« A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que há em ti são trevas, quão grandes são tais trevas!» - Mateus 6, 22,23
Conta a história que uma jovem e dinâmica mulher de negócios mostrava sinais de fadiga e stress. O médico receitou-lhe tranquilizantes e pediu-lhe que voltasse para uma consulta duas semanas depois. Quando ela voltou, ele perguntou-lhe se se sentia diferente. - Não.- respondeu; mas tenho observado que as outras pessoas parecem estar bem mais relaxadas. Normalmente, vemos os outros não como são, mas como nós somos. Uma pessoa é, num sentido real, o que ela vê. E ver depende dos olhos. Jesus usa a metáfora dos olhos com mais frequência do que a da mente ou da vontade. O velho provérbio, "os olhos são as janelas da alma", contém uma profunda verdade. Os nossos olhos revelam se as nossas almas são espaçosas ou entulhadas, hospitaleiras ou censuradoras, compassivas ou repreensoras. O modo como vemos os outros é normalmente o modo como vemos a nós mesmos. O julgamento depende do que vemos, de quão profundamente olhamos para o outro, de quão honestamente encaramos a nós mesmos, de quão dispostos estamos a ler a história humana por trás do rosto apavorado.
É quase impossível encontrar uma definição completa e definitiva para a felicidade, mas é facto que, qualquer que seja a sua definição, estará associada aos estados de espírito com os quais atravessamos a vida. Podemos, inclusive, alongar a discussão a respeito da distinção entre ser feliz, estar feliz e sentir–se feliz, e sobre como a felicidade é diferente da alegria, que, por sua vez, é diferente da euforia. Mas isso é complicar demais as coisas. O facto é que, se és feliz, então sentes-te feliz, e se tu estás feliz, também te sentes feliz, e esse sentimento de felicidade é, necessariamente, um estado de espírito, que pode ser duradouro, razoavelmente comum ou eventual. Nesse caso, prefiro simplificar um pouco mais e trocar a palavra "felicidade" por "contentamento", que defino como a capacidade de estar satisfeito (de adaptar–se) em qualquer situação. Esse tipo de contentamento não se explica pelas circunstâncias favoráveis e ou confortáveis, mas sim pela capacidade de exercer domínio sobre o estado de espírito de tal maneira que os factores externos que o abalam sejam em número cada vez menor.Contentamento é uma satisfação de dentro para fora. Vicente de Carvalho traduziu muito bem essa experiência do contentamento quando disse que a felicidade, essa árvore frondosa e cheia de frutos, existe sim, mas existe no lugar em que a plantamos, e o problema é que quase nunca a plantamos no lugar onde estamos. A expressão mais comum para os infelizes é que serão felizes "assim que...". Assim que arranjarem um emprego novo; um romance novo; um carro novo; uma casa nova; um chefe novo; e tanto mais, cada vez mais.Esse estilo de vida "assim que..." coloca a felicidade no futuro e perpetua o descontentamento, que impede a alegria de desfrutar o presente, as pessoas que temos em volta, as circunstâncias reais e imediatas que nos oferecem possibilidades de realização. A palavra contentamento deriva do latim contentu ("contido") e sugere a ideia de conteúdo. Nesse caso, contente é aquele que tem conteúdo em si mesmo ou que é capaz de usufruir o conteúdo da realidade na qual está inserido. Em outras palavras, em qualquer lugar, em qualquer companhia, e em qualquer circunstância existe possibilidade de contentamento mas somente para aqueles que sabem explorar a sua riqueza interior, ou as potencialidades do momento, ou ambas.Um momento de contentamento é aquele em que tudo parece certo: não há necessidade de mudar o que estás a fazer, nem a pessoa com quem estás, nem o lugar onde te encontras.
Pára um pouco! Desfruta tranquilamente deste momento; ouve com atenção estas palavras, contempla estas imagens, viaja ao som desta melodia... Por instantes, esquece o mundo lá fora, os teus múltiplos afazeres, as tuas pesadas pré-ocupações... Este momento também é importante! A vida é Aqui e Agora!
Olha, vou fazer-te uma: como foi o teu dia? Não, não, não quero que me digas se correu bem ou mal, não quero que me digas que fizeste isto ou aquilo, não! Interessa-me saber quem és, quem foste hoje. Vá lá, como foi o teu dia? És mais feliz? Quantos sorrisos plantaste hoje? A quantas pessoas enriqueceste hoje, com a tua passagem?
Vês? Há perguntas difíceis, não há? Mas são as mais importantes. Pára um pouco! Liberta-te por um pedaço de tantas coisas urgentes! Sabes, passas os dias à volta de coisas urgentes, e costumas esquecer as importantes. É sempre tudo tão urgente, não é? A vida pede-nos tudo com urgência, tudo para ontem! E o importante, pode sempre ser amanhã. Na maior parte das vezes, um amanhã que demora a chegar…E na lógica das coisas urgentes, deixamos de viver e passamos a existir.Viver como pessoa humana é construir-se em cada dia, é ter-se nas mãos e fazer-se sem descansos, com a argamassa da Amizade, os tijolos do Amor, as ferramentas da Verdade. O ser humano não nasce feito, acabado. Temos que construir-nos como pessoas felizes, e isso acontece na medida em que souberes inventar relações de Amor, relações de bem-querer com aqueles que te rodeiam.
Vou dizer-te um segredo – fixa-o bem! –viver é conviver. Viver é conviver com os outros, porque ninguém é feliz sozinho. Mas a lógica das coisas urgentes costuma empurrar-nos sempre para o egoísmo, não é assim? Pensa bem: quantas vezes hoje te entraram pelos ouvidos frases deste género: “Isso é cá comigo”, “cada um que se arranje”, “eles são eles, eu sou eu”; quantas vezes as ouviste?E, já agora, quantas vezes as disseste? Às vezes, parece que vivemos enroscados em nós próprios, girando infinitamente sobre o nosso belo umbigo; e assim, perdemos o gozo de viver, o sentido dos nossos dias e a alegria que o nosso coração nos pede. Porque nos fechamos ao diálogo, à partilha, à fraternidade, à amizade. Fechar-se aos outros é fechar a porta ao encontro com Deus. Abrir-se aos outros é pôr-se na disposição de ser encontrado pela novidade surpreendente do seu Amor.
Olha, vou dizer-te mais um segredo: com Deus, ninguém fica a perder! A Fé verdadeira, aquela ao jeito de Jesus Cristo, não é uma piedadesinha domingueira, assim a cheirar a bafio e a bolas de naftalina, não!A Fé é uma arte de viver com sentido, a Fé é um descobrir os horizontes máximos da vida em Deus. O Seu Amor é a fonte, o Seu Amor será, no fim, a plenitude.Olha, e se tudo isto fizesse sentido também para ti? E se te abrisses hoje à novidade de Deus? Não o das imagens gastas, mas o Deus de Jesus de Nazaré, aquele Deus que faz nascer Vida Nova no coração daqueles que o acolhem – como tu…
Já te falei de auto-estradas, de carreirismo e de sprinters…
Queria ainda falar-te de duas palavras que conheces muito bem: entras num supermercado e, se reparares, encontras-te num mar de produtos light e artigos descartáveis.Tudo é light, dos sumos às manteigas, e tudo é descartável, desde as fraldas às giletes.O pior é que o critério light e descartável aninhou-se nas relações entre as pessoas. As relações são cada vez mais light, sem compromisso real, sem disponibilidade para aguentar sofrer naqueles momentos em que amar faz doer, sem promessa de fidelidade incondicional… A relação light é a típica relação do “vamos ver se dá”…O resultado imediato das relações light é que se tornam rapidamente relações descartáveis, relações de “usar e deitar fora”…
Se todos acordássemos para isto, o mundo poderia começar a ser diferente…Se as auto-estradas fossem só uma questão de alcatrão… mas são o sinal de uma mentalidade que nos entrou nas veias, a mentira de fazer da vida uma carreira, que nos impede de nos sentarmos nos bancos de jardim do coração a partilhar o dia com os amigos porque, na verdade, não há amigos mas sim adversários.
Se os critérios light e descartável fossem só uma questão de calorias e vasilhame… mas são o sinal de uma superficialidade que se nos colou ao coração e vai reduzindo as nossas relações a encontros à flor da pele e atitudes que não transformam mais que a casca da vida. Se todos nos déssemos conta de que criar relações verdadeiramente humanas é optar por viver em atitudes e gestos de bem-querer e atenção aos outros, de compromisso vital para que ninguém fique mais triste, pobre ou infeliz por nos ter conhecido…Se percebêssemos que este é exactamente o segredo mais profundo da nossa construção pessoal…Se tivéssemos os olhos bem abertos, perceberíamos que só o amor nos constrói…E se tivéssemos o coração suficientemente disponível para assumir o amor como sentido dos nossos dias, tenho a certeza que seríamos muito mais felizes!
Uma das grandes invenções do nosso tempo são as auto-estradas. Até em relação à informática e aos meios audiovisuais se fala já das “auto-estradas da comunicação”. Só que reduz-se a tal “comunicação” a um intercâmbio de informação…É um sinal bem claro do que vem acontecendo às relações entre as pessoas nas últimas décadas. Cada vez está mais fácil e imediata a comunicação, mas cada vez são mais precárias e breves as relações. Porque talvez não nos andemos a encontrar ao nível certo…
As auto-estradas estão construídas para ultrapassar. Por isso é que é impossível ter uma só faixa de rodagem, porque isso dificultaria as ultrapassagens. A característica que identifica uma auto-estrada é possibilitar do início ao fim a “arte da ultrapassagem”.Ora, é exactamente a imagem do mundo que vimos construindo, onde as pessoas não se encontram verdadeiramente nem caminham juntas. Apenas se cruzam e entrecruzam enquanto se tentam ultrapassar.E o pior é que estamos a inocular esta “arte da ultrapassagem” no sangue inocente das crianças. Cada vez que comparamos uma criança com outra para a fazer sentir-se diminuída, ensinando-a a tirar daí motivação para ultrapassar a outra criança, estamos a inscrever desde logo no seu inconsciente (onde ganham raízes os valores que moldam a personalidade) que o importante não é ser bom. O mais importante é ser melhor que o outro. Mais importante que vencer-se cada um a si próprio, nas suas limitações e dificuldades, é vencer os outros. E assim vamos desde cedo envenenando o futuro…Deixamos de ter amigos porque os olhamos como rivais, os companheiros de caminhada passam a ser adversários, e os que caminham mais devagar não passam de estorvos.
Sabes que mentalidade é esta?A mentalidade daqueles que não esperam da vida mais que uma carreira!E não penses que isto está tão longe de ti como te pode parecer. Pensa bem…Desde pequenos, à célebre pergunta: “O que queres ser quando fores grande?”, somos ensinados a responder com uma carreira: “Quero ser professor, médico, advogado, veterinário…”. Quase nenhuma criança foi ensinada a responder: “Quero ser feliz!”Conheço muita gente que troca a vida por uma carreira. E isto – garanto-te – não é mais que um suicídio em câmara lenta.Foi esta mentalidade de “carreirismo” que inventou as famosas auto-estradas do coração, onde os outros não são mais que adversários a deixar para trás quanto antes.No nosso mundo, os heróis são todos “sprinters”.
O logótipo do sucesso é sempre alguém que, orgulhosamente só, chegou mais longe e mais rápido que todos os outros que queriam chegar ao mesmo, ficando assim no topo de um pedestal onde apenas há lugar para um, sobre todos aqueles que, por terem ficado para trás, lhe são submissos, ainda que a submissão esteja enraizada na inveja, no desejo de ver o outro fracassar ou na injustiça.Os heróis são os sprinters, os que chegam à meta em primeiro lugar e sozinhos. Quanto mais distantes dos seguintes, maior o brilhantismo. Parar pelo caminho para dar a mão aos companheiros é perda de tempo e chegar à meta de mãos dadas é “falta de espírito competitivo”. E no nosso mundo, só os que competem podem triunfar…(continua)
Saiu o diabo a passear, um dia, com um amigo seu; viram um homem que, ali perto, se inclinava para o chão e parecia pegar em algo caído sobre a estrada. «Que terá ele encontado?». pergunta o amigo. «Foi um pedaço de Verdade», diz o diabo. «E isso não te perturba?», volta o amigo. «De modo algum, respondeu-lhe o demónio; deixarei, simplesmente, que ele faça, daquele pedacinho de verdade, nem mais nem menos que uma crença religiosa!». Uma crença religiosa é como um sinal de trânsito que aponta o caminho da Verdade. As pessoas que se agarram ao poste e à tabuleta, evidentemente não caminham para a verdade por terem a falsa sensação de já a terem encontrado.
Mal pude crer nos olhos quando vi o nome do lugar: A Loja da Verdade. Ali eles vendiam a Verdade! A funcionária ao balcão foi delicada: que tipo de verdade eu procurava... só parte dela ou a Verdade toda? Pois claro, a Verdade toda. Não me dê decepções nem altos pensamentos. Eu disse que gostava da Verdade muito clara, simples, inteira. Ouvindo isto, ela conduziu-me então para o outro lado do balcão onde vendiam, somente aí, a tal Verdade inteira. O comerciante olhou-me compassivo e mostrou-me a «etiqueta» com o preço: «Como assim?», perguntei, determinado a conseguir, custasse o que custasse a Verdade toda. «É que... se levar esta Verdade, o preço que por ela vai pagar será não ter mais descanso na vida». Foi o que disse o homem do balcão e eu, triste, afastei-me dessa loja porque pensava eu, tolo, que podia achar a Verdade inteira... a baixo preço. Não estou pronto ainda para ela; quero descanso e paz, de vez em quando; sinto que preciso ainda de racionalizar, de usar defesas, escondendo-me atrás dessas muralhas que levantei com crenças imbatíveis!
À medida que vou conversando contigo, não me sai da cabeça a imagem dos mineiros a aventurar-se em grutas que nunca ninguém percorreu…Há sempre os que ficam à porta da mina, “à superfície”, como eles dizem. A gruta é escura, os túneis desconhecidos, e o medo é mais forte…Tal e qual como na vida: há sempre os que ficam à porta, na superficialidade da existência, no lado de fora da realidade. E há os outros… os que entram. Não sem medo, não sem incertezas, não sem dificuldades… mas entram! E depois, desde a superfície até ao filão de minério que procuram, ainda há um caminho por contar. Mas, para contar, é preciso fazê-lo primeiro…Nesse caminho, há pedaços da gruta que são escuros e bates com a cabeça nos tectos mais baixos, ou tropeças nalgumas pedras mais levantadas e cais. No chão, descobres também que há outras pedras na parede, logo ali, onde podes apoiar as mãos para te levantares outra vez, porque o minério que procuras ainda te chama ao longe. Nesse caminho, há passagens tão estreitas que te arrancam pedaços e te fazem gemer por momentos a dor dos cortes. Mas isso é já depois de teres passado…E continuas a caminho, talvez ensanguentado, mas continuas. E dás-te conta de que o sangue rapidamente estancou. E sorris até, ao reparares que deixas por momentos atrás de ti um trilho marcado com o teu sangue para quem vier atrás, um apelo delineado com a tua própria vida para quem quiser seguir-te na procura dos tesouros que “à superfície” não se encontram.
E começas a sentir-te verdadeiramente feliz. Pela primeira vez saboreias a felicidade de construir um caminho que vale a pena, para ti e para os outros.À medida que avanças, encontras também pequenos charcos de água incrivelmente fresca que brota de nascentes que tens ao alcance da mão. E sentas-te, refrescas-te e saboreias a doçura de momentos como só dentro da gruta tiveste a oportunidade de experimentar. E, ao parares, dás-te conta de que há um companheiro que estava contigo nos primeiros metros de caminhada e já deixou de te acompanhar: o medo. Perdeste o medo, não porque lhe fugiste, mas porque o olhaste de frente e lhe passaste por cima. E diante de gente corajosa, o medo deixa-se ficar para trás.Sentiste-te livre! Descobriste que a liberdade verdadeira é a ausência de medos, e ficaste ainda mais feliz, porque só os homens livres podem ser felizes. Continuaste a caminhar…E foste encontrando de tudo, entre galerias que se faziam aos pulos e de braços abertos, e passagens tão estreitas que as fazias deixando pedaços de carne e riscas de sangue nas pedras mais salientes. Mas estavas feliz, profundamente feliz, à procura do minério valioso que só na profundidade da gruta podias encontrar.Havia momentos em que caminhavas assobiando, saboreando ainda o fresco das águas das nascentes no teu rosto e nos teus músculos; havia outros em que caminhavas gemendo, sentindo os passos esforçados das pernas ensanguentadas. Esforçados, mas nunca hesitantes!Até que… finalmente!Finalmente… Abriu-se aos teus olhos uma galeria cujas paredes tinham um brilho que jamais havias sequer imaginado enquanto tinhas andado “à superfície”… Um brilho que mal te cabia nos olhos e certamente não te cabia nas palavras.Tinha valido a pena!Nunca te tinhas sentido tão feliz!Nunca te tinhas deslumbrado com tamanha maravilha!Tudo o que conhecias te parecia de repente mais pequeno…Nesse momento sentiste uma pena imensa de tantos que tinham ficado à entrada da gruta, derrotados pelo medo das inseguranças e das incertezas do que poderia acontecer. Sentiste pena deles…E depois começaste a rir… A rir de vitória por teres enfrentado nos olhos o teu próprio medo. Quase dançavas de alegria com o gozo que dá ser livre! E até as feridas do caminho se transformaram a teus olhos. Farias tudo novamente, mil vezes se fosse preciso, porque agora experimentavas que descer à gruta tinha sido o melhor que já te acontecera na vida. Contra o medo, contra as incertezas, contra as palavras desanimadoras dos que na superfície se despediram de ti, contra os que te chamaram louco. Porque intuías no coração, no meio de tudo isso, que estava em causa a tua vida.E estava…Tudo menos deixar de viver, por ter medo de que a vida nos possa doer!
Mas o mundo não quer que estas coisas se digam muito alto… Não, porque isto põe tudo em causa, e depois começa tudo a transformar-se, tranquilidades a desmoronar-se e rotinas a perder-se. E o mundo tem muito medo que isto tudo aconteça…O que se ouve gritar e repetir nos altifalantes do mundo faz da vida uma carreira, da felicidade uma tranquilidade sem sabor e uma alegria sem sentido. De tal maneira, que ao fim de cada dia quase apetece ir espreitar nas janelas das casas e atirar a pergunta que vi uma vez escrita numa parede da cidade: “Então, foste um bom robot hoje?”Mas nem me responderiam… O que estivessem nesse momento a ver na televisão seria para eles muito mais importante. Pelo menos, a televisão não faz este tipo de perguntas nem põe em causa o sentido da vida e o sabor dos dias. E tudo isto se entende, porque nas entrelinhas de tantas palavras, luzes e movimentos das nossas cidades, serpenteia a palavra “medo”… Uma das invenções mais recentes da humanidade são as fechaduras. Durante milénios havia apenas trancas nas portas, que qualquer um podia abrir. Foram já os nossos bisavôs e avós que inventaram as fechaduras com chave. Mas ainda não chegava de segurança… Por isso, os nossos pais inventaram as portas blindadas e os vidros inquebráveis… Depois, nós especializámo-nos em sistemas de vigilância e segurança que utilizam as mais complexas técnicas descobertas, desde circuitos fechados de vídeo a detectores de movimento, sensores infravermelhos… e tudo o resto que serene tantos medos… O pior é que nesta história recente de fechar as portas, também o coração se tem ressentido… Fechamos as portas de casa aos imprevistos da rua, e fechamos as portas do coração aos imprevistos da vida. Tudo em nome da segurança…Mas não é com seguranças que se constrói uma vida feliz; é com opções arrojadas, riscos, iniciativas, enganos e recomeços.Vou dizer-te um segredo: o medo é o que de mais autodestrutivo podes ter ao alcance do coração. Não te deixes vencer! Mas resiste também à tentação de lhe fugir. Ele perseguir-te-á incansavelmente. Só se vence o que se olha nos olhos e se combate de frente, cara a cara, de peito aberto e pés ao caminho. Força! Só assim vale a pena viver: lutando! Construindo, arriscando, descobrindo, inovando, corrigindo… só assim vale a pena. E não temos outra oportunidade. Também sei que aleija de vez em quando.Também sei que há passos que se dão e deixam algum rasto de sangue atrás. Sim, também sei… Mas, mesmo assim, juro-te que só vale a pena viver se estivermos dispostos a sangrar!Ainda me lembro das vezes sem conta em que rasguei os joelhos para aprender a andar de bicicleta. Num deles ainda tenho as marcas. E já lá vão uns anos… Mas valeu a pena! Uns anos depois de tantos tombos, pude saborear longos passeios entre os pinhais na aldeia dos meus avós, a pedalar na minha bicicleta. E lembro-me como ia ao fim das tardes de verão tomar um banho ao rio, e voltava em caminhos de terra batida que contornavam pedras e arbustos dos que não se encontram nas cidades. E muitas outras lembranças, e muitos outros sabores dos meus longos passeios de bicicleta… Mas, para isso, ainda tenho num joelho as marcas de tantas quedas. Sabes o que te digo? Valeu a pena!!!E na vida também é assim…(continua)
Começa a preocupar-me a tranquilidade do meu mundo e a passividade de tantos irmãos ao meu lado… Todos procuram desesperadamente seguranças, e não transformações. E nem imaginam o que estão a perder… E nem imaginam que estão a fechar as portas à felicidade verdadeira, que normalmente vem embrulhada no papel dos imprevistos, adornada com o laço das novidades e nas mãos de amores que nos propõem virar de pernas para o ar o nosso coração. Sim, nem se dão conta de que viver seguro num palácio de portas trancadas evita os assaltos, mas também impede as visitas dos amigos… Se uma mão descesse do céu obrigando os homens à escolha entre a Felicidade e a Tranquilidade, conheço muitos que abraçariam a Tranquilidade sorridentes. Dão-me pena… As seguranças das vidas tranquilas são mais apreciadas e procuradas que as transformações das vidas felizes. Não consigo entender uma juventude que não sonha com mais do que uma “vida normal”… Vidas extraordinárias, vidas arriscadas, coração em sobressalto, tudo isso é bonito de ver nos filmes e admirar nos heróis de todos os tempos, os de ontem e os de hoje. Mas os heróis são sempre os outros… Vidas dessas são para ser admiradas e aplaudidas; não vividas. Porquê?! Não entendo! Juro que não… Gostava de perceber melhor as causas do medo. Sim; porque é o medo a raiz de tudo isto. Não duvides… Se lhes deres a optar entre uma vida feliz mas com riscos, perigos, incertezas, possíveis desilusões, quedas e recomeços, e uma outra vida mais tranquila, monótona até, vulgar e medíocre, mas sem inseguranças, sem riscos, desilusões, possíveis crises nem necessidade de esforço, temo que a maioria, sem hesitar, escolha a segunda. As pessoas não se atiram de caras à vida, porque têm medo de se aleijar. Os jovens não assumem grandes riscos, porque têm medo de se enganar. Quase ninguém assume grandes transformações, porque tem medo das incertezas que sente como espinhos no coração. São cada vez menos os que amam de verdade, porque são cada vez mais os que têm medo de sofrer. E assim vamos criando um mundo de gente tranquila mas não verdadeiramente feliz, segura mas não apaixonadamente transformada. Tenho pena que a maior parte dos meus irmãos ainda não se tenha dado conta de que só vivemos uma vez. E o que se decide numa só possibilidade não pode ser vivido a meio gás! Tenho pena que tantos se deixem viver pela vida, em vez de a agarrarem nas mãos e perguntarem o que hão-de realmente fazer com ela. Tenho pena que os homens, por medo, cada vez mais se limitem a existir, e deixem de viver de verdade. Porque viver é infinitamente mais que existir… Viver de verdade é viver apaixonadamente. Viver apaixonadamente é pôr o amor à frente das seguranças, a felicidade que se constrói à frente da tranquilidade que nos amarra. (continua)
Desta janela em que escrevo, vejo os comboios a passar lá em baixo, não muito longe de mim. Mas daqui quase não os escuto. No entanto, há casas que estão mesmo coladas à linha férrea. Antes, admirava-me como conseguiriam essas pessoas dormir. Agora já não. Porque falei com algumas e revelaram-me o segredo: “nos primeiros dias ninguém pára, mas depois a gente habitua-se, já nem se dá conta”, disseram-me elas. Eis a maravilhosa capacidade de nos habituarmos.Mas depois, pus-me cá a pensar na nossa vida, e prefiro chamar-lhe assim: eis a perigosa capacidade de nos habituarmos. Porque o barulho dos comboios é como tudo: quando nos conseguimos habituar, deixamos de dar conta. E vejo que nos costumamos habituar a coisas demais. O hábito faz-nos perder a atenção dos acontecimentos, rouba-nos o gozo das novidades, e o sabor irrepetível dos dias; impede-nos de crescer. As pessoas habituam-se a viver juntas, e deixam de prestar atenção umas às outras. Um casal habitua-se ao casamento, e perdem o gozo do namoro. Esquecem a necessidade de se seduzir todos os dias. Habituam-se. E esquecem-se que têm que se pedir um ao outro de novo em casamento, em cada manhã.Deixamos cair até a nossa Fé na rotina do hábito, e tudo se vai tornando estéril. Vamos cumprindo rituais, aos quais chamamos obrigações e deveres. Vamos-nos habituando a cumpri-los, mas sem percebermos verdadeiramente para que servem.Habituamo-nos a ser o que somos, e deixamos de sonhar em ser mais. Habituamo-nos ao ritmo quotidiano, a que chamamos vida, e deixamo-nos engolir por ele. Habituamo-nos às correrias, habituamo-nos às inutilidades sempre tão urgentes, habituamo-nos a andar tristes. Habituamo-nos a encher a boca de queixas e lamentos. E assim, deitamos fora a vontade de mudar e viver de novo cada dia que nos calha em sorte. E depois… depois ainda somos capazes de dizer, com o rosto triste e um encolher de ombros desolado: “É a vida! Temos que nos habituar!”Não, não, amigo! Para ser verdadeiramente Vida, tens é que te desabituar!
O hábito torna-nos cegos às maravilhas do mundo - indiferentes e inconscientes perante os milagres quotidianos -, embota a força dos sentidos e dos sentimentos - torna-nos escravos dos costumes, mesmo tristes e culpados: suprime a vista, espanto, fogo e liberdade. Escravos, frígidos, insensatos, cegos: tudo propriedade dos cadáveres. A subjugação aos hábitos é uma subjugação da morte; um suicídio gradual do espírito.
(...)O hábito destrói a pouco e pouco o maior dom de Deus - a liberdade. Enquanto livres, somos feitos à imagem de Deus e capazes de nos aproximarmos, de nos reunirmos a Ele. Mas os hábitos, ao impedirem a evasão da mediocridade usual e os novos nascimentos, cancelam a semelhança divina, afastam o homem de Deus(...) Cristo promete o reino dos céus àqueles que se tornam pequenos - precisamente porque as crianças ainda não são afectadas pela camisa-de-forças dos hábitos.
Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te que venhas e me dês a liberdade, Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.
Há muitas coisas que não quero ver.
Peço-Te que sejas o presente. Peço-Te que inundes tudo. E que o Teu reino antes do tempo venha E se derrame sobre a Terra Em Primavera feroz precipitado.
A paz sem vencedor e sem vencidos Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos A paz sem vencedor e sem vencidos Que o tempo que nos deste seja um novo Recomeço de esperança e de justiça. Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos A paz sem vencedor e sem vencidos Erguei o nosso ser à transparência Para podermos ler melhor a vida Para entendermos vosso mandamento Para que venha a nós o vosso reino Dai-nos A paz sem vencedor e sem vencidos Fazei Senhor que a paz seja de todos Dai-nos a paz que nasce da verdade Dai-nos a paz que nasce da justiça Dai-nos a paz chamada liberdade Dai-nos Senhor paz que vos pedimos A paz sem vencedor e sem vencidos
Fui um neurótico por muitos anos. Cheio de depressões, angústias e egoísmos. E toda a gente me dizia que mudasse; acrescentando:«hás-de ter muitos amigos, com esse feitio». Eu sentia isso e concordava, ao mesmo tempo; e queria até mudar, mas não podia; e tentando, tentava o impossível. Mas o que mais me feriu foi um amigo, o meu melhor amigo, ele também, sempre a dizer: «tu precisas de mudar, estás neurótico!». Certo dia, porém, este amigo foi diferente: «Não mudes! - disse. Fica assim como és! Eu gosto de ti; não mudes; não consigo deixar de te amar!». Que melodia foi, nos meus ouvidos, esta frase do amigo: «Não mudes... Não mudes! Não mudes... eu gosto de ti!». Posto isto, relaxei; voltei à vida e, oh grande maravilha, foi então que eu mudei! Agora sei que não teria conseguido, realmente, transformar-me, até ao dia em que encontrasse alguém que me amasse do modo que eu era: com ou sem mudança! É assim que Vós me amais, oh Deus?
Hoje, ao visitar alguns blogs da minha preferência, tomei conhecimento de uma iniciativa muito interessante, e à qual decidi aderir. A iniciativa partiu do blog O Sentido das Coisas e consiste num concurso para a eleição dos 7 melhores blogs. Cada blog/blogger deve nomear 7 blogs.
Eis o regulamento do concurso:
1. Podem participar na votação todos os bloggers que mantenham blogues activos há mais de um mês [os outros esperem por outra ideia brilhante que alguém irá ter]. 2. Cada blogger deverá referenciar sete nomes de blogs. A cada menção corresponde um 1 voto. 3. Cada blogger só poderá votar uma vez, e deverá publicar as suas menções no seu blog [da forma que melhor lhe aprouver], enviando-as posteriormente para o seguinte e-mail: 7.maravilhas.blogoesfera@gmail.com. No e-mail, para além da escolha, deverão indicar o link para o post onde efectuaram as nomeações. A data limite para a publicação e envio das votações é dia: 01/07/2007. 4. De forma a reduzir alguns constrangimentos [e desplantes], e evitar algumas cortesias desnecessárias, também são considerados votos nulos: - Os votos dos blogger(s) em si próprio(s) ou no(s) blogue(s) em que participa(m); - Os votos no blog O Sentido das Coisas.
No dia 7.7.2007 serão anunciados os vencedores e disponibilizadas todas as votações.
Um Padre, certo dia, perguntava a um grupo de crianças, numa turma:«Se os homens bons, no mundo, fossem brancos e fossem negras as pessoas más, cada um de vós que estão aqui, que cor teriam?».
E a pequena Maria respondeu:«Acho que eu seria às riscas...».
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Certo homem procurava uma igreja para rezar e, na que encontrou, o pregador orava com o seu povo. E, diziam eles, mais ou menos assim:«Deixámos de fazer aquelas coisas que era nosso dever realizar; ao contrário, fizemos muitas coisas que jamais devíamos ter feito».Ouvindo isto, aquele homem suspirou e, com grande alívio, disse para consigo:«Encontrei, finalmente, o meu lugar».
Uma mãe com um bébé nos braços, entrou num consultório médico e, diante do médico, começou a lamentar-se:– «Doutor, o senhor precisa de me ajudar num problema muito sério. Este meu bébé ainda não completou um ano e estou grávida de novo! Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas sim num espaço grande entre um e outro».
O médico pergunta:– «Muito bem... e o que a senhora quer que eu faça?»
A mulher, já esperançosa, respondeu:– «Desejo interromper esta gravidez e quero contar com a sua ajuda.»
O médico pensou alguns minutos e disse para a mulher:– «Acho que tenho uma melhor opção para solucionar o problema e é menos perigoso para a senhora.»
A mulher sorria, certa que o médico aceitara o seu pedido, quando o ouviu dizer:
– «Veja bem, minha senhora... para não ficar com dois bébés em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está nos seus braços. Assim, o outro poderá nascer... Se o caso é matar, não há diferença para mim entre um e outro. Até porque sacrificar o que a senhora tem nos braços é mais fácil e a senhora não corre nenhum risco.»
A mulher apavorou-se:–«Que horror!!! Matar uma criança é crime!!! É infanticídio!!!».
O médico sorriu e, depois de algumas considerações, mostrou à mãe que não existe a menor diferença entre matar uma criança ainda por nascer (mas que já vive no seio materno) e uma já crescida. O crime é exactamente o mesmo.
Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo. O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz. A beleza não era nada. Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar da sua beleza. Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente. Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer. A felicidade é amor, só isto. Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito. Mas amar e desejar não é a mesma coisa. O amor é o desejo que atingiu a sabedoria. O amor não quer possuir. O amor quer somente amar.
«Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.» - Mateus 18, 3
«Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz...» - Mateus 6, 21-22
Certo dia, um pai de uma família muito rica levou o seu filho numa viagem pelo interior do país com o firme propósito de lhe mostrar o quanto as pessoas podem ser pobres. Eles passaram um dia e uma noite na casa de uma família muito pobre. Quando regressaram da viagem, o pai perguntou: -«Como foi a viagem?» -«Muito boa, Pai!» -«Meu filho, viste como as pessoas pobres vivem?» -«Sim.» -«E o que aprendeste?» O filho respondeu: -«Eu vi que nós temos um cão em casa; eles têm quatro! Nós temos uma piscina que chega ao meio do jardim; eles têm um riacho que não tem fim! Nós temos uma varanda coberta e iluminada com luz; eles têm as estrelas e a lua! O nosso quintal vai até ao portão de entrada; eles têm uma floresta inteira! Quando o pequeno menino estava a acabar de responder, o pai ficou estupefacto. E o filho acrescentou:- «Obrigado, pai, por me mostrar o quão "pobres" nós somos!»
Diariamente, reservo um tempinho para visitar os meus blogs predilectos, assim como outros que vou descobrindo durante essas visitas, ou por intermédio de amigos. Tenho lido muitos posts interessantes, mas claro que há sempre aqueles que são especiais; que me fazem reflectir, que me comovem, encantam ou fazem rir. São pensamentos, reflexões, poemas ou pequenas histórias que me tocam o coração pela sua sensibilidade, ternura, beleza, profundidade, riqueza de sentimentos, sabedoria...
Gosto de compartilhar essas pérolas de sabedoria que vou descobrindo, com os meus amigos e conhecidos. Hoje, tive a ideia de criar uma espécie de galardão que pretendo atribuir aos melhores posts que vou lendo nas minhas deambulações pela blogsfera. Este prémio também é uma forma de agradecer ás pessoas que partilham connosco o que lhes vai na alma. Há posts que nos encantam, comovem, enriquecem e iluminam... São um ponto de luz que brilha na escuridão do mundo. E como disse Jesus:«Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos» - Mateus 5, 14-15
O primeiro post ao qual vou atribuir o galardão "Post de Ouro" é primoroso, enternecedor e recheado de ensinamentos para reflectir e reter. Provavelmente, vão julgá-lo demasiado extenso, e isso poderá desmotivar alguns para a sua leitura. Mas, eu peço-vos que se sentem calmamente, relaxem e leiam com atenção, concentração e total disponibilidade mental e espiritual.
O Post intitula-se: «Recado da Mafalda ao mundo dos Adultos», foi escrito por Rui Santiago do blog - derrotar montanhas.Cliquem no link e surpreendam-se, encantem-se:
Em resposta ao desafio que me foi feito pela Flôr, do blog "O desabrochar de uma simples Flôr" , http://flor-odesabrochar.blogspot.com/ , vou revelar os livros que estou a ler no momento e os que li recentemente.
Em primeiro lugar, é inevitável mencionar aBíblia Sagrada - é o livro que me acompanha há muitos anos e cuja leitura é sempre estimulante e enriquecedora. Cada leitura, implica uma descoberta de novos significados, sentidos, e um entendimento mais claro dos propósitos de Deus.«Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.» - Hebreus 4, 12
Recentemente, li um livro fascinante, ao qual penso voltar muitas vezes:"O Regresso do Filho Pródigo" de Henri Nouwen.Tenho publicado alguns trechos no meu blog:http://www.seguirjesus.blogspot.com/. O autor descreve assim a causa que deu origem ao livro:" Um encontro aparentemente insignificante com um cartaz em que se via em pormenor de O Regresso do Filho Pródigo de Rembrant, foi para mim o início de uma longa aventura espiritual que me levaria a entender melhor a minha vocação e a cobrar novas forças para viver. Os protagonistas desta aventura são: um quadro do século XVII e o seu autor, uma parábola do séc. I e o seu autor, e um homem do séc. XX à procura do sentido da vida.
Depois de ler este livro, senti necessidade de conhecer outras obras de Henri Nouwen. Neste momento, estou a ler"A Voz Íntima do Amor" -«que foi escrito quando a angústia rondava a porta do autor. O livro é uma espécie de diário onde Henri Nouwen extravasou sentimentos. Mais tarde, ajudou-o a perceber que esse tempo de desespero era o solo fértil para a renovação da esperança. Para os incontáveis homens e mulheres que têm de percorrer a via dolorosa de relações interrompidas ou que sofrem com a perda de uma pessoa amada, este livro, sobre a voz íntima do amor, oferece novo alento.»
"Viver é ser amado" - Henri Nouwen - «Um dia, Fred, um jovem jornalista do New York Times, procurou Henri Nouwen para uma entrevista. O encontro aconteceu, mas, mais importante que a notícia de jornal, foi a amizade que nasceu entre eles. Fred gostava de escrever, mas detestava o tipo de reportagem que fazia: 750 palavras... era o espaço que lhe davam, e mais nada, houvesse ou não razão para deixar o entrevistado falar à vontade. Henri sentiu-lhe a raiva a bailar nos olhos. Simpatizou com ele e ajudou-o a dar um novo rumo à vida. Fruto da amizade de ambos, este livro é também um companheiro e um amigo, para quem o lê.»
"O canto do pássaro" - Anthony Mello.É um conjunto de pequenos contos e parábolas que nos convidam à reflexão e à meditação. Já publiquei algumas neste blog e também no http://seguirjesus.blogspot.com/«Um pássaro não canta por ter algo a dizer. Canta porque traz a melodia na garganta. As palavras do Mestre não são para ser entendidas, são para ser ouvidas com atenção meditativa, assim como se ouve o vento nas árvores, o marulhar do riacho e o «canto do pássaro».
«A Ditadura da beleza» - Augusto Cury. Atenção mulheres: leiam este livro! «A bela Sarah sai do seu quarto a cambalear, com os longos cabelos revoltos, os olhos, fundos, o rosto pálido e a respiração entrecortada. A modelo de 16 anos apresenta-se abruptamente aos olhos da mãe, quase irreconhecível, desfalecendo nos seus braços. Aflita, a mãe chama uma ambulância e quando os paramédicos chegam, o coração de Sarah mal se sente, de tão fracos que são os seus batimentos. Sarah choca o mundo com a sua tentativa de suicídio. Apesar de parecer ter uma vida invejável, a jovem debate-se com um problema interior: a obsessão por atingir a beleza física perfeita. Elizabeth, editora de uma conceituada revista feminina, pede ajuda ao psiquiatra Marco Polo (protagonista de A Saga de Um Pensador) e o seu diagnóstico é bem preciso: Sarah, tal como milhares de mulheres e jovens em todo o mundo, sofre da síndrome do PIB – Padrão Inatingível de Beleza. Influenciadas pelo padrão doentio de beleza imposto pelos media, estas mulheres destroem a sua auto-estima e com isso a sua saúde mental e física. É uma autêntica epidemia da ditadura da beleza. Com milhões de livros vendidos no Brasil, Augusto Cury retrata neste novo livro o quotidiano das mulheres que sofrem em silêncio as consequências de uma cruel realidade do mundo moderno: a ditadura da beleza. Através de uma narrativa simples e ao mesmo tempo aliciante, o autor ajuda-nos a compreender que a beleza está nos olhos de quem vê e que cada ser humano é único no palco da existência.» "O Mestre do Amor" - Augusto Cury.O livro que me faltava para completar a colecção "Análise da Inteligência de Cristo". Mais um livro fascinante, maravilhoso, que nos revela aspectos ímpares da personalidade de JesusCristo.«Neste livro, o autor investiga o cerne da mente de Jesus Cristo, principalmente nas suas últimas horas. Ficaremos surpreendidos, assombrados e, por vezes, choraremos ao penetrar nos pensamentos e nas reacções fascinantes que teve quando o seu coração estava a parar e o seu corpo, agonizando. Era de se esperar que dessa vez Ele não brilhasse na sua inteligência, que gritasse, fosse consumido pelo medo, derrotado pela ansiedade e reagisse por instinto como qualquer miserável às portas da morte. Mas ferido, Ele foi ainda mais extraordinário. O Mestre do Amor fez poesia no caos.»
Bem, agora tenho de passar o desafio a três amigos(as). Pode ser uma forma interessante de os conhecermos um pouco melhor. Lanço o desafio a:
«Dentro de mim soa uma melodia quando chega um amigo, e é essa melodia que me torna feliz.Quando o amigo parte, fico cheio da sua música, e essas melodias não se esgotam, porque em cada pessoa produz-se uma melodia diferente, que também nos torna felizes e enriquece nossa harmonia.Talvez haja uma melodia ou várias que me agradem de maneira particular, mas não me apego a elas: de facto são agradáveis, quer estejam ou não comigo, pois não tenho a enfermidade da nostalgia.Estou tão feliz que não sinto falta de coisa alguma. A verdade é que não posso sentir a falta de um amigo porque tenho a sua presença comigo. Se sentisse a sua falta, estaria reconhecendo que, quando ele partiu, teria deixado um vazio no meu peito. Pobre de mim, se cada vez que uma pessoa querida partisse, minha orquestra deixasse de tocar!»
Fabricantes de rótulos! Ah, se eu pudesse «saborear» um pássaro, uma flor, uma árvore, um rosto humano!
Infelizmente, porém, não tenho tempo! Ando ocupado demais em ler os rótulos e em produzir alguns da minha própria autoria. E assim, nunca me deixo inebriar com este vinho!
Educar é produzir um homem feliz e sábio. Educar é produzir um homem que ama o espectáculo da vida. Desse amor, emana a fonte da inteligência. Educar é produzir uma sinfonia em que rimam dois mundos: o das ideias e o das emoções.
Há dois tipos de educação: a que informa e a que forma. A educação que informa ensina o homem a conhecer o mundo em que habita; a educação que forma vai além, ensina-o também a conhecer o mundo que ele é.
« Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.» - Mateus 11, 25
Voltou o explorador para o seu povo que o esperava ansioso por saber tudo sobre o Amazonas. Entretanto, com que termos podia ele exprimir todos os sentimentos que inundaram o seu coração, quando viu, na densa mata, aquelas flores de beleza sem igual? E, quando ele ouviu, à noite, os sons da selva? Como contar os seus medos e ansiedades perante a ameaça das feras e dos rios que ele em frágil canoa navegara?
Eis o que ele disse, então: «Ide lá vós mesmos! Nada melhor que o próprio risco e a experiência pessoal». Para guiá-los, deu-lhes um mapa do Amazonas. Pegou, então, no mapa aquela gente, pôs-lhe uma moldura e colocou-o numa sala da sua Prefeitura. Fizeram dele cópias pessoais e cada um que possuía destas cópias já se julgava um bom conhecedor do famoso Amazonas, pois no mapa estavam todas as curvas deste rio, igarapés, cascatas, corredeiras. E o pobre explorador arrependeu-se de, um dia, lhes ter dado aquele mapa!
Olha, tu e eu! Somos belos, não somos? "A beleza está nos olhos de quem a vê"
Aceita este ramo de flores virtual em nome do verdadeiro amor que sinto por ti.
Estes pensamentos são para ti. Reflecte sobre eles e deixa que a sua essência perfumada e a sua nobre sabedoria impregne o teu coração.
"Amar não é mais que morrer em si para renascer no outro."
"Amar não é apoderar-se do outro para completar-se, mas dar-se ao outro para completá-lo."
"Quando descanso? Descanso no amor."
"Amar alguém é ser o único a ver um milagre invisível para outros."
"Ama-me quando eu menos o merecer, porque será nessa altura que mais necessitarei."
"O verdadeiro amor nunca se esgota. Quanto mais se dá, mais se tem. "
"Amar alguém significa ver essa pessoa como a Deus a concebeu."
"Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos."
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa, ou como um címbalo que tine. E ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e tivesse toda a fé, até ao ponto de transportar montanhas, se não tivesse amor, não seria nada. E, ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse amor, nada me aproveitaria."
Dedico-te este poema, que sei ser muito do teu agrado.
Amo como o amor ama. Não sei razão pra amar-te mais que amar-te. Que queres que te diga mais que te amo, Se o que quero dizer-te é que te amo.
Quando te vi amei-te já muito antes: Tornei a achar-te quando te encontrei. Nasci pra ti antes de haver o mundo. Não há coisa feliz ou hora alegre Que eu tenha tido pela vida fora, Que o não fosse porque te previa...
E agora, mais um presente-surpresa. Dedico-te esta bela canção de amor. Não fui eu quem a escreveu, mas aceita esta melodia e estas palavras como se fossem minhas.
Deus, numa atitude incomum, convidou um Pastor e um Padre para conhecer o céu e o inferno. Ao abrirem a porta do inferno, viram centenas de pessoas sentadas à volta de uma mesa enorme. No centro da mesa, viam-se os manjares mais requintados que qualquer pessoa poderia imaginar e, embora todos tivessem uma colher para chegar ao prato central, estavam mortos de fome! O problema era que as colheres tinham o dobro do comprimento dos seus braços e estavam presas às suas mãos. Assim, todos podiam servir-se, mas ninguém conseguia levar a comida à boca. A situação era deveras desesperada e ouviam-se gritos de dor e sofrimento.
Entraram numa sala idêntica à primeira, onde se depararam com o mesmo cenário; as pessoas em volta e, para surpresa dos dois, as mesmas colheres de cabo comprido, que alcançavam o prato central, mas não podiam alcançar a boca. Mas a grande diferença é que todos estavam saciados. O pastor e o padre se questionaram? - Eu não compreendo - disse o padre- por que aqui as pessoas estão felizes, enquanto na outra sala morrem de aflição, se é tudo igual, inclusive as colheres com cabos compridos? - Sim, como isso é possível? - completou o pastor. Deus sorriu e respondeu:- Ainda não compreenderam? Aqui, no céu, ninguém morre de fome, porque os meus servos aprenderam a dar comida uns aos outros.