quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O CORAÇÃO ABERTO


«O coração é o nosso sol, o nosso pequeno sol pessoal. Graças ao coração, damos luz e calor a quem nos rodeia. Graças ao coração, a nossa vida está cheia de alegria e de partilha. A abertura do coração é o único antídoto real contra a barbarização da nossa época. É esse o grande caminho a percorrer para que o futuro não seja um tempo de desolação, mas de construção e esperança."

Susanna Tamaro, em "Querida Mathilda"

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O CORAÇÃO FECHADO


«O coração fechado em si mesmo como uma fortaleza depressa exala venenos, intoxica-se e inquina o ambiente que o rodeia.

Mas, felizmente, os venenos têm um antídoto. Posso reagir ao meu egoísmo, à minha maldade, ao meu desleixo, escolhendo o caminho do despojamento. Acolhendo a humildade e a palavra d´Aquele que, mais do que qualquer outro, no-la ensinou.»

Susanna Tamaro, em "O Fogo e o Vento"

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

RAÍZES

"Nós temos as nossas raízes na terra, temos e devemos ter, mas prendemo-nos às coisas ou rastejamos pelo chão; só alguns poucos se elevam para os céus. São eles os únicos seres humanos felizes e criativos. Os demais corrompem-se, e, através da ofensa e da maledicência, destroem-se uns aos outros neste mundo maravilhoso."


J. Krishanmurti, em "Cartas a uma jovem amiga"

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

CHEGA ATÉ NÓS...

«Chega até nós, vindo não se sabe de onde, um sussurro, um chamado débil, uma premonição de que existe uma vida mais rica, e sabemos que a deixamos de lado. Cheios de tensão em face do ritmo louco de nossas tarefas diárias, a pressão é ainda maior em decorrência da inquietação interior, porque percebemos insinuações de que há um estilo de vida imensamente mais rico e profundo do que toda essa existência apressada. Existe uma vida repleta de serenidade, paz e poder, sem pressa.»

Thomas Kelly

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A VERDADE SOBRE SI PRÓPRIO

Tal qual um rochedo não é balançado pelo vento,
um sábio não vacila diante de acusações e elogios.

(PROVÉRBIO BUDISTA)

Quando o homem não admite a verdade sobre si próprio,
faz depender a sua glória da opinião alheia,
e quando é chamado afortunado, magnífico, poderoso,
acredita, não por o ser,
mas porque assim é dito.
(S. Martinho de Dume)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

UMA REVOLUÇÃO EFICAZ

«Uma revolução eficaz, capaz de renovar tudo, parte do coração do homem e atinge todas as estruturas políticas, económicas e sociais do mundo. Não pode ser realizada sem o homem ou sem Deus. Só se fará através do homem, em Cristo e com Cristo.»

Francisco Xavier Nguyen, em "O Caminho da Esperança"

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

PERDÃO - UM PROCESSO DE LIBERTAÇÃO

«O perdão, o acto de amar o inimigo assim como perdoar a si mesmo não é um evento repentino, uma mudança rápida de ânimo. A maior parte do tempo é um processo longo, que se inicia com o desejo de sermos livres, de nos aceitarmos como somos e de crescermos no amor por aqueles que são diferentes e por aqueles que nos magoaram ou aparecem como nossos rivais. É o processo de sairmos da prisão de nossas simpatias e antipatias, de nossos ódios e medos, e caminharmos para a liberdade e para a solidariedade. No processo de libertação pode ainda haver inibições, ressentimentos e raiva, mas há também este desejo crescendo de ser livre.»

Jean Vanier, em "O Despertar do Ser"

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O RELACIONAMENTO AMOROSO

"Sabemos pouco do amor, da sua extraordinária ternura e poder. Muito facilmente usamos a palavra «amor; o militar usa-a, o carniceiro usa-a, o homem rico usa-a, assim como o rapaz e a rapariga. Mas sabemos pouco do amor, da sua vastidão, da sua imortalidade, da sua profundidade. Amar é ter consciência da eternidade.

O relacionamento é uma coisa estranha; muito facilmente caímos na habituação a um relacionamento particular, onde as coisas são tomadas como garantidas, com a situação aceite, não se tolerando qualquer variação; não se considera nenhum movimento em direcção à incerteza, mesmo por um segundo. Tudo é de tal modo regulado, tornado «seguro», bem amarrado, qua não há qualquer hipótese de frescura, de um respirar revivificador. A isto, e a muito mais, se chama relacionamento. Se observarmos de muito perto, verificamos que o verdadeiro relacionamento é muito mais subtil, mais rápido que um relâmpago, mais vasto do que a Terra, pois ele é vida. A vida é conflito.
Queremos fazer do relacionamento uma coisa grosseira, rígida, manipulável. Deste modo, ele perde a sua fragância, a sua beleza. Isto surge porque não amamos, e o amor é certamente a maior das coisas, pois nele acontece o completo abandono de nós mesmos. (...)

É preciso grande inteligência para um homem e uma mulher se esquecerem de si mesmos, para poderem viver juntos, não se rendendo um ao outro ou não sendo dominados um pelo outro. O relacionamento é a coisa mais difícil da vida."

J. Krishnamurti, em "Cartas a uma jovem amiga"

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A EVASÃO

«Os que sempre se movem à superfície jamais suspeitarão dos prodígios ocultos nas raízes.
A tentação do homem - hoje mais do que nunca - é a superficialidade, ou seja, viver na periferia de si mesmo. Em vez de se confrontar com o seu próprio mistério, muitos preferem fechar os olhos, estugar o passo, escapar de si mesmos e procurar refúgio nas diversões e distracções.(...)

É mais agradável, e sobretudo mais fácil, a dispersão do que a concentração; eis então o homem nas asas da dispersão, eterno fugitivo de si mesmo, procurando qualquer refúgio desde que possa escapar do seu próprio mistério e problema. A nossa crise moderna é a crise da evasão.»

Ignacio Larrañaga, em "O sentido da vida"

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

NÃO DEIXES ENVELHECER TEU CORAÇÃO

«Não deixes que o teu coração envelheça com o passar do tempo.
Ama com um amor cada dia mais intenso, mais novo e mais puro,
como o amor que Deus derrama no teu coração.»

(Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, O Caminho da Esperança")

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A FORÇA CURATIVA DO AMOR

«Somente quando nos voltarmos para o nosso interior e descobrirmos lá a presença de Deus, nos tornaremos aquilo que essencialmente somos: seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus, que nada mais somos do que amor.

A substância incorrompida do nosso ser é o amor. E somente se abrirmos nossos olhos para esta realidade mais profunda nos tornaremos verdadeiramente humanos. Então não seremos mais determinados por nossos ferimentos e humilhações, mas pelo amor que transforma nossas chagas, moldando-as em clamor por amor.

Somente quando descobrirmos o amor de Deus no "chão de nossa alma" cessaremos de procurar, ansiosa e avidamente, para fora, no mundo, a satisfação de nossas necessidades.
A cura é possível se experimentarmos amor, se pessoas nos amarem sem restrições e quando reconhecermos no amor humano o infinito amor de Deus. Este, no entanto, não depende do amor humano; também está presente em nosso coração. Por isso não precisamos procurar constantemente pessoas que nos amem.»

Anselm Grün, em "Abra seu coração para o amor"

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

COMPARAÇÃO

«Estamos constantemente a comparar-nos uns com os outros, com alguém que teve mais sorte, o que somos com aquilo que deveríamos ser. A comparação, de facto, mata. A comparação é degradante, ela perverte a nossa observação. E é no seio da comparação que somos criados.

Toda a nossa educação se baseia na comparação, assim como a nossa cultura. Portanto, existe uma constante luta para sermos uma coisa diferente daquilo que realmente somos.
A compreensão do que somos liberta a criatividade, mas a comparação alimenta a competitividade, a crueldade, a ambição e, pensamos nós, isso gera progresso. O progresso só nos levou até agora a guerras cruéis e à infelicidade como jamais o mundo conheceu. A verdadeira educação é educar as crianças sem comparação.»



J. Krishnamurti, em "Cartas a uma jovem amiga"

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O AMOR É...

«O amor é um coisa «perigosa», só ele traz a única revolução que proporciona felicidade.
São poucos os que são capazes de amar, e tão poucos os que querem o amor.

Amamos segundo as nossas próprias condições, fazendo do amor um coisa de mercado. Temos mentalidade mercantil, mas o amor não é comercializável nem é um negócio de troca.
O amor é um estado de ser, no qual todos os problemas humanos se resolvem. Vamos ao poço com um dedal e assim a vida torna-se uma coisa sem qualidade, insignificante e limitada.»

J. Krishnamurti, em "Cartas a uma jovem amiga"

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

PORQUE


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O RIO DO AMOR

«Não sei, mas o amor incendeia-me. É uma chama inextinguível. Tenho tanto disso, que quero dá-lo a todos, e dou. É como um grande rio, que alimenta e rega cada vila e aldeia; ele vai sendo poluído, desagua nele a porcaria do ser humano, mas depressa as águas se purificam a si próprias, e rapidamente segue em frente. Nada pode estragar o amor, pois todas as coisas se dissolvem nele - o bom e o mau, o feio e o belo. O amor é algo que é a sua própria eternidade.»

J. Krishnamurti, em "Cartas a uma jovem amiga"

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

AS FERIDAS REMETEM AO AMOR

«A nossa fé no amor de Deus é apenas uma fineza piedosa ou pode realmente curar nossas feridas? A fé no amor de Deus não é uma droga milagrosa que funciona em qualquer ferimento. Creio que ela me ajuda a confrontar, sem angústia, com minhas feridas.

O amor de Deus é para mim uma atmosfera terapêutica, onde posso retirar as ligaduras das minhas chagas para que a expiração curativa de Deus sopre sobre elas. Minhas feridas querem justamente me remeter para a profundidade do amor de Deus. Elas me mostram que estou à mercê da graça desse maravilhoso amor, e que não posso me curar sozinho.

A ferida pode me abrir para o amor de Deus, e este fluir para intimidade do meu ser através da minha predisposição. Então sinto repentinamente, através do meu ferimento, apesar de tudo, uma profunda paz interior. A ferida não pára de doer, mas eu deixo de ficar revolvendo-a. Nela eu sinto que sou aceite e amado por Deus. Isto transforma a dor de quem está ferido na dor de quem é amado, que é mais leve de suportar. Neste sentido, as feridas tornam-se lugar de experiência divina.»

Anselm Grün, em "Abra seu coração para o amor"

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

SILÊNCIO (2ª parte)

Quem fala incessantemente
gasta as reservas de energias interiores.
Quando fazes silêncio,
trancas a porta da tua alma,
e isso leva a que a chama que arde em ti não se apague
e a fonte que te dá vida não se esgote.

Um silêncio puro e límpido
acalma a sede do nosso ser.
Sacia os desejos do coração.
É nele que reside a verdadeira
felicidade do Homem.

Aquele que, pelo silêncio,
se abeira do mistério da vida consegue,
em momentos de graça,
ouvir o canto do Universo,
o som das esferas celestes em movimento.
Quando vives o momento presente,
sentes-te invadir por uma alegria inigualável,
por um prazer que nada neste mundo te poderá roubar.

O silêncio é a porta
que o nosso ouvido interior abre
para se poder escutar a maravilhosa
melodia da alma.

Quando não dançamos apenas ao som
do assobio dos outros é sinal de que
estamos em sintonia connosco,
em sintonia com a música suave
que o nosso coração criou.
Descobre esta melodia interior.
Procura captar as notas do silêncio.
Mantém-te atento a tudo
o que desponta em ti.

Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade"

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

SILÊNCIO (1ª parte)

Precisamos de mergulhar no silêncio
se queremos sentir a felicidade
que habita no mais íntimo dos nossos corações.
Se nunca pararmos,
nunca conseguiremos senti-la.
Ela é como o mar: só quando está calmo
é que reflecte a beleza do mundo.
Só quando paramos, em silêncio,
é que podemos reflectir
a grandeza do que nos rodeia.
É então que podemos experimentar
a alegria que trazemos em nós.

Só podes encontrar-te contigo mesmo
se estiveres em silêncio.
As muitas influências do exterior debilitam-te.
Precisas do silêncio
para voltares a ser tu próprio,
em plenitude.

Procura o silêncio.
O ruído é como a sujidade e o pó.
O silêncio é um banho para a alma.
Não há purificação mais intensa
que a do silêncio.
É nele que está o caminho
para a paz do coração.

Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade"

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

AQUELES QUE ME AMAM...

Aqueles que me amam neste
mundo procuram a todo custo manter-me
preso. Mas o teu amor, muito maior que o
deles, é diferente, pois tu me conservas livre.

Eles temem que eu os esqueça, e por
isso nunca me deixam sozinho. No entanto,
passam-se dias e dias, e tu não apareces.

Mesmo que eu não te invoque em
minhas orações, e mesmo que eu não te
conserve em meu coração, o teu amor por
mim sempre fica esperando o meu amor.

Rabindranath Tagore

sexta-feira, 31 de julho de 2009

ARTE DA VIDA

«A vida não está dependente da quantidade das vivências, mas da sua qualidade.

A arte da vida implica viver cada momento, estar atento a si próprio, estar em sintonia consigo e com o mundo, compreender com todos os sentidos. Quando estou de posse dos meus sentidos, experimento tudo o que vem ter comigo de uma forma intensa. Então vejo em tudo o segredo, vejo em todas as coisas o Deus invisível.
Quando ouço plenamente, ouço o que é inaudível.

A vida não é, antes de mais, consumir, mas percepcionar, sentir, provar e saborear.
Não é quantidade de coisas que eu tomo para mim que decidem se eu vivo realmente, mas o modo como eu percepciono e experimento aquilo que me é oferecido.
Tem a ver, sobretudo, com a intensidade da vida. E essa precisa de sossego, serenidade, liberdade, admiração, entrega àquilo que verdadeiramente é importante.»

Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A EXPERIÊNCIA CURATIVA DO AMOR DE DEUS

«Em suas meditações sobre o amor, Ernesto Cardenal tentou abrir os olhos das pessoas para a realidade de que o amor de Deus as envolve em toda parte, que tudo é expressão deste amor divino: "O amor de Deus nos envolve por todos os lados. Seu amor é a água que bebemos; o ar que respiramos e a luz que enxergamos. Todos os fenômenos naturais são tão-somente distintas formas materiais do amor de Deus. Nós nos movemos em seu amor como o peixe na água".

Não basta ter fé para experimentar tal realidade, mas precisamos nos relacionar de outra maneira com a água, com o ar, com o alimento. Em cada gole de água que tomamos precisamos nos dar conta de que nele estamos bebendo do amor de Deus. E em cada gole de vinho podemos dizer em uníssono com o apaixonado do Cântico dos Cânticos: "Mais doce que o vinho é o teu amor" (4,10).

O atencioso e zeloso trato ao lidar com as coisas pode nos fazer perceber que em toda parte está o amor de Deus; que em tudo entramos em contacto com Ele. Isso irá modificar nossa vida: deixaremos de lamuriar que ninguém nos ama; que desejamos tanto um relacionamento de afecto e proximidade, mas que não o experimentamos porque ninguém se preocupa connosco, porque ninguém nos acha dignos de amor. Pelo contrário, o amor nos envolve; só precisamos aproveitá-lo."

(Anselm Grün, em "Abra seu coração para o amor")

segunda-feira, 27 de julho de 2009

EXPERIMENTAR O AMOR DE DEUS


«Da mesma forma que o sol aquece a pele e perpassa todo o corpo, o amor de Deus quer incidir sobre todos os poros de nosso ser.

O amor de Deus não é algo meramente cognitivo; ele pode ser experimentado no contacto com a criação, com o sol que nos ilumina ou o vento que nos acaricia ternamente.

O amor é sem objecto. Ele simplesmente é. Este também é um desejo que todos nós temos, o de sermos simplesmente amor.

Há aquelas pessoas visivelmente cheias de amor, totalmente permeáveis ao amor divino. Elas não estão apaixonadas por outra pessoa, mas irradiam o amor em todo o seu ser. Seu amor está presente no relacionamento com todos aqueles que elas encontram: têm a capacidade de se dirigir a cada um com total benevolência. Seu amor existe para os animais e plantas, para uma estátua ou uma pintura, assim como para a música. Está presente em cada momento. A presença destas pessoas nos faz sentir bem: irradiam amor; suas mãos têm algo de carinhoso. Não é possível descrever o que se passa connosco quando encontramos uma pessoa assim; de alguma maneira nos sentimos aceites, levados a sério, respeitados, amados; nosso coração começa a "degelar"; sentimo-nos livres, não precisamos ocultar nada, podemos ser realmente como somos.»

(Anselm Grun, em "Abra seu coração para o amor")

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A BELEZA QUE NÃO PODE SER PINTADA

Os gregos da era clássica costumavam dizer que o homem, para atingir sua plenitude humana, deve ser belo e bom, e o inesquecível Cervantes, com seu mais inesquecível Dom Quixote, dirá, mais tarde, que não existe beleza separada da bondade. (...)

Francis Bacon, filósofo inglês, também se interessou por esse assunto quando escreveu: A melhor parte da beleza é aquela que não pode ser pintada.

Hoje, diríamos, com o desagrado de tantas actrizes e modelos, que a melhor parte da beleza é a que não pode ser fotografada, primeiro porque essas belezas de revistas, de cinema e TV são puras folhas de papel ou reflexos coloridos e, segundo, porque, na frase de Bacon, se trata de uma formosura espiritual que não pode ser captada nem pelas mais modernas câmeras digitais!

Héber Salvador de Lima SJ, em "Tudo é Graça..."

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A BELEZA QUE SALVA O MUNDO

(foto de Madre Teresa de Calcutá)



O escritor russo Dostoiévski, belo representante extinto de uma raça de romancistas cristãos, disse esta frase singular e profunda: "A Beleza salvará o mundo!".

Que tipo de beleza será essa que ele chama de salvadora? Não é certamente a que nos aparece na TV, em certas revistas e nas telas dos cinemas. Há uma beleza transcendental que paira acima de tudo isso e brilha mais nas vidas do que nos corpos: a beleza do heroísmo, por exemplo; a beleza dos que colocam sua fé, seu idealismo, seus compromissos de vida, seu amor e fidelidade à família... num primeiro lugar muito elevado que não costuma ser explorado pelos mídia.

O verdadeiro artista, aos olhos de Deus, não é aquele que pinta quadros que valham milhões, esculpe estátuas ou brilha nos palcos de todo o mundo.

O artista genuíno é aquele ou aquela que brilham mais por dentro do que por fora, mas cujo brilho interior é tão intenso que ilumina a vida dos que os contemplam. É esse o tipo de beleza que tem o condão de salvar o mundo. O artista que irradia esse brilho salvador não é um tipo especial de pessoa, porque qualquer pessoa pode ser esse tipo especial de artista.

A única beleza que não passa e salva o mundo, é a de uma vida consagrada aos outros, na ânsia de minorar seus sofrimentos e de os tornar felizes!

Héber Salvador de Lima SJ, em "Tudo é Graça..."

segunda-feira, 20 de julho de 2009

BELEZA QUE NÃO PASSA...

(Foto de Jean Vanier)

O poeta inglês escreveu um verso imortal: «A thing of beauty is a joy for ever (Uma coisa bela é uma alegria eterna), mas esse dom de eternidade só lhe é concedido se ela não for meramente terrena e corpórea, reflectindo por fora o que lhe dá a Graça de Deus por dentro.

Como se sabe, eterno mesmo é somente Deus; portanto, neste mundo, tudo quanto pretenda ser perene e eterno tem de participar dessa eternidade divina; em outras palavras, qualquer beleza genuína tem de trazer em si os traços ou reflexos dessa Graça interior que só nos vem da presença de Deus dentro das nossas almas e de nossas vidas.

E como Deus não passa nunca, também esse tipo de beleza que floresce em nós, por causa de Sua Presença, jamais passará.

Héber Salvador de Lima SJ, em "Tudo é Graça..."

sexta-feira, 17 de julho de 2009

ACEITAÇÃO

«É decisivo para o seu crescimento saudável que a pessoa, desde muito cedo, se sinta aceite. Aceite não significa um sentimento de indiferença, um tanto me faz, um eu engulo tudo, um como te apetecer sem verdade nem exigência.

Aceitar outra pessoa significa dar a essa pessoa a possibilidade de ela estar diante de mim sem que tenha necessidade de se defender, de se mascarar ou de estar na expectativa de aprovação. Significa que pode ser ela própria.»

Vasco Pinto de Magalhães, em "Onde há crise, há esperança"

quarta-feira, 15 de julho de 2009

SE ME É NEGADO O AMOR


Se me é negado o amor, por que, então, amanhece;
por que sussurra o vento do sul entre as folhas recém nascidas?
Se me é negado o amor, por que, então,
A noite entristece com nostálgico silêncio as estrelas?
E por que este desatinado coração continua,
Esperançado e louco, olhando o mar infinito?

Rabindranath Tagore

segunda-feira, 13 de julho de 2009

ABRE A PORTA À ESPERANÇA

Ter esperança
é acreditar num futuro de redenção,
mesmo no meio das realidades mais tristes.
Ter esperança é não desistir de si próprio.
Ter esperança é confiar
que Deus pode transformar tudo.
Ele há-de encher a nossa alma de alegria,
se deixarmos que a Esperança
more no nosso coração.

Mantém a lucidez de espírito.
Não deixes que a tua alma seja toldada
pelas nuvens negras que passam
no firmamento do teu coração.

Quem consegue ver um raio de luz
por entre a neblina dos dias,
quem não deixa de acreditar na Luz,
mesmo que se encontre
na mais profunda das tristezas,
há-de encontrar no meio de todas as contrariedades
e da infelicidade o caminho para a libertação.
A capacidade de encontrar este caminho
nos momentos em que te sentes mais magoado,
desiludido ou desesperado
é o lado mais belo da arte de viver.

Cada um de nós carrega dentro de si
o paraíso para onde caminha.
E sendo assim, toda a caminhada
pode já significar uma antecipação do paraíso em si.
Mesmo que o céu da tua consciência
esteja coberto de nuvens negras
a anunciar tempestade,
nunca te esqueças que na tua alma
há um sol que brilha sempre.
O lugar que Deus habita dentro de ti
é um céu límpido e azul,
marcado pela claridade.

Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade"

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A VERDADEIRA LIBERTAÇÃO

Organizar um exército, respondeu Jesus, é tarefa relativamente fácil.
Eu não vim para aniquilar os romanos,
mas para trazer outra libertação: vim para sujeitar os demónios do coração,
para transformar o ódio em amor e a vingança em perdão,
para pôr em debandada as legiões do egoísmo,
para pagar o mal com o bem e amar o inimigo,
para conquistar os impossíveis e alcançar uma estrela com a mão.

Quando tiver culminado esta libertação,
já não será possível no mundo o domínio de uns sobre os outros.

Ignacio Larrañaga

quarta-feira, 8 de julho de 2009

GRATIDÃO

Na opinião de Cícero, a gratidão é a atitude mais importante do ser humano. Trata-se da condição prévia para a «concórdia», para a união entre as pessoas e para a consonância dos corações. (...)

É a gratidão que determina o ser humano, uma vez que é através desta atitude que tomamos consciência da nossa relação existencial, que sentimos e reconhecemos a ligação com os outros, o facto de não vivermos sozinhos. Isso é válido para a nossa relação com as outras pessoas, às quais nos remetemos e sem as quais não conseguimos viver. Mas também é válido para a nossa relação com Deus, que é a razão mais profunda da nossa existência.
A gratidão é a mais profunda das orações, disse, certa vez, o monge beneditino David Steindl-Rast. (...)

A gratidão transforma a minha vida. «Aquele que começa a agradecer começa também a ver a vida com outros olhos» (Irmela Hofmann). Albert Schweitzer aconselha: «Quando te sentires fraco, abatido e infeliz, começa a agradecer, para começares a sentir-te melhor.»
Quando observo a minha vida com gratidão, a escuridão aclara-se e aquilo que é amargo adquire um sabor agradável. A gratidão livra-me do desânimo e da amargura e aproxima-me de Deus.

Diz-se que São Filipe Néri rezava à noite a seguinte oração:
«Senhor, agradeço-te pelo facto de as coisas hoje não terem corrido como eu queria, mas sim como Tu querias.»

Aquele que contempla o dia que passou com uma tal atitude de aceitação - que é, ao mesmo tempo, uma questão de humor e relativização da perspectiva do «eu» - não se irrita e não cai na tentação da vaidade; então, para ele, tudo se torna uma fonte de alegria e paz.

Anselm Grün, em "O Livro das Respostas"

segunda-feira, 6 de julho de 2009

INGRATIDÃO

Aquele que pensa, reconhece que pode estar grato por muitas das coisas que lhe acontecem diariamente. Vê-o nas muitas pequenas dádivas que recebe no quotidiano: a dádiva de um olhar amigo, de um bom encontro, de uma palavra que o conforta e tranquiliza.
O filósofo romano Cícero descreveu a ingratidão como um esquecimento. (...) O Talmud diz que a ingratidão é pior do que o roubo. E Johann Wolfgang von Goethe diz o seguinte: «A ingratidão é sempre um tipo de fraqueza. Nunca vi pessoas inteligentes serem ingratas.»(...)

O ingrato não é verdadeiramente um ser humano, precisamente porque não consegue aperceber-se das oportunidades importantes e positivas e vivê-las. Cícero está convencido de que só as pessoas gratas conseguem fazer amizades e viver em sociedade umas com as outras. As pessoas ingratas são pessoas desagradáveis. Ninguém quer ter qualquer tipo de relação com elas. Sentimo-nos mal quando próximo delas. Temos a sensação de que nunca lhes conseguimos agradar. Por isso, afastamo-nos, uma vez que delas emana uma atmosfera negativa e destrutiva.
A ingratidão destrói a harmonia dos corações.
Não é capaz de celebrar e, em última análise, de sentir alegria.
Nunca conseguimos agradar às pessoas ingratas.
São insaciáveis e nunca estão satisfeitas.
Não é possível entendermo-nos vem com pessoas ingratas.

Anselm Grün, em "O Livro das Respostas"

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Para entrar no Reino...

Para entrar no Reino,
o homem tem de começar por derrubar,
golpe a golpe, a estátua de si mesmo,
renunciar aos próprios delírios e fantasias,
despir-se de vestimentas artificiais
e arrancar máscaras postiças,
aceitar com naturalidade a própria contingência e precaridade,
e apresentar-se frente a Deus como uma criança,
como um pobre e um indigente.

Ignacio Larrañaga

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A NOSSA MISSÃO NO MUNDO

Como cristão, interpreto a minha missão no mundo da seguinte forma: Deus - tal como Romano Guardini disse, certa vez - pronunciou sobre mim uma palavra original que pensou apenas para mim. Diria que se trata de uma palavra-passe que só serve para mim. A minha missão consiste em deixar que essa palavra única de Deus, que em mim encarnou, se torne perceptível neste mundo.

Posso dizer que gostaria de deixar neste mundo a minha marca de vida muito pessoal. Gostaria de voltar a irradiar neste mundo aquilo que Deus colocou em mim. Mas, o que é afinal, a minha marca de vida? Reconheço-a quando escuto o que existe dentro de mim e sinto que sou consistente. E reconheço-a quando me reconcilio com a minha história de vida.
Muitas vezes, é precisamente nas minhas lesões espirituais que consigo descobrir a marca que posso deixar neste mundo. No lugar onde me sinto magoado, também me abro ao meu verdadeiro ser, à palavra única que Deus pronunciou em mim.

Anselm Grün, em "O Livro das Respostas"

segunda-feira, 29 de junho de 2009

LIBERDADE NO ESPÍRITO

"Liberdade é aceitar que, quando pertencemos a um grupo, raça, tribo, família, comunidade, religião, nenhum desses é perfeito, cada um tem seus limites e fragilidades.
Toda comunidade de humanos tem sua luz e sua escuridão.
Todos nós somos parte de algo maior do que nós.
Todos nós fluímos de uma fonte insondável e estamos todos caminhando para ela, levando connosco a luz da verdade e do amor.
Cada um de nós é chamado a estar em comunhão com a Fonte e Centro do universo.
Os infinitos anseios do nosso coração nos chamam para estar em comunhão com o infinito.
Nenhum de nós pode se satisfazer com o limitado e com o finito.
Cada um de nós deve ser livre para seguir o Espírito de Deus."

Jean Vanier

sexta-feira, 26 de junho de 2009

PORQUE ELE NOS AMOU PRIMEIRO


Como vamos trazer o Amor para dentro dos nossos corações?
Vamos trabalhar a nossa vontade, para mantê-lo sempre próximo.
Vamos tentar copiar os que aprenderam a amar.
Vamos esquecer todas as regras que nos ensinaram sobre o que é o Amor, inclusive estas minhas palavras.

Vamos orar.
Vamos vigiar.
Nada disso, porém, nos vai fazer amar, porque o Amor é um efeito,
E só ao conhecermos a causa, o efeito se manifesta.

Devo dizer qual é esta causa?
Se lermos a Versão revisada da Primeira Epístola de João, vamos encontrar as seguintes palavras:
"Nós amamos porque Ele nos amou primeiro."Esta escrito: "nós amamos", e não "nós O amamos", como traduziram antes, de maneira errada. "Nós amamos porque Ele nos amou primeiro."
Reparem na palavra porque. Esta é a causa a que me refiro. Porque Ele primeiro nos amou, o efeito - consequentemente - é que nós amamos.

Somos todos manifestações do Amor.
Amamos a Ele, amamos a nós mesmos, amamos a todos.

É assim.
Nosso coração transforma-se aos poucos.

Contempla o amor que te é dado e saberás como amar.
Não podes ser obrigado a amar, e tampouco podes obrigar qualquer outra pessoa.
Tudo que podes fazer é olhar o Amor,
apaixonar-te por ele, e copiá-lo.

Ama o Amor.
Olha o grande sacrifício que Ele propôs a si mesmo.
Ao amarmo-Lo, tornamo-nos como Ele.
O Amor produz Amor.

Coloca uma peça de ferro numa fonte de electricidade, e levarás um choque.
É um processo de indução.
Ou coloca-a perto de um íman, e esta peça transforma-se em íman enquanto estiver ali. Permanece perto de Quem nos amou, e serás magnetizado por esse Amor.

Qualquer homem que buscar esta Causa, terá o seu Efeito.
Tentemos livrarmo-nos do preconceito de que a Busca Espiritual existe por acaso, ou capricho, ou devido ao nosso gosto pelo mistério.
Ela está aí por causa de uma lei natural - ou melhor, espiritual, porque é uma lei divina.

Edward Irving visitava um menino que estava a morrer.
Ao entrar no quarto, colocou a mão na testa do rapaz e disse:
"Rapaz, Deus ama-te."
Não disse mais nada. Saiu em seguida.
O menino levantou-se, chamou todas as pessoas da casa, e gritava:
"Deus ama-me! Deus ama-me!"

A mudança foi completa; a certeza de que Deus o amava deu-lhe forças, destruiu o que havia de mal, e permitiu a sua transformação.
Da mesma maneira, o Amor derrete o mal que existe no coração de um homem, e transforma-o numa criatura nova - paciente, humilde, tolerante, gentil, entregue, sincera.

Não existe nenhuma outra maneira de conseguir amar - e tão pouco há qualquer mistério sobre isto.
Nós amamos os outros, amamos a nós mesmos, amamos nossos inimigos, porque, primeiro, fomos amados por Ele.

"O Dom Supremo", Henry Drummond (traduzido e adaptado por Paulo Coelho)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

APRENDER A AMAR

Este deve ser o nosso objectivo no mundo: aprender a amar.

A vida oferece-nos milhares de oportunidades para aprender a amar. Todo homem e toda mulher, em todos os dias de suas vidas, têm sempre uma boa oportunidade de entregar-se ao Amor.

A vida não é um longo feriado, mas um constante aprendizado. E a mais importante lição que temos é: aprender a amar. Amar cada vez melhor.
O que faz do homem um grande artista, um grande escritor, um grande músico?
Prática.
O que faz do homem um grande homem?
Prática. Nada mais.

O crescimento espiritual aplica as mesmas leis usadas pelo corpo e pela alma. Se um homem não exercita seu braço, jamais terá músculos. Se não exercita sua alma, jamais terá fortaleza de carácter, nem ideais, nem a beleza do crescimento espiritual.

O Amor não é um momento de entusiasmo. O Amor é uma rica, forte e generosa expressão das nossas vidas - a personalidade do homem no seu mais completo desenvolvimento.
E, para construir isto, precisamos de uma prática constante.

O que fazia Cristo na carpintaria?
Praticava.
Embora perfeito, aprendia - todos nós já lemos sobre isto. E assim ele crescia em sabedoria, para Deus e para os homens.

Procuremos ver o mundo como um grande aprendizado de Amor, e não lutemos contra aquilo que acontece nas nossas vidas. Não reclamemos por precisarmos de estar sempre atentos, ser obrigados a viver em ambientes mesquinhos, cruzando com almas pouco desenvolvidas. Esta foi a maneira que Deus encontrou para praticarmos.

Não nos assustemos com as tentações. Não te surpreendas com o facto de elas estarem sempre à tua volta, e não se afastarem - apesar de tanto esforço e tanta prece. É desta maneira que Deus trabalha as nossas almas.

Tudo isto te está a ensinar a ser paciente, humilde, generoso, entregue, delicado, tolerante.

Não afastes a Mão que esculpe a tua imagem, porque esta Mão também mostra o teu caminho. Está certo de que estás a ficar mais belo a cada minuto que passa - e, embora não percebas, dificuldades e tentações são as ferramentas utilizadas por Deus.

Lembra-te das palavras de Goethe: "O talento se desenvolve na solidão; o carácter no rio da vida." O talento desenvolve-se na solidão; a prece, a Fé, a meditação, a visão clara da vida. Mas o carácter só pode crescer se fizermos parte do mundo. Porque é no mundo que aprendemos a Amar.

"O Dom Supremo", Henry Drummond (traduzido e adaptado por Paulo Coelho)

terça-feira, 23 de junho de 2009

COMO AMEI?




Mateus nos dá uma descrição clássica do Juízo Final:
o Filho do Homem senta-se num trono, e separa, como um pastor, os cabritos das ovelhas.
Neste momento, a grande pergunta do ser humano não será:
"Como vivi?"
Será, isso sim: "Como amei?"

O teste final de toda busca da Salvação, será o Amor.
Não será levado em conta o que fizemos, em que acreditámos, o que conseguimos.
Nada disso nos será pedido. O que nos será pedido: será a maneira de amar o próximo.

Os erros que cometemos nem sequer serão lembrados.
Seremos julgados pelo bem que deixamos de fazer.
Pois manter o Amor trancado dentro de si é ir contra o Espírito de Deus, é a prova de que nunca O conhecemos, de que Ele nos amou em vão, de que Seu Filho morreu inutilmente.

Deixar de Amar significa dizer que Deus jamais inspirou os nossos pensamentos, as nossas vidas, e que nunca chegámos junto Dele o suficiente para sermos tocados pelo seu deslumbrante Amor.
Significa que:
"eu vivi por mim mesmo,
pensei por mim mesmo,
por mim mesmo, e ninguém mais como se Jesus jamais tivesse vivido,
como se Ele jamais tivesse morrido."

É diante de Deus que as nações do mundo serão reunidas.
É na presença de todos os outros homens que seremos julgados.
E cada homem julgar-se-á a si mesmo.
Ali estarão presentes aqueles que encontramos e ajudamos.
Ali também vão estar aqueles que desprezamos e negamos.
Não há necessidade de chamar qualquer Testemunha,
pois nossa própria vida se encarregará de mostrar, na frente de todos, o que fizemos.
Nenhuma outra acusação - além da falta de Amor - será proferida.

Não se enganem;
as palavras que neste Dia ouviremos não virão da teologia,
não virão dos santos,
não virão das igrejas.
Virão dos famintos e dos pobres.
Não virão dos credos e das doutrinas.
Virão dos desnudos e desabrigados.
Não virão das Bíblias e dos livros de orações.
Virão dos copos de água que damos ou deixamos de dar.

Quem é Cristo?
É aquele que alimentou os pobres, vestiu os nus, e visitou os doentes.

Onde está Cristo?
"Todo aquele que receber uma criancinha destas em meu nome, também me recebe."

E quem está com Cristo?
Aquele que ama.

"O Dom Supremo", Henry Drummond (Traduzido e adaptado por Paulo Coelho)

domingo, 21 de junho de 2009

O AMOR PERMANECE

"Quinze segundos de pureza aqui, outros dez além: com um pouco de sorte, terá havido na minha vida, quando partir, pureza suficiente para perfazer uma hora." (Christian Bobin)

Exijam de vós mesmos: viver uma vida plena e correcta. Se olharem para trás, perceberão que os melhores e mais importantes momentos da vida foram aqueles onde estava presente o espírito do Amor.

Quando olhamos o nosso passado - e não nos detemos nos prazeres transitórios da vida -, notamos que os momentos marcantes de nossa existência são aqueles em que vivíamos o amor; ou que, escondidos, fizemos algo de bom para alguém. Coisas às vezes tolas demais para serem contadas, mas que, por fracções de segundo, nos fizeram sentir como se estivéssemos mergulhados na Eternidade.

Eu já vi quase todas as coisas belas que Deus criou. Já gozei quase todos os prazeres que um homem pode gozar. Mesmo assim, ao olhar o meu passado, sobram apenas quatro ou cinco momentos - geralmente muito curtos - em que pude fazer uma pobre imitação do Amor de Deus. São estes momentos que justificam minha vida. Todo o resto é passageiro. Qualquer outro bem ou virtude é apenas uma ilusão. Estes pequenos actos de Amor que ninguém reparou, que ninguém conhece, justificam minha vida.
Porque o amor permanece.

"O Dom Supremo", Henry Drummond (traduzido e adaptado por Paulo Coelho)

sexta-feira, 19 de junho de 2009


«Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio.

O método da não-violência pode parecer demorado, muito demorado, mas eu estou convencido de que é o mais rápido»

Mahatma Gandhi

quinta-feira, 18 de junho de 2009

GOTA DE ÁGUA LIMPA


Um dia que a Madre Teresa estava em Roma de regresso de Oslo, onde lhe tinham entregado o Prémio Nobel, um jornalista perguntou-lhe se pensava que as suas fadigas tivessem mudado o mundo e ela respondeu:
-Olhe, nunca pensei em mudar o mundo. Só procurei ser uma gota de água limpa em que o amor de Deus pudesse brilhar. Esforce-se também você por ser um gota de àgua limpa e já seremos dois. É casado?
-Sim, Madre.
-Então, diga também à sua esposa e, assim, já seremos três! Tem filhos?
-Três filhos, Madre.
-Diga também a eles e, assim, já seremos seis.
"Madre Teresa de Calcutá, a mística dos últimos" - Franca Zambonini

terça-feira, 16 de junho de 2009

O QUE É QUE ME VALORIZA?

Todas as pessoas têm o seu valor, porque são criaturas de Deus. (...)

Valoriza-me o facto de ser humano, de ter sido criado por Deus e por Ele escolhido. E valoriza-me o facto de existir em mim qualquer coisa que pertence apenas a mim.
Ninguém sente as coisas da mesma maneira que eu.
Ninguém fala da mesma maneira que eu.
Ninguém respira da mesma maneira que eu.
Não devo ver o meu valor apenas naquilo que eu consigo fazer.
As minhas capacidades fazem parte do meu valor, mas não o esgotam. Apenas têm valor como parte da minha pessoa, que é única, e em que o próprio Deus se revela. (...)

O valor e a dignidade das pessoas consiste no facto de Deus ter criado o Homem à sua imagem e semelhança. No ser humano resplandece, portanto, o rosto de Deus. É essa a mensagem da Bíblia.

Para os cristãos, isso teve, mais uma vez, outro aprofundamento, devido ao facto de Deus ter encarnado em Jesus de Nazaré.
Se acreditarmos nisso, vemos em cada rosto humano o rosto de Jesus Cristo. (...)
O facto de existir em nós uma vida divina, um espírito divino e um amor divino, constitui a mais profunda das nossas dignidades.

Anselm Grün, em "O Livro das Respostas"

segunda-feira, 15 de junho de 2009

DAR TUDO

Eu mendigava de porta em porta,
pelo caminho da aldeia,
quando um carro de ouro surgiu à distância
e parecia um sonho esplêndido.

Perguntei a mim mesmo quem seria esse Rei de todos os reis.
Minhas esperanças subiram ao céu.
Eu pensava: terminaram os meus dias nefastos.
E tive esperança de esmolas espontâneas e de riquezas soltas na areia.

O carro parou onde eu estava.
Ele me olhou e disse sorrindo.
Eu senti que afinal chegara o dia da minha felicidade.

E de repente estendeu-me a mão direita, perguntando:
"Que tens para mim?"
Ah, teu gesto real de estender a mão direita a um mendigo!
Confuso, perplexo, meti a mão na sacola
e, devagar, retirei um pequeno grão de trigo, que lhe ofereci.

Mas, à tardinha, foi enorme a minha surpresa.
Esvaziando a minha sacola,
vi um grão de ouro entre os de trigo.

Chorei lágrimas amargas e lamentando-me dizia:
"Por que não lhe dei tudo?"

Rabindranath Tagore

sexta-feira, 12 de junho de 2009


Tu me apresentaste teus amigos, que eu não conhecia.
Tu me deste poltronas em lares que não eram o meu.
Tu aproximaste de mim quem estava longe
e de um estranho fizeste meu irmão.
Quando tenho de deixar o antigo lar,
sinto o coração inquieto.
Esqueço de que aí o velho permanece novo
e estás morando aí também.
Desde o nascimento até a morte,
neste ou em outros mundos,
onde quer que me guies,
és sempre o mesmo companheiro,
em minha vida infinita.
És Tu quem uniu meu coração a um estranho para sempre.
Para quem te conhece não há mais desconhecidos,
nenhuma porta se fecha.
Concede-me esta graça:
permite-me a felicidade de sempre ver aquele que é o único e num mundo variado.

Rabindranath Tagore

quinta-feira, 11 de junho de 2009


Quando o coração é luz,

tudo se veste de luz.

Dos altos cumes não descem águas turvas,

mas transparentes


Ignacio Larrañaga

quarta-feira, 10 de junho de 2009


Tu és a minha rocha e a minha âncora.
Em ti estão mergulhadas as minhas raízes.
Em teus mananciais beberemos águas de vida eterna.
Em teus braços, cálidos e poderosos,
dormiremos enquanto durar a tempestade.
Tu encherás de luz os nossos horizontes,
de segurança os nossos passos,
de sentido os nossos dias.
Tu serás o farol e a estrela,
a bússola e a âncora,
durante a travessia da nossa vida.

Ignacio Larrañaga

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O AMOR TEM UM NOME...


O amor tem um nome concreto,

uma figura determinada

e uma história apaixonante:

Jesus Cristo na cruz, entregando a vida pelos amigos.
(Ignacio Larrañaga, em "O Sentido da Vida")

quinta-feira, 4 de junho de 2009

PARA DEUS NADA É PEQUENO...

"Purifique a sua intenção e a menor das suas acções encontrar-se-á cheia de Deus !" (Teillhard de Chardin)


«Não procureis acções espectaculares. O que importa é o dom de vós mesmos. O que importa é o grau de amor que pondes em cada um dos vossos gestos. Sede fiéis nas pequenas coisas, porque é nelas que está a vossa força. Para Deus nada é pequeno. (...)

Um dia, enquanto caminhava por uma rua de Londres, vi um homem sentado que parecia muito só. Fui até junto dele, peguei-lhe na mão e apertei-a. Ele disse: "Há quanto tempo não sinto o calor de uma mão!" Compreendi que um gesto assim tão pequeno pode dar muita alegria.»

Madre Teresa de Calcutá

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A PIOR POBREZA


Há vários tipos de pobreza.
Na Índia, onde uma mancheia de arroz é preciosa,
as pessoas vivem e morrem na fome.
No Ocidente, não se morre de fome,
mas vós tendes outro tipo de pobreza, muito pior.
É a pobreza de quem não ora,
de quem não se preocupa com os outros,
de quem não está contente com o que tem,
de quem não sabe sofrer e de quem se desespera.
Esta pobreza do coração é mais difícil de socorrer.

Madre Teresa de Calcutá

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A REVOLUÇÃO DE JESUS CRISTO

Derrubar as muralhas do egoísmo,
criar um coração novo,
mudar os motivos e critérios do homem,
trabalhar pelos outros
com o mesmo interesse com que trabalharia para mim mesmo,
despreocupar-me de mim mesmo para me preocupar com os outros,
adquirir a capacidade de perdoar e compreender...
Tudo isso é tarefa de séculos e milénios.
É essa a grande revolução de Jesus Cristo.

Ignacio Larrañaga, em "O Sentido da Vida"

sexta-feira, 29 de maio de 2009

DEUS NÃO É BOMBEIRO!

Uma das tentações humanas diante de Deus é o de querê-lo a serviço de suas urgências que não passam, às vezes, de pequenas esquisitices. Quando não atendidas, a pessoa, além de frustrada, arroga-se o direito de vituperá-lo. Nada mais impróprio e impertinente! Como se Deus fosse um criado sempre a postos para atender nossas precisões!

Diante de Deus, somos pobres mendigos e não senhores, adoradores de sua santidade e não mandatários de suas graças. A Ele devemos louvar e não dar ordens.

Pe. Neylor J. Tonin

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O que significa a vontade de Deus?

“Se quisermos saber o que significa "vontade de Deus", esta é uma forma de termos uma boa ideia. A "vontade de Deus" certamente está em qualquer coisa exigida de nós para podermos estar unidos uns aos outros no amor. (…) Tudo o que me é pedido para que eu trate todas as outras pessoas efectivamente como seres humanos é "desejado para mim por Deus dentro da lei natural". (…)

Tenho de aprender compartilhar com os demais suas alegrias, sofrimentos, ideias, necessidades e desejos. Tenho de aprender a fazer isso não só em relação aos que são da mesma classe, profissão, raça e nação que eu, mas também quando os que sofrem pertencem a outros grupos, mesmo aos grupos considerados hostis. Fazendo isso, obedeço a Deus. Recusando-me a fazê-lo, desobedeço-Lhe. Não se trata, portanto, de coisa deixada ao capricho subjectivo.”

Thomas Merton, em" Novas Sementes de Contemplação"

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O "Ter"

"O Evangelho tem frases tão provocatórias que por vezes até parecem engano. Esta por exemplo: "Ao que tem dar-se-à e ao que não tem até o que tem lhe será tirado."

Parece não só contraditório como injusto. Mas não, no Evangelho "ter" não significa posse de coisas, mas de amor, esse "ter" significa abertura, ter espaço para acolher. Quem o tem pode receber sempre mais!
Mas quem não tem abertura nem amor não só não pode receber como até desgasta e consome a sua própria realidade, fechado em si. Não tem comunicação. É que a felicidade não vem de ter coisas, mas de ter liberdade e abertura.»

Vasco Pinto de Magalhães, em "Onde há crise, há esperança"

segunda-feira, 25 de maio de 2009

COMO AVES MIGRATÓRIAS


Nós somos aves migratórias.
O nosso ninho é apenas um abrigo passageiro.
Estamos a caminho de um outro país.
Somos aves migratórias,
e por isso não ficamos parados no ninho...
vivemos de olhos postos num outro destino.
É para lá que voamos,
com o coração pleno de ansiedade.

Mas os nossos anseios
não nos tolhem os movimentos.
Abrem-nos o coração
e deixam-nos respirar livremente.
Eles conferem dignidade humana à nossa vida.

Só há vida verdadeira
quando somos movidos por ideais.
É no lugar onde residem
esses teus ideais mais profundos
que se encontra o verdadeiro caminho para a vida;
só aí podes descobrir a vitalidade que te falta.

Os teus anseios ajudam-te a conheceres-te a ti próprio.
Quando sentes os teus anseios,
ouves o teu próprio coração.
Nesse momento, os outros,
com as suas expectativas,
não têm qualquer poder sobre ti.
Esta ânsia impede-te de reagir com resignação
às desilusões que sofres na vida.
Pelo contrário, são as desilusões
que mantêm vivos os teus desejos.

Não há nada na Terra - nem sucessos nem pessoas -
que possam acalmar a inquietação da nossa alma.
Só alcançaremos a paz quando
encontrarmos em nós a nascente da água que não se esgota,
a segurança e o abrigo de onde nunca seremos afastados
e um amor que nunca se apaga
nem se esvai por entre os dedos.

Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade"

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A TIRANIA DO «EU» (2ª PARTE)

Como libertar-nos dessa tirania? Quando o homem deixa de se referir a essa imagem ilusória nasce a tranquilidade mental. A libertação consiste, pois, em esvaziar-se de si mesmo, tomar consciência e convencer-se de que esse «eu» é uma mentira, uma sombra.

Logo que o homem deixa de se referir ou de se apegar a esse «eu», apagam-se os medos, as angústias e as obsessões, que são chamas vivas. E, apagadas as chamas, nasce o descanso, da mesma forma que, consumido o óleo da lâmpada, se apaga o fogo. Morre o «eu» e nasce a liberdade.

Desprendido de si e das suas coisas, e libertado das amarras do «eu», o coração pobre e humilde entra no seio profundo da liberdade. E, a partir daí, começa a viver livre de todo o medo, na estabilidade emocional de quem está acima de qualquer mudança.

O coração pobre e humilde, libertado já da obsessão da sua imagem («eu»), não se preocupa com o que pensem ou digam dele, e vive, silencioso, numa agradável interioridade. Movimenta-se no mundo das coisas e acontecimentos, mas a sua morada está no reino da serenidade.
Não precisa de defender nada, porque nada possui. Não ameaça ninguém e por ninguém se sente ameaçado.

Ignacio Larrañaga, em "A Rosa e o Fogo"

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A TIRANA DO «EU» (1ª PARTE)

O «eu» é uma ilusão, uma ficção que nos seduz, uma mentira que exerce sobre o homem uma tirania cruel: está triste porque a sua imagem perdeu o brilho.
Parece abatido porque a sua popularidade caiu. Vai caindo na depressão porque o seu prestígio se despedaçou. O seu «eu» (identidade pessoal) permanece inalterável. É sua imagem («eu») que sobe ou desce. E, no vaivém dos aplausos ou vaias, sobem e descem as suas euforias e depressões. Como se vê, o «eu» rouba ao homem a paz e a alegria.

Vive obcecado por ficar bem, por causar boa impressão; está sempre ansioso em saber o que pensam dele, o que dizem dele, e, nos ziguezagues desses altos e baixos, o homem sofre, teme, emociona-se.
A vaidade e o egoísmo amarram o homem a uma dolorosa e inquietante existência.

Pior ainda: o «eu» coloca o homem num campo de batalha. Ataca e fere os que brilham mais do que ele no fragor das invejas, vinganças e rixas, que são as armas com que defende a sua imagem. E assim nascem as guerras fratricidas, desencadeadas em nome de uma mentira, de uma louca quimera, de um fogo-fátuo.

Ignacio Larrañaga, em "A Rosa e o Fogo"

terça-feira, 19 de maio de 2009

O FALSO «EU» (2ª PARTE)

«O falso eu é a pessoa que nós apresentamos ao mundo, aquela que, em nosso entender, será agradável aos outros: atraente, confiante e bem sucedida. O verdadeiro eu, por outro lado, é a pessoa que nós somos diante de Deus.
A santidade consiste em descobrir quem é essa pessoa e em lutar para conseguir sê-lo. (...)

O verdadeiro eu de cada pessoa é uma criação única de Deus, e o caminho para a santidade é tornarmo-nos o único eu que Deus deseja que nós sejamos.(...)

Thomas Merton refere-se a essa jornada como a «descoberta de mim mesmo ao descobrir Deus». Ele diz: «Se eu O encontrar, encontrar-me-ei a mim mesmo, e se eu encontrar o meu verdadeiro eu, também encontrarei a Deus.» Por outras palavras, Deus quer que nós sejamos as pessoas para que fomos criados: ser pura e simplesmente aquilo que somos, e, nesse estado, amar a Deus e deixarmo-nos amar por Ele. Trata-se, na verdade, de uma caminhada dupla: encontrar Deus significa deixarmos que Ele nos encontre. E encontrar o nosso verdadeiro eu significa permitir que Deus nos encontre e nos revele o nosso verdadeiro eu. (...)

O desejo de o nosso verdadeiro eu ser revelado, de nós nos aproximarmos mais de Deus, foi um desejo plantado dentro de nós por Deus.
Ao mesmo tempo, a nossa própria individualidade, o nosso próprio tipo de santidade, vai sendo gradualmente revelado. (...)
O tipo de santidade de cada um vai-se tornando mais claro à medida que o verdadeiro eu se vai revelando.

E, à medida que nos vamos aproximando mais do nosso verdadeiro eu, do eu que deveríamos ser, do eu criado por Deus, mais as nossas facetas mais amáveis vão sendo naturalmente ampliadas, e mais as nossas facetas pecaminosas se vão reduzindo naturalmente.»

"Depois de termos aprendido a viver com o nosso verdadeiro eu, nunca mais conseguimos voltar a satisfazer-nos com a nossa falsa identidade: esta parece-nos completamente disparatada e superficial." (Richard Rohr)

James Martin, S.J., em "Torna-te aquilo que és"

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O FALSO «EU» (1ª PARTE)

«O nosso falso eu é aquele que nós julgamos ser. É a nossa imagem pessoal e a nossa aceitação social imaginárias, à qual a maior parte das pessoas passa a vida a tentar corresponder - ou da qual passa a vida a tentar libertar-se.»
(Richard Rohr, em "Adam´s Return)

"Há que trabalhar duramente para manter vivo este falso eu. Para mim, pessoalmente, era um esforço que me desgastava completamente. Deu-me muito trabalho conseguir convencer as pessoas de que eu era tudo aquilo que queria que elas pensassem que eu era. (...) Deu-me muito trabalho assegurar que ninguém me visse como uma pessoa insegura acerca fosse do que fosse na vida (...) Deu-me muito que fazer esquivar-me aos meus verdadeiros desejos, aos meus verdadeiros sentimentos e à minha verdadeira vocação na vida.(...)"

James Martin, S.J. ,em "Torna-te aquilo que és"

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Reconciliando-te contigo próprio (3ªparte)


A tua voz, que é única,
não pode faltar na diversidade
dos que cantam no coro da humanidade.
De outra forma,
o Mundo seria mais pobre.
Sem ti, esta pluridade de vozes
não seria tão bonita.

Ter fé significa também encararmo-nos a uma nova luz.
Como é que te vês a ti próprio?
Com que critérios te avalias?
Põe de lado todos os preconceitos e avaliações
que te impedem de ver a tua verdadeira essência.
Olha para ti à luz de Deus.
Então, hás-de reconhecer que és, de verdade,
uma imagem única de Deus,
na qual a beleza divina brilha
de forma singular.

Senta-te, respira calmamente
e goza o prazer simples de sentir a vida
e de apreciar o teu ser em toda a sua singularidade.
Saboreia a vida,
sente o gosto da felicidade.
Não tens de mudar nada em ti,
com violência, obstinação ou intransigência.
Tu és quem és,
feito à imagem e semelhança de Deus,
protegido pelo seu amor incondicional.

Se o fizeres,
verás que a alegria te inunda.
E tudo será bom.

Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade"

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Reconciliando-te contigo próprio (2ªparte)


Não te deixes entorpecer
pelos teus erros e fraquezas.
Enfrenta-os,
não os ignores,
aceita que és falível
e procura melhorar as tuas fraquezas.

Mas, não te culpabilizes.
Deixa que elas existam.
Se Deus te perdoa,
também tu deves perdoar-te.
Sê compassivo para com os teus erros.

Não te queixes apenas dos teus problemas ou fraquezas.
Começa a pensar em tudo o que consegues fazer bem.
Concentra-te nas tuas capacidades.
Cada um de nós tem os seus pontos fortes.
Tu também.

Alcançarás a harmonia interior
quando conseguires conciliar
tudo o que há de contraditório em ti.
Deves ser sensível às tuas contradições.
Deves aceitá-las.
Assim, elas deixarão de te lacerar.
Podes arrumá-las,
deixar que cada uma das tuas facetas
tenha a sua musicalidade própria.
Todas juntas, elas compõem uma pauta.
É assim que se cria a tua harmonia.

Verás que consegues estar em sintonia
com todo o teu ser.
Não precisas de suprimir nada
da tua personalidade.
Tudo em ti terá a sua própria melodia.

Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade"

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Reconciliando-te contigo próprio (1ª parte)


Quem vive reconciliado consigo próprio
consegue também criar harmonia à sua volta.

Quando te aceitas tal como és,
e te reconheces a ti próprio,
sentes-te mais activo no universo a que pertences.
Para que serve, então, o sucesso?
Basta que algo te alegre, para seres feliz.
A felicidade está em ti.
Não precisas de a alcançar
recorrendo ao sucesso exterior.
Se te reconciliares contigo próprio
e alcançares a harmonia interior
serás feliz, e isso começa a ver-se nos teus olhos.

Quando te aceitas a ti próprio,
não precisas de correr atrás do reconhecimento dos outros.
E então, também deixa de ser importante
aquilo que os outros dizem de ti.

Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade"