontecimentos de maneira optimista, positiva, confiante e criativa, porque isso leva-nos a dar passos concretos que nos conduzem a melhorarmos a realidade.

Um pensador espanhol muito conhecido, disse um dia uma frase que ficou famosa: “Eu sou eu e a minha circunstância”. Mas “eu” não sou a minha circunstância! Na mesma circunstância, “eu” posso optar por ser “outro”, isto é, ser diferente. Porque as circunstâncias (contextos) fazem as pessoas, mas as pessoas fazem as circunstâncias (contextos). Não somos “ratos de laboratório” numa grande “gaiola de experiências e ensaios” que é o mundo! Não somos fantoches nas mãos de qualquer destino! Temos os fios mais importantes da nossa vida nas nossas próprias mãos! As nossas posturas, atitudes e expressões (verbais, faciais, corporais, simbólicas…) são consequência das nossas experiências, mais ou menos positivas. Sim; mas o mais importante desta lógica é que pode ser invertida! As nossas experiências de vida podem ser mudadas se mudarmos as nossas posturas, atitudes e expressões!

O modo como nós lidamos com as nossas experiências, as mais antigas como as actuais, torna-as diferentes. Somos protagonistas de nós próprios, somos autores e não só resultado da nossa história, cheio de acontecimentos. Quando falamos de “história”, da nossa história, temos a tentação de olhar só para o passado, considerando-nos como resultado de tudo o que fomos, tivemos e nos aconteceu. Uma coisa te garanto: a maturidade da Fé, da Esperança e do Amor ao jeito de Jesus empurra-nos sempre a olhar para a frente, rasga-nos o futuro. “Tens que nascer de novo!”, disse Jesus a Nicodemos. “Poderei voltar ao ventre da minha mãe?!”, perguntou ele. O engano do costume… querer renascer voltando ao passado! Renascer é nascer novo para o futuro. A nossa história não é só o fio das nossas memórias e experiências. A nossa história é também o apelo ao que de nós ainda está por nascer, o mundo dos nossos projectos e das nossas ousadias a caminho da Felicidade. Não te deixes ser apenas o resultado das tuas experiências!

Sê autor da tua história, pelo modo como amadureces com as experiências do passado, enfrentas as do presente e preparas as do futuro. Não te deixes cair no marasmo dos que acham que nunca há nada a fazer para mudar… porque é mentira! Nem deixes que te enganem com os seus argumentos… Não te deixes cair na tentação de querer justificar as desistências com argumentos que parecem muito “sábios”, mas só servem para enganar os distraídos, coisas deste tipo: “Eu sou assim… é uma questão de personalidade… é a minha maneira de ser…” Essa “maneira de ser” que chamam “personalidade” não pode ser entendida como uma realidade estática, como um destino interior imutável, qualquer coisa como uma “mola interior” que impulsiona os nossos comportamentos, sempre e só num movimento “de dentro para fora”.

Sabes, a nossa personalidade manifesta-se nos nossos comportamentos, mas se quisermos amadurecer temos que começar por conscientemente mudar os nossos comportamentos! Os comportamentos também moldam a personalidade. Na prática, sabes como é que isto se faz? É assim: se queres possuir uma determinada qualidade ou maneira de ser, faz por comportar-te como se já a tivesses! Esse é o caminho para ela desabrochar em ti…

Rui Santiago

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Da ruminação pessimista à digestão optimista

Pois é! Às vezes “acontecem” coisas que ninguém estava à espera, situações pelas quais ninguém optou, acontecimentos que ninguém escolheu viver, experiências que ninguém queria. A marcha da vida e as suas surpresas desagradáveis, que nos costumam deixar na boca o travo da injustiça e, às vezes, da revolta…Mas não são só estas… até outras, que nos parecem ainda mais incompreensíveis.

Temos que dar alguns saltos qualitativos para chegarmos à sabedoria da confiança e do optimismo criativo. Este, por exemplo: temos que aprender a reconhecer que a marcha da vida não é obrigatoriamente justa! Às vezes, mesmo sendo competentes e esforçando-se, sendo sérios e empenhados, os resultados podem ser maus. Aqui, há que aceitar e avançar! Que outra hipótese haverá?! Enrodilhar-se num canto e chorar? Nunca fiques aí muito tempo… eu sei que apetece, mas isso faz-te tanto mal…Já alguma vez viste uma vaca a pastar? Engole tudo de uma vez, e depois deita-se calmamente a ruminar, que é o processo de trazer a comida à boca para a mastigar demoradamente! Nós, muitas vezes fazemos algo parecido na nossa mente com os acontecimentos mais negativos e dolorosos da nossa história…É aqui que devemos aprender a passar da ruminação pessimista dos acontecimentos, à sua digestão optimista, ou seja, assimilação, incorporação e… adiante, que o caminho faz-se caminhando!

A ruminação dos acontecimentos encerra-nos na espiral fechada da angústia, pela repetição constante do “Porquê?! Porquê?!” E, muitas vezes, não há mesmo um “porquê”…A digestão insere-nos na espiral aberta do crescimento, pela serena luminosidade da pergunta: “Para quê?... Para quê esta situação? O que aprendo com ela, como posso crescer nela?
Auto-enroscar-se nas causas, ou abrir-se às soluções? Tenho a certeza que nem duvidas do que é melhor… E tenho a certeza que Deus nunca se ausenta nas nossas dificuldades! A maior parte das vezes costumamos é pô-lo a “jogar na equipa contrária”… Deus está por nós!!! Deus não é a causa dos acontecimentos que nos fazem mal, mas sim a saída com sucesso! Deus é em nós fonte de força e discernimento para compreendermos como lidar com todas as situações, como sair delas mais amadurecido e humanizado. Para teu bem, nunca permitas que alguém à tua frente coloque Deus como “causa do mal!” É uma mentira gravíssima, e muito difundida. Deus é o Amor Forte e Novo ao teu dispor, vinte e quatro horas por dia, para te conduzir à Vitória sobre o Mal, à Vitória sobre a Tristeza, à Vitória sobre o Absurdo. Vive-o, testemunha-o, anuncia-o!
E não te deixes ficar muito tempo prostrado! “Agarra-te nas mãos” e refaz-te sem demoras, porque ouvi dizer que “a vida são dois dias”, e às vezes levamos um para despertar! Sabes, aqui entre nós… o papel de vítima pode ser muito confortável, talvez até uma excelente desculpa para não mudarmos… mas não é certamente o caminho que conduz à “Terra Prometida que se chama Felicidade”.

Rui Santiago

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Recado de JESUS aos Corações amedrontados

Este post merece uma introdução condigna.

Hoje, pela primeira vez, publico o mesmo post, em simultâneo, nos meus dois blogs. O objectivo é que o maior número de pessoas possível tenha acesso a este texto.
Há pessoas que visitam regularmente os meus dois blogs; outros que visitam apenas este, ou o Conhecer e seguir jesus. Também há os que visitam os meus blogs e o do autor do texto que irei transcrever e que, por essa razão, provavelmente já leram o texto. Mas, será sempre proveitoso rele-lo, estou certo.
Desejo que todos os que me visitam sintam vontade de ler este texto; crentes, não crentes, ateus, agnósticos, pessoas de diferentes religiões e credos (o texto é dirigido a todos). Desejo que o título do post não gere preconceitos ou desinteresse por parte dos que não crêem. Desejo que abram os vossos corações e recebam as palavras sábias e profundas escritas pelo meu caro amigo Rui Santiago, do blog: Derrotar montanhas( visitem-no sem demora).
Estou convicto que depois de lerem o texto sentirão a vossa alma mais leve, engrandecida, enriquecida, fortalecida, serena, grata( bem, já chega de adjectivos eloquentes)... E o vosso coração? Provavelmente, sentirá uma irresistível vontade de voar acima dos medos e entregar-se à liberdade suprema de um amor incondicional.
Boa leitura!


Recado de JESUS aos Corações amedrontados

Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas as cores com que se pintariam os teus dias! Se percebesses de uma vez por todas o teu verdadeiro tamanho, assim como eu próprio te vejo, e o lugar que ocupas no Coração do meu Pai, aprenderias de novo a dançar e a cantar como nos tempos de criança. Mas não dançarias mais como criança… Dançarias como fazem os Sábios de todos os tempos, cantarias como eles, sentirias o teu íntimo em Festa num sereno baile de Alegria e Paz…

Se tu soubesses do que és capaz, deixarias de fechar-te em ti próprio, e eu daria largas ao teu Coração, far-te-ia levantar voo acima dos teus medos, das tuas tristezas e das tuas desistências…

Deixa-me mostrar-te do que és capaz…

Todos os que dão crédito às minhas palavras, lentamente vão percebendo que não lhes minto! Dentro deles o Espírito Santo começa a fazer maravilhas, e eles sentem… Pouco a pouco, vão até aprendendo a colaborar com Ele, vão-lhe aprendendo os ritmos e percebendo os sinais… E, até hoje, nunca nenhum se sentiu defraudado em relação àquilo que lhe prometi! Bem pelo contrário…

Deixa-me mostrar-te do que és capaz…

Sou capaz de ensinar-te como se olha verdadeiramente para a Vida, para a História, para as Pessoas, e para os Desafios que tudo isto traz consigo! Sou capaz de libertar-te das forças autodestrutivas que às vezes ainda te minam o Coração: o ressentimento, o medo, a frustração, a impaciência, a desistência, a vingança, o desânimo…

Se tu soubesses do que és capaz adorarias voltar a ver-te ao espelho, e perceberias que tinhas renascido. Estas coisas escrevem-se-nos no rosto e nos olhos…

Lembras-te da quantidade enorme de desafios complicados que já venceste? São tantos, não são?!

Lembras-te de quantas vezes já pensaste “Desta não saio! Isto é demais! Nunca vou ultrapassar isto!”? Lembras-te?

Eu lembro-me bem, porque estive sempre contigo! Já vencemos juntos tantas coisas… E tudo isto, em vez de te fazer forte, muitas vezes só tem servido para complicares a Vida ainda mais por causa do passado e te assustares diante do rosto feio de alguns dias.

Por isso é que hoje tinha que falar-te assim, e andei às voltas a tentar arranjar uma maneira de o fazer! Porque quero muito que aprendas a olhar para ti como eu próprio te vejo!

Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas como os teus pés se tornariam ligeiros, as tuas pernas fortes, os teus braços vigorosos, o teu peito invencível, a tua cabeça inquebrável, o teu rosto terno, os teus olhos atentos…

Deixa-me mostrar-te do que és capaz!

Não perceberás tudo hoje, nem amanhã ainda… Mas começa hoje! Deixa-me mostrar-te do que és capaz…

Dentro de ti, quero ensinar-te a ver cada coisa com o seu real tamanho e valor, porque às vezes vês grandes demais problemas pequenos, e não prestas atenção a grandes maravilhas… Como tu!

Quando aprenderás a olhar para ti como se contempla uma maravilha? Quando aprenderás a ver-te como eu te vejo?

Não te olho à procura de perfeições, não existe em mim qualquer moralismo, não te exijo que sejas diferente do que és para gostar de ti e para me encantar ao olhar-te. Basta-me que sejas assim como és. Não compliques…

Se tu soubesses do que és capaz, tirarias finalmente muitos projectos da gaveta do teu Coração e darias passos que antes julgavas maiores do que as pernas. Porque se tu soubesses do que és capaz, as tuas pernas cresceriam…

Rui Santiago, Derrotar montanhas

domingo, 12 de agosto de 2007

Sabedoria da Proporcionalidade

O mundo chama-lhe «Capacidade de Encaixe». Eu prefiro chamar-lhe «Sabedoria da Proporcionalidade».
Tem a ver com aprender a reagir diante de cada situação segundo o que ela merece e significa, e não segundo ela provoca. É a sabedoria de vencer a lógica da reacção… Numa re-acção, a acção nunca é nossa, mas daquele que a provoca. Nós não funcionamos senão como um espelho ou uma parede de ricochete, mais ou menos lisa.
Se numa re-acção a acção não é nossa, reagir é não ser livre. Além disso, se a acção não é nossa, reagir é não se construir.
A lógica da reacção persegue-nos a vida toda… Mas não é tão senhora de nós como pode parecer! Não pode ser!!! Temos que aprender a pôr um cabresto à lógica da reacção para que, nos momentos em que ela se insinua em nós, a domemos, dominemos e vençamos. Está ao nosso alcance! O cabresto chama-se Vontade. O treino segue a metodologia da perseverança quotidiana e não desistente.
Sem isto, não somos mais que seres ultra-sensíveis que se torcem e retorcem ao mínimo toque, e que ao primeiro dissabor atiram um ataque feroz contra essa fonte de sabores acres e amargos, sem sequer se darem conta – muitas vezes – que irão morrer à fome porque apertaram cabeças demais e acabaram por matar não só as fontes dos dissabores mas também as fontes de outras doçuras e delícias que lhes fazem falta…
As reacções são cegas, insensíveis e insensatas. Por muito que nos queiramos enganar, elas nunca estão do nosso lado! Nunca entram em jogo para nos fazer ganhar… As suas fintas quase sempre nos fazem marcar golos na própria baliza e sofrer a angústia da derrota.

Encontrar a proporcionalidade correcta entre o estímulo e a resposta. As reacções nunca são proporcionais; são exponenciais.
Aprender a Proporcionalidade é dar a cada coisa a importância que ela merece, e não a importância que lhe atribuem os nossos sentidos, os nossos afectos e emoções, ou as nossas revoltas interiores. Exige que nos livremos a cada dia da nossa «capa de ricochete relacional» para aprendermos a assimilar e centrar o que vem ao nosso encontro, sejam acontecimentos, situações imprevistas, alegrias ou tristezas, sofrimentos ou prazeres.
A «Sabedoria da Proporcionalidade» é o fio condutor da lógica da aprendizagem: descobrir em todos os acontecimentos uma porta de saída com sucesso. Sem ilusões… Dizer saída com sucesso não é sinónimo de solução fácil. Há algumas situações em que a porta de saída pode não ser uma solução, porque talvez nem a haja. Mas há sempre, em todo e qualquer acontecimento, a porta de saída da aprendizagem.
Isto significa validar todas as coisas, isto é, dar-lhes validade, valor, significado, importância. Porque o maior perigo da nossa vida são os dias em branco. Dias em que falhámos, fracassámos, errámos, foram dias em que, apesar de tudo, vivemos, arriscámos, optámos. Mas dias em branco não são mais do que suicídios de alguns pedaços de nós.
Há que recusar a neutralidade como lógica medíocre dos nossos dias, e optimizar a negatividade que de manhã à noite vem ao nosso encontro por mil e um rostos, acontecimentos e situações.
O que está em jogo somos nós próprios. Não basta ter nascido um dia… é preciso renascer todos os dias! É tarefa e necessidade do coração humano a Sabedoria de Viver, a Arte de Ser. Não está ao alcance de todos, porque é preciso conhecer alguns segredos… como este, por exemplo, da «Sabedoria da Proporcionalidade» ou, como o mundo lhe chama, a «Capacidade de Encaixe».
Para que ao vivermos uns com os outros, não nos condenemos a ser todos menos por causa da rudeza dos nossos desencaixes…


Rui Santiago cssr

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Parar para ver, ouvir e ler...


Pára um pouco! Desfruta tranquilamente deste momento; ouve com atenção estas palavras, contempla estas imagens, viaja ao som desta melodia... Por instantes, esquece o mundo lá fora, os teus múltiplos afazeres, as tuas pesadas pré-ocupações... Este momento também é importante! A vida é Aqui e Agora!




Autor: Rui Santiago -
http://www.youtube.com/user/ruisantiagocssr

Pára mais um pouco. Parar é importante...
Olha, vou fazer-te uma: como foi o teu dia? Não, não, não quero que me digas se correu bem ou mal, não quero que me digas que fizeste isto ou aquilo, não! Interessa-me saber quem és, quem foste hoje. Vá lá, como foi o teu dia? És mais feliz? Quantos sorrisos plantaste hoje? A quantas pessoas enriqueceste hoje, com a tua passagem?
Vês? Há perguntas difíceis, não há? Mas são as mais importantes. Pára um pouco! Liberta-te por um pedaço de tantas coisas urgentes! Sabes, passas os dias à volta de coisas urgentes, e costumas esquecer as importantes. É sempre tudo tão urgente, não é? A vida pede-nos tudo com urgência, tudo para ontem! E o importante, pode sempre ser amanhã. Na maior parte das vezes, um amanhã que demora a chegar…E na lógica das coisas urgentes, deixamos de viver e passamos a existir.Viver como pessoa humana é construir-se em cada dia, é ter-se nas mãos e fazer-se sem descansos, com a argamassa da Amizade, os tijolos do Amor, as ferramentas da Verdade. O ser humano não nasce feito, acabado. Temos que construir-nos como pessoas felizes, e isso acontece na medida em que souberes inventar relações de Amor, relações de bem-querer com aqueles que te rodeiam.
Vou dizer-te um segredo – fixa-o bem! – viver é conviver. Viver é conviver com os outros, porque ninguém é feliz sozinho. Mas a lógica das coisas urgentes costuma empurrar-nos sempre para o egoísmo, não é assim? Pensa bem: quantas vezes hoje te entraram pelos ouvidos frases deste género: “Isso é cá comigo”, “cada um que se arranje”, “eles são eles, eu sou eu”; quantas vezes as ouviste? E, já agora, quantas vezes as disseste? Às vezes, parece que vivemos enroscados em nós próprios, girando infinitamente sobre o nosso belo umbigo; e assim, perdemos o gozo de viver, o sentido dos nossos dias e a alegria que o nosso coração nos pede. Porque nos fechamos ao diálogo, à partilha, à fraternidade, à amizade. Fechar-se aos outros é fechar a porta ao encontro com Deus. Abrir-se aos outros é pôr-se na disposição de ser encontrado pela novidade surpreendente do seu Amor.
Olha, vou dizer-te mais um segredo: com Deus, ninguém fica a perder! A Fé verdadeira, aquela ao jeito de Jesus Cristo, não é uma piedadesinha domingueira, assim a cheirar a bafio e a bolas de naftalina, não! A Fé é uma arte de viver com sentido, a Fé é um descobrir os horizontes máximos da vida em Deus. O Seu Amor é a fonte, o Seu Amor será, no fim, a plenitude.Olha, e se tudo isto fizesse sentido também para ti? E se te abrisses hoje à novidade de Deus? Não o das imagens gastas, mas o Deus de Jesus de Nazaré, aquele Deus que faz nascer Vida Nova no coração daqueles que o acolhem – como tu…
Rui Santiago

terça-feira, 24 de julho de 2007

Relações(2ª parte)


Já te falei de auto-estradas, de carreirismo e de sprinters…

Queria ainda falar-te de duas palavras que conheces muito bem: entras num supermercado e, se reparares, encontras-te num mar de produtos light e artigos descartáveis.Tudo é light, dos sumos às manteigas, e tudo é descartável, desde as fraldas às giletes.O pior é que o critério light e descartável aninhou-se nas relações entre as pessoas. As relações são cada vez mais light, sem compromisso real, sem disponibilidade para aguentar sofrer naqueles momentos em que amar faz doer, sem promessa de fidelidade incondicional… A relação light é a típica relação do “vamos ver se dá”…O resultado imediato das relações light é que se tornam rapidamente relações descartáveis, relações de “usar e deitar fora”…

Se todos acordássemos para isto, o mundo poderia começar a ser diferente…Se as auto-estradas fossem só uma questão de alcatrão… mas são o sinal de uma mentalidade que nos entrou nas veias, a mentira de fazer da vida uma carreira, que nos impede de nos sentarmos nos bancos de jardim do coração a partilhar o dia com os amigos porque, na verdade, não há amigos mas sim adversários.

Se os critérios light e descartável fossem só uma questão de calorias e vasilhame… mas são o sinal de uma superficialidade que se nos colou ao coração e vai reduzindo as nossas relações a encontros à flor da pele e atitudes que não transformam mais que a casca da vida. Se todos nos déssemos conta de que criar relações verdadeiramente humanas é optar por viver em atitudes e gestos de bem-querer e atenção aos outros, de compromisso vital para que ninguém fique mais triste, pobre ou infeliz por nos ter conhecido…Se percebêssemos que este é exactamente o segredo mais profundo da nossa construção pessoal…Se tivéssemos os olhos bem abertos, perceberíamos que só o amor nos constrói…E se tivéssemos o coração suficientemente disponível para assumir o amor como sentido dos nossos dias, tenho a certeza que seríamos muito mais felizes!

Rui Santiago cssr

domingo, 22 de julho de 2007

Relações(1ª parte)


Uma das grandes invenções do nosso tempo são as auto-estradas. Até em relação à informática e aos meios audiovisuais se fala já das “auto-estradas da comunicação”. Só que reduz-se a tal “comunicação” a um intercâmbio de informação…É um sinal bem claro do que vem acontecendo às relações entre as pessoas nas últimas décadas. Cada vez está mais fácil e imediata a comunicação, mas cada vez são mais precárias e breves as relações. Porque talvez não nos andemos a encontrar ao nível certo…

As auto-estradas estão construídas para ultrapassar. Por isso é que é impossível ter uma só faixa de rodagem, porque isso dificultaria as ultrapassagens. A característica que identifica uma auto-estrada é possibilitar do início ao fim a “arte da ultrapassagem”.Ora, é exactamente a imagem do mundo que vimos construindo, onde as pessoas não se encontram verdadeiramente nem caminham juntas. Apenas se cruzam e entrecruzam enquanto se tentam ultrapassar.E o pior é que estamos a inocular esta “arte da ultrapassagem” no sangue inocente das crianças. Cada vez que comparamos uma criança com outra para a fazer sentir-se diminuída, ensinando-a a tirar daí motivação para ultrapassar a outra criança, estamos a inscrever desde logo no seu inconsciente (onde ganham raízes os valores que moldam a personalidade) que o importante não é ser bom. O mais importante é ser melhor que o outro. Mais importante que vencer-se cada um a si próprio, nas suas limitações e dificuldades, é vencer os outros. E assim vamos desde cedo envenenando o futuro…Deixamos de ter amigos porque os olhamos como rivais, os companheiros de caminhada passam a ser adversários, e os que caminham mais devagar não passam de estorvos.

Sabes que mentalidade é esta?A mentalidade daqueles que não esperam da vida mais que uma carreira!E não penses que isto está tão longe de ti como te pode parecer. Pensa bem…Desde pequenos, à célebre pergunta: “O que queres ser quando fores grande?”, somos ensinados a responder com uma carreira: “Quero ser professor, médico, advogado, veterinário…”. Quase nenhuma criança foi ensinada a responder: “Quero ser feliz!”Conheço muita gente que troca a vida por uma carreira. E isto – garanto-te – não é mais que um suicídio em câmara lenta.Foi esta mentalidade de “carreirismo” que inventou as famosas auto-estradas do coração, onde os outros não são mais que adversários a deixar para trás quanto antes.No nosso mundo, os heróis são todos “sprinters”.

O logótipo do sucesso é sempre alguém que, orgulhosamente só, chegou mais longe e mais rápido que todos os outros que queriam chegar ao mesmo, ficando assim no topo de um pedestal onde apenas há lugar para um, sobre todos aqueles que, por terem ficado para trás, lhe são submissos, ainda que a submissão esteja enraizada na inveja, no desejo de ver o outro fracassar ou na injustiça.Os heróis são os sprinters, os que chegam à meta em primeiro lugar e sozinhos. Quanto mais distantes dos seguintes, maior o brilhantismo. Parar pelo caminho para dar a mão aos companheiros é perda de tempo e chegar à meta de mãos dadas é “falta de espírito competitivo”. E no nosso mundo, só os que competem podem triunfar…(continua)

Rui Santiago cssr

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Medos - Parte III

À medida que vou conversando contigo, não me sai da cabeça a imagem dos mineiros a aventurar-se em grutas que nunca ninguém percorreu…Há sempre os que ficam à porta da mina, “à superfície”, como eles dizem. A gruta é escura, os túneis desconhecidos, e o medo é mais forte…Tal e qual como na vida: há sempre os que ficam à porta, na superficialidade da existência, no lado de fora da realidade. E há os outros… os que entram. Não sem medo, não sem incertezas, não sem dificuldades… mas entram! E depois, desde a superfície até ao filão de minério que procuram, ainda há um caminho por contar. Mas, para contar, é preciso fazê-lo primeiro…Nesse caminho, há pedaços da gruta que são escuros e bates com a cabeça nos tectos mais baixos, ou tropeças nalgumas pedras mais levantadas e cais. No chão, descobres também que há outras pedras na parede, logo ali, onde podes apoiar as mãos para te levantares outra vez, porque o minério que procuras ainda te chama ao longe. Nesse caminho, há passagens tão estreitas que te arrancam pedaços e te fazem gemer por momentos a dor dos cortes. Mas isso é já depois de teres passado…E continuas a caminho, talvez ensanguentado, mas continuas. E dás-te conta de que o sangue rapidamente estancou. E sorris até, ao reparares que deixas por momentos atrás de ti um trilho marcado com o teu sangue para quem vier atrás, um apelo delineado com a tua própria vida para quem quiser seguir-te na procura dos tesouros que “à superfície” não se encontram.

E começas a sentir-te verdadeiramente feliz. Pela primeira vez saboreias a felicidade de construir um caminho que vale a pena, para ti e para os outros.À medida que avanças, encontras também pequenos charcos de água incrivelmente fresca que brota de nascentes que tens ao alcance da mão. E sentas-te, refrescas-te e saboreias a doçura de momentos como só dentro da gruta tiveste a oportunidade de experimentar. E, ao parares, dás-te conta de que há um companheiro que estava contigo nos primeiros metros de caminhada e já deixou de te acompanhar: o medo. Perdeste o medo, não porque lhe fugiste, mas porque o olhaste de frente e lhe passaste por cima. E diante de gente corajosa, o medo deixa-se ficar para trás.Sentiste-te livre! Descobriste que a liberdade verdadeira é a ausência de medos, e ficaste ainda mais feliz, porque só os homens livres podem ser felizes.

Continuaste a caminhar…E foste encontrando de tudo, entre galerias que se faziam aos pulos e de braços abertos, e passagens tão estreitas que as fazias deixando pedaços de carne e riscas de sangue nas pedras mais salientes. Mas estavas feliz, profundamente feliz, à procura do minério valioso que só na profundidade da gruta podias encontrar.Havia momentos em que caminhavas assobiando, saboreando ainda o fresco das águas das nascentes no teu rosto e nos teus músculos; havia outros em que caminhavas gemendo, sentindo os passos esforçados das pernas ensanguentadas. Esforçados, mas nunca hesitantes!Até que… finalmente!Finalmente…
Abriu-se aos teus olhos uma galeria cujas paredes tinham um brilho que jamais havias sequer imaginado enquanto tinhas andado “à superfície”… Um brilho que mal te cabia nos olhos e certamente não te cabia nas palavras.Tinha valido a pena!Nunca te tinhas sentido tão feliz!Nunca te tinhas deslumbrado com tamanha maravilha!Tudo o que conhecias te parecia de repente mais pequeno…Nesse momento sentiste uma pena imensa de tantos que tinham ficado à entrada da gruta, derrotados pelo medo das inseguranças e das incertezas do que poderia acontecer. Sentiste pena deles…E depois começaste a rir… A rir de vitória por teres enfrentado nos olhos o teu próprio medo. Quase dançavas de alegria com o gozo que dá ser livre! E até as feridas do caminho se transformaram a teus olhos. Farias tudo novamente, mil vezes se fosse preciso, porque agora experimentavas que descer à gruta tinha sido o melhor que já te acontecera na vida. Contra o medo, contra as incertezas, contra as palavras desanimadoras dos que na superfície se despediram de ti, contra os que te chamaram louco. Porque intuías no coração, no meio de tudo isso, que estava em causa a tua vida.E estava…Tudo menos deixar de viver, por ter medo de que a vida nos possa doer!



Rui Santiago cssr

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Medos - Parte II

Mas o mundo não quer que estas coisas se digam muito alto… Não, porque isto põe tudo em causa, e depois começa tudo a transformar-se, tranquilidades a desmoronar-se e rotinas a perder-se. E o mundo tem muito medo que isto tudo aconteça…O que se ouve gritar e repetir nos altifalantes do mundo faz da vida uma carreira, da felicidade uma tranquilidade sem sabor e uma alegria sem sentido. De tal maneira, que ao fim de cada dia quase apetece ir espreitar nas janelas das casas e atirar a pergunta que vi uma vez escrita numa parede da cidade: “Então, foste um bom robot hoje?”Mas nem me responderiam… O que estivessem nesse momento a ver na televisão seria para eles muito mais importante. Pelo menos, a televisão não faz este tipo de perguntas nem põe em causa o sentido da vida e o sabor dos dias. E tudo isto se entende, porque nas entrelinhas de tantas palavras, luzes e movimentos das nossas cidades, serpenteia a palavra “medo”…
Uma das invenções mais recentes da humanidade são as fechaduras. Durante milénios havia apenas trancas nas portas, que qualquer um podia abrir. Foram já os nossos bisavôs e avós que inventaram as fechaduras com chave. Mas ainda não chegava de segurança… Por isso, os nossos pais inventaram as portas blindadas e os vidros inquebráveis… Depois, nós especializámo-nos em sistemas de vigilância e segurança que utilizam as mais complexas técnicas descobertas, desde circuitos fechados de vídeo a detectores de movimento, sensores infravermelhos… e tudo o resto que serene tantos medos…

O pior é que nesta história recente de fechar as portas, também o coração se tem ressentido… Fechamos as portas de casa aos imprevistos da rua, e fechamos as portas do coração aos imprevistos da vida. Tudo em nome da segurança…Mas não é com seguranças que se constrói uma vida feliz; é com opções arrojadas, riscos, iniciativas, enganos e recomeços.Vou dizer-te um segredo: o medo é o que de mais autodestrutivo podes ter ao alcance do coração. Não te deixes vencer! Mas resiste também à tentação de lhe fugir. Ele perseguir-te-á incansavelmente. Só se vence o que se olha nos olhos e se combate de frente, cara a cara, de peito aberto e pés ao caminho. Força! Só assim vale a pena viver: lutando! Construindo, arriscando, descobrindo, inovando, corrigindo… só assim vale a pena. E não temos outra oportunidade.
Também sei que aleija de vez em quando.Também sei que há passos que se dão e deixam algum rasto de sangue atrás. Sim, também sei… Mas, mesmo assim, juro-te que só vale a pena viver se estivermos dispostos a sangrar!Ainda me lembro das vezes sem conta em que rasguei os joelhos para aprender a andar de bicicleta. Num deles ainda tenho as marcas. E já lá vão uns anos… Mas valeu a pena! Uns anos depois de tantos tombos, pude saborear longos passeios entre os pinhais na aldeia dos meus avós, a pedalar na minha bicicleta. E lembro-me como ia ao fim das tardes de verão tomar um banho ao rio, e voltava em caminhos de terra batida que contornavam pedras e arbustos dos que não se encontram nas cidades. E muitas outras lembranças, e muitos outros sabores dos meus longos passeios de bicicleta… Mas, para isso, ainda tenho num joelho as marcas de tantas quedas. Sabes o que te digo? Valeu a pena!!!E na vida também é assim… (continua)

Rui Santiago cssr

Jovens Redentoristas

terça-feira, 10 de julho de 2007

Medos - Parte I

Começa a preocupar-me a tranquilidade do meu mundo e a passividade de tantos irmãos ao meu lado…
Todos procuram desesperadamente seguranças, e não transformações. E nem imaginam o que estão a perder… E nem imaginam que estão a fechar as portas à felicidade verdadeira, que normalmente vem embrulhada no papel dos imprevistos, adornada com o laço das novidades e nas mãos de amores que nos propõem virar de pernas para o ar o nosso coração.
Sim, nem se dão conta de que viver seguro num palácio de portas trancadas evita os assaltos, mas também impede as visitas dos amigos…
Se uma mão descesse do céu obrigando os homens à escolha entre a Felicidade e a Tranquilidade, conheço muitos que abraçariam a Tranquilidade sorridentes. Dão-me pena… As seguranças das vidas tranquilas são mais apreciadas e procuradas que as transformações das vidas felizes.
Não consigo entender uma juventude que não sonha com mais do que uma “vida normal”… Vidas extraordinárias, vidas arriscadas, coração em sobressalto, tudo isso é bonito de ver nos filmes e admirar nos heróis de todos os tempos, os de ontem e os de hoje. Mas os heróis são sempre os outros… Vidas dessas são para ser admiradas e aplaudidas; não vividas.
Porquê?!
Não entendo! Juro que não…
Gostava de perceber melhor as causas do medo. Sim; porque é o medo a raiz de tudo isto. Não duvides…
Se lhes deres a optar entre uma vida feliz mas com riscos, perigos, incertezas, possíveis desilusões, quedas e recomeços, e uma outra vida mais tranquila, monótona até, vulgar e medíocre, mas sem inseguranças, sem riscos, desilusões, possíveis crises nem necessidade de esforço, temo que a maioria, sem hesitar, escolha a segunda.
As pessoas não se atiram de caras à vida, porque têm medo de se aleijar.
Os jovens não assumem grandes riscos, porque têm medo de se enganar.
Quase ninguém assume grandes transformações, porque tem medo das incertezas que sente como espinhos no coração.
São cada vez menos os que amam de verdade, porque são cada vez mais os que têm medo de sofrer.
E assim vamos criando um mundo de gente tranquila mas não verdadeiramente feliz, segura mas não apaixonadamente transformada.
Tenho pena que a maior parte dos meus irmãos ainda não se tenha dado conta de que só vivemos uma vez. E o que se decide numa só possibilidade não pode ser vivido a meio gás!
Tenho pena que tantos se deixem viver pela vida, em vez de a agarrarem nas mãos e perguntarem o que hão-de realmente fazer com ela.

Tenho pena que os homens, por medo, cada vez mais se limitem a existir, e deixem de viver de verdade. Porque viver é infinitamente mais que existir…
Viver de verdade é viver apaixonadamente.
Viver apaixonadamente é pôr o amor à frente das seguranças, a felicidade que se constrói à frente da tranquilidade que nos amarra. (continua)

Rui Santiago cssr

sábado, 7 de julho de 2007

Desabituar-se


Desabitua-te!
Desta janela em que escrevo, vejo os comboios a passar lá em baixo, não muito longe de mim. Mas daqui quase não os escuto. No entanto, há casas que estão mesmo coladas à linha férrea. Antes, admirava-me como conseguiriam essas pessoas dormir. Agora já não. Porque falei com algumas e revelaram-me o segredo: “nos primeiros dias ninguém pára, mas depois a gente habitua-se, já nem se dá conta”, disseram-me elas. Eis a maravilhosa capacidade de nos habituarmos.Mas depois, pus-me cá a pensar na nossa vida, e prefiro chamar-lhe assim: eis a perigosa capacidade de nos habituarmos. Porque o barulho dos comboios é como tudo: quando nos conseguimos habituar, deixamos de dar conta. E vejo que nos costumamos habituar a coisas demais. O hábito faz-nos perder a atenção dos acontecimentos, rouba-nos o gozo das novidades, e o sabor irrepetível dos dias; impede-nos de crescer. As pessoas habituam-se a viver juntas, e deixam de prestar atenção umas às outras. Um casal habitua-se ao casamento, e perdem o gozo do namoro. Esquecem a necessidade de se seduzir todos os dias. Habituam-se. E esquecem-se que têm que se pedir um ao outro de novo em casamento, em cada manhã.Deixamos cair até a nossa Fé na rotina do hábito, e tudo se vai tornando estéril. Vamos cumprindo rituais, aos quais chamamos obrigações e deveres. Vamos-nos habituando a cumpri-los, mas sem percebermos verdadeiramente para que servem.Habituamo-nos a ser o que somos, e deixamos de sonhar em ser mais. Habituamo-nos ao ritmo quotidiano, a que chamamos vida, e deixamo-nos engolir por ele. Habituamo-nos às correrias, habituamo-nos às inutilidades sempre tão urgentes, habituamo-nos a andar tristes. Habituamo-nos a encher a boca de queixas e lamentos. E assim, deitamos fora a vontade de mudar e viver de novo cada dia que nos calha em sorte. E depois… depois ainda somos capazes de dizer, com o rosto triste e um encolher de ombros desolado: “É a vida! Temos que nos habituar!”Não, não, amigo! Para ser verdadeiramente Vida, tens é que te desabituar!

Rui Santiago cssr