domingo, 17 de fevereiro de 2008

"Canção triste" que enche a alma

Descobri esta canção ontem, num blog que costumo visitar com alguma frequência e no qual já tive o prazer de descobrir verdadeiras pérolas musicais.
A música captou de imediato a minha atenção pela diferença, intensidade e as emoções que desperta.
Estive para postar o video oficial, mas descobri outro que me tocou profundamente. Creio que as imagens se enquadram no espírito da canção. É um alerta sobre as espécies animais ameaçadas, em perigo de extinção. Oiçam e vejam com atenção:

Fredo Viola - "Sad Song"

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sabes que te amo?


Para a minha doce, amorosa e bela princesa...

O dia de hoje foi estipulado ser o dia dos (e)namorados. Para assinalar a data, decidi voltar a dedicar-te um texto que escrevi há algum tempo e que postei neste blog.
Tu és a fonte de inspiração dessas palavras escritas com amor profundo e verdadeiro. Quero que entre nós permaneça vivo este estado de enamoramento que nos enche o coração de ternura, serenidade, alegria e paz. Quero que o nosso amor se renove, recrie, amadureça e cresça cheio de beleza, inocência, pureza, ternura, compreensão, confiança, sinceridade e paixão.

Sabes que te amo?

Por vezes, sou acordado de manhã, com a tua voz sussurrando ao meu ouvido: «Sabes que te amo?». Outras vezes, enquanto escrevo ou estou profundamente concentrado na leitura de um livro, sinto uma carícia suave e aconchegante sobre os meus cabelos e a tua voz doce e ternurenta murmura: «Sabes que te amo?». Respondo quase sempre com um sorriso de indisfarçável alegria e satisfação, e retribuo com beijos e afagos o profundo e sincero afecto com que me aquietas a alma e aqueces o coração. Eu sinto-me grato(e algumas vezes, sinto vontade de chorar, porque sinto que não mereço).

«Sabes que te amo?», repetes a pergunta, que não é retórica, nem é como aquelas perguntas que por vezes fazemos, com o intuito de satisfazer a curiosidade, esclarecer algumas dúvidas, ou simplesmente para tentar saciar a insaciável sede de aprender e conhecer.«Sabes que te amo?»- Sei que é mais uma afirmação que uma interrogação. Penso que tu queres afirmar e queres que eu esteja seguro que, apesar de todos os meus defeitos, falhas e imperfeições, tu me amas como eu sou. Apesar das críticas que te dirijo; das coisas que te recuso; do meu aparente desinteresse; do meu espírito por vezes tão ausente; da minha impaciência irritante; das minhas crises de ansiedade; dos meus hábitos invulgares; das minhas opiniões irreflectidas; dos meus gestos impensados; das minhas pequenas obsessões; do meu desajeitado sentido prático; da minha falta de autoconfiança; das minhas inseguranças nocivas; dos meus medos injustificados; do cansaço que por vezes trago e com o qual te sobrecarrego; dos meus acessos de preguiça aguda; do meu despojamento em relação a tantas coisas(que para ti são importantes); do meu apego aquilo que considero que realmente importa e é essencial(mas que para ti pode não ser); do meu feitio caseiro e fechado; da falta de ousadia e coragem para correr riscos que por vezes se apodera de mim... e de tantas outras coisas que agora não me ocorrem e que, a serem lembradas, tornariam esta lista um relatório fastidioso e aborrecido.

«Sabes que te amo?» - Sim, eu sei.(raramente te respondo assim, porque creio que a tua intenção não é obter uma resposta, ou pelo menos, esta resposta) Tu queres reafirmar o teu amor por mim... Tu queres dizer-me:" Eu amo-te como tu és! Não me importa se por vezes falhas, se fracassas, se me desiludes, se me magoas, se não correspondes ás minhas expectativas... Eu sinto amor... é amor...". Então, vem-me à mente uma passagem bíblica, "o amor cobre uma multidão de pecados...". E quanto mais reflicto mais frases me ocorrem: "o amor é paciente...Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

«Sabes que te amo?» E parece que te oiço dizer:« Deixa-me amar-te... gosto tanto de amar-te... é tão bom amar-te.» E eu sinto-me amado e cheio de gratidão. Mas não mereço.Eu acredito e sinto que me amas, minha amada. O teu amor flui no meu coração como um bálsamo suave e inebriante. Sinto-me então mais confiante, sereno, ousado, corajoso, dinâmico, aberto aos outros, compreensivo, compassivo e paciente.

Eu também te amo, meu tesouro. Sabes que te amo? Quero que saibas que só sei amar-te como sou e amo-te como és. Não tenhas medo, minha flor. Não tenhas receio das trevas, pois também há luz no meu olhar. Não te assustes com as sombras; fixa o teu olhar no meu sorriso de criança feliz quando me dizes: «sabes que te amo?».Conta-me histórias de encantar quando à noite chegar cansado. Beija os meus densos cabelos negros e brancos, quando me sentires ausente ou ansioso. Deixa-me mergulhar com os meus medos nas águas tranquilas do teu regaço. Contagia-me com o teu entusiamo e alegria quando me sentires fustigado pelas tempestades da vida. Levanta-me com as tuas mãos suaves e maternas quando eu tropeçar e cair. Acalma-me com os teus beijos suaves e ternos quando o meu corpo tremer de ansiedade. Encoraja-me com as tuas palavras doces e meigas quando eu começo a vacilar. Pega nas minhas mãos frias e cansadas com as tuas mãos suaves e macias e diz-me mais uma vez: «sabes que te amo?».

Quero que saibas também que é o teu amor, meu amor(minha musa), que me faz escrever assim. Eu que já não escrevia assim há tanto tempo e agora escrevo, só porque acordei esta manhã com a tua voz doce de menina a segredar-me ao ouvido: «Sabes que te amo?».

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Responsabilidade humana

«A essência da liberdade, se é que lhe interessa saber, não consiste apenas em ter a galhardia ou a honradez de assumir os próprios erros sem ficar procurando desculpas a torto e a direito. O indivíduo responsável é consciente do que sua liberdade tem de 'real'. Emprego 'real' no duplo sentido, de 'autêntico' ou 'verdadeiro' e também 'próprio de um rei', aquele que toma decisões sem que nenhum superior lhe dê ordens. Responsabilidade é saber que cada um de meus actos vai-me construindo, vai-me definindo, vai-me inventando. Ao escolher o que quero fazer vou-me transformando pouco a pouco. Todas as decisões deixam marca em mim mesmo antes de deixá-la no mundo que me cerca». (Fernando Savater em "Ética para meu Filho" - Editora Martins Fontes).

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A liberdade do verdadeiro amor



"Todo o ser humano vive as suas experiências de amor. Cada um já amou uma vez e também já foi amado. E experimentou, nesta ocasião, o milagre do amor. Porém,muitas vezes, também viveu o fracasso e as complicações em que o amor pode colocá-lo. O amor, sem sombra de dúvidas, é uma das forças mais poderosas no ser humano; no mínimo, uma força que ninguém pode ignorar. E em todas as experiências de amor, nas bem-sucedidas e nas fracassadas, o ser humano aspira por amor verdadeiro, por um amor que não fira nem destrua, mas que vivifique e enobreça; que não controle e aprisione, mas liberte e abra um espaço para a vida. Na verdade, o ser humano aspira ser amado incondicionalmente em tudo o que é. Ele aspira por um amor que lhe permita viver autenticamente em liberdade."

Anselm Grün - Obra: Abra seu coração para o amor - Ed. Vozes

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O que é a alegria?



«O que é a alegria? Um 'sim' espontâneo à vida que brota de dentro de nós, às vezes quando menos esperamos. Um 'sim' ao que somos, ou melhor, ao que sentimos ser. Quem tem alegria já recebeu o prémio máximo e não carece de nada; quem não tem alegria - por mais sábio, bonito, sadio, rico, poderoso, santo, etc., que seja - é um miserável que carece do mais importante. Pois bem, ouça: O prazer é magnífico e desejável quando sabemos colocá-lo a serviço da alegria, mas não quando a turva ou a compromete. O limite negativo do prazer não é a dor, nem mesmo a morte, mas a alegria: quando começamos a perdê-la por um determinado deleite, com certeza estamos desfrutando o que não nos convém». (Fernando Savater em "Ética para meu Filho" - Editora Martins Fontes).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Quantos Mozart já se perderam?

«Marx dizia: 'Eu não asseguro que em cada jovem se abrigue um Mozart, porém almejo que, se num jovem existir um Mozart, esse Mozart possa revelar-se'. Pensemos em quantas mulheres-Mozart não se revelaram impedidas pelo machismo. Pensemos em quantas mulheres geniais foram reprimidas somente pelo facto de ser mulheres! Não saberemos jamais se a irmã de Mozart possuía uma genialidade musical superior à do irmão, porque, ainda que a tivesse tido, o pai certamente não lhe teria oferecido a mesma educação e as mesmas oportunidades favoráveis que ofereceu ao jovem Wolfgang». (Domenico De Masi em "Diálogos criativos" - De Leitura).

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O Inferno


"O inferno não são 'os outros'. O inferno é trabalhar tão duramente para obter o sucesso de forma a corroer nosso relacionamento com os outros; a enxergar os outros somente em função do que eles podem fazer por nós. Isto me faz pensar em Fausto, que vendeu a sua alma pelo poder ilimitado do mundo, e que se tornou imensamente solitário ao alcançá-lo. Para ele inferno é a solidão de ter tudo e saber que ainda não é o bastante. (Será que todos fazemos os nossos pactos com o demônio, recebendo o que pensamos que queremos e perdendo em troca parte de nossas almas?)". (Harold Kushner em Quando Tudo não é o Bastante).


domingo, 3 de fevereiro de 2008

Canções da minha vida IV

Talvez poucos conheçam esta bela e inspirada canção interpretada por duas grandes vozes, que marcaram uma geração de admiradores fieis e entusiastas. Com certeza, que uma maioria já ouviu falar de Morrissey e dos The Smiths, grupo do qual ele foi líder e vocalista, durante grande parte da década de 80. Quanto a Siouxie, acredito que poucos devem ter ouvido falar desta senhora contemporânea de Morrissey, que tive a honra de ver e ouvir ao vivo num concerto histórico na cidade da Figueira da Foz.
A canção é quase perfeita e o video uma verdadeira pérola.
Minhas senhoras e meus senhores, tenho a honra e o prazer de vos apresentar:

Morrissey and Siouxie - "Interlude"



Time is like a dream
And now, for a time, you are mine
Lets hold fast to the dream
That tastes and sparkles like wine

Who knows (who knows)If its real
Or just something were both dreaming of
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love

Loving you
Is a world thats strange
So much more than my heart can hold
Loving you
Makes the whole world change
Loving you, I could not grow old

No, nobody knows
When love will end
So till then, sweet friend ...

Time is like a dream
And now, for a time, you are mine
Lets hold fast to the dream
That tastes and sparkles like wine

Who knows (who knows)If its real
Or just something were both dreaming of ?
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Duma vez por todas


Duma vez por todas
foi dado este
breve preceito:
"Ama e faz o que quiseres".

Se calas,
cala por amor.

Se falas,
fala por amor.

Se corriges,
corrige por amor.

Se perdoas,
perdoa por amor.

Põe no fundo do coração
a raiz do amor.
Dessa raiz não pode
crescer senão o bem.

Stº Agostinho

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A arte de não adoecer

Se não quiser adoecer - "Fale dos seus sentimentos"

Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças
como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a
repressão dos sentimentos pode degenerar até em cancro. Então vamos desabafar,
confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O
diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.

Se não quiser adoecer - "Tome decisões"

A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A
indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é
feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder
vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de
doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer - "Busque soluções"

Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a
lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que
lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce
existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa
que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências"

Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que
está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas
de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a
saúde que viver de aparências e fachadas.
São pessoas com muito verniz e
pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer - "Aceite-se"

A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos
algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que
não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos,
destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é
sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer - "Confie"


Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria
laços profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há
relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer - "Não viva sempre triste"


O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida
longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom
humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia.

Dr. Dráuzio Varella

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Amor é Vida

"Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor."

"Amar, ser verdadeiro, deve custar - deve ser árduo - deve esvaziar-nos do ego."

"O amor é a fruta da época de todas as estações e está ao alcance de cada mão. Qualquer um pode colhê-lo, sem limites estabelecidos."

"As palavras de Jesus: Amem uns aos outros como eu vos amei, não devem ser apenas uma luz para nós, mas uma chama que arda dentro de nós."

"Não podemos fazer grandes coisas na terra. Tudo o que podemos fazer são pequenas coisas com muito amor".

Madre Teresa de Calcutá

domingo, 27 de janeiro de 2008

David Fonseca & Rita Redshoes


Ontem, assisti a um espectáculo (na Guarda) simplesmente fantástico do cantor/compositor/intérprete português - David Fonseca. Uma actuação cheia de energia, sensibilidade, criatividade, arrojo... Um espectáculo com muitas e boas surpresas, com destaque para as inúmeras versões de canções conhecidas e desconhecidas, assim como os brilhantes apontamentos de humor protagonizados pelo próprio a solo, ou em interacção com o público.
Confesso que um dos momentos mais marcantes do espectáculo ocorreu na abertura, quando o David interpretou a primeira canção a meio metro do lugar onde me encontrava sentado. Instalaram um micro numa das passagens centrais (mais ou menos ao centro) do teatro onde se realizou o espectáculo, precisamente meio metro ao lado do lugar onde me sentara. Alguns instantes depois, surge o David com a sua guitarra para interpretar uma das canções do seu mais recente album - "Dreams in Colours".

Mas esse foi apenas um dos momentos especiais do espectáculo, que na 1ª parte foi encantadoramente conduzido pela talentosa e sonhadora - Rita Redshoes, que também integra o grupo de músicos que acompanha o David nos espectáculos.
Há muito que ando encantado e apaixonado por uma canção dela - "Dream on Girl". O video é simples, mas belo e bem conseguido. Para quem ainda não conhece esta pérola musical, oiçam e vejam agora:


Para os(as) leitores(as) que não conhecem a obra do David Fonseca, façam o favor de ouvir e ver(grandes videos) com atenção:

- Superstars II
- Hold Still
- Someone That Cannot Love
- Who Are You?
- Kisse me, oh kisse me (para esta ainda não há video)

Como disse anteriormente, um dos momentos mais marcantes do espectáculo (para mim), foram as várias covers (versões) que o David interpretou. Ele deu-me a conhecer uma canção maravilhosa de um artista cuja obra conheço pouco. Para ouvir com o coração:

Ryan Adams - "How do you keep love alive"

Lord, i miss that girl

On the day we met the sun was shining down

Down on the valley

Riddled with horses running

Crushing them with flowers

I would have picked for her

On the day she was born

She runs through my veins like a long black river

And rattles my cage like a thunderstorm

Oh my soul

What does it mean?

What does it mean?

What does it mean to be so sad?

When someone you love

Someone you love is supposed to make you happy

What do you do

How do you keep love alive?

When it won't

What, what are the words

They use when they know it's over

"We need to talk," or

"I'm confused, maybe later you can come over

"I would've held your mother's hand

On the day you was born

She runs through my veins

Like a long black river and rattles my cage

Like a thunderstorm

Oh, my soul

What does it mean?

What does it mean?

What does it mean to be so sad?

When someone you love

Someone you love is supposed to make you happy

What do you do

How do you keep love alive?

When it won't

How do you keep love alive?

Infelizmente, não foi possível (não era permitido), captar som e imagem do espectáculo. Mas, encontrei um video em que o David interpretou ao vivo a sua versão deste tema fantástico!

O som e imagem não são de grande qualidade, mas vale a pena!

David Fonseca - "How do you keep love alive"





sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

El Perro Del Mar - God Knows (You gotta give to get)



O Poder de ter e dar

As únicas coisas que podemos ter de verdade são aquelas que somos capazes de dar. Aquilo que não somos capazes de dar só nos aprisiona.
Nós só sabemos realmente algo quando somos capazes de o ensinar.
Nós só conhecemos o Amor quando somos capazes de o trasmitir.
Nós só conhecemos a Felicidade quando conseguimos levá-la aos outros.
Só seremos ricos quando acrescentarmos valor à vida dos outros.

Isto não que dizer que tenhamos que dar tudo o que temos, mas, acima de tudo, é a habilidade e disposição para dar que nos traz tudo isto. Conseguem imaginar algo mais miserável que ter tudo no mundo e não ter com quem dividir? O que quer que a gente esteja a esconder do mundo - as nossas habilidades, os nossos pensamentos, a nossa paixão, o nosso conhecimento, o nosso entusiasmo, a nossa coragem - estamos a esconder de nós mesmos. As riquezas que possumimos, quer sejam materiais, intelectuais ou espirituais, não têm valor nenhum se não as soubermos partilhar.

Fonte: Pérolas de Sabedoria


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Medo vs Fé

O medo foca-se no eu.
A fé, em Deus.
O medo paralisa.
A fé, avança.
O medo cega.
A fé faz-nos ver para além dos nossos olhos.
O medo traz terror.
A fé, confiança.
O medo traz perdição.
A fé, salva.

No entanto, a fé terá de ser revestida do maior de todos os dons: Amor.
Porque fé sem amor, conduz ao fanatismo.

Onde há amor não há medo. Na verdade, o perfeito amor elimina toda a espécie de receio, porque o medo traz consigo a ideia de culpa, e mostra que não estamos absolutamente convencidos de que ele nos ama perfeitamente.
- 1 João 4:18

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Amor e Liberdade

Não se pode ter liberdade e coerção ao mesmo tempo. Ninguém pode sujeitar o ser que ama com o intuito de conquistar os seus afetos. O ser amado precisa sentir-se livre para mudar, rejeitar ou sumir; e eu que lhe ofereço a minha afectividade, sofrerei pelas suas escolhas. Também, quanto maior o amor, maior a possibilidade de dor. Quem ama com amor infinito corre o risco de sofrer uma dor infinita.

Juan Luis Segundo afirmou:"... significa também que a pessoa amada, permanece livre para mudar, para rejeitar-me e infringir-me, assim, a maior dor que posso experimentar. De facto, amar é oferecer-se desprotegido (segundo frase de Freud) à dor".

Que quer, então, verdadeiramente, a pessoa que acredita poder exigir de Deus uma criação onde o amor seja infalivelmente feliz? Pretende um amor sem dom de si, isto é, um não amor, um egoísmo onde a pessoa a quem digo amar se converte em instrumento determinado e cego, sem capacidade de expressar livremente seu ser.
O amor infalível não é amor. A dor é a outra face do dom de si mesmo, sem reservas, gratuito, como é todo o amor verdadeiro".
Assim, o Deus que não se vulnerabilizou à possibilidade de ser rejeitado, não ama. E o Deus incapaz de amar não é o Deus bíblico.


domingo, 20 de janeiro de 2008

um rapaz novo, talvez nem vinte anos, sentado com o coração na boca, no Jardim das Amoreiras, à sombra de uma árvore.



A mão, imperativa:
- Hoje não escreves nada.
mas isto não me sai da cabeça. Um rapaz novo, talvez nem vinte anos, sentado com o coração na boca, no Jardim das Amoreiras, à sombra de uma árvore.
- Desiste, não vais ser capaz.
As mãos apoiadas sobre os joelhos. A cabeça, inquisidora, move-se em todas as direcções como os radares dos aeroportos. Bem vestido, fato de corte italiano e camisa de linho egípcio. Sozinho. A cabeça procura. Controla as horas de minuto a minuto. Passam por ele três raparigas lindas. Divinais. Quatro idosos a bater cartas, param. As bocas abertas. O braço de um deles, levantado já acima da cabeça, preparado para mostrar aos comparsas e ao mundo o vigor indisfarçável do ás de copas, permanece inerte, lá em cima, acompanhando a boca aberta no pasmo perante tanta beleza, mas o radar continua as suas voltas. Permanece indiferente. Os olhos berram amor, mas ela demora a chegar. Decido ficar por ali uns instantes, com a curiosidade a roer-me todo por dentro.
- Como será ela?
Sento-me dois bancos ao lado dele. Abro o Público, para disfarçar, e vou deitando o olho cá para fora, por cima do jornal. Passam alguns minutos e o rapaz começa a mostrar sinais de algum desânimo. Talvez ela já não venha e o sol se esconda por trás de uma dessas andorinhas que teimam em permanecer por cá. Os olhos dele cobrem-se de um véu leve, translúcido, e as íris ameaçam afundar-se cara abaixo. Invade-me um sentimento de pena. A crueldade das mulheres bonitas, cujos sorrisos são armas de destruição massiva, pode ser incomensurável. Estendem os lábios e conquistam, à custa de napalm de dentes brancos e pocinhas no rosto, os territórios desprevenidos que habitam os peitos de rapazes como este.
Gostava de te poder ajudar, nesse combate em que és o teu pior inimigo. À custa de quereres reprimir isso que te vai aí dentro, aumenta-lo. Cresceu dentro de ti uma espécie de dependência dela e não percebes porque é que ela se tornou o teu epicentro. Viciaste-te na felicidade de alguém que não compreendes. Conspiraram contra ti poetas renascentistas e pintores impressionistas e sentes o mundo preso nas pestanas dela. Sentes que quando ela fecha os olhos tudo cessa de existir. Mas a verdade é que não posso. Nem sei se seria bem ajudar-te. Isso que tu sentes é o que te salva. Se lho dissesses ela não perceberia o porquê. Dir-te-ia:
- Sou uma mulher como as outras. Além disso, tenho alguém e, a ti, mal te conheço.
Objectarias que te parece que a conheces desde sempre. Que, quando sorri, transporta um sorriso triste a três quartos dos lábios. Que não é uma mulher como as outras e pagarias para a ouvir respirar, à noite, segundos antes dela adormecer. Mas ela não percebe que isto roda só para ela e que os deuses projectaram o universo para que ela o pudesse pisar.
De súbito, uma apatia apodera-se do jardim e ouve-se apenas, ao longe, o canto afinado de um rouxinol. Os jogadores de cartas deixaram de comentar jogadas pretéritas e encontram-se como que rendidos a algo maior do que eles. O vento levanta-se, soprando de sudoeste um hálito leve mas constante e parece que me encontro dentro de um filme, momentos antes de se atingir o clímax da acção.E, de repente, percebo a cabeça que indaga. Eis que ela chega. Cabelos negros, longos, parecem cascatas de chocolate sobre a pele cor de mel. Ao andar, dança. Ao sorrir, voa. Ao ajeitar o cabelo, atirando-o sobre o ombro esquerdo, enche o jardim de vida e desabrocham as flores nos canteiros. Nos enormes olhos castanhos traz o fado que nos espera. O rapaz chora. Rendeu-se. Nunca lhe conseguirá dizer o que sente por ela. Aquela mulher mostrou-lhe a felicidade para lhe dizer que nunca a terá.
Resta-lhe saber que haverá, daqui a alguns anos, à sua espera, um banco de jardim, um jornal e um rapaz novo, talvez nem vinte anos, sentado com o coração na boca, no Jardim das Amoreiras, à sombra de uma árvore.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A Amizade é...



AMIZADE É...

1. Laço que une mas não aprisiona.
2. Pedra que levanta mas não esmaga.
3. Mão que acompanha mas não força.
4. Estrela que guia mas não cega.
5. Olhar que perscruta mas não julga.
6. Irmão que corrige mas não humilha.
7. Oásis que restaura mas não retém.
8. Árvore que abraça mas não aperta.
9. Manto que cobre mas não sufoca.
10. Coração que ama mas não exige.
11. Torrente que mata a sede mas não afoga.
12. Cadeia que une mas não aperta.
13. Lima que aguça mas não arranha.
14. Ternura que protege mas não oprime.
15. Brisa que acalma mas não aborrece.
16. Palavra que previne mas não aborrece.
17. Música que harmoniza mas não esconde.
18. Vinho que envelhece mas não azeda.



quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Colaboradores de Deus

Só Deus pode criar
mas tu podes valorizar o que Ele criou.
Só Deus pode dar a vida,
mas tu podes transmiti-la e respeitá-la.
Só Deus pode dar a fé,
mas tu podes dar o testemunho.
Só Deus pode dar o amor,
mas tu podes ensinar a amar.
Só Deus é o caminho,
mas tu podes indicá-lo aos outros.
Só Deus pode dar a alegria,
mas tu podes sorrir a todos.
Só Deus pode dar saúde
mas tu podes guiar e orientar.
Só Deus pode infundir a esperança,
mas tu podes restituir a confiança.
Só Deus pode dar a paz,
mas tu podes semear a união.
Só Deus pode dar a força
mas tu podes apoiar quem desanimou
Só Deus é a luz,
mas tu podes restituir aos outros a vontade de viver.
Só Deus pode fazer milagres,
mas tu podes ser aquele que trouxe cinco pães e dois peixes.
Só Deus pode fazer o impossível,
mas tu podes fazer o possível.
Só Deus basta a si mesmo,
mas Ele preferiu contar com a tua pessoa.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O Amor e os monstros

- Papai…!
- O que foi, filha?
- Estou com medo…
- Medo de quê?
- De monstros!
- Monstros?
- É… Eles estão aqui!
- Filhinha… Deixa eu te dizer uma coisa: onde existe amor não há lugar para monstros. Os monstros têm medo do amor. O amor é maior que os monstros. O amor é maior que tudo. E você é muito amada, minha flor.
- Quer dizer que onde não tem amor os monstros vêm?
- É, querida, você disse uma grande verdade… Onde não há amor nossos monstros, nossas feras, nossos demônios aparecem, entram e fazem moradas.
A essa altura do meu discurso metafísico sobre as implicações do conflito apocalíptico entre os monstros que habitam a imaginação fértil de minha filha recém-adotada e o amor, meus olhos, encarando-a com toda a ternura do mundo se encheram de lágrimas, enquanto os seus, verdes e claros como o mar de Natal, sorriram pra mim, ante a constatação de que o amor estava presente ali entre nós, que os monstros haviam se dissipado todos como fumaça, e que era hora de dormir na mais profunda paz de criança.Nosso breve tratado filosófico-teológico se encerrou num abraço apertado (de ambos), molhado (por minhas lágrimas) e cheio desse mesmo amor de que falamos.

…estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demónios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do AMOR…
Carta de São Paulo aos Romanos, capítulo XVIII

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Imaturidade e narcisismo do amor

Provavelmente uma das mais belas, profundas e verdadeiras reflexões sobre o Amor que já tive oportunidade de ler. Apreciem com o coração aberto e disponível este verdadeiro tesouro de sabedoria e espiritualidade:


"Os psicólogos usam palavras bem ásperas para a imaturidade e o narcisismo do amor na nossa sociedade mercadológica, na qual ele é reduzido a uma necessidade puramente egoísta que exige satisfação imediata ou manipula os outros de maneira mais ou menos inteligente a fim de obter o que deseja. Mas a pura verdade é esta: o amor não é uma questão de se obter o que se deseja. Muito pelo contrário. A insistência em sempre ter o que se deseja, em sempre obter satisfação, em sempre ser saciado, torna o amor impossível. Para amar, você precisa sair do berço, onde tudo é ‘obter’, e crescer para a maturidade da doação, sem se preocupar em obter alguma coisa especial em troca. O amor não é uma transação, é um sacrifício. Não é marketing, é uma forma de culto.
Na realidade, o amor é uma força positiva, um poder espiritual transcendente. É, de facto, o poder criativo mais profundo na natureza humana. Enraizado nas riquezas biológicas da nossa herança, o amor floresce espiritualmente como liberdade e como resposta da criatura à vida num encontro perfeito com uma outra pessoa. É uma apreciação viva da vida como valor e como dom. Responde à fecundidade, à variedade e à total riqueza da própria experiência viva; ele ‘conhece’ o mistério interior da vida. Deleita-se com a vida como uma fortuna inesgotável. O amor aprecia essa fortuna de uma maneira impossível ao conhecimento. O amor tem a sua própria sabedoria, sua própria ciência, sua própria maneira de explorar as profundezas interiores da vida no mistério da pessoa amada. O amor sabe, compreende e satisfaz as exigências da vida, na medida em que responde com calor, abandono e entrega.

O amor é o nosso verdadeiro destino. Não encontramos o sentido da vida sozinhos ­— nós o encontramos com um outro. Não descobrimos o segredo de nossas vidas apenas pelo estudo e pelo cálculo em nossas meditações isoladas. O sentido de nossa vida é um segredo que nos tem de ser revelado no amor, por aquele que amamos.”

Thomas Merton, em "Amor e Vida"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O cego e o publicitário


Um publicitário passava por um mendigo cego todos os dias de manhã e à noite e dava-lhe sempre alguns trocos. O cego trazia pendurado no pescoço um cartaz com a frase: "Cego de Nascimento. Uma esmola por favor".
Certa manhã, o publicitário teve uma ideia: virou o letreiro do cego ao contrário e escreveu outra frase. À noite, depois de um dia de trabalho, perguntou ao cego como é que tinha sido o seu dia. O cego respondeu, muito contente:- "Até parece mentira, mas hoje foi um dia extraordinário. Todos que passavam por mim deixavam alguma coisa. Afinal, o que é que o senhor escreveu no letreiro???".

O publicitário havia escrito uma frase breve, mas com sentido e carga emotiva suficientes para convencer os que passavam a deixarem algo para o cego. A frase era: "Em breve chegará a primavera e eu não poderei vê-la".

A maioria das vezes não importa O Que se diz, mas se Como diz, por isso tenha cuidado na forma como fala com as pessoas, pois isso tem muito peso naquilo que quer dizer.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O Amor Maduro


O amor maduro não é menor em intensidade.Ele é apenas quase silencioso.
Não é menor em extensão. É mais definido, colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações: presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas: amplia-se com as ausências significantes.

O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.

O amor maduro é sólido e definido.
Mas estranhamente se recolhe quando invadido pelos problemas da infelicidade que fazem a glória do amor imaturo.
O amor maduro é a regeneração de cada erro.
Ele é filho da capacidade de crer e continuar.
É o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais com epidemias de ciúme, controle ou agressividade.

O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.
Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não persegue, recebe.
Não exige, dá.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.

O amor maduro não precisa de armaduras, coices, cargos, iluminuras, enfeites, papel de presente, flâmulas, hinos, discursos ou medalhas: vive de uma percepção tranquila da essência do outro.
Deixa escapar a carência sem que pareça paupérrima.
Demonstra a necessidade sem que pareça voraz.
Define uma dependência sem que se manifeste humilhante.

O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.
Basta-se com o todo do pouco.
Não precisa nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e sua incompletude, por isso é pleno em cada ninharia por ela transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança.
É o sol de outono: nítido, mas doce.
Luminoso, sem ofuscar.
Suave mas definido.
Discreto mas certo.
Um sol, que aquece até queimar.

Arthur da Távola - retirado do blog Metanóia

domingo, 6 de janeiro de 2008

Amar é ser vulnerável...


«Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente o seu coração vai doer e talvez partir-se. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto , você não deve entregá-lo a ninguém , nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente nos seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife do seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro , sem movimento , sem ar - ele vai mudar. Ele não vai partir-se – vai tornar- se indestrutível, impenetrável , irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e pertubações do amor é o inferno.» - C.S. Lewis em “Os quatro amores”

sábado, 5 de janeiro de 2008

Projecto de Vida


Amanhã fugimos para a região dos grandes lagos. Encomendamos duas toneladas de madeira e construímos uma cabana, no sopé da montanha, com vista para o bosque. Enfeitamos o alpendre com dois vasos de orquídeas e uma cadeira de baloiço. Levanta-mo-nos bem cedo, dou-te um beijo e trato das flores. Despes-te, entras na água e nadas no lago. Ainda antes do almoço vens ter comigo, os cabelos molhados escorridos pelo peito e a pele enrugada. Cheiras ao mundo que me consome. À tarde, lemos. Folheamos de uma forma desinteressada o romance que escrevemos enquanto o sol se põe por trás das montanhas. Normalmente ficamos por ali a observar o crepúsculo, com um odor a flores nas narinas, que vai e vem, que vai e vem, que vai e vem...

David Aguilar - Tens a Eternidade Estampada no Rosto

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Não te trocava por nada deste mundo...

Não te trocava por nada deste mundo. Os dias passam lentamente e as horas são balas de longo alcance que acabarão por nos deitar por terra.
Faz um frio insuportável a esta hora da vida. A alma, se existisse, seria perceptível nos negativos das fotografias ou, vá lá, nas chapas das radiografias. Já me estou a ver, depois de um desgosto amoroso, a apertar a camisa e o técnico de imagiologia, expedito:

- O meu amigo fracturou a alma.

Fractura exposta, não de tíbia que rasga a pele mas de lágrimas que rasgam os olhos. (Outra ideia gira. As lágrimas são a alma em estado líquido.Presumo que o seu estado normal seja o gasoso...)

- Olhe, desculpe, era só para dizer que não acredito em nada disto.

Faz um frio do caneco a esta hora da vida e não, não foi engano. Faz mesmo um frio de rachar a esta hora da vida. Acende-se o lume da esperança nos olhos de uma mulher e estendem-se as mãos para a fogueira, sentindo um calor de íris por entre os dedos. Às vezes ocorre-me ficar sem palavras mas, falando a sério, experimento uma resistência enorme ao tentar compreender isto tudo. Nunca ninguém deu entrada nas urgências do Santa Maria:

- Cortei-me na alma. De quantos pontos acha o Senhor Doutor que eu preciso?

e ainda passo horas ao espelho à espera de encontrar um qualquer sinal exterior dessa entidade metafísica.


domingo, 30 de dezembro de 2007

10 grandes canções que ouvi em 2007



Era suposto publicar esta lista no meu blog sobre música. No entanto, esse blog encontra-se "parado" há algum tempo por duas razões principais: falta de disponibilidade para trabalhar em todos os blogs em que estou envolvido, o que me "obriga" a fazer opções; e também pelo facto do blog estar um pouco lento, devido( penso eu) à postagem excessiva de videos. Já retirei alguns, mas mesmo assim continua lento. Por isso, para cada canção, limitar-me-ei a postar apenas os links dos videos, ou o formato audio.

> Going to a Town - Rufus Wainwright
Um dos meus artistas favoritos. Inesquecível o concerto a que assisti há alguns anos no Coliseu dos Recreios (em Lisboa). Este ano, lançou mais um disco fantástico, do qual escolhi - "Going to a Town", como uma das grandes canções de 2007.

"(...)Tell me do you really think you go to hell for having loved?
Tell me and not for thinking every thing that you've done is good
(I really need to know)
After soaking the body of Jesus Christ in blood
I'm so tired of America"

> Australia - The Shins
Uma das canções que mais ouvi em 2007, certamente. Melodia viciante, cativante, irresistível. Pop de sonoridade revivalista com muita classe e talento!

> A lady of a certain age - Divine Comedy

Pura elegância pop! Uma das melhores canções desta banda que está no cume das minhas preferências musicais. Neil Hannon conta-nos (com ironia e inteligência) a história de vida de uma mulher que procura nos meandros da alta sociedade a sua segurança e felicidade.

"(...)You chased the sun around the Cote d'Azur
Until the light of youth became obscured
And left you all alone and in the shade
An English lady of a certain age"

> Our love goes deeper than this - Duke Special
Mais uma viciante e super dançante melodia pop! Pura magia! Com a participação de Neil Hannon (Divine Comedy), Duke Special (artista que desconhecia até tomar contacto com esta pérola musical) oferece-nos um delicioso momento musical que a cada audição vai tornando-se cada vez mais saboroso e irresistível.

> Advice for young mothers to be - The Veils
Canção ouvida dezenas e dezenas de vezes em 2007. Video que compartilhei com muita gente (vale a pena assistir até ao fim, mesmo que não se goste da canção). Uma pérola pop interpretada com mestria.

> Fidelity - Regina Spektor
Voz doce e encantadora. Pura delícia pop temperada com inocência e criatividade.

> Dream on Girl - Rita Redshoes
A Rita faz parte da banda que acompanha David Fonseca (ouçam e vejam com atenção este belo dueto: Hold Still). Este ano estreou-se a solo com esta canção de sonho! Três minutos de pura magia e encanto, com um video a condizer...

"(...) I can’t find your dreams tonight
And make your lover come back home
If you don’t know, you are on your own
I’ll choose the best days for your sleep

Come back to see the day you lost your heart
And odd your hopes
I’ll take you to see the sunrise and try to catch your ghost(...)"

> Superstars II - David Fonseca
Dizem os críticos e os admiradores que "Dream in Colour" é o melhor disco deste músico português até à data. Considerado um disco "luminoso", e também "o disco matinal de David Fonseca, do primeiro sol do dia a entrar pela janela, do despertar para uma nova aventura."
Confesso que ainda só ouvi algumas faixas, mas tenho de concordar com os críticos.
O primeiro single - "Superstars" , enquadra-se perfeitamente nesse espírito. O video está soberbo!
"(...) But they don’t know how really feels
They’re just here on holidays
Like dummies filling landscapes
How could they see you cry?
Do you remember me?
I was the one that held you through
I held a spot light when you did that crazy dance with me
Yeah you did that crazy dance
You did that crazy dance with me"

> Encosta-te a mim - Jorge Palma
Ainda no panorama da produção musical nacional, não podia deixar de destacar uma das canções que mais tocou nas rádios nacionais. Com todo o mérito, pois Jorge Palma é um dos melhores compositores e letristas portugueses. Esta canção faz jus a esse status.
"(...) Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

(...) Eu venho do nada, porque arrasei o que não quis
em nome da estrada, onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer."

> Vilarejo - Marisa Monte
Fecho os olhos e viajo para outro universo ao som desta canção. Obrigado Marisa!
"Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá

Por cima das casas, cal
Frutos em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real (...)"

Um Feliz Ano Novo para todos! Convido-vos a ler a minha mensagem.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O Principal


Conta a lenda que uma mulher pobre com uma criança no colo, passava diante de uma caverna quando escutou uma voz misteriosa que lá de dentro lhe dizia: "Entre e apanhe tudo o que você desejar, mas não se esqueça do principal. Lembre-se, porém, de uma coisa: Depois que você sair, a porta fechar-se-á para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do principal..."

A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental. A voz misteriosa falou novamente: "Você só tem oito minutos."
Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta fechou-se... Lembrou-se, então, que a criança ficara lá e a porta estava fechada para sempre!

A riqueza durou pouco e o desespero, sempre. O mesmo acontece às vezes, connosco.Temos uns oitenta anos para viver neste mundo, e uma voz sempre nos adverte: "Não se esqueça do principal!" E o principal é Deus, o Amor, os valores espirituais, a família, os amigos, a vida!
Mas a ganância, a riqueza, os prazeres materiais fascinam tanto que o principal vai ficando sempre de lado... Assim, esgotamos o nosso tempo aqui, e deixamos de lado o essencial: Os tesouros da alma!
Que jamais nos esqueçamos que a vida neste mundo, passa rápido e que a morte chega inesperadamente. E quando a porta desta vida se fechar para nós, de nada valerão as lamentações. Portanto, que jamais te esqueças do principal!


Autor desconhecido
(o texto foi adaptado por mim)

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Feliz Natal!



Jesus, neste natal encontrar-nos-ás?...

Já houve um dia em que não tiveste lugar nas casas iluminadas da cidade...

Hoje, com as pernas e o Coração a Caminho,
procuro-te nas ruas enfeitadas,
nas luzes, nas montras, nos rostos,
nas mãos carregadas de presentes sem história…


Há passos apressados e sacos cheios de menoridades necessárias
que esvaziam as algibeiras
mas não vejo encherem muito os corações…
Há rostos pesados e cansados
de olhares em sobressalto
entre a mais recente promoção e os últimos nomes da lista…
Há embrulhos, laços, postais, música…

E há as crianças...

Sim, sempre elas, a dar o tom da Alegria
Sem outra preocupação senão descobrir a última novidade
no céu, no semáforo que fica intermitente
ou no rafeiro que está deitado à entrada de um prédio...

Há as crianças...

Porque a alegria da maior parte dos que não são como elas não me convence…
Estão preocupados demais
para poderem estar alegres.
Estão apressados demais
para saborearem os caminhos que percorrem.
Estão ocupados demais
para perguntarem o porquê dos gestos que fazem.


Parece-me que o natal lhes sai dos bolsos
mas não lhes entra no coração!

E depois, sem que se dêem conta,
o natal já passou.
E não ficou…


Porque inventámos um natal
onde ninguém precisa de nascer para que seja NATAL!
Porque já vai longe a lembrança
de que um dia um Menino nasceu,
antes de haver shoppings e cartões de crédito;
num país onde não havia um Pai Natal
que gostasse de andar atrelado a renas;
onde não havia pinheirinhos com luzinhas
nem se cantava Jinglebells…


E, apesar de faltar tudo isso,
consta que houve NATAL…
E hoje,apesar de haver tudo isso,
consta que não há tanto NATAL como as montras dizem…



Rui Santiago, Derrotar Montanhas
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domingo, 23 de dezembro de 2007

Deus



Vejo Cristo por aí
Perambulando pelas esquinas da nossa cidade.
Vejo-o nas calçadas,
Nas praças,
Nas ruas...

É o Cristo Crucificado,
Excluído pela sociedade
E pela arrogância de quem não o reconhece
Nos pequeninos humilhados,
Nos pobres descamisados...
Agonizados,
Injustiçados,
Abandonados...

É o Cristo Crucificado,
Que na cruz da opressão,
Nos apela com intensidade
Por meio de tantas realidades,
Tantas causas e situações.


Vejo Cristo Crucificado por aí,
Nos viadutos e becos da cidade,
Como bicho sem valor,
Sem direito à dignidade
E gritando de dor...


Vejo-o por todos os cantos,
Por aí à toa,
Sem educação,
Sem moradia,
Sem alimentação...
Sem nada!


sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Arriscar


«A pomba que, por medo do gavião, se recusasse a sair do ninho, já se teria perdido no próprio acto de fugir do gavião. Porque o medo lhe teria roubado aquilo que de mais precioso existe num pássaro: o vôo. Quem, por medo do terrível, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse acto estará morto. Porque o medo lhe terá roubado aquilo que de mais precioso existe na vida humana: a capacidade de se arriscar para viver o que se ama.» - Rubem Alves - "Um Mundo num Grão de Areia" (os grifos são meus)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A Magia do Humor


E acima de tudo o Humor! Sim, sim, sim! No coração o Amor, no rosto o Humor! Se eu fosse um Messias, agora diria qualquer coisa como: “Nem só de Amor vive o Homem, mas de todo o Humor que brota do seu coração!” (pronto, já disse). Está cientificamente provado o poder terapêutico do humor e do riso. E mesmo que não estivesse! Está historicamente comprovado que os melhores momentos da nossa vida estão marcados por uma boa gargalhada.

Aprendamos a rir-nos de nós próprios, sem medos nem inseguranças. É um dos mais evidentes sinais de maturidade é a capacidade de se rir de si próprio e ser causa de riso para os outros (riso, não gozo…).
Vá lá, ri-te de ti próprio, porque de qualquer maneira alguém se há-de rir de ti! E não te queiras alhear disto com desculpas deste género: “Eu não sou dado a risos, não nasci com grande humor…” Eu também não me sinto vocacionado a ser palhaço! Mas não perco a oportunidade de uma boa risada, nem tenho medo de manifestar a minha alegria.

Não estamos a falar da comédia dos palhaços, mas do humor dos sábios, a atitude espontânea e despretensiosa diante das situações, o humor anti-peneiras e anti-superficialidades. O humor dos simples, o riso fácil das crianças de coração feliz quando lhes fazemos uma careta, a alegria de ir nascendo em ti a certeza de que tudo isto é verdadeiramente possível se quiseres. Tens a vida ao teu alcance

Não achas bonito que os bebés, ao nascer, nasçam de cabeça! Sim, nascemos “de cabeça para a vida” (quer dizer, eu por acaso nasci de cesariana, mas dá para perceber a ideia, não dá?!). Entramos na vida “de cabeça”, e depois é que vamos ganhando os medos, as cobardias, os pessimismos…Viver uma Espiritualidade Prática implica redescobrir todos os dias como se “entra na vida de cabeça”, de peito aberto, coração confiante e mente criativa. Por isso, é nascer de novo todos os dias…

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

É assim que te quero...


É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda

domingo, 16 de dezembro de 2007

Transformados pelo Poder do Amor


« Quando as pessoas realmente amam, experimentam muito mais do que apenas a necessidade de companhia e aconchego mútuos. Na sua relação com o outro, tornam-se pessoas diferentes: são mais do que de costume, mais vivas, mais compreensivas, mais pacientes, mais resistentes... São refeitas como seres novos. Transformadas pelo poder do seu amor.

O amor é a revelação do nosso sentido, valor e identidade pessoais mais profundos. Mas esta revelação é impossível enquanto formos prisioneiros do nosso egoísmo. Não posso encontrar-me em mim mesmo, mas só no outro. O meu verdadeiro sentido e valor são-me mostrados não na avaliação que faço de mim mesmo, mas nos olhos de quem me ama; e este deve amar-me como sou, com as minhas falhas e limitações, revelando-me a verdade de que essas falhas e limitações não podem destruir o meu valor aos olhos daquele que me ama; e que sou, portanto, valioso como pessoa, a despeito das minhas falhas, a despeito das imperfeições do meu “pacote” exterior.
O pacote é totalmente irrelevante. O que importa é essa mensagem infinitamente preciosa que só posso descobrir no meu amor por outra pessoa. E essa mensagem, esse segredo, só me é plenamente revelado se, ao mesmo tempo, eu for capaz de ver e entender o valor singular e misterioso daquele que amo.» - Thomas Merton, em "Amor e Vida"

«O amor não é só uma maneira especial de estar vivo: é a perfeição da vida. Aquele que ama está mais vivo e é mais real do que quando não amava.» - Thomas Merton, em "Amor e Vida"

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Sentido da Vida Revelado no Amor


« O amor é o nosso verdadeiro destino. Não encontramos o sentido da vida sozinhos, e sim com outro. Não descobrimos o segredo das nossas vidas apenas por meio de estudo e de cálculo em nossas meditações isoladas. O sentido da nossa vida é um segredo que nos tem de ser revelado no amor, por aquele que amamos. E, se esse amor for irreal, o segredo não será encontrado, o sentido jamais se revelará, a mensagem jamais será decodificada. No melhor dos casos, receberemos uma mensagem confusa e parcial, que nos enganará e confundirá. Só seremos plenamente reais quando nos permitir-nos amar — seja uma pessoa humana ou Deus.» -Thomas Merton, em "O Amor e a Vida" (os grifos são meus)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Aprender Quem Somos

« A vida consiste em aprender a viver de maneira autónoma, espontânea e livre: para isso é preciso reconhecer-se a si mesmo – estar familiarizado e à vontade consigo mesmo. Isso significa, basicamente, aprender quem somos e aprender o que temos para oferecer ao mundo contemporâneo e, depois, aprender como fazer para que essa oferta seja válida.
A finalidade da educação é mostrar a uma pessoa como se definir autêntica e espontaneamente em relação ao seu mundo – não é impor uma definição pré-fabricada do mundo e, menos ainda, uma definição arbitrária do próprio indivíduo.
O mundo é feito de pessoas que estão plenamente vivas dentro dele: isto é, de pessoas que podem ser elas mesmas nele e podem nele estabelecer umas com as outras uma relação viva e frutífera. O mundo, portanto, é mais real na proporção em que as pessoas nele são capazes de ser mais plenamente e mais humanamente vivas: isto é, mais capazes de fazer um uso consciente e lúcido de sua liberdade. Basicamente, essa liberdade deve consistir, antes de tudo, na capacidade de escolherem as suas próprias vidas, de se encontrarem no nível mais profundo possível. Uma liberdade superficial de vagar sem destino, ora aqui, ora ali, de experimentar isto e aquilo, de fazer uma escolha de distrações (…) é simplesmente um simulacro. Pretende ser uma liberdade de “escolha” ao passo que se esquiva da tarefa básica de descobrir quem é que escolhe. Não é livre porque não está querendo enfrentar o risco da autodescoberta.» - Thomas Merton, em "Amor e Vida" ( os grifos são meus)

domingo, 9 de dezembro de 2007

Para ti, meu anjo

«Para o meu coração basta teu peito
para a tua liberdade bastam minhas asas.
Desde a minha boca chegará até ao céu
o que estava dormindo sobre a tua alma.»

Pablo Neruda




Cowboy Junkies - «Angel Mine»



He searched for those wings that he knew
that this angel should have at her back
And although he can't find them
he really don't mind'cause he knows they'll grow back
And he reached for that halo that he knows
that she had when she first caught his eye
Although his hand came back empty
he's really not worried'cause he knows it still shines

I can't promise that I'll grow those wings
or keep this tarnished halo shined
but I'll never betray your trust
angel mine

I search all the time on the ground
for our shadows cast side by side
Just to remind me that I haven't gone crazy
that you exist and are mine
And I know that your skin is as warm and as real
as that smile in your eyes
But I have to keep touching and smelling
and tasting for fear it's all lies

I can't promise that I'll grow those wings
or keep this tarnished halo shined
but I'll never betray your trust
angel mine

Last night I awoke from the deepest of sleeps
with your voice in my head
And I could tell by your breathing
that you were still sleeping
I repeated those words that you had said

I can't promise that I'll grow those wings
or keep this tarnished halo shined
but I'll never betray your trust
angel mine

sábado, 8 de dezembro de 2007

Antes de amar-te


Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

Pablo Neruda

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Oração de Gandhi



"Senhor, ajuda-me a dizer a verdade
diante dos fortes e a não dizer mentiras para
ganhar o aplauso dos fracos.
Se me dás fortuna, não me tires a razão.
Se me dás sucesso, não me tires a humildade.
Se me dás humildade, não me tires a dignidade.
Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda.
Não me deixes acusar o outro
por traição aos demais, apenas por não pensar igual a mim.
Ensina-me a amar os outros como a mim mesmo.
Não deixes que me torne orgulhoso, se triunfo;
nem cair em desespero se fracasso.
Mas recorda-me que o fracasso
é a experiência que precede o triunfo.
Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza
e que a vingança é um sinal de baixeza.
Se não me deres o êxito,
dá-me forças para aprender com o fracasso.
Se eu ofender as pessoas,
dá-me coragem para desculpar-me.
E se as pessoas me ofenderem,
dá-me grandeza para perdoar-lhes.
Senhor, se eu me esquecer de Ti,
nunca Te esqueças de mim."

(in, Voz Portucalense, 12 Setembro)
Fonte: Setop