segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

É assim que te quero...


É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda

domingo, 16 de dezembro de 2007

Transformados pelo Poder do Amor


« Quando as pessoas realmente amam, experimentam muito mais do que apenas a necessidade de companhia e aconchego mútuos. Na sua relação com o outro, tornam-se pessoas diferentes: são mais do que de costume, mais vivas, mais compreensivas, mais pacientes, mais resistentes... São refeitas como seres novos. Transformadas pelo poder do seu amor.

O amor é a revelação do nosso sentido, valor e identidade pessoais mais profundos. Mas esta revelação é impossível enquanto formos prisioneiros do nosso egoísmo. Não posso encontrar-me em mim mesmo, mas só no outro. O meu verdadeiro sentido e valor são-me mostrados não na avaliação que faço de mim mesmo, mas nos olhos de quem me ama; e este deve amar-me como sou, com as minhas falhas e limitações, revelando-me a verdade de que essas falhas e limitações não podem destruir o meu valor aos olhos daquele que me ama; e que sou, portanto, valioso como pessoa, a despeito das minhas falhas, a despeito das imperfeições do meu “pacote” exterior.
O pacote é totalmente irrelevante. O que importa é essa mensagem infinitamente preciosa que só posso descobrir no meu amor por outra pessoa. E essa mensagem, esse segredo, só me é plenamente revelado se, ao mesmo tempo, eu for capaz de ver e entender o valor singular e misterioso daquele que amo.» - Thomas Merton, em "Amor e Vida"

«O amor não é só uma maneira especial de estar vivo: é a perfeição da vida. Aquele que ama está mais vivo e é mais real do que quando não amava.» - Thomas Merton, em "Amor e Vida"

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Sentido da Vida Revelado no Amor


« O amor é o nosso verdadeiro destino. Não encontramos o sentido da vida sozinhos, e sim com outro. Não descobrimos o segredo das nossas vidas apenas por meio de estudo e de cálculo em nossas meditações isoladas. O sentido da nossa vida é um segredo que nos tem de ser revelado no amor, por aquele que amamos. E, se esse amor for irreal, o segredo não será encontrado, o sentido jamais se revelará, a mensagem jamais será decodificada. No melhor dos casos, receberemos uma mensagem confusa e parcial, que nos enganará e confundirá. Só seremos plenamente reais quando nos permitir-nos amar — seja uma pessoa humana ou Deus.» -Thomas Merton, em "O Amor e a Vida" (os grifos são meus)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Aprender Quem Somos

« A vida consiste em aprender a viver de maneira autónoma, espontânea e livre: para isso é preciso reconhecer-se a si mesmo – estar familiarizado e à vontade consigo mesmo. Isso significa, basicamente, aprender quem somos e aprender o que temos para oferecer ao mundo contemporâneo e, depois, aprender como fazer para que essa oferta seja válida.
A finalidade da educação é mostrar a uma pessoa como se definir autêntica e espontaneamente em relação ao seu mundo – não é impor uma definição pré-fabricada do mundo e, menos ainda, uma definição arbitrária do próprio indivíduo.
O mundo é feito de pessoas que estão plenamente vivas dentro dele: isto é, de pessoas que podem ser elas mesmas nele e podem nele estabelecer umas com as outras uma relação viva e frutífera. O mundo, portanto, é mais real na proporção em que as pessoas nele são capazes de ser mais plenamente e mais humanamente vivas: isto é, mais capazes de fazer um uso consciente e lúcido de sua liberdade. Basicamente, essa liberdade deve consistir, antes de tudo, na capacidade de escolherem as suas próprias vidas, de se encontrarem no nível mais profundo possível. Uma liberdade superficial de vagar sem destino, ora aqui, ora ali, de experimentar isto e aquilo, de fazer uma escolha de distrações (…) é simplesmente um simulacro. Pretende ser uma liberdade de “escolha” ao passo que se esquiva da tarefa básica de descobrir quem é que escolhe. Não é livre porque não está querendo enfrentar o risco da autodescoberta.» - Thomas Merton, em "Amor e Vida" ( os grifos são meus)

domingo, 9 de dezembro de 2007

Para ti, meu anjo

«Para o meu coração basta teu peito
para a tua liberdade bastam minhas asas.
Desde a minha boca chegará até ao céu
o que estava dormindo sobre a tua alma.»

Pablo Neruda




Cowboy Junkies - «Angel Mine»



He searched for those wings that he knew
that this angel should have at her back
And although he can't find them
he really don't mind'cause he knows they'll grow back
And he reached for that halo that he knows
that she had when she first caught his eye
Although his hand came back empty
he's really not worried'cause he knows it still shines

I can't promise that I'll grow those wings
or keep this tarnished halo shined
but I'll never betray your trust
angel mine

I search all the time on the ground
for our shadows cast side by side
Just to remind me that I haven't gone crazy
that you exist and are mine
And I know that your skin is as warm and as real
as that smile in your eyes
But I have to keep touching and smelling
and tasting for fear it's all lies

I can't promise that I'll grow those wings
or keep this tarnished halo shined
but I'll never betray your trust
angel mine

Last night I awoke from the deepest of sleeps
with your voice in my head
And I could tell by your breathing
that you were still sleeping
I repeated those words that you had said

I can't promise that I'll grow those wings
or keep this tarnished halo shined
but I'll never betray your trust
angel mine

sábado, 8 de dezembro de 2007

Antes de amar-te


Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

Pablo Neruda

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Oração de Gandhi



"Senhor, ajuda-me a dizer a verdade
diante dos fortes e a não dizer mentiras para
ganhar o aplauso dos fracos.
Se me dás fortuna, não me tires a razão.
Se me dás sucesso, não me tires a humildade.
Se me dás humildade, não me tires a dignidade.
Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda.
Não me deixes acusar o outro
por traição aos demais, apenas por não pensar igual a mim.
Ensina-me a amar os outros como a mim mesmo.
Não deixes que me torne orgulhoso, se triunfo;
nem cair em desespero se fracasso.
Mas recorda-me que o fracasso
é a experiência que precede o triunfo.
Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza
e que a vingança é um sinal de baixeza.
Se não me deres o êxito,
dá-me forças para aprender com o fracasso.
Se eu ofender as pessoas,
dá-me coragem para desculpar-me.
E se as pessoas me ofenderem,
dá-me grandeza para perdoar-lhes.
Senhor, se eu me esquecer de Ti,
nunca Te esqueças de mim."

(in, Voz Portucalense, 12 Setembro)
Fonte: Setop

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Quando Há Fé

Quando a fé no peito se instala
Abrem-se as torneiras dos olhos
Erguem-se as cortinas da alma
O canto bom perfume exala

E o pensamento cria asas
Os pés do sentimento têm rodas
Pra rolar por entre os caminhos
Pra pisar num chão feito em brasas

Quando a fé no peito se instala
Tudo o mais se faz tão pequeno
As agruras tornam-se em provas
Coração se aquieta sereno

E a vida volta a ser vivida
No compasso das estrelas
Das marés das correntezas
De esperanças renascidas

domingo, 2 de dezembro de 2007

Para reflectir...

"A simplicidade é o esquecimento de si, do seu orgulho e do seu medo: é quietude contra inquietude, alegria contra preocupação, ligeireza contra seriedade, espontaneidade contra reflexão, amor contra amor próprio, verdade contra pretensão..." (André Comte-Sponville em Pequeno Tratado das Grandes Virtudes).



"A coragem encara o medo e, portanto, dele se assenhora. A covardia reprime o medo e, portanto, dele se torna escravo. Homens corajosos nunca perderam o elã pela vida mesmo que a situação que vivam seja sem brilho; covardemente, homens esmagados pelas incertezas da vida, perdem o desejo de viver. Devemos constantemente erguer diques de coragem para conter as inundações do medo". (Martin Luther King Jr.)



“A essência da religião não consiste na satisfação de uma necessidade humana, enquanto o homem enxergar a religião como a fonte das suas próprias necessidades, não é a Deus que ele serve, mas a si mesmo” (Abraham Joshua Heschel).


sábado, 1 de dezembro de 2007

A maior solidão


Qual é a maior de todas as solidões? O Vinicius de Moraes fez essa pergunta, e ele mesmo a respondeu. O inferno não é o outro, o inferno é a ausência do outro – especialmente do grande Outro. «...a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflecte. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o património de todos, e, encerrado no seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.»

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O Inferno

«O inferno é o endurecimento de uma pessoa no mal. É portanto um estado do homem e não um lugar para o qual o pecador é lançado onde há fogo, diabinhos com enormes garfos a assar os condenados sobre grelhas. Tais imagens são de mau gosto e de morbidez religiosa. Inferno é um estado do homem, que se identificou com sua situação egoísta, que se petrificou em sua decisão de só pensar em si e em suas coisas e não nos outros e em Deus. É alguém que disse um não tão decisivo que não quer e não pode mais dizer um sim.» - Leonardo Boff

terça-feira, 27 de novembro de 2007

O amor egoísta

«O amor egoísta raramente respeita o direito do amado a ser uma pessoa autónoma. Longe de respeitar o verdadeiro ser do outro e permitir à sua personalidade que cresça e se expanda conforme a sua original expressão, esse amor procura guardá-lo em sujeição. Insiste em que ele se conforme a nós e ainda se esforça de todos os modos para o conseguir.
Um amor interesseiro definha e morre se não é alimentado pela atenção do amado. Quando amamos assim, os nossos amigos só existem para que os possamos amar. Amando-os, o que procuramos é domesticá-los e guardá-los como coisas nossas. A esse amor, o que mais amedronta é a emancipação do amado. Ele exige-lhe a sujeição, indispensável à sua existência.»- Thomas Merton, em "Homem algum é uma ilha"

domingo, 25 de novembro de 2007

Fico sempre desconfiado

"Fico sempre desconfiado de livros e artigos que nos dizem 'Mude uma só coisa na sua vida e a felicidade será sua', seja nos hábitos alimentares, seja no trabalho, ou na maneira de nos relacionarmos com nossos maridos ou mulheres. A vida é muito complicada para que a mudança de uma variável faça tanta diferença. Mas, quanto mais eu, como religioso lido com os problemas das pessoas, e quanto mais eu, como marido, filho, pai, irmão e amigo, aprendo a olhar para a minha própria vida honestamente, mais convencido fico de que uma explicação para muito desses sofrimentos poderia estar nesta noção errónea: temos que ser perfeitos para sermos amados pelas pessoas e perdemos esse amor se, alguma vez ficarmos aquém da perfeição. Há poucas emoções mais capazes de nos deixar mal em relação a nós mesmos do que a convicção de que não merecemos ser amados. E poucas coisas são mais decisivas para gerar essa convicção do que a idéia de que toda vez que fazemos algo de errado damos a Deus, e às pessoas mais achegadas a nós, razões para não nos amarem". (Harold Kushner, em "O quanto é preciso ser bom?").

sábado, 24 de novembro de 2007

Para reflectir...

Inpiração e Persistência


«O anjo inspirador só concede sua graça quando o bater de suas asas encontra o suor da face, e a inspiração provém da persistência e do detalhe. A bênção dos céus paira sobre os que perseveram.» - (Amós Oz)


Não te irrites


«Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e subtil recreio...» (Mário Quintana)


A quem devemos temer


«Nunca devemos ter medo de ladrões ou assassinos. São perigos externos e os menores que existem. Temamos a nós mesmos.Os preconceitos é que são os ladrões; os vícios é que são os assassinos. Os grandes perigos estão dentro de nós. Que importância tem aquele que ameaça a nossa vida ou a nossa fortuna? Preocupemo-nos com o que põe em perigo a nossa alma. (Victor Hugo em "Os Miseráveis").


segunda-feira, 19 de novembro de 2007

A Inveja começa nos olhos



«A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!» - Mateus 6; 22, 23

"Inveja é precisamente isto: uma doença dos olhos, uma perturbação dos seus movimentos (do latim invidere), que faz com que eles contemplem as coisas boas que o outro tem e que, ao voltar de sua viagem pela abundância do outro; destruam com desprezo todas as boas coisas que lhes são dadas. E eles ficam incapazes de ver com prazer aquilo que possuem." (Rubem Alves - Um mundo num grão de areia - Verus Editora)

A Inveja e o Progresso

"Os especialistas sabem que, se não tivermos inveja, se encontrarmos felicidade nas coisas que possuímos, seremos mais felizes e, por isso, trabalharemos menos e compraremos menos. O que é mau para o progresso. Por isso, é preciso que os nossos olhos fiquem doentes, que eles dancem a dança terrível que vai do que o outro tem e àquilo que temos. É preciso que sejamos infelizes. Quem tem inveja trabalha mais". (Rubem Alves - Um mundo num grão de areia - Verus Editora).




domingo, 18 de novembro de 2007

Canções da minha vida III


Esta é provavelmente uma das melhores canções pop jamais escritas por uma das melhores bandas de sempre. É um clássico. Para mim, é uma música que acompanhou muitos momentos críticos e sofridos da minha adolescência. Hoje tem, obviamente, um significado diferente do que tinha há 10-15 anos atrás. Continua a ser uma canção melancólica e que me causa alguma nostalgia; mas, agora eu sinto que ela também transmite esperança e que há luminosidade na melodia e nas palavras.

Ainda há pouco estive a ouvi-la e confesso que me arrepiei e comovi profundamente... A voz de Morrissey é única, especial... a melodia é soberba... a letra aviva-me na memória muitas recordações de um tempo de solidão, descobertas, buscas, poesia, paixões de adolescente, tardes de melancolia... Esta é daquelas músicas que ficam para sempre gravadas no coração, e em cujas palavras descobrimos novos caminhos e significados.

Há uma luz que nunca se apaga... que nos guia e nos conduz à nossa verdadeira casa onde nos sentimos verdadeiramente amados... onde nos encontramos com o que somos destinados a ser.
The Smiths - "There is a light that never goes out"



Take me out tonight
Where there's music and there's people
Who are young and alive
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one anymore

Take me out tonight
Because I want to see people
And I want to see life
Driving in your car
Oh please don't drop me home
Because it's not my home, it's their home
And I'm welcome no more

And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well the pleasure, the privilege is mine

Take me out tonight
Take me anywhere, I don't care
I don't care, I don't care
And in the darkened underpass
I thought Oh God, my chance has come at last
But then a strange fear gripped me
And I just couldn't ask

Take me out tonight
Oh take me anywhere, I don't care
I don't care, I don't care
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one
No, I haven't got one

And if a double-decker bus
Crashes in to us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well the pleasure, the privilege is mine

There is a light that never goes out
There is a light that never goes out
There is a light that never goes out
There is a light that never goes out

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Deus entre as pessoas

«Quando perguntavam a Martin Buber - o grande filósofo e teólogo judeu - "Onde Deus está?", ele foi suficientemente esperto para não dar a resposta estereotipada: Deus está em toda parte, Deus é encontrado nas igrejas e sinagogas.
Buber respondia que Deus está nos relacionamentos. Deus não é encontrado nas pessoas, mas entre as pessoas. Quando duas pessoas estão verdadeiramente em sintonia uma com a outra, Deus se aproxima e preenche o espaço entre elas para que fiquem unidas. Tanto o amor quanto a verdadeira amizade são mais do que apenas uma forma de saber que somos importantes para alguém. Eles são uma maneira de levar Deus para um mundo que, de outro modo, seria um vale de egoísmo e solidão.» -Harold Kushner

Fonte:Ricardo Gondim

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Uma religião que não vale a pena

Ora aqui está uma visão realista, inteligente e pertinente sobre a religião; mais concretamente, sobre a falsa religião que, infelizmente, continua a conquistar muitos adeptos.


É uma religião que, uma vez aceite, não torna ninguém melhor do que era.
É uma religião que permite distanciar-se da virtude, dando uma falsa segurança que os eleitos estarão seguros em seu pecado.
É uma religião que gera um clima de culpa, nunca plenamente expiada.
É uma religião que elege pessoas humanas para serem seus representantes diante da Divindade; fora eles, ninguém mais tem acesso a Deus.
É uma religião que valoriza a técnica de como obter o favor de Deus mais que a gratuidade do seu amor.
É uma religião que reforça o egocentrismo e não a busca da justiça.
É uma religião que se pratica ocasionalmente; não é uma filosofia de vida.

domingo, 11 de novembro de 2007

Procuram-se amigos

Encontrei este texto no blog Metanoia e decidi postá-lo quase na íntegra. Creio que o autor partilha alguns bons conceitos de amizade com os quais me identifico.

Mesmo com tantas decepções insisto em garimpar bons amigos.
Quero ser amigo de quem valorize a lealdade.
Mesmo depois que a ditadura militar libertou o meu pai,
o estigma de “subversivo” grudou-se nele.
Um dia papai contou-me, com lágrimas nos olhos,
que os seus antigos colegas da Aeronáutica
desciam a calçada para não se verem obrigados a cumprimentarem-no publicamente.
Ainda guardo esse trauma e, sinceramente, não consigo lidar com amizades que só se mantêm por causa de conveniências, qualquer uma.
Quero acreditar em amizades que não se intimidam com censuras,
que não retrocedem diante do perigo
e que não abandonam na hora do apedrejamento.
Amigos não desertam.
Quero ser amigo de quem não precise me proteger
e que não tenha medo de mim.
Não creio em companheirismos repletos de suspeitas.
Os grandes amigos são vulneráveis.
Conversam sem se policiar, rasgam a alma
e sabem que os seus segredos jamais serão lançados em rosto ou expostos publicamente.
Quero ser amigo de quem não se melindra facilmente.
Por mais que tente, continuo tosco;
magoo com os meus silêncios, com minha introspecção e,
muitas vezes, com meus comentários ácidos e impensados.
Portanto, preciso de amigos que tolerem as minhas heresias, minhas hesitações e meus pecados. Busco amizades que aguentem o baque das minhas inadequações; que sejam teimosos.
Quero ser amigo e não um mero cúmplice de vocação.
Já preguei em algumas igrejas que, depois que o pastor me deixou na calçada do aeroporto,
nunca mais tive notícias dele ou da sua igreja.
Não vou mais colocar o meu nome em conferências e congressos que me dêem prestígio
ou em que eu só sirva para reforçar a programação.
Quero ser amigo de quem não se contenta em re-encaminhar mensagens re-encaminhadas de power-point.
Também não gosto de cartões de aniversário com frases prontas e óbvias.
Acredito que os verdadeiros amigos têm o que repartir
e que sentem necessidade de expressar os seus sentimentos, as suas dúvidas
e principalmente os seus medos e desesperos.
Amizades superficiais são mais danosas para o espírito do que inimizades explícitas.
Quero ser amigo de quem não é muito certinho.
Não tolero conviver com quem nunca tropeça nos próprios cadarços(significa: atacadores dos sapatos).
Vez por outra, gosto de relaxar, rir do passado, sonhar maluquices para o futuro e conversar trivialidades.
Quero amigos que se deliciem em ouvir uma mesma música duas vezes para perceber a riqueza da letra;
de comentar o filme que acabaram de assistir e o último livro que leram.
Como é bom chorar com poesia!
Quero terminar os meus dias e poder dizer que,
mesmo descrendo das ideologias, dos sistemas económicos e das instituições religiosas,
cri em verdadeiras amizades porque tive bons amigos.
Até porque Deus não só ama, como também nos chamou de amigos.

Ricardo Gondim

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O modo como tratamos os outros

«Numa tribo na Nova Guiné, está entendido que as crianças que nascem à terça-feira são inteligentes, solares e vencedoras e, as que nascem à sexta, são estúpidas, falhadas e vencidas. O pior, é que isso acaba por acontecer porque o tratamento que os outros lhes dão é que faz delas escravas ou vencedoras.»

Extraido de "O Riso de Deus" de António Alçada Baptista

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Sobre o casamento


«O compromisso conjugal não é um atalho para o prazer indolor, mas um passo na direcção da coragem para o autoconhecimento, da transformação e do crescimento pessoal, no intercâmbio de forças e fraquezas, em que um faz o outro melhor, muitas vezes às custas de atrito e faísca, pois somente o ferro com ferro se afia.
Costumo dizer que durante a vida de solteiro nos estragamos, e o casamento é a principal resposta terapêutica de Deus. Quem não quer crescer, vencer limites emocionais, reescrever a sua história, exorcizar os seus demónios, fica solteiro e pula de paixão em paixão, em relações que são eternas enquanto duram. Isso sem falar na saúde das futuras gerações e no equilíbrio sistémico possível apenas a uma sociedade que saiba valorizar a família». - Ed Rene Kivitz, em "Outra Espiritualidade"

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Os meus livros II


O Riso de Deus, de António Alçada Baptista

Descrição da editora:"Ao acompanhar a vida de Francisco, o personagem central deste romance, ao longo das suas escolhas, da sua procura - ele que deliberadamente escolheu a via do sonho possível, da busca dos valores mais essenciais -, ao acompanhá-lo ao longo das sua deambulações pelo mundo, pela história, ao sabor dos acasos e encontros, e, muito especialmente, da intimidade de algumas mulheres cúmplices da mesma procura... "

Este é um dos livros que mais me tocou o coração e influenciou a construção da minha personalidade e lapidação da minha sensibilidade; que me ajudou a ver a vida com os olhos do amor, do afecto, da graça, da amizade sincera, profunda, verdadeira.

Faz alguns anos que o li pela primeira vez. Entretanto, já o reli vezes sem conta. Hoje, ao rele-lo, verifico que tenho uma compreensão e uma leitura diferentes de muitas das suas passagens. Creio que hoje compreendo com mais profundidade e intensidade essas passagens, porque vivi experiências, aprendi lições, li e reflecti sobre coisas que me abriram e alargaram a mente e aprofundaram a sensibilidade.
Para mim, hoje, essas passagens têm um significado que não tinham outrora; e o livro tornou-se ao longo dos anos uma chave para o apaziguamento de muitos fantasmas e inquietações, assim como para a compreensão de muitas coisas que se passam dentro e fora de mim. Alguém disse: «Não há no mundo livros que se devam ler, mas somente livros que uma pessoa deve ler em certo momento, em certo lugar, dentro de certas circunstâncias e num certo período da sua vida».
Hoje, sinto mais afinidade e correspondência com o mundo interior do autor. Tenho outra sensibilidade e maturidade. Creio que «...o proveito dos livros depende da sensibilidade do leitor; a ideia ou paixão mais profunda dorme como numa mina enquanto não é descoberta por uma mente e um coração afins
O Riso de Deus é um livro que fala a linguagem do amor, dos afectos. Um livro que nos conduz à descoberta de nós mesmos, do mundo que nos rodeia, do que nos une aos outros e do que dá verdadeiro sentido e signficado ás nossas vidas. Não é um livro com respostas prontas, mas repleto de questões que se nos colocam e fazem reflectir, procurar, duvidar, partir à descoberta.

Partilho convosco alguns trechos significativos:

"Acho que a grande criatividade é aquela que soubermos pôr nos nossos actos: fazer da nossa vida uma obra de arte: pôr na nossa vida a nossa individualidade mais identificada e com um verdadeiro sentido estético na relação com os outros e com o mundo, é a nossa grande criação."

"Amar é uma atitude de compreender e aceitar: é reconhecer os outros e respeitar a sua liberdade."

"Possivelmente, o amor continua a chamar-nos do centro do labirinto e nós anadamos ás voltas sem sermos capazes de o encontrar(...) e talvez seja necessário despojarmo-nos de muitas coisas e tornar a vestir as vestes da inocência para que o amor nos possa ser revelado."

"A letra de Deus nem sempre é decifrável e ninguém conhece a língua em que escreveu a alma humana.Tudo me leva a crer que as marcações que nos deram para o desempenho da vida passam ao lado do caminho por onde os nossos afectos poderiam fluir conforme o que está inscrito no mapa oculto do ser humano(...) Algumas vezes, até parece que a simplicidade emana do andamento da vida e que bastaria um pequeno gesto de espírito para passarmos para o lado de lá de tantas incomodidades que nos fazem viver como se tivéssemos calçado dois números abaixo da forma da alma."

"Procurei analisar o que são as minhas angústias. Creio que são assim uma espécie de reacção a uma forma incómoda que impede o meu desenvolvimento. Como se eu, periodicamente, tivesse que fazer um esforço para alargar o meu espaço, como se o estado do meu projecto interior não fosse cabendo no módulo que estou a usar. Depois de cada depressão sinto que qualquer coisa em mim ficou mais livre. É como se eu estivesse preso com várias cadeias e, depois de atravessar o túnel da depressão, conseguisse libertar-me de uma. Pergunto-me se cada homem não estará aprisionado pelos modelos de comportamento que herdou e se isso não atingirá a própria respiração da sua alma(...) As minhas depressões talvez sejam as minhas metamorfoses: é a maneira que eu tenho de passar de lagarta a crisálida. São etapas de libertação."

domingo, 4 de novembro de 2007

Quero


Proposta de Jorge Bucay sobre as relações interpessoais que foi publicada originalmente no prólogo do livro "Cartas para Claudia".

Quero que me oiças sem me julgares
Quero que me dês a tua opinião sem me aconselhares
Quero que confies em mim sem me exigires
Quero que me ajudes sem tentares decidir por mim
Quero que cuides de mim sem me anulares
Quero que olhes para mim sem projectares as tuas coisas em mim
Quero que me abraçes sem me asfixiares
Quero que me animes sem me empurrares
Quero que me apoies sem te encarregares de mim
Quero que me protejas sem mentiras
Quero que te aproximes sem me invadires
Quero que conheças as coisas que mais te desagradem em mim
Que as aceites e não pretendas mudá-las
Quero que saibas... que hoje podes contar comigo...
Sem condições.


Jorge Bucay, em "Contos para pensar"

sábado, 3 de novembro de 2007

Espiritualidade


«A espiritualidade está relacionada com aquelas qualidades do espírito humano, tais como amor e compaixão, paciência e tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia, que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros(...) Há dentro de nós uma chama sagrada coberta pelas cinzas do consumismo, da busca desenfreada de bens materiais, da compra, do negócio e do interesse. As cinzas de uma vida distraída das coisas essenciais. É preciso remover tais cinzas e despertar a chama sagrada. E então irradiaremos. Seremos como o Sol.»

Leonardo Boff

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O mestre e o escorpião


Um mestre do Oriente passeava junto ao rio, quando viu que um escorpião se estava a afogar e decidiu tirá-lo da água; mas quando o fez, o escorpião picou-o. Numa reacção instintiva à dor provocada pela picada, o mestre largou o animal que voltou a cair à agua e rapidamente se estava a afogar. O mestre tentou novamente salvá-lo, mas voltou a ser picado.

Alguém que estava a observar a cena aproximou-se do mestre e disse-lhe:"Desculpe-me, mas o senhor é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?"

O mestre respondeu: "A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar”. Então, com a ajuda de uma folha, o mestre tirou o escorpião da água e salvou a sua vida.
Autor desconhecido

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Lobos internos


Um Avô disse ao seu neto, que se chegou a ele com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça: "Deixa-me contar-lhe uma história. Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio daqueles que me "aprontaram" tanto, sem qualquer arrependimento daquilo que fizeram. Todavia, o ódio corrói-te , mas não fere o teu inimigo. É o mesmo que tomaras veneno, desejando que o teu inimigo morra. Lutei muitas vezes contra estes sentimentos".

E o avô continuou contando ao neto: "É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não se teve intenção de ofender. Ele só lutará quando for certo fazer isso, e da maneira correcta.
Mas, o outro lobo, ah!, esse é cheio de raiva! Mesmo as pequeninas coisas o lançam num ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. Ele não pode pensar, porque a sua raiva e o seu ódio são muito grandes. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar coisa alguma!
Algumas vezes é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar o meu espírito".

O garoto olhou intensamente nos olhos do seu Avô e perguntou:"Qual deles vence, Avô?"
O Avô sorriu e respondeu baixinho:"Aquele que eu alimento".


Autor desconhecido

domingo, 28 de outubro de 2007

O Tamanho das Pessoas


Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...
Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu,
quando te trata com carinho e respeito,
quando te olha nos olhos e sorri .

É pequena para ti quando só pensa em si mesma,
quando se comporta de uma maneira pouco gentil,
quando fracassa justamente no momento em que
teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas:
a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amor.

Uma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida,
quando procura alternativas para o seu crescimento,
quando sonha junto contigo.

É pequena quando se desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela,
mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou pequenez dentro de um relacionamento,
pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.

Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.


É difícil conviver com esta elasticidade:
as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros,
mas de acções e reacções, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande...

É a sua sensibilidade, sem tamanho...

William Shakespeare

sábado, 27 de outubro de 2007

O Perdão liberta


«Qual é a maior vingança contra um inimigo? Já afirmei que é perdoar-lhe. Se o compreendermos, perdoar-lhe-emos. Se lhe perdoarmos, ele morre dentro de nós e renasce não mais como inimigo. Caso contrário, ele dormirá connosco e roubar-nos -á o sono, comerá connosco e destruirá o nosso apetite.» - Augusto Cury, in "O Mestre do Amor"

Não perdoar aprisiona-me ao passado e exclui todo potencial de mudança. Assim, transfiro o controle ao outro, meu inimigo, e condeno-me a sofrer as consequências do erro. Uma vez ouvi um rabino imigrante fazer uma declaração espantosa. "Antes de vir para a América, precisei perdoar Adolf Hitler", ele disse. "Eu não queria trazer Hitler dentro de mim para o meu novo país.

"Nós perdoamos não apenas para cumprir alguma lei mais elevada de moralidade; fazemo-lo por nós mesmos. Como Lewis Smedes destaca: "A primeira e geralmente única pessoa a ser curada pelo perdão é a pessoa que perdoa... Quando genuinamente perdoamos, libertamos um prisioneiro e então descobrimos que o prisioneiro que libertamos éramos nós".

O perdão quebra o ciclo da culpa e afrouxa a força opressora do pecado. Realiza as duas coisas por meio de uma notável ligação, colocando o perdoador do mesmo lado de quem cometeu o erro. Por meio disso, percebemos que não somos tão diferentes do culpado como gostaríamos de pensar. "Eu também sou diferente do que eu mesma me imagino. Saber disto é perdoar", disse Simone Weil. - Philip Yancey, in "Maravilhosa Graça"

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Canções da minha vida II


Como conheci este cantor e esta canção maravilhosa? Um dia, um amigo entra-me em casa com um cd na mão e diz-me:" tens que ouvir isto!". Coloco imediatamente o cd na aparelhagem sonora e a primeira música que oiço causa-me uma sensação agradável e tenho a percepção de que estou a ouvir uma verdadeira pérola musical. Não sinto arrepios na pele( como geralmente acontece quando oiço certas canções), mas a melodia enternece-me, a voz soa-me sensível e cheia de alma... os acordes de piano sublimes...
Mais tarde, depois de voltar a ouvi-la uma infinidade de vezes, começo a descobrir a sua essência; os seus pequenos tesouros ocultos, que uma única e superficial audição não tem o poder de nos revelar... Começo então a sentir os arrepios na pele, especialmente quando a escuto em determinados contextos emocionais. É uma canção simples, pura e muito bela. Uma das canções da minha vida, sem dúvida!
Espero que gostem! Expressem a vossa opinião (mas escutem com o coração, e várias vezes).


Nick Drake - "Northern Sky"



I never felt magic crazy as this
I never saw moons knew the meaning of the sea
I never held emotion in the palm of my hand
Or felt sweet breezes in the top of a tree
But now you're here
Brighten my northern sky.

It's been a long time that I'm waiting
Been a long time that I'm blown
been a long time that I've wandered
Through the people I have known
Oh, if you would and you could
Straighten my new mind's eye.

Would you love me for my money
Would you love me for my head
Would you love me through the winter
Would you love me 'til I'm dead
Oh, if you would and you could
Come blow your horn on high.

I never felt magic crazy as this
I never saw moons knew the meaning of the sea
I never held emotion in the palm of my hand
Or felt sweet breezes in the top of a tree
But now you're here
Brighten my northern sky.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Dois tipos de sabedoria

Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior. A sabedoria inferior é dada por tudo o que uma pessoa sabe, e a superior é dada pela consciência do que não se sabe. Os verdadeiros sábios são os mais convictos da sua ignorância. Desconfiem das pessoas auto-suficientes. O orgulho é um golpe contra a lucidez, um atentado contra a inteligência.

A sabedoria superior tolera; a inferior julga; a superior alivia, a inferior culpa; a superior perdoa, a inferior condena. Na sabedoria inferior há diplomas, na superior ninguém se diploma, não há mestres nem doutores, todos são eternos aprendizes.
Que tipo de sabedoria controla a tua vida?

Augusto Cury, O Mestre do Amor

domingo, 21 de outubro de 2007

Poesia...



DESCOBERTA

Quero aqueles gestos puros
nascidos de dentro da alma
como uma criança que vem ao mundo
e exprime seus sentimentos
sem explicações
Porque os gestos puros
eles não tem máculas
simplesmente existem
nascidos da semente do coração
Quero aquele olhar cheio de encanto
que quebra a beleza da noite
e parte as estrelas em mil pedaços
E arregaça a lua toda
descobrindo seus segredos
ouvindo as canções puras
que emanam do verdadeiro ser
Quero aquelas palavras
vindas de dentro do coração
que não são achadas em livros
nem em poesias
aquelas que ninguém ainda disse
frases inéditas
que vivem presas nas teias da alma
Quero aquele impulso latente
da verdade sem máscaras
descobrir o segredo da vida
encantar-me com a musica
embutida nos sonhos
E viver como uma criança
descobrindo pelo tacto
pelo cheiro
pelo olhar
tudo totalmente inédito e puro
como o primeiro respirar

®Mary Fioratti -http://encontrodasaudade.blogspot.com/2006/08/descoberta-quero-aqueles-gestos-puros.html




PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Lição de vida


Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
mesmo sabendo que as rosas não falam.
Que eu não perca o OPTIMISMO,
mesmo sabendo que o futuro que nos espera não é assim tão alegre.
Que eu não perca a VONTADE DE VIVER,
mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, dolorosa.
Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo,eles acabam indo embora das nossas vidas...
Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, reconhecer e retribuir esta ajuda.
Que eu não perca o EQUILÍBRIO,
mesmo sabendo que inúmeras forças querem que eu caia.
Que eu não perca a VONTADE DE AMAR,
mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo,
pode não sentir o mesmo sentimento por mim...
Que eu não perca a LUZ e o BRILHO NO OLHAR,
mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo, escurecerão os meus olhos...
Que eu não perca a GARRA,
mesmo sabendo que a derrota e a perda são dois adversários extremamente perigosos.
Que eu não perca a RAZÃO,
mesmo sabendo que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas.
Que eu não perca o SENTIMENTO DE JUSTIÇA,
mesmo sabendo que o prejudicado possa ser eu.
Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO,
mesmo sabendo que um dia os meus braços estarão fracos...
Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VER,
mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos
e escorrerão pela minha alma...
Que eu não perca o AMOR PELA MINHA FAMÍLIA,
mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige esforços incríveis
para manter a sua harmonia.
Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR
que existe no meu coração,
mesmo sabendo que muitas vezes ele
será submetido e até rejeitado.
Que eu não perca a vontade de SER GRANDE,
mesmo sabendo que o mundo é pequeno...
E acima de tudo...
Que jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente,
que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um
é capaz de mudar e transformar qualquer coisa,
pois.... A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS E CONCRETIZADA NO AMOR!


Edgar Furtado

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Pérolas de sabedoria de "A Saga de um Pensador"



« Podes duvidar que Deus existe, mas Deus não duvida que tu existes.»


«Não há louco que não seja lúcido nem lúcido que não seja louco.»


«Cada cabeça é um planeta e cada planeta tem uma rota peculiar que exige um plano de voo distinto para ser atingida.»


« Um homem sem história é como um livro sem letras.»


«A existência é um belíssimo livro. Ninguém pode fazer uma excelente leitura desse livro se não aprender a ler as pequenas palavras.»


«O que define a nobreza de um ser humano é a sua capacidade de ver a sua pequenez.»


«É mais fácil desintegrar um átomo do que desfazer um preconceito»


«Os médicos devem ser pessoas de rara sensibilidade, artesãos das emoções, profissionais capazes de ver as angústias, ansiedades e lágrimas que se escondem sob os sintomas. Caso contrário, tratarão de orgãos e não de seres humanos.»


«O meu desafio como psiquiatra não é apenas medicar os pacientes ou fazer sessões de psicoterapia, mas mostrar-lhes que a flor mais exuberante brota no inverno emocional mais rigoroso, Os que atravessaram os seus desertos psíquicos e os superaram tornaram-se mais belos, lúcidos e ricos do que eram.»


«Cada cabeça é um planeta e cada planeta tem uma rota peculiar que exige um plano de voo distinto para ser atingida.»


«Não é fácil enfrentar as nossas ruínas, mas é a única maneira de sermos autores da nossa história e não vítimas dela.»


«Dêem-se, mas não esperem muito retorno dos outros. Esta é uma das mais excelentes ferramentas para proteger as vossas emoções.»


«A felicidade não existe pronta, não é uma herança genética, não é um privilégio de uma casta ou camada social. A felicidade é uma eterna construção.
Houve reis que tentaram aprisionar a felicidade com o seu poder, mas ela não se deixou prender. Milionários tentaram comprá-la, mas ela não se deixou vender. Famosos tentaram seduzi-la, mas ela resistiu ao estrelato. Sorrindo, ela sussurou ao ouvido de cada ser humano: "Ei! Procura-me nas decepções e dificuldades e, principalmente, encontra-me nas coisas anónimas da existência." Mas a maioria não ouviu a sua voz, e entre os que a ouviram, poucos lhe deram credibilidade.»


«Ser feliz é ser capaz de dizer "eu errei", é ter sensibilidade para dizer "eu preciso de ti", é ter ousadia para dizer "eu amo-te".»


«Não tenhas medo da vida, tem medo de não viver. Não tenhas medo de cair, tem medo de não caminhar... Ninguém é digno de segurança se não usar a sua fragilidade para a alcançar.»


«Nalguns momentos, eu decepcionar-te-ei, noutros, tu frustar-me-ás, mas se tivermos coragem para reconhecer os nossos erros, habilidade para sonharmos juntos e capacidade para chorarmos e recomeçarmos tudo de novo tantas vezes quantas forem necessárias, então, o nosso amor será imortal.»


«Todo o amor é belo na sua nascente, mas poucos resistem ao calor do sol. Que o vosso amor suporte os testes da existência!»


«Velejarei pelos mares da ansiedade, escalarei as montanhas dos medos e percorrerei os vales das decepções para não deixar o amor morrer!»











domingo, 14 de outubro de 2007

Os meus livros


«Deixa-me dizer-te, meu caro, pode bem acontecer que vás através da vida sem saber que debaixo do teu nariz existe um livro no qual a tua vida é descrita em todo o detalhe. Aquilo do qual nunca te deste conta antes, vais relembrando aos poucos, assim que comeces a ler esse livro, e encontras e descobres... alguns livros tu lês e lês e não lhe consegues encontrar qualquer sentido ou lógica, por mais que tentes. São tão "espertos" que não consegues perceber uma palavra daquilo que dizem... Mas esse livro que talvez esteja logo debaixo do teu nariz, tu lês e sentes-te como se tivesses sido tu próprio a escrevê-lo, tal como - como é que hei-de dizer ? - tal como tivesses tomado posse do teu próprio coração - qualquer que este possa ser - e o tivesse virado do avesso de forma que as pessoas o consigam ver, e descrito com todos os detalhes - tal e qual como ele é! E como isto é simples, meu Deus! Porquê, eu próprio poderia ter escrito este livro! Porquê, de facto, porquê é que eu próprio não escrevi este livro!» - Fiodor Dostoievski, in "Pobre Gente"

«Não há no mundo livros que se devam ler, mas somente livros que uma pessoa deve ler em certo momento, em certo lugar, dentro de certas circunstâncias e num certo período da sua vida»- Lin Yutang

«Um livro não é um livro, mas sim um homem que fala através do livro.» - Alberto Moravia

«Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?» - Franz Kafka


Pode um livro mudar uma vida? Na minha opinião, não! Certo pensador disse: « ...o proveito dos livros depende da sensibilidade do leitor; a ideia ou paixão mais profunda dorme como numa mina enquanto não é descoberta por uma mente e um coração afins.» E eu digo: o proveito dos livros depende daquilo que fazemos do que lemos e aprendemos. O livro em si não muda uma vida. Mas, há livros que despertam em nós a criança adormecida; o aventureiro acomodado; o sonhador intrépido e ousado; o guerreiro determinado a recomeçar a lutar depois de cada batalha perdida...
Há livros que nos dão asas, mas para que servem as asas se tivermos medo de voar? Há livros que nos apontam vários caminhos, mas temos de ser nós a escolher, a optar; devemos ser os autores e protagonistas da nossa história.

«Um belo livro é aquele que semeia em redor os pontos de interrogação» . «A Saga de um Pensador», é precisamente um desses livros. É um livro que nos conduz à interrogação, à reflexão, que deixa muitas questões em aberto e nos estimula a sermos pensadores únicos e não repetidores de ideias de outrem.
Quando acabei de ler o livro fiquei com a sensação de que a tarefa do autor estava cumprida,e que a partir daquele instante teria de ser eu a escrever a minha parte da história. É como disse Josefh Conrad:« O autor só escreve metade do livro. Da outra metade, deve ocupar-se o leitor.»

Augusto Cury não é um romancista de renome, não se destaca pela sua capacidade de criar enredos complexos, ou por uma prosa de fino recorte literário. Augusto Cury é psiquiatra, cientista e psicoterapeuta e este é o seu primeiro romance. O autor tem o dom de reavivar a nossa capacidade de sonhar; de estimular e despertar em nós a ousadia, a coragem, a criatividade; de abrir o leque da inteligência e levar-nos a viajar pelas trajectórias do nosso ser. Eu acredito que este livro é capaz de ressuscitar sonhos, de encorajar e reanimar pessoas deprimidas, desiludidas, angustiadas, carentes de um significado e de um sentido para as suas vidas.
Utilizando uma linguagem poética, simples, cativante e acessível, Cury revela-nos as suas descobertas científicas no âmbito do funcionamento da mente e das funções mais nobres da inteligência. Neste livro concentram-se imensas pérolas de sabedoria de inúmeros pensadores, filósofos, poetas, romancistas, cientistas e, claro, do próprio autor. Mas, dessas pérolas falarei no próximo post. Até breve!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Inverter a lógica


É fundamental compreendermos que a realidade “não é simplesmente o que é”, mas acaba sempre por tornar-se o modo como olhamos para ela. As coisas tomam a cor da luz que as ilumina. Numa sala com uma lâmpada azul, todas as paredes, móveis e pessoas ficam azuis. Muda a lâmpada para verde, e tudo ficará verde. Para ver bem, é preciso escolher a “luz” certa. “Olhar” os acontecimentos significa “interpretá-los”. E é fundamental aprendermos a interpretar os acontecimentos de maneira optimista, positiva, confiante e criativa, porque isso leva-nos a dar passos concretos que nos conduzem a melhorarmos a realidade.

Um pensador espanhol muito conhecido, disse um dia uma frase que ficou famosa: “Eu sou eu e a minha circunstância”. Mas “eu” não sou a minha circunstância! Na mesma circunstância, “eu” posso optar por ser “outro”, isto é, ser diferente. Porque as circunstâncias (contextos) fazem as pessoas, mas as pessoas fazem as circunstâncias (contextos). Não somos “ratos de laboratório” numa grande “gaiola de experiências e ensaios” que é o mundo! Não somos fantoches nas mãos de qualquer destino! Temos os fios mais importantes da nossa vida nas nossas próprias mãos! As nossas posturas, atitudes e expressões (verbais, faciais, corporais, simbólicas…) são consequência das nossas experiências, mais ou menos positivas. Sim; mas o mais importante desta lógica é que pode ser invertida! As nossas experiências de vida podem ser mudadas se mudarmos as nossas posturas, atitudes e expressões!

O modo como nós lidamos com as nossas experiências, as mais antigas como as actuais, torna-as diferentes. Somos protagonistas de nós próprios, somos autores e não só resultado da nossa história, cheio de acontecimentos. Quando falamos de “história”, da nossa história, temos a tentação de olhar só para o passado, considerando-nos como resultado de tudo o que fomos, tivemos e nos aconteceu. Uma coisa te garanto: a maturidade da Fé, da Esperança e do Amor ao jeito de Jesus empurra-nos sempre a olhar para a frente, rasga-nos o futuro. “Tens que nascer de novo!”, disse Jesus a Nicodemos. “Poderei voltar ao ventre da minha mãe?!”, perguntou ele. O engano do costume… querer renascer voltando ao passado! Renascer é nascer novo para o futuro. A nossa história não é só o fio das nossas memórias e experiências. A nossa história é também o apelo ao que de nós ainda está por nascer, o mundo dos nossos projectos e das nossas ousadias a caminho da Felicidade. Não te deixes ser apenas o resultado das tuas experiências!

Sê autor da tua história, pelo modo como amadureces com as experiências do passado, enfrentas as do presente e preparas as do futuro. Não te deixes cair no marasmo dos que acham que nunca há nada a fazer para mudar… porque é mentira! Nem deixes que te enganem com os seus argumentos… Não te deixes cair na tentação de querer justificar as desistências com argumentos que parecem muito “sábios”, mas só servem para enganar os distraídos, coisas deste tipo: “Eu sou assim… é uma questão de personalidade… é a minha maneira de ser…” Essa “maneira de ser” que chamam “personalidade” não pode ser entendida como uma realidade estática, como um destino interior imutável, qualquer coisa como uma “mola interior” que impulsiona os nossos comportamentos, sempre e só num movimento “de dentro para fora”.

Sabes, a nossa personalidade manifesta-se nos nossos comportamentos, mas se quisermos amadurecer temos que começar por conscientemente mudar os nossos comportamentos! Os comportamentos também moldam a personalidade. Na prática, sabes como é que isto se faz? É assim: se queres possuir uma determinada qualidade ou maneira de ser, faz por comportar-te como se já a tivesses! Esse é o caminho para ela desabrochar em ti…

Rui Santiago

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Da ruminação pessimista à digestão optimista

Pois é! Às vezes “acontecem” coisas que ninguém estava à espera, situações pelas quais ninguém optou, acontecimentos que ninguém escolheu viver, experiências que ninguém queria. A marcha da vida e as suas surpresas desagradáveis, que nos costumam deixar na boca o travo da injustiça e, às vezes, da revolta…Mas não são só estas… até outras, que nos parecem ainda mais incompreensíveis.

Temos que dar alguns saltos qualitativos para chegarmos à sabedoria da confiança e do optimismo criativo. Este, por exemplo: temos que aprender a reconhecer que a marcha da vida não é obrigatoriamente justa! Às vezes, mesmo sendo competentes e esforçando-se, sendo sérios e empenhados, os resultados podem ser maus. Aqui, há que aceitar e avançar! Que outra hipótese haverá?! Enrodilhar-se num canto e chorar? Nunca fiques aí muito tempo… eu sei que apetece, mas isso faz-te tanto mal…Já alguma vez viste uma vaca a pastar? Engole tudo de uma vez, e depois deita-se calmamente a ruminar, que é o processo de trazer a comida à boca para a mastigar demoradamente! Nós, muitas vezes fazemos algo parecido na nossa mente com os acontecimentos mais negativos e dolorosos da nossa história…É aqui que devemos aprender a passar da ruminação pessimista dos acontecimentos, à sua digestão optimista, ou seja, assimilação, incorporação e… adiante, que o caminho faz-se caminhando!

A ruminação dos acontecimentos encerra-nos na espiral fechada da angústia, pela repetição constante do “Porquê?! Porquê?!” E, muitas vezes, não há mesmo um “porquê”…A digestão insere-nos na espiral aberta do crescimento, pela serena luminosidade da pergunta: “Para quê?... Para quê esta situação? O que aprendo com ela, como posso crescer nela?
Auto-enroscar-se nas causas, ou abrir-se às soluções? Tenho a certeza que nem duvidas do que é melhor… E tenho a certeza que Deus nunca se ausenta nas nossas dificuldades! A maior parte das vezes costumamos é pô-lo a “jogar na equipa contrária”… Deus está por nós!!! Deus não é a causa dos acontecimentos que nos fazem mal, mas sim a saída com sucesso! Deus é em nós fonte de força e discernimento para compreendermos como lidar com todas as situações, como sair delas mais amadurecido e humanizado. Para teu bem, nunca permitas que alguém à tua frente coloque Deus como “causa do mal!” É uma mentira gravíssima, e muito difundida. Deus é o Amor Forte e Novo ao teu dispor, vinte e quatro horas por dia, para te conduzir à Vitória sobre o Mal, à Vitória sobre a Tristeza, à Vitória sobre o Absurdo. Vive-o, testemunha-o, anuncia-o!
E não te deixes ficar muito tempo prostrado! “Agarra-te nas mãos” e refaz-te sem demoras, porque ouvi dizer que “a vida são dois dias”, e às vezes levamos um para despertar! Sabes, aqui entre nós… o papel de vítima pode ser muito confortável, talvez até uma excelente desculpa para não mudarmos… mas não é certamente o caminho que conduz à “Terra Prometida que se chama Felicidade”.

Rui Santiago

domingo, 7 de outubro de 2007

Canções da minha vida


"As canções são como as mulheres: muitas nem ligamos, outras fazem-nos pensar, mas algumas ficam para sempre."

A música é uma das grandes paixões da minha vida... Desde muito novo que colecciono canções em cassetes, discos, cd´s e sobretudo na minha memória.
Há canções que ficam para sempre, são intemporais... acompanham-nos ao longo dos anos e nunca nos cansamos da sua companhia. Canções que nos falam ao coração; que nos fazem vibrar, viajar sonhar, rir, chorar...enfim, mergulhar no mais fundo de nós mesmos. Canções com as quais crescemos. Canções que vemos crescer(dentro de nós).

Uma canção é sempre diferente; depende do momento em que a ouvimos, do ambiente, do nosso estado de espírito. Há canções que iluminam espaços recônditos da alma onde se escondem os tesouros mais preciosos. Canções que foram e são a banda sonora de uma vida feita de tristeza, alegria, solidão, encontros, desencontros, paixões fugazes, amizades eternas, sonhos desfeitos e ressuscitados, derrotas, vitórias, conquistas, perdas, frustações, eternos recomeços... Canções que deixámos de ouvir por diversos motivos, mas que permanecem para sempre, como amigos fisicamente distantes que não vemos há imenso tempo, mas que estão bem perto do coração. Canções com história - a nossa história de vida ligada a essas melodias e palavras tão cumplices e cheias de significado.

Canções de outros, mas também nossas... A canção é uma dádiva. Canções que são bálsamo, terapia... Canções que resgatam um sentido perdido ou memórias tão profundas como os mistérios que nunca devem deixar de nos causar deslumbramento e espanto. Pequenos tesouros musicais que gostamos de partilhar com os nossos melhores amigos como se fossem segredos bem guardados no mais íntimo do ser.

São algumas das canções da minha vida que, a partir de hoje, vou partilhar com todos os que me visitam; para que me conheçam um pouco melhor, pois eu também sou as canções que escuto...
A minha primeira escolha recai sobre uma canção que já ouvi dezenas e dezenas de vezes, mas que me causa arrepios e uma sensação de paz interior cada vez que a escuto. É uma canção que me enche a alma!


Beth Gibbons - Mysteries



God knows how I adore life
When the wind turns on the shores lies another day
I cannot ask for more

When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine

And the moments that I enjoy
A place of love and mystery
I'll be there anytime

Oh mysteries of love
Where war is no more
I'll be there anytime

When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A voz da consciência


Duas crianças estavam a patinar num lago congelado da Alemanha. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas. De repente, o gelo quebrou-se e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou. A outra, vendo o seu amiguito preso e a congelar aos poucos, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino: "Como é que conseguiste fazer isso? É impossível que tenhas conseguido quebrar o gelo, sendo tu tão pequeno e com umas mãos tão frágeis!" Nesse instante, o génio Albert Einstein passava pelo local e comentou: "Eu sei como ele conseguiu." Todos perguntaram: "Pode dizer-nos como?". " É simples", respondeu Einstein, "Não havia ninguém por perto para lhe dizer que não seria capaz." "Deus fez-nos perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos. "Fazer ou não fazer algo, só depende da nossa vontade e perseverança. (Albert Einstein)

Conclusão: "Preocupa-te mais com a tua consciência do que com tua reputação, porque a tua consciência é o que tu és, e a tua reputação é o que os outros pensam de ti. E o que os outros pensam, é problema deles."