sexta-feira, 19 de março de 2010

ESTE É O MILAGRE!


«Este é o milagre que sempre ocorre aos que realmente estão amando: quanto mais dão, mais possuem desse amor delicioso e nutritivo do qual as flores e as crianças extraem a sua força e que poderia ajudar a todos se fosse aceite sem reservas.»

Rainer Maria Rilke

quarta-feira, 17 de março de 2010

SE QUISERMOS CONHECER UM HOMEM

«Se quisermos conhecer um homem, teremos de procurar Aquele para quem a sua vida está secretamente voltada, Aquele a quem, de preferência a qualquer outro, ele fala, mesmo quando aparentemente se dirige a nós.

Tudo depende desse outro que ele escolheu para si. Tudo depende daquele a quem se dirige em silêncio, para cuja consideração acumulou factos e provas, por amor do qual fez da sua vida o que ela é.»

Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"

segunda-feira, 15 de março de 2010

FIRMEZA


«A história de L. é uma das mais belas que conheço. É a história de uma mulher que toda a vida se obstinou em dizer "não"; que dirigia às pessoas, bem como aos seus actos, um olhar sem fraqueza, a fim de preservar um "sim" à vida quando esta, miraculosamente, se revelava tão pura como miosótis a iluminar o céu.»

Christian Bobin, em "Ressuscitar"

sexta-feira, 12 de março de 2010

PLENITUDE INTERIOR - EM BUSCA DO ESSENCIAL

É a grande questão da nossa Vida. Como podemos encontrar a plenitude no nosso interior?

Os grandes temas existenciais não têm uma resposta óbvia, porque cada pessoa é uma história e um conjunto de circunstâncias. Acontecem-nos diariamente coisas que nos fazem repensar as nossas opções, momentos de confirmação e outros em que as nossas certezas mais profundas ficam abaladas.

A plenitude interior é uma questão de integração e unificação de todas as dimensões da nossa Vida. Corremos o risco de dividirmos a existência em vários sectores. O que mais nos desgasta é verificarmos que há campos na nossa Vida onde conseguimos fazer progressos e outros que parece que não saímos do mesmo. Ao mesmo tempo, vivemos muito dependentes dos factores externos, ou seja, o que acontece fora de nós, o que pensam e dizem de nós condiciona-nos de tal maneira que fazemos determinadas opções só porque é suposto, ou porque todos fazem assim, ou porque não faço mal a ninguém se fizer determinada coisa.


O grande segredo está em encontrarmos um espaço de verdade que seja o início e o fim da nossa existência. Estou plenamente convencido que as coisas mais importantes da vida se resumem a muito pouco. É uma espécie de luz interior que ilumina tudo, que faz olhar para tudo o que sou e o que me acontece com o olhar correcto. Chega uma altura em que percebemos na nossa Vida que o essencial é uma palavra só nossa, algo que não nos pode ser tirado e que nos desafia constantemente.



António Valério s.j. http://amar-tesomente.blogspot.com/2009/10/plenitude-interior.html

quarta-feira, 10 de março de 2010

RASCUNHO

«S. sofre da mania da perfeição. Pensa que tudo quanto faz é incompleto, mau, falhado. Desejaria que lhe dessem uma segunda vida como um bonito papel branco sobre o qual poderia copiar a primeira, retirando-lhe as nódoas e rasuras. Não vê que o rascunho é a própria vida.»

Christian Bobin, em "Ressuscitar"

segunda-feira, 8 de março de 2010

ESTRELAS VIRGENS



Olha as estrelas, mãe, conhece-las?
Elas nunca dormem e olham para baixo para a terra com olhos ansiosos.
Tal como eu que não tenho asas e não posso voar, e me sinto infeliz,
As estrelas também são infelizes porque não têm pés e não podem descer à terra.

Todas as manhãs desces até à curva do rio com
O cântaro no gancho do teu braço para ir buscar água;

As estrelas olham os seus reflexos na água e hora após hora pensam
como seriam felizes se tivessem sido donzelas aldeãs e pudessem
nadar no rio com os seus cântaros a flutuarem ao lado delas.

Rabindranath Tagore

sexta-feira, 5 de março de 2010

CAMINHO DA VIDA


«Hoje em dia, há um grande desejo de viver, sobretudo por parte dos jovens. Eles querem experimentar a vida a todo o custo. Mas, muitas vezes, confundem vida com vivência. Eles pensam que o recheio da vida está no facto de terem muitas vivências.

São Bento remete-nos para o Senhor que nos mostra o caminho da vida e o caminho para a vida. O evangelista Lucas descreveu Jesus como o líder e o instigador da vida. Ele precede-nos no caminho da vida. Se o seguirmos, experimentamos o que a vida é na realidade.

São Bento escolhe aqui, de novo, a palavra «dulcis = doce». Significa sempre a experiência interior, na tradição espiritual. A palavra do Senhor deixa-nos um gosto doce e agradável. Quem recebe em si a palavra de Deus, experimenta um novo sabor na vida. Tudo é doce.»

Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"

quarta-feira, 3 de março de 2010

OS MAIORES ADVERSÁRIOS DE NÓS MESMOS

«Embora vivendo em Paris, onde ninguém pode viver, ouço o canto de um melro ao acordar, diz-me G.

A minha escolha, nesse instante, é a seguinte: começar o dia com essa cantata alada, ou premir o botão do transistor para ouvir as notícias do mundo que, no fundo, não são novas. A minha alegria e o meu coração inclinam-se para o melro e não sei que poder maior me faz carregar no botão do rádio. Estranho, acrescenta ele, sermos os maiores adversários de nós mesmos.»


Christian Bobin, em "Ressuscitar"

segunda-feira, 1 de março de 2010

VIDA



Não quero morrer neste mundo belo,
Mas viver no coração dos homens,
E encontrar sepultura no bosque florido,
Salpicado de sol.
O jogo dos fracassos da vida como ondas
Com as suas lágrimas e sorrisos,
Unindo-se e separando-se!
Encandeando
Alegrias e tristezas do homem,
Quero construir sobre esta terra
A minha casa eterna.
Farei florescer novas flores e canções
Para que as reúnas, amanhecer e escuridão.
Colhe-as a sorrir...
E quando murcharem
Espalha-as.

Rabindranath Tagore

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CAMINHAR NA NATUREZA


«Caminhar na natureza
É como estar numa enorme biblioteca
onde cada livro contém apenas frases essenciais.»

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O PRIMEIRO BEIJO


Para a minha doce amada...

O céu ficou silencioso e de olhos baixos,
Os pássaros calaram todos os seus cantos;
O vendo emudeceu; a música das águas acabou
De repente; o murmúrio da floresta
Morreu lentamente no coração da floresta.
Na margem deserta do rio tranquilo,
Nas sombras do anoitecer desceu silenciosamente
O horizonte sobre a terra muda.
Nesse momento no silencioso e solitário alpendre
Beijámo-nos pela primeira vez.
Nesse momento exacto, ao longe e perto
Repicaram os sinos e soaram os búzios
Nos templos dos deuses apelando ao culto.
Um estremecimento percorreu o infinito mundo das estrelas
E os nossos olhares encheram-se de lágrimas.

Rabindranath Tagore

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

PERGUNTA

Deus, mais uma vez ao longo dos tempos enviaste mensageiros
Para este impedioso mundo:
Eles disseram, «Perdoa a todos», e disseram, «Ama o próximo -
Liberta o seu coração do mal.»
Eles são venerados e lembrados, embora nestes obscuros dias
Os mandemos embora com insensíveis cumprimentos, para fora das
nossas casas.
E entretanto vejo dissimulados ódios assassinando os desamparados
sob a capa da noite;
E a Justiça a chorar silenciosamente, furtivamente, o abuso do poder,
Sem esperança de redenção.
Vejo jovens a trabalhar freneticamente,
Aflitos, batendo com a cabeça na pedra, inutilmente.

Hoje, a minha voz calou-se; não tenho música na minha flauta:
A negra noite sem lua
Encarcerou o meu mundo, mergulhando-o num pesadelo.
E é por isso que, com lágrimas nos olhos, pergunto:
A esses que enveneraram o teu ar, a esses que apagaram a tua luz,
Será que lhes perdoaste? Será que os amas?

Rabindranath Tagore

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

QUEM AMA

«Quem ama, fica mais simples, e sabe que as coisas são passageiras.
Quem ama sabe esperar e ser verdadeiro com os acontecimentos da alma e do corpo.
Amar é não ficar agarrado às coisas que passam,
é tomá-las como certeza de caminho percorrido e coragem de continuar.»


António Valério, s.j. (Visite: http://amar-tesomente.blogspot.com/)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

APETECIA-ME POR VEZES...


«Apetecia-me por vezes entrar numa casa ao acaso, sentar-me na cozinha e perguntar aos habitantes de que têm medo, o que esperam e se compreendem alguma coisa da nossa presença comum sobre a terra. Fui suficientemente adestrado para reter esse impulso que, no entanto, me parece o mais natural do mundo.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A TÍLIA


«A tília em frente da janela é o mestre que escolhi para escrever e sei de antemão que não poderei igualá-lo: nem mesmo os maiores escritores alguma vez escreveram com tanta graça como esta árvore inscreve delicadamente a luz e a sombra em cada uma das suas folhas e renova a sua inspiração a cada segundo.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

SOLIDÃO DERROTADA

«Julgo que o mais importante são as palavras. Quando se vive a solidão, sabe-se que, por causa duma palavra verdadeira, caem muitas vezes as muralhas que levantámos à volta das nossas almas. Uma palavra verdadeira pode ser um milagre: é a solidão derrotada.»

António Alçada Baptista, em "Tia Suzana, meu amor"

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O LUGAR ONDE VIVEMOS

«Vivemos em cidades, em ofícios, em famílias.
Mas o lugar onde vivemos em verdade não é um lugar.
O lugar onde vivemos verdadeiramente não é aquele onde passamos os nossos dias,
mas aquele onde esperamos - sem conhecer o que esperamos -,
aquele onde cantamos - sem compreender o que nos faz cantar.»

Christian Bobin

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A DOÇURA DE VIVER

«Quanto à doçura de viver, é imutável através dos séculos.
Ela é feita da calma de uma conversa,
do repouso de um corpo, de uma cor de um mês de Agosto.
É feita do pressentimento de que se viverá sempre,
no próprio instante em que se vive.
O amor de si é o primeiro estremecimento do Deus no rejúbilo de um coração.
A doçura de viver é a guarda avançada de uma vida eterna na vida de hoje.»

Christian Bobin

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ALEGRIA


«Uma coisa sabemos: se a nossa alegria se funda no exterior, virá e partirá segundo os acontecimentos e as marés. Quando o exterior nos rasgar o vestido da alegria, lancemos os olhos para dentro, para o mais secreto paraíso que nos habita.» Henrique Manuel

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

AS MÃES


«Há a que vela pelo que ela ama - sem o impedir de seguir o seu caminho. E há a que se atormenta pelo que ela ama - tratando de lhe modificar o andamento. Há Marta e há Maria, as duas irmãs encontradas por Cristo ao passar. Marta preocupada com a ordem e a comida, rodopiando na sua cozinha, perdida num rumor de pratos e de água a ferver. E Maria, com o avental enrolado debaixo de um banco, Maria sentada no chão, as pernas metidas para dentro como as asas de um pássaro no instante do repouso, o rosto aberto, as mãos vazias, Maria preocupada com esse amor sem o qual toda a ordem é triste, toda a comida sensabor. Marta e Maria. A dispersada, a recolhida. A incessante e a apaziguada.
As mães são ambas, não raro ao mesmo tempo. A sua preocupação com o filho tanto as cega como as ilumina. Elas contemplam a carne da sua carne. Vêem o filho viver, mas nunca crescer. Vêem o filho na eternidade da sua idade, nunca vêem a passagem de uma idade a outra, de uma eternidade à seguinte. Um belo dia, elas voltam-se, miram cheias de espanto este mocetão que acaba de entrar em casa, este homem enleado na sua própria força - já não sabendo como pôde provir delas tanta força e falta de jeito, não compreendendo nada de nada: pois se o filho cresceu, o coração delas não envelheceu, ardendo como nas primeiras dores do parto...»
Christian Bobin, em "Um Deus á Flor da Terra"

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O AMOR E A VERDADE


«N. é decoradora de interiores numa cidade onde, para viver da sua arte, encontra bastantes pessoas ricas e tolas a ponto de não decidirem sozinhas o seu próprio gosto.
Decoradora é ela até à raiz dos cabelos. Cada um dos seus gestos é elegante, fala com linguagem cuidada, sem ostentação, da mesma forma que em sua casa cada "bibelot" está, milimetricamente, no exacto sítio onde deve estar para contribuir para a discreta harmonia do conjunto.
O seu coração, tal como a sua casa, estão arranjados de acordo com uma arte refinada e mesmo a desordem tem lugar previsto. Numa tal vida, a verdade e o amor, supondo que aí pudessem ter lugar, surgiriam como faltas de gosto imperdoáveis.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

CASA RECÉM-CONSTRUÍDA

«O amor é sempre uma casa recém-construída. Um rendilhado de filigrana, uma flor de estufa. Uma fenda nessa construção tende a crescer e pelas frinchas da indiferença ou dessas discussões e egoísmos idiotas, pode vir abaixo a construção duma vida...

... Deus pode conceder-nos dádivas, mas o mérito de as receber e conservar tem de ser nosso e , muitas vezes, quanto mais felizes somos menos atenção prestamos à nossa felicidade."

Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

MULHER INSPIRADORA


A todas as mulheres, mas especialmente aquela que amo
e com a qual partilho a vida...

«Mulher, não és só obra de Deus;
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.

Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.

Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.

Mulher, és meio mulher,
meio sonho.»

Rabindranath Tagore

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A PALAVRA


«Como a flor exala o seu perfume e o sol espalha o calor dos seus raios, assim nós temos necessidade de irradiar pelo gesto e, sobretudo, por esse dom maravilhoso que é a palavra.

A palavra só tem sentido na medida em que sai da boca de um homem para entrar no coração de outro e ali fazer brotar a vida.»

Jean Vanier, em "Novas perspectivas do amor"

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

ESPÍRITO DE INFÂNCIA

"Amo-te e sinto-me desolado por te amar tão pouco, por te amar tão mal, por não saber amar-te."

Em realidade, quanto mais se acerca da luz, mais se descobre cheio de sombras. Quanto mais ama, mais se conhece indigno de amar. É que não há progresso em amor, não há perfeição que se possa um dia alcançar. Não há amor adulto, maduro e razoável.
Não há perante o amor nenhum adulto, apenas crianças, apenas este espírito de infância que é abandono, despreocupação, espírito da perda de espírito.

A idade adiciona. A experiência acumula. A razão constrói. O espírito de infância não conta nada, não amontoa nada, não edifica nada.
O espírito de infãncia é sempre novo, retorna sempre aos começos do mundo, aos primeiros passos do amor.

O homem de razão é um homem acumulado, amontoado, construído.

O homem de infância é o contrário de um homem adicionado sobre si mesmo: um homem retirado de si, renascendo em todo o nascimento de tudo. Um imbecil que joga à bola. Ou um santo que fala ao seu Deus. Ou ambas as coisas ao mesmo tempo.»

Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra»

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

SOMOS PARTE DE UMA MELODIA

«Tem quase o significado de uma religião esta ideia: assim que tenhamos descoberto a música de fundo, não estaremos mais perplexos nas nossas palavras e vagos nas nossas resoluções? Há uma certeza despreocupada na simples convicção de ser parte de uma melodia e de, portanto, possuir legitimamente um determinado espaço para ter direito a um determinado dever em relação a uma obra ampla em que o mínimo vale tanto quanto o máximo.
Não ser excedente é a primeira condição do desenvolvimento consciente e sereno.»

Rainer Maria Rilke

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

QUEM NOS TRARÁ A PRIMAVERA?


«Por vezes, como disse Goethe, o nosso destino parece uma árvore de fruto no Inverno. Ninguém diria que aqueles ramos hão-de ficar verdes e florir de novo, mas temos confiança, nós sabemo-lo.»

Depois de cada Inverno, nunca sabemos os ramos que em nós voltarão a florir, nem quais teremos perdido para sempre.
Nunca sabemos a duração de cada Inverno em nós: no coração de alguns parece durar eternamente.

Perguntamos: quem nos trará a Primavera? Quem nos devolverá a inocência dos pássaros e a frescura das manhãs?

É preciso gritar e deixar que a violência do grito rebente no coração, como as trovoadas rebentam na terra as águas de Maio.
É preciso essa dor de nos deixarmos abrir, não ceder à tentação da fuga.
Fechados, tornamo-nos estranhos a nós próprios, enlouquecidos e sós, perdemo-nos profundamente, morremos devagar.
É pelos outros que nos conhecemos e encontramos.
Construímo-nos em relação, num diálogo marcado pelo amor, pela dádiva, pela tarefa de realizar um projecto de vida em que o outro se constitua como referencial absoluto.

O amor é um acto de fé. Torna-nos vulneráveis e expostos, abre fendas por onde podem penetrar o sofrimento e a dor, ou o calor que traga de novo a Primavera ao nosso destino para que se cumpra, para que de novo a árvore rebente e floresça, para que cada fruto estale e o sumo inunde a boca que o tocar.»

Henrique Manuel, em "Mas há Sinais"

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O MILAGRE DE SERMOS OUVIDOS


Comunguei um dia de tal intimidade que cada palavra de um era recolhida pelo outro sem deturpação. Acontecia o mesmo com cada silêncio. Não se tratava daquela fusão que no início os amantes conhecem e que é um estado irreal e destruidor. Havia, na amplitude do laço que se criara, algo de musical e estávamos simultaneamente juntos e separados como as asas diáfanas de uma libélula. Por ter conhecido esta plenitude, sei que o amor nada tem a ver com o sentimentalismo que perpassa nas canções, nem tão pouco com a sexualidade de que o mundo faz a principal mercadoria - a que permite vender todas as outras.
O amor é o milagre de sermos ouvidos, mesmo estando em silêncio, e de ouvirmos em troca com igual acuidade a vida em estado puro, tão leve como o ar que sustém as asas das libélulas e se alegra com os seus bailados.

Christian Bobin, em ""Ressuscitar"

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

OS GESTOS SIMPLES DO AMOR LOUCO


«É sempre possível a um homem aderir ao campo das mulheres, ao riso do Deus. Basta um movimento, um único movimento semelhante aos que têm as crianças quando se lançam em frente com todas as suas forças, sem receio de cair ou morrer, olvidando o peso do mundo. Um homem que assim sai de si mesmo, do seu medo, desleixando esse peso de seriedade que é peso do passado, um tal homem torna-se como alguém que já não aguenta no lugar, que já não acredita nas fatalidades ditadas pelo sexo, nas hierarquias impostas pela lei ou o costume: um menino ou um santo, na proximidade risonha do Deus - e das mulheres...
Ninguém mais do que Cristo voltou o seu rosto para as mulheres, como voltamos o olhar para uma folhagem, como nos debruçamos sobre uma água de riacho para aí colher força e gosto por continuar o caminho.
As mulheres são na Bíblia quase tão numerosas como as aves. Estão lá no início e estão lá no fim. Elas dão Deus à luz, vêem-no crescer, brincar e morrer, depois ressuscitam-no com os gestos simples do amor louco, os mesmos gestos desde o começo do mundo, nas cavernas da pré-história e bem assim nos quartos sobreaquecidos das maternidades.»

Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

QUE FAREMOS COM O NOSSO CORAÇÃO?


«Os corações das crianças são orgãos delicados. Um princípio cruel neste mundo pode deformá-los e imprimir-lhes formas estranhas.
O coração de uma criança pode encolher de modo a ficar duro e rugoso como o caroço de um pêssego. Ou pode crescer e dilatar-se até se transformar em algo de insuportável para trazer dentro do corpo, facilmente irritado e magoado pelas coisas mais insignificantes.»

No peito de cada um de nós há um coração moldado pela vida. Há os que o guardam palpitante como um pássaro e os que o esqueceram por terem deixado de o sentir. Entre os chamados «corações de pedra» e «corações de manteiga», há tantos e tantos corações diferentes que de formas diferentes vão moldando outros!

Há corações incendiados e corações de gelo, corações de leão e corações de pássaro, corações de ouro e corações de chumbo. Há mesmo bons e maus corações.

Por vezes ouvimos dizer de alguém que «não tem coração». É preciso nunca acreditar. Pode estar tão apertado como um buraco negro, mas está lá. Talvez precise apenas de ser alimentado.

Há corações que transportam privações de séculos e parecem nunca atingir a saciedade e há os que transbordam como fontes inesgotáveis.

Que coração trazemos em nós? Que coração palpita dentro de quem cruza o nosso caminho em cada dia? Como atingirei o coração do meu irmão? E se numa qualquer guerra da vida alguém tiver perdido o seu, poderemos ajudar a procurar, a tentar encontrá-lo? E se o encontrarmos, saberemos transportá-lo nas mãos, sem o ferir, e pousá-lo no peito a que pertence?

Que faremos com o nosso coração?»

Henrique Manuel, em "Mas há Sinais"

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A BELEZA VEM DO AMOR


«A beleza vem do amor.
O amor vem da atenção.
A atenção simples ao simples,
a atenção humilde aos humildes,
a atenção viva a todas as vidas...
Beleza é algo de que Cristo nunca fala.
Só lida com ela, mas dando-lhe o seu verdadeiro nome: o amor.
A beleza vem do amor,
como o dia vem do sol,
como o sol vem de Deus,
como Deus vem de uma mulher esgotada pelo parto.»

Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ENTREGA



Entrega sempre a tua beleza

sem cálculo, sem palavras.

Calas-te. E ela diz por ti: eu sou.

E com mil sentidos chega,

chega finalmente a cada um.


Rainer Maria Rilke,
in “O Livro das Imagens"

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A LUZ DA TUA MÚSICA



Não sei como cantas, ó mestre!
Escuto sempre em silencioso deslumbramento.
A luz da tua música ilumina o mundo.
O sopro de vida da tua música voa de céu em céu.
A torrente santa da tua música rompe qualquer obstáculo de pedra - e jorra.

O meu coração anseia por juntar-se ao teu cântico,
mas em vão se esforça por ter voz.
Eu poderia falar, mas a linguagem não se transforma em cântico, e , confundido,
choro em voz alta.
Ah! Tu fizeste o meu coração prisioneiro nas malhas sem fim da tua música, ó meu mestre!

Rabindranath Tagore

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

FELIZ E ABENÇOADO ANO NOVO!



Desejo a todos um Feliz, Abençoado e Iluminado Ano de 2010!!!
Que Deus vos ilumine com a Luz do Amor, da Fé, da Alegria, da Esperança, da Sabedoria e da Paz!

«Começar, estamos sempre a começar. Temos um Ano Novo pela frente, mas começar de novo não é começar outra vez, não é repetir alguma coisa, é começar de outro modo, com novidade. E o primeiro gesto devia ser o de agradecer esta imensa oportunidade.
Este ano será aquilo que fizermos dele: se cultivarmos uma atitude de egoísmo e individualismo, será assim; mas se nos comprometermos com a construção da paz e da justiça no mundo, então teremos um bom Ano Novo.

Não esqueçamos ao longo do ano que começa hoje que há uma imensa sabedoria em viver cada dia como se fosse o primeiro e há imensa felicidade em viver cada dia como se fosse o último. As duas coisas são possíveis ao mesmo tempo.»

(Vasco Pinto de Magalhães, em "Não há soluções. Há caminhos.")

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O CORAÇÃO DOS JOVENS



«Os jovens apelidam de hipocrisia qualquer tradição que não aceita seguir a sua lógica interna de fraternidade, de amor aos pobres e de união mística com Deus.

Rejeitam qualquer valor antigo, excessivamente organizado e que não constitua um manancial de vida; não aceitam uma moral imposta de cima, uma moral esmagadora e asfixiante; querem viver e encontrar liberdade.

Estão fartos de ver crentes a recitar preces, a assistir a ofícios religiosos, a pregar moral, mas incoerentes com eles próprios, não dando à sua vida denominada «religiosa» as provas de autenticidade exigidas pelo Deus de Amor.
Os jovens são abertos, disponíveis, acolhedores e tolerantes.

Querem encontrar pela frente homens de convicção, que não se deixem levar por aquilo que os outros possam pensar ou dizer a seu respeito.

Acima de tudo, querem o que é verdadeiro. Pretendem que as pessoas sejam elas próprias, sem medo. Não as julgam por um sistema de valores ou por categorias.»

Jean Vanier, em "Novas Perspectivas do Amor"

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

DOÇURA PROFUNDA


«Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.»

Fernando Pessoa, poema "Liberdade"

«Busco a doçura profunda,
a que nunca ninguém viu,
e cuja existência não pode ser posta em causa,
pois é a ela que devemos a beleza perfumada dos jacintos,
a luz nos olhos espantados dos animais e tudo o que,
sobre a terra e nos livros,
há de bom.»

Christian Bobin, em "Ressuscitar"

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

NATAL É LUZ E CALOR!


Desejo do fundo do meu coração,
Um Santo e Abençoado Natal para todos vós!

«Na nossa sociedade faz frio.
E o Natal é luz e calor!
A humanidade enregela sem o Espírito que é fogo.
Contra o frio do egoísmo,
o calor humano.
Contra o frio da ganância, o calor da generosidade.
Contra o frio da indiferença, o fogo da solidariedade.
Contra o frio da solidão, o fogo da proximidade.
Contra o frio do desencanto
, o fogo do ideal.»

(Vasco Pinto de Magalhães, em "Não há soluções. Há caminhos.")

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

TUDO SE RENOVA



Questiono todas as manhãs a árvore que está defronte da janela da sala:
"O que há de novo hoje?"
A resposta vem sem demora, dada em uníssono
por centenas de folhas:
"Tudo".
(Christian Bobin)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

POST SCRIPTUM

"Que a tua vida
seja natural como o respirar,
que o teu peso para os outros
seja apenas o das pétalas,
que a tua gratidão seja ilimitada
e as tuas palavras favos de ternura.

Que todos os que se aproximem de ti
tenham vontade de cantar
e de encher de luz e canções
as suas noites,
de despir os lutos do coração
e compor as jarras da alegria.

Procura a lucidez
que afasta os medos,
e a humildade para permaneceres
profundo em ti,
livre na vida,
eterno no momento,
fiel ao que permanece."

Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A LUZ QUE ILUMINAVA O RECREIO...


«J. foi ensinado por uma mãe professora, que o retinha na sala de aulas para lhe dar lições suplementares, enquanto as outras crianças corriam ao sol.
Os anos passaram. J. tornou-se um intelectual, ou seja, alguém cuja inteligência o impede de pensar. Escreve livros sobre os vagabundos do século XIX, buscando em vão, na poeira dos arquivos, a luz que iluminava o recreio da escola ao toque das cinco.»

Christian Bobin, em "Ressuscitar"

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

MANANCIAL DE AMOR INFINITO


«Só quando o coração do homem tiver encontrado esse manancial eterno de riquezas divinas, poderá renunciar, perfeitamente, aos bens que dividem os homens entre si.

É preciso que descubra a força do amor que encontra a sua origem em Deus.
É preciso que descubra o amor infinito de Deus por todos os homens,
e que depositem n´Ele toda a sua confiança.
É preciso que expurgue a religião de todos e qualquer elemento de hipocrisia,
é preciso que viva o essencial da mensagem de Jesus: a abertura ao Espírito Santo,
a compaixão pelos fracos e aflitos, pelos inimigos,
a renúncia a todo o julgamento ou condenação dos outros.»

Jean Vanier, em "Novas perspectivas do amor"

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

DO SOFRIMENTO À PAZ


Eu andava por um caminho atapetado da relva, e de repente ouvi uma voz atrás de mim: “Olha para ver se me reconheces!”
Voltei-me, olhei para ela, e disse: “Não consigo me lembrar do teu nome!”
Ela continuou: “Eu sou a primeira grande Dor que tiveste quando jovem”.
Os olhos dela pareciam a manhã em que o orvalho ainda paira no ar.
Fiquei em silêncio algum tempo, e depois lhe perguntei: “Perdeste aquele imenso fardo de lágrimas?”
Ela sorriu, sem responder, e eu compreendi que as suas lágrimas haviam tido Tempo de aprender a linguagem do sorriso. Depois, suspirando, acrescentou:
“Certa vez disseste que irias acariciar a tua tristeza para sempre...”
Corando, eu respondi: “Sim, mas passaram-se anos e acabei esquecendo”.
Então eu tomei as mãos dela nas minhas, e lhe disse: “Mas também tu mudaste muito”.
Ela respondeu: “O que antes era sofrimento, agora se transformou em paz.»

Rabindranath Tagore, em "Livro Estesia"

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

VIDA IMENSA E MISTERIOSA


«A vida foi verdadeiramente feita para nos surpreender (e isso não nos espanta de maneira nenhuma)...

Afinal, a vida não é de modo algum tão coerente como as nossas preocupações;
ela tem muito mais imprevistos e muito mais facetas do que nós...

Meu Deus, como é magnífica a vida,
precisamente pela sua imprevisibilidade
e pelos passos da nossa cegueira frequentemente tão estranhamente certos...»

Rainer Maria Rilke

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

PACIÊNCIA, PACIÊNCIA...

«Não atribuir às coisas mais significado do que elas já assumem naturalmente; não ver o sofrimento de fora, não medi-lo e chamá-lo grande: o "grande sofri-mento"...
Pois você não sabe se o seu coração não terá crescido com ele, se essa imensa fadiga não é o crescimento do coração.
Paciência, paciência, e não julgar no sofrimento, jamais julgar enquanto ele estiver sobre nós. Não temos uma medida para ele, fazemos comparações e exageramos.»

Rainer Maria Rilke

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

SER PARA UNIR


Ser é unir-se a si mesmo, ou unir os outros

Se não nos amarmos uns aos outros pereceremos,
porque para ser mais é preciso unir sempre mais.

Teilhard de Chardin

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

DOCE E SUAVE MELODIA


«Duas pessoas com o mesmo grau de paz
não precisam falar da melodia que define as suas horas.
Essa melodia é o que elas têm de comum entre si e por si.
Existe entre elas algo como um altar ardente,
e elas aproximam-se da chama sagrada respeitosamente com as suas raras sílabas.»

Rainer Maria Rilke

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A SUBLIME MISSÃO DE AMAR

«O amor é a ocasião única de amadurecer, de tomar forma,
de nos tornarmos um mundo para o ser amado.
É uma alta exigência, uma ambição sem limites,
que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes.»

Rainer Maria Rilke, em "Cartas a um jovem poeta"

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

MADRE TERESA - SABER DAR E RECEBER


«Um dia, enquanto caminhava por uma rua de Londres, vi um homem sentado que parecia muito só. Fui até junto dele, peguei-lhe na mão e apertei-a. Ele disse: "Há quanto tempo não sinto o calor de uma mão!" Compreendi que um gesto assim tão pequeno pode dar muita alegria.»

«Uma vez um mendigo veio ter comigo e disse-me: "Também eu gostaria de te dar alguma coisa como todos fazem." E ofereceu-me dez paisa (são dez cêntimos da rupia, nda). Eu sabia que se aceitasse ele não poderia comer; mas, se não aceitasse, ofendê-lo-ia. Aceitei e aquela oferta foi para mim mais rica de valor que o Prémio Nobel.»

Madre Teresa de Calcutá

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O DIREITO DO QUE ESTÁ DO AVESSO


"Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos."
Esta afirmação de Jesus é inquietante. É fácil de entender que muitos que têm sucesso neste mundo à custa do poder, do orgulho e da corrupção, no "ranking" do reino dos Céus vêm muito cá para baixo. Mas será o cristianismo um mundo ao contrário? Não, claro que não.
O cristianismo é outro mundo, o da verdade e da justiça! Mas também é o direito do que está do avesso."
(Vasco Pinto de Magalhães, em "Não há soluções. Há caminhos.")

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

HIPOCRISIA

"Se com alguma coisa Cristo se irritou, foi com a hipocrisia. Hipocrisia significa um juízo que está por baixo, subjacente, uma atitude sorrateira, o parecer e mostrar uma coisa, quando afinal o que se prentende é outra. A hipocrisia dá cabo das relações. E até o próprio, às vezes, já não sabe quem é nem o que quer. (...)
A hipocrisia ronda à nossa porta. É facil cair nela e Cristo bem nos avisou.
Dois exemplos: Os que exigem aos outros o que não estão dispostos a fazer nem sequer com a ponta de um dedo.
E os que só fazem as coisas para serem vistos e aplaudidos.
Daí que cada um se deva perguntar a si mesmo: - "Já me coloquei no lugar do outro antes de lhe exigir o que quer que seja?" - "E porque faço isto? É por uma boa causa ou é só porque me convém?"
(Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos")

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O PESO DOS MODELOS HERDADOS



«A gente sofre muito mais por causa das coisas herdadas do que por causa das coisas escolhidas. Os modelos em que vivemos não servem mas não sabemos ainda onde vamos morar. Ficámos presos nas ruínas das casas antigas e não conseguimos libertar-nos delas.»
António Alçada Baptista, em "O Riso de Deus"

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

COMO É QUE DEUS NOS AJUDA?

«Como é que Deus nos ajuda? Resolvendo os nossos problemas? Não. Fazendo tudo aquilo que lhe pedimos? Também não; é muito mais profundo e mais sério, vemo-lo no exemplo de Cristo, inspirando e motivando a nossa acção.
Não nos tira os problemas, mas dá-nos, com o exemplo e o seu amor, a força para saber viver com eles e para os ultrapassar. Gostávamos de um Deus-Pai Natal, mas temos um Deus que é Espírito de Amor que nos leva a agir pondo ordem na criação.»

Vasco Pinto de Magalhães, em "Onde há crise, há esperança"

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O JULGAMENTO É SEMPRE DESTRUIDOR...

«Ao ver o prodigioso desabrochar que uma pessoa pode experimentar quando está envolvida em confiança e amor, quando não se sente mais julgada, podemos medir o poder sufocante da crítica alheia. Percebemos que, por sua vez, cada um julga os outros e os sufoca porque está sendo sufocado...

O julgamento é sempre destruidor... Quando reflectimos sobre isso, compreendemos quanto o medo de ser julgado empobrece a humanidade. É a fonte de todo o conformismo que nivela os homens e os fecha em seus comportamentos impessoais.
Quantos autores bem sensíveis jamais ousaram enfrentar a crítica pública e esconderam obras-primas em escrivaninhas? Quantas pessoas têm um boa ideia do que seria necessário para mudar o ambiente do seu escritório ou da sua oficina, mas evitam dizer algo com medo de serem ridicularizadas pelo patrão e tratadas como intrigantes por seus colegas?»

Paul Tournier, em "Culpa e Graça"

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

AMAR TEM MUITAS CARAS

«O amor é um apelo grande à verdade da nossa Vida. É ter consciência, e uma consciência mais afectiva que racional, que nos sentimos movidos por uma energia que faz com que cada coisa tenha um rumo. Em direcção a algo ou alguém que amamos. Não nos sentimos perdidos, mas por vezes quase que arrastados. É uma força pacífica e reconciliadora e, ao mesmo tempo, com uma violência que não nos deixa tomar o pulso à situação.

O amor tem a extraordinária capacidade de nos fazer "deixar andar", sem pensarmos muito nas consequências. Confiamos ingenuamente, perdemos tempo com tesouros que não custam ganhar. É felicidade e exigência. Quando a verdade do nosso bem faz bem, estamos entusiasmados. O amor é esta extraordinária capacidade de não sermos donos do tempo, nem de nós e, sobretudo, dos outros

António Valério s.j. http://amar-tesomente.blogspot.com/

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Para a minha menina-princesa...


«...talvez seja necessário despojarmo-nos de muitas coisas e tornar a vestir as vestes da inocência para que o amor nos possa ser revelado.» (António Alçada Baptista, em "O Riso de Deus")
Quando chegaste, redescobri em mim inocência e alegria.
Removi a máscara que sobrava:
nada havia a esconder de ti, nem medo é a não ser partires.

Supérfluas as palavras, dispensada a aparência, fiquei eu,
Sem prumo, como antes da primeira dúvida
E do último desencanto.

Quando chegaste, escutei meu nome como num outro tempo.
O meu lado da sombra entregou o que ninguém via:
As feridas sem cura e a esperança sem rumo.

( Lya Luft )

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

DIAMANTES


«Um diamante estava jogado na rua, coberto de sujeira. Muitos tolos passaram ao largo. Alguém, que conhecia diamantes, este o colheu...

...Eu admiro o diamante, que pode suportar as batidas do martelo»
(Kabir)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

SER FELIZ

"O desejo mais profundo de uma pessoa é ser feliz. Não só por um momento, mas feliz para sempre. Outra coisa não seria normal! Mas há quem desista desse sonho por lhe parecer uma paixão inútil e impossível, confundindo felicidade com bem-estar ou prazer.
Ser feliz é ser fecundo. É esse o significado da palavra. E uma árvore só é fecunda quando é podada. Não se é feliz sem podar o egoísmo."

(Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos")

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A SURPRESA DA ALEGRIA


A alegria e a surpresa andam de mãos dadas.
Isso revela-se sempre que conseguimos reagir com criatividade
às coisas inesperadas que fazem mudar
os nossos planos e, mesmo assim,
sentimos que tudo continua bem.

Por vezes, a alegria surpreende-nos.
Apanha-nos totalmente desprevenidos.
O importante é deixarmos que ela tome
conta de nós e continuarmos receptivos
à supresa divina.

Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade"

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

SONHOS DE INFINITO


Não te resignes nem te conformes
com o mundo tal como ele é.
Aceita o desafio
de abrir novas portas,
de cruzar novas fronteiras
e de alcançar um nova imensidão.

Só tem força para mudar algo no Mundo
quem alimenta os sonhos que tem.
Nós somos mais do que um corpo
dentro da pele que nos envolve.
Somos habitados por sonhos de infinito
que engrandecem o nosso coração
e podem mover montanhas.

Confia na esperança.
Ela dá-te uma alma grande.
Ela impele a tua alma
para que te concentres
no que tens a fazer
e possas, com toda a segurança,
reencontrar-te contigo próprio.

Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade"

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O ROSTO HUMANO DE DEUS

«Muito mais profundamente tenho necessidade dos outros para conhecer verdadeiramente Jesus Cristo. Cada um deles é um dos Seus membros. Sei muito bem que quando me queixo da ausência de Jesus na minha vida é porque me fecho aos meus irmãos... São os seus rostos que, pouco a pouco, desenham no meu coração a Sua Face.»

Michel Quoist, em "Deus, sentido único"