Dele fugi, noites e dias adentro;
Dele fugi, pelos arcos dos anos;
Dele fugi, pelos caminhos dos labirintos
De minha própria mente; e no meio de lágrimas
Dele me ocultei, e sob riso incessante.
Por sobre esperanças panorâmicas corri;
E lancei-me, precipitado,
Para baixo de titânicas trevas de temores abissais,
Para longe daqueles fortes Pés que seguiam,
Seguiam após mim.
Mas com desapressada perseguição,
E com inabalável ritmo,
Deliberada velocidade, majestosa urgência,
Eles marcavam os passos - e uma Voz insistia
Mais urgente que os Pés -"Tudo no mundo te atraiçoa quando tu me trais!...
Tudo foge de ti quando foges de Mim...
Ah, pobre cego e insensato!
Aquela treva que parecia envolver a tua vida
Nada mais era que a sombra de minhas mãos,
Estendidas para abraçar-te!
Francis Thompson
" Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e, de tudo o que se deseja, nada se pode comparar com ela." - Provérbios 8.11
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
CAMINHO PARA O CORAÇÃO

«A vida hoje afastou-nos da natureza: as paisagens urbanas, com as suas florestas de betão, encerram a vida entre paredes eficazes, super-cómodas, é certo, mas o ar que respiramos por alguma razão se chama “ar condicionado”.
O que acredito é que precisamos de amplitude, de campos vastos a perder de vista, de viagens mais profundas que as da rotina. Precisamos perceber o silêncio das coisas, cúmplice do silêncio da nossa alma.
Precisamos da liberdade leve dessas horas inapreensíveis que passamos junto ao mar.
Há um poeta que diz: “Deus anda à beira d’água”. Não me admiro nada. A imensidão, o nome límpido, a alegria azul do mar são lugares onde Deus deixou o Seu toque.
Os caminhos marítimos para os outros continentes estão descobertos.
O que acredito é que precisamos de amplitude, de campos vastos a perder de vista, de viagens mais profundas que as da rotina. Precisamos perceber o silêncio das coisas, cúmplice do silêncio da nossa alma.
Precisamos da liberdade leve dessas horas inapreensíveis que passamos junto ao mar.
Há um poeta que diz: “Deus anda à beira d’água”. Não me admiro nada. A imensidão, o nome límpido, a alegria azul do mar são lugares onde Deus deixou o Seu toque.
Os caminhos marítimos para os outros continentes estão descobertos.
Falta, talvez, (re)descobrir o caminho marítimo para o porto secreto de cada coração.
José Tolentino Mendonça
José Tolentino Mendonça
quarta-feira, 14 de abril de 2010
AMOR INFINITO
O filósofo Jean Guitton, na sua obra "As minhas razões de crer", coloca uma questão pertinente: "Que se passaria em mim se a minha fé diminuísse e se desvanecesse; se, como dizem as pessoas, «perdesse a fé»? (...)
Jean Guitton afirma que o famoso padre jesuíta Teilhard Chardin colocou a si mesmo esta questão, e respondeu, «que se deixasse de crer em Deus, no Deus cristão, e mesmo em Deus pura e simplesmente, continuaria a crer no Mundo.»
Quanto a mim, se eu «perdesse a fé», estaria em plena sintonia com Jean Guitton, pois «seria no amor ou, para ser mais exacto, no que existe de absoluto no amor, que eu creria.»
Faço minhas suas palavras: «Se eu tivesse vergado sob o peso do desespero e privado de toda a esperança encontraria, nesta loucura possível do amor, força suficiente para dar ainda alguns passos na estrada da dor. Dito de outra forma, a ideia que me daria forças face à perda de tudo, seria a ideia de que existe talvez, algures, um ser capaz de amar com um amor infinito. E então, mesmo que esse ser fosse único, parece-me que valeria a pena o mundo ser aceite, e que teria uma razão de ser, e que o homem teria uma razão para viver e também para morrer.(...)
Também me revejo nas palavras do padre Valensin citado na referida obra de J. Guitton:
«Se na hora da minha morte visse claramente que me espera o nada e que todas as crenças estão repletas de ilusão, não lamentaria absolutamente nada ter-me enganado toda a vida e ter crido na verdade do cristianismo, pois era o amor infinito que estaria errado por não existir, e não eu por ter acreditado nele.»
Por fim, para melhor exprimir tudo o que tentou dizer sobre esta questão, Jean Guitton recorre às palavras de São João Maria Vianney, que dizia: «Se na hora da morte me aperceber de que Deus não existe, terei sido bem enganado, mas não lamentarei o facto de ter passado a vida inteira a crer no amor.»
Jean Guitton, em "As minhas razões de crer"
Jean Guitton afirma que o famoso padre jesuíta Teilhard Chardin colocou a si mesmo esta questão, e respondeu, «que se deixasse de crer em Deus, no Deus cristão, e mesmo em Deus pura e simplesmente, continuaria a crer no Mundo.»
Quanto a mim, se eu «perdesse a fé», estaria em plena sintonia com Jean Guitton, pois «seria no amor ou, para ser mais exacto, no que existe de absoluto no amor, que eu creria.»
Faço minhas suas palavras: «Se eu tivesse vergado sob o peso do desespero e privado de toda a esperança encontraria, nesta loucura possível do amor, força suficiente para dar ainda alguns passos na estrada da dor. Dito de outra forma, a ideia que me daria forças face à perda de tudo, seria a ideia de que existe talvez, algures, um ser capaz de amar com um amor infinito. E então, mesmo que esse ser fosse único, parece-me que valeria a pena o mundo ser aceite, e que teria uma razão de ser, e que o homem teria uma razão para viver e também para morrer.(...)
Também me revejo nas palavras do padre Valensin citado na referida obra de J. Guitton:
«Se na hora da minha morte visse claramente que me espera o nada e que todas as crenças estão repletas de ilusão, não lamentaria absolutamente nada ter-me enganado toda a vida e ter crido na verdade do cristianismo, pois era o amor infinito que estaria errado por não existir, e não eu por ter acreditado nele.»
Por fim, para melhor exprimir tudo o que tentou dizer sobre esta questão, Jean Guitton recorre às palavras de São João Maria Vianney, que dizia: «Se na hora da morte me aperceber de que Deus não existe, terei sido bem enganado, mas não lamentarei o facto de ter passado a vida inteira a crer no amor.»
Jean Guitton, em "As minhas razões de crer"
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Jean Guitton
segunda-feira, 12 de abril de 2010
A AVENTURA DO AMOR DELICADO
Como Amor, tinha que respeitar e, de algum modo, depender da nossa liberdade e das nossas opções e escolhas.
Chama-nos, convida-nos, seduz-nos mas não violenta. Bate à porta (Ap 3, 20), mas aguarda, delicado, que Lhe demos licença para entrar.
Inspira-nos, ilumina-nos, mas deixa-nos livres para aderir, para responder.
O nosso Deus, o Pai do Céu, ensina-nos a divina delicadeza do amor.
Confia no homem, respeita a sua liberdade e sabe esperar.
Por delicadeza do amor, Deus não castiga, não fere, não magoa.
Está debruçado sobre nós, com amor, para nos abraçar na sua divina ternura, para nos repassar do seu carinho, para nos pegar no colo.
Cantemos a sinfonia do amor delicado do nosso Deus.
E aos poucos o nosso amor, o nosso coração, a nossa maneira de ser e agir será cada vez mais como a d`Ele, delicada, mansa, paciente, carinhosa, terna.
É que o cântico da sinfonia do amor delicado vai-nos transformando por um divino encanto.
E ficaremos mais semelhantes ao nosso Deus e nosso Pai.
Que bela aventura a do amor delicado...
Dário Pedroso s.j., em "Sinfonias do amor"
Chama-nos, convida-nos, seduz-nos mas não violenta. Bate à porta (Ap 3, 20), mas aguarda, delicado, que Lhe demos licença para entrar.
Inspira-nos, ilumina-nos, mas deixa-nos livres para aderir, para responder.
O nosso Deus, o Pai do Céu, ensina-nos a divina delicadeza do amor.
Confia no homem, respeita a sua liberdade e sabe esperar.
Por delicadeza do amor, Deus não castiga, não fere, não magoa.
Está debruçado sobre nós, com amor, para nos abraçar na sua divina ternura, para nos repassar do seu carinho, para nos pegar no colo.
Cantemos a sinfonia do amor delicado do nosso Deus.
E aos poucos o nosso amor, o nosso coração, a nossa maneira de ser e agir será cada vez mais como a d`Ele, delicada, mansa, paciente, carinhosa, terna.
É que o cântico da sinfonia do amor delicado vai-nos transformando por um divino encanto.
E ficaremos mais semelhantes ao nosso Deus e nosso Pai.
Que bela aventura a do amor delicado...
Dário Pedroso s.j., em "Sinfonias do amor"
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Dário Pedroso
sexta-feira, 9 de abril de 2010
DEUS É O QUE SABEM AS CRIANÇAS

«Há algo no mundo que resiste ao mundo,
e este algo não se acha nas igrejas nem nas culturas nem no pensamento
que os homens têm de si próprios,
na crença mortífera que eles têm de si próprios
enquanto seres sérios, adultos, razoáveis,
e este algo não é uma coisa, mas Deus,
e Deus não pode caber em nada sem logo o abalar, o arrasar,
e Deus imenso não sabe caber senão nos estribilhos de infância,
no sangue perdido dos pobres ou na voz dos simples,
e todos estes abarcam Deus no côncavo das suas mãos abertas,
um pardal encharcado como pão pela chuva,
um pardal transido, chilreador,
um Deus pipilante que vem comer nas suas mãos nuas.»
Deus é o que sabem as crianças, não os adultos.
Um adulto não pode perder tempo a alimentar os pardais.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
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Christian Bobin
quarta-feira, 7 de abril de 2010
O AMOR É PLENITUDE DA FALTA
Todo aquele que canta, arde na sua voz.
Todo aquele que ama, esgota-se no seu amor.
O canto é este abrasamento,
o amor é este cansaço.
Não vos vejo ardidos nem esgotados.
Esperais do amor que ele venha preencher-vos.
Mas o amor não preenche nada - nem o buraco que tendes na cabeça,
nem esse abismo que tendes no coração.
O amor é falta, muito mais do que plenitude.
O amor é plenitude da falta.
Concordo que se trata de algo incompreensível.
Mas o que é impossível de compreender é sumamente simples de viver.
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
sexta-feira, 2 de abril de 2010
REVOLUÇÃO COPERNICIANA
«Amar como um cristão significa tentar seguir este caminho: que não amamos apenas aquele que nos é simpático, que nos agrada, com quem temos afinidades, e não apenas aquele que tem algo para nos oferecer ou do qual esperamos poder vir a obter benefícios.
Amar de forma cristã, ou seja, amar como Cristo nos explicou o amor, significa sermos bondosos para aquele que precisa da nossa bondade, mesmo que não simpatizemos com ele.
Significa aventurarmo-nos pelo caminho de Jesus Cristo e, desse modo, fazer uma revolução coperniciana, por assim dizer, na nossa vida.
A verdade é que, de certa forma, ainda vivemos todos antes de Copérnico. Não só porque, regendo-nos pelas aparências, pensamos que o Sol nasce e se põe, e roda em torno da Terra, mas também porque existe um sentido mais profundo. Porque todos nós acalentamos aquela ilusão natural que nos leva, a cada um, a colocar o nosso Eu no centro de tudo, em torno do qual o mundo e os homens têm de girar.
Todos nós temos de redescobrir constantemente que só construímos e vemos as outras coisas e as outras pessoas em relação ao nosso próprio Eu, e que, ao mesmo tempo, as consideramos satélites que giram em torno do centro do nosso Eu.
À luz do que já foi dito, tornar-se cristão é pois algo de muito simples e, no entanto, de muito cataclísmico. É precisamente isso, fazermos uma revolução coperniciana na nossa vida e deixarmos de nos encarar como o centro do Universo, em torno do qual os outros têm de girar, porque, em vez disso, começámos a aceitar verdadeiramente que somos uma das muitas criaturas de Deus que, em conjunto, giram em torno do centro que é Deus.»
Joseph Ratzinger, em "Do sentido de ser cristão"
Amar de forma cristã, ou seja, amar como Cristo nos explicou o amor, significa sermos bondosos para aquele que precisa da nossa bondade, mesmo que não simpatizemos com ele.
Significa aventurarmo-nos pelo caminho de Jesus Cristo e, desse modo, fazer uma revolução coperniciana, por assim dizer, na nossa vida.
A verdade é que, de certa forma, ainda vivemos todos antes de Copérnico. Não só porque, regendo-nos pelas aparências, pensamos que o Sol nasce e se põe, e roda em torno da Terra, mas também porque existe um sentido mais profundo. Porque todos nós acalentamos aquela ilusão natural que nos leva, a cada um, a colocar o nosso Eu no centro de tudo, em torno do qual o mundo e os homens têm de girar.
Todos nós temos de redescobrir constantemente que só construímos e vemos as outras coisas e as outras pessoas em relação ao nosso próprio Eu, e que, ao mesmo tempo, as consideramos satélites que giram em torno do centro do nosso Eu.
À luz do que já foi dito, tornar-se cristão é pois algo de muito simples e, no entanto, de muito cataclísmico. É precisamente isso, fazermos uma revolução coperniciana na nossa vida e deixarmos de nos encarar como o centro do Universo, em torno do qual os outros têm de girar, porque, em vez disso, começámos a aceitar verdadeiramente que somos uma das muitas criaturas de Deus que, em conjunto, giram em torno do centro que é Deus.»
Joseph Ratzinger, em "Do sentido de ser cristão"
quarta-feira, 31 de março de 2010
O AMOR É O DESPERTAR!

O mundo quer o sono.
O mundo não é mais do que sono.
O mundo quer a repetição ensonada do mundo.
Mas o amor quer o despertar.
O amor é o despertar todas as vezes reinventado,
todas as vezes uma primeira vez.
Christian Bobin, em "Um Deus à flor da terra"
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segunda-feira, 29 de março de 2010
DISCRETOS MENSAGEIROS DIVINOS

«Um pardal fala: sou uma migalha de pão na barba de Cristo, um cisquinho da sua palavra, o bastante para alimentar o mundo até ao fim do mundo.
Um pintarroxo fala: sou uma nódoa de vinho na camisa de Cristo, uma gargalhada do seu riso no retorno da Primavera.
Uma cotovia fala: sou o último suspiro de Cristo, subo direita ao céu, bato com o bico no céu azul-claro, peço que me abram, levo no meu canto a terra inteira, peço, peço, peço.»
Um pintarroxo fala: sou uma nódoa de vinho na camisa de Cristo, uma gargalhada do seu riso no retorno da Primavera.
Uma cotovia fala: sou o último suspiro de Cristo, subo direita ao céu, bato com o bico no céu azul-claro, peço que me abram, levo no meu canto a terra inteira, peço, peço, peço.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
sexta-feira, 26 de março de 2010
A VIDA É BELA...
«A vida foi verdadeiramente feita para nos surpreender (e isso não nos espanta de maneira nenhuma)...
Que idade alguém deveria atingir para realmente admirar o bastante, para em nenhuma parte ficar aquém do mundo; mas quantas coisas ainda subestimamos, desprezamos, desconhecemos. Deus, quantas oportunidades e exemplos para nos tornarmos alguma coisa - e, em contrapartida, quanta indolência, dispersão e pouca vontade da nossa parte.»
Rainer Maria Rilke
Que idade alguém deveria atingir para realmente admirar o bastante, para em nenhuma parte ficar aquém do mundo; mas quantas coisas ainda subestimamos, desprezamos, desconhecemos. Deus, quantas oportunidades e exemplos para nos tornarmos alguma coisa - e, em contrapartida, quanta indolência, dispersão e pouca vontade da nossa parte.»
Rainer Maria Rilke
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Rainer Maria Rilke
quarta-feira, 24 de março de 2010
A FORÇA CRIADORA

«As pessoas sentem-se rejeitadas pela vida não exactamente por causa dos seus males, das circunstâncias em que vivem, nem sequer por causa das suas trevas, das suas ameaças ou dos seus horrores objectivos, mas porque estão separadas da sua força criadora e da sua significação.»
António Alçada Baptista
segunda-feira, 22 de março de 2010
PORTADOR DE FOGO
sexta-feira, 19 de março de 2010
ESTE É O MILAGRE!
«Este é o milagre que sempre ocorre aos que realmente estão amando: quanto mais dão, mais possuem desse amor delicioso e nutritivo do qual as flores e as crianças extraem a sua força e que poderia ajudar a todos se fosse aceite sem reservas.»
Rainer Maria Rilke
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Rainer Maria Rilke
quarta-feira, 17 de março de 2010
SE QUISERMOS CONHECER UM HOMEM
«Se quisermos conhecer um homem, teremos de procurar Aquele para quem a sua vida está secretamente voltada, Aquele a quem, de preferência a qualquer outro, ele fala, mesmo quando aparentemente se dirige a nós.
Tudo depende desse outro que ele escolheu para si. Tudo depende daquele a quem se dirige em silêncio, para cuja consideração acumulou factos e provas, por amor do qual fez da sua vida o que ela é.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
Tudo depende desse outro que ele escolheu para si. Tudo depende daquele a quem se dirige em silêncio, para cuja consideração acumulou factos e provas, por amor do qual fez da sua vida o que ela é.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
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Deus
segunda-feira, 15 de março de 2010
FIRMEZA

«A história de L. é uma das mais belas que conheço. É a história de uma mulher que toda a vida se obstinou em dizer "não"; que dirigia às pessoas, bem como aos seus actos, um olhar sem fraqueza, a fim de preservar um "sim" à vida quando esta, miraculosamente, se revelava tão pura como miosótis a iluminar o céu.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
sexta-feira, 12 de março de 2010
PLENITUDE INTERIOR - EM BUSCA DO ESSENCIAL
É a grande questão da nossa Vida. Como podemos encontrar a plenitude no nosso interior?
Os grandes temas existenciais não têm uma resposta óbvia, porque cada pessoa é uma história e um conjunto de circunstâncias. Acontecem-nos diariamente coisas que nos fazem repensar as nossas opções, momentos de confirmação e outros em que as nossas certezas mais profundas ficam abaladas.
A plenitude interior é uma questão de integração e unificação de todas as dimensões da nossa Vida. Corremos o risco de dividirmos a existência em vários sectores. O que mais nos desgasta é verificarmos que há campos na nossa Vida onde conseguimos fazer progressos e outros que parece que não saímos do mesmo. Ao mesmo tempo, vivemos muito dependentes dos factores externos, ou seja, o que acontece fora de nós, o que pensam e dizem de nós condiciona-nos de tal maneira que fazemos determinadas opções só porque é suposto, ou porque todos fazem assim, ou porque não faço mal a ninguém se fizer determinada coisa.
O grande segredo está em encontrarmos um espaço de verdade que seja o início e o fim da nossa existência. Estou plenamente convencido que as coisas mais importantes da vida se resumem a muito pouco. É uma espécie de luz interior que ilumina tudo, que faz olhar para tudo o que sou e o que me acontece com o olhar correcto. Chega uma altura em que percebemos na nossa Vida que o essencial é uma palavra só nossa, algo que não nos pode ser tirado e que nos desafia constantemente.
António Valério s.j. http://amar-tesomente.blogspot.com/2009/10/plenitude-interior.html
Os grandes temas existenciais não têm uma resposta óbvia, porque cada pessoa é uma história e um conjunto de circunstâncias. Acontecem-nos diariamente coisas que nos fazem repensar as nossas opções, momentos de confirmação e outros em que as nossas certezas mais profundas ficam abaladas.
A plenitude interior é uma questão de integração e unificação de todas as dimensões da nossa Vida. Corremos o risco de dividirmos a existência em vários sectores. O que mais nos desgasta é verificarmos que há campos na nossa Vida onde conseguimos fazer progressos e outros que parece que não saímos do mesmo. Ao mesmo tempo, vivemos muito dependentes dos factores externos, ou seja, o que acontece fora de nós, o que pensam e dizem de nós condiciona-nos de tal maneira que fazemos determinadas opções só porque é suposto, ou porque todos fazem assim, ou porque não faço mal a ninguém se fizer determinada coisa.
O grande segredo está em encontrarmos um espaço de verdade que seja o início e o fim da nossa existência. Estou plenamente convencido que as coisas mais importantes da vida se resumem a muito pouco. É uma espécie de luz interior que ilumina tudo, que faz olhar para tudo o que sou e o que me acontece com o olhar correcto. Chega uma altura em que percebemos na nossa Vida que o essencial é uma palavra só nossa, algo que não nos pode ser tirado e que nos desafia constantemente.
António Valério s.j. http://amar-tesomente.blogspot.com/2009/10/plenitude-interior.html
quarta-feira, 10 de março de 2010
RASCUNHO
«S. sofre da mania da perfeição. Pensa que tudo quanto faz é incompleto, mau, falhado. Desejaria que lhe dessem uma segunda vida como um bonito papel branco sobre o qual poderia copiar a primeira, retirando-lhe as nódoas e rasuras. Não vê que o rascunho é a própria vida.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
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segunda-feira, 8 de março de 2010
ESTRELAS VIRGENS

Olha as estrelas, mãe, conhece-las?
Elas nunca dormem e olham para baixo para a terra com olhos ansiosos.
Tal como eu que não tenho asas e não posso voar, e me sinto infeliz,
As estrelas também são infelizes porque não têm pés e não podem descer à terra.
Todas as manhãs desces até à curva do rio com
O cântaro no gancho do teu braço para ir buscar água;
As estrelas olham os seus reflexos na água e hora após hora pensam
como seriam felizes se tivessem sido donzelas aldeãs e pudessem
nadar no rio com os seus cântaros a flutuarem ao lado delas.
Rabindranath Tagore
sexta-feira, 5 de março de 2010
CAMINHO DA VIDA

«Hoje em dia, há um grande desejo de viver, sobretudo por parte dos jovens. Eles querem experimentar a vida a todo o custo. Mas, muitas vezes, confundem vida com vivência. Eles pensam que o recheio da vida está no facto de terem muitas vivências.
São Bento remete-nos para o Senhor que nos mostra o caminho da vida e o caminho para a vida. O evangelista Lucas descreveu Jesus como o líder e o instigador da vida. Ele precede-nos no caminho da vida. Se o seguirmos, experimentamos o que a vida é na realidade.
São Bento escolhe aqui, de novo, a palavra «dulcis = doce». Significa sempre a experiência interior, na tradição espiritual. A palavra do Senhor deixa-nos um gosto doce e agradável. Quem recebe em si a palavra de Deus, experimenta um novo sabor na vida. Tudo é doce.»
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
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quarta-feira, 3 de março de 2010
OS MAIORES ADVERSÁRIOS DE NÓS MESMOS
«Embora vivendo em Paris, onde ninguém pode viver, ouço o canto de um melro ao acordar, diz-me G.
A minha escolha, nesse instante, é a seguinte: começar o dia com essa cantata alada, ou premir o botão do transistor para ouvir as notícias do mundo que, no fundo, não são novas. A minha alegria e o meu coração inclinam-se para o melro e não sei que poder maior me faz carregar no botão do rádio. Estranho, acrescenta ele, sermos os maiores adversários de nós mesmos.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
A minha escolha, nesse instante, é a seguinte: começar o dia com essa cantata alada, ou premir o botão do transistor para ouvir as notícias do mundo que, no fundo, não são novas. A minha alegria e o meu coração inclinam-se para o melro e não sei que poder maior me faz carregar no botão do rádio. Estranho, acrescenta ele, sermos os maiores adversários de nós mesmos.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
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segunda-feira, 1 de março de 2010
VIDA

Não quero morrer neste mundo belo,
Mas viver no coração dos homens,
E encontrar sepultura no bosque florido,
Salpicado de sol.
O jogo dos fracassos da vida como ondas
Com as suas lágrimas e sorrisos,
Unindo-se e separando-se!
Encandeando
Alegrias e tristezas do homem,
Quero construir sobre esta terra
A minha casa eterna.
Farei florescer novas flores e canções
Para que as reúnas, amanhecer e escuridão.
Colhe-as a sorrir...
E quando murcharem
Espalha-as.
Rabindranath Tagore
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
CAMINHAR NA NATUREZA
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
O PRIMEIRO BEIJO

Para a minha doce amada...
O céu ficou silencioso e de olhos baixos,
Os pássaros calaram todos os seus cantos;
O vendo emudeceu; a música das águas acabou
De repente; o murmúrio da floresta
Morreu lentamente no coração da floresta.
Na margem deserta do rio tranquilo,
Nas sombras do anoitecer desceu silenciosamente
O horizonte sobre a terra muda.
Nesse momento no silencioso e solitário alpendre
Beijámo-nos pela primeira vez.
Nesse momento exacto, ao longe e perto
Repicaram os sinos e soaram os búzios
Nos templos dos deuses apelando ao culto.
Um estremecimento percorreu o infinito mundo das estrelas
E os nossos olhares encheram-se de lágrimas.
Rabindranath Tagore
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
PERGUNTA
Deus, mais uma vez ao longo dos tempos enviaste mensageiros
Para este impedioso mundo:
Eles disseram, «Perdoa a todos», e disseram, «Ama o próximo -
Liberta o seu coração do mal.»
Eles são venerados e lembrados, embora nestes obscuros dias
Os mandemos embora com insensíveis cumprimentos, para fora das
nossas casas.
E entretanto vejo dissimulados ódios assassinando os desamparados
sob a capa da noite;
E a Justiça a chorar silenciosamente, furtivamente, o abuso do poder,
Sem esperança de redenção.
Vejo jovens a trabalhar freneticamente,
Aflitos, batendo com a cabeça na pedra, inutilmente.
Hoje, a minha voz calou-se; não tenho música na minha flauta:
A negra noite sem lua
Encarcerou o meu mundo, mergulhando-o num pesadelo.
E é por isso que, com lágrimas nos olhos, pergunto:
A esses que enveneraram o teu ar, a esses que apagaram a tua luz,
Será que lhes perdoaste? Será que os amas?
Rabindranath Tagore
Para este impedioso mundo:
Eles disseram, «Perdoa a todos», e disseram, «Ama o próximo -
Liberta o seu coração do mal.»
Eles são venerados e lembrados, embora nestes obscuros dias
Os mandemos embora com insensíveis cumprimentos, para fora das
nossas casas.
E entretanto vejo dissimulados ódios assassinando os desamparados
sob a capa da noite;
E a Justiça a chorar silenciosamente, furtivamente, o abuso do poder,
Sem esperança de redenção.
Vejo jovens a trabalhar freneticamente,
Aflitos, batendo com a cabeça na pedra, inutilmente.
Hoje, a minha voz calou-se; não tenho música na minha flauta:
A negra noite sem lua
Encarcerou o meu mundo, mergulhando-o num pesadelo.
E é por isso que, com lágrimas nos olhos, pergunto:
A esses que enveneraram o teu ar, a esses que apagaram a tua luz,
Será que lhes perdoaste? Será que os amas?
Rabindranath Tagore
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
QUEM AMA
«Quem ama, fica mais simples, e sabe que as coisas são passageiras.
Quem ama sabe esperar e ser verdadeiro com os acontecimentos da alma e do corpo.
Amar é não ficar agarrado às coisas que passam,
é tomá-las como certeza de caminho percorrido e coragem de continuar.»
António Valério, s.j. (Visite: http://amar-tesomente.blogspot.com/)
Quem ama sabe esperar e ser verdadeiro com os acontecimentos da alma e do corpo.
Amar é não ficar agarrado às coisas que passam,
é tomá-las como certeza de caminho percorrido e coragem de continuar.»
António Valério, s.j. (Visite: http://amar-tesomente.blogspot.com/)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
APETECIA-ME POR VEZES...

«Apetecia-me por vezes entrar numa casa ao acaso, sentar-me na cozinha e perguntar aos habitantes de que têm medo, o que esperam e se compreendem alguma coisa da nossa presença comum sobre a terra. Fui suficientemente adestrado para reter esse impulso que, no entanto, me parece o mais natural do mundo.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
A TÍLIA

«A tília em frente da janela é o mestre que escolhi para escrever e sei de antemão que não poderei igualá-lo: nem mesmo os maiores escritores alguma vez escreveram com tanta graça como esta árvore inscreve delicadamente a luz e a sombra em cada uma das suas folhas e renova a sua inspiração a cada segundo.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
SOLIDÃO DERROTADA
«Julgo que o mais importante são as palavras. Quando se vive a solidão, sabe-se que, por causa duma palavra verdadeira, caem muitas vezes as muralhas que levantámos à volta das nossas almas. Uma palavra verdadeira pode ser um milagre: é a solidão derrotada.»
António Alçada Baptista, em "Tia Suzana, meu amor"
António Alçada Baptista, em "Tia Suzana, meu amor"
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
O LUGAR ONDE VIVEMOS
«Vivemos em cidades, em ofícios, em famílias.
Mas o lugar onde vivemos em verdade não é um lugar.
O lugar onde vivemos verdadeiramente não é aquele onde passamos os nossos dias,
mas aquele onde esperamos - sem conhecer o que esperamos -,
aquele onde cantamos - sem compreender o que nos faz cantar.»
Christian Bobin
Mas o lugar onde vivemos em verdade não é um lugar.
O lugar onde vivemos verdadeiramente não é aquele onde passamos os nossos dias,
mas aquele onde esperamos - sem conhecer o que esperamos -,
aquele onde cantamos - sem compreender o que nos faz cantar.»
Christian Bobin
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
A DOÇURA DE VIVER
«Quanto à doçura de viver, é imutável através dos séculos.
Ela é feita da calma de uma conversa,
do repouso de um corpo, de uma cor de um mês de Agosto.
É feita do pressentimento de que se viverá sempre,
no próprio instante em que se vive.
O amor de si é o primeiro estremecimento do Deus no rejúbilo de um coração.
A doçura de viver é a guarda avançada de uma vida eterna na vida de hoje.»
Christian Bobin
Ela é feita da calma de uma conversa,
do repouso de um corpo, de uma cor de um mês de Agosto.
É feita do pressentimento de que se viverá sempre,
no próprio instante em que se vive.
O amor de si é o primeiro estremecimento do Deus no rejúbilo de um coração.
A doçura de viver é a guarda avançada de uma vida eterna na vida de hoje.»
Christian Bobin
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
ALEGRIA

«Uma coisa sabemos: se a nossa alegria se funda no exterior, virá e partirá segundo os acontecimentos e as marés. Quando o exterior nos rasgar o vestido da alegria, lancemos os olhos para dentro, para o mais secreto paraíso que nos habita.» Henrique Manuel
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Henrique Manuel
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
AS MÃES

«Há a que vela pelo que ela ama - sem o impedir de seguir o seu caminho. E há a que se atormenta pelo que ela ama - tratando de lhe modificar o andamento. Há Marta e há Maria, as duas irmãs encontradas por Cristo ao passar. Marta preocupada com a ordem e a comida, rodopiando na sua cozinha, perdida num rumor de pratos e de água a ferver. E Maria, com o avental enrolado debaixo de um banco, Maria sentada no chão, as pernas metidas para dentro como as asas de um pássaro no instante do repouso, o rosto aberto, as mãos vazias, Maria preocupada com esse amor sem o qual toda a ordem é triste, toda a comida sensabor. Marta e Maria. A dispersada, a recolhida. A incessante e a apaziguada.
As mães são ambas, não raro ao mesmo tempo. A sua preocupação com o filho tanto as cega como as ilumina. Elas contemplam a carne da sua carne. Vêem o filho viver, mas nunca crescer. Vêem o filho na eternidade da sua idade, nunca vêem a passagem de uma idade a outra, de uma eternidade à seguinte. Um belo dia, elas voltam-se, miram cheias de espanto este mocetão que acaba de entrar em casa, este homem enleado na sua própria força - já não sabendo como pôde provir delas tanta força e falta de jeito, não compreendendo nada de nada: pois se o filho cresceu, o coração delas não envelheceu, ardendo como nas primeiras dores do parto...»
Christian Bobin, em "Um Deus á Flor da Terra"
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O AMOR E A VERDADE

«N. é decoradora de interiores numa cidade onde, para viver da sua arte, encontra bastantes pessoas ricas e tolas a ponto de não decidirem sozinhas o seu próprio gosto.
Decoradora é ela até à raiz dos cabelos. Cada um dos seus gestos é elegante, fala com linguagem cuidada, sem ostentação, da mesma forma que em sua casa cada "bibelot" está, milimetricamente, no exacto sítio onde deve estar para contribuir para a discreta harmonia do conjunto.
O seu coração, tal como a sua casa, estão arranjados de acordo com uma arte refinada e mesmo a desordem tem lugar previsto. Numa tal vida, a verdade e o amor, supondo que aí pudessem ter lugar, surgiriam como faltas de gosto imperdoáveis.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
CASA RECÉM-CONSTRUÍDA
«O amor é sempre uma casa recém-construída. Um rendilhado de filigrana, uma flor de estufa. Uma fenda nessa construção tende a crescer e pelas frinchas da indiferença ou dessas discussões e egoísmos idiotas, pode vir abaixo a construção duma vida...
... Deus pode conceder-nos dádivas, mas o mérito de as receber e conservar tem de ser nosso e , muitas vezes, quanto mais felizes somos menos atenção prestamos à nossa felicidade."
Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."
... Deus pode conceder-nos dádivas, mas o mérito de as receber e conservar tem de ser nosso e , muitas vezes, quanto mais felizes somos menos atenção prestamos à nossa felicidade."
Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
MULHER INSPIRADORA

A todas as mulheres, mas especialmente aquela que amo
e com a qual partilho a vida...
«Mulher, não és só obra de Deus;
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.
Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.
Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.
Mulher, és meio mulher,
meio sonho.»
Rabindranath Tagore
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.
Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.
Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.
Mulher, és meio mulher,
meio sonho.»
Rabindranath Tagore
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
A PALAVRA

«Como a flor exala o seu perfume e o sol espalha o calor dos seus raios, assim nós temos necessidade de irradiar pelo gesto e, sobretudo, por esse dom maravilhoso que é a palavra.
A palavra só tem sentido na medida em que sai da boca de um homem para entrar no coração de outro e ali fazer brotar a vida.»
Jean Vanier, em "Novas perspectivas do amor"
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
ESPÍRITO DE INFÂNCIA
"Amo-te e sinto-me desolado por te amar tão pouco, por te amar tão mal, por não saber amar-te."
Em realidade, quanto mais se acerca da luz, mais se descobre cheio de sombras. Quanto mais ama, mais se conhece indigno de amar. É que não há progresso em amor, não há perfeição que se possa um dia alcançar. Não há amor adulto, maduro e razoável.
Não há perante o amor nenhum adulto, apenas crianças, apenas este espírito de infância que é abandono, despreocupação, espírito da perda de espírito.
A idade adiciona. A experiência acumula. A razão constrói. O espírito de infância não conta nada, não amontoa nada, não edifica nada.
O espírito de infãncia é sempre novo, retorna sempre aos começos do mundo, aos primeiros passos do amor.
O homem de razão é um homem acumulado, amontoado, construído.
O homem de infância é o contrário de um homem adicionado sobre si mesmo: um homem retirado de si, renascendo em todo o nascimento de tudo. Um imbecil que joga à bola. Ou um santo que fala ao seu Deus. Ou ambas as coisas ao mesmo tempo.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra»
Em realidade, quanto mais se acerca da luz, mais se descobre cheio de sombras. Quanto mais ama, mais se conhece indigno de amar. É que não há progresso em amor, não há perfeição que se possa um dia alcançar. Não há amor adulto, maduro e razoável.
Não há perante o amor nenhum adulto, apenas crianças, apenas este espírito de infância que é abandono, despreocupação, espírito da perda de espírito.
A idade adiciona. A experiência acumula. A razão constrói. O espírito de infância não conta nada, não amontoa nada, não edifica nada.
O espírito de infãncia é sempre novo, retorna sempre aos começos do mundo, aos primeiros passos do amor.
O homem de razão é um homem acumulado, amontoado, construído.
O homem de infância é o contrário de um homem adicionado sobre si mesmo: um homem retirado de si, renascendo em todo o nascimento de tudo. Um imbecil que joga à bola. Ou um santo que fala ao seu Deus. Ou ambas as coisas ao mesmo tempo.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra»
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
SOMOS PARTE DE UMA MELODIA
«Tem quase o significado de uma religião esta ideia: assim que tenhamos descoberto a música de fundo, não estaremos mais perplexos nas nossas palavras e vagos nas nossas resoluções? Há uma certeza despreocupada na simples convicção de ser parte de uma melodia e de, portanto, possuir legitimamente um determinado espaço para ter direito a um determinado dever em relação a uma obra ampla em que o mínimo vale tanto quanto o máximo.
Não ser excedente é a primeira condição do desenvolvimento consciente e sereno.»
Rainer Maria Rilke
Não ser excedente é a primeira condição do desenvolvimento consciente e sereno.»
Rainer Maria Rilke
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
QUEM NOS TRARÁ A PRIMAVERA?

«Por vezes, como disse Goethe, o nosso destino parece uma árvore de fruto no Inverno. Ninguém diria que aqueles ramos hão-de ficar verdes e florir de novo, mas temos confiança, nós sabemo-lo.»
Depois de cada Inverno, nunca sabemos os ramos que em nós voltarão a florir, nem quais teremos perdido para sempre.
Nunca sabemos a duração de cada Inverno em nós: no coração de alguns parece durar eternamente.
Perguntamos: quem nos trará a Primavera? Quem nos devolverá a inocência dos pássaros e a frescura das manhãs?
É preciso gritar e deixar que a violência do grito rebente no coração, como as trovoadas rebentam na terra as águas de Maio.
É preciso essa dor de nos deixarmos abrir, não ceder à tentação da fuga.
Fechados, tornamo-nos estranhos a nós próprios, enlouquecidos e sós, perdemo-nos profundamente, morremos devagar.
É pelos outros que nos conhecemos e encontramos.
Construímo-nos em relação, num diálogo marcado pelo amor, pela dádiva, pela tarefa de realizar um projecto de vida em que o outro se constitua como referencial absoluto.
O amor é um acto de fé. Torna-nos vulneráveis e expostos, abre fendas por onde podem penetrar o sofrimento e a dor, ou o calor que traga de novo a Primavera ao nosso destino para que se cumpra, para que de novo a árvore rebente e floresça, para que cada fruto estale e o sumo inunde a boca que o tocar.»
Henrique Manuel, em "Mas há Sinais"
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
O MILAGRE DE SERMOS OUVIDOS

Comunguei um dia de tal intimidade que cada palavra de um era recolhida pelo outro sem deturpação. Acontecia o mesmo com cada silêncio. Não se tratava daquela fusão que no início os amantes conhecem e que é um estado irreal e destruidor. Havia, na amplitude do laço que se criara, algo de musical e estávamos simultaneamente juntos e separados como as asas diáfanas de uma libélula. Por ter conhecido esta plenitude, sei que o amor nada tem a ver com o sentimentalismo que perpassa nas canções, nem tão pouco com a sexualidade de que o mundo faz a principal mercadoria - a que permite vender todas as outras.
O amor é o milagre de sermos ouvidos, mesmo estando em silêncio, e de ouvirmos em troca com igual acuidade a vida em estado puro, tão leve como o ar que sustém as asas das libélulas e se alegra com os seus bailados.
Christian Bobin, em ""Ressuscitar"
Christian Bobin, em ""Ressuscitar"
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
OS GESTOS SIMPLES DO AMOR LOUCO

«É sempre possível a um homem aderir ao campo das mulheres, ao riso do Deus. Basta um movimento, um único movimento semelhante aos que têm as crianças quando se lançam em frente com todas as suas forças, sem receio de cair ou morrer, olvidando o peso do mundo. Um homem que assim sai de si mesmo, do seu medo, desleixando esse peso de seriedade que é peso do passado, um tal homem torna-se como alguém que já não aguenta no lugar, que já não acredita nas fatalidades ditadas pelo sexo, nas hierarquias impostas pela lei ou o costume: um menino ou um santo, na proximidade risonha do Deus - e das mulheres...
Ninguém mais do que Cristo voltou o seu rosto para as mulheres, como voltamos o olhar para uma folhagem, como nos debruçamos sobre uma água de riacho para aí colher força e gosto por continuar o caminho.
As mulheres são na Bíblia quase tão numerosas como as aves. Estão lá no início e estão lá no fim. Elas dão Deus à luz, vêem-no crescer, brincar e morrer, depois ressuscitam-no com os gestos simples do amor louco, os mesmos gestos desde o começo do mundo, nas cavernas da pré-história e bem assim nos quartos sobreaquecidos das maternidades.»
As mulheres são na Bíblia quase tão numerosas como as aves. Estão lá no início e estão lá no fim. Elas dão Deus à luz, vêem-no crescer, brincar e morrer, depois ressuscitam-no com os gestos simples do amor louco, os mesmos gestos desde o começo do mundo, nas cavernas da pré-história e bem assim nos quartos sobreaquecidos das maternidades.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
QUE FAREMOS COM O NOSSO CORAÇÃO?

«Os corações das crianças são orgãos delicados. Um princípio cruel neste mundo pode deformá-los e imprimir-lhes formas estranhas.
O coração de uma criança pode encolher de modo a ficar duro e rugoso como o caroço de um pêssego. Ou pode crescer e dilatar-se até se transformar em algo de insuportável para trazer dentro do corpo, facilmente irritado e magoado pelas coisas mais insignificantes.»
No peito de cada um de nós há um coração moldado pela vida. Há os que o guardam palpitante como um pássaro e os que o esqueceram por terem deixado de o sentir. Entre os chamados «corações de pedra» e «corações de manteiga», há tantos e tantos corações diferentes que de formas diferentes vão moldando outros!
Há corações incendiados e corações de gelo, corações de leão e corações de pássaro, corações de ouro e corações de chumbo. Há mesmo bons e maus corações.
Por vezes ouvimos dizer de alguém que «não tem coração». É preciso nunca acreditar. Pode estar tão apertado como um buraco negro, mas está lá. Talvez precise apenas de ser alimentado.
Há corações que transportam privações de séculos e parecem nunca atingir a saciedade e há os que transbordam como fontes inesgotáveis.
Que coração trazemos em nós? Que coração palpita dentro de quem cruza o nosso caminho em cada dia? Como atingirei o coração do meu irmão? E se numa qualquer guerra da vida alguém tiver perdido o seu, poderemos ajudar a procurar, a tentar encontrá-lo? E se o encontrarmos, saberemos transportá-lo nas mãos, sem o ferir, e pousá-lo no peito a que pertence?
Que faremos com o nosso coração?»
Henrique Manuel, em "Mas há Sinais"
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
A BELEZA VEM DO AMOR

«A beleza vem do amor.
O amor vem da atenção.
A atenção simples ao simples,
a atenção humilde aos humildes,
a atenção viva a todas as vidas...
Beleza é algo de que Cristo nunca fala.
Só lida com ela, mas dando-lhe o seu verdadeiro nome: o amor.
A beleza vem do amor,
como o dia vem do sol,
como o sol vem de Deus,
como Deus vem de uma mulher esgotada pelo parto.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
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Christian Bobin
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
ENTREGA
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
A LUZ DA TUA MÚSICA

Não sei como cantas, ó mestre!
Escuto sempre em silencioso deslumbramento.
A luz da tua música ilumina o mundo.
A luz da tua música ilumina o mundo.
O sopro de vida da tua música voa de céu em céu.
A torrente santa da tua música rompe qualquer obstáculo de pedra - e jorra.
O meu coração anseia por juntar-se ao teu cântico,
mas em vão se esforça por ter voz.
Eu poderia falar, mas a linguagem não se transforma em cântico, e , confundido,
choro em voz alta.
Ah! Tu fizeste o meu coração prisioneiro nas malhas sem fim da tua música, ó meu mestre!
Rabindranath Tagore
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
FELIZ E ABENÇOADO ANO NOVO!

Desejo a todos um Feliz, Abençoado e Iluminado Ano de 2010!!!
Que Deus vos ilumine com a Luz do Amor, da Fé, da Alegria, da Esperança, da Sabedoria e da Paz!
«Começar, estamos sempre a começar. Temos um Ano Novo pela frente, mas começar de novo não é começar outra vez, não é repetir alguma coisa, é começar de outro modo, com novidade. E o primeiro gesto devia ser o de agradecer esta imensa oportunidade.
Este ano será aquilo que fizermos dele: se cultivarmos uma atitude de egoísmo e individualismo, será assim; mas se nos comprometermos com a construção da paz e da justiça no mundo, então teremos um bom Ano Novo.
Não esqueçamos ao longo do ano que começa hoje que há uma imensa sabedoria em viver cada dia como se fosse o primeiro e há imensa felicidade em viver cada dia como se fosse o último. As duas coisas são possíveis ao mesmo tempo.»
(Vasco Pinto de Magalhães, em "Não há soluções. Há caminhos.")
(Vasco Pinto de Magalhães, em "Não há soluções. Há caminhos.")
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
O CORAÇÃO DOS JOVENS

«Os jovens apelidam de hipocrisia qualquer tradição que não aceita seguir a sua lógica interna de fraternidade, de amor aos pobres e de união mística com Deus.
Rejeitam qualquer valor antigo, excessivamente organizado e que não constitua um manancial de vida; não aceitam uma moral imposta de cima, uma moral esmagadora e asfixiante; querem viver e encontrar liberdade.
Estão fartos de ver crentes a recitar preces, a assistir a ofícios religiosos, a pregar moral, mas incoerentes com eles próprios, não dando à sua vida denominada «religiosa» as provas de autenticidade exigidas pelo Deus de Amor.
Os jovens são abertos, disponíveis, acolhedores e tolerantes.
Querem encontrar pela frente homens de convicção, que não se deixem levar por aquilo que os outros possam pensar ou dizer a seu respeito.
Acima de tudo, querem o que é verdadeiro. Pretendem que as pessoas sejam elas próprias, sem medo. Não as julgam por um sistema de valores ou por categorias.»
Jean Vanier, em "Novas Perspectivas do Amor"
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
DOÇURA PROFUNDA

«Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.»
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.»
Fernando Pessoa, poema "Liberdade"
«Busco a doçura profunda,
a que nunca ninguém viu,
e cuja existência não pode ser posta em causa,
pois é a ela que devemos a beleza perfumada dos jacintos,
a luz nos olhos espantados dos animais e tudo o que,
sobre a terra e nos livros,
há de bom.»
«Busco a doçura profunda,
a que nunca ninguém viu,
e cuja existência não pode ser posta em causa,
pois é a ela que devemos a beleza perfumada dos jacintos,
a luz nos olhos espantados dos animais e tudo o que,
sobre a terra e nos livros,
há de bom.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
NATAL É LUZ E CALOR!

Desejo do fundo do meu coração,
Um Santo e Abençoado Natal para todos vós!
Um Santo e Abençoado Natal para todos vós!
«Na nossa sociedade faz frio.
E o Natal é luz e calor!
A humanidade enregela sem o Espírito que é fogo.
Contra o frio do egoísmo, o calor humano.
Contra o frio da ganância, o calor da generosidade.
Contra o frio da indiferença, o fogo da solidariedade.
Contra o frio da solidão, o fogo da proximidade.
Contra o frio do desencanto, o fogo do ideal.»
(Vasco Pinto de Magalhães, em "Não há soluções. Há caminhos.")
E o Natal é luz e calor!
A humanidade enregela sem o Espírito que é fogo.
Contra o frio do egoísmo, o calor humano.
Contra o frio da ganância, o calor da generosidade.
Contra o frio da indiferença, o fogo da solidariedade.
Contra o frio da solidão, o fogo da proximidade.
Contra o frio do desencanto, o fogo do ideal.»
(Vasco Pinto de Magalhães, em "Não há soluções. Há caminhos.")
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
TUDO SE RENOVA
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
POST SCRIPTUM
"Que a tua vida
seja natural como o respirar,
que o teu peso para os outros
seja apenas o das pétalas,
que a tua gratidão seja ilimitada
e as tuas palavras favos de ternura.
Que todos os que se aproximem de ti
tenham vontade de cantar
e de encher de luz e canções
as suas noites,
de despir os lutos do coração
e compor as jarras da alegria.
Procura a lucidez
que afasta os medos,
e a humildade para permaneceres
profundo em ti,
livre na vida,
eterno no momento,
fiel ao que permanece."
Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."
seja natural como o respirar,
que o teu peso para os outros
seja apenas o das pétalas,
que a tua gratidão seja ilimitada
e as tuas palavras favos de ternura.
Que todos os que se aproximem de ti
tenham vontade de cantar
e de encher de luz e canções
as suas noites,
de despir os lutos do coração
e compor as jarras da alegria.
Procura a lucidez
que afasta os medos,
e a humildade para permaneceres
profundo em ti,
livre na vida,
eterno no momento,
fiel ao que permanece."
Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
A LUZ QUE ILUMINAVA O RECREIO...

«J. foi ensinado por uma mãe professora, que o retinha na sala de aulas para lhe dar lições suplementares, enquanto as outras crianças corriam ao sol.
Os anos passaram. J. tornou-se um intelectual, ou seja, alguém cuja inteligência o impede de pensar. Escreve livros sobre os vagabundos do século XIX, buscando em vão, na poeira dos arquivos, a luz que iluminava o recreio da escola ao toque das cinco.»
Os anos passaram. J. tornou-se um intelectual, ou seja, alguém cuja inteligência o impede de pensar. Escreve livros sobre os vagabundos do século XIX, buscando em vão, na poeira dos arquivos, a luz que iluminava o recreio da escola ao toque das cinco.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
MANANCIAL DE AMOR INFINITO

«Só quando o coração do homem tiver encontrado esse manancial eterno de riquezas divinas, poderá renunciar, perfeitamente, aos bens que dividem os homens entre si.
É preciso que descubra a força do amor que encontra a sua origem em Deus.
É preciso que descubra o amor infinito de Deus por todos os homens,
e que depositem n´Ele toda a sua confiança.
É preciso que expurgue a religião de todos e qualquer elemento de hipocrisia,
É preciso que expurgue a religião de todos e qualquer elemento de hipocrisia,
é preciso que viva o essencial da mensagem de Jesus: a abertura ao Espírito Santo,
a compaixão pelos fracos e aflitos, pelos inimigos,
a renúncia a todo o julgamento ou condenação dos outros.»
Jean Vanier, em "Novas perspectivas do amor"
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
DO SOFRIMENTO À PAZ

Eu andava por um caminho atapetado da relva, e de repente ouvi uma voz atrás de mim: “Olha para ver se me reconheces!”
Voltei-me, olhei para ela, e disse: “Não consigo me lembrar do teu nome!”
Ela continuou: “Eu sou a primeira grande Dor que tiveste quando jovem”.
Os olhos dela pareciam a manhã em que o orvalho ainda paira no ar.
Fiquei em silêncio algum tempo, e depois lhe perguntei: “Perdeste aquele imenso fardo de lágrimas?”
Ela sorriu, sem responder, e eu compreendi que as suas lágrimas haviam tido Tempo de aprender a linguagem do sorriso. Depois, suspirando, acrescentou:
“Certa vez disseste que irias acariciar a tua tristeza para sempre...”
Corando, eu respondi: “Sim, mas passaram-se anos e acabei esquecendo”.
Então eu tomei as mãos dela nas minhas, e lhe disse: “Mas também tu mudaste muito”.
Ela respondeu: “O que antes era sofrimento, agora se transformou em paz.»
Voltei-me, olhei para ela, e disse: “Não consigo me lembrar do teu nome!”
Ela continuou: “Eu sou a primeira grande Dor que tiveste quando jovem”.
Os olhos dela pareciam a manhã em que o orvalho ainda paira no ar.
Fiquei em silêncio algum tempo, e depois lhe perguntei: “Perdeste aquele imenso fardo de lágrimas?”
Ela sorriu, sem responder, e eu compreendi que as suas lágrimas haviam tido Tempo de aprender a linguagem do sorriso. Depois, suspirando, acrescentou:
“Certa vez disseste que irias acariciar a tua tristeza para sempre...”
Corando, eu respondi: “Sim, mas passaram-se anos e acabei esquecendo”.
Então eu tomei as mãos dela nas minhas, e lhe disse: “Mas também tu mudaste muito”.
Ela respondeu: “O que antes era sofrimento, agora se transformou em paz.»
Rabindranath Tagore, em "Livro Estesia"
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
VIDA IMENSA E MISTERIOSA

«A vida foi verdadeiramente feita para nos surpreender (e isso não nos espanta de maneira nenhuma)...
Afinal, a vida não é de modo algum tão coerente como as nossas preocupações;
Afinal, a vida não é de modo algum tão coerente como as nossas preocupações;
ela tem muito mais imprevistos e muito mais facetas do que nós...
Meu Deus, como é magnífica a vida,
Meu Deus, como é magnífica a vida,
precisamente pela sua imprevisibilidade
e pelos passos da nossa cegueira frequentemente tão estranhamente certos...»
Rainer Maria Rilke
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
PACIÊNCIA, PACIÊNCIA...
«Não atribuir às coisas mais significado do que elas já assumem naturalmente; não ver o sofrimento de fora, não medi-lo e chamá-lo grande: o "grande sofri-mento"...
Pois você não sabe se o seu coração não terá crescido com ele, se essa imensa fadiga não é o crescimento do coração.
Paciência, paciência, e não julgar no sofrimento, jamais julgar enquanto ele estiver sobre nós. Não temos uma medida para ele, fazemos comparações e exageramos.»
Rainer Maria Rilke
Pois você não sabe se o seu coração não terá crescido com ele, se essa imensa fadiga não é o crescimento do coração.
Paciência, paciência, e não julgar no sofrimento, jamais julgar enquanto ele estiver sobre nós. Não temos uma medida para ele, fazemos comparações e exageramos.»
Rainer Maria Rilke
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
SER PARA UNIR
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
DOCE E SUAVE MELODIA
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
A SUBLIME MISSÃO DE AMAR
«O amor é a ocasião única de amadurecer, de tomar forma,
de nos tornarmos um mundo para o ser amado.
É uma alta exigência, uma ambição sem limites,
que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes.»
Rainer Maria Rilke, em "Cartas a um jovem poeta"
de nos tornarmos um mundo para o ser amado.
É uma alta exigência, uma ambição sem limites,
que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes.»
Rainer Maria Rilke, em "Cartas a um jovem poeta"
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
MADRE TERESA - SABER DAR E RECEBER

«Um dia, enquanto caminhava por uma rua de Londres, vi um homem sentado que parecia muito só. Fui até junto dele, peguei-lhe na mão e apertei-a. Ele disse: "Há quanto tempo não sinto o calor de uma mão!" Compreendi que um gesto assim tão pequeno pode dar muita alegria.»
«Uma vez um mendigo veio ter comigo e disse-me: "Também eu gostaria de te dar alguma coisa como todos fazem." E ofereceu-me dez paisa (são dez cêntimos da rupia, nda). Eu sabia que se aceitasse ele não poderia comer; mas, se não aceitasse, ofendê-lo-ia. Aceitei e aquela oferta foi para mim mais rica de valor que o Prémio Nobel.»
Madre Teresa de Calcutá
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