terça-feira, 16 de outubro de 2007

Pérolas de sabedoria de "A Saga de um Pensador"



« Podes duvidar que Deus existe, mas Deus não duvida que tu existes.»


«Não há louco que não seja lúcido nem lúcido que não seja louco.»


«Cada cabeça é um planeta e cada planeta tem uma rota peculiar que exige um plano de voo distinto para ser atingida.»


« Um homem sem história é como um livro sem letras.»


«A existência é um belíssimo livro. Ninguém pode fazer uma excelente leitura desse livro se não aprender a ler as pequenas palavras.»


«O que define a nobreza de um ser humano é a sua capacidade de ver a sua pequenez.»


«É mais fácil desintegrar um átomo do que desfazer um preconceito»


«Os médicos devem ser pessoas de rara sensibilidade, artesãos das emoções, profissionais capazes de ver as angústias, ansiedades e lágrimas que se escondem sob os sintomas. Caso contrário, tratarão de orgãos e não de seres humanos.»


«O meu desafio como psiquiatra não é apenas medicar os pacientes ou fazer sessões de psicoterapia, mas mostrar-lhes que a flor mais exuberante brota no inverno emocional mais rigoroso, Os que atravessaram os seus desertos psíquicos e os superaram tornaram-se mais belos, lúcidos e ricos do que eram.»


«Cada cabeça é um planeta e cada planeta tem uma rota peculiar que exige um plano de voo distinto para ser atingida.»


«Não é fácil enfrentar as nossas ruínas, mas é a única maneira de sermos autores da nossa história e não vítimas dela.»


«Dêem-se, mas não esperem muito retorno dos outros. Esta é uma das mais excelentes ferramentas para proteger as vossas emoções.»


«A felicidade não existe pronta, não é uma herança genética, não é um privilégio de uma casta ou camada social. A felicidade é uma eterna construção.
Houve reis que tentaram aprisionar a felicidade com o seu poder, mas ela não se deixou prender. Milionários tentaram comprá-la, mas ela não se deixou vender. Famosos tentaram seduzi-la, mas ela resistiu ao estrelato. Sorrindo, ela sussurou ao ouvido de cada ser humano: "Ei! Procura-me nas decepções e dificuldades e, principalmente, encontra-me nas coisas anónimas da existência." Mas a maioria não ouviu a sua voz, e entre os que a ouviram, poucos lhe deram credibilidade.»


«Ser feliz é ser capaz de dizer "eu errei", é ter sensibilidade para dizer "eu preciso de ti", é ter ousadia para dizer "eu amo-te".»


«Não tenhas medo da vida, tem medo de não viver. Não tenhas medo de cair, tem medo de não caminhar... Ninguém é digno de segurança se não usar a sua fragilidade para a alcançar.»


«Nalguns momentos, eu decepcionar-te-ei, noutros, tu frustar-me-ás, mas se tivermos coragem para reconhecer os nossos erros, habilidade para sonharmos juntos e capacidade para chorarmos e recomeçarmos tudo de novo tantas vezes quantas forem necessárias, então, o nosso amor será imortal.»


«Todo o amor é belo na sua nascente, mas poucos resistem ao calor do sol. Que o vosso amor suporte os testes da existência!»


«Velejarei pelos mares da ansiedade, escalarei as montanhas dos medos e percorrerei os vales das decepções para não deixar o amor morrer!»











domingo, 14 de outubro de 2007

Os meus livros


«Deixa-me dizer-te, meu caro, pode bem acontecer que vás através da vida sem saber que debaixo do teu nariz existe um livro no qual a tua vida é descrita em todo o detalhe. Aquilo do qual nunca te deste conta antes, vais relembrando aos poucos, assim que comeces a ler esse livro, e encontras e descobres... alguns livros tu lês e lês e não lhe consegues encontrar qualquer sentido ou lógica, por mais que tentes. São tão "espertos" que não consegues perceber uma palavra daquilo que dizem... Mas esse livro que talvez esteja logo debaixo do teu nariz, tu lês e sentes-te como se tivesses sido tu próprio a escrevê-lo, tal como - como é que hei-de dizer ? - tal como tivesses tomado posse do teu próprio coração - qualquer que este possa ser - e o tivesse virado do avesso de forma que as pessoas o consigam ver, e descrito com todos os detalhes - tal e qual como ele é! E como isto é simples, meu Deus! Porquê, eu próprio poderia ter escrito este livro! Porquê, de facto, porquê é que eu próprio não escrevi este livro!» - Fiodor Dostoievski, in "Pobre Gente"

«Não há no mundo livros que se devam ler, mas somente livros que uma pessoa deve ler em certo momento, em certo lugar, dentro de certas circunstâncias e num certo período da sua vida»- Lin Yutang

«Um livro não é um livro, mas sim um homem que fala através do livro.» - Alberto Moravia

«Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?» - Franz Kafka


Pode um livro mudar uma vida? Na minha opinião, não! Certo pensador disse: « ...o proveito dos livros depende da sensibilidade do leitor; a ideia ou paixão mais profunda dorme como numa mina enquanto não é descoberta por uma mente e um coração afins.» E eu digo: o proveito dos livros depende daquilo que fazemos do que lemos e aprendemos. O livro em si não muda uma vida. Mas, há livros que despertam em nós a criança adormecida; o aventureiro acomodado; o sonhador intrépido e ousado; o guerreiro determinado a recomeçar a lutar depois de cada batalha perdida...
Há livros que nos dão asas, mas para que servem as asas se tivermos medo de voar? Há livros que nos apontam vários caminhos, mas temos de ser nós a escolher, a optar; devemos ser os autores e protagonistas da nossa história.

«Um belo livro é aquele que semeia em redor os pontos de interrogação» . «A Saga de um Pensador», é precisamente um desses livros. É um livro que nos conduz à interrogação, à reflexão, que deixa muitas questões em aberto e nos estimula a sermos pensadores únicos e não repetidores de ideias de outrem.
Quando acabei de ler o livro fiquei com a sensação de que a tarefa do autor estava cumprida,e que a partir daquele instante teria de ser eu a escrever a minha parte da história. É como disse Josefh Conrad:« O autor só escreve metade do livro. Da outra metade, deve ocupar-se o leitor.»

Augusto Cury não é um romancista de renome, não se destaca pela sua capacidade de criar enredos complexos, ou por uma prosa de fino recorte literário. Augusto Cury é psiquiatra, cientista e psicoterapeuta e este é o seu primeiro romance. O autor tem o dom de reavivar a nossa capacidade de sonhar; de estimular e despertar em nós a ousadia, a coragem, a criatividade; de abrir o leque da inteligência e levar-nos a viajar pelas trajectórias do nosso ser. Eu acredito que este livro é capaz de ressuscitar sonhos, de encorajar e reanimar pessoas deprimidas, desiludidas, angustiadas, carentes de um significado e de um sentido para as suas vidas.
Utilizando uma linguagem poética, simples, cativante e acessível, Cury revela-nos as suas descobertas científicas no âmbito do funcionamento da mente e das funções mais nobres da inteligência. Neste livro concentram-se imensas pérolas de sabedoria de inúmeros pensadores, filósofos, poetas, romancistas, cientistas e, claro, do próprio autor. Mas, dessas pérolas falarei no próximo post. Até breve!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Inverter a lógica


É fundamental compreendermos que a realidade “não é simplesmente o que é”, mas acaba sempre por tornar-se o modo como olhamos para ela. As coisas tomam a cor da luz que as ilumina. Numa sala com uma lâmpada azul, todas as paredes, móveis e pessoas ficam azuis. Muda a lâmpada para verde, e tudo ficará verde. Para ver bem, é preciso escolher a “luz” certa. “Olhar” os acontecimentos significa “interpretá-los”. E é fundamental aprendermos a interpretar os acontecimentos de maneira optimista, positiva, confiante e criativa, porque isso leva-nos a dar passos concretos que nos conduzem a melhorarmos a realidade.

Um pensador espanhol muito conhecido, disse um dia uma frase que ficou famosa: “Eu sou eu e a minha circunstância”. Mas “eu” não sou a minha circunstância! Na mesma circunstância, “eu” posso optar por ser “outro”, isto é, ser diferente. Porque as circunstâncias (contextos) fazem as pessoas, mas as pessoas fazem as circunstâncias (contextos). Não somos “ratos de laboratório” numa grande “gaiola de experiências e ensaios” que é o mundo! Não somos fantoches nas mãos de qualquer destino! Temos os fios mais importantes da nossa vida nas nossas próprias mãos! As nossas posturas, atitudes e expressões (verbais, faciais, corporais, simbólicas…) são consequência das nossas experiências, mais ou menos positivas. Sim; mas o mais importante desta lógica é que pode ser invertida! As nossas experiências de vida podem ser mudadas se mudarmos as nossas posturas, atitudes e expressões!

O modo como nós lidamos com as nossas experiências, as mais antigas como as actuais, torna-as diferentes. Somos protagonistas de nós próprios, somos autores e não só resultado da nossa história, cheio de acontecimentos. Quando falamos de “história”, da nossa história, temos a tentação de olhar só para o passado, considerando-nos como resultado de tudo o que fomos, tivemos e nos aconteceu. Uma coisa te garanto: a maturidade da Fé, da Esperança e do Amor ao jeito de Jesus empurra-nos sempre a olhar para a frente, rasga-nos o futuro. “Tens que nascer de novo!”, disse Jesus a Nicodemos. “Poderei voltar ao ventre da minha mãe?!”, perguntou ele. O engano do costume… querer renascer voltando ao passado! Renascer é nascer novo para o futuro. A nossa história não é só o fio das nossas memórias e experiências. A nossa história é também o apelo ao que de nós ainda está por nascer, o mundo dos nossos projectos e das nossas ousadias a caminho da Felicidade. Não te deixes ser apenas o resultado das tuas experiências!

Sê autor da tua história, pelo modo como amadureces com as experiências do passado, enfrentas as do presente e preparas as do futuro. Não te deixes cair no marasmo dos que acham que nunca há nada a fazer para mudar… porque é mentira! Nem deixes que te enganem com os seus argumentos… Não te deixes cair na tentação de querer justificar as desistências com argumentos que parecem muito “sábios”, mas só servem para enganar os distraídos, coisas deste tipo: “Eu sou assim… é uma questão de personalidade… é a minha maneira de ser…” Essa “maneira de ser” que chamam “personalidade” não pode ser entendida como uma realidade estática, como um destino interior imutável, qualquer coisa como uma “mola interior” que impulsiona os nossos comportamentos, sempre e só num movimento “de dentro para fora”.

Sabes, a nossa personalidade manifesta-se nos nossos comportamentos, mas se quisermos amadurecer temos que começar por conscientemente mudar os nossos comportamentos! Os comportamentos também moldam a personalidade. Na prática, sabes como é que isto se faz? É assim: se queres possuir uma determinada qualidade ou maneira de ser, faz por comportar-te como se já a tivesses! Esse é o caminho para ela desabrochar em ti…

Rui Santiago

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Da ruminação pessimista à digestão optimista

Pois é! Às vezes “acontecem” coisas que ninguém estava à espera, situações pelas quais ninguém optou, acontecimentos que ninguém escolheu viver, experiências que ninguém queria. A marcha da vida e as suas surpresas desagradáveis, que nos costumam deixar na boca o travo da injustiça e, às vezes, da revolta…Mas não são só estas… até outras, que nos parecem ainda mais incompreensíveis.

Temos que dar alguns saltos qualitativos para chegarmos à sabedoria da confiança e do optimismo criativo. Este, por exemplo: temos que aprender a reconhecer que a marcha da vida não é obrigatoriamente justa! Às vezes, mesmo sendo competentes e esforçando-se, sendo sérios e empenhados, os resultados podem ser maus. Aqui, há que aceitar e avançar! Que outra hipótese haverá?! Enrodilhar-se num canto e chorar? Nunca fiques aí muito tempo… eu sei que apetece, mas isso faz-te tanto mal…Já alguma vez viste uma vaca a pastar? Engole tudo de uma vez, e depois deita-se calmamente a ruminar, que é o processo de trazer a comida à boca para a mastigar demoradamente! Nós, muitas vezes fazemos algo parecido na nossa mente com os acontecimentos mais negativos e dolorosos da nossa história…É aqui que devemos aprender a passar da ruminação pessimista dos acontecimentos, à sua digestão optimista, ou seja, assimilação, incorporação e… adiante, que o caminho faz-se caminhando!

A ruminação dos acontecimentos encerra-nos na espiral fechada da angústia, pela repetição constante do “Porquê?! Porquê?!” E, muitas vezes, não há mesmo um “porquê”…A digestão insere-nos na espiral aberta do crescimento, pela serena luminosidade da pergunta: “Para quê?... Para quê esta situação? O que aprendo com ela, como posso crescer nela?
Auto-enroscar-se nas causas, ou abrir-se às soluções? Tenho a certeza que nem duvidas do que é melhor… E tenho a certeza que Deus nunca se ausenta nas nossas dificuldades! A maior parte das vezes costumamos é pô-lo a “jogar na equipa contrária”… Deus está por nós!!! Deus não é a causa dos acontecimentos que nos fazem mal, mas sim a saída com sucesso! Deus é em nós fonte de força e discernimento para compreendermos como lidar com todas as situações, como sair delas mais amadurecido e humanizado. Para teu bem, nunca permitas que alguém à tua frente coloque Deus como “causa do mal!” É uma mentira gravíssima, e muito difundida. Deus é o Amor Forte e Novo ao teu dispor, vinte e quatro horas por dia, para te conduzir à Vitória sobre o Mal, à Vitória sobre a Tristeza, à Vitória sobre o Absurdo. Vive-o, testemunha-o, anuncia-o!
E não te deixes ficar muito tempo prostrado! “Agarra-te nas mãos” e refaz-te sem demoras, porque ouvi dizer que “a vida são dois dias”, e às vezes levamos um para despertar! Sabes, aqui entre nós… o papel de vítima pode ser muito confortável, talvez até uma excelente desculpa para não mudarmos… mas não é certamente o caminho que conduz à “Terra Prometida que se chama Felicidade”.

Rui Santiago

domingo, 7 de outubro de 2007

Canções da minha vida


"As canções são como as mulheres: muitas nem ligamos, outras fazem-nos pensar, mas algumas ficam para sempre."

A música é uma das grandes paixões da minha vida... Desde muito novo que colecciono canções em cassetes, discos, cd´s e sobretudo na minha memória.
Há canções que ficam para sempre, são intemporais... acompanham-nos ao longo dos anos e nunca nos cansamos da sua companhia. Canções que nos falam ao coração; que nos fazem vibrar, viajar sonhar, rir, chorar...enfim, mergulhar no mais fundo de nós mesmos. Canções com as quais crescemos. Canções que vemos crescer(dentro de nós).

Uma canção é sempre diferente; depende do momento em que a ouvimos, do ambiente, do nosso estado de espírito. Há canções que iluminam espaços recônditos da alma onde se escondem os tesouros mais preciosos. Canções que foram e são a banda sonora de uma vida feita de tristeza, alegria, solidão, encontros, desencontros, paixões fugazes, amizades eternas, sonhos desfeitos e ressuscitados, derrotas, vitórias, conquistas, perdas, frustações, eternos recomeços... Canções que deixámos de ouvir por diversos motivos, mas que permanecem para sempre, como amigos fisicamente distantes que não vemos há imenso tempo, mas que estão bem perto do coração. Canções com história - a nossa história de vida ligada a essas melodias e palavras tão cumplices e cheias de significado.

Canções de outros, mas também nossas... A canção é uma dádiva. Canções que são bálsamo, terapia... Canções que resgatam um sentido perdido ou memórias tão profundas como os mistérios que nunca devem deixar de nos causar deslumbramento e espanto. Pequenos tesouros musicais que gostamos de partilhar com os nossos melhores amigos como se fossem segredos bem guardados no mais íntimo do ser.

São algumas das canções da minha vida que, a partir de hoje, vou partilhar com todos os que me visitam; para que me conheçam um pouco melhor, pois eu também sou as canções que escuto...
A minha primeira escolha recai sobre uma canção que já ouvi dezenas e dezenas de vezes, mas que me causa arrepios e uma sensação de paz interior cada vez que a escuto. É uma canção que me enche a alma!


Beth Gibbons - Mysteries



God knows how I adore life
When the wind turns on the shores lies another day
I cannot ask for more

When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine

And the moments that I enjoy
A place of love and mystery
I'll be there anytime

Oh mysteries of love
Where war is no more
I'll be there anytime

When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A voz da consciência


Duas crianças estavam a patinar num lago congelado da Alemanha. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas. De repente, o gelo quebrou-se e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou. A outra, vendo o seu amiguito preso e a congelar aos poucos, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino: "Como é que conseguiste fazer isso? É impossível que tenhas conseguido quebrar o gelo, sendo tu tão pequeno e com umas mãos tão frágeis!" Nesse instante, o génio Albert Einstein passava pelo local e comentou: "Eu sei como ele conseguiu." Todos perguntaram: "Pode dizer-nos como?". " É simples", respondeu Einstein, "Não havia ninguém por perto para lhe dizer que não seria capaz." "Deus fez-nos perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos. "Fazer ou não fazer algo, só depende da nossa vontade e perseverança. (Albert Einstein)

Conclusão: "Preocupa-te mais com a tua consciência do que com tua reputação, porque a tua consciência é o que tu és, e a tua reputação é o que os outros pensam de ti. E o que os outros pensam, é problema deles."

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Porque gritamos?


Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: - Por é que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma - disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao nosso lado? Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, respondeu outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar: - Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?
O facto é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, os seus corações afastam-se muito. Para diminuir esta distância precisam de gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos os seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem.
É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui, dizendo:- Quando discutirem, não deixem que os vossos corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.


domingo, 30 de setembro de 2007

O que é o amor... visto pelas crianças


Tenho o hábito de navegar pela blogsfera. Praticamente todas as semanas sou abençoado com a descoberta de novas pérolas de sabedoria que vou guardando na minha caixinha dos favoritos e linkando nos meus blogs. A semana passada, fiz uma das melhores descobertas dos últimos meses: encontrei um blog recheado de pérolas de sabedoria! O nome do blog não podia ser mais adequado: Pérolas de Sabedoria! O link é:http://perolasdesabedoria.blogspot.com/

Neste blog, encontrei coisas maravilhosas. Para hoje, escolhi um texto que fala sobre o amor visto pelos olhos e sentido pelo coração das crianças. Várias crianças descrevem o que é para elas o amor. São descrições/ definições encantadoras, enternecedoras. Nunca me deixo de espantar e encantar com a espontaneidade, pureza, simplicidade, sinceridade, alegria, transparência, inocência e sabedoria das crianças.

Para mim, estão aqui reunidas algumas das melhores descrições do amor que já tive oportunidade de ler.


“Amor é quando alguém te magoa, e tu, mesmo muito magoado, não gritas porque sabes que isso vai ferir os sentimentos da outra pessoa.”

“Quando a minha avó ficou com artrite, e deixou de poder dobrar-se para pintar as unhas dos pés, o meu avô passou a pintar as unhas dela, apesar dele também ter muita artrite.”

“Amor é quando uma menina põe perfume e o menino põe loção pós-barba, depois saiem juntos e se cheiram um ao outro.”

“Eu sei que a minha irmã mais velha me ama porque ela dá-me todas as suas roupas velhas e tem que sair para comprar outras.”

“Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são muito amigos, apesar de se conhecerem há muito tempo.”

“Quando alguém te ama, a forma de dizer o teu nome é diferente...”

“Amor é quando sais para comer e ofereces as tuas batatinhas fritas sem esperar que a outra pessoa te ofereça as batatinhas dela.”

“Amor é quando a minha mãe faz café para o meu pai e toma um gole antes, para ter a certeza que está ao gosto dele.”

“Amor é quem está com a gente no Natal.”

“Se queres aprender a amar melhor, deves começar com um amigo de quem não gostas.”

“Quando contas a alguém alguma coisa feia sobre ti próprio, e ficas com medo que essa pessoa por causa disso deixe de gostar de ti, aí ficas mesmo surpreendido, que descobres que não só te continuam amando, como ainda te amam mais!”

“Há dois tipos de amor: o nosso amor e o amor de Deus. Mas o amor de Deus consegue juntar os dois.”

“Amor é quando a nossa mãe vê o nosso pai chegar suado e mal cheiroso e ainda diz que ele é mais bonito que o Robert Redford.”

“Durante a minha apresentação de piano, eu vi o meu pai na plateia, acenando-me e sorrindo. Era a única pessoa que fazia isso, e eu não sentia medo.”

“Amor é quando dizes a um rapaz que a camisa que ele usa é muito bonita, e ele a veste todos os dias.”

“Não deveríamos dizer amo-te a não ser quando realmente o sentimos. E se sentimos, então devíamos dizê-lo muitas vezes. As pessoas esquecem-se de o dizer.”

“Quando amas alguém, os teus olhos sobem e descem, e pequenas estrelas saem de ti!“

"Amor é quando o teu cão te lambe a cara, mesmo depois de o teres deixado sozinho o dia inteiro."

Fonte:http://perolasdesabedoria.blogpsot.com/



quarta-feira, 26 de setembro de 2007

INSISTIR, NUNCA DESISTIR!



O Verão não fora particularmente quente; mas, naquele dia o calor era intenso, quase excessivo. Depois de uma árdua semana de trabalho, subimos a serra a caminho do nosso cantinho predilecto, sedentos de repouso, paz, silêncio, tranquilidade... Sentámo-nos sobre a relva e inspirámos lentamente o ar puro que nos purificou os pulmões. Uma brisa fresca e ligeira acaricou os nossos corpos cansados. À nossa volta, as majestosas montanhas inspiravam-me sentimentos de humildade e reverência. Por entre a folhagem das árvores, penetravam raios de uma luz pura e sedosa. Não tínhamos pressa. O tempo parecia não existir.

À nossa frente, um casal com dois filhos pequenos. Pai e filho(com os seus 8 ou 9 anos) jogavam com raquetes de badminton. O prazer, a alegria e o entusiasmo com que se entregavam ao jogo prenderam a minha atenção. Vi no pai uma criança cheia de entusiasmo, vivacidade e contentamento. Cada vez que o filho acertava na "bola" ou fazia uma boa jogada, o pai expressava o seu contentamento e satisfação: "Boa!", "Boa, filho!". Quando o filho falhava, o pai corrigia-o com bondade, sabedoria e paciência; ensinando-o a postura correcta, os movimentos adequados, de modo a ser mais certeiro e eficaz. E depois repetia invariavelmente: "INSISTIR, NUNCA DESISTIR!". E o menino voltava a tentar uma e outra vez; e sempre que falhava ouvia o pai repetir: "INSISTIR, NUNCA DESISTIR!".

O menino insistia, empenhava-se; corria mais, saltava mais alto, corrigia a postura, aprimorava os gestos técnicos. Nos olhos do pai eu via um brilho de orgulho e satisfação: "BOA!" , "BOA, FILHO!" , "É preciso INSISTIR, NUNCA DESISTIR!".

Estas palavras de encorajamento, estímulo e incentivo ainda ecoam na minha mente. Costumo escutá-las nos momentos em que me sinto vacilar ou com falta de confiança diante de certos obstáculos. Quando sinto o desânimo a ganhar forças, o cansaço a querer derrubar-me, o medo a tentar conquistar terreno na minha mente, uma voz interior diz-me:" INSISTIR, NUNCA DESISTIR!".
E eu insisto, luto, faço, ajo, arrisco... Quando acerto, oiço a voz interior: "Boa!", "Boa, filho!". Quando tento, mas falho, oiço: "Boa!", "Boa, filho!" , "É preciso INSISTIR, NUNCA DESISTIR!".
Acredito que aquele menino jamais esquecerá as palavras do pai. Quando crescer e se deparar com os obstáculos da vida será forte e corajoso; superará muitos obstáculos e ouvirá o pai dizer:"BOA!" , "BOA, FILHO!". Cada vez que errar ou fracassar, levantará a cabeça e ouvirá uma voz dentro de si: "É preciso INSISTIR, NUNCA DESISTIR!".

domingo, 23 de setembro de 2007

Pérolas de sabedoria de Augusto Cury



Augusto Jorge Cury é médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor. Pós-graduado em Psicologia Social, desenvolveu a teoria da Inteligência Multifocal, sobre o funcionamento da mente e o processo de construção do pensamento.
É pesquisador na área de qualidade de vida e desenvolvimento da inteligência, abordando a natureza, a construção e a dinâmica da emoção e dos pensamentos.
Desenvolve em Espanha pesquisa em Ciências da Educação na área de qualidade de vida.
Os seus livros já venderam milhões de exemplares, destacando-se: "A Saga de um pensador", "Nunca desista dos seus sonhos", "A ditadura da beleza e a revolução das mulheres", "Pais brilhantes, professores fascinantes", "Filhos brilhantes, alunos fascinantes".

Publicado em mais de 40 países, Cury foi conferencista no 13° Congresso Internacional sobre Intolerância e Discriminação da Universidade BYU, nos Estados Unidos. É doutor honoris causa pela UNIFIL (Centro Universitário Filadélfia, em Londrina) e membro de honra da Academia de Sobredotados do Instituto da Inteligência, no Porto.
Além disso, ele é director da Escola de Inteligência, instituto que promove a formação de psicólogos, educadores e do público em geral. Também na área educacional contribuiu com novos métodos e dinâmicas que tornam o ensino mais criativo e menos stressante.



quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Recado de JESUS aos Corações amedrontados

Este post merece uma introdução condigna.

Hoje, pela primeira vez, publico o mesmo post, em simultâneo, nos meus dois blogs. O objectivo é que o maior número de pessoas possível tenha acesso a este texto.
Há pessoas que visitam regularmente os meus dois blogs; outros que visitam apenas este, ou o Conhecer e seguir jesus. Também há os que visitam os meus blogs e o do autor do texto que irei transcrever e que, por essa razão, provavelmente já leram o texto. Mas, será sempre proveitoso rele-lo, estou certo.
Desejo que todos os que me visitam sintam vontade de ler este texto; crentes, não crentes, ateus, agnósticos, pessoas de diferentes religiões e credos (o texto é dirigido a todos). Desejo que o título do post não gere preconceitos ou desinteresse por parte dos que não crêem. Desejo que abram os vossos corações e recebam as palavras sábias e profundas escritas pelo meu caro amigo Rui Santiago, do blog: Derrotar montanhas( visitem-no sem demora).
Estou convicto que depois de lerem o texto sentirão a vossa alma mais leve, engrandecida, enriquecida, fortalecida, serena, grata( bem, já chega de adjectivos eloquentes)... E o vosso coração? Provavelmente, sentirá uma irresistível vontade de voar acima dos medos e entregar-se à liberdade suprema de um amor incondicional.
Boa leitura!


Recado de JESUS aos Corações amedrontados

Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas as cores com que se pintariam os teus dias! Se percebesses de uma vez por todas o teu verdadeiro tamanho, assim como eu próprio te vejo, e o lugar que ocupas no Coração do meu Pai, aprenderias de novo a dançar e a cantar como nos tempos de criança. Mas não dançarias mais como criança… Dançarias como fazem os Sábios de todos os tempos, cantarias como eles, sentirias o teu íntimo em Festa num sereno baile de Alegria e Paz…

Se tu soubesses do que és capaz, deixarias de fechar-te em ti próprio, e eu daria largas ao teu Coração, far-te-ia levantar voo acima dos teus medos, das tuas tristezas e das tuas desistências…

Deixa-me mostrar-te do que és capaz…

Todos os que dão crédito às minhas palavras, lentamente vão percebendo que não lhes minto! Dentro deles o Espírito Santo começa a fazer maravilhas, e eles sentem… Pouco a pouco, vão até aprendendo a colaborar com Ele, vão-lhe aprendendo os ritmos e percebendo os sinais… E, até hoje, nunca nenhum se sentiu defraudado em relação àquilo que lhe prometi! Bem pelo contrário…

Deixa-me mostrar-te do que és capaz…

Sou capaz de ensinar-te como se olha verdadeiramente para a Vida, para a História, para as Pessoas, e para os Desafios que tudo isto traz consigo! Sou capaz de libertar-te das forças autodestrutivas que às vezes ainda te minam o Coração: o ressentimento, o medo, a frustração, a impaciência, a desistência, a vingança, o desânimo…

Se tu soubesses do que és capaz adorarias voltar a ver-te ao espelho, e perceberias que tinhas renascido. Estas coisas escrevem-se-nos no rosto e nos olhos…

Lembras-te da quantidade enorme de desafios complicados que já venceste? São tantos, não são?!

Lembras-te de quantas vezes já pensaste “Desta não saio! Isto é demais! Nunca vou ultrapassar isto!”? Lembras-te?

Eu lembro-me bem, porque estive sempre contigo! Já vencemos juntos tantas coisas… E tudo isto, em vez de te fazer forte, muitas vezes só tem servido para complicares a Vida ainda mais por causa do passado e te assustares diante do rosto feio de alguns dias.

Por isso é que hoje tinha que falar-te assim, e andei às voltas a tentar arranjar uma maneira de o fazer! Porque quero muito que aprendas a olhar para ti como eu próprio te vejo!

Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas como os teus pés se tornariam ligeiros, as tuas pernas fortes, os teus braços vigorosos, o teu peito invencível, a tua cabeça inquebrável, o teu rosto terno, os teus olhos atentos…

Deixa-me mostrar-te do que és capaz!

Não perceberás tudo hoje, nem amanhã ainda… Mas começa hoje! Deixa-me mostrar-te do que és capaz…

Dentro de ti, quero ensinar-te a ver cada coisa com o seu real tamanho e valor, porque às vezes vês grandes demais problemas pequenos, e não prestas atenção a grandes maravilhas… Como tu!

Quando aprenderás a olhar para ti como se contempla uma maravilha? Quando aprenderás a ver-te como eu te vejo?

Não te olho à procura de perfeições, não existe em mim qualquer moralismo, não te exijo que sejas diferente do que és para gostar de ti e para me encantar ao olhar-te. Basta-me que sejas assim como és. Não compliques…

Se tu soubesses do que és capaz, tirarias finalmente muitos projectos da gaveta do teu Coração e darias passos que antes julgavas maiores do que as pernas. Porque se tu soubesses do que és capaz, as tuas pernas cresceriam…

Rui Santiago, Derrotar montanhas

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Raquel

Como o texto anterior escrito pelo Pedro Paixão foi apreciado por muitos leitores; hoje, vou publicar mais uma pequena história deste escritor. É um texto sobre as recordações duma paixão vivida entre dois adolescentes. Uma paixão vivida com intensidade, inocência, insensatez, irresponsabilidade, magia, aventura, ousadia... Podia ser paixão ou amor; mas só esse sentimento os unia e importava, tudo o resto era secundário, quase supérfluo e irrelevante ..."O amor era urgente e o mundo inteiro feito de nós dois."

Os corrimãos, as costas doridas, as caixas de correio cheias de publicidade e o cheiro a cabelos, lembro-me bem. Éramos novos, não tínhamos nada ou então tínhamos tudo porque nada nos faltava. Não tínhamos casa para onde ir, nem cama onde dormir, nem mesa onde comer. Pouco importava. O amor era urgente e o mundo inteiro feito de nós dois.
Dormíamos muito agarrados em bancos de jardins, enroscados em vãos de escadas que tremiam e se arrepiavam com os nossos corpos. Poucas vezes nos estendemos em camas de reles quartos de pensões que nos faziam rir antes do nosso sangue, tão espesso e tão quente, nos sufocar. Não tínhamos dinheiro ou muito pouco. Pedíamos uma cerveja para os dois e ficávamos até baixarem as luzes e o empregado vir dizer que tínhamos de sair. Se um de nós adormecia de cansaço, a cabeça em cima dos braços cruzados sobre o tampo da mesa, o outro ficava de guarda, como um anjo. Éramos novos e não havia outra maneira. De três em três dias íamos a casa dos nossos pais, apontando para as horas em que eles não estavam, tomar banho, mudar de roupa e roubar chocolates e bolachas e depois voltávamos para as ruas, para as escadas, para o calor.
Quem chegava atrasado era punido com beijos. Os nossos pais não percebiam, destruíam-nos a cabeça cada vez que nos apanhavam. Discutíamos alto e depois fugíamos batendo a porta atrás de nós, um livro no bolso para ler um ao outro debaixo de uma lãmpada qualquer.
O tempo foi clemente, as escadas sossegadas, nos jardins os passadores de drogas ignoravam-nos. Ninguém nos surpreendeu no escuro de um vão de escadas, embora houvesse momentos de perigo, que faziam bater tão alto o coração que parecia inevitável trair-nos e, por milagre, só nós ouvíamos. Não fomos atacados, roubados, violados. Nada de mal nos aconteceu, nem medo tínhamos. O mundo inteiro era feito de nós dois e era o bastante. O amor era a única coisa urgente, tudo o resto era adiado, não importava, ficava para depois. As aulas, os testes, tudo o que antes fazia uma vida, e não era. Se quiseres não acredites. Por vezes também não acredito. Mas foi mesmo verdade. Foram meses de uma primavera que passou. E se ainda acontece falarmos ao telefone, nenhum de nós fala sobre isso, como se tivéssemos vergonha de ter sido assim. Se quiseres saber mais pergunta-lhe a ela, a mim não. Chama-se Raquel e não mora longe daqui.

Pedro Paixão, em "Nos teus braços morreríamos"

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Dois homens a chorar num restaurante de luxo

Pedro Paixão é um dos meus escritores preferidos. Já perdi a conta das vezes que li este texto. Eu que já senti tantas vezes "aquela dor que bate quando quer", e por isso sinto uma empatia profunda por estes dois homens sensíveis sentados à mesa de um restaurante, presos à nostalgia de um amor grandioso e profundamente doloroso.

Escolhemos uma mesa junto à janela e pedimos cherne grelhado.
Há quatro meses que não nos vemos, cada um com os seus problemas, ele a refazer uma empresa, eu a curar-me de ti. Claro que de ti não falo, porque não temos intimidade para isso e porque falar de ti é arriscar-me a reavivar a ferida, a dor que hoje ainda não senti. Por isso nem minto quando digo que já estive mal e que hoje estou bem. Mas, de repente, o meu amigo, o meu novo amigo, sem que pareça vir a propósito, começa a falar de um amor antigo e que não passa, um amor excessivo como o nosso e eu fico preso às palavras que me diz sem cuidar de mais nada.
Como é possível que outros tenham sentido o que eu senti? É um escândalo. Eu digo-lhe que o meu interesse é puramente literário mas que por favor não pare. Há pormenores, detalhes que são uma réplica perfeita do que fomos, coisas sem importãncia que guardamos como tesouros. Olhamo-nos fixamente nos olhos como se um do outro aguardássemos uma resposta a qualquer coisa que não saberíamos pôr por palavras, naúfragos sem desejar salvação. E enquanto ele me conta devagar, com todos os cuidados - é imperioso que nada falte - a despedida, o último abraço, a voz embarga-se-lhe, vêm-lhe lágrimas aos olhos e depois sorri. Também eu sinto os olhos húmidos, uma vontade de o abraçar, de o proteger, embora ambos saibamos que não há maneira de afastar para longe aquela dor que bate quando quer.
Pagamos a conta e saímos, seguindo calados pelas ruas cheias de um sol sem compaixão. Uma montra lembra-nos com malvada ironia que vem aí o dia dos namorados. Deixo-o à porta do escritório onde nos abraçamos pela primeira vez e continuo em frente sem me perguntar para onde.

Pedro Paixão, em "Amor Portátil"

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A Dádiva mais preciosa



A vida é tão preciosa... e tão bela. Basta escutar o pulsar radiante do coração do novo dia que nasce no horizonte da esperança. Basta inebriar-me com o doce e suave aroma do teu sorriso que desperta pela manhã todos os sonhos que enterrei antes de te conhecer. Basta-me o teu coração como abrigo e os teus braços sempre abertos para me acolher quando as tempestades da alma obscurecem o horizonte da fé e o sol da alegria esconde-se por detrás de nuvens passageiras de dúvidas e medos opressores. Basta a recordação da melodia divina de um pássaro sonhado nas manhãs de uma qualquer primavera da nossa pura inocência. Basta a tua mão entrelaçada na minha a dizer-me que me levantarás sempre que cair e que me perdoarás todos os infortunios das minhas imperfeições.

A vida é um dom. O amor também é um dom. Não amamos porque queremos. Não amamos porque desejamos desesperadamente amar. Amamos porque nos foi concedida essa dádiva maravilhosa, que precisamos cultivar, cuidar, tratar, vigiar, proteger... Tens de dar a tua dádiva para que ela cresça em ti. Tens de dar o teu amor para que ele viva e se renove. Essa dádiva única e preciosa tem de ser compartilhada se quiseres que ela permaneça contigo. Quanto mais deres, mais terás. Sentirás uma alegria inexprimível por partilhares a tua dádiva, mesmo que não recebas nada em troca. Não esperes receber algo em troca para alimentar o teu dom de amar. Acima de tudo preserva a tua dádiva de amor como um tesouro a ser compartilhado diariamente.

Se alguém chora, vai e oferece-lhe a tua dádiva de amor.
Se alguém sofre, vai e oferece-lhe o consolo e conforto do teu dom de amor.
Se alguém está só, vai e oferece-lhe o abrigo do teu coração onde habita a tua dádiva de amor.
Se alguém tem fome, vai e partilha o teu tesouro.
Se alguém desconhece esta dádiva, vai e mostra-lhe que ela existe dentro de cada um de nós.
Se alguém perdeu a esperança, vai e leva-lhe a dádiva de luz que trazes dentro de ti.
Se alguém grita de dor, vai e leva-lhe o silêncio sagrado da tua dádiva.
Se alguém está doente, vai e leva-lhe o conforto da tua presença luminosa.
Se alguém se sente culpado, vai e leva-lhe o poder libertador da tua dádiva.
Se alguém se sente rejeitado, vai e acolhe-o no seio da tua dádiva de amor.

A vida é tão preciosa... O melhor da vida? Este dom gratuito que faz pulsar o coração e é a essência da vida. Ou como alguém muito apaixonado disse: "A vida é a visão do Infinito, de todas as possibilidades e realizações que o amor pode trazer(...) Um homem só pode entregar-se nas mãos de alguém quando o amor é tão grande que o resultado dessa entrega é a liberdade total". Não se pressupõe a existência do amor sem liberdade. Liberdade para ser, para se reinventar, para romper com preconceitos, para superar falsos limites, para enfrentrar todos os medos, para se transformar em luz que ilumina, inspira, cativa, estimula, edifica...


sexta-feira, 7 de setembro de 2007

As perguntas importantes de uma pessoa em construção:

- Quais são as minhas principais capacidades e qualidades?

- Quais são as minhas principais limitações e imperfeições?

- O que está hoje ao meu alcance para mudar?

- Quais são os sentimentos que me acompanham mais vezes?

- Qual é o sentimento mais frequente e presente em mim?

- Que sentimento gostaria de sentir mais vezes, ou mais intensamente?

- Está ao meu alcance consegui-lo?

- O que é importante fazer ou oferecer a mim próprio e eu ando a adiar há muito tempo?

- O que é importante fazer ou oferecer a alguém e eu ando a adiar há muito tempo?

- Hoje não pode ser um bom dia para me decidir?

- Ainda tenho sonhos pelos quais valha a pena lutar?

- Quais são os grandes adversários nas minhas lutas?

- Quais são as minhas fortalezas e os motivos para querer sempre recomeçar?

- Que lugar tem a Palavra de Deus no concreto dos meus dias?

- Se eu fosse morrer dentro de cinco minutos e me pusessem em directo na televisão, o que diria?

Fonte: Jovens Redentoristas

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Dulcineia


O autor cristão Brennan Manning, no livro "A assinatura de Jesus" , partilha um pequeno trecho de uma peça de teatro inspirada na obra-prima de Miguel de Cervantes -"Dom Quixote" .

O autor descreve uma cena que se passa na peça O homem de La Mancha:«Na peça ocorre um diálogo entre Alonso Chiana(também conhecido como Dom Quixote) e Aldonza, uma criada e prostituta. No seu delírio Alonso vê aquela mulher como uma aristocrata, e trata-a de forma compatível. Ele chama a meretriz rude e vulgar de "minha senhora" e "minha doce Dulcineia" . Num primeiro momento ela fica perplexa e indignada; não consegue entender este louco. Mas há uma pungente beleza nele. Por que razão ela se sente tão atraída por este homem misterioso? Porque dele vem a afirmação de que ela é um tesouro e deve ser estimada e tratada como tal. Ele faz em pedaços a muralha do seu medo e atitude defensiva.- Dulcineia! - brada Aldonza. - Meu Deus, ele conhece toda a história da minha vida. E ainda assim chama-me de Dulcineia!

Para esta mulher coberta de vergonha, é uma palavra que faz surgir um raio de luz nas profundezas de um mar negro. Atordoante na sua simplicidade, transformadora no seu poder, espantosa na sua sabedoria, Dulcineia é a indizível declaração das profundezas místicas do próprio Deus. Dulcineia é a esmagadora revelação de que Deus vê as coisas de modo diferente do que nós.

Perto do final da história o mundo de sonhos de Dom Quixote é despedaçado, e um desnorteado Alonso Chiana está a morrer na casa da sua família. Aldonza irrompe no quarto. Alonso não a reconhece. Ele está fraco, doente e confuso.
- É possível que eu a tenha conhecido, mas não me recordo - diz ele. Aldonza ajoelha-se ao lado da cama e implora:
- Tente lembrar, por favor!
- É assim tão importante?
- É tudo! - responde ela. - A minha vida inteira. O senhor falou comigo e tudo... mudou.
- Falei consigo?
- Chamou-me por outro nome. Dulcineia... Quando o senhor disse o nome foi como se um anjo sussurrasse: "Dulcineia... Dulcineia...".

Todo o anseio reprimido no coração humano de Aldonza vem à tona enquanto ela derrama diante de Alonso o que aconteceu quando ele a chamou por esse nome, o terramoto de espírito causado pelo seu amor e aceitação. Ele tê-la chamado de "senhora" despertara nela algo que ela pensava que jamais poderia ser. Ela havia estado morta, congelada, imune à emoção humana. O triunfo da sua vida tinha sido não precisar de ninguém. Mas ele invadira-lhe a câmara fechada do coração, e ela começara a derreter. Sementes de esperança, há muito enterradas, vieram à vida. Ela começara a crer que era Dulcineia. Tudo mudara porque ela havia sido tocada pelo amor de um velho sonhador que se chamava a si mesmo de Dom Quixote.

"A Assinatura de Jesus", Brennan Manning

sábado, 1 de setembro de 2007

O Pôr-do-sol contigo


Escrevi este texto inspirado por uma experiência de um grande Amigo que, infelizmente, vive há alguma distância de mim, mas que está sempre presente nos meus pensamentos, e ocupa um lugar especial no meu coração. Esta prosa poética é dedicada ao meu grande Amigo, Paulo, com o qual compartilhei muitas aventuras, histórias, ideias, sentimentos, sonhos, desilusões, desgostos, esperanças, dores, alegrias, tristezas... Que a nossa amizade seja eterna! Espero que gostes do texto. Escrevi-o na primeira pessoa. Provavelmente, não são estes os sentimentos que sentes em relação à experiência que vives. Esta é apenas a minha leitura e interpretação do que partilhaste comigo.

Gostava que as coisas fossem mais simples... mais transparentes. Gostava de te ver mais vezes, para cruzarmos os olhares e, talvez, num instante mágico, tudo o que temos cá dentro brilhasse como estrelas candentes no esplendor dos nossos rostos resplandecentes.

Perco-me nos labirintos das tuas ausências, das intermitências do teu afecto... Recordo os teus gestos de ternura e uma torrente de falsas ilusões e esperanças momentâneas invade-me o vazio da alma...

Nos dias da tua ausência tenho de esculpir sonhos, tecer ilusões como um artista solitário e incompreendido, que assim tenta exorcizar medos e vagos fantasmas que invadem os desertos da alma. Por vezes, renuncio à razão e mergulho nas profundezas do coração, onde sempre encontro ilusões consoladoras e sonhos cheios de esperança despertados pela beleza oculta nas profundezas do teu verdadeiro ser adormecido e desconhecido.

Desperta a criança que há muito adormeceu dentro de mim. Mostra-me de novo a pureza dos corações, a magia da descoberta, a simplicidade de ser, a espontaneidade genuína, o espanto perante a beleza da vida... Ensina-me a arte da confiança aberta e segura; a capacidade de dar e amar sem medo nem expectativas; o dom de não julgar, mas apenas compreender com profundidade e serenidade... Ilumina-me os recantos obscuros da alma com essa luz que brilha dentro de ti e que persistes em ofuscar com teorias e abstracções...
O verdadeiro amor brota do intelecto ou de um coração puro, livre, disponível?
Gostava que as coisas fossem mais simples... Gostava de ser uma prioridade na tua vida e não uma alternativa. Não quero ser alguém com quem apenas podes encontrar-te nas horas livres dos teus dias repletos de compromissos, que te separam da essência da vida e te aprofundam o vazio dos dias.
Tardas, o meu olhar esmorece...
És tu quem eu quero ver
ao adormecer
A minha canção de embalar...
Cansam-me as confusas conjecturas e inúteis especulações. Troco todas as palavras que até agora partilhámos pela suave e inebriante luz do teu doce e meigo olhar. Na tua ausência quero recordar mais intensamente essa luz que o teu olhar irradia do que as palavras que por vezes escondem o que realmente o teu coração me quer dizer.
Depois de saber que existes já não quero mais estes dias sem sentido e sem brilho, quero apenas seguir pelo caminho que o teu olhar iluminou, adormecer no doce abrigo do teu abraço, acordar com o sol do teu sorriso a brilhar no horizonte da minha alma, agarrar-te pela mão e caminharmos juntos pelos campos floridos de um prado qualquer... Tenho um sonho...
Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo,
E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores.
Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,
Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores,
Isso será uma alegria e uma verdade para mim.
Confesso-te que prefiro:
Amanhã virás, contemplarás o pôr-do-sol comigo
E eu verei a luz do sol poente brilhar no teu rosto.
Eu já te vejo amanhã a contemplar o pôr-do-sol comigo,
Pois quando vieres amanhã e contemplar o pôr-do-sol contigo,
Isso será uma alegria e uma verdade para mim.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A parábola da rosa


Um certo homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente e, antes que ela desabrochasse, contemplou-a. Ele viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou: como pode uma bela flor vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados? Entristecido por este pensamento, ele recusou-se a regar a rosa, e, antes que estivesse pronta para desabrochar, ela morreu.
Assim é com muitas pessoas. Dentro de cada alma há uma rosa: os dons concedidos por Deus e plantados em nós crescem no meio dos espinhos das nossas faltas. Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos. Por vezes, desanimamos e sentimos que nada de bom pode vir do nosso interior. Recusamo-nos a regar o bem dentro de nós, e, consequentemente, isso morre. Nós nunca percebemos o nosso potencial. Algumas pessoas não vêem a rosa dentro delas mesmas; alguém mais deve mostrá-la a elas.
Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas. Esta é a característica do amor - olhar uma pessoa e conhecer as suas verdadeiras faltas. Aceitar essa pessoa na sua vida, enquanto reconhece a beleza na sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar as suas aparentes imperfeições. Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, elas superarão os seus próprios espinhos. Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.
Fonte:ilustrar.com

domingo, 26 de agosto de 2007

A maçã e a pérola


Todas as manhãs o rei poderoso e rico de Bengodi recebia as ofertas dos seus súditos. No meio dos outros, sempre pontual, aparecia também um mendigo silencioso, que trazia ao rei uma maçã. Depois retirava-se. O rei, habituado a melhores presentes, aceitava a oferta, mas logo que o mendigo virava costas começava a zombar dele, seguido por toda a corte. O mendigo não desanimava. Voltava em cada manhã com a sua oferta. O rei aceitava-a e punha-a numa cesta ao lado do trono. A cesta continha todas as maçãs trazidas pelo mendigo com gentileza e paciência. Por fim, já transbordava.
Um dia o macaco predilecto do rei pegou num daqueles frutos e deu-lhe uma dentada. Depois deitou-o fora aos pés do rei: O soberano, surpreendido, viu no coração da maçã uma pérola brilhante. Maravilhado, o rei mandou chamar o mendigo e interrogou-o. "Trouxe-vos todas estas ofertas, Majestade", respondeu o homem, "para vos fazer compreender que a vida vos oferece todas as manhãs um dom extraordinário que esqueceis e deitais fora, porque estais rodeado de demasiadas riquezas. "

Autor desconhecido

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Amar para conhecer ou conhecer para amar?


«De entre os seres humanos, apenas conhecemos completamente a existência daqueles a quem amamos.»- Simone Weil


Por favor, não me analises;
Não fiques procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me cortes em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Envolve-me todo nos teus braços
E eu serei o perfeito amor.

Mário Quintana

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Madre Teresa de Calcutá


O dia mais belo? Hoje.
A coisa mais fácil? Errar.
O maior obstáculo? O medo.
O maior erro? Abandono.
A raiz de todos os males? O egoísmo.
A distracção mais bela? O trabalho.
A pior derrota? O desânimo.
Os melhores professores? As crianças.
A primeira necessidade? Comunicar-se.
O que mais lhe faz feliz? Ser útil aos demais.
O maior mistério? A morte.
O pior defeito? O mau humor.
A pessoa mais perigosa? A mentirosa.
O sentimento mais ruim? O rancor.
O presente mais belo? O perdão.
O mais imprescindível? O lar.
A rota mais rápida? O caminho certo.
A sensação mais agradável? A paz interior.
A protecção efectiva? O sorriso.
O melhor remédio? O Optimismo.
A maior satisfação? O dever cumprido.
A força mais potente do mundo? A fé.
As pessoas mais necessárias? Os pais.
A mais bela de todas as coisas? O amor.

Madre Teresa de Calcutá

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Ama em profundidade

Não hesites em amar e amar profundamente. Talvez receies o sofrimento que o amor profundo pode causar. Quando aqueles que amas profundamente te rejeitam, abandonam ou morrem ficas com o coração despedaçado. Mas que isso não te impeça de amar em profundidade. O sofrimento que provém do amor profundo torna o teu amor ainda mais profícuo. É como uma charrua que rasga o solo para permitir à semente ganhar raízes e tornar-se numa planta forte. Sempre que experimentas a dor da rejeição, da ausência ou da morte, enfrentas uma escolha. Podes tornar-te amargo e decidir não amar de novo ou podes enfrentar a tua dor com bravura e deixar que o solo em que permaneces enriqueça e seja capaz de dar mais vida a novas sementes.

Quanto mais tiveres amado e permitido a ti próprio sofrer por esse amor, tanto mais capaz serás de deixar o teu coração alargar-se e aprofundar-se. Quando o teu amor é verdadeiramente generoso e receptivo, aqueles que amas não deixarão o teu coração mesmo quando se afastam de ti. Tornar-se-ão parte de ti, construindo então uma comunidade dentro de ti.

Os que amaste profundamente tornar-se-ão parte de ti. Quanto mais longa for a tua vida tantas mais pessoas terás para amar e para fazer parte da tua comunidade interior. Quanto mais vasta se tornar a tua comunidade interior tanto mais fácil será reconheceres os teus próprios irmãos e irmãs entre os desconhecidos que te rodeiam. Os que estão vivos dentro de ti reconhecerão os que estão vivos à tua volta. Quanto mais vasta a comunidade do teu coração tanto mais vasta a comunidade que te rodeia. Assim, o sofrimento causado pelo desprezo, pela ausência e pela morte pode tornar-se frutífero.
Sim, à medida que amas profundamente, o solo do teu coração rasgar-se-á cada vez mais, mas regozijar-te-ás com a abundância dos seus frutos.

Henri Nouwen, A Voz Íntima do Amor

domingo, 12 de agosto de 2007

Sabedoria da Proporcionalidade

O mundo chama-lhe «Capacidade de Encaixe». Eu prefiro chamar-lhe «Sabedoria da Proporcionalidade».
Tem a ver com aprender a reagir diante de cada situação segundo o que ela merece e significa, e não segundo ela provoca. É a sabedoria de vencer a lógica da reacção… Numa re-acção, a acção nunca é nossa, mas daquele que a provoca. Nós não funcionamos senão como um espelho ou uma parede de ricochete, mais ou menos lisa.
Se numa re-acção a acção não é nossa, reagir é não ser livre. Além disso, se a acção não é nossa, reagir é não se construir.
A lógica da reacção persegue-nos a vida toda… Mas não é tão senhora de nós como pode parecer! Não pode ser!!! Temos que aprender a pôr um cabresto à lógica da reacção para que, nos momentos em que ela se insinua em nós, a domemos, dominemos e vençamos. Está ao nosso alcance! O cabresto chama-se Vontade. O treino segue a metodologia da perseverança quotidiana e não desistente.
Sem isto, não somos mais que seres ultra-sensíveis que se torcem e retorcem ao mínimo toque, e que ao primeiro dissabor atiram um ataque feroz contra essa fonte de sabores acres e amargos, sem sequer se darem conta – muitas vezes – que irão morrer à fome porque apertaram cabeças demais e acabaram por matar não só as fontes dos dissabores mas também as fontes de outras doçuras e delícias que lhes fazem falta…
As reacções são cegas, insensíveis e insensatas. Por muito que nos queiramos enganar, elas nunca estão do nosso lado! Nunca entram em jogo para nos fazer ganhar… As suas fintas quase sempre nos fazem marcar golos na própria baliza e sofrer a angústia da derrota.

Encontrar a proporcionalidade correcta entre o estímulo e a resposta. As reacções nunca são proporcionais; são exponenciais.
Aprender a Proporcionalidade é dar a cada coisa a importância que ela merece, e não a importância que lhe atribuem os nossos sentidos, os nossos afectos e emoções, ou as nossas revoltas interiores. Exige que nos livremos a cada dia da nossa «capa de ricochete relacional» para aprendermos a assimilar e centrar o que vem ao nosso encontro, sejam acontecimentos, situações imprevistas, alegrias ou tristezas, sofrimentos ou prazeres.
A «Sabedoria da Proporcionalidade» é o fio condutor da lógica da aprendizagem: descobrir em todos os acontecimentos uma porta de saída com sucesso. Sem ilusões… Dizer saída com sucesso não é sinónimo de solução fácil. Há algumas situações em que a porta de saída pode não ser uma solução, porque talvez nem a haja. Mas há sempre, em todo e qualquer acontecimento, a porta de saída da aprendizagem.
Isto significa validar todas as coisas, isto é, dar-lhes validade, valor, significado, importância. Porque o maior perigo da nossa vida são os dias em branco. Dias em que falhámos, fracassámos, errámos, foram dias em que, apesar de tudo, vivemos, arriscámos, optámos. Mas dias em branco não são mais do que suicídios de alguns pedaços de nós.
Há que recusar a neutralidade como lógica medíocre dos nossos dias, e optimizar a negatividade que de manhã à noite vem ao nosso encontro por mil e um rostos, acontecimentos e situações.
O que está em jogo somos nós próprios. Não basta ter nascido um dia… é preciso renascer todos os dias! É tarefa e necessidade do coração humano a Sabedoria de Viver, a Arte de Ser. Não está ao alcance de todos, porque é preciso conhecer alguns segredos… como este, por exemplo, da «Sabedoria da Proporcionalidade» ou, como o mundo lhe chama, a «Capacidade de Encaixe».
Para que ao vivermos uns com os outros, não nos condenemos a ser todos menos por causa da rudeza dos nossos desencaixes…


Rui Santiago cssr

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A escolha


Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto. Sempre que fazia prisioneiros, não os matava: levava-os para uma sala onde havia um grupo de arqueiros de um lado e uma imensa porta de ferro do outro, sobre a qual viam-se gravadas figuras de caveiras cobertas por sangue. Nesta sala, o rei ordenava-lhes que se posicionassem em círculo e dizia-lhes, então:
- «Vocês podem escolher entre morrerem atingidos pelas setas dos meus arqueiros ou passarem por aquela porta e por mim serem lá trancados.»
Todos escolhiam serem mortos pelos arqueiros. Ao terminar a guerra, um soldado que por muito tempo servira ao rei dirigiu-se ao soberano:
-«Senhor, posso fazer-lhe uma pergunta?»
-«Diga, soldado.»
-«O que havia por detrás da assustadora porta?»
-«Vá e veja você mesmo.»

O soldado, então, abre vagarosamente a porta e, à medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente... E, finalmente, ele descobre, surpreso, que... a porta se abria para um caminho que conduzia à LIBERDADE !!!

O soldado, admirado, apenas olhou o seu rei, que diz:
- «Eu oferecia-lhes a escolha, mas preferiram morrer a arriscar-se a abrir esta porta.»

Autor desconhecido

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Sê autor da tua vida; e vê em cada pedra no caminho uma oportunidade

Quem decide por mim?

«Certo dia, um jornalista acompanhava um amigo à banca dos jornais. O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como resposta recebeu um tratamento rude e grosseiro. O amigo do jornalista pegou no jornal que foi atirado na sua direcção, sorriu educamente e desejou um bom fim-de-semana ao jornaleiro.
Quando os dois amigos desciam pela rua, o jornalista perguntou:
- Ele sempre te trata com tanta agressividade e má disposição?
- Sim, infelizmente foi sempre assim...
- E tu és sempre tão educado e amigável com ele?
- Sim, procuro ser.
- Porque és tão amistoso e educado para com ele, uma vez que ele tem sempre uma atitude rude e grosseira?
- Porque não quero que ele decida como eu devo agir.»

Autor desconhecido
A Pedra
O distraído tropeçou nela...O bruto usou-a como projéctil. O empreendedor, utilizando-a, construiu. O camponês, cansado da lida, dela fez assento. Para os meninos, foi brinquedo. Drummond poetizou-a. Já Davi matou Golias, e Michelângelo extraiu-lhe a mais bela escultura... E em todos estes casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!
Não existe "pedra" no teu caminho que não possa ser aproveitada para o teu próprio crescimento.
Autor desconhecido

domingo, 5 de agosto de 2007

Pensamentos

«Viver é como escrever um livro com os nossos pensamentos, palavras e actos. Se alguém fizer da sua vida um rascunho, menospreza o maior dom que recebeu do Criador, porque pode faltar-lhe tempo para passá-lo a limpo.» - Tarcisa Tommasi

«Houve homens que se interessaram de tal forma em provar a existência de Deus que acabaram por se desinteressar por completo do próprio Deus... como se o Bom Senhor nada tivesse a fazer além de existir! Houve alguns tão ocupados em espalhar o cristianismo que jamais deram um pensamento a Cristo. Amigo! Podes ver isso nas pequenas coisas. Já conheces-te um amante de livros que com todas as suas primeiras edições e obras autografadas tivesse perdido o poder de lê-las? Ou um organizador de obras de caridade que perdesse todo o amor pelos pobres? Trata-se da mais subtil de todas as armadilhas.» - C.S. Lewis

«Esta é a lição mais importante e útil que podemos aprender: conhecer-nos a nós mesmos como realmente somos, admitir abertamente as nossas fraquezas e fracassos, e ter um conceito humilde de nós mesmos por causa deles. Não nos firmar em nós mesmos e sempre ter pensamentos bons e respeitosos sobre os outros é grande sabedoria e perfeição.» - Thomas Kempis.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Sobre a Dor e a prática médica

"Agradeço a Deus pela dor", declarou Paul Brand, com a mais pura sin­ceridade. "Não posso pensar num presente maior para dar aos meus pa­cientes de hanseníase (A lepra ou hanseníase ou mal de Hansen, do nome de Gerhard Hansen, que identificou o agente da doença é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium leprae que afeta os nervos e a pele e que provoca danos severos). "A maioria das pessoas vê a dor como uma inimiga. Porém, como os meus pacientes no leprosário compro­vam, ela força-nos a dar atenção a ameaças a que os nossos corpos estão submetidos. Sem ela, um ataque cardíaco, um derrame, um apêndice rompido ou úlceras estomacais aconteceriam sem aviso. Quem iria visi­tar um médico se não estivesse sentindo dor? Notei que os sintomas dos quais reclamavam os meus doentes eram, na verdade, uma prova da cura que o próprio corpo estava promoven­do. De modo geral, todas as reacções dos nossos corpos que vemos com irritação ou nojo - bolhas, calos, inchaços, febre, espirro, tosse, vómito e, especialmente, a dor - demonstram um reflexo em direcção à cura. Em todas essas coisas, normalmente consideradas como nossas inimigas, podemos encontrar uma razão para sermos agradecidos.

Paul Brand expressou o princípio orientador da sua carreira médica da seguinte maneira: "O bem mais precioso do ser humano é o seu espí­rito, seu desejo de viver, seu senso de dignidade, sua personalidade. Embora possamos ser descritos em termos de tendões, ossos e termina­ções nervosas, jamais devemos perder de vista a pessoa que estamos tratando".

Um doente tratado por Paul Brand disse:"Digo-lhe que sou feliz por ter tido esta doença". Perguntei, incrédulo: "Feliz?" Ele respondeu-me: "Sim. Se não fosse a hanseníase, eu teria sido um homem normal, com uma família normal, em busca da riqueza e duma posição mais alta na socieda­de. Nunca teria conhecido pessoas tão maravilhosas quanto o Dr. Paul Brand e a Dra. Margaret, e jamais teria conhecido o Deus que vive neles".

"Nunca ganhei muito dinheiro com a Medicina, especialmente em fun­ção dos lugares onde a pratiquei. Mas digo-lhe que, olhando para trás, para uma vida toda dedicada à cirurgia, vejo que a multidão de ami­gos que um dia foram meus pacientes traz-me mais alegria do que qualquer riqueza poderia dar. Encontrei-os pela primeira vez quando eles estavam sofrendo e com medo. Como seu médico, compartilhei a sua dor. Agora que estou velho, é o seu amor e a sua gratidão que ilumi­nam o caminho da minha vida. É estranho. Aqueles de nós que se en­volvem com lugares em que existe o maior sofrimento olham para trás surpresos por descobrir que ali foi o lugar onde conheceram a realidade da alegria.

"Para aprender como Deus vê o sofrimento neste planeta, precisa­mos apenas olhar para a face de Jesus nos momentos em que ele se move entre os paralíticos, as viúvas e os leprosos. Ao contrário de muitos da sua época, Jesus mostrava uma ternura incomum para com aqueles que tinham um histórico de pecados sexuais - veja como ele age com a mu­lher samaritana no poço, ou com aquela de má reputação que lavou os seus pés com os seus cabelos, ou com a mulher flagrada em adultério. Em Jesus, disse Donne, temos um grande Médico que "conhece as nossas en­fermidades naturais, pois ele as teve, e sabe o peso dos nossos pecados, pois ele pagou um alto preço por eles".

Philip Yancey - "Alma Sobrevivente"

terça-feira, 31 de julho de 2007

Vê com os olhos do coração

« A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que há em ti são trevas, quão grandes são tais trevas!» - Mateus 6, 22,23

Conta a história que uma jovem e dinâmica mulher de negócios mostrava sinais de fadiga e stress. O médico receitou-lhe tranquilizantes e pediu-lhe que voltasse para uma consulta duas semanas depois. Quando ela voltou, ele perguntou-lhe se se sentia diferente.
- Não.- respondeu; mas tenho observado que as outras pessoas parecem estar bem mais relaxadas.

Normalmente, vemos os outros não como são, mas como nós somos. Uma pessoa é, num sentido real, o que ela vê. E ver depende dos olhos. Jesus usa a metáfora dos olhos com mais frequência do que a da mente ou da vontade. O velho provérbio, "os olhos são as janelas da alma", contém uma profunda verdade. Os nossos olhos revelam se as nossas almas são espaçosas ou entulhadas, hospitaleiras ou censuradoras, compassivas ou repreensoras. O modo como vemos os outros é normalmente o modo como vemos a nós mesmos.

O julgamento depende do que vemos, de quão profundamente olhamos para o outro, de quão honestamente encaramos a nós mesmos, de quão dispostos estamos a ler a história humana por trás do rosto apavorado.

Brennan Manning- O Evangelho Maltrapilho

domingo, 29 de julho de 2007

Contentamento


É quase impossível encontrar uma definição completa e definitiva para a felicidade, mas é facto que, qualquer que seja a sua definição, estará associada aos estados de espírito com os quais atravessamos a vida. Podemos, inclusi­ve, alongar a discussão a respeito da distinção entre ser feliz, estar feliz e sentir–se feliz, e sobre como a felicidade é diferente da alegria, que, por sua vez, é diferente da euforia. Mas isso é complicar demais as coisas. O facto é que, se és feliz, então sentes-te feliz, e se tu estás feliz, também te sentes feliz, e esse sentimento de felicidade é, necessariamente, um estado de espírito, que pode ser duradouro, razoavelmente comum ou eventual. Nesse caso, prefiro simplificar um pouco mais e trocar a palavra "fe­licidade" por "contentamento", que defino como a capacidade de estar satisfeito (de adaptar–se) em qualquer situação. Esse tipo de contenta­mento não se explica pelas circunstâncias favoráveis e ou confortáveis, mas sim pela capacidade de exercer domínio sobre o estado de espírito de tal maneira que os factores externos que o abalam sejam em número cada vez menor.Contentamento é uma satisfação de dentro para fora. Vicente de Car­valho traduziu muito bem essa experiência do contentamento quando disse que a felicidade, essa árvore frondosa e cheia de frutos, existe sim, mas existe no lugar em que a plantamos, e o problema é que quase nunca a plantamos no lugar onde estamos. A expressão mais comum para os infe­lizes é que serão felizes "assim que...". Assim que arranjarem um emprego novo; um romance novo; um carro novo; uma casa nova; um chefe novo; e tanto mais, cada vez mais.Esse estilo de vida "assim que..." coloca a felicidade no futuro e perpetua o descon­tentamento, que impede a alegria de des­frutar o presente, as pessoas que temos em volta, as circunstâncias reais e imediatas que nos oferecem possibilidades de realização. A palavra contentamento deriva do latim contentu ("contido") e sugere a ideia de conteúdo. Nesse caso, contente é aquele que tem conteúdo em si mesmo ou que é capaz de usufruir o conteúdo da realidade na qual está inserido. Em outras palavras, em qualquer lugar, em qualquer companhia, e em qualquer circunstância existe possibilidade de contentamento mas somente para aqueles que sabem explorar a sua riqueza interior, ou as potencialidades do momento, ou ambas.Um momento de contentamento é aquele em que tudo parece certo: não há necessidade de mudar o que estás a fazer, nem a pessoa com quem estás, nem o lugar onde te encontras.

Ed René Kivitz, Vivendo com propósitos