terça-feira, 13 de novembro de 2007

Uma religião que não vale a pena

Ora aqui está uma visão realista, inteligente e pertinente sobre a religião; mais concretamente, sobre a falsa religião que, infelizmente, continua a conquistar muitos adeptos.


É uma religião que, uma vez aceite, não torna ninguém melhor do que era.
É uma religião que permite distanciar-se da virtude, dando uma falsa segurança que os eleitos estarão seguros em seu pecado.
É uma religião que gera um clima de culpa, nunca plenamente expiada.
É uma religião que elege pessoas humanas para serem seus representantes diante da Divindade; fora eles, ninguém mais tem acesso a Deus.
É uma religião que valoriza a técnica de como obter o favor de Deus mais que a gratuidade do seu amor.
É uma religião que reforça o egocentrismo e não a busca da justiça.
É uma religião que se pratica ocasionalmente; não é uma filosofia de vida.

domingo, 11 de novembro de 2007

Procuram-se amigos

Encontrei este texto no blog Metanoia e decidi postá-lo quase na íntegra. Creio que o autor partilha alguns bons conceitos de amizade com os quais me identifico.

Mesmo com tantas decepções insisto em garimpar bons amigos.
Quero ser amigo de quem valorize a lealdade.
Mesmo depois que a ditadura militar libertou o meu pai,
o estigma de “subversivo” grudou-se nele.
Um dia papai contou-me, com lágrimas nos olhos,
que os seus antigos colegas da Aeronáutica
desciam a calçada para não se verem obrigados a cumprimentarem-no publicamente.
Ainda guardo esse trauma e, sinceramente, não consigo lidar com amizades que só se mantêm por causa de conveniências, qualquer uma.
Quero acreditar em amizades que não se intimidam com censuras,
que não retrocedem diante do perigo
e que não abandonam na hora do apedrejamento.
Amigos não desertam.
Quero ser amigo de quem não precise me proteger
e que não tenha medo de mim.
Não creio em companheirismos repletos de suspeitas.
Os grandes amigos são vulneráveis.
Conversam sem se policiar, rasgam a alma
e sabem que os seus segredos jamais serão lançados em rosto ou expostos publicamente.
Quero ser amigo de quem não se melindra facilmente.
Por mais que tente, continuo tosco;
magoo com os meus silêncios, com minha introspecção e,
muitas vezes, com meus comentários ácidos e impensados.
Portanto, preciso de amigos que tolerem as minhas heresias, minhas hesitações e meus pecados. Busco amizades que aguentem o baque das minhas inadequações; que sejam teimosos.
Quero ser amigo e não um mero cúmplice de vocação.
Já preguei em algumas igrejas que, depois que o pastor me deixou na calçada do aeroporto,
nunca mais tive notícias dele ou da sua igreja.
Não vou mais colocar o meu nome em conferências e congressos que me dêem prestígio
ou em que eu só sirva para reforçar a programação.
Quero ser amigo de quem não se contenta em re-encaminhar mensagens re-encaminhadas de power-point.
Também não gosto de cartões de aniversário com frases prontas e óbvias.
Acredito que os verdadeiros amigos têm o que repartir
e que sentem necessidade de expressar os seus sentimentos, as suas dúvidas
e principalmente os seus medos e desesperos.
Amizades superficiais são mais danosas para o espírito do que inimizades explícitas.
Quero ser amigo de quem não é muito certinho.
Não tolero conviver com quem nunca tropeça nos próprios cadarços(significa: atacadores dos sapatos).
Vez por outra, gosto de relaxar, rir do passado, sonhar maluquices para o futuro e conversar trivialidades.
Quero amigos que se deliciem em ouvir uma mesma música duas vezes para perceber a riqueza da letra;
de comentar o filme que acabaram de assistir e o último livro que leram.
Como é bom chorar com poesia!
Quero terminar os meus dias e poder dizer que,
mesmo descrendo das ideologias, dos sistemas económicos e das instituições religiosas,
cri em verdadeiras amizades porque tive bons amigos.
Até porque Deus não só ama, como também nos chamou de amigos.

Ricardo Gondim

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O modo como tratamos os outros

«Numa tribo na Nova Guiné, está entendido que as crianças que nascem à terça-feira são inteligentes, solares e vencedoras e, as que nascem à sexta, são estúpidas, falhadas e vencidas. O pior, é que isso acaba por acontecer porque o tratamento que os outros lhes dão é que faz delas escravas ou vencedoras.»

Extraido de "O Riso de Deus" de António Alçada Baptista

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Sobre o casamento


«O compromisso conjugal não é um atalho para o prazer indolor, mas um passo na direcção da coragem para o autoconhecimento, da transformação e do crescimento pessoal, no intercâmbio de forças e fraquezas, em que um faz o outro melhor, muitas vezes às custas de atrito e faísca, pois somente o ferro com ferro se afia.
Costumo dizer que durante a vida de solteiro nos estragamos, e o casamento é a principal resposta terapêutica de Deus. Quem não quer crescer, vencer limites emocionais, reescrever a sua história, exorcizar os seus demónios, fica solteiro e pula de paixão em paixão, em relações que são eternas enquanto duram. Isso sem falar na saúde das futuras gerações e no equilíbrio sistémico possível apenas a uma sociedade que saiba valorizar a família». - Ed Rene Kivitz, em "Outra Espiritualidade"

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Os meus livros II


O Riso de Deus, de António Alçada Baptista

Descrição da editora:"Ao acompanhar a vida de Francisco, o personagem central deste romance, ao longo das suas escolhas, da sua procura - ele que deliberadamente escolheu a via do sonho possível, da busca dos valores mais essenciais -, ao acompanhá-lo ao longo das sua deambulações pelo mundo, pela história, ao sabor dos acasos e encontros, e, muito especialmente, da intimidade de algumas mulheres cúmplices da mesma procura... "

Este é um dos livros que mais me tocou o coração e influenciou a construção da minha personalidade e lapidação da minha sensibilidade; que me ajudou a ver a vida com os olhos do amor, do afecto, da graça, da amizade sincera, profunda, verdadeira.

Faz alguns anos que o li pela primeira vez. Entretanto, já o reli vezes sem conta. Hoje, ao rele-lo, verifico que tenho uma compreensão e uma leitura diferentes de muitas das suas passagens. Creio que hoje compreendo com mais profundidade e intensidade essas passagens, porque vivi experiências, aprendi lições, li e reflecti sobre coisas que me abriram e alargaram a mente e aprofundaram a sensibilidade.
Para mim, hoje, essas passagens têm um significado que não tinham outrora; e o livro tornou-se ao longo dos anos uma chave para o apaziguamento de muitos fantasmas e inquietações, assim como para a compreensão de muitas coisas que se passam dentro e fora de mim. Alguém disse: «Não há no mundo livros que se devam ler, mas somente livros que uma pessoa deve ler em certo momento, em certo lugar, dentro de certas circunstâncias e num certo período da sua vida».
Hoje, sinto mais afinidade e correspondência com o mundo interior do autor. Tenho outra sensibilidade e maturidade. Creio que «...o proveito dos livros depende da sensibilidade do leitor; a ideia ou paixão mais profunda dorme como numa mina enquanto não é descoberta por uma mente e um coração afins
O Riso de Deus é um livro que fala a linguagem do amor, dos afectos. Um livro que nos conduz à descoberta de nós mesmos, do mundo que nos rodeia, do que nos une aos outros e do que dá verdadeiro sentido e signficado ás nossas vidas. Não é um livro com respostas prontas, mas repleto de questões que se nos colocam e fazem reflectir, procurar, duvidar, partir à descoberta.

Partilho convosco alguns trechos significativos:

"Acho que a grande criatividade é aquela que soubermos pôr nos nossos actos: fazer da nossa vida uma obra de arte: pôr na nossa vida a nossa individualidade mais identificada e com um verdadeiro sentido estético na relação com os outros e com o mundo, é a nossa grande criação."

"Amar é uma atitude de compreender e aceitar: é reconhecer os outros e respeitar a sua liberdade."

"Possivelmente, o amor continua a chamar-nos do centro do labirinto e nós anadamos ás voltas sem sermos capazes de o encontrar(...) e talvez seja necessário despojarmo-nos de muitas coisas e tornar a vestir as vestes da inocência para que o amor nos possa ser revelado."

"A letra de Deus nem sempre é decifrável e ninguém conhece a língua em que escreveu a alma humana.Tudo me leva a crer que as marcações que nos deram para o desempenho da vida passam ao lado do caminho por onde os nossos afectos poderiam fluir conforme o que está inscrito no mapa oculto do ser humano(...) Algumas vezes, até parece que a simplicidade emana do andamento da vida e que bastaria um pequeno gesto de espírito para passarmos para o lado de lá de tantas incomodidades que nos fazem viver como se tivéssemos calçado dois números abaixo da forma da alma."

"Procurei analisar o que são as minhas angústias. Creio que são assim uma espécie de reacção a uma forma incómoda que impede o meu desenvolvimento. Como se eu, periodicamente, tivesse que fazer um esforço para alargar o meu espaço, como se o estado do meu projecto interior não fosse cabendo no módulo que estou a usar. Depois de cada depressão sinto que qualquer coisa em mim ficou mais livre. É como se eu estivesse preso com várias cadeias e, depois de atravessar o túnel da depressão, conseguisse libertar-me de uma. Pergunto-me se cada homem não estará aprisionado pelos modelos de comportamento que herdou e se isso não atingirá a própria respiração da sua alma(...) As minhas depressões talvez sejam as minhas metamorfoses: é a maneira que eu tenho de passar de lagarta a crisálida. São etapas de libertação."

domingo, 4 de novembro de 2007

Quero


Proposta de Jorge Bucay sobre as relações interpessoais que foi publicada originalmente no prólogo do livro "Cartas para Claudia".

Quero que me oiças sem me julgares
Quero que me dês a tua opinião sem me aconselhares
Quero que confies em mim sem me exigires
Quero que me ajudes sem tentares decidir por mim
Quero que cuides de mim sem me anulares
Quero que olhes para mim sem projectares as tuas coisas em mim
Quero que me abraçes sem me asfixiares
Quero que me animes sem me empurrares
Quero que me apoies sem te encarregares de mim
Quero que me protejas sem mentiras
Quero que te aproximes sem me invadires
Quero que conheças as coisas que mais te desagradem em mim
Que as aceites e não pretendas mudá-las
Quero que saibas... que hoje podes contar comigo...
Sem condições.


Jorge Bucay, em "Contos para pensar"

sábado, 3 de novembro de 2007

Espiritualidade


«A espiritualidade está relacionada com aquelas qualidades do espírito humano, tais como amor e compaixão, paciência e tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia, que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros(...) Há dentro de nós uma chama sagrada coberta pelas cinzas do consumismo, da busca desenfreada de bens materiais, da compra, do negócio e do interesse. As cinzas de uma vida distraída das coisas essenciais. É preciso remover tais cinzas e despertar a chama sagrada. E então irradiaremos. Seremos como o Sol.»

Leonardo Boff

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O mestre e o escorpião


Um mestre do Oriente passeava junto ao rio, quando viu que um escorpião se estava a afogar e decidiu tirá-lo da água; mas quando o fez, o escorpião picou-o. Numa reacção instintiva à dor provocada pela picada, o mestre largou o animal que voltou a cair à agua e rapidamente se estava a afogar. O mestre tentou novamente salvá-lo, mas voltou a ser picado.

Alguém que estava a observar a cena aproximou-se do mestre e disse-lhe:"Desculpe-me, mas o senhor é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?"

O mestre respondeu: "A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar”. Então, com a ajuda de uma folha, o mestre tirou o escorpião da água e salvou a sua vida.
Autor desconhecido

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Lobos internos


Um Avô disse ao seu neto, que se chegou a ele com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça: "Deixa-me contar-lhe uma história. Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio daqueles que me "aprontaram" tanto, sem qualquer arrependimento daquilo que fizeram. Todavia, o ódio corrói-te , mas não fere o teu inimigo. É o mesmo que tomaras veneno, desejando que o teu inimigo morra. Lutei muitas vezes contra estes sentimentos".

E o avô continuou contando ao neto: "É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não se teve intenção de ofender. Ele só lutará quando for certo fazer isso, e da maneira correcta.
Mas, o outro lobo, ah!, esse é cheio de raiva! Mesmo as pequeninas coisas o lançam num ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. Ele não pode pensar, porque a sua raiva e o seu ódio são muito grandes. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar coisa alguma!
Algumas vezes é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar o meu espírito".

O garoto olhou intensamente nos olhos do seu Avô e perguntou:"Qual deles vence, Avô?"
O Avô sorriu e respondeu baixinho:"Aquele que eu alimento".


Autor desconhecido

domingo, 28 de outubro de 2007

O Tamanho das Pessoas


Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...
Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu,
quando te trata com carinho e respeito,
quando te olha nos olhos e sorri .

É pequena para ti quando só pensa em si mesma,
quando se comporta de uma maneira pouco gentil,
quando fracassa justamente no momento em que
teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas:
a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amor.

Uma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida,
quando procura alternativas para o seu crescimento,
quando sonha junto contigo.

É pequena quando se desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela,
mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou pequenez dentro de um relacionamento,
pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.

Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.


É difícil conviver com esta elasticidade:
as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros,
mas de acções e reacções, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande...

É a sua sensibilidade, sem tamanho...

William Shakespeare

sábado, 27 de outubro de 2007

O Perdão liberta


«Qual é a maior vingança contra um inimigo? Já afirmei que é perdoar-lhe. Se o compreendermos, perdoar-lhe-emos. Se lhe perdoarmos, ele morre dentro de nós e renasce não mais como inimigo. Caso contrário, ele dormirá connosco e roubar-nos -á o sono, comerá connosco e destruirá o nosso apetite.» - Augusto Cury, in "O Mestre do Amor"

Não perdoar aprisiona-me ao passado e exclui todo potencial de mudança. Assim, transfiro o controle ao outro, meu inimigo, e condeno-me a sofrer as consequências do erro. Uma vez ouvi um rabino imigrante fazer uma declaração espantosa. "Antes de vir para a América, precisei perdoar Adolf Hitler", ele disse. "Eu não queria trazer Hitler dentro de mim para o meu novo país.

"Nós perdoamos não apenas para cumprir alguma lei mais elevada de moralidade; fazemo-lo por nós mesmos. Como Lewis Smedes destaca: "A primeira e geralmente única pessoa a ser curada pelo perdão é a pessoa que perdoa... Quando genuinamente perdoamos, libertamos um prisioneiro e então descobrimos que o prisioneiro que libertamos éramos nós".

O perdão quebra o ciclo da culpa e afrouxa a força opressora do pecado. Realiza as duas coisas por meio de uma notável ligação, colocando o perdoador do mesmo lado de quem cometeu o erro. Por meio disso, percebemos que não somos tão diferentes do culpado como gostaríamos de pensar. "Eu também sou diferente do que eu mesma me imagino. Saber disto é perdoar", disse Simone Weil. - Philip Yancey, in "Maravilhosa Graça"

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Canções da minha vida II


Como conheci este cantor e esta canção maravilhosa? Um dia, um amigo entra-me em casa com um cd na mão e diz-me:" tens que ouvir isto!". Coloco imediatamente o cd na aparelhagem sonora e a primeira música que oiço causa-me uma sensação agradável e tenho a percepção de que estou a ouvir uma verdadeira pérola musical. Não sinto arrepios na pele( como geralmente acontece quando oiço certas canções), mas a melodia enternece-me, a voz soa-me sensível e cheia de alma... os acordes de piano sublimes...
Mais tarde, depois de voltar a ouvi-la uma infinidade de vezes, começo a descobrir a sua essência; os seus pequenos tesouros ocultos, que uma única e superficial audição não tem o poder de nos revelar... Começo então a sentir os arrepios na pele, especialmente quando a escuto em determinados contextos emocionais. É uma canção simples, pura e muito bela. Uma das canções da minha vida, sem dúvida!
Espero que gostem! Expressem a vossa opinião (mas escutem com o coração, e várias vezes).


Nick Drake - "Northern Sky"



I never felt magic crazy as this
I never saw moons knew the meaning of the sea
I never held emotion in the palm of my hand
Or felt sweet breezes in the top of a tree
But now you're here
Brighten my northern sky.

It's been a long time that I'm waiting
Been a long time that I'm blown
been a long time that I've wandered
Through the people I have known
Oh, if you would and you could
Straighten my new mind's eye.

Would you love me for my money
Would you love me for my head
Would you love me through the winter
Would you love me 'til I'm dead
Oh, if you would and you could
Come blow your horn on high.

I never felt magic crazy as this
I never saw moons knew the meaning of the sea
I never held emotion in the palm of my hand
Or felt sweet breezes in the top of a tree
But now you're here
Brighten my northern sky.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Dois tipos de sabedoria

Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior. A sabedoria inferior é dada por tudo o que uma pessoa sabe, e a superior é dada pela consciência do que não se sabe. Os verdadeiros sábios são os mais convictos da sua ignorância. Desconfiem das pessoas auto-suficientes. O orgulho é um golpe contra a lucidez, um atentado contra a inteligência.

A sabedoria superior tolera; a inferior julga; a superior alivia, a inferior culpa; a superior perdoa, a inferior condena. Na sabedoria inferior há diplomas, na superior ninguém se diploma, não há mestres nem doutores, todos são eternos aprendizes.
Que tipo de sabedoria controla a tua vida?

Augusto Cury, O Mestre do Amor

domingo, 21 de outubro de 2007

Poesia...



DESCOBERTA

Quero aqueles gestos puros
nascidos de dentro da alma
como uma criança que vem ao mundo
e exprime seus sentimentos
sem explicações
Porque os gestos puros
eles não tem máculas
simplesmente existem
nascidos da semente do coração
Quero aquele olhar cheio de encanto
que quebra a beleza da noite
e parte as estrelas em mil pedaços
E arregaça a lua toda
descobrindo seus segredos
ouvindo as canções puras
que emanam do verdadeiro ser
Quero aquelas palavras
vindas de dentro do coração
que não são achadas em livros
nem em poesias
aquelas que ninguém ainda disse
frases inéditas
que vivem presas nas teias da alma
Quero aquele impulso latente
da verdade sem máscaras
descobrir o segredo da vida
encantar-me com a musica
embutida nos sonhos
E viver como uma criança
descobrindo pelo tacto
pelo cheiro
pelo olhar
tudo totalmente inédito e puro
como o primeiro respirar

®Mary Fioratti -http://encontrodasaudade.blogspot.com/2006/08/descoberta-quero-aqueles-gestos-puros.html




PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Lição de vida


Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
mesmo sabendo que as rosas não falam.
Que eu não perca o OPTIMISMO,
mesmo sabendo que o futuro que nos espera não é assim tão alegre.
Que eu não perca a VONTADE DE VIVER,
mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, dolorosa.
Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo,eles acabam indo embora das nossas vidas...
Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, reconhecer e retribuir esta ajuda.
Que eu não perca o EQUILÍBRIO,
mesmo sabendo que inúmeras forças querem que eu caia.
Que eu não perca a VONTADE DE AMAR,
mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo,
pode não sentir o mesmo sentimento por mim...
Que eu não perca a LUZ e o BRILHO NO OLHAR,
mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo, escurecerão os meus olhos...
Que eu não perca a GARRA,
mesmo sabendo que a derrota e a perda são dois adversários extremamente perigosos.
Que eu não perca a RAZÃO,
mesmo sabendo que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas.
Que eu não perca o SENTIMENTO DE JUSTIÇA,
mesmo sabendo que o prejudicado possa ser eu.
Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO,
mesmo sabendo que um dia os meus braços estarão fracos...
Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VER,
mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos
e escorrerão pela minha alma...
Que eu não perca o AMOR PELA MINHA FAMÍLIA,
mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige esforços incríveis
para manter a sua harmonia.
Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR
que existe no meu coração,
mesmo sabendo que muitas vezes ele
será submetido e até rejeitado.
Que eu não perca a vontade de SER GRANDE,
mesmo sabendo que o mundo é pequeno...
E acima de tudo...
Que jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente,
que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um
é capaz de mudar e transformar qualquer coisa,
pois.... A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS E CONCRETIZADA NO AMOR!


Edgar Furtado

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Pérolas de sabedoria de "A Saga de um Pensador"



« Podes duvidar que Deus existe, mas Deus não duvida que tu existes.»


«Não há louco que não seja lúcido nem lúcido que não seja louco.»


«Cada cabeça é um planeta e cada planeta tem uma rota peculiar que exige um plano de voo distinto para ser atingida.»


« Um homem sem história é como um livro sem letras.»


«A existência é um belíssimo livro. Ninguém pode fazer uma excelente leitura desse livro se não aprender a ler as pequenas palavras.»


«O que define a nobreza de um ser humano é a sua capacidade de ver a sua pequenez.»


«É mais fácil desintegrar um átomo do que desfazer um preconceito»


«Os médicos devem ser pessoas de rara sensibilidade, artesãos das emoções, profissionais capazes de ver as angústias, ansiedades e lágrimas que se escondem sob os sintomas. Caso contrário, tratarão de orgãos e não de seres humanos.»


«O meu desafio como psiquiatra não é apenas medicar os pacientes ou fazer sessões de psicoterapia, mas mostrar-lhes que a flor mais exuberante brota no inverno emocional mais rigoroso, Os que atravessaram os seus desertos psíquicos e os superaram tornaram-se mais belos, lúcidos e ricos do que eram.»


«Cada cabeça é um planeta e cada planeta tem uma rota peculiar que exige um plano de voo distinto para ser atingida.»


«Não é fácil enfrentar as nossas ruínas, mas é a única maneira de sermos autores da nossa história e não vítimas dela.»


«Dêem-se, mas não esperem muito retorno dos outros. Esta é uma das mais excelentes ferramentas para proteger as vossas emoções.»


«A felicidade não existe pronta, não é uma herança genética, não é um privilégio de uma casta ou camada social. A felicidade é uma eterna construção.
Houve reis que tentaram aprisionar a felicidade com o seu poder, mas ela não se deixou prender. Milionários tentaram comprá-la, mas ela não se deixou vender. Famosos tentaram seduzi-la, mas ela resistiu ao estrelato. Sorrindo, ela sussurou ao ouvido de cada ser humano: "Ei! Procura-me nas decepções e dificuldades e, principalmente, encontra-me nas coisas anónimas da existência." Mas a maioria não ouviu a sua voz, e entre os que a ouviram, poucos lhe deram credibilidade.»


«Ser feliz é ser capaz de dizer "eu errei", é ter sensibilidade para dizer "eu preciso de ti", é ter ousadia para dizer "eu amo-te".»


«Não tenhas medo da vida, tem medo de não viver. Não tenhas medo de cair, tem medo de não caminhar... Ninguém é digno de segurança se não usar a sua fragilidade para a alcançar.»


«Nalguns momentos, eu decepcionar-te-ei, noutros, tu frustar-me-ás, mas se tivermos coragem para reconhecer os nossos erros, habilidade para sonharmos juntos e capacidade para chorarmos e recomeçarmos tudo de novo tantas vezes quantas forem necessárias, então, o nosso amor será imortal.»


«Todo o amor é belo na sua nascente, mas poucos resistem ao calor do sol. Que o vosso amor suporte os testes da existência!»


«Velejarei pelos mares da ansiedade, escalarei as montanhas dos medos e percorrerei os vales das decepções para não deixar o amor morrer!»











domingo, 14 de outubro de 2007

Os meus livros


«Deixa-me dizer-te, meu caro, pode bem acontecer que vás através da vida sem saber que debaixo do teu nariz existe um livro no qual a tua vida é descrita em todo o detalhe. Aquilo do qual nunca te deste conta antes, vais relembrando aos poucos, assim que comeces a ler esse livro, e encontras e descobres... alguns livros tu lês e lês e não lhe consegues encontrar qualquer sentido ou lógica, por mais que tentes. São tão "espertos" que não consegues perceber uma palavra daquilo que dizem... Mas esse livro que talvez esteja logo debaixo do teu nariz, tu lês e sentes-te como se tivesses sido tu próprio a escrevê-lo, tal como - como é que hei-de dizer ? - tal como tivesses tomado posse do teu próprio coração - qualquer que este possa ser - e o tivesse virado do avesso de forma que as pessoas o consigam ver, e descrito com todos os detalhes - tal e qual como ele é! E como isto é simples, meu Deus! Porquê, eu próprio poderia ter escrito este livro! Porquê, de facto, porquê é que eu próprio não escrevi este livro!» - Fiodor Dostoievski, in "Pobre Gente"

«Não há no mundo livros que se devam ler, mas somente livros que uma pessoa deve ler em certo momento, em certo lugar, dentro de certas circunstâncias e num certo período da sua vida»- Lin Yutang

«Um livro não é um livro, mas sim um homem que fala através do livro.» - Alberto Moravia

«Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?» - Franz Kafka


Pode um livro mudar uma vida? Na minha opinião, não! Certo pensador disse: « ...o proveito dos livros depende da sensibilidade do leitor; a ideia ou paixão mais profunda dorme como numa mina enquanto não é descoberta por uma mente e um coração afins.» E eu digo: o proveito dos livros depende daquilo que fazemos do que lemos e aprendemos. O livro em si não muda uma vida. Mas, há livros que despertam em nós a criança adormecida; o aventureiro acomodado; o sonhador intrépido e ousado; o guerreiro determinado a recomeçar a lutar depois de cada batalha perdida...
Há livros que nos dão asas, mas para que servem as asas se tivermos medo de voar? Há livros que nos apontam vários caminhos, mas temos de ser nós a escolher, a optar; devemos ser os autores e protagonistas da nossa história.

«Um belo livro é aquele que semeia em redor os pontos de interrogação» . «A Saga de um Pensador», é precisamente um desses livros. É um livro que nos conduz à interrogação, à reflexão, que deixa muitas questões em aberto e nos estimula a sermos pensadores únicos e não repetidores de ideias de outrem.
Quando acabei de ler o livro fiquei com a sensação de que a tarefa do autor estava cumprida,e que a partir daquele instante teria de ser eu a escrever a minha parte da história. É como disse Josefh Conrad:« O autor só escreve metade do livro. Da outra metade, deve ocupar-se o leitor.»

Augusto Cury não é um romancista de renome, não se destaca pela sua capacidade de criar enredos complexos, ou por uma prosa de fino recorte literário. Augusto Cury é psiquiatra, cientista e psicoterapeuta e este é o seu primeiro romance. O autor tem o dom de reavivar a nossa capacidade de sonhar; de estimular e despertar em nós a ousadia, a coragem, a criatividade; de abrir o leque da inteligência e levar-nos a viajar pelas trajectórias do nosso ser. Eu acredito que este livro é capaz de ressuscitar sonhos, de encorajar e reanimar pessoas deprimidas, desiludidas, angustiadas, carentes de um significado e de um sentido para as suas vidas.
Utilizando uma linguagem poética, simples, cativante e acessível, Cury revela-nos as suas descobertas científicas no âmbito do funcionamento da mente e das funções mais nobres da inteligência. Neste livro concentram-se imensas pérolas de sabedoria de inúmeros pensadores, filósofos, poetas, romancistas, cientistas e, claro, do próprio autor. Mas, dessas pérolas falarei no próximo post. Até breve!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Inverter a lógica


É fundamental compreendermos que a realidade “não é simplesmente o que é”, mas acaba sempre por tornar-se o modo como olhamos para ela. As coisas tomam a cor da luz que as ilumina. Numa sala com uma lâmpada azul, todas as paredes, móveis e pessoas ficam azuis. Muda a lâmpada para verde, e tudo ficará verde. Para ver bem, é preciso escolher a “luz” certa. “Olhar” os acontecimentos significa “interpretá-los”. E é fundamental aprendermos a interpretar os acontecimentos de maneira optimista, positiva, confiante e criativa, porque isso leva-nos a dar passos concretos que nos conduzem a melhorarmos a realidade.

Um pensador espanhol muito conhecido, disse um dia uma frase que ficou famosa: “Eu sou eu e a minha circunstância”. Mas “eu” não sou a minha circunstância! Na mesma circunstância, “eu” posso optar por ser “outro”, isto é, ser diferente. Porque as circunstâncias (contextos) fazem as pessoas, mas as pessoas fazem as circunstâncias (contextos). Não somos “ratos de laboratório” numa grande “gaiola de experiências e ensaios” que é o mundo! Não somos fantoches nas mãos de qualquer destino! Temos os fios mais importantes da nossa vida nas nossas próprias mãos! As nossas posturas, atitudes e expressões (verbais, faciais, corporais, simbólicas…) são consequência das nossas experiências, mais ou menos positivas. Sim; mas o mais importante desta lógica é que pode ser invertida! As nossas experiências de vida podem ser mudadas se mudarmos as nossas posturas, atitudes e expressões!

O modo como nós lidamos com as nossas experiências, as mais antigas como as actuais, torna-as diferentes. Somos protagonistas de nós próprios, somos autores e não só resultado da nossa história, cheio de acontecimentos. Quando falamos de “história”, da nossa história, temos a tentação de olhar só para o passado, considerando-nos como resultado de tudo o que fomos, tivemos e nos aconteceu. Uma coisa te garanto: a maturidade da Fé, da Esperança e do Amor ao jeito de Jesus empurra-nos sempre a olhar para a frente, rasga-nos o futuro. “Tens que nascer de novo!”, disse Jesus a Nicodemos. “Poderei voltar ao ventre da minha mãe?!”, perguntou ele. O engano do costume… querer renascer voltando ao passado! Renascer é nascer novo para o futuro. A nossa história não é só o fio das nossas memórias e experiências. A nossa história é também o apelo ao que de nós ainda está por nascer, o mundo dos nossos projectos e das nossas ousadias a caminho da Felicidade. Não te deixes ser apenas o resultado das tuas experiências!

Sê autor da tua história, pelo modo como amadureces com as experiências do passado, enfrentas as do presente e preparas as do futuro. Não te deixes cair no marasmo dos que acham que nunca há nada a fazer para mudar… porque é mentira! Nem deixes que te enganem com os seus argumentos… Não te deixes cair na tentação de querer justificar as desistências com argumentos que parecem muito “sábios”, mas só servem para enganar os distraídos, coisas deste tipo: “Eu sou assim… é uma questão de personalidade… é a minha maneira de ser…” Essa “maneira de ser” que chamam “personalidade” não pode ser entendida como uma realidade estática, como um destino interior imutável, qualquer coisa como uma “mola interior” que impulsiona os nossos comportamentos, sempre e só num movimento “de dentro para fora”.

Sabes, a nossa personalidade manifesta-se nos nossos comportamentos, mas se quisermos amadurecer temos que começar por conscientemente mudar os nossos comportamentos! Os comportamentos também moldam a personalidade. Na prática, sabes como é que isto se faz? É assim: se queres possuir uma determinada qualidade ou maneira de ser, faz por comportar-te como se já a tivesses! Esse é o caminho para ela desabrochar em ti…

Rui Santiago

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Da ruminação pessimista à digestão optimista

Pois é! Às vezes “acontecem” coisas que ninguém estava à espera, situações pelas quais ninguém optou, acontecimentos que ninguém escolheu viver, experiências que ninguém queria. A marcha da vida e as suas surpresas desagradáveis, que nos costumam deixar na boca o travo da injustiça e, às vezes, da revolta…Mas não são só estas… até outras, que nos parecem ainda mais incompreensíveis.

Temos que dar alguns saltos qualitativos para chegarmos à sabedoria da confiança e do optimismo criativo. Este, por exemplo: temos que aprender a reconhecer que a marcha da vida não é obrigatoriamente justa! Às vezes, mesmo sendo competentes e esforçando-se, sendo sérios e empenhados, os resultados podem ser maus. Aqui, há que aceitar e avançar! Que outra hipótese haverá?! Enrodilhar-se num canto e chorar? Nunca fiques aí muito tempo… eu sei que apetece, mas isso faz-te tanto mal…Já alguma vez viste uma vaca a pastar? Engole tudo de uma vez, e depois deita-se calmamente a ruminar, que é o processo de trazer a comida à boca para a mastigar demoradamente! Nós, muitas vezes fazemos algo parecido na nossa mente com os acontecimentos mais negativos e dolorosos da nossa história…É aqui que devemos aprender a passar da ruminação pessimista dos acontecimentos, à sua digestão optimista, ou seja, assimilação, incorporação e… adiante, que o caminho faz-se caminhando!

A ruminação dos acontecimentos encerra-nos na espiral fechada da angústia, pela repetição constante do “Porquê?! Porquê?!” E, muitas vezes, não há mesmo um “porquê”…A digestão insere-nos na espiral aberta do crescimento, pela serena luminosidade da pergunta: “Para quê?... Para quê esta situação? O que aprendo com ela, como posso crescer nela?
Auto-enroscar-se nas causas, ou abrir-se às soluções? Tenho a certeza que nem duvidas do que é melhor… E tenho a certeza que Deus nunca se ausenta nas nossas dificuldades! A maior parte das vezes costumamos é pô-lo a “jogar na equipa contrária”… Deus está por nós!!! Deus não é a causa dos acontecimentos que nos fazem mal, mas sim a saída com sucesso! Deus é em nós fonte de força e discernimento para compreendermos como lidar com todas as situações, como sair delas mais amadurecido e humanizado. Para teu bem, nunca permitas que alguém à tua frente coloque Deus como “causa do mal!” É uma mentira gravíssima, e muito difundida. Deus é o Amor Forte e Novo ao teu dispor, vinte e quatro horas por dia, para te conduzir à Vitória sobre o Mal, à Vitória sobre a Tristeza, à Vitória sobre o Absurdo. Vive-o, testemunha-o, anuncia-o!
E não te deixes ficar muito tempo prostrado! “Agarra-te nas mãos” e refaz-te sem demoras, porque ouvi dizer que “a vida são dois dias”, e às vezes levamos um para despertar! Sabes, aqui entre nós… o papel de vítima pode ser muito confortável, talvez até uma excelente desculpa para não mudarmos… mas não é certamente o caminho que conduz à “Terra Prometida que se chama Felicidade”.

Rui Santiago

domingo, 7 de outubro de 2007

Canções da minha vida


"As canções são como as mulheres: muitas nem ligamos, outras fazem-nos pensar, mas algumas ficam para sempre."

A música é uma das grandes paixões da minha vida... Desde muito novo que colecciono canções em cassetes, discos, cd´s e sobretudo na minha memória.
Há canções que ficam para sempre, são intemporais... acompanham-nos ao longo dos anos e nunca nos cansamos da sua companhia. Canções que nos falam ao coração; que nos fazem vibrar, viajar sonhar, rir, chorar...enfim, mergulhar no mais fundo de nós mesmos. Canções com as quais crescemos. Canções que vemos crescer(dentro de nós).

Uma canção é sempre diferente; depende do momento em que a ouvimos, do ambiente, do nosso estado de espírito. Há canções que iluminam espaços recônditos da alma onde se escondem os tesouros mais preciosos. Canções que foram e são a banda sonora de uma vida feita de tristeza, alegria, solidão, encontros, desencontros, paixões fugazes, amizades eternas, sonhos desfeitos e ressuscitados, derrotas, vitórias, conquistas, perdas, frustações, eternos recomeços... Canções que deixámos de ouvir por diversos motivos, mas que permanecem para sempre, como amigos fisicamente distantes que não vemos há imenso tempo, mas que estão bem perto do coração. Canções com história - a nossa história de vida ligada a essas melodias e palavras tão cumplices e cheias de significado.

Canções de outros, mas também nossas... A canção é uma dádiva. Canções que são bálsamo, terapia... Canções que resgatam um sentido perdido ou memórias tão profundas como os mistérios que nunca devem deixar de nos causar deslumbramento e espanto. Pequenos tesouros musicais que gostamos de partilhar com os nossos melhores amigos como se fossem segredos bem guardados no mais íntimo do ser.

São algumas das canções da minha vida que, a partir de hoje, vou partilhar com todos os que me visitam; para que me conheçam um pouco melhor, pois eu também sou as canções que escuto...
A minha primeira escolha recai sobre uma canção que já ouvi dezenas e dezenas de vezes, mas que me causa arrepios e uma sensação de paz interior cada vez que a escuto. É uma canção que me enche a alma!


Beth Gibbons - Mysteries



God knows how I adore life
When the wind turns on the shores lies another day
I cannot ask for more

When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine

And the moments that I enjoy
A place of love and mystery
I'll be there anytime

Oh mysteries of love
Where war is no more
I'll be there anytime

When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A voz da consciência


Duas crianças estavam a patinar num lago congelado da Alemanha. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas. De repente, o gelo quebrou-se e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou. A outra, vendo o seu amiguito preso e a congelar aos poucos, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino: "Como é que conseguiste fazer isso? É impossível que tenhas conseguido quebrar o gelo, sendo tu tão pequeno e com umas mãos tão frágeis!" Nesse instante, o génio Albert Einstein passava pelo local e comentou: "Eu sei como ele conseguiu." Todos perguntaram: "Pode dizer-nos como?". " É simples", respondeu Einstein, "Não havia ninguém por perto para lhe dizer que não seria capaz." "Deus fez-nos perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos. "Fazer ou não fazer algo, só depende da nossa vontade e perseverança. (Albert Einstein)

Conclusão: "Preocupa-te mais com a tua consciência do que com tua reputação, porque a tua consciência é o que tu és, e a tua reputação é o que os outros pensam de ti. E o que os outros pensam, é problema deles."

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Porque gritamos?


Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: - Por é que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma - disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao nosso lado? Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, respondeu outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar: - Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?
O facto é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, os seus corações afastam-se muito. Para diminuir esta distância precisam de gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos os seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem.
É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui, dizendo:- Quando discutirem, não deixem que os vossos corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.


domingo, 30 de setembro de 2007

O que é o amor... visto pelas crianças


Tenho o hábito de navegar pela blogsfera. Praticamente todas as semanas sou abençoado com a descoberta de novas pérolas de sabedoria que vou guardando na minha caixinha dos favoritos e linkando nos meus blogs. A semana passada, fiz uma das melhores descobertas dos últimos meses: encontrei um blog recheado de pérolas de sabedoria! O nome do blog não podia ser mais adequado: Pérolas de Sabedoria! O link é:http://perolasdesabedoria.blogspot.com/

Neste blog, encontrei coisas maravilhosas. Para hoje, escolhi um texto que fala sobre o amor visto pelos olhos e sentido pelo coração das crianças. Várias crianças descrevem o que é para elas o amor. São descrições/ definições encantadoras, enternecedoras. Nunca me deixo de espantar e encantar com a espontaneidade, pureza, simplicidade, sinceridade, alegria, transparência, inocência e sabedoria das crianças.

Para mim, estão aqui reunidas algumas das melhores descrições do amor que já tive oportunidade de ler.


“Amor é quando alguém te magoa, e tu, mesmo muito magoado, não gritas porque sabes que isso vai ferir os sentimentos da outra pessoa.”

“Quando a minha avó ficou com artrite, e deixou de poder dobrar-se para pintar as unhas dos pés, o meu avô passou a pintar as unhas dela, apesar dele também ter muita artrite.”

“Amor é quando uma menina põe perfume e o menino põe loção pós-barba, depois saiem juntos e se cheiram um ao outro.”

“Eu sei que a minha irmã mais velha me ama porque ela dá-me todas as suas roupas velhas e tem que sair para comprar outras.”

“Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são muito amigos, apesar de se conhecerem há muito tempo.”

“Quando alguém te ama, a forma de dizer o teu nome é diferente...”

“Amor é quando sais para comer e ofereces as tuas batatinhas fritas sem esperar que a outra pessoa te ofereça as batatinhas dela.”

“Amor é quando a minha mãe faz café para o meu pai e toma um gole antes, para ter a certeza que está ao gosto dele.”

“Amor é quem está com a gente no Natal.”

“Se queres aprender a amar melhor, deves começar com um amigo de quem não gostas.”

“Quando contas a alguém alguma coisa feia sobre ti próprio, e ficas com medo que essa pessoa por causa disso deixe de gostar de ti, aí ficas mesmo surpreendido, que descobres que não só te continuam amando, como ainda te amam mais!”

“Há dois tipos de amor: o nosso amor e o amor de Deus. Mas o amor de Deus consegue juntar os dois.”

“Amor é quando a nossa mãe vê o nosso pai chegar suado e mal cheiroso e ainda diz que ele é mais bonito que o Robert Redford.”

“Durante a minha apresentação de piano, eu vi o meu pai na plateia, acenando-me e sorrindo. Era a única pessoa que fazia isso, e eu não sentia medo.”

“Amor é quando dizes a um rapaz que a camisa que ele usa é muito bonita, e ele a veste todos os dias.”

“Não deveríamos dizer amo-te a não ser quando realmente o sentimos. E se sentimos, então devíamos dizê-lo muitas vezes. As pessoas esquecem-se de o dizer.”

“Quando amas alguém, os teus olhos sobem e descem, e pequenas estrelas saem de ti!“

"Amor é quando o teu cão te lambe a cara, mesmo depois de o teres deixado sozinho o dia inteiro."

Fonte:http://perolasdesabedoria.blogpsot.com/



quarta-feira, 26 de setembro de 2007

INSISTIR, NUNCA DESISTIR!



O Verão não fora particularmente quente; mas, naquele dia o calor era intenso, quase excessivo. Depois de uma árdua semana de trabalho, subimos a serra a caminho do nosso cantinho predilecto, sedentos de repouso, paz, silêncio, tranquilidade... Sentámo-nos sobre a relva e inspirámos lentamente o ar puro que nos purificou os pulmões. Uma brisa fresca e ligeira acaricou os nossos corpos cansados. À nossa volta, as majestosas montanhas inspiravam-me sentimentos de humildade e reverência. Por entre a folhagem das árvores, penetravam raios de uma luz pura e sedosa. Não tínhamos pressa. O tempo parecia não existir.

À nossa frente, um casal com dois filhos pequenos. Pai e filho(com os seus 8 ou 9 anos) jogavam com raquetes de badminton. O prazer, a alegria e o entusiasmo com que se entregavam ao jogo prenderam a minha atenção. Vi no pai uma criança cheia de entusiasmo, vivacidade e contentamento. Cada vez que o filho acertava na "bola" ou fazia uma boa jogada, o pai expressava o seu contentamento e satisfação: "Boa!", "Boa, filho!". Quando o filho falhava, o pai corrigia-o com bondade, sabedoria e paciência; ensinando-o a postura correcta, os movimentos adequados, de modo a ser mais certeiro e eficaz. E depois repetia invariavelmente: "INSISTIR, NUNCA DESISTIR!". E o menino voltava a tentar uma e outra vez; e sempre que falhava ouvia o pai repetir: "INSISTIR, NUNCA DESISTIR!".

O menino insistia, empenhava-se; corria mais, saltava mais alto, corrigia a postura, aprimorava os gestos técnicos. Nos olhos do pai eu via um brilho de orgulho e satisfação: "BOA!" , "BOA, FILHO!" , "É preciso INSISTIR, NUNCA DESISTIR!".

Estas palavras de encorajamento, estímulo e incentivo ainda ecoam na minha mente. Costumo escutá-las nos momentos em que me sinto vacilar ou com falta de confiança diante de certos obstáculos. Quando sinto o desânimo a ganhar forças, o cansaço a querer derrubar-me, o medo a tentar conquistar terreno na minha mente, uma voz interior diz-me:" INSISTIR, NUNCA DESISTIR!".
E eu insisto, luto, faço, ajo, arrisco... Quando acerto, oiço a voz interior: "Boa!", "Boa, filho!". Quando tento, mas falho, oiço: "Boa!", "Boa, filho!" , "É preciso INSISTIR, NUNCA DESISTIR!".
Acredito que aquele menino jamais esquecerá as palavras do pai. Quando crescer e se deparar com os obstáculos da vida será forte e corajoso; superará muitos obstáculos e ouvirá o pai dizer:"BOA!" , "BOA, FILHO!". Cada vez que errar ou fracassar, levantará a cabeça e ouvirá uma voz dentro de si: "É preciso INSISTIR, NUNCA DESISTIR!".

domingo, 23 de setembro de 2007

Pérolas de sabedoria de Augusto Cury



Augusto Jorge Cury é médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor. Pós-graduado em Psicologia Social, desenvolveu a teoria da Inteligência Multifocal, sobre o funcionamento da mente e o processo de construção do pensamento.
É pesquisador na área de qualidade de vida e desenvolvimento da inteligência, abordando a natureza, a construção e a dinâmica da emoção e dos pensamentos.
Desenvolve em Espanha pesquisa em Ciências da Educação na área de qualidade de vida.
Os seus livros já venderam milhões de exemplares, destacando-se: "A Saga de um pensador", "Nunca desista dos seus sonhos", "A ditadura da beleza e a revolução das mulheres", "Pais brilhantes, professores fascinantes", "Filhos brilhantes, alunos fascinantes".

Publicado em mais de 40 países, Cury foi conferencista no 13° Congresso Internacional sobre Intolerância e Discriminação da Universidade BYU, nos Estados Unidos. É doutor honoris causa pela UNIFIL (Centro Universitário Filadélfia, em Londrina) e membro de honra da Academia de Sobredotados do Instituto da Inteligência, no Porto.
Além disso, ele é director da Escola de Inteligência, instituto que promove a formação de psicólogos, educadores e do público em geral. Também na área educacional contribuiu com novos métodos e dinâmicas que tornam o ensino mais criativo e menos stressante.



quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Recado de JESUS aos Corações amedrontados

Este post merece uma introdução condigna.

Hoje, pela primeira vez, publico o mesmo post, em simultâneo, nos meus dois blogs. O objectivo é que o maior número de pessoas possível tenha acesso a este texto.
Há pessoas que visitam regularmente os meus dois blogs; outros que visitam apenas este, ou o Conhecer e seguir jesus. Também há os que visitam os meus blogs e o do autor do texto que irei transcrever e que, por essa razão, provavelmente já leram o texto. Mas, será sempre proveitoso rele-lo, estou certo.
Desejo que todos os que me visitam sintam vontade de ler este texto; crentes, não crentes, ateus, agnósticos, pessoas de diferentes religiões e credos (o texto é dirigido a todos). Desejo que o título do post não gere preconceitos ou desinteresse por parte dos que não crêem. Desejo que abram os vossos corações e recebam as palavras sábias e profundas escritas pelo meu caro amigo Rui Santiago, do blog: Derrotar montanhas( visitem-no sem demora).
Estou convicto que depois de lerem o texto sentirão a vossa alma mais leve, engrandecida, enriquecida, fortalecida, serena, grata( bem, já chega de adjectivos eloquentes)... E o vosso coração? Provavelmente, sentirá uma irresistível vontade de voar acima dos medos e entregar-se à liberdade suprema de um amor incondicional.
Boa leitura!


Recado de JESUS aos Corações amedrontados

Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas as cores com que se pintariam os teus dias! Se percebesses de uma vez por todas o teu verdadeiro tamanho, assim como eu próprio te vejo, e o lugar que ocupas no Coração do meu Pai, aprenderias de novo a dançar e a cantar como nos tempos de criança. Mas não dançarias mais como criança… Dançarias como fazem os Sábios de todos os tempos, cantarias como eles, sentirias o teu íntimo em Festa num sereno baile de Alegria e Paz…

Se tu soubesses do que és capaz, deixarias de fechar-te em ti próprio, e eu daria largas ao teu Coração, far-te-ia levantar voo acima dos teus medos, das tuas tristezas e das tuas desistências…

Deixa-me mostrar-te do que és capaz…

Todos os que dão crédito às minhas palavras, lentamente vão percebendo que não lhes minto! Dentro deles o Espírito Santo começa a fazer maravilhas, e eles sentem… Pouco a pouco, vão até aprendendo a colaborar com Ele, vão-lhe aprendendo os ritmos e percebendo os sinais… E, até hoje, nunca nenhum se sentiu defraudado em relação àquilo que lhe prometi! Bem pelo contrário…

Deixa-me mostrar-te do que és capaz…

Sou capaz de ensinar-te como se olha verdadeiramente para a Vida, para a História, para as Pessoas, e para os Desafios que tudo isto traz consigo! Sou capaz de libertar-te das forças autodestrutivas que às vezes ainda te minam o Coração: o ressentimento, o medo, a frustração, a impaciência, a desistência, a vingança, o desânimo…

Se tu soubesses do que és capaz adorarias voltar a ver-te ao espelho, e perceberias que tinhas renascido. Estas coisas escrevem-se-nos no rosto e nos olhos…

Lembras-te da quantidade enorme de desafios complicados que já venceste? São tantos, não são?!

Lembras-te de quantas vezes já pensaste “Desta não saio! Isto é demais! Nunca vou ultrapassar isto!”? Lembras-te?

Eu lembro-me bem, porque estive sempre contigo! Já vencemos juntos tantas coisas… E tudo isto, em vez de te fazer forte, muitas vezes só tem servido para complicares a Vida ainda mais por causa do passado e te assustares diante do rosto feio de alguns dias.

Por isso é que hoje tinha que falar-te assim, e andei às voltas a tentar arranjar uma maneira de o fazer! Porque quero muito que aprendas a olhar para ti como eu próprio te vejo!

Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas como os teus pés se tornariam ligeiros, as tuas pernas fortes, os teus braços vigorosos, o teu peito invencível, a tua cabeça inquebrável, o teu rosto terno, os teus olhos atentos…

Deixa-me mostrar-te do que és capaz!

Não perceberás tudo hoje, nem amanhã ainda… Mas começa hoje! Deixa-me mostrar-te do que és capaz…

Dentro de ti, quero ensinar-te a ver cada coisa com o seu real tamanho e valor, porque às vezes vês grandes demais problemas pequenos, e não prestas atenção a grandes maravilhas… Como tu!

Quando aprenderás a olhar para ti como se contempla uma maravilha? Quando aprenderás a ver-te como eu te vejo?

Não te olho à procura de perfeições, não existe em mim qualquer moralismo, não te exijo que sejas diferente do que és para gostar de ti e para me encantar ao olhar-te. Basta-me que sejas assim como és. Não compliques…

Se tu soubesses do que és capaz, tirarias finalmente muitos projectos da gaveta do teu Coração e darias passos que antes julgavas maiores do que as pernas. Porque se tu soubesses do que és capaz, as tuas pernas cresceriam…

Rui Santiago, Derrotar montanhas

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Raquel

Como o texto anterior escrito pelo Pedro Paixão foi apreciado por muitos leitores; hoje, vou publicar mais uma pequena história deste escritor. É um texto sobre as recordações duma paixão vivida entre dois adolescentes. Uma paixão vivida com intensidade, inocência, insensatez, irresponsabilidade, magia, aventura, ousadia... Podia ser paixão ou amor; mas só esse sentimento os unia e importava, tudo o resto era secundário, quase supérfluo e irrelevante ..."O amor era urgente e o mundo inteiro feito de nós dois."

Os corrimãos, as costas doridas, as caixas de correio cheias de publicidade e o cheiro a cabelos, lembro-me bem. Éramos novos, não tínhamos nada ou então tínhamos tudo porque nada nos faltava. Não tínhamos casa para onde ir, nem cama onde dormir, nem mesa onde comer. Pouco importava. O amor era urgente e o mundo inteiro feito de nós dois.
Dormíamos muito agarrados em bancos de jardins, enroscados em vãos de escadas que tremiam e se arrepiavam com os nossos corpos. Poucas vezes nos estendemos em camas de reles quartos de pensões que nos faziam rir antes do nosso sangue, tão espesso e tão quente, nos sufocar. Não tínhamos dinheiro ou muito pouco. Pedíamos uma cerveja para os dois e ficávamos até baixarem as luzes e o empregado vir dizer que tínhamos de sair. Se um de nós adormecia de cansaço, a cabeça em cima dos braços cruzados sobre o tampo da mesa, o outro ficava de guarda, como um anjo. Éramos novos e não havia outra maneira. De três em três dias íamos a casa dos nossos pais, apontando para as horas em que eles não estavam, tomar banho, mudar de roupa e roubar chocolates e bolachas e depois voltávamos para as ruas, para as escadas, para o calor.
Quem chegava atrasado era punido com beijos. Os nossos pais não percebiam, destruíam-nos a cabeça cada vez que nos apanhavam. Discutíamos alto e depois fugíamos batendo a porta atrás de nós, um livro no bolso para ler um ao outro debaixo de uma lãmpada qualquer.
O tempo foi clemente, as escadas sossegadas, nos jardins os passadores de drogas ignoravam-nos. Ninguém nos surpreendeu no escuro de um vão de escadas, embora houvesse momentos de perigo, que faziam bater tão alto o coração que parecia inevitável trair-nos e, por milagre, só nós ouvíamos. Não fomos atacados, roubados, violados. Nada de mal nos aconteceu, nem medo tínhamos. O mundo inteiro era feito de nós dois e era o bastante. O amor era a única coisa urgente, tudo o resto era adiado, não importava, ficava para depois. As aulas, os testes, tudo o que antes fazia uma vida, e não era. Se quiseres não acredites. Por vezes também não acredito. Mas foi mesmo verdade. Foram meses de uma primavera que passou. E se ainda acontece falarmos ao telefone, nenhum de nós fala sobre isso, como se tivéssemos vergonha de ter sido assim. Se quiseres saber mais pergunta-lhe a ela, a mim não. Chama-se Raquel e não mora longe daqui.

Pedro Paixão, em "Nos teus braços morreríamos"

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Dois homens a chorar num restaurante de luxo

Pedro Paixão é um dos meus escritores preferidos. Já perdi a conta das vezes que li este texto. Eu que já senti tantas vezes "aquela dor que bate quando quer", e por isso sinto uma empatia profunda por estes dois homens sensíveis sentados à mesa de um restaurante, presos à nostalgia de um amor grandioso e profundamente doloroso.

Escolhemos uma mesa junto à janela e pedimos cherne grelhado.
Há quatro meses que não nos vemos, cada um com os seus problemas, ele a refazer uma empresa, eu a curar-me de ti. Claro que de ti não falo, porque não temos intimidade para isso e porque falar de ti é arriscar-me a reavivar a ferida, a dor que hoje ainda não senti. Por isso nem minto quando digo que já estive mal e que hoje estou bem. Mas, de repente, o meu amigo, o meu novo amigo, sem que pareça vir a propósito, começa a falar de um amor antigo e que não passa, um amor excessivo como o nosso e eu fico preso às palavras que me diz sem cuidar de mais nada.
Como é possível que outros tenham sentido o que eu senti? É um escândalo. Eu digo-lhe que o meu interesse é puramente literário mas que por favor não pare. Há pormenores, detalhes que são uma réplica perfeita do que fomos, coisas sem importãncia que guardamos como tesouros. Olhamo-nos fixamente nos olhos como se um do outro aguardássemos uma resposta a qualquer coisa que não saberíamos pôr por palavras, naúfragos sem desejar salvação. E enquanto ele me conta devagar, com todos os cuidados - é imperioso que nada falte - a despedida, o último abraço, a voz embarga-se-lhe, vêm-lhe lágrimas aos olhos e depois sorri. Também eu sinto os olhos húmidos, uma vontade de o abraçar, de o proteger, embora ambos saibamos que não há maneira de afastar para longe aquela dor que bate quando quer.
Pagamos a conta e saímos, seguindo calados pelas ruas cheias de um sol sem compaixão. Uma montra lembra-nos com malvada ironia que vem aí o dia dos namorados. Deixo-o à porta do escritório onde nos abraçamos pela primeira vez e continuo em frente sem me perguntar para onde.

Pedro Paixão, em "Amor Portátil"

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A Dádiva mais preciosa



A vida é tão preciosa... e tão bela. Basta escutar o pulsar radiante do coração do novo dia que nasce no horizonte da esperança. Basta inebriar-me com o doce e suave aroma do teu sorriso que desperta pela manhã todos os sonhos que enterrei antes de te conhecer. Basta-me o teu coração como abrigo e os teus braços sempre abertos para me acolher quando as tempestades da alma obscurecem o horizonte da fé e o sol da alegria esconde-se por detrás de nuvens passageiras de dúvidas e medos opressores. Basta a recordação da melodia divina de um pássaro sonhado nas manhãs de uma qualquer primavera da nossa pura inocência. Basta a tua mão entrelaçada na minha a dizer-me que me levantarás sempre que cair e que me perdoarás todos os infortunios das minhas imperfeições.

A vida é um dom. O amor também é um dom. Não amamos porque queremos. Não amamos porque desejamos desesperadamente amar. Amamos porque nos foi concedida essa dádiva maravilhosa, que precisamos cultivar, cuidar, tratar, vigiar, proteger... Tens de dar a tua dádiva para que ela cresça em ti. Tens de dar o teu amor para que ele viva e se renove. Essa dádiva única e preciosa tem de ser compartilhada se quiseres que ela permaneça contigo. Quanto mais deres, mais terás. Sentirás uma alegria inexprimível por partilhares a tua dádiva, mesmo que não recebas nada em troca. Não esperes receber algo em troca para alimentar o teu dom de amar. Acima de tudo preserva a tua dádiva de amor como um tesouro a ser compartilhado diariamente.

Se alguém chora, vai e oferece-lhe a tua dádiva de amor.
Se alguém sofre, vai e oferece-lhe o consolo e conforto do teu dom de amor.
Se alguém está só, vai e oferece-lhe o abrigo do teu coração onde habita a tua dádiva de amor.
Se alguém tem fome, vai e partilha o teu tesouro.
Se alguém desconhece esta dádiva, vai e mostra-lhe que ela existe dentro de cada um de nós.
Se alguém perdeu a esperança, vai e leva-lhe a dádiva de luz que trazes dentro de ti.
Se alguém grita de dor, vai e leva-lhe o silêncio sagrado da tua dádiva.
Se alguém está doente, vai e leva-lhe o conforto da tua presença luminosa.
Se alguém se sente culpado, vai e leva-lhe o poder libertador da tua dádiva.
Se alguém se sente rejeitado, vai e acolhe-o no seio da tua dádiva de amor.

A vida é tão preciosa... O melhor da vida? Este dom gratuito que faz pulsar o coração e é a essência da vida. Ou como alguém muito apaixonado disse: "A vida é a visão do Infinito, de todas as possibilidades e realizações que o amor pode trazer(...) Um homem só pode entregar-se nas mãos de alguém quando o amor é tão grande que o resultado dessa entrega é a liberdade total". Não se pressupõe a existência do amor sem liberdade. Liberdade para ser, para se reinventar, para romper com preconceitos, para superar falsos limites, para enfrentrar todos os medos, para se transformar em luz que ilumina, inspira, cativa, estimula, edifica...