Ser bondoso para contigo significa
olhares para ti com humanidade.
Ser bondoso significa sentires-te bem contigo próprio.
É reconhecer a criança ferida que existe em ti
e usares de misericórdia para com ela;
olhar para as próprias feridas com o olhar
compassivo do coração e agir com uma
dedicação sincera.
Não deves enfurecer-te com as tuas próprias fraquezas,
mas sim olhá-las com amor e aceitá-las.
Só um olhar carinhoso pode fazer com
que as nossas fraquezas se transformem.
Não dificultes a tua vida
ao levar demasiado a sério
aquilo que não te agrada em ti
e o que te aborrece nos outros.
Vive e deixa viver.
Vê para lá das coisas.
Sê criativo na forma como levas alegria
à vida das pessoas que vais encontrando.
As rosas que fazes florescer para os outros
não perfumam apenas a vida delas.
Também inebriam a tua.
Também enchem o teu coração de amor e alegria.
Sempre que te aproximas dos outros,
há algo em ti que se agita,
que te faz sentir livre e expansivo.
Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade"
" Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e, de tudo o que se deseja, nada se pode comparar com ela." - Provérbios 8.11
quarta-feira, 9 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
A VERDADEIRA ALEGRIA
«Cultivar a alegria não é tapar os olhos para não ver as coisas feias e os dissabores do mundo, não é cobrir a realidade com um véu cor-de-rosa para criar uma felicidade ilusória; pelo contrário, viver na alegria é viver na consciência extrema, testemunhando, na escuridão do mundo, que o nosso ser pertence a algo de diferente.
A alegria não é uma linguagem de palavras, é uma linguagem de olhares, a alegria não convence, contagia. A alegria é poderosamente subversiva, porque é subversivo o amor sem distinções que ela transmite.» -
Susanna Tamaro, Querida Mathilda
A alegria não é uma linguagem de palavras, é uma linguagem de olhares, a alegria não convence, contagia. A alegria é poderosamente subversiva, porque é subversivo o amor sem distinções que ela transmite.» -
Susanna Tamaro, Querida Mathilda
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Susanna Tamaro
sexta-feira, 4 de junho de 2010
OS LAÇOS FRÁGEIS DO AMOR

«A. e E. formavam um casal em que cada um, por lassidão ou desespero, tinha renunciado ao amor do outro. Não se tinham separado, haviam recomposto a sua ligação a um nível mais baixo, um gosto comum pelas viagens e antiguidades - laços decerto menos frágeis e dolorosos que a esperança infinita do amor -.
A vida passou desde aí a evitá-los, tal como a água de uma torrente contorna, sem cobrir, uma grande pedra que lhe fique a meio.»
Christian Bobin
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
UM MUNDO EM QUE NÃO ACREDITO
«Multiplico desde sempre artimanhas para não revelar a minha ausência de um mundo que se ocupa de assuntos e prazeres que nunca compreendi. Tento, por vezes, aprender essa língua estrangeira que quase todos falam. Apenas momentaneamente o consigo. Este sentimento do mundo é antigo. Vem sem dúvida da mais remota infância. Devo então ter-me recusado a aprender alguma coisa cuja aprendizagem é impossível mais tarde. Ignoro se é uma graça ou uma enfermidade. Sei apenas que me é impossível viver num mundo em que não acredito.»
Christian Bobin
Christian Bobin
segunda-feira, 31 de maio de 2010
ÁRVORES E LIVROS

«S., reputado pela profundidade dos seus livros, quando ia ao campo visitar amigos, pedia para se sentar numa das cadeiras de costas para janela: "Não suporto a visão de uma árvore", dizia, e estas palavras revelavam, melhor do que a leitura extenuante da sua obra, a doença que se alojava no seu espírito, como o verme na fruta.»
Christian Bobin
sexta-feira, 28 de maio de 2010
A VIDA É ESPANTOSA!

«Tem nove meses. Está sentado ao meu lado no carro que conduzo através de um campo inundado de sol. Enquanto tomo atenção à estrada, observo-o de vez em quando.Tem nos olhos a gravidade de um sábio. Estuda as luzes, as sombras e os laços dos sapatinhos, que agarrou. Por vezes um pensamento fá-lo franzir a testa.
Abrando um pouco, inclino-me para ele e digo-lhe a rir: "A vida é espantosa. Vamos todos morrer mas mesmo assim é fabulosa." Ele interrompe os estudos, fixa em mim os olhos negros como ameixas, sorri de lado e retoma os pensamentos profundos, imperturbável, majestoso.»
Abrando um pouco, inclino-me para ele e digo-lhe a rir: "A vida é espantosa. Vamos todos morrer mas mesmo assim é fabulosa." Ele interrompe os estudos, fixa em mim os olhos negros como ameixas, sorri de lado e retoma os pensamentos profundos, imperturbável, majestoso.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
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quarta-feira, 26 de maio de 2010
JULGAMENTO
Não julgues...
Habitas num recanto mínimo desta terra.
Os teus olhos chegam
Até onde alcançam muito pouco...
Ao pouco que ouves
Acrescentas a tua própria voz.
Mantém o bem e o mal, o branco e o negro,
Cuidadosamente separados.
Em vão traças uma linha
Para estabelecer um limite.
Se houver uma melodia escondida no teu interior,
Desperta-a quando percorreres o caminho.
Na canção não há argumento,
Nem o apelo do trabalho...
A quem lhe agradar responderá,
A quem lhe agradar não ficará impassível.
Que importa que uns homens sejam bons
E outros não o sejam?
São viajantes do mesmo caminho.
Não julgues,
Ah, o tempo voa
E toda a discussão é inútil.
Olha, as flores florescem à beira do bosque,
Trazendo uma mensagem do céu,
Porque é um amigo da terra;
Com as chuvas de Julho
A erva inunda a terra de verde,
e enche a sua taça até à borda.
Esquecendo a identidade,
Enche o teu coração de simples alegria.
Viajante,
Disperso ao longo do caminho,
O tesouro amontoa-se à medida que caminhas.
Rabindranath Tagore
Habitas num recanto mínimo desta terra.
Os teus olhos chegam
Até onde alcançam muito pouco...
Ao pouco que ouves
Acrescentas a tua própria voz.
Mantém o bem e o mal, o branco e o negro,
Cuidadosamente separados.
Em vão traças uma linha
Para estabelecer um limite.
Se houver uma melodia escondida no teu interior,
Desperta-a quando percorreres o caminho.
Na canção não há argumento,
Nem o apelo do trabalho...
A quem lhe agradar responderá,
A quem lhe agradar não ficará impassível.
Que importa que uns homens sejam bons
E outros não o sejam?
São viajantes do mesmo caminho.
Não julgues,
Ah, o tempo voa
E toda a discussão é inútil.
Olha, as flores florescem à beira do bosque,
Trazendo uma mensagem do céu,
Porque é um amigo da terra;
Com as chuvas de Julho
A erva inunda a terra de verde,
e enche a sua taça até à borda.
Esquecendo a identidade,
Enche o teu coração de simples alegria.
Viajante,
Disperso ao longo do caminho,
O tesouro amontoa-se à medida que caminhas.
Rabindranath Tagore
segunda-feira, 24 de maio de 2010
O LUGAR DO HOMEM
Perguntaram a um sábio:
- Nossos mestres sempre nos ensinaram que não há nada neste mundo que não tenha o seu respectivo lugar. Assim, também o homem tem o seu devido lugar. Por que razão, então, as pessoas se sentem tão oprimidas?
- Ora, simples : «porque cada um quer ocupar o lugar do outro», respondeu o sábio.
(Autor desconhecido)
- Nossos mestres sempre nos ensinaram que não há nada neste mundo que não tenha o seu respectivo lugar. Assim, também o homem tem o seu devido lugar. Por que razão, então, as pessoas se sentem tão oprimidas?
- Ora, simples : «porque cada um quer ocupar o lugar do outro», respondeu o sábio.
(Autor desconhecido)
sexta-feira, 21 de maio de 2010
AS PESSOAS SENSÍVEIS
As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão".
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.
Sophia de Mello Breyner Andresen
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão".
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.
Sophia de Mello Breyner Andresen
quarta-feira, 19 de maio de 2010
AMOR PACÍFICO E FECUNDO
Não quero amor
que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.
Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!
Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.
Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!
Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
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Rabindranath Tagore
segunda-feira, 17 de maio de 2010
À BELEZA
Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.
És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.
És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.
És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.
És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.
Miguel Torga, in 'Odes'
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.
És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.
És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.
És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.
És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.
Miguel Torga, in 'Odes'
sexta-feira, 14 de maio de 2010
A FÉ
"A fé torna-nos capazes de pensarmos como Deus, tanto no que respeita à nossa pessoa como a tudo aquilo com que contactamos.
Crer significa, portanto, sintonizar e identificar o nosso pensamento com o de Deus.
O mundo criado à nossa volta é como que a expressão de uma voz que nos fala. Se a nossa fé é fraca essa voz produz em nós a dispersão, afasta-nos de Deus e leva a centrarmo-nos em nós próprios. Mas, quando a fé cresce, dá-se o processo inverso: o mundo exterior começa a falar-nos de Deus, a atrair-nos para Ele, torna-se sinal da Sua presença. Além disso, ajuda-nos a entrar em contacto com Ele e transforma-se num lugar de encontro com Deus.
É a fé que te torna capaz de ultrapassar as aparências, de distinguir a causa primeira das causas segundas e de ver que aquilo que se passa em teu redor, não é fruto do poder dos homens.
A fé permite-te descobrir os sinais de Deus na Criação, oferece-te a possibilidade de acolheres os acontecimentos como expressão da Vontade de Deus e de os ver como uma passagem de Deus na tua vida"
Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a fé"
Crer significa, portanto, sintonizar e identificar o nosso pensamento com o de Deus.
O mundo criado à nossa volta é como que a expressão de uma voz que nos fala. Se a nossa fé é fraca essa voz produz em nós a dispersão, afasta-nos de Deus e leva a centrarmo-nos em nós próprios. Mas, quando a fé cresce, dá-se o processo inverso: o mundo exterior começa a falar-nos de Deus, a atrair-nos para Ele, torna-se sinal da Sua presença. Além disso, ajuda-nos a entrar em contacto com Ele e transforma-se num lugar de encontro com Deus.
É a fé que te torna capaz de ultrapassar as aparências, de distinguir a causa primeira das causas segundas e de ver que aquilo que se passa em teu redor, não é fruto do poder dos homens.
A fé permite-te descobrir os sinais de Deus na Criação, oferece-te a possibilidade de acolheres os acontecimentos como expressão da Vontade de Deus e de os ver como uma passagem de Deus na tua vida"
Tadeusz Dajczer, em "Meditações sobre a fé"
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Tadeusz Dajczer
quarta-feira, 12 de maio de 2010
SÓ NO AMOR
«Só no amor do outro como outro, na passagem da esfera inteira do eu para o tu, é que o homem se encontra no caminho que vai do homem à humanidade. (...)
O homem só se comprova, só chega a si mesmo no encontro; é no acontecimento dos olhos nos olhos que a verdade nasce, e que se revela espontaneamente, de modo livre, por graça, a profundidade do ser humano.»
Hans Urs von Balthasar, em "Só o Amor é Digno de Fé"
O homem só se comprova, só chega a si mesmo no encontro; é no acontecimento dos olhos nos olhos que a verdade nasce, e que se revela espontaneamente, de modo livre, por graça, a profundidade do ser humano.»
Hans Urs von Balthasar, em "Só o Amor é Digno de Fé"
segunda-feira, 10 de maio de 2010
O PERDÃO
«O perdão,
o acto de amar o inimigo,
assim como perdoar a si mesmo
não é um evento repentino,
uma mudança rápida de ânimo.
A maior parte do tempo é um processo longo,
que se inicia com o desejo de sermos livres,
de nos aceitarmos como somos
e de crescermos no amor por aqueles que são diferentes
e por aqueles que nos magoaram
ou aparecem como nossos rivais.
É o processo de sairmos da prisão das nossas simpatias e antipatias,
dos nossos ódios e medos,
e caminharmos para a liberdade e para a solidariedade.
No processo de libertação pode ainda haver inibições,
ressentimentos e raiva,
mas há também este desejo crescendo de ser livre.»
Jean Vanier
o acto de amar o inimigo,
assim como perdoar a si mesmo
não é um evento repentino,
uma mudança rápida de ânimo.
A maior parte do tempo é um processo longo,
que se inicia com o desejo de sermos livres,
de nos aceitarmos como somos
e de crescermos no amor por aqueles que são diferentes
e por aqueles que nos magoaram
ou aparecem como nossos rivais.
É o processo de sairmos da prisão das nossas simpatias e antipatias,
dos nossos ódios e medos,
e caminharmos para a liberdade e para a solidariedade.
No processo de libertação pode ainda haver inibições,
ressentimentos e raiva,
mas há também este desejo crescendo de ser livre.»
Jean Vanier
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Perdão
sexta-feira, 7 de maio de 2010
O SORRISO

«O sorriso é algo sagrado
como tudo o que responde com uma resposta
maior do que a questão.
Eu que sou um obstinado da solidão
Digo que o mais maravilhoso de tudo é o sorriso.
Este é uma das maiores subtilezas humanas.»
como tudo o que responde com uma resposta
maior do que a questão.
Eu que sou um obstinado da solidão
Digo que o mais maravilhoso de tudo é o sorriso.
Este é uma das maiores subtilezas humanas.»
Christian Bobin
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Christian Bobin
quarta-feira, 5 de maio de 2010
O ESPÍRITO DE AMOR
«Enquanto me dou conta que, de há dez anos, não fazia a mínima ideia de como as coisas me iriam acontecer, continuo, no entanto, a manter a ilusão de que tenho o controlo da minha própria vida. Gosto de decidir tudo à minha maneira, a próxima coisa que farei, o objectivo que quero atingir e imaginar o que os outros pensarão de mim.
Enquanto estou ocupado com a própria vida, torno-me insensível aos movimentos imperceptíveis do Espírito de Deus em mim, apontando-me para direcções bastante diferentes das minhas.
É necessária uma grande capacidade para criar silêncio, solidão interior e nos tornarmos conscientes destas inspirações divinas. Deus não grita nem empurra. O Espírito de Deus é calmo e sereno como uma voz suave ou uma ligeira brisa. É o espírito de amor.
Se calhar, ainda não acreditamos perfeitamente que o Espírito de Deus é, na verdade, o Espírito de amor que nos conduz cada vez mais profundamente para o amor.
Se calhar, ainda não confiamos no Espírito, com medo de sermos conduzidos para lugares que nos possam tirar a liberdade. Ou, quem sabe, ainda pensamos no Espírito de Deus como um inimigo que exige de nós algo que julgamos não ser bom para nós.
Mas Deus é amor, só amor, e o Espírito de Deus é o Espírito de Amor que anseia por nos guiar para lugares onde os desejos mais profundos do nosso coração podem ser satisfeitos.
Com frequência, nem sequer nós próprios sabemos qual é o nosso mais profundo anseio. Ficamos muito facilmente enredados pela nossa cobiça e raiva, partindo do pressuposto errado de que esses sentimentos nos comunicam o que realmente queremos.
O Espírito de amor diz: «Não tenhas receio de pôr de lado a necessidade que sentes de controlar a tua própria vida. Deixa-me preencher os verdadeiros desejos do teu coração.»
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
Enquanto estou ocupado com a própria vida, torno-me insensível aos movimentos imperceptíveis do Espírito de Deus em mim, apontando-me para direcções bastante diferentes das minhas.
É necessária uma grande capacidade para criar silêncio, solidão interior e nos tornarmos conscientes destas inspirações divinas. Deus não grita nem empurra. O Espírito de Deus é calmo e sereno como uma voz suave ou uma ligeira brisa. É o espírito de amor.
Se calhar, ainda não acreditamos perfeitamente que o Espírito de Deus é, na verdade, o Espírito de amor que nos conduz cada vez mais profundamente para o amor.
Se calhar, ainda não confiamos no Espírito, com medo de sermos conduzidos para lugares que nos possam tirar a liberdade. Ou, quem sabe, ainda pensamos no Espírito de Deus como um inimigo que exige de nós algo que julgamos não ser bom para nós.
Mas Deus é amor, só amor, e o Espírito de Deus é o Espírito de Amor que anseia por nos guiar para lugares onde os desejos mais profundos do nosso coração podem ser satisfeitos.
Com frequência, nem sequer nós próprios sabemos qual é o nosso mais profundo anseio. Ficamos muito facilmente enredados pela nossa cobiça e raiva, partindo do pressuposto errado de que esses sentimentos nos comunicam o que realmente queremos.
O Espírito de amor diz: «Não tenhas receio de pôr de lado a necessidade que sentes de controlar a tua própria vida. Deixa-me preencher os verdadeiros desejos do teu coração.»
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
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Henri Nouwen
segunda-feira, 3 de maio de 2010
MINIATURAS DE CRISTO
"...até que Cristo seja formado em vós" (Gálatas 4.19)
Ele age em nós de todas as maneiras. Mas, acima de tudo, ele age em nós por intermédio uns dos outros. Os homens são espelhos ou "transmissores" de Cristo para outros homens.
Geralmente são aqueles que conhecem a Cristo que o levam aos outros. É por isso que a Igreja, todo o conjunto de cristãos que revelam Cristo uns aos outros, é tão importante.
É muito fácil pensar que a Igreja tem muitos objectivos diferentes - educação, obras, missões, cultos... A Igreja não existe para outro propósito senão atrair os homens para Cristo, transformá-los em miniaturas de Cristo. Se ela não faz isso, então todas as Catedrais, todos os líderes, todas as missões, todos os sermões, a própria Bíblia - tudo não passa de perda de tempo. Deus não se tornou homem por outro motivo. E é até de duvidar, veja só, que todo o Universo tenha sido criado por qualquer outro motivo.»
C.S. Lewis
Ele age em nós de todas as maneiras. Mas, acima de tudo, ele age em nós por intermédio uns dos outros. Os homens são espelhos ou "transmissores" de Cristo para outros homens.
Geralmente são aqueles que conhecem a Cristo que o levam aos outros. É por isso que a Igreja, todo o conjunto de cristãos que revelam Cristo uns aos outros, é tão importante.
É muito fácil pensar que a Igreja tem muitos objectivos diferentes - educação, obras, missões, cultos... A Igreja não existe para outro propósito senão atrair os homens para Cristo, transformá-los em miniaturas de Cristo. Se ela não faz isso, então todas as Catedrais, todos os líderes, todas as missões, todos os sermões, a própria Bíblia - tudo não passa de perda de tempo. Deus não se tornou homem por outro motivo. E é até de duvidar, veja só, que todo o Universo tenha sido criado por qualquer outro motivo.»
C.S. Lewis
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C.S. Lewis
sexta-feira, 30 de abril de 2010
O AMOR DE SI
«O amor de si está para o amor de Deus
assim como o trigo ainda verde está para o trigo maduro.
Não há ruptura de um a outro - apenas um alargamento sem fim,
as águas caudalosas de uma alegria que,
depois de ter impregnado o coração,
transborda por todos os lados e recobre a terra inteira.
O amor de si nasce num coração infantil.
É um amor que brota naturalmente.
Vai da infância até Deus.
Vai da infância,
que é a nascente,
a Deus que é o oceano.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
assim como o trigo ainda verde está para o trigo maduro.
Não há ruptura de um a outro - apenas um alargamento sem fim,
as águas caudalosas de uma alegria que,
depois de ter impregnado o coração,
transborda por todos os lados e recobre a terra inteira.
O amor de si nasce num coração infantil.
É um amor que brota naturalmente.
Vai da infância até Deus.
Vai da infância,
que é a nascente,
a Deus que é o oceano.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
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Christian Bobin
quarta-feira, 28 de abril de 2010
PALAVRAS AUTÊNTICAS
«São muito poucas as palavras autênticas que se trocam todos os dias,
realmente muito poucas.
Talvez não nos apaixonemos
senão para finalmente começarmos a falar.
Talvez não se abra um livro
senão para finalmente começar a ouvir.»
Christian Bobin
realmente muito poucas.
Talvez não nos apaixonemos
senão para finalmente começarmos a falar.
Talvez não se abra um livro
senão para finalmente começar a ouvir.»
Christian Bobin
segunda-feira, 26 de abril de 2010
O MUNDO DO ESPÍRITO
«Serei rico de uma maneira muito diferente da tua.
Serei rico por tudo o que perderei.
O mundo do espírito não é algo distinto do mundo material.
O mundo do espírito não é mais do que o mundo material finalmente endireitado.
No mundo do espírito, é abrindo falência que se enriquece.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
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sexta-feira, 23 de abril de 2010
ANSEIO PELO TEU AMOR
«Jesus é Deus-para-nós, Deus-connosco, Deus-dentro-de-nós. Jesus é Deus a dar-se completamente, a derramar-se sem reservas para nós. Jesus não se retrai nem fica agarrado àquilo que lhe pertence. Ele dá tudo o que tem para dar. "Comei, bebei, isto é o meu corpo, isto é o meu sangue...isto sou Eu para vós!"
A palavra que melhor exprime o mistério do amor de autodoação total de Deus é «comunhão». É a palavra que contém a verdade de que, em Jesus e através de Jesus, Deus quer, não só ensinar-nos, instruir-nos ou inspirar-nos, mas fazer-se um connosco.
Deus deseja unir-se plenamente a nós de tal modo que todo o ser de Deus e todo o nosso ser possam unir-se num amor perdurável. Toda a longa história da relação de Deus com os seres humanos é uma história de comunhão cada vez mais profunda... é uma história em que Deus procura caminhos sempre novos para entrar em íntima comunhão com os que foram criados à imagem divina.
Dizia Agostinho: «A minha alma anda inquieta enquanto não repousar em vós, Senhor.» Ao examinar, porém, a tortuosa história da nossa salvação, apercebo-me que não somos só nós que ansiamos por pertencer a Deus: Deus também está ansioso por nos pertencer a nós. É como se Deus estivesse a clamar: «O meu coração anda inquieto enquanto eu não puder repousar em vós, minhas criaturas bem-amadas.»
Deus clama, pedindo para ser recebido por aqueles que lhe pertencem: «Eu criei-te, dei-te todo o meu amor, guiei-te, ofereci-te o meu apoio, prometi-te que se realizariam todos os anseios do teu coração: onde estás, qual é a tua resposta, onde está o teu amor? Eu não vou desistir, vou continuar a insistir. Um dia descobrirás como eu anseio pelo teu amor!»
Henri Nouwen, em "Não nos ardia o coração?"
A palavra que melhor exprime o mistério do amor de autodoação total de Deus é «comunhão». É a palavra que contém a verdade de que, em Jesus e através de Jesus, Deus quer, não só ensinar-nos, instruir-nos ou inspirar-nos, mas fazer-se um connosco.
Deus deseja unir-se plenamente a nós de tal modo que todo o ser de Deus e todo o nosso ser possam unir-se num amor perdurável. Toda a longa história da relação de Deus com os seres humanos é uma história de comunhão cada vez mais profunda... é uma história em que Deus procura caminhos sempre novos para entrar em íntima comunhão com os que foram criados à imagem divina.
Dizia Agostinho: «A minha alma anda inquieta enquanto não repousar em vós, Senhor.» Ao examinar, porém, a tortuosa história da nossa salvação, apercebo-me que não somos só nós que ansiamos por pertencer a Deus: Deus também está ansioso por nos pertencer a nós. É como se Deus estivesse a clamar: «O meu coração anda inquieto enquanto eu não puder repousar em vós, minhas criaturas bem-amadas.»
Deus clama, pedindo para ser recebido por aqueles que lhe pertencem: «Eu criei-te, dei-te todo o meu amor, guiei-te, ofereci-te o meu apoio, prometi-te que se realizariam todos os anseios do teu coração: onde estás, qual é a tua resposta, onde está o teu amor? Eu não vou desistir, vou continuar a insistir. Um dia descobrirás como eu anseio pelo teu amor!»
Henri Nouwen, em "Não nos ardia o coração?"
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
O MEU CORAÇÃO
«Eu perdi o meu coração no empoeirado caminho deste mundo;
Mas Tu o tomaste em Tuas mãos.
Eu buscava alegria e apenas colhi tristezas;
Mas a tristeza que me enviaste tornou-se alegria na minha vida.
Os meus desejos espalharam-se em mil pedaços;
Mas Tu os recolheste e reuniste em Teu amor.
E enquanto eu vagava de porta em porta,
Cada passo conduzia-me ao Teu portal.»
Rabindranath Tagore
Mas Tu o tomaste em Tuas mãos.
Eu buscava alegria e apenas colhi tristezas;
Mas a tristeza que me enviaste tornou-se alegria na minha vida.
Os meus desejos espalharam-se em mil pedaços;
Mas Tu os recolheste e reuniste em Teu amor.
E enquanto eu vagava de porta em porta,
Cada passo conduzia-me ao Teu portal.»
Rabindranath Tagore
segunda-feira, 19 de abril de 2010
CELESTE CÃO DE CAÇA
Dele fugi, noites e dias adentro;
Dele fugi, pelos arcos dos anos;
Dele fugi, pelos caminhos dos labirintos
De minha própria mente; e no meio de lágrimas
Dele me ocultei, e sob riso incessante.
Por sobre esperanças panorâmicas corri;
E lancei-me, precipitado,
Para baixo de titânicas trevas de temores abissais,
Para longe daqueles fortes Pés que seguiam,
Seguiam após mim.
Mas com desapressada perseguição,
E com inabalável ritmo,
Deliberada velocidade, majestosa urgência,
Eles marcavam os passos - e uma Voz insistia
Mais urgente que os Pés -"Tudo no mundo te atraiçoa quando tu me trais!...
Tudo foge de ti quando foges de Mim...
Ah, pobre cego e insensato!
Aquela treva que parecia envolver a tua vida
Nada mais era que a sombra de minhas mãos,
Estendidas para abraçar-te!
Francis Thompson
Dele fugi, pelos arcos dos anos;
Dele fugi, pelos caminhos dos labirintos
De minha própria mente; e no meio de lágrimas
Dele me ocultei, e sob riso incessante.
Por sobre esperanças panorâmicas corri;
E lancei-me, precipitado,
Para baixo de titânicas trevas de temores abissais,
Para longe daqueles fortes Pés que seguiam,
Seguiam após mim.
Mas com desapressada perseguição,
E com inabalável ritmo,
Deliberada velocidade, majestosa urgência,
Eles marcavam os passos - e uma Voz insistia
Mais urgente que os Pés -"Tudo no mundo te atraiçoa quando tu me trais!...
Tudo foge de ti quando foges de Mim...
Ah, pobre cego e insensato!
Aquela treva que parecia envolver a tua vida
Nada mais era que a sombra de minhas mãos,
Estendidas para abraçar-te!
Francis Thompson
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Deus
sexta-feira, 16 de abril de 2010
CAMINHO PARA O CORAÇÃO

«A vida hoje afastou-nos da natureza: as paisagens urbanas, com as suas florestas de betão, encerram a vida entre paredes eficazes, super-cómodas, é certo, mas o ar que respiramos por alguma razão se chama “ar condicionado”.
O que acredito é que precisamos de amplitude, de campos vastos a perder de vista, de viagens mais profundas que as da rotina. Precisamos perceber o silêncio das coisas, cúmplice do silêncio da nossa alma.
Precisamos da liberdade leve dessas horas inapreensíveis que passamos junto ao mar.
Há um poeta que diz: “Deus anda à beira d’água”. Não me admiro nada. A imensidão, o nome límpido, a alegria azul do mar são lugares onde Deus deixou o Seu toque.
Os caminhos marítimos para os outros continentes estão descobertos.
O que acredito é que precisamos de amplitude, de campos vastos a perder de vista, de viagens mais profundas que as da rotina. Precisamos perceber o silêncio das coisas, cúmplice do silêncio da nossa alma.
Precisamos da liberdade leve dessas horas inapreensíveis que passamos junto ao mar.
Há um poeta que diz: “Deus anda à beira d’água”. Não me admiro nada. A imensidão, o nome límpido, a alegria azul do mar são lugares onde Deus deixou o Seu toque.
Os caminhos marítimos para os outros continentes estão descobertos.
Falta, talvez, (re)descobrir o caminho marítimo para o porto secreto de cada coração.
José Tolentino Mendonça
José Tolentino Mendonça
quarta-feira, 14 de abril de 2010
AMOR INFINITO
O filósofo Jean Guitton, na sua obra "As minhas razões de crer", coloca uma questão pertinente: "Que se passaria em mim se a minha fé diminuísse e se desvanecesse; se, como dizem as pessoas, «perdesse a fé»? (...)
Jean Guitton afirma que o famoso padre jesuíta Teilhard Chardin colocou a si mesmo esta questão, e respondeu, «que se deixasse de crer em Deus, no Deus cristão, e mesmo em Deus pura e simplesmente, continuaria a crer no Mundo.»
Quanto a mim, se eu «perdesse a fé», estaria em plena sintonia com Jean Guitton, pois «seria no amor ou, para ser mais exacto, no que existe de absoluto no amor, que eu creria.»
Faço minhas suas palavras: «Se eu tivesse vergado sob o peso do desespero e privado de toda a esperança encontraria, nesta loucura possível do amor, força suficiente para dar ainda alguns passos na estrada da dor. Dito de outra forma, a ideia que me daria forças face à perda de tudo, seria a ideia de que existe talvez, algures, um ser capaz de amar com um amor infinito. E então, mesmo que esse ser fosse único, parece-me que valeria a pena o mundo ser aceite, e que teria uma razão de ser, e que o homem teria uma razão para viver e também para morrer.(...)
Também me revejo nas palavras do padre Valensin citado na referida obra de J. Guitton:
«Se na hora da minha morte visse claramente que me espera o nada e que todas as crenças estão repletas de ilusão, não lamentaria absolutamente nada ter-me enganado toda a vida e ter crido na verdade do cristianismo, pois era o amor infinito que estaria errado por não existir, e não eu por ter acreditado nele.»
Por fim, para melhor exprimir tudo o que tentou dizer sobre esta questão, Jean Guitton recorre às palavras de São João Maria Vianney, que dizia: «Se na hora da morte me aperceber de que Deus não existe, terei sido bem enganado, mas não lamentarei o facto de ter passado a vida inteira a crer no amor.»
Jean Guitton, em "As minhas razões de crer"
Jean Guitton afirma que o famoso padre jesuíta Teilhard Chardin colocou a si mesmo esta questão, e respondeu, «que se deixasse de crer em Deus, no Deus cristão, e mesmo em Deus pura e simplesmente, continuaria a crer no Mundo.»
Quanto a mim, se eu «perdesse a fé», estaria em plena sintonia com Jean Guitton, pois «seria no amor ou, para ser mais exacto, no que existe de absoluto no amor, que eu creria.»
Faço minhas suas palavras: «Se eu tivesse vergado sob o peso do desespero e privado de toda a esperança encontraria, nesta loucura possível do amor, força suficiente para dar ainda alguns passos na estrada da dor. Dito de outra forma, a ideia que me daria forças face à perda de tudo, seria a ideia de que existe talvez, algures, um ser capaz de amar com um amor infinito. E então, mesmo que esse ser fosse único, parece-me que valeria a pena o mundo ser aceite, e que teria uma razão de ser, e que o homem teria uma razão para viver e também para morrer.(...)
Também me revejo nas palavras do padre Valensin citado na referida obra de J. Guitton:
«Se na hora da minha morte visse claramente que me espera o nada e que todas as crenças estão repletas de ilusão, não lamentaria absolutamente nada ter-me enganado toda a vida e ter crido na verdade do cristianismo, pois era o amor infinito que estaria errado por não existir, e não eu por ter acreditado nele.»
Por fim, para melhor exprimir tudo o que tentou dizer sobre esta questão, Jean Guitton recorre às palavras de São João Maria Vianney, que dizia: «Se na hora da morte me aperceber de que Deus não existe, terei sido bem enganado, mas não lamentarei o facto de ter passado a vida inteira a crer no amor.»
Jean Guitton, em "As minhas razões de crer"
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Amor,
Jean Guitton
segunda-feira, 12 de abril de 2010
A AVENTURA DO AMOR DELICADO
Como Amor, tinha que respeitar e, de algum modo, depender da nossa liberdade e das nossas opções e escolhas.
Chama-nos, convida-nos, seduz-nos mas não violenta. Bate à porta (Ap 3, 20), mas aguarda, delicado, que Lhe demos licença para entrar.
Inspira-nos, ilumina-nos, mas deixa-nos livres para aderir, para responder.
O nosso Deus, o Pai do Céu, ensina-nos a divina delicadeza do amor.
Confia no homem, respeita a sua liberdade e sabe esperar.
Por delicadeza do amor, Deus não castiga, não fere, não magoa.
Está debruçado sobre nós, com amor, para nos abraçar na sua divina ternura, para nos repassar do seu carinho, para nos pegar no colo.
Cantemos a sinfonia do amor delicado do nosso Deus.
E aos poucos o nosso amor, o nosso coração, a nossa maneira de ser e agir será cada vez mais como a d`Ele, delicada, mansa, paciente, carinhosa, terna.
É que o cântico da sinfonia do amor delicado vai-nos transformando por um divino encanto.
E ficaremos mais semelhantes ao nosso Deus e nosso Pai.
Que bela aventura a do amor delicado...
Dário Pedroso s.j., em "Sinfonias do amor"
Chama-nos, convida-nos, seduz-nos mas não violenta. Bate à porta (Ap 3, 20), mas aguarda, delicado, que Lhe demos licença para entrar.
Inspira-nos, ilumina-nos, mas deixa-nos livres para aderir, para responder.
O nosso Deus, o Pai do Céu, ensina-nos a divina delicadeza do amor.
Confia no homem, respeita a sua liberdade e sabe esperar.
Por delicadeza do amor, Deus não castiga, não fere, não magoa.
Está debruçado sobre nós, com amor, para nos abraçar na sua divina ternura, para nos repassar do seu carinho, para nos pegar no colo.
Cantemos a sinfonia do amor delicado do nosso Deus.
E aos poucos o nosso amor, o nosso coração, a nossa maneira de ser e agir será cada vez mais como a d`Ele, delicada, mansa, paciente, carinhosa, terna.
É que o cântico da sinfonia do amor delicado vai-nos transformando por um divino encanto.
E ficaremos mais semelhantes ao nosso Deus e nosso Pai.
Que bela aventura a do amor delicado...
Dário Pedroso s.j., em "Sinfonias do amor"
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Dário Pedroso
sexta-feira, 9 de abril de 2010
DEUS É O QUE SABEM AS CRIANÇAS

«Há algo no mundo que resiste ao mundo,
e este algo não se acha nas igrejas nem nas culturas nem no pensamento
que os homens têm de si próprios,
na crença mortífera que eles têm de si próprios
enquanto seres sérios, adultos, razoáveis,
e este algo não é uma coisa, mas Deus,
e Deus não pode caber em nada sem logo o abalar, o arrasar,
e Deus imenso não sabe caber senão nos estribilhos de infância,
no sangue perdido dos pobres ou na voz dos simples,
e todos estes abarcam Deus no côncavo das suas mãos abertas,
um pardal encharcado como pão pela chuva,
um pardal transido, chilreador,
um Deus pipilante que vem comer nas suas mãos nuas.»
Deus é o que sabem as crianças, não os adultos.
Um adulto não pode perder tempo a alimentar os pardais.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
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Christian Bobin
quarta-feira, 7 de abril de 2010
O AMOR É PLENITUDE DA FALTA
Todo aquele que canta, arde na sua voz.
Todo aquele que ama, esgota-se no seu amor.
O canto é este abrasamento,
o amor é este cansaço.
Não vos vejo ardidos nem esgotados.
Esperais do amor que ele venha preencher-vos.
Mas o amor não preenche nada - nem o buraco que tendes na cabeça,
nem esse abismo que tendes no coração.
O amor é falta, muito mais do que plenitude.
O amor é plenitude da falta.
Concordo que se trata de algo incompreensível.
Mas o que é impossível de compreender é sumamente simples de viver.
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
sexta-feira, 2 de abril de 2010
REVOLUÇÃO COPERNICIANA
«Amar como um cristão significa tentar seguir este caminho: que não amamos apenas aquele que nos é simpático, que nos agrada, com quem temos afinidades, e não apenas aquele que tem algo para nos oferecer ou do qual esperamos poder vir a obter benefícios.
Amar de forma cristã, ou seja, amar como Cristo nos explicou o amor, significa sermos bondosos para aquele que precisa da nossa bondade, mesmo que não simpatizemos com ele.
Significa aventurarmo-nos pelo caminho de Jesus Cristo e, desse modo, fazer uma revolução coperniciana, por assim dizer, na nossa vida.
A verdade é que, de certa forma, ainda vivemos todos antes de Copérnico. Não só porque, regendo-nos pelas aparências, pensamos que o Sol nasce e se põe, e roda em torno da Terra, mas também porque existe um sentido mais profundo. Porque todos nós acalentamos aquela ilusão natural que nos leva, a cada um, a colocar o nosso Eu no centro de tudo, em torno do qual o mundo e os homens têm de girar.
Todos nós temos de redescobrir constantemente que só construímos e vemos as outras coisas e as outras pessoas em relação ao nosso próprio Eu, e que, ao mesmo tempo, as consideramos satélites que giram em torno do centro do nosso Eu.
À luz do que já foi dito, tornar-se cristão é pois algo de muito simples e, no entanto, de muito cataclísmico. É precisamente isso, fazermos uma revolução coperniciana na nossa vida e deixarmos de nos encarar como o centro do Universo, em torno do qual os outros têm de girar, porque, em vez disso, começámos a aceitar verdadeiramente que somos uma das muitas criaturas de Deus que, em conjunto, giram em torno do centro que é Deus.»
Joseph Ratzinger, em "Do sentido de ser cristão"
Amar de forma cristã, ou seja, amar como Cristo nos explicou o amor, significa sermos bondosos para aquele que precisa da nossa bondade, mesmo que não simpatizemos com ele.
Significa aventurarmo-nos pelo caminho de Jesus Cristo e, desse modo, fazer uma revolução coperniciana, por assim dizer, na nossa vida.
A verdade é que, de certa forma, ainda vivemos todos antes de Copérnico. Não só porque, regendo-nos pelas aparências, pensamos que o Sol nasce e se põe, e roda em torno da Terra, mas também porque existe um sentido mais profundo. Porque todos nós acalentamos aquela ilusão natural que nos leva, a cada um, a colocar o nosso Eu no centro de tudo, em torno do qual o mundo e os homens têm de girar.
Todos nós temos de redescobrir constantemente que só construímos e vemos as outras coisas e as outras pessoas em relação ao nosso próprio Eu, e que, ao mesmo tempo, as consideramos satélites que giram em torno do centro do nosso Eu.
À luz do que já foi dito, tornar-se cristão é pois algo de muito simples e, no entanto, de muito cataclísmico. É precisamente isso, fazermos uma revolução coperniciana na nossa vida e deixarmos de nos encarar como o centro do Universo, em torno do qual os outros têm de girar, porque, em vez disso, começámos a aceitar verdadeiramente que somos uma das muitas criaturas de Deus que, em conjunto, giram em torno do centro que é Deus.»
Joseph Ratzinger, em "Do sentido de ser cristão"
quarta-feira, 31 de março de 2010
O AMOR É O DESPERTAR!

O mundo quer o sono.
O mundo não é mais do que sono.
O mundo quer a repetição ensonada do mundo.
Mas o amor quer o despertar.
O amor é o despertar todas as vezes reinventado,
todas as vezes uma primeira vez.
Christian Bobin, em "Um Deus à flor da terra"
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segunda-feira, 29 de março de 2010
DISCRETOS MENSAGEIROS DIVINOS

«Um pardal fala: sou uma migalha de pão na barba de Cristo, um cisquinho da sua palavra, o bastante para alimentar o mundo até ao fim do mundo.
Um pintarroxo fala: sou uma nódoa de vinho na camisa de Cristo, uma gargalhada do seu riso no retorno da Primavera.
Uma cotovia fala: sou o último suspiro de Cristo, subo direita ao céu, bato com o bico no céu azul-claro, peço que me abram, levo no meu canto a terra inteira, peço, peço, peço.»
Um pintarroxo fala: sou uma nódoa de vinho na camisa de Cristo, uma gargalhada do seu riso no retorno da Primavera.
Uma cotovia fala: sou o último suspiro de Cristo, subo direita ao céu, bato com o bico no céu azul-claro, peço que me abram, levo no meu canto a terra inteira, peço, peço, peço.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
sexta-feira, 26 de março de 2010
A VIDA É BELA...
«A vida foi verdadeiramente feita para nos surpreender (e isso não nos espanta de maneira nenhuma)...
Que idade alguém deveria atingir para realmente admirar o bastante, para em nenhuma parte ficar aquém do mundo; mas quantas coisas ainda subestimamos, desprezamos, desconhecemos. Deus, quantas oportunidades e exemplos para nos tornarmos alguma coisa - e, em contrapartida, quanta indolência, dispersão e pouca vontade da nossa parte.»
Rainer Maria Rilke
Que idade alguém deveria atingir para realmente admirar o bastante, para em nenhuma parte ficar aquém do mundo; mas quantas coisas ainda subestimamos, desprezamos, desconhecemos. Deus, quantas oportunidades e exemplos para nos tornarmos alguma coisa - e, em contrapartida, quanta indolência, dispersão e pouca vontade da nossa parte.»
Rainer Maria Rilke
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Rainer Maria Rilke
quarta-feira, 24 de março de 2010
A FORÇA CRIADORA

«As pessoas sentem-se rejeitadas pela vida não exactamente por causa dos seus males, das circunstâncias em que vivem, nem sequer por causa das suas trevas, das suas ameaças ou dos seus horrores objectivos, mas porque estão separadas da sua força criadora e da sua significação.»
António Alçada Baptista
segunda-feira, 22 de março de 2010
PORTADOR DE FOGO
sexta-feira, 19 de março de 2010
ESTE É O MILAGRE!
«Este é o milagre que sempre ocorre aos que realmente estão amando: quanto mais dão, mais possuem desse amor delicioso e nutritivo do qual as flores e as crianças extraem a sua força e que poderia ajudar a todos se fosse aceite sem reservas.»
Rainer Maria Rilke
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Amor,
Rainer Maria Rilke
quarta-feira, 17 de março de 2010
SE QUISERMOS CONHECER UM HOMEM
«Se quisermos conhecer um homem, teremos de procurar Aquele para quem a sua vida está secretamente voltada, Aquele a quem, de preferência a qualquer outro, ele fala, mesmo quando aparentemente se dirige a nós.
Tudo depende desse outro que ele escolheu para si. Tudo depende daquele a quem se dirige em silêncio, para cuja consideração acumulou factos e provas, por amor do qual fez da sua vida o que ela é.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
Tudo depende desse outro que ele escolheu para si. Tudo depende daquele a quem se dirige em silêncio, para cuja consideração acumulou factos e provas, por amor do qual fez da sua vida o que ela é.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"
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segunda-feira, 15 de março de 2010
FIRMEZA

«A história de L. é uma das mais belas que conheço. É a história de uma mulher que toda a vida se obstinou em dizer "não"; que dirigia às pessoas, bem como aos seus actos, um olhar sem fraqueza, a fim de preservar um "sim" à vida quando esta, miraculosamente, se revelava tão pura como miosótis a iluminar o céu.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
sexta-feira, 12 de março de 2010
PLENITUDE INTERIOR - EM BUSCA DO ESSENCIAL
É a grande questão da nossa Vida. Como podemos encontrar a plenitude no nosso interior?
Os grandes temas existenciais não têm uma resposta óbvia, porque cada pessoa é uma história e um conjunto de circunstâncias. Acontecem-nos diariamente coisas que nos fazem repensar as nossas opções, momentos de confirmação e outros em que as nossas certezas mais profundas ficam abaladas.
A plenitude interior é uma questão de integração e unificação de todas as dimensões da nossa Vida. Corremos o risco de dividirmos a existência em vários sectores. O que mais nos desgasta é verificarmos que há campos na nossa Vida onde conseguimos fazer progressos e outros que parece que não saímos do mesmo. Ao mesmo tempo, vivemos muito dependentes dos factores externos, ou seja, o que acontece fora de nós, o que pensam e dizem de nós condiciona-nos de tal maneira que fazemos determinadas opções só porque é suposto, ou porque todos fazem assim, ou porque não faço mal a ninguém se fizer determinada coisa.
O grande segredo está em encontrarmos um espaço de verdade que seja o início e o fim da nossa existência. Estou plenamente convencido que as coisas mais importantes da vida se resumem a muito pouco. É uma espécie de luz interior que ilumina tudo, que faz olhar para tudo o que sou e o que me acontece com o olhar correcto. Chega uma altura em que percebemos na nossa Vida que o essencial é uma palavra só nossa, algo que não nos pode ser tirado e que nos desafia constantemente.
António Valério s.j. http://amar-tesomente.blogspot.com/2009/10/plenitude-interior.html
Os grandes temas existenciais não têm uma resposta óbvia, porque cada pessoa é uma história e um conjunto de circunstâncias. Acontecem-nos diariamente coisas que nos fazem repensar as nossas opções, momentos de confirmação e outros em que as nossas certezas mais profundas ficam abaladas.
A plenitude interior é uma questão de integração e unificação de todas as dimensões da nossa Vida. Corremos o risco de dividirmos a existência em vários sectores. O que mais nos desgasta é verificarmos que há campos na nossa Vida onde conseguimos fazer progressos e outros que parece que não saímos do mesmo. Ao mesmo tempo, vivemos muito dependentes dos factores externos, ou seja, o que acontece fora de nós, o que pensam e dizem de nós condiciona-nos de tal maneira que fazemos determinadas opções só porque é suposto, ou porque todos fazem assim, ou porque não faço mal a ninguém se fizer determinada coisa.
O grande segredo está em encontrarmos um espaço de verdade que seja o início e o fim da nossa existência. Estou plenamente convencido que as coisas mais importantes da vida se resumem a muito pouco. É uma espécie de luz interior que ilumina tudo, que faz olhar para tudo o que sou e o que me acontece com o olhar correcto. Chega uma altura em que percebemos na nossa Vida que o essencial é uma palavra só nossa, algo que não nos pode ser tirado e que nos desafia constantemente.
António Valério s.j. http://amar-tesomente.blogspot.com/2009/10/plenitude-interior.html
quarta-feira, 10 de março de 2010
RASCUNHO
«S. sofre da mania da perfeição. Pensa que tudo quanto faz é incompleto, mau, falhado. Desejaria que lhe dessem uma segunda vida como um bonito papel branco sobre o qual poderia copiar a primeira, retirando-lhe as nódoas e rasuras. Não vê que o rascunho é a própria vida.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
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segunda-feira, 8 de março de 2010
ESTRELAS VIRGENS

Olha as estrelas, mãe, conhece-las?
Elas nunca dormem e olham para baixo para a terra com olhos ansiosos.
Tal como eu que não tenho asas e não posso voar, e me sinto infeliz,
As estrelas também são infelizes porque não têm pés e não podem descer à terra.
Todas as manhãs desces até à curva do rio com
O cântaro no gancho do teu braço para ir buscar água;
As estrelas olham os seus reflexos na água e hora após hora pensam
como seriam felizes se tivessem sido donzelas aldeãs e pudessem
nadar no rio com os seus cântaros a flutuarem ao lado delas.
Rabindranath Tagore
sexta-feira, 5 de março de 2010
CAMINHO DA VIDA

«Hoje em dia, há um grande desejo de viver, sobretudo por parte dos jovens. Eles querem experimentar a vida a todo o custo. Mas, muitas vezes, confundem vida com vivência. Eles pensam que o recheio da vida está no facto de terem muitas vivências.
São Bento remete-nos para o Senhor que nos mostra o caminho da vida e o caminho para a vida. O evangelista Lucas descreveu Jesus como o líder e o instigador da vida. Ele precede-nos no caminho da vida. Se o seguirmos, experimentamos o que a vida é na realidade.
São Bento escolhe aqui, de novo, a palavra «dulcis = doce». Significa sempre a experiência interior, na tradição espiritual. A palavra do Senhor deixa-nos um gosto doce e agradável. Quem recebe em si a palavra de Deus, experimenta um novo sabor na vida. Tudo é doce.»
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
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quarta-feira, 3 de março de 2010
OS MAIORES ADVERSÁRIOS DE NÓS MESMOS
«Embora vivendo em Paris, onde ninguém pode viver, ouço o canto de um melro ao acordar, diz-me G.
A minha escolha, nesse instante, é a seguinte: começar o dia com essa cantata alada, ou premir o botão do transistor para ouvir as notícias do mundo que, no fundo, não são novas. A minha alegria e o meu coração inclinam-se para o melro e não sei que poder maior me faz carregar no botão do rádio. Estranho, acrescenta ele, sermos os maiores adversários de nós mesmos.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
A minha escolha, nesse instante, é a seguinte: começar o dia com essa cantata alada, ou premir o botão do transistor para ouvir as notícias do mundo que, no fundo, não são novas. A minha alegria e o meu coração inclinam-se para o melro e não sei que poder maior me faz carregar no botão do rádio. Estranho, acrescenta ele, sermos os maiores adversários de nós mesmos.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
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segunda-feira, 1 de março de 2010
VIDA

Não quero morrer neste mundo belo,
Mas viver no coração dos homens,
E encontrar sepultura no bosque florido,
Salpicado de sol.
O jogo dos fracassos da vida como ondas
Com as suas lágrimas e sorrisos,
Unindo-se e separando-se!
Encandeando
Alegrias e tristezas do homem,
Quero construir sobre esta terra
A minha casa eterna.
Farei florescer novas flores e canções
Para que as reúnas, amanhecer e escuridão.
Colhe-as a sorrir...
E quando murcharem
Espalha-as.
Rabindranath Tagore
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
CAMINHAR NA NATUREZA
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
O PRIMEIRO BEIJO

Para a minha doce amada...
O céu ficou silencioso e de olhos baixos,
Os pássaros calaram todos os seus cantos;
O vendo emudeceu; a música das águas acabou
De repente; o murmúrio da floresta
Morreu lentamente no coração da floresta.
Na margem deserta do rio tranquilo,
Nas sombras do anoitecer desceu silenciosamente
O horizonte sobre a terra muda.
Nesse momento no silencioso e solitário alpendre
Beijámo-nos pela primeira vez.
Nesse momento exacto, ao longe e perto
Repicaram os sinos e soaram os búzios
Nos templos dos deuses apelando ao culto.
Um estremecimento percorreu o infinito mundo das estrelas
E os nossos olhares encheram-se de lágrimas.
Rabindranath Tagore
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
PERGUNTA
Deus, mais uma vez ao longo dos tempos enviaste mensageiros
Para este impedioso mundo:
Eles disseram, «Perdoa a todos», e disseram, «Ama o próximo -
Liberta o seu coração do mal.»
Eles são venerados e lembrados, embora nestes obscuros dias
Os mandemos embora com insensíveis cumprimentos, para fora das
nossas casas.
E entretanto vejo dissimulados ódios assassinando os desamparados
sob a capa da noite;
E a Justiça a chorar silenciosamente, furtivamente, o abuso do poder,
Sem esperança de redenção.
Vejo jovens a trabalhar freneticamente,
Aflitos, batendo com a cabeça na pedra, inutilmente.
Hoje, a minha voz calou-se; não tenho música na minha flauta:
A negra noite sem lua
Encarcerou o meu mundo, mergulhando-o num pesadelo.
E é por isso que, com lágrimas nos olhos, pergunto:
A esses que enveneraram o teu ar, a esses que apagaram a tua luz,
Será que lhes perdoaste? Será que os amas?
Rabindranath Tagore
Para este impedioso mundo:
Eles disseram, «Perdoa a todos», e disseram, «Ama o próximo -
Liberta o seu coração do mal.»
Eles são venerados e lembrados, embora nestes obscuros dias
Os mandemos embora com insensíveis cumprimentos, para fora das
nossas casas.
E entretanto vejo dissimulados ódios assassinando os desamparados
sob a capa da noite;
E a Justiça a chorar silenciosamente, furtivamente, o abuso do poder,
Sem esperança de redenção.
Vejo jovens a trabalhar freneticamente,
Aflitos, batendo com a cabeça na pedra, inutilmente.
Hoje, a minha voz calou-se; não tenho música na minha flauta:
A negra noite sem lua
Encarcerou o meu mundo, mergulhando-o num pesadelo.
E é por isso que, com lágrimas nos olhos, pergunto:
A esses que enveneraram o teu ar, a esses que apagaram a tua luz,
Será que lhes perdoaste? Será que os amas?
Rabindranath Tagore
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
QUEM AMA
«Quem ama, fica mais simples, e sabe que as coisas são passageiras.
Quem ama sabe esperar e ser verdadeiro com os acontecimentos da alma e do corpo.
Amar é não ficar agarrado às coisas que passam,
é tomá-las como certeza de caminho percorrido e coragem de continuar.»
António Valério, s.j. (Visite: http://amar-tesomente.blogspot.com/)
Quem ama sabe esperar e ser verdadeiro com os acontecimentos da alma e do corpo.
Amar é não ficar agarrado às coisas que passam,
é tomá-las como certeza de caminho percorrido e coragem de continuar.»
António Valério, s.j. (Visite: http://amar-tesomente.blogspot.com/)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
APETECIA-ME POR VEZES...

«Apetecia-me por vezes entrar numa casa ao acaso, sentar-me na cozinha e perguntar aos habitantes de que têm medo, o que esperam e se compreendem alguma coisa da nossa presença comum sobre a terra. Fui suficientemente adestrado para reter esse impulso que, no entanto, me parece o mais natural do mundo.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
A TÍLIA

«A tília em frente da janela é o mestre que escolhi para escrever e sei de antemão que não poderei igualá-lo: nem mesmo os maiores escritores alguma vez escreveram com tanta graça como esta árvore inscreve delicadamente a luz e a sombra em cada uma das suas folhas e renova a sua inspiração a cada segundo.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
SOLIDÃO DERROTADA
«Julgo que o mais importante são as palavras. Quando se vive a solidão, sabe-se que, por causa duma palavra verdadeira, caem muitas vezes as muralhas que levantámos à volta das nossas almas. Uma palavra verdadeira pode ser um milagre: é a solidão derrotada.»
António Alçada Baptista, em "Tia Suzana, meu amor"
António Alçada Baptista, em "Tia Suzana, meu amor"
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
O LUGAR ONDE VIVEMOS
«Vivemos em cidades, em ofícios, em famílias.
Mas o lugar onde vivemos em verdade não é um lugar.
O lugar onde vivemos verdadeiramente não é aquele onde passamos os nossos dias,
mas aquele onde esperamos - sem conhecer o que esperamos -,
aquele onde cantamos - sem compreender o que nos faz cantar.»
Christian Bobin
Mas o lugar onde vivemos em verdade não é um lugar.
O lugar onde vivemos verdadeiramente não é aquele onde passamos os nossos dias,
mas aquele onde esperamos - sem conhecer o que esperamos -,
aquele onde cantamos - sem compreender o que nos faz cantar.»
Christian Bobin
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
A DOÇURA DE VIVER
«Quanto à doçura de viver, é imutável através dos séculos.
Ela é feita da calma de uma conversa,
do repouso de um corpo, de uma cor de um mês de Agosto.
É feita do pressentimento de que se viverá sempre,
no próprio instante em que se vive.
O amor de si é o primeiro estremecimento do Deus no rejúbilo de um coração.
A doçura de viver é a guarda avançada de uma vida eterna na vida de hoje.»
Christian Bobin
Ela é feita da calma de uma conversa,
do repouso de um corpo, de uma cor de um mês de Agosto.
É feita do pressentimento de que se viverá sempre,
no próprio instante em que se vive.
O amor de si é o primeiro estremecimento do Deus no rejúbilo de um coração.
A doçura de viver é a guarda avançada de uma vida eterna na vida de hoje.»
Christian Bobin
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
ALEGRIA

«Uma coisa sabemos: se a nossa alegria se funda no exterior, virá e partirá segundo os acontecimentos e as marés. Quando o exterior nos rasgar o vestido da alegria, lancemos os olhos para dentro, para o mais secreto paraíso que nos habita.» Henrique Manuel
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Alegria,
Henrique Manuel
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
AS MÃES

«Há a que vela pelo que ela ama - sem o impedir de seguir o seu caminho. E há a que se atormenta pelo que ela ama - tratando de lhe modificar o andamento. Há Marta e há Maria, as duas irmãs encontradas por Cristo ao passar. Marta preocupada com a ordem e a comida, rodopiando na sua cozinha, perdida num rumor de pratos e de água a ferver. E Maria, com o avental enrolado debaixo de um banco, Maria sentada no chão, as pernas metidas para dentro como as asas de um pássaro no instante do repouso, o rosto aberto, as mãos vazias, Maria preocupada com esse amor sem o qual toda a ordem é triste, toda a comida sensabor. Marta e Maria. A dispersada, a recolhida. A incessante e a apaziguada.
As mães são ambas, não raro ao mesmo tempo. A sua preocupação com o filho tanto as cega como as ilumina. Elas contemplam a carne da sua carne. Vêem o filho viver, mas nunca crescer. Vêem o filho na eternidade da sua idade, nunca vêem a passagem de uma idade a outra, de uma eternidade à seguinte. Um belo dia, elas voltam-se, miram cheias de espanto este mocetão que acaba de entrar em casa, este homem enleado na sua própria força - já não sabendo como pôde provir delas tanta força e falta de jeito, não compreendendo nada de nada: pois se o filho cresceu, o coração delas não envelheceu, ardendo como nas primeiras dores do parto...»
Christian Bobin, em "Um Deus á Flor da Terra"
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O AMOR E A VERDADE

«N. é decoradora de interiores numa cidade onde, para viver da sua arte, encontra bastantes pessoas ricas e tolas a ponto de não decidirem sozinhas o seu próprio gosto.
Decoradora é ela até à raiz dos cabelos. Cada um dos seus gestos é elegante, fala com linguagem cuidada, sem ostentação, da mesma forma que em sua casa cada "bibelot" está, milimetricamente, no exacto sítio onde deve estar para contribuir para a discreta harmonia do conjunto.
O seu coração, tal como a sua casa, estão arranjados de acordo com uma arte refinada e mesmo a desordem tem lugar previsto. Numa tal vida, a verdade e o amor, supondo que aí pudessem ter lugar, surgiriam como faltas de gosto imperdoáveis.»
Christian Bobin, em "Ressuscitar"
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
CASA RECÉM-CONSTRUÍDA
«O amor é sempre uma casa recém-construída. Um rendilhado de filigrana, uma flor de estufa. Uma fenda nessa construção tende a crescer e pelas frinchas da indiferença ou dessas discussões e egoísmos idiotas, pode vir abaixo a construção duma vida...
... Deus pode conceder-nos dádivas, mas o mérito de as receber e conservar tem de ser nosso e , muitas vezes, quanto mais felizes somos menos atenção prestamos à nossa felicidade."
Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."
... Deus pode conceder-nos dádivas, mas o mérito de as receber e conservar tem de ser nosso e , muitas vezes, quanto mais felizes somos menos atenção prestamos à nossa felicidade."
Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
MULHER INSPIRADORA

A todas as mulheres, mas especialmente aquela que amo
e com a qual partilho a vida...
«Mulher, não és só obra de Deus;
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.
Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.
Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.
Mulher, és meio mulher,
meio sonho.»
Rabindranath Tagore
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.
Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.
Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.
Mulher, és meio mulher,
meio sonho.»
Rabindranath Tagore
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
A PALAVRA

«Como a flor exala o seu perfume e o sol espalha o calor dos seus raios, assim nós temos necessidade de irradiar pelo gesto e, sobretudo, por esse dom maravilhoso que é a palavra.
A palavra só tem sentido na medida em que sai da boca de um homem para entrar no coração de outro e ali fazer brotar a vida.»
Jean Vanier, em "Novas perspectivas do amor"
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Jean Vanier
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
ESPÍRITO DE INFÂNCIA
"Amo-te e sinto-me desolado por te amar tão pouco, por te amar tão mal, por não saber amar-te."
Em realidade, quanto mais se acerca da luz, mais se descobre cheio de sombras. Quanto mais ama, mais se conhece indigno de amar. É que não há progresso em amor, não há perfeição que se possa um dia alcançar. Não há amor adulto, maduro e razoável.
Não há perante o amor nenhum adulto, apenas crianças, apenas este espírito de infância que é abandono, despreocupação, espírito da perda de espírito.
A idade adiciona. A experiência acumula. A razão constrói. O espírito de infância não conta nada, não amontoa nada, não edifica nada.
O espírito de infãncia é sempre novo, retorna sempre aos começos do mundo, aos primeiros passos do amor.
O homem de razão é um homem acumulado, amontoado, construído.
O homem de infância é o contrário de um homem adicionado sobre si mesmo: um homem retirado de si, renascendo em todo o nascimento de tudo. Um imbecil que joga à bola. Ou um santo que fala ao seu Deus. Ou ambas as coisas ao mesmo tempo.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra»
Em realidade, quanto mais se acerca da luz, mais se descobre cheio de sombras. Quanto mais ama, mais se conhece indigno de amar. É que não há progresso em amor, não há perfeição que se possa um dia alcançar. Não há amor adulto, maduro e razoável.
Não há perante o amor nenhum adulto, apenas crianças, apenas este espírito de infância que é abandono, despreocupação, espírito da perda de espírito.
A idade adiciona. A experiência acumula. A razão constrói. O espírito de infância não conta nada, não amontoa nada, não edifica nada.
O espírito de infãncia é sempre novo, retorna sempre aos começos do mundo, aos primeiros passos do amor.
O homem de razão é um homem acumulado, amontoado, construído.
O homem de infância é o contrário de um homem adicionado sobre si mesmo: um homem retirado de si, renascendo em todo o nascimento de tudo. Um imbecil que joga à bola. Ou um santo que fala ao seu Deus. Ou ambas as coisas ao mesmo tempo.»
Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra»
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
SOMOS PARTE DE UMA MELODIA
«Tem quase o significado de uma religião esta ideia: assim que tenhamos descoberto a música de fundo, não estaremos mais perplexos nas nossas palavras e vagos nas nossas resoluções? Há uma certeza despreocupada na simples convicção de ser parte de uma melodia e de, portanto, possuir legitimamente um determinado espaço para ter direito a um determinado dever em relação a uma obra ampla em que o mínimo vale tanto quanto o máximo.
Não ser excedente é a primeira condição do desenvolvimento consciente e sereno.»
Rainer Maria Rilke
Não ser excedente é a primeira condição do desenvolvimento consciente e sereno.»
Rainer Maria Rilke
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