terça-feira, 24 de abril de 2007

Sabes que te amo?


Por vezes, sou acordado de manhã, com a tua voz sussurrando ao meu ouvido: «Sabes que te amo?». Outras vezes, enquanto escrevo ou estou profundamente concentrado na leitura de um livro, sinto uma carícia suave e aconchegante sobre os meus cabelos e a tua voz doce e ternurenta murmura: «Sabes que te amo?». Respondo quase sempre com um sorriso de indisfarçável alegria e satisfação, e retribuo com beijos e afagos o profundo e sincero afecto com que me aquietas a alma e aqueces o coração. Eu sinto-me grato(e algumas vezes, sinto vontade de chorar, porque sinto que não mereço).

«Sabes que te amo?», repetes a pergunta, que não é retórica, nem é como aquelas perguntas que por vezes fazemos, com o intuito de satisfazer a curiosidade, esclarecer algumas dúvidas, ou simplesmente para tentar saciar a insaciável sede de aprender e conhecer.
«Sabes que te amo?»- Sei que é mais uma afirmação que uma interrogação. Penso que tu queres afirmar e queres que eu esteja seguro que, apesar de todos os meus defeitos, falhas e imperfeições, tu me amas como eu sou. Apesar das críticas que te dirijo; das coisas que te recuso; do meu aparente desinteresse; do meu espírito por vezes tão ausente; da minha impaciência irritante; das minhas crises de ansiedade; dos meus hábitos invulgares; das minhas opiniões irreflectidas; dos meus gestos impensados; das minhas pequenas obsessões; do meu desajeitado sentido prático; da minha falta de autoconfiança; das minhas inseguranças nocivas; dos meus medos injustificados; do cansaço que por vezes trago e com o qual te sobrecarrego; dos meus acessos de preguiça aguda; do meu despojamento em relação a tantas coisas(que para ti são importantes); do meu apego aquilo que considero que realmente importa e é essencial(mas que para ti pode não ser); do meu feitio caseiro e fechado; da falta de ousadia e coragem para correr riscos que por vezes se apodera de mim... e de tantas outras coisas que agora não me ocorrem e que, a serem lembradas, tornariam esta lista um relatório fastidioso e aborrecido.

«Sabes que te amo?» - Sim, eu sei.(raramente te respondo assim, porque creio que a tua intenção não é obter uma resposta, ou pelo menos, esta resposta) Tu queres reafirmar o teu amor por mim... Tu queres dizer-me:" Eu amo-te como tu és! Não me importa se por vezes falhas, se fracassas, se me desiludes, se me magoas, se não correspondes ás minhas expectativas... Eu sinto amor... é amor...". Então, vem-me à mente uma passagem bíblica, "o amor cobre uma multidão de pecados...". E quanto mais reflicto mais frases me ocorrem: "o amor é paciente...Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

«Sabes que te amo?» E parece que te oiço dizer:« Deixa-me amar-te... gosto tanto de amar-te... é tão bom amar-te.» E eu sinto-me amado e cheio de gratidão. Mas não mereço.
Eu acredito e sinto que me amas, minha amada. O teu amor flui no meu coração como um bálsamo suave e inebriante. Sinto-me então mais confiante, sereno, ousado, corajoso, dinâmico, aberto aos outros, compreensivo, compassivo e paciente.

Eu também te amo, meu tesouro. Sabes que te amo? Quero que saibas que só sei amar-te como sou e amo-te como és. Não tenhas medo, minha flor. Não tenhas receio das trevas, pois também há luz no meu olhar. Não te assustes com as sombras; fixa o teu olhar no meu sorriso de criança feliz quando me dizes: «sabes que te amo?».
Conta-me histórias de encantar quando à noite chegar cansado. Beija os meus densos cabelos negros e brancos, quando me sentires ausente ou ansioso. Deixa-me mergulhar com os meus medos nas águas tranquilas do teu regaço. Contagia-me com o teu entusiamo e alegria quando me sentires fustigado pelas tempestades da vida. Levanta-me com as tuas mãos suaves e maternas quando eu tropeçar e cair. Acalma-me com os teus beijos suaves e ternos quando o meu corpo tremer de ansiedade. Encoraja-me com as tuas palavras doces e meigas quando eu começo a vacilar. Pega nas minhas mãos frias e cansadas com as tuas mãos suaves e macias e diz-me mais uma vez: «sabes que te amo?».

Quero que saibas também que é o teu amor, meu amor(minha musa), que me faz escrever assim. Eu que já não escrevia assim há tanto tempo e agora escrevo, só porque acordei esta manhã com a tua voz doce de menina a segredar-me ao ouvido: «Sabes que te amo?».

domingo, 22 de abril de 2007

O mendigo


Não sou um grande contador de histórias(uma arte admirável), mas vou tentar contar, com as devidas limitações, um sonho que tive há muito e que ainda hoje está tão vivo e nítido na minha memória. Foi um sonho, não foi um pesadelo... Eu não queria acordar...
Estou no centro de uma cidade enorme, percorro uma avenida cujo fim não consigo vislumbrar. Até onde os meus olhos conseguem alcançar, no fundo do horizonte, avisto um deserto árido e tenebroso. Ao longo da avenida, caminha uma multidão de seres que me parecem humanos mas, ao mesmo tempo, me parecem completamente destituídos de humanidade.
Não há luz na cidade. O sol está ausente durante quase todo o sonho. O céu está coberto por um véu negro de escuridão impenetrável. O ar que respiro é oprimente e impregnado pelo cheiro das almas doentes que vagueiam pela avenida apressadas e indiferentes umas ás outras.Todas elas parecem rumar para o deserto que vislumbro no fundo do horizonte.
Penso que deserto será aquele: o deserto das suas vidas? O inferno? O fim de tudo ou o princípio de nada?
A certa altura, apercebo-me que nem todos caminham em direcção ao deserto estampado no fundo do horizonte. Alguns seres que me parecem claramente diferentes dos restantes, estão recostados nas paredes das casas e estendem as suas mãos para os que passam sem os ver. Neste sonho, consigo ter a percepção do interior do coração e da alma das pessoas, e passo por elas sem que se apercebam da minha presença. Julgo ser um ser etéreo.
O que vejo no coração e na alma daqueles seres que caminham apressados para o nada no fundo do horizonte? Vejo corações vazios; prisioneiros de si mesmos; oprimidos; sem amor e sem liberdade. Vejo almas cheias de si mesmas; cheias de nada; um deserto de solidão em cada uma. Mas, quando olho mais atentamente para os outros seres parados junto ás casas, com as mãos sujas e gastas estendidas num gesto carente de ajuda e partilha, perco a percepção anterior e vejo apenas seres que me parecem tão humanos quanto a humanidade almeja ser. Têm algumas semelhanças físicas com os mendigos da realidade da vida de cada um de nós, e com os quais nos cruzamos quase diariamente quando atravessamos apressados as ruas e avenidas das cidades onde moramos. Contudo, pressinto neles um mistério insondável.
Aproximo-me de um desses mendigos que me estende ambas as mãos. Vejo no seu rosto traços da indiferença e da rejeição das pessoas que passam. Olho no fundo dos seus olhos e vejo um quadro da solidão que acompanha os seus dias. Olho com mais profundidade e sou invadido por um sentimento de compaixão e compreensão profundos que não consigo ocultar. O mendigo permanece de mãos estendidas, e eu sem saber bem o que fazer, revolvo os bolsos sem encontrar moedas ou notas. Com um gesto de profundo pesar, digo-lhe que lamento, mas não tenho nada para lhe dar. Ele estende ainda mais as suas mãos que parecem clamar pelas minhas. Não sei então o que fazer e, com um gesto espontâneo e natural, estendo-lhe as minhas mãos vazias e agarro as dele. Entrelaçamos as mãos, e pela primeira vez, vejo-o sorrir( como certamente há muito não sorria). É um sorriso de criança encantada, deslumbrada perante o milagre de existir.É o sorriso transbordante de quem sempre viveu num deserto morrendo à sede e, inesperadamente, encontra uma fonte onde pode momentaneamente saciar a sua sede. É o sorriso de um homem profundamente grato pelo meu gesto simples e afectuoso.
Naquele momento, eu queria que ele soubesse que, para mim, aquele sorriso era a dádiva mais preciosa. Eu também me sentia só e esquecido naquela cidade cheia de seres vazios. Eu também sentia sede...
O sonho não acaba aqui...Olhei de novo com profundidade os olhos do mendigo enquanto sorria, e vi nascer do fundo uma luz muito brilhante e pura... A luz crescia e tornava-se mais intensa, até que transbordou o limite do seu olhar e inundou tudo... as casas, os seres cheios de nada, as almas moribundas...O véu escuro que cobria o céu desapareceu e um sol alegre, ameno e risonho iluminou toda a cidade. No fundo do horizonte, já não se avistava aquele deserto de solidão para o qual aqueles estranhos seres pareciam caminhar. Agora, eu via um jardim coberto de flores e árvores. O ar da cidade estava agora impregnado pelo perfume extasiante das flores. Ouviam-se notas de uma música distante que inspirava paz e serenidade. Aqueles seres antes tão apressados e agitados, paravam agora junto aos mendigos, agarravam as suas mãos estendidas e arrebatavam-os para uma dança de prazer e alegria. Também entrei na dança.
Enquanto dançava extasiado, acordei do sonho com um sorriso de criança a moldar-me os lábios. Finos raios de sol primaveril penetravam por entre as frechas da janela do nosso quarto e anunciavam o nascimento de um novo dia. Levantei-me com a alma serena, limpa e leve...Abri a janela e, por instantes, admirei profundamente a beleza que me rodeava...Tive a sensação de que tudo era novo, diferente... e que uma nova vida me havia sido dada de presente pelo mendigo do sonho que acabara de sonhar, e que ainda hoje está tão vivo na minha memória como a imagem do nosso primeiro beijo, ou o sorriso familiar daquela criança que acaba de passar por nós.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

A verdadeira alegria


"Cultivar a alegria não é tapar os olhos para não ver as coisas feias e os dissabores do mundo, não é cobrir a realidade com um véu cor-de-rosa para criar uma felicidade ilusória; pelo contrário, viver na alegria é viver na consciência extrema, testemunhando, na escuridão do mundo, que o nosso ser pertence a algo de diferente. A alegria não é uma linguagem de palavras, é uma linguagem de olhares, a alegria não convence, contagia. A alegria é poderosamente subversiva, porque é subversivo o amor sem distinções que ela transmite." - Susanna Tamaro, Querida Mathilda

Paciência e Fidelidade




"Uma longa amizade tem exactamente os mesmos sinais que uma chávena enegrecida pelo tempo; há gretas e sombras nos objectos quotidianos tal como há momentos de arrufo e de sombra nas amizades. Para não se deitar fora uma chávena, ou uma amizade, tem de haver dois sentimentos já invulgares mas muito importantes: a paciência e a fidelidade. A paciência é como um tijolo, a fidelidade é como uma raiz. A paciência é o antídoto da pressa, a fidelidade é o antídoto do consumo. Se as associo a uma imagem física penso em pequenos tijolos ou em raízes. Com os tijolos constrói-se, graças às raízes, cresce-se." - Susanna Tamaro, Querida Mathilda

sábado, 14 de abril de 2007

Para o meu grande amor...


Amor, terno amor...

Este é o tempo de amar;

Aqui e agora...

Tempo de nos darmos,

De nos fundirmos na nossa essência mais profunda.

Tempo luminoso e sereno;

Tempo que se renova e perpetua;

Tempo de luz e esplendor;

Tempo que não se move e não se sente.


Amor, doce amor...

Que é o Amor?

Quem sou?

Quem és?

Quem fomos?

Quem somos e quem seremos?


Manhãs serenas, luminosas...

O nosso amor tudo mudou;

Dentro de nós, fora de nós...

Que alegria é esta?

Que magia nos transcende e encanta?

Quem desvenda o mistério dos laços que nos unem?


Dentro de mim brilha a luz

Que vem de ti ou do Amor?

Esta luz tem de brilhar

E iluminar sempre o nosso caminho.


Sinto-te dentro de mim.

Sou um pouco de ti no melhor de mim.

Se tu és o Amor,

Então eu serei o Amor;

E o Amor seremos nós

Neste tempo presente

Que nos cabe viver.


A muitos nada lhes basta.

Que nunca te baste o amor;

Não tanto o que recebes como o que me dás.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

A arte de pensar

"Trata um homem de acordo com o que ele é, ele continuará na mesma; trata-o de acordo com o que pode e deve ser, e ele converter-se-á no que pode e deve ser." (J. W. Goethe, escritor alemão)

"Procure ser um homem de valor, em vez de procurar ser um homem de sucesso." (Einstein)

"Estou convencido das minhas próprias limitações - e esta convicção é minha força."
(Mahatma Gandhi)

"Um homem terá pelo menos dado a partida para a descoberta do sentido da vida humana quando começar a plantar árvores frondosas sob as quais sabe muito bem que jamais se sentará." (D. Elton Trueblood)

"A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível." (Maria Montessori, pedagoga italiana )

"A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro." (Cícero)

"Diz-me, e eu esquecerei; ensina-me e eu lembrar-me-ei; envolve-me, e eu aprenderei." (Autor desconhecido)

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Ler


Uma das coisas que mais gosto de fazer é ler. Ler é um prazer inesgotável, uma aventura sem fim, uma descoberta permanente. Gosto da reflexão da escritora Susanna Tamaro sobre a leitura: "Pensando bem, ler não é mais do que criar um pequeno jardim no interior da nossa memória. Cada livro vai trazendo alguns elementos, um canteiro, um carreiro, um banco onde podemos descansar quando estamos cansados. Ano após ano, leitura após leitura, o jardim vai-se transformando em parque e, nesse parque, podemos vir a encontrar mais alguém... Ler é criar um pequeno tesouro pessoal de recordações e emoções, um tesouro que não será igual ao de ninguém mais, mas que poderemos partilhar com outras pessoas."

terça-feira, 3 de abril de 2007

Para um Amigo de sempre...

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O´Neill

domingo, 1 de abril de 2007

Conto de Verão - Conte d'Été





Mais um filme em que a riqueza e o realismo das personagens e dos diálogos me fascinam e cativam. Um filme que vi e revi vezes sem conta. Uma grande paixão.
"O filme narra a história do adolescente Gaspard (Melvil Poupaud) que, durante as suas férias numa vila francesa junto ao mar, fica indeciso entre três mulheres que o fascinam por razões diferentes: a primeira (Margot) representa o amor amigo, ou companheiro; a segunda, o amor idealizado, ou obsessivo (Lena); e a terceira, o corporal, ou sexual (Solene)...Através da doce indecisão do ingénuo rapaz, Rohmer promove uma parábola sobre o eterno desejo masculino entre a razão, a emoção e o desejo, ganhando proporções bem mais amplas do que a princípio sua história romântica poderia parecer. Gaspard compõe com a sua viola uma canção para sua amada durante as suas tão esperadas férias. A música do violão pode ser vista como um espelho para a condição do artista, expressão do seu sentimento de vida. Até porque essa canção será tudo o que Gaspard terá para se lembrar das suas férias."
Título Original: Conte d'Été/ Conto de Verão
Gênero: Romance
Origem/Ano: FRA/1996
Duração: 113 min
Direção: Eric Rohmer
Elenco: Melvil Poupaud, Amanda Langlet, Gwenaëlle Simon,
Aurelia Nolin...

Antes do Amanhecer - Before Sunrise


Faz algum tempo que eu vi e revi este filme delicioso. Apaixonei-me por ele e pelas suas personagens. É um dos filmes da minha vida. Um encontro fortuito entre dois jovens durante uma viagem de comboio, dá azo a um diálogo profundo, apaixonante, irresistível, filosófico...este diálogo é a essência do filme. A partir dele, nasce uma intimidade imprevista, uma afinidade peculiar... compartilham-se segredos, recordações, vivências, sentimentos, pensamentos profundos, sonhos, projectos. Entre os dois começa a crescer uma paixão mútua, um sentimento de que não se conheceram por acaso e que o que têm em comum é único e extraordinário.Tudo acontece num curto espaço de tempo, um dia, somente um dia, é o tempo que eles têm para estar juntos. Depois, cada um seguirá o seu caminho. Ele regressa aos Estados Unidos e ela segue para Paris. Mas, será que esta bela história de amor termina aqui? Será que eles não voltarão a reencontrar-se?A história tem continuação. Alguns anos mais tarde acontece um reencontro. "Antes do Anoitecer" é sequela deste maravilhoso filme... a magia e encanto permanecem, assim como todos os atributos que tornam esta história intemporal e fascinante.
Título Original: Before Sunrise/Antes do Amanhecer
Gênero: Romance
Tempo de Duração: 105 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1995
Realização: Richard Linklater
Argumento: Richard Linklater e Kim Krizan
Elenco:Ethan Hawke(Jesse) e Julie Delpy(Celine)




A verdadeira pobreza

"E não falemos da pobreza do amor, para não ter mesmo aqui de começar a chorar. A pobreza de amor nas famílias, entre vizinhos e amigos, para com Deus, o pior dos empobrecimentos...
Estamos tão pobres de amor, meu amor. Sente-se tanto, nota-se tanto esta pobreza, esta falta, nunca tanto foi assim tanto, podes crer, meu amor.
É nesta falta, tão pobres dele, que ele cresce, tem de crescer ainda mais, acredita, meu amor."

Pedro Paixão, em "muito, meu amor"

sexta-feira, 30 de março de 2007

O amor, sempre o amor...

"O amor é paciente, é bondoso; o amor não é invejoso, não é arrogante, não se ensoberbece, não é ambicioso, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda ressentimento pelo mal sofrido, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."
(Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios)

"Amo-te como o amor ama.
Não sei razão para amar-te mais do que amar-te.
Que queres que te diga mais do que te amo
Se o que quero dizer é que te amo." (Fernando Pessoa)

"É quando nos esquecemos de nós mesmos que fazemos coisas que merecem ser recordadas."
(Autor desconhecido)

"Aquele que conheceu apenas a sua mulher, e a amou, sabe mais de mulheres do que aquele que conheceu mil." (Leon Tolstoi)

"Ama-me quando eu menos o merecer, porque será nessa altura que mais necessitarei." (Jeckyll)

"O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso." (Madre Teresa de Calcuta)

Vamos reflectir

"-Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
-Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
-Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
-Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato."
(Lewis Carroll -Alice no País das Maravilhas)

"Um fracassado é um homem que cometeu um erro e não é capaz de o transformar em experiência." (E. Hubrard)

"É melhor coxear pelo caminho do que avançar a grandes passos fora dele. Porque quem coxeia pelo caminho, embora avance devagar, aproxima-se da meta, enquanto que quem segue fora dele quanto mais corre mais se afasta." (Santo Agostinho)

"O maior acto de fé acontece quando uma pessoa decide que não é Deus." (Autor desconhecido)

segunda-feira, 26 de março de 2007

É isto o amor?



Fui buscar ao baú os meus antigos cadernos de poemas. Versos que escrevi, sobretudo ao longo da minha adolescência, e que guardo secretamente. Gosto de rele-los, são uma parte de mim. Aprendi a gostar de poesia graças a um amigo que me emprestou um livro do Fernando Pessoa, o poeta que mais me influenciou e que me inspirou na criação dos meus próprios heterónimos. Hoje, decidi resgatar um desses heterónimos e, a partir de agora, irei partilhar alguns poemas que escrevi na pele deste heterónimo(Roberto Dunas), mas não só...


Traz no olhar a alegria que sente

No sorriso o auge da primavera

Quando a vê meu coração pressente

Todos os mistérios que encerra.


Transporto-a para um sonho

Onde ela é minha sem o ser.

Caminho feliz e risonho,

Porque ela é minha sem o saber.


Mesmo no meu sonho de luz e esplendor

Nunca a desejei, nunca a beijei...

Não sei se é isto o amor,

Nem sei se alguma vez amei.


Toda a minha vida sonhei, sonhei...

Dos sonhos a minha realidade fiz.

Se me dizem que nunca amei,

Digo-lhes que fui feliz...sou feliz!
Roberto Dunas

Uma árvore


" Se por algum desígnio voltar a esta terra amada gostava de ser uma árvore visitada por aves no Verão, por onde se passeassem os esquilos, onde escrevessem no casco pequenos nomes humanos apaixonados. Uma árvore de uma floresta do norte onde no inverno cai a neve e há aquele silêncio que tudo guarda. E que depois fosse cortada por um lenhador, pai de uma família grande e saudável, e que parte de mim fosse logo queimada, o seu calor cozendo a comida de todos e que com a melhor madeira se fizesse uma mesa onde alguém um dia escrevesse uma carta a alguém que estivesse longe para lhe dizer que a amava." - Pedro Paixão, em "Nos teus braços morreríamos"

O essencial é o amor...


"...talvez seja necessário despojarmo-nos de muitas coisas e tornar a vestir as vestes da inocência para que o amor nos possa ser revelado."

"Amar é uma atitude de compreender e aceitar: é reconhecer os outros e respeitar a sua liberdade"

"Meu amor, isto parece absurdo mas é mesmo assim:quanto mais as pessoas são ricas por dentro, mais sentem a necessidade de reivindincar uma vida que esteja de acordo com aquilo que sentem, maior é a sua incomodidade e insatisfação. A vida para estas pessoas é mais difícil e mais dolorosa embora tenha depois grandes compensações. As respostas que queremos não estão naquilo que os outros vivem e cada vez se encontram menos interlocutores para a nossa inquietação."

"Infelizmente não são só os campos de concentração que nos matam quando nascemos: são muitas vezes as exigências dos modelos que nos são impostos que impedem a explosão daquilo que está oculto em cada um de nós e que é talvez a sua verdadeira face."
António Alçada Baptista, em "O Riso de Deus"

Carta para a Leonor no dia em que faz 22 anos


" Só tem valor o que não se pode comprar. Podem-se comprar pêssegos mas não podemos comprar o pessegueiro em flor no campo em que floresce. Isto não tem a ver com o dinheiro. Pode-se dar dinheiro por coisas que têm valor. Uma fotografia, por exemplo, tem um custo, mas o seu valor está onde ela não está, de mistura com o sonho que nos agarra quando a vemos. É também assim o amor.
É sempre preciso voltar à banalidade das coisas. O espírito é só o contraste que revela. Somos pesados como a água e leves como o vento. Não paramos de passar. E o mistério das coisas não está nelas, nem em nós. O mistério existe e é tudo. E se quisermos saber tudo ficamos logo cegos. A bondade é o que há de mais belo, Leonor, e não se sabe o que é. É urgente que aprendas a viajar.
E não voltamos nunca. E vamos acabar. O que nos espera não espera por nós. Ficaremos cansados de qualquer maneira, e não há nada a fazer e isso já o sabíamos no começo e no fim não nos podemos queixar. E no entanto vale a pena este lugar, este tempo, esta vida que é um erro. Vale a pena esperar, não esquecer o que nunca está presente. Vamos indo, aos poucos, a um encontro secreto. Leonor, não tenhas medo.
A maldade turva o olhar, não o dos outros, mas o nosso. Não é preciso ter em conta as consequências, é no próprio fazer que a culpa se mede. Olha para os teus olhos antes de olhares para os dos outros. O que os teus olhos vêem vem da luz que tens em ti. Foge do escuro, foge. Foge sobretudo das sombras do teu olhar. O mais precioso, por mais ténue, vale mais do que tudo o resto, mesmo sem existir. Todo o tempo é precioso. Dorme menos.
Não vale a pena dormir com um homem com quem se dorme. O prazer vem só com o que o acompanha da melhor maneira. De resto está só em passar e não há caixa em que se guarde que depois se possa oferecer. Só o longo trabalho salva. E o amor precisa de mais cuidados do que um jardim. Todos os dias é preciso regar o nosso amor. E podar os ramos mortos. Trabalhemos pois, Leonor, que o amor requer trabalho e o trabalho precisa de amor.
Nunca saberemos o que nos une. Nem o que nos separa. Foi sempre assim. É essa a pequena grandeza que nos distingue. Só nisso somos todos iguais. O homem do lixo vale mais do que eu. A ideia que temos do que somos ou seremos é uma luz incerta e vaga. O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar, felizmente. Temos sempre de recomeçar e é nisso que somos eternos. Louvemos pois o que nos separa e nos une, isso mesmo a que é preciso não desagradar.
E quando o corpo cansa e a alma entristece não faças caso. De vez em quando o mundo também precisa de descansar. Admira as árvores e as nuvens e a sua indiferença por ti. Não queiras ser o centro de nada. À tua volta descobre o que não és. A frivolidade gasta a alma numa inútil correria. Sê humilde e sensata. Se for preciso torna-te pesada como uma pedra que, embora pesada, não se levanta contra ninguém. E se for preciso sê como o chicote que corta, doce e alegre Leonor." - Pedro Paixão, em "Vida de Adulto"

88 anos


" Passeávamos de mãos dadas pelas ruas. De mãos entrelaçadas. Eu só sentia as tuas mãos. Cruzávamos pessoas que nos olhavam com um ar de espanto. Tínhamos muita idade. Não tínhamos sexo. Éramos como anjos, a sério.
Isto foi um sonho do qual recuperei estes fragmentos quando tomava o pequeno-almoço num dia cheio de sol.
Há-de chegar uma pessoa que não saiba de nada disto." - Pedro Paixão, em "Vida de Adulto"

domingo, 25 de março de 2007

Saudade

Que frias saudades eu sinto
Do calor das tuas mãos.
Quando entrelaçadas nas minhas
Emanavam um calor espiritual,
Que me revigorava a alma
Exausta de inúteis pensamentos.

Tu chegavas de surpresa
E cobrias-me de afecto;
Beijos subtis, ternurentos...

(Eu amava-te tanto!)
Nunca aprendi a retribuir
Toda a pureza afectuosa
Com que me abraçavas e beijavas
Na mais sublime expressão
Dos teus puros sentimentos.

Que falta eu sinto de ti
Nestas tardes de pura melancolia.

Sem a simplicidade do teu amor,
Perco-me nos labirintos da minha mente,
Nos múltiplos caminhos da razão.

Vem, regressa da forma como partiste;
Discreta, simples, etérea...
Entra pela humilde porta do meu ser
Envolto em melancolia e desencanto;
Inunda-me de luz e esperança...
Dá-me calorosamente as tuas mãos
Para que eu possa renascer
Das cinzas da tua ausência,
Para que volte a naufragar
No mar de emoções que me despertas.

Ensina-me



" Ensina-me a empreender um novo início, a destruir os esquemas de ontem, a deixar de dizer «não posso» quando posso, «não sou» quando sou, «estou bloqueado» quando estou totalmente livre." - Rabbi Nachman Di Braslav

Revolução na Sáude (parte 2)


O tratamento a que Lezaeta se submeteu produziu um efeito inesperado. As defesas naturais do seu organismo reactivaram-se e manifestaram-se através de diversas reacções orgânicas. Ele conta-nos: " Antes de quinze dias de aplicação deste tratamento, abriu-se-me um horizonte de felicidade e bem-estar desconhecidos, mas, ao mesmo tempo, aparecia um abundante fluxo uretral que os médicos me haviam «curado» anteriormente, impedindo a sua expulsão do corpo e obrigando este a reter essas matérias corrompidas que me causaram inflamação prostática, aperto da uretra e até retenção da urina. Também se me incharam os gânglios das virilhas, axilas e pescoço, aparecendo também erupções e chagas em todo o corpo." Com estes sintomas alarmantes, Lezaeta dirigiu-se de novo à consulta e disse ao padre Tadeo: " Estou apodrecido, Padre, veja o que se passa..." " Estás salvo, agora vais expulsar a doença que os médicos te lançaram no sangue ", foi a sua resposta.
Perante estes factos, Lezaeta compreendeu que as drogas eram incapazes de devolver a Saúde perdida e que esta só podia manter-se e recuperar-se mediante a acção dos elementos vitais que a Natureza oferece com o ar, a luz, o sol, a água, a terra e os alimentos naturais. Ele tomou então a decisão de dedicar a sua vida inteira ao estudo, prática e difusão da verdade no que respeita à Saúde. Estudou as obras de vários mestres da Saúde natural, nomeadamente Louis Kuhne, Rikli, Just e Priessnitz. Contudo, não encontrou nestes mestres a Doutrina Filosófica que explicasse a recuperação da sua Saúde e reunisse os princípios e teorias por eles expostos. Alguns anos mais tarde, porém, viu recompensados os seus esforços com o conhecimento da Iridologia. Com base nas suas observações e experiências e no exame da íris de milhares de doentes durante mais de 40 anos, descobriu, comprovou e consolidou a sua Doutrina Térmica. Durante toda a sua vida defendeu esta Doutrina e viveu de acordo com os seus princípios até ao último suspiro. Foi um homem lúcido, coerente, sincero, dedicado, honesto, determinado, corajoso, fiel à sua consciência, mesmo diante dos fortes ataques e das críticas preconceituosas que teve de enfrentar.

Revolução na Saúde


Manuel Lezaeta Acharán. Filósofo da saúde, descobridor da Doutrina Térmica.(17 de junho de 1881 - 24 de Setembro de 1959)
Quero prestar aqui a minha sincera e sentida homenagem a este homem que revolucionou a história da Saúde e da medicina natural. Considero importante dar a conhecer a sua vida, as suas descobertas, experiências, conceitos, ideias...
O retrato que traço é baseado nos livros que ele escreveu e nas notas biográficas escritas pelo seu filho, Rafael Lezaeta, no livro "A Sáude pela Natureza".
Hoje , vou abordar um pouco da sua história de vida e revelar as circunstâncias que o levaram a enveredar por um caminho totalmente diferente daquele que ele imaginara para a sua vida. Como ele concebeu a "Doutrina térmica da saúde"? Decorria o ano de 1899 quando entrou na Escola de Medicina da Universidade do Chile. Teve mestres e professores ilustres e conceituados. Durante os seus estudos foi vítima das chamadas doenças sociais e viu-se obrigado a interromper os estudos médicos, os quais jamais viria a retomar em virtude de reconhecer o fracasso da medicina para restabelecer a Saúde. Ele mesmo escreve: " Durante alguns anos fui tratado por professores e especialistas de Santiago, com cujos dispendiosos tratamentos só consegui agravar as minhas doenças que se foram complicando de ano para ano." Resignado dos seus males decidiu passar uma temporada numa pequena povoação do sul do Chile e, quando se preparava para regressar à capital, foi abordado por um monge que se cruzou com ele à saída do hotel onde estava hospedado e como ele próprio conta: " ...olhando-me fixamente interrogou-me:«Vieste para me ver?» -Não, padre, respondi. «Anda à minha consulta, porque estás muito doente», continuou ele. Era o Padre Tadeo que, sem procurá-lo, a Divina Providência punha no meu caminho para me salvar a vida."
Ele foi à consulta do padre que, ao observá-lo, disse: " Dá graças a Deus de estar aqui, porque estás tão doente que, se não seguires o meu tratamento vais morrer em breve." Lezaeta tinha plena consciência do seu estado e sentia que piorava de dia para dia. Apesar disso, manifestou ao padre que tinha em seu poder atestados médicos dos seus professores que comprovavam a ausência de micróbios da infecção sifilítica e que era apenas vítima de neurastenia. Mas, o padre não estava de acordo e garantiu-lhe que a doença estava no seu sangue.
Lezaeta escreve: " Recebi a «receita» que prescrevia passeios descalço pelo orvalho da relva ao nascer do sol, fricções e duches de água fria a determinadas horas; enfaixamentos húmidos a todo o corpo alternando com banhos de vapor de caixa, excursões com subidas de montanhas, etc, etc."
Ainda que lhe parecesse difícil que pudesse recuperar a saúde perdida com estas práticas originais, Lezaeta submeteu-se a elas com " pontualidade e constância."
Qual foi o resultado? Que mudanças ocorreram no seu organismo? Recuperou a Saúde perdida? Num próximo post irei responder a estas questões.

domingo, 18 de março de 2007

O Amor incondicional


"As pessoas são insensatas, inconstantes e egoístas.

Ama-as, apesar de tudo.

Se fizeres o bem serás acusado de agires por outros motivos.

Faz o bem, apesar de tudo.

Se tiveres êxito ganharás falsos amigos e verdadeiros inimigos.

Tenta alcançá-lo, apesar de tudo.

Todo o bem que fizeres amanhã será esquecido.

Faz o bem, apesar de tudo.

A honestidade e a franqueza tornam-te vulnerável.

Sê honesto e franco, apesar de tudo.

O que passaste anos a fazer será destruído numa só noite.

Constrói o que tens de construir, apesar de tudo.

As pessoas precisam de ajuda, mas atacar-te-ão se as ajudares.

Ajuda-as, apesar de tudo.

Dá o melhor de ti e serás atingido nos dentes.

Dá ao mundo o melhor de ti, apesar de tudo"

O Amor divino


"Quem ama vive a vida intensamente.
Quem ama extrai sabedoria do caos.
Quem ama tem prazer em se doar.
Quem ama aprecia a tolerância.
Quem ama não conhece a solidão.
Quem ama supera as dores da existência.
Quem ama produz um oásis no deserto.
Quem ama não envelhece, ainda que o tempo sulque o rosto.
O amor transforma miseráveis em ricos.
A ausência de amor transforma ricos em miseráveis.
O amor é uma fonte de saúde psíquica.
O amor é a expressão máxima do prazer e do sentido existencial.
O amor é a experiência mais bela, poética e ilógica da vida.
Cristo discursava sobre a revolução do amor..."

"O Mestre dos Mestres"- Augusto Cury http://www.augustocury.com.br/

O Sonho

" Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.
Chegamos?Não chegamos?
-Partimos.Vamos.Somos."
Sebastião da Gama

Para o meu amor...

" És tu a primavera que eu esperava.
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada instante."
Sophia de Mello Breyner

Para ser grande...


"Para ser grande, sê inteiro,
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Nada teu exagera ou exclui.
Assim, em cada lago, a lua toda brilha porque alta vive."
Ricardo Reis

Vale a pena...


"Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos, como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão..." - Saint-Exupéry

Liberdade


"Não nos tornamos livres por nos negarmos a aceitar algo superior a nós, mas por aceitarmos aquilo que está realmente por cima de nós."- Goethe

o elefante acorrentado


Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Durante o espectáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um peso, tamanho e força descomunais… Mas, depois da sua actuação e pouco antes de voltar para os bastidores o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas.No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a torrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um animal capaz de arrancar uma arvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.O mistério continua a parecer-me evidente.O que é que o prende, então?Porque é que não foge?Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.Fiz, então, a pergunta óbvia:-Se é amestrado, porque é que o acorrentam?Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante e da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro... Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força...

Transcrito do livro "Deixa-me que te conte" de Jorge Bucay

o verdadeiro valor


"Não és bom porque te louvam, nem desprezível porque te censuram; és o que és, e o que poderão dizer de ti, não te fará melhor do que vales aos olhos de Deus." - autor desconhecido

Viver como as flores


Era uma vez um jovem que caminhava ao lado do seu mestre. Ele perguntou:- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes, outras mentirosas... sofro com as que caluniam...- Pois viva como as flores! - advertiu o mestre.- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.- Repare nestas flores - continuou o mestre - apontando lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas...É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros nos importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora... Não se deixe contaminar por tudo aquilo que o rodeia... Assim, você estará vivendo como as flores!