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sexta-feira, 22 de maio de 2009

A TIRANIA DO «EU» (2ª PARTE)

Como libertar-nos dessa tirania? Quando o homem deixa de se referir a essa imagem ilusória nasce a tranquilidade mental. A libertação consiste, pois, em esvaziar-se de si mesmo, tomar consciência e convencer-se de que esse «eu» é uma mentira, uma sombra.

Logo que o homem deixa de se referir ou de se apegar a esse «eu», apagam-se os medos, as angústias e as obsessões, que são chamas vivas. E, apagadas as chamas, nasce o descanso, da mesma forma que, consumido o óleo da lâmpada, se apaga o fogo. Morre o «eu» e nasce a liberdade.

Desprendido de si e das suas coisas, e libertado das amarras do «eu», o coração pobre e humilde entra no seio profundo da liberdade. E, a partir daí, começa a viver livre de todo o medo, na estabilidade emocional de quem está acima de qualquer mudança.

O coração pobre e humilde, libertado já da obsessão da sua imagem («eu»), não se preocupa com o que pensem ou digam dele, e vive, silencioso, numa agradável interioridade. Movimenta-se no mundo das coisas e acontecimentos, mas a sua morada está no reino da serenidade.
Não precisa de defender nada, porque nada possui. Não ameaça ninguém e por ninguém se sente ameaçado.

Ignacio Larrañaga, em "A Rosa e o Fogo"

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A TIRANA DO «EU» (1ª PARTE)

O «eu» é uma ilusão, uma ficção que nos seduz, uma mentira que exerce sobre o homem uma tirania cruel: está triste porque a sua imagem perdeu o brilho.
Parece abatido porque a sua popularidade caiu. Vai caindo na depressão porque o seu prestígio se despedaçou. O seu «eu» (identidade pessoal) permanece inalterável. É sua imagem («eu») que sobe ou desce. E, no vaivém dos aplausos ou vaias, sobem e descem as suas euforias e depressões. Como se vê, o «eu» rouba ao homem a paz e a alegria.

Vive obcecado por ficar bem, por causar boa impressão; está sempre ansioso em saber o que pensam dele, o que dizem dele, e, nos ziguezagues desses altos e baixos, o homem sofre, teme, emociona-se.
A vaidade e o egoísmo amarram o homem a uma dolorosa e inquietante existência.

Pior ainda: o «eu» coloca o homem num campo de batalha. Ataca e fere os que brilham mais do que ele no fragor das invejas, vinganças e rixas, que são as armas com que defende a sua imagem. E assim nascem as guerras fratricidas, desencadeadas em nome de uma mentira, de uma louca quimera, de um fogo-fátuo.

Ignacio Larrañaga, em "A Rosa e o Fogo"

terça-feira, 19 de maio de 2009

O FALSO «EU» (2ª PARTE)

«O falso eu é a pessoa que nós apresentamos ao mundo, aquela que, em nosso entender, será agradável aos outros: atraente, confiante e bem sucedida. O verdadeiro eu, por outro lado, é a pessoa que nós somos diante de Deus.
A santidade consiste em descobrir quem é essa pessoa e em lutar para conseguir sê-lo. (...)

O verdadeiro eu de cada pessoa é uma criação única de Deus, e o caminho para a santidade é tornarmo-nos o único eu que Deus deseja que nós sejamos.(...)

Thomas Merton refere-se a essa jornada como a «descoberta de mim mesmo ao descobrir Deus». Ele diz: «Se eu O encontrar, encontrar-me-ei a mim mesmo, e se eu encontrar o meu verdadeiro eu, também encontrarei a Deus.» Por outras palavras, Deus quer que nós sejamos as pessoas para que fomos criados: ser pura e simplesmente aquilo que somos, e, nesse estado, amar a Deus e deixarmo-nos amar por Ele. Trata-se, na verdade, de uma caminhada dupla: encontrar Deus significa deixarmos que Ele nos encontre. E encontrar o nosso verdadeiro eu significa permitir que Deus nos encontre e nos revele o nosso verdadeiro eu. (...)

O desejo de o nosso verdadeiro eu ser revelado, de nós nos aproximarmos mais de Deus, foi um desejo plantado dentro de nós por Deus.
Ao mesmo tempo, a nossa própria individualidade, o nosso próprio tipo de santidade, vai sendo gradualmente revelado. (...)
O tipo de santidade de cada um vai-se tornando mais claro à medida que o verdadeiro eu se vai revelando.

E, à medida que nos vamos aproximando mais do nosso verdadeiro eu, do eu que deveríamos ser, do eu criado por Deus, mais as nossas facetas mais amáveis vão sendo naturalmente ampliadas, e mais as nossas facetas pecaminosas se vão reduzindo naturalmente.»

"Depois de termos aprendido a viver com o nosso verdadeiro eu, nunca mais conseguimos voltar a satisfazer-nos com a nossa falsa identidade: esta parece-nos completamente disparatada e superficial." (Richard Rohr)

James Martin, S.J., em "Torna-te aquilo que és"

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O FALSO «EU» (1ª PARTE)

«O nosso falso eu é aquele que nós julgamos ser. É a nossa imagem pessoal e a nossa aceitação social imaginárias, à qual a maior parte das pessoas passa a vida a tentar corresponder - ou da qual passa a vida a tentar libertar-se.»
(Richard Rohr, em "Adam´s Return)

"Há que trabalhar duramente para manter vivo este falso eu. Para mim, pessoalmente, era um esforço que me desgastava completamente. Deu-me muito trabalho conseguir convencer as pessoas de que eu era tudo aquilo que queria que elas pensassem que eu era. (...) Deu-me muito trabalho assegurar que ninguém me visse como uma pessoa insegura acerca fosse do que fosse na vida (...) Deu-me muito que fazer esquivar-me aos meus verdadeiros desejos, aos meus verdadeiros sentimentos e à minha verdadeira vocação na vida.(...)"

James Martin, S.J. ,em "Torna-te aquilo que és"