domingo, 13 de abril de 2008

Surpreendidos pela Alegria


«Nós somos surpreendidos pela alegria ou pela tristeza?

O grande desafio da fé é sermos surpreendidos pela alegria. Recordo-me duma vez em que estava sentado à mesa de jantar com alguns amigos a discutir sobre a depressão económica do país. Continuávamos a amontoar estatísticas que nos convenciam cada vez mais de que as coisas não podiam senão piorar. Então, de repente, o filho de quatro anos dum dos meus amigos abriu a porta, correu para o pai e disse-lhe: «Olha, pai! Olha! Encontrei um gatinho no jardim... Olha!... Não é giro?» E, enquanto mostrava o gatinho ao pai, o menino acariciava-o com as mãos e apertava-o contra a face. Tudo mudou de repente. O miúdo e o gatinho tornaram-se o centro das atenções. Houve sorrisos, carícias e muitas palavras de ternura. Enfim, fomos surpreendidos pela alegria!

Deus fez-Se um menino no meio dum mundo violento. Seremos nós surpreendidos pela alegria ou contiuamos a dizer: «Sim, é bonito e terno, mas a realidade é diferente?» E que tal se a criança nos revelasse aquilo que, efectivamente, é a realidade?» - Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O Olhar de Amor


«Deus não é o olhar curioso, o olhar inquiridor, o olhar que esquadrinha, o olhar que julga. Deus não é também o olhar condescendente, que vem de cima para baixo, olhar que fere, olhar que ignora o outro como pessoa, olhar que despreza.(...)

Ser bom com Deus: que frase maravilhosa! Não somos bons com Deus se O tratamos como alguém que Ele não é; não somos bons com Deus se O tratamos pura e simplesmente como um juiz- François Varillon, em "Viver o Evangelho"


Deus é: "Um olhar de amor que me faz existir e me faz crescer no amor." (clicar)

terça-feira, 8 de abril de 2008

O Beijo de Amor


«(...) o beijo é a troca de respirações, que significa a troca das nossas profundidades: respiro-me em ti, expiro-me em ti e aspiro-te em mim de tal maneira que esteja em ti e tu estejas em mim.

Quer dizer, saio de mim mesmo para já não ser eu o meu próprio centro para que, doravante, o meu centro sejas tu. É a ti que eu amo, és tu o meu centro, vivo para ti e por ti; sei que tu também sais de ti, que já não és tu o teu próprio centro, estás centrado(a) em mim. Eu estou centrado em ti, vivo para ti. Tu estás centrado(a) mim, vives para mim e ambos vivemos um pelo outro. Amar é viver para o outro (é o dom) e viver pelo outro (é o acolhimento). Amar é renunciar a viver em si, para si e por si.» -François Varillon, em "Alegria de Crer e de Viver"

domingo, 6 de abril de 2008

Há amores assim

Donna Maria - "Há amores assim"




Há amores assim
Que nunca têm início
Muito menos têm fim
Na esquina de uma rua
Ou num banco de jardim
Quando menos esperamos
Há amores assim

Não demores tanto assim
Enquanto espero o céu azul
Cai a chuva sobre mim
Não me importo com mais nada
Se és direito ou o avesso
Se tu fores o meu final
Eu serei o teu começo

Não vou ganhar
Nem perder
Nem me lamentar
Estou pronta a saltar
De cabeça contra o mar

Não vou medir
Nem julgar
Eu quero arriscar
Tenho encontro marcado
Sem tempo nem lugar

Je t’aime j’adore
Um amor nunca se escolhe
Mas sei que vais reparar em mim
Yo te quiero tanto
E converso com o meu santo
Eu rezo e até peço em latim

Quando te encontrar sei que tudo se iluminará
Reconhecerei em ti meu amor, a minha eternidade
É que na verdade a saudade já me invade
Mesmo antes de te alcançar
É a sede que me mata
Ao sentir o rio abraçar o mar

Sem lágrima caída
Sou dona da minha vida
Sem nada mais nada
De bem com a vida

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O Amor de Deus



«Não é possível entrar em competição para ver quem é que ganha o amor de Deus. O amor de Deus é um amor que abraça a todos - cada um na sua própria unicidade. Só quando reivindicamos o nosso lugar no amor de Deus é que podemos experimentar o abraço total desse mesmo e incomparável amor e sentirmo-nos em segurança, não só em relação a Deus mas também em relação a todos os irmãos e irmãs. »


Henri Nouwen, em "Viver é Ser Amado"

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Coração Puro

"Quem o tem o coração puro? Aquele que não mancha o seu coração nem com o mal que comete nem com o bem que faz». -Dietrich Bonhoeffer, citado por François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver"

domingo, 30 de março de 2008

O Poder de Dar



"Dar é a expressão mais elevada de potência. No próprio acto de dar, eu experimento a minha força, o meu valor, o meu poder. A experiência de uma elevada vitalidade enche-me de alegria. Eu experimento-me como transbordante, provedor, vivo e, portanto, alegre. Dar causa mais alegria que receber, não porque seja uma privação, mas porque, no acto de dar, encontra-se a expressão da minha vitalidade." - Erich Fromm, citado por Dallas Willard, em "A renovação do coração"

Lanço um apelo ao vosso coração generoso e solidário: uma amiga que é professora teve conhecimento que uma antiga colega de residência encontra-se há três anos a leccionar em S. Tomé e depara-se diariamente com as mais diversas dificuldades. Todos podemos contribuir para ajudar a minorar esta situação. Objectos que temos em abundância (como lápis, canetas, cadernos, livros escolares, dicionários e obras literárias portuguesas) podem fazer a diferença naquela escola e, acima de tudo, na aprendizagem daqueles alunos.

Por favor consultem o blogue:http://projectosaotome.blogspot.com/

Muito obrigado!

sexta-feira, 28 de março de 2008

Quando chegamos ao fundo...


"...é deprimente procurar Deus quando o navio está afundando debaixo de nós; deprimente achegar-nos a Ele como um último recurso, oferecer a nossa pessoa quando não vale mais a pena guardá-la.

Se Deus fosse orgulhoso Ele jamais nos aceitaria nesses termos, mas Ele não é orgulhoso, Ele desce até nós para conquistar, Ele aceita-nos embora tenhamos mostrado que preferimos tudo o mais a Ele, e nos achegamos porque agora não há "nada melhor" que possamos ter.(...)"


C.S. Lewis, em "O problema do sofrimento"

quarta-feira, 26 de março de 2008

Amar é viver

"(...) Vida é o "algo mais" da existência. Não é um suceder de dias gastos e desgastantes, sem passado que alegre nem futuro que entusiasme. É uma construção quotidiana do mais fundo de mim próprio, do que sou, para lá do que tenho ou pareço. É uma descoberta do essencial, do eterno, do "eu" que permanece porque é mais forte que a morte. E só o que tem coração é eterno… só o que tem densidade de amor permanece, porque no frente-a-frente com a morte, só o amor se aventura sem lutar para perder. Seremos eternamente a plenitude do que agora construirmos; e construímo-nos agora na medida em que amamos.(...)"

terça-feira, 25 de março de 2008

A Vida é...

"A vida é uma oportunidade dada por Deus para nos tornarmos quem somos, para afirmarmos a nossa própria e autêntica natureza espiritual. (...)

O mistério insondável de Deus é que Ele é um Enamorado que quer ser amado. Aquele que nos criou está à espera da nossa resposta ao amor que nos deu o ser. "



Henri Nouwen, em "Viver é Ser Amado"

sexta-feira, 21 de março de 2008

Naquele dia, Naquele monte



Ele olhou ao redor da montanha e previu uma cena.
Três corpos pendurados em três cruzes.
Braços estendidos.
Cabeças inclinadas para frente.
Eles gemiam por causa do vento.
Homens fardados estavam sentados no chão, perto dos três.
Homens com roupas de religiosos se afastaram para o lado...
arrogantes, convencidos.
Mulheres envolvidas em sofrimento estão reunidas ao pé da montanha...
rostos marcados pelas lágrimas.

Todo o céu se levantou para lutar.
Toda a natureza se ergueu para o resgate.
Toda eternidade posicionou-se para dar proteção.
Mas o Criador não deu ordem alguma.
"Isso deve ser feito...", disse, e retirou-se.
O anjo disse outra vez: "Seria menos doloroso se..."
O Criador interrompeu brandamente: "Mas não seria amor..."

quinta-feira, 20 de março de 2008

Ser verdadeiramente


"O lugar para o qual Deus nos destina no Seu esquema de coisas é o lugar para o qual somos feitos. Quando o alcançamos, a nossa natureza é preenchida e a nossa felicidade alcançada: um osso quebrado foi colocado no seu lugar no universo, a angústia passou. Quando queremos ser outra coisa que não aquela que Deus quer que desejamos, devemos estar desejando, de facto, aquilo que não nos fará felizes. " - C.S. Lewis, em "O problema do sofrimento"

" Quanto mais deixamos que Deus assuma o controle sobre nós, mais autênticos nos tornamos - pois foi Ele quem nos fez. Ele inventou todas as diferentes pessoas que eu e você tencionávamos ser (...) É quando me viro para Cristo e me rendo à sua personalidade que pela primeira vez começo a ter minha própria e real personalidade." - C.S. Lewis, em "Cristianismo puro e simples"

terça-feira, 18 de março de 2008

1 ANO DE EXISTÊNCIA


Estimados amigos, visitantes e leitores, o "Abrigo dos Sábios" comemora hoje o seu primeiro ano de existência. Estão todos convidados para comer um pedacinho do bolito. É pequenino, mas bem dividido chega para todos. O importante é o espírito de comunhão, partilha e celebração!

Hoje, não há postagens. Este cantinho virtual pertence a todos vós que o visitam, lêem, comentam. Por isso, hoje estão todos convidados para expressarem as vossas opiniões, impressões, reflexões, pensamentos, sentimentos e emoções que este blog vos inspira, provoca, desperta...
Por exemplo: Qual o significado que ele tem para ti? Qual o post que mais te emocionou, marcou? Há quanto tempo o conheces? O que mais gostas e menos gostas no blog?

Estou aberto a sugestões, dicas, conselhos. O importante é melhorar, evoluir, crescer, aprender...

Partilhem comigo reflexões, frases, histórias, pensamentos, contos... Escolherei os que mais gostar para publicar no blog.

Obrigado a todos! Deus vos abençoe!


domingo, 16 de março de 2008

Felicidade Peregrina



«... a felicidade é justamente a colecção das pequenas alegrias que vamos colhendo e celebrando pelo meio do caminho. Como todos nós, a nossa felicidade também é peregrina. Guimarães Rosa sabia disso ao afirmar: "a felicidade não está nem na partida nem na chegada, mas no meio da travessia".

Já que a vida é infinita enquanto dura, então devemos celebrá-la constantemente fazendo o bem e fazendo isso muito bem. Se a felicidade é peregrina, o bem é definitivo. E no meio disso tudo está a vida, dom de Deus a ser celebrado, a ser desfrutado.»

Clovis Pinto de Castro em "Transformados pela Palavra de Deus" - W4 EndoNet - Comunicação.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Alegria de dar

«A nossa humanidade atinge a sua expressão mais alta no acto de dar.(...)

É triste constatar como, num mundo altamente competitivo e ávido de sucesso, perdemos o contacto com a alegria de dar. Com frequência vivemos até como se a nossa felicidade dependesse de ter. Mas o que acontece é que eu não conheço ninguém que seja realmente feliz pelo que tem. A alegria autêntica, a felicidade e a paz interior, provêm da capacidade de nos doarmos aos outros. Uma vida feliz é uma vida pelos outros. (...)»

Henri Nouwen, em "Viver é Ser Amado"


Convido-vos a ler (com atenção) e a reflectir (com profundidade) na seguinte parábola: Mar da Galileia/ Mar Morto (clicar)

quinta-feira, 13 de março de 2008

Só dê ouvidos a quem te ama


«Só dê ouvidos a quem te ama. Outras opiniões, se não fundamentadas no amor, podem representar perigo. Tem gente que vive dando palpite na vida dos outros. O faz porque não é capaz de viver bem a sua própria vida. É especialista em receitas mágicas de felicidade, de realização, mas quando precisa fazer a receita dar certo na sua própria história, fracassa.Tem gente que gosta de fazer a vida alheia a pauta principal de seus assuntos. Tem solução para todos os problemas da humanidade, menos para os seus. Dá conselhos, propõe soluções, articula, multiplica, subtrai, faz de tudo para que o outro faça o que ele quer.

Só dê ouvidos a quem te ama, repito. Cuidado com as acusações de quem não te conhece. Não coloque sua atenção em frases que te acusam injustamente. Há muitos que vão feridos pela vida porque não souberam esquecer os insultos maldosos. Prenderam a atenção nas palavras agressivas e acreditaram no conteúdo mentiroso delas. Há muitos que carregam o fardo permanente da irrealização porque não se tornaram capazes de esquecer a palavra maldita, o insulto agressor.

Por isso repito: só dê ouvidos a quem te ama. Não se ocupe demais com as opiniões de pessoas estranhas. Só a cumplicidade e conhecimento mútuo pode autorizar alguém a dizer alguma coisa a respeito do outro.
Ando pensando no poder das palavras. Há palavras que bendizem, outras que maldizem. Descubro cada vez mais que Jesus era especialista em palavras benditas. Quero ser também. Além de bendizer com a palavra, Ele também era capaz de fazer esquecer a palavra que amaldiçoou. Evangelizar consiste em fazer o outro esquecer o que nele não presta, e que a palavra maldita insiste em lembrar. Quero viver para fazer esquecer... Queira também. Nem sempre eu consigo, mas eu não desisto. Não desista também. Há mais beleza em construir que destruir.

Repito: só dê ouvidos a quem te ama. Tudo mais é palavra perdida, sem alvo e sem motivo santo. Só mais uma coisa. Não te preocupes tanto com o que acham de ti. Quem geralmente acha não achou nem sabe ver a beleza dos avessos que nem sempre tu revelas. O que te salva não é o que os outros andam achando... mas é o que Deus sabe a teu respeito.»

Pe. Fábio Melo

terça-feira, 11 de março de 2008

O frio que vem de dentro

Seis homens ficaram bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve. Teriam que esperar até ao amanhecer para poderem receber socorro. Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam. Se o fogo apagasse - eles sabiam -, todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.
Chegou a hora de cada um colocar a sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver.

O primeiro homem era um racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura. Então ele raciocinou consigo mesmo: - "Aquele negro! Jamais darei a minha lenha para aquecer um negro". E guardou-a, protegendo-a dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu no círculo em torno do fogo bruxuleante, um homem da montanha, que trazia a sua pobreza no aspecto do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas ao valor da sua lenha e enquanto mentalmente sonhava com o seu lucro, pensou: - "Eu? Dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso?" E reservou-a.
O terceiro homem era um negro. Os seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela superioridade moral que o sofrimento ensina. Seu pensamento era muito prático: - "É bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além disso, eu jamais daria a minha lenha para salvar aqueles que me oprimem". E guardou a sua lenha com cuidado.
O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve. Ele pensou: - "Esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar a minha lenha."
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas. Nem lhe passou pela cabeça oferecer da lenha que carregava. Ele estava preocupado demais com as suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.
O último homem trazia, nos vincos da testa e nas palmas calosas das mãos, os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido. - "Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem o menor dos meus gravetos".

Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira cobriu-se de cinzas e finalmente apagou-se. Ao alvorecer do dia, quando os homens do Socorro chegara à caverna, encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de Socorro disse: - "O frio que os matou não foi o de fora, mas o frio que veio de dentro".

Autor desconhecido







domingo, 9 de março de 2008

Deus Procura-te


Hoje, quero partilhar convosco um texto de um escritor que admiro imenso. É um texto retirado de um livro maravilhoso que aconselho vivamente: "O Regresso do Filho Pródigo". Este trecho que escolhi reflecte em parte o que tem sido a minha busca e experiência de Deus. Mas, o que eu considero mais importante neste trecho é o facto de que "Deus é o Pai que anda em busca dos filhos, vela por eles, corre ao seu encontro, os abraça, roga, suplica e anima a que voltem para casa. Por estranho que pareça, Deus deseja encontrar-me tanto, se não mais, do que eu desejo encontrar Deus. Sim, Deus reclama-me tanto como eu a Ele.".
Mas, Deus não se impõe, não pressiona, não oprime. Bem a propósito são as palavras de outro autor cristão que muito estimo: "Deus respeita de modo absoluto a liberdade do ser humano. Ele a criou, e não foi para petrificá-la, ou violentá-la. É por isso que ele jamais grita, nem impõe. Ele sugere, propõe, convida. Ele não diz "Eu quero", mas "Se tu quiseres ... " Expressões como "os mandamentos de Deus" ou "a vontade de Deus" devem, assim, ser tomadas com cuidado, e compreendidas segundo o amor. Deus não repreende: ele deixa esse cuidado à nossa consciência. "Ele é maior que o nosso coração", diz São João na sua primeira carta. Ele fica escondido para não se tornar irresistível.. A sua invisibilidade é uma forma de pudor". - François Varillon


«Ao longo de toda a minha vida tenho lutado por encontrar Deus, por conhecer Deus, por amar a Deus; procurei seguir as directrizes da vida espiritual - orar constantemente, trabalhar pelos outros, ler as Escrituras - e evitei muitas tentações de arranjar desculpas. Falhei muitas vezes, mas voltei sempre a tentar, mesmo quando estive à beira do desespero. Agora pergunto se durante todo este tempo tive ou não suficiente consciência de que Deus andou a procurar encontrar-me, conhecer-me e amar-me.
A questão não é «Como hei-de encontrar Deus?», mas: «Como hei-de deixar que Deus me encontre?». A questão não é «Como posso conhecer Deus?» , mas: «Como posso deixar que Deus me conheça?». Finalmente, a questão não é: «Como vou amar a Deus?», mas: «Como vou deixar-me amar por Deus?».

Deus anda por longe à minha procura, tratando de me encontrar e desejando levar-me para casa. Nas três parábolas em que Jesus responde à pergunta: porque come com os pecadores? , põe a tónica na iniciativa de Deus. Deus é o pastor que vai à procura da ovelha perdida. Deus é a mulher que acende uma candeia, varre a casa e procura por todo o lado até encontrar a moeda perdida. Deus é o Pai que anda em busca dos filhos, vela por eles, corre ao seu encontro, os abraça, roga, suplica e anima a que voltem para casa. Por estranho que pareça, Deus deseja encontrar-me tanto, se não mais, do que eu desejo encontrar Deus. Sim, Deus reclama-me tanto como eu a Ele. Deus não é o patriarca que fica em casa, imóvel, à espera que os filhos voltem para ao pé dele, à espera que peçam desculpa pelo seu comportamento, que peçam perdão e prometam emendar-se. Pelo contrário, abandona a casa sem fazer caso da sua dignidade, corre à procura deles, não quer saber de desculpas e promessas de emenda, e condu-los à mesa magnificamente preparada.»

Henri Nouwen, em "O Regresso do Filho Pródigo"

sexta-feira, 7 de março de 2008

Ser feliz


«(...) Porque ser Feliz não é sentir-se assim ou assado… Não é a “consequência” de uma maneira de viver ou de certos acontecimentos… É uma maneira de viver! Ser Feliz é uma maneira de viver que, não anulando as experiências de dor, sofrimento, derrota ou traição, as transfiguram no seu âmago! É possível sofrer, falhar e chorar como pessoa Feliz! Ser Feliz é uma maneira de viver, não a consequência desta ou daquela coisa… E se é uma maneira de Viver, ser Feliz é também uma maneira muito especial de sofrer, de chorar e de recomeçar.(...)»


Rui Santiago, Derrotar Montanhas

quinta-feira, 6 de março de 2008

Blog do Emanuel

Já conheces o Blog do Emanuel?(clica sobre as palavras) Não?! Então, não sabes o que perdes!
Visita-o assim que puderes. Ele gosta muito de fazer amigos e está sempre disponível para ajudar todos aqueles que o procuram e aprendem a amá-lo.

Agora, deixo que o Emanuel se apresente pessoalmente. Só Deus sabe se não poderá ser o início de uma bela e eterna amizade!


Splaaashh!...






Afinal, o que é isso da Ressurreição?





"Então, (i)Reverência?!"






terça-feira, 4 de março de 2008

O coração humano

Certo dia, Deus viu que estava a ficar cansado das pessoas. Elas estavam sempre a incomodá-lo, pedindo coisas e mais coisas... Então disse: “ Vou esconder-me por uns tempos! ” Reuniu alguns dos seus conselheiros e perguntou-lhes: “ Qual é o melhor lugar para eu me esconder? ”
Alguns disseram: “ no cume da montanha mais alta da terra! ”. Outros, pelo contrário, achavam que era no fundo do mar. Aí, certamente, ninguém O encontraria. Outros responderam: “ O melhor lugar é na lua! Lá é impossível alguém descobrir o Senhor. ”
Então Deus perguntou ao seu conselheiro mais inteligente: “ Onde achas melhor eu esconder-me? ” E ele, sorridente, respondeu: “ Senhor, esconda-se no coração do ser humano. Esse é o único lugar onde ele nunca vai! ”

(Autor desconhecido)

domingo, 2 de março de 2008

Depende de nós

Um dia, um jovem chegou a uma povoação à procura de uma casa e de emprego. Antes, porém, queria saber como eram os moradores daquela terra. Aproximou-se de um homem idoso e perguntou-lhe:
- Bom-dia! Como são os habitantes desta terra?
O homem respondeu: - Antes de responder, gostava de saber como são as pessoas da terra, de onde vem.
- As pessoas onde eu morava eram más, pessimistas, desumanas, antipáticas. Gente pior não existe - respondeu o jovem.
- Pois bem, o meu amigo vai encontrar aqui a mesma espécie de gente- respondeu, por sua vez, o idoso.
Passados alguns dias, chegou um outro forasteiro àquela terra. Procurou também informações acerca das pessoas daquele lugar. Dirigiu-se ao mesmo velhinho e fez-lhe a mesma pergunta:
- Que tal os habitantes desta terra?
O velho sábio replicou: - Primeiro conte-me alguma coisa da terra de onde vem.
- É gente maravilhosa, hospitaleira, simpática. Parece uma boa família.
- Pois bem, meu jovem, é esse o mesmo tipo de gente que irá encontrar aqui - respondeu com sabedoria o idoso.

Autor desconhecido

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Quem sabe


Quem sabe do medo é quem sente,
quem sabe da dor é quem tem
quem sabe do amor é quem se entrega
quem sabe da solidão é a vida
quem sabe da vida é a morte
quem sabe da mentira é quem mente
e quem sabe da verdade é a liberdade.

Ainda que o medo te assole,
ou que a dor te amole,
ainda que o amor te rejeite
e a solidão não te respeite
ainda que a vida te destrua
e a morte se mostre crua,
ainda que a mentira te acuse
e os mentirosos te usem
ainda assim,
a verdade te trará a liberdade
de viver o que tu desejas ser

Fonte: Alice no País do Pensamento


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Quando amamos mostramos Deus



Deus est mortali iuvare mortalem: "Para o mortal, Deus é ajudar o mortal". Essa frase de Plínio, o Velho, recolhida também por Cícero, chega até nós, por conseguinte, do próprio mundo pagão. Por pouco que sobre ela se medite, percebe-se uma profundidade abismal. Remete, por um lado, à presença activa de Deus, que não é um "estar" apático ou inerte, mas é sempre "acontecimento" vivo, sobretudo onde tal presença é acolhida e prolongada na liberdade humana. E por outro lado, aponta para o lugar privilegiado desse acontecer, pois Deus nunca "acontece" tão profunda, intensa e puramente como quando um homem ou uma mulher acorre em ajuda de outro homem ou de outra mulher. Onde alguém ama, está tornando visível e operante a presença de Deus.

Andrés Torres Queiruga em "Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus"

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O fabuloso destino de Amélie e os Tindersticks

"O Fabuloso destino de Amélie", é um dos filmes da minha vida. A personagem Amélie, interpretada por Audrey Tautou, é simplesmente deliciosa, divertida e insólita. O filme é apaixonante, cativante e cheio de originalidade.
Sobre o filme alguém disse:" «O fabuloso destino de Amélie» não é, aos meus olhos, um filme. É um sonho. Um sonho maravilhoso que nos acompanha eternamente, depois de o termos, e que nunca mais queremos esquecer.
Jean Pierre-Jeunet pinta, neste quadro, das histórias mais brilhantes dos últimos anos, com um argumento apaixonante, original, envolvente, desdobrado em personagens que nos impelem, de tal forma, para que vejamos o mundo com os seus olhos, que se tornam parte de nós, nos consomem, recriam e fazem pensar incessantemente."
Hoje, decidi falar sobre este filme, porque há pouco tempo encontrei no "You Tube" um video (não oficial) de uma canção que considero fabulosa, maravilhosa. Curiosamente as imagens do video são deste filme que mencionei. Na minha opinião, a junção da música com as imagens está harmoniosa. Grande filme, grande canção!

Tindersticks - "Buried Bones"

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Vida é aventura

«Esta vida tão improvável que nos é dada, cabe a nós não a desperdiçar. A vida não é um destino, é uma aventura. Ninguém escolheu nascer; ninguém vive sem escolher. Cada qual é inocente de si, mas responsável pelos seus actos. E responsável, portanto, ao menos em parte, por aquilo que se tornou.(...) É forjando que alguém se torna forjador. É bebendo que alguém se torna alcoólico. É realizando acções virtuosas que alguém se torna virtuoso. "Fazer", dizia Lequier, "e, fazendo, fazer-se". Isso não fará de nós outra pessoa, o que ninguém consegue. Mas impede de nos resignarmos rápido demais ao que somos, o que ninguém deve fazer.» - André Comte-Sponville, em "A vida humana" - Martins Fontes, p.26

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O amor é mestre

MEUS IRMÃOS, não temam o pecado, amem o homem mesmo no pecado, é isso a imagem do amor divino, um amor como não há maior na terra. Amem toda a criação no seu conjunto e nos seus elementos, cada folha, cada raio de luz, os animais, as plantas. Amando cada coisa, compreenderão o mistério divino nas coisas. Tendo-o compreendido uma vez, vocês o conhecerão sempre mais, a cada dia. E acabarão por amar o mundo inteiro com um amor universal...... o amor é mestre, mas é preciso saber adquiri-lo, porque se adquire dificilmente, ao preço de um esforço prolongado; é preciso amar de facto, não por um instante, mas até o fim. Qualquer um, até mesmo um criminoso, é capaz de um amor fortuito.

O Stárets Zósima de Fiódor M. Dostoiévski em "Os irmãos Karamázov" - Ediouro, ps 320-321

Fonte: Ricardo Gondim

domingo, 17 de fevereiro de 2008

"Canção triste" que enche a alma

Descobri esta canção ontem, num blog que costumo visitar com alguma frequência e no qual já tive o prazer de descobrir verdadeiras pérolas musicais.
A música captou de imediato a minha atenção pela diferença, intensidade e as emoções que desperta.
Estive para postar o video oficial, mas descobri outro que me tocou profundamente. Creio que as imagens se enquadram no espírito da canção. É um alerta sobre as espécies animais ameaçadas, em perigo de extinção. Oiçam e vejam com atenção:

Fredo Viola - "Sad Song"

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sabes que te amo?


Para a minha doce, amorosa e bela princesa...

O dia de hoje foi estipulado ser o dia dos (e)namorados. Para assinalar a data, decidi voltar a dedicar-te um texto que escrevi há algum tempo e que postei neste blog.
Tu és a fonte de inspiração dessas palavras escritas com amor profundo e verdadeiro. Quero que entre nós permaneça vivo este estado de enamoramento que nos enche o coração de ternura, serenidade, alegria e paz. Quero que o nosso amor se renove, recrie, amadureça e cresça cheio de beleza, inocência, pureza, ternura, compreensão, confiança, sinceridade e paixão.

Sabes que te amo?

Por vezes, sou acordado de manhã, com a tua voz sussurrando ao meu ouvido: «Sabes que te amo?». Outras vezes, enquanto escrevo ou estou profundamente concentrado na leitura de um livro, sinto uma carícia suave e aconchegante sobre os meus cabelos e a tua voz doce e ternurenta murmura: «Sabes que te amo?». Respondo quase sempre com um sorriso de indisfarçável alegria e satisfação, e retribuo com beijos e afagos o profundo e sincero afecto com que me aquietas a alma e aqueces o coração. Eu sinto-me grato(e algumas vezes, sinto vontade de chorar, porque sinto que não mereço).

«Sabes que te amo?», repetes a pergunta, que não é retórica, nem é como aquelas perguntas que por vezes fazemos, com o intuito de satisfazer a curiosidade, esclarecer algumas dúvidas, ou simplesmente para tentar saciar a insaciável sede de aprender e conhecer.«Sabes que te amo?»- Sei que é mais uma afirmação que uma interrogação. Penso que tu queres afirmar e queres que eu esteja seguro que, apesar de todos os meus defeitos, falhas e imperfeições, tu me amas como eu sou. Apesar das críticas que te dirijo; das coisas que te recuso; do meu aparente desinteresse; do meu espírito por vezes tão ausente; da minha impaciência irritante; das minhas crises de ansiedade; dos meus hábitos invulgares; das minhas opiniões irreflectidas; dos meus gestos impensados; das minhas pequenas obsessões; do meu desajeitado sentido prático; da minha falta de autoconfiança; das minhas inseguranças nocivas; dos meus medos injustificados; do cansaço que por vezes trago e com o qual te sobrecarrego; dos meus acessos de preguiça aguda; do meu despojamento em relação a tantas coisas(que para ti são importantes); do meu apego aquilo que considero que realmente importa e é essencial(mas que para ti pode não ser); do meu feitio caseiro e fechado; da falta de ousadia e coragem para correr riscos que por vezes se apodera de mim... e de tantas outras coisas que agora não me ocorrem e que, a serem lembradas, tornariam esta lista um relatório fastidioso e aborrecido.

«Sabes que te amo?» - Sim, eu sei.(raramente te respondo assim, porque creio que a tua intenção não é obter uma resposta, ou pelo menos, esta resposta) Tu queres reafirmar o teu amor por mim... Tu queres dizer-me:" Eu amo-te como tu és! Não me importa se por vezes falhas, se fracassas, se me desiludes, se me magoas, se não correspondes ás minhas expectativas... Eu sinto amor... é amor...". Então, vem-me à mente uma passagem bíblica, "o amor cobre uma multidão de pecados...". E quanto mais reflicto mais frases me ocorrem: "o amor é paciente...Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

«Sabes que te amo?» E parece que te oiço dizer:« Deixa-me amar-te... gosto tanto de amar-te... é tão bom amar-te.» E eu sinto-me amado e cheio de gratidão. Mas não mereço.Eu acredito e sinto que me amas, minha amada. O teu amor flui no meu coração como um bálsamo suave e inebriante. Sinto-me então mais confiante, sereno, ousado, corajoso, dinâmico, aberto aos outros, compreensivo, compassivo e paciente.

Eu também te amo, meu tesouro. Sabes que te amo? Quero que saibas que só sei amar-te como sou e amo-te como és. Não tenhas medo, minha flor. Não tenhas receio das trevas, pois também há luz no meu olhar. Não te assustes com as sombras; fixa o teu olhar no meu sorriso de criança feliz quando me dizes: «sabes que te amo?».Conta-me histórias de encantar quando à noite chegar cansado. Beija os meus densos cabelos negros e brancos, quando me sentires ausente ou ansioso. Deixa-me mergulhar com os meus medos nas águas tranquilas do teu regaço. Contagia-me com o teu entusiamo e alegria quando me sentires fustigado pelas tempestades da vida. Levanta-me com as tuas mãos suaves e maternas quando eu tropeçar e cair. Acalma-me com os teus beijos suaves e ternos quando o meu corpo tremer de ansiedade. Encoraja-me com as tuas palavras doces e meigas quando eu começo a vacilar. Pega nas minhas mãos frias e cansadas com as tuas mãos suaves e macias e diz-me mais uma vez: «sabes que te amo?».

Quero que saibas também que é o teu amor, meu amor(minha musa), que me faz escrever assim. Eu que já não escrevia assim há tanto tempo e agora escrevo, só porque acordei esta manhã com a tua voz doce de menina a segredar-me ao ouvido: «Sabes que te amo?».

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Responsabilidade humana

«A essência da liberdade, se é que lhe interessa saber, não consiste apenas em ter a galhardia ou a honradez de assumir os próprios erros sem ficar procurando desculpas a torto e a direito. O indivíduo responsável é consciente do que sua liberdade tem de 'real'. Emprego 'real' no duplo sentido, de 'autêntico' ou 'verdadeiro' e também 'próprio de um rei', aquele que toma decisões sem que nenhum superior lhe dê ordens. Responsabilidade é saber que cada um de meus actos vai-me construindo, vai-me definindo, vai-me inventando. Ao escolher o que quero fazer vou-me transformando pouco a pouco. Todas as decisões deixam marca em mim mesmo antes de deixá-la no mundo que me cerca». (Fernando Savater em "Ética para meu Filho" - Editora Martins Fontes).

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A liberdade do verdadeiro amor



"Todo o ser humano vive as suas experiências de amor. Cada um já amou uma vez e também já foi amado. E experimentou, nesta ocasião, o milagre do amor. Porém,muitas vezes, também viveu o fracasso e as complicações em que o amor pode colocá-lo. O amor, sem sombra de dúvidas, é uma das forças mais poderosas no ser humano; no mínimo, uma força que ninguém pode ignorar. E em todas as experiências de amor, nas bem-sucedidas e nas fracassadas, o ser humano aspira por amor verdadeiro, por um amor que não fira nem destrua, mas que vivifique e enobreça; que não controle e aprisione, mas liberte e abra um espaço para a vida. Na verdade, o ser humano aspira ser amado incondicionalmente em tudo o que é. Ele aspira por um amor que lhe permita viver autenticamente em liberdade."

Anselm Grün - Obra: Abra seu coração para o amor - Ed. Vozes

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O que é a alegria?



«O que é a alegria? Um 'sim' espontâneo à vida que brota de dentro de nós, às vezes quando menos esperamos. Um 'sim' ao que somos, ou melhor, ao que sentimos ser. Quem tem alegria já recebeu o prémio máximo e não carece de nada; quem não tem alegria - por mais sábio, bonito, sadio, rico, poderoso, santo, etc., que seja - é um miserável que carece do mais importante. Pois bem, ouça: O prazer é magnífico e desejável quando sabemos colocá-lo a serviço da alegria, mas não quando a turva ou a compromete. O limite negativo do prazer não é a dor, nem mesmo a morte, mas a alegria: quando começamos a perdê-la por um determinado deleite, com certeza estamos desfrutando o que não nos convém». (Fernando Savater em "Ética para meu Filho" - Editora Martins Fontes).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Quantos Mozart já se perderam?

«Marx dizia: 'Eu não asseguro que em cada jovem se abrigue um Mozart, porém almejo que, se num jovem existir um Mozart, esse Mozart possa revelar-se'. Pensemos em quantas mulheres-Mozart não se revelaram impedidas pelo machismo. Pensemos em quantas mulheres geniais foram reprimidas somente pelo facto de ser mulheres! Não saberemos jamais se a irmã de Mozart possuía uma genialidade musical superior à do irmão, porque, ainda que a tivesse tido, o pai certamente não lhe teria oferecido a mesma educação e as mesmas oportunidades favoráveis que ofereceu ao jovem Wolfgang». (Domenico De Masi em "Diálogos criativos" - De Leitura).

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O Inferno


"O inferno não são 'os outros'. O inferno é trabalhar tão duramente para obter o sucesso de forma a corroer nosso relacionamento com os outros; a enxergar os outros somente em função do que eles podem fazer por nós. Isto me faz pensar em Fausto, que vendeu a sua alma pelo poder ilimitado do mundo, e que se tornou imensamente solitário ao alcançá-lo. Para ele inferno é a solidão de ter tudo e saber que ainda não é o bastante. (Será que todos fazemos os nossos pactos com o demônio, recebendo o que pensamos que queremos e perdendo em troca parte de nossas almas?)". (Harold Kushner em Quando Tudo não é o Bastante).


domingo, 3 de fevereiro de 2008

Canções da minha vida IV

Talvez poucos conheçam esta bela e inspirada canção interpretada por duas grandes vozes, que marcaram uma geração de admiradores fieis e entusiastas. Com certeza, que uma maioria já ouviu falar de Morrissey e dos The Smiths, grupo do qual ele foi líder e vocalista, durante grande parte da década de 80. Quanto a Siouxie, acredito que poucos devem ter ouvido falar desta senhora contemporânea de Morrissey, que tive a honra de ver e ouvir ao vivo num concerto histórico na cidade da Figueira da Foz.
A canção é quase perfeita e o video uma verdadeira pérola.
Minhas senhoras e meus senhores, tenho a honra e o prazer de vos apresentar:

Morrissey and Siouxie - "Interlude"



Time is like a dream
And now, for a time, you are mine
Lets hold fast to the dream
That tastes and sparkles like wine

Who knows (who knows)If its real
Or just something were both dreaming of
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love

Loving you
Is a world thats strange
So much more than my heart can hold
Loving you
Makes the whole world change
Loving you, I could not grow old

No, nobody knows
When love will end
So till then, sweet friend ...

Time is like a dream
And now, for a time, you are mine
Lets hold fast to the dream
That tastes and sparkles like wine

Who knows (who knows)If its real
Or just something were both dreaming of ?
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Duma vez por todas


Duma vez por todas
foi dado este
breve preceito:
"Ama e faz o que quiseres".

Se calas,
cala por amor.

Se falas,
fala por amor.

Se corriges,
corrige por amor.

Se perdoas,
perdoa por amor.

Põe no fundo do coração
a raiz do amor.
Dessa raiz não pode
crescer senão o bem.

Stº Agostinho

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A arte de não adoecer

Se não quiser adoecer - "Fale dos seus sentimentos"

Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças
como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a
repressão dos sentimentos pode degenerar até em cancro. Então vamos desabafar,
confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O
diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.

Se não quiser adoecer - "Tome decisões"

A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A
indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é
feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder
vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de
doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer - "Busque soluções"

Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a
lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que
lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce
existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa
que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências"

Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que
está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas
de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a
saúde que viver de aparências e fachadas.
São pessoas com muito verniz e
pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer - "Aceite-se"

A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos
algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que
não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos,
destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é
sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer - "Confie"


Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria
laços profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há
relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer - "Não viva sempre triste"


O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida
longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom
humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia.

Dr. Dráuzio Varella

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Amor é Vida

"Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor."

"Amar, ser verdadeiro, deve custar - deve ser árduo - deve esvaziar-nos do ego."

"O amor é a fruta da época de todas as estações e está ao alcance de cada mão. Qualquer um pode colhê-lo, sem limites estabelecidos."

"As palavras de Jesus: Amem uns aos outros como eu vos amei, não devem ser apenas uma luz para nós, mas uma chama que arda dentro de nós."

"Não podemos fazer grandes coisas na terra. Tudo o que podemos fazer são pequenas coisas com muito amor".

Madre Teresa de Calcutá

domingo, 27 de janeiro de 2008

David Fonseca & Rita Redshoes


Ontem, assisti a um espectáculo (na Guarda) simplesmente fantástico do cantor/compositor/intérprete português - David Fonseca. Uma actuação cheia de energia, sensibilidade, criatividade, arrojo... Um espectáculo com muitas e boas surpresas, com destaque para as inúmeras versões de canções conhecidas e desconhecidas, assim como os brilhantes apontamentos de humor protagonizados pelo próprio a solo, ou em interacção com o público.
Confesso que um dos momentos mais marcantes do espectáculo ocorreu na abertura, quando o David interpretou a primeira canção a meio metro do lugar onde me encontrava sentado. Instalaram um micro numa das passagens centrais (mais ou menos ao centro) do teatro onde se realizou o espectáculo, precisamente meio metro ao lado do lugar onde me sentara. Alguns instantes depois, surge o David com a sua guitarra para interpretar uma das canções do seu mais recente album - "Dreams in Colours".

Mas esse foi apenas um dos momentos especiais do espectáculo, que na 1ª parte foi encantadoramente conduzido pela talentosa e sonhadora - Rita Redshoes, que também integra o grupo de músicos que acompanha o David nos espectáculos.
Há muito que ando encantado e apaixonado por uma canção dela - "Dream on Girl". O video é simples, mas belo e bem conseguido. Para quem ainda não conhece esta pérola musical, oiçam e vejam agora:


Para os(as) leitores(as) que não conhecem a obra do David Fonseca, façam o favor de ouvir e ver(grandes videos) com atenção:

- Superstars II
- Hold Still
- Someone That Cannot Love
- Who Are You?
- Kisse me, oh kisse me (para esta ainda não há video)

Como disse anteriormente, um dos momentos mais marcantes do espectáculo (para mim), foram as várias covers (versões) que o David interpretou. Ele deu-me a conhecer uma canção maravilhosa de um artista cuja obra conheço pouco. Para ouvir com o coração:

Ryan Adams - "How do you keep love alive"

Lord, i miss that girl

On the day we met the sun was shining down

Down on the valley

Riddled with horses running

Crushing them with flowers

I would have picked for her

On the day she was born

She runs through my veins like a long black river

And rattles my cage like a thunderstorm

Oh my soul

What does it mean?

What does it mean?

What does it mean to be so sad?

When someone you love

Someone you love is supposed to make you happy

What do you do

How do you keep love alive?

When it won't

What, what are the words

They use when they know it's over

"We need to talk," or

"I'm confused, maybe later you can come over

"I would've held your mother's hand

On the day you was born

She runs through my veins

Like a long black river and rattles my cage

Like a thunderstorm

Oh, my soul

What does it mean?

What does it mean?

What does it mean to be so sad?

When someone you love

Someone you love is supposed to make you happy

What do you do

How do you keep love alive?

When it won't

How do you keep love alive?

Infelizmente, não foi possível (não era permitido), captar som e imagem do espectáculo. Mas, encontrei um video em que o David interpretou ao vivo a sua versão deste tema fantástico!

O som e imagem não são de grande qualidade, mas vale a pena!

David Fonseca - "How do you keep love alive"





sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

El Perro Del Mar - God Knows (You gotta give to get)



O Poder de ter e dar

As únicas coisas que podemos ter de verdade são aquelas que somos capazes de dar. Aquilo que não somos capazes de dar só nos aprisiona.
Nós só sabemos realmente algo quando somos capazes de o ensinar.
Nós só conhecemos o Amor quando somos capazes de o trasmitir.
Nós só conhecemos a Felicidade quando conseguimos levá-la aos outros.
Só seremos ricos quando acrescentarmos valor à vida dos outros.

Isto não que dizer que tenhamos que dar tudo o que temos, mas, acima de tudo, é a habilidade e disposição para dar que nos traz tudo isto. Conseguem imaginar algo mais miserável que ter tudo no mundo e não ter com quem dividir? O que quer que a gente esteja a esconder do mundo - as nossas habilidades, os nossos pensamentos, a nossa paixão, o nosso conhecimento, o nosso entusiasmo, a nossa coragem - estamos a esconder de nós mesmos. As riquezas que possumimos, quer sejam materiais, intelectuais ou espirituais, não têm valor nenhum se não as soubermos partilhar.

Fonte: Pérolas de Sabedoria


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Medo vs Fé

O medo foca-se no eu.
A fé, em Deus.
O medo paralisa.
A fé, avança.
O medo cega.
A fé faz-nos ver para além dos nossos olhos.
O medo traz terror.
A fé, confiança.
O medo traz perdição.
A fé, salva.

No entanto, a fé terá de ser revestida do maior de todos os dons: Amor.
Porque fé sem amor, conduz ao fanatismo.

Onde há amor não há medo. Na verdade, o perfeito amor elimina toda a espécie de receio, porque o medo traz consigo a ideia de culpa, e mostra que não estamos absolutamente convencidos de que ele nos ama perfeitamente.
- 1 João 4:18

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Amor e Liberdade

Não se pode ter liberdade e coerção ao mesmo tempo. Ninguém pode sujeitar o ser que ama com o intuito de conquistar os seus afetos. O ser amado precisa sentir-se livre para mudar, rejeitar ou sumir; e eu que lhe ofereço a minha afectividade, sofrerei pelas suas escolhas. Também, quanto maior o amor, maior a possibilidade de dor. Quem ama com amor infinito corre o risco de sofrer uma dor infinita.

Juan Luis Segundo afirmou:"... significa também que a pessoa amada, permanece livre para mudar, para rejeitar-me e infringir-me, assim, a maior dor que posso experimentar. De facto, amar é oferecer-se desprotegido (segundo frase de Freud) à dor".

Que quer, então, verdadeiramente, a pessoa que acredita poder exigir de Deus uma criação onde o amor seja infalivelmente feliz? Pretende um amor sem dom de si, isto é, um não amor, um egoísmo onde a pessoa a quem digo amar se converte em instrumento determinado e cego, sem capacidade de expressar livremente seu ser.
O amor infalível não é amor. A dor é a outra face do dom de si mesmo, sem reservas, gratuito, como é todo o amor verdadeiro".
Assim, o Deus que não se vulnerabilizou à possibilidade de ser rejeitado, não ama. E o Deus incapaz de amar não é o Deus bíblico.


domingo, 20 de janeiro de 2008

um rapaz novo, talvez nem vinte anos, sentado com o coração na boca, no Jardim das Amoreiras, à sombra de uma árvore.



A mão, imperativa:
- Hoje não escreves nada.
mas isto não me sai da cabeça. Um rapaz novo, talvez nem vinte anos, sentado com o coração na boca, no Jardim das Amoreiras, à sombra de uma árvore.
- Desiste, não vais ser capaz.
As mãos apoiadas sobre os joelhos. A cabeça, inquisidora, move-se em todas as direcções como os radares dos aeroportos. Bem vestido, fato de corte italiano e camisa de linho egípcio. Sozinho. A cabeça procura. Controla as horas de minuto a minuto. Passam por ele três raparigas lindas. Divinais. Quatro idosos a bater cartas, param. As bocas abertas. O braço de um deles, levantado já acima da cabeça, preparado para mostrar aos comparsas e ao mundo o vigor indisfarçável do ás de copas, permanece inerte, lá em cima, acompanhando a boca aberta no pasmo perante tanta beleza, mas o radar continua as suas voltas. Permanece indiferente. Os olhos berram amor, mas ela demora a chegar. Decido ficar por ali uns instantes, com a curiosidade a roer-me todo por dentro.
- Como será ela?
Sento-me dois bancos ao lado dele. Abro o Público, para disfarçar, e vou deitando o olho cá para fora, por cima do jornal. Passam alguns minutos e o rapaz começa a mostrar sinais de algum desânimo. Talvez ela já não venha e o sol se esconda por trás de uma dessas andorinhas que teimam em permanecer por cá. Os olhos dele cobrem-se de um véu leve, translúcido, e as íris ameaçam afundar-se cara abaixo. Invade-me um sentimento de pena. A crueldade das mulheres bonitas, cujos sorrisos são armas de destruição massiva, pode ser incomensurável. Estendem os lábios e conquistam, à custa de napalm de dentes brancos e pocinhas no rosto, os territórios desprevenidos que habitam os peitos de rapazes como este.
Gostava de te poder ajudar, nesse combate em que és o teu pior inimigo. À custa de quereres reprimir isso que te vai aí dentro, aumenta-lo. Cresceu dentro de ti uma espécie de dependência dela e não percebes porque é que ela se tornou o teu epicentro. Viciaste-te na felicidade de alguém que não compreendes. Conspiraram contra ti poetas renascentistas e pintores impressionistas e sentes o mundo preso nas pestanas dela. Sentes que quando ela fecha os olhos tudo cessa de existir. Mas a verdade é que não posso. Nem sei se seria bem ajudar-te. Isso que tu sentes é o que te salva. Se lho dissesses ela não perceberia o porquê. Dir-te-ia:
- Sou uma mulher como as outras. Além disso, tenho alguém e, a ti, mal te conheço.
Objectarias que te parece que a conheces desde sempre. Que, quando sorri, transporta um sorriso triste a três quartos dos lábios. Que não é uma mulher como as outras e pagarias para a ouvir respirar, à noite, segundos antes dela adormecer. Mas ela não percebe que isto roda só para ela e que os deuses projectaram o universo para que ela o pudesse pisar.
De súbito, uma apatia apodera-se do jardim e ouve-se apenas, ao longe, o canto afinado de um rouxinol. Os jogadores de cartas deixaram de comentar jogadas pretéritas e encontram-se como que rendidos a algo maior do que eles. O vento levanta-se, soprando de sudoeste um hálito leve mas constante e parece que me encontro dentro de um filme, momentos antes de se atingir o clímax da acção.E, de repente, percebo a cabeça que indaga. Eis que ela chega. Cabelos negros, longos, parecem cascatas de chocolate sobre a pele cor de mel. Ao andar, dança. Ao sorrir, voa. Ao ajeitar o cabelo, atirando-o sobre o ombro esquerdo, enche o jardim de vida e desabrocham as flores nos canteiros. Nos enormes olhos castanhos traz o fado que nos espera. O rapaz chora. Rendeu-se. Nunca lhe conseguirá dizer o que sente por ela. Aquela mulher mostrou-lhe a felicidade para lhe dizer que nunca a terá.
Resta-lhe saber que haverá, daqui a alguns anos, à sua espera, um banco de jardim, um jornal e um rapaz novo, talvez nem vinte anos, sentado com o coração na boca, no Jardim das Amoreiras, à sombra de uma árvore.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A Amizade é...



AMIZADE É...

1. Laço que une mas não aprisiona.
2. Pedra que levanta mas não esmaga.
3. Mão que acompanha mas não força.
4. Estrela que guia mas não cega.
5. Olhar que perscruta mas não julga.
6. Irmão que corrige mas não humilha.
7. Oásis que restaura mas não retém.
8. Árvore que abraça mas não aperta.
9. Manto que cobre mas não sufoca.
10. Coração que ama mas não exige.
11. Torrente que mata a sede mas não afoga.
12. Cadeia que une mas não aperta.
13. Lima que aguça mas não arranha.
14. Ternura que protege mas não oprime.
15. Brisa que acalma mas não aborrece.
16. Palavra que previne mas não aborrece.
17. Música que harmoniza mas não esconde.
18. Vinho que envelhece mas não azeda.



quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Colaboradores de Deus

Só Deus pode criar
mas tu podes valorizar o que Ele criou.
Só Deus pode dar a vida,
mas tu podes transmiti-la e respeitá-la.
Só Deus pode dar a fé,
mas tu podes dar o testemunho.
Só Deus pode dar o amor,
mas tu podes ensinar a amar.
Só Deus é o caminho,
mas tu podes indicá-lo aos outros.
Só Deus pode dar a alegria,
mas tu podes sorrir a todos.
Só Deus pode dar saúde
mas tu podes guiar e orientar.
Só Deus pode infundir a esperança,
mas tu podes restituir a confiança.
Só Deus pode dar a paz,
mas tu podes semear a união.
Só Deus pode dar a força
mas tu podes apoiar quem desanimou
Só Deus é a luz,
mas tu podes restituir aos outros a vontade de viver.
Só Deus pode fazer milagres,
mas tu podes ser aquele que trouxe cinco pães e dois peixes.
Só Deus pode fazer o impossível,
mas tu podes fazer o possível.
Só Deus basta a si mesmo,
mas Ele preferiu contar com a tua pessoa.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O Amor e os monstros

- Papai…!
- O que foi, filha?
- Estou com medo…
- Medo de quê?
- De monstros!
- Monstros?
- É… Eles estão aqui!
- Filhinha… Deixa eu te dizer uma coisa: onde existe amor não há lugar para monstros. Os monstros têm medo do amor. O amor é maior que os monstros. O amor é maior que tudo. E você é muito amada, minha flor.
- Quer dizer que onde não tem amor os monstros vêm?
- É, querida, você disse uma grande verdade… Onde não há amor nossos monstros, nossas feras, nossos demônios aparecem, entram e fazem moradas.
A essa altura do meu discurso metafísico sobre as implicações do conflito apocalíptico entre os monstros que habitam a imaginação fértil de minha filha recém-adotada e o amor, meus olhos, encarando-a com toda a ternura do mundo se encheram de lágrimas, enquanto os seus, verdes e claros como o mar de Natal, sorriram pra mim, ante a constatação de que o amor estava presente ali entre nós, que os monstros haviam se dissipado todos como fumaça, e que era hora de dormir na mais profunda paz de criança.Nosso breve tratado filosófico-teológico se encerrou num abraço apertado (de ambos), molhado (por minhas lágrimas) e cheio desse mesmo amor de que falamos.

…estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demónios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do AMOR…
Carta de São Paulo aos Romanos, capítulo XVIII

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Imaturidade e narcisismo do amor

Provavelmente uma das mais belas, profundas e verdadeiras reflexões sobre o Amor que já tive oportunidade de ler. Apreciem com o coração aberto e disponível este verdadeiro tesouro de sabedoria e espiritualidade:


"Os psicólogos usam palavras bem ásperas para a imaturidade e o narcisismo do amor na nossa sociedade mercadológica, na qual ele é reduzido a uma necessidade puramente egoísta que exige satisfação imediata ou manipula os outros de maneira mais ou menos inteligente a fim de obter o que deseja. Mas a pura verdade é esta: o amor não é uma questão de se obter o que se deseja. Muito pelo contrário. A insistência em sempre ter o que se deseja, em sempre obter satisfação, em sempre ser saciado, torna o amor impossível. Para amar, você precisa sair do berço, onde tudo é ‘obter’, e crescer para a maturidade da doação, sem se preocupar em obter alguma coisa especial em troca. O amor não é uma transação, é um sacrifício. Não é marketing, é uma forma de culto.
Na realidade, o amor é uma força positiva, um poder espiritual transcendente. É, de facto, o poder criativo mais profundo na natureza humana. Enraizado nas riquezas biológicas da nossa herança, o amor floresce espiritualmente como liberdade e como resposta da criatura à vida num encontro perfeito com uma outra pessoa. É uma apreciação viva da vida como valor e como dom. Responde à fecundidade, à variedade e à total riqueza da própria experiência viva; ele ‘conhece’ o mistério interior da vida. Deleita-se com a vida como uma fortuna inesgotável. O amor aprecia essa fortuna de uma maneira impossível ao conhecimento. O amor tem a sua própria sabedoria, sua própria ciência, sua própria maneira de explorar as profundezas interiores da vida no mistério da pessoa amada. O amor sabe, compreende e satisfaz as exigências da vida, na medida em que responde com calor, abandono e entrega.

O amor é o nosso verdadeiro destino. Não encontramos o sentido da vida sozinhos ­— nós o encontramos com um outro. Não descobrimos o segredo de nossas vidas apenas pelo estudo e pelo cálculo em nossas meditações isoladas. O sentido de nossa vida é um segredo que nos tem de ser revelado no amor, por aquele que amamos.”

Thomas Merton, em "Amor e Vida"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O cego e o publicitário


Um publicitário passava por um mendigo cego todos os dias de manhã e à noite e dava-lhe sempre alguns trocos. O cego trazia pendurado no pescoço um cartaz com a frase: "Cego de Nascimento. Uma esmola por favor".
Certa manhã, o publicitário teve uma ideia: virou o letreiro do cego ao contrário e escreveu outra frase. À noite, depois de um dia de trabalho, perguntou ao cego como é que tinha sido o seu dia. O cego respondeu, muito contente:- "Até parece mentira, mas hoje foi um dia extraordinário. Todos que passavam por mim deixavam alguma coisa. Afinal, o que é que o senhor escreveu no letreiro???".

O publicitário havia escrito uma frase breve, mas com sentido e carga emotiva suficientes para convencer os que passavam a deixarem algo para o cego. A frase era: "Em breve chegará a primavera e eu não poderei vê-la".

A maioria das vezes não importa O Que se diz, mas se Como diz, por isso tenha cuidado na forma como fala com as pessoas, pois isso tem muito peso naquilo que quer dizer.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O Amor Maduro


O amor maduro não é menor em intensidade.Ele é apenas quase silencioso.
Não é menor em extensão. É mais definido, colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações: presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas: amplia-se com as ausências significantes.

O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.

O amor maduro é sólido e definido.
Mas estranhamente se recolhe quando invadido pelos problemas da infelicidade que fazem a glória do amor imaturo.
O amor maduro é a regeneração de cada erro.
Ele é filho da capacidade de crer e continuar.
É o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais com epidemias de ciúme, controle ou agressividade.

O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.
Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não persegue, recebe.
Não exige, dá.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.

O amor maduro não precisa de armaduras, coices, cargos, iluminuras, enfeites, papel de presente, flâmulas, hinos, discursos ou medalhas: vive de uma percepção tranquila da essência do outro.
Deixa escapar a carência sem que pareça paupérrima.
Demonstra a necessidade sem que pareça voraz.
Define uma dependência sem que se manifeste humilhante.

O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.
Basta-se com o todo do pouco.
Não precisa nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e sua incompletude, por isso é pleno em cada ninharia por ela transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança.
É o sol de outono: nítido, mas doce.
Luminoso, sem ofuscar.
Suave mas definido.
Discreto mas certo.
Um sol, que aquece até queimar.

Arthur da Távola - retirado do blog Metanóia

domingo, 6 de janeiro de 2008

Amar é ser vulnerável...


«Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente o seu coração vai doer e talvez partir-se. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto , você não deve entregá-lo a ninguém , nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente nos seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife do seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro , sem movimento , sem ar - ele vai mudar. Ele não vai partir-se – vai tornar- se indestrutível, impenetrável , irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e pertubações do amor é o inferno.» - C.S. Lewis em “Os quatro amores”

sábado, 5 de janeiro de 2008

Projecto de Vida


Amanhã fugimos para a região dos grandes lagos. Encomendamos duas toneladas de madeira e construímos uma cabana, no sopé da montanha, com vista para o bosque. Enfeitamos o alpendre com dois vasos de orquídeas e uma cadeira de baloiço. Levanta-mo-nos bem cedo, dou-te um beijo e trato das flores. Despes-te, entras na água e nadas no lago. Ainda antes do almoço vens ter comigo, os cabelos molhados escorridos pelo peito e a pele enrugada. Cheiras ao mundo que me consome. À tarde, lemos. Folheamos de uma forma desinteressada o romance que escrevemos enquanto o sol se põe por trás das montanhas. Normalmente ficamos por ali a observar o crepúsculo, com um odor a flores nas narinas, que vai e vem, que vai e vem, que vai e vem...

David Aguilar - Tens a Eternidade Estampada no Rosto

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Não te trocava por nada deste mundo...

Não te trocava por nada deste mundo. Os dias passam lentamente e as horas são balas de longo alcance que acabarão por nos deitar por terra.
Faz um frio insuportável a esta hora da vida. A alma, se existisse, seria perceptível nos negativos das fotografias ou, vá lá, nas chapas das radiografias. Já me estou a ver, depois de um desgosto amoroso, a apertar a camisa e o técnico de imagiologia, expedito:

- O meu amigo fracturou a alma.

Fractura exposta, não de tíbia que rasga a pele mas de lágrimas que rasgam os olhos. (Outra ideia gira. As lágrimas são a alma em estado líquido.Presumo que o seu estado normal seja o gasoso...)

- Olhe, desculpe, era só para dizer que não acredito em nada disto.

Faz um frio do caneco a esta hora da vida e não, não foi engano. Faz mesmo um frio de rachar a esta hora da vida. Acende-se o lume da esperança nos olhos de uma mulher e estendem-se as mãos para a fogueira, sentindo um calor de íris por entre os dedos. Às vezes ocorre-me ficar sem palavras mas, falando a sério, experimento uma resistência enorme ao tentar compreender isto tudo. Nunca ninguém deu entrada nas urgências do Santa Maria:

- Cortei-me na alma. De quantos pontos acha o Senhor Doutor que eu preciso?

e ainda passo horas ao espelho à espera de encontrar um qualquer sinal exterior dessa entidade metafísica.