quinta-feira, 18 de julho de 2013

HÁ MULHERES...




Há mulheres que trazem o mar nos olhos

Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma


Sophia de Mello Breyner Andresen


segunda-feira, 15 de julho de 2013

DESEJAS A FELICIDADE?



Desejas a felicidade? 

Vive plenamente segundo a lógica do amor.
Felizes aqueles que são e que amam!

sábado, 13 de julho de 2013

AO AMIGO, COM AFETO

Que a tua caminhada seja serena
como o ribeiro que se espreme entre rochas. 
Deixa-te evaporar no tempo como o hálito que manchou o espelho. 
Sê discreto como o sal que temperou a carne. 
Sê transparente como a luz que ilumina o céu.

Desejo que te mantenhas sensível em tuas decepções.
Deixa-te ferir com o sofrimento mais longínquo.
Considera a miséria um demônio;
a injustiça, uma deusa sanguinária
e a indiferença, um inferno.

Não te intimides em transformar-te em poeta.
Converte a tua dor em verso,
e que o teu cantarolar desafogue,
com beleza, a indignação que te abate.

Desobriga-te de suprir qualquer expectativa.
Não te sintas lisonjeado e nem te enganes com o aplauso da multidão.
A mão que te afaga hoje poderá apedrejar-te amanhã.

Que aprendas a bordar esperança na escuridão da madrugada
e que os anseios tecidos nas trevas virem ações no raiar do dia.
Guarda os teus sonhos para os amigos mais íntimos.
Para quê dizê-los a quem não respeitaria a imensidão de teu inconsciente?

Transita pela sombra.
Foge das luzes da ribalta.
Resguarda-te.
Se tens que seguir pela avenida, fá-lo com discrição.
Constrói-te em segredo.

Desejo que a tua espiritualidade seja suave como o balançar de uma folha na calmaria do outono;
e o teu silêncio, reverente como uma prece.
Torna-te um com o teu próximo para encontrares lugar na mesa do banquete universal.
Logo todos voltaremos ao mesmo nada que antecedeu o dia em que nascemos.
Que a tua memória seja doce no coração dos que te sobreviverem e eterna no coração de Deus.


Texto adaptado do "Ao amigo, com afeto" de Ricardo Gondim -http://www.ricardogondim.com.br/poemas/a-amigo-com-afeto/

sábado, 6 de julho de 2013

FERIDAS PATERNAS...FERIDAS MATERNAS


«Uma árvore só pode crescer e desenvolver uma copa quando tem raízes profundas. Os pais representam nossas raízes. Mesmo que nos tenham ferido, eles ainda constituem as raízes que nos nutrem. Por isso, faz pouco sentido que o filho corte fora as raízes da sua mãe. Ele ficaria sem raízes, e sua árvore secaria. Mas a árvore do filho não deve crescer junto com a da mãe. A simbiose com a mãe tiraria o espaço da sua árvore, de que ele precisa para se desenvolver. Só fica adulto quem pode se delimitar em relação à mãe, quem pode falar com ela sem se sentir dominado, quem pode lidar com ela sem se adaptar o tempo todo». 

Anselm Grün, em "O pequeno livro da verdadeira felicidade"

quinta-feira, 4 de julho de 2013

REDESCOBRIR O NÃO


«Palavra pequena, mas talvez seja a palavra mais necessária. É uma palavra não só para dizer com os lábios, mas para pronunciar com a vida.

Hoje em dia, há que redescobrir o valor do «não». Não a tanta coisa supérflua, não a tanta coisa violenta.

José Saramago anui: «A palavra mais necessária nos tempos em que vivemos é a palavra não. Não a muita coisa, não a uma quantidade de coisas que eu me dispenso de enumerar»

http://theosfera.blogs.sapo.pt/1904098.html

terça-feira, 2 de julho de 2013

A «MORTE» DA JANELA



Partilho uma pertinente e interessante reflexão sobre as mudanças que as novas e «velhas» tecnologias operam nas nossas vidas. 


«A tecnologia tem o raro sortilégio de operar mudanças e de nos arrastar por elas quase sem nos apercebermos.

Com os novos tempos, estamos perto do longe. Mas, em contrapartida, sentimo-nos cada vez mais longe do perto.

Substituímos a janela pelo ecrã. Já dizia Nélson Rodrigues, esse pronto-a-pensar insaciável, que «a televisão matou a janela».

É importante olhar o mundo. Mas é necessário não deixar de olhar para a rua, para o vizinho, para o rosto caído, para a lágrima furtiva, para o sorriso rasgado.

Quem está disposto a sentir em si a alma dos outros?
»

Fonte: http://theosfera.blogs.sapo.pt/1967146.html

sábado, 29 de junho de 2013

INFÂNCIA



e jogava o pião com Deus
enquanto minha mãe estendia roupa
e o meu pai mendigava o pão

e minha alegria nesse tempo
era muito próxima da dos meninos
e de Deus que ganhava sempre

e não sei quem perdi primeiro:
o pião ou Deus
apenas sei que Deus continua
a jogar com outros meninos

e que no Outono quando saio à praça
nos sentamos e falamos muito
do suave rodopiar das folhas


Daniel Faria
In “Oxalida”

quinta-feira, 27 de junho de 2013

OLHA PARA OS TEUS OLHOS...

"(...)A maldade turva o olhar, não o dos outros, mas o nosso. 
Não é preciso ter em conta as consequências, é no próprio fazer que a culpa se mede. 

Olha para os teus olhos antes de olhares para os dos outros. 
O que os teus olhos vêem vem da luz que tens em ti (...)"

Pedro Paixão, em "Vida de Adulto"

terça-feira, 25 de junho de 2013

A FORÇA DA REVOLUÇÃO


Não se caminha quando não se acredita.
Não se estende a mão quando não se ama.
Não se muda quando nada se espera.

André Malraux foi claro: «A força da revolução é a esperança».

Não precisa de disparar tiros nem de gritar frases fortes.
A maior revolução é feita de paciência.
Não cuida apenas dos resultados. Nunca descuida as raízes nem desperdiça os alicerces.
A revolução da esperança está em marcha. Embora não pareça. Sobretudo porque não parece.

O essencial não se vê. Mas o essencial está a emergir!

Fonte: http://theosfera.blogs.sapo.pt/1379225.html

domingo, 23 de junho de 2013

COM OS MEUS AMIGOS


Com os meus amigos aprendi que o que dói às aves
Não é o serem atingidas, mas que,
Uma vez atingidas,
O caçador não repare na sua queda

Daniel Faria

sábado, 15 de junho de 2013

O ESSENCIAL

«Se abolíssemos o que não é essencial das várias religiões - disse Kahil Gibran -, viveríamos em união e partilharíamos fraternalmente uma grande fé e religião».

E o que é essencial?
Silêncio e fraternidade.
Silêncio para acolher o grande murmúrio que Deus faz ecoar no mundo.
E fraternidade para estender a mão àqueles que vão caindo nas estradas do tempo.

Se ficássemos só com o essencial, perderíamos muito. Mas ganharíamos tudo.
A totalidade não está nas parcelas. Está na alma.

A fé não pode ser rígida como a morte. 
A fé só pode ser leve (e refrescante) como a vida!

A rigidez em nome de Deus acaba por constituir uma enorme malfeitoria ao próprio Deus.

Pretender impor um único caminho para chegar a Deus significa não perceber que Ele mesmo percorre muitos caminhos para chegar até nós.

Kahil Gibran percebeu tudo: «Deus fez a Verdade com muitas portas, para receber todos os que a elas baterem»!



quinta-feira, 13 de junho de 2013

Tiago Bettencourt - «Campo»



Quis agarrar a ti o mar 
Quis agarrar a ti o Sol 
Quis que o mar fosse maior 
Quis que o mar tocasse o Sol 
Quis que a luz entrasse em nós 
inundasse o lado frio 
Quis agarrar a tua mão 
e descer o nosso rio

Quero agarrar a ti o céu 
Quero agarrar a ti o chão 
Quero que a chuva molhe o campo 
e que o campo seja teu 
Para que eu cresça outra vez 
Quero agarrar a ti raiz 
Quero agarrar a ti o corpo 
E eu quero ser feliz...


Se tens medo da dor 
Vem ver o que é o amor 
Se não sabes curar 

Vem ser o que é amar

Quero ver-te amanhecer.

Quis agarrar a ti o barco 
Quis agarrar a ti os remos 
que usamos nas marés 
quando as ondas são de ferro 
Quero agarrar a ti a luta 
Quero agarrar a ti a guerra 
Quero agarrar a ti a praia 
e o sabor de chegar a terra

Porque o mar tocou no Sol 
Inundou o lado frio 
Porque o Sol ficou em nós 
e desceu o nosso rio 
Por isso dá-me a tua mão 
Não largues sem querer 
Quero agarrar a ti o mar 
eu quero é viver.

Se tens medo da dor 
Vem ver o que é o amor 
Se não sabes curar 
Vem ser o que é amar

Quero ver-te amanhecer.

terça-feira, 11 de junho de 2013

UM GESTO DE AMOR




“A doçura de um fruto diz da bondade da árvore que o dá.
Um gesto de Amor diz da grandeza de uma Vida. “ 


José Frazão Correia

domingo, 9 de junho de 2013

EU SEGURO



Samuel Úria & Márcia  
"Eu Seguro"

«Quando o tempo for remendo,
Cada passo um poço fundo
E esta cama em que dormimos
For muralha em que acordamos,
Eu seguro
E o meu braço estende a mão que embala o muro.

Quando o espanto for de medo,
O esperado for do mundo
E não for domado o espinho 
Da carne que partilhamos,
Eu seguro.
O sustento é forte quando o intento é puro.

Quando o tempo eu for remindo,
Cada poço eu for tapando
E esta pedra em que dormimos
Já for rocha em que assentamos,
Eu seguro.
Deixo às pedras esse coração tão duro.

Quando o medo for saindo
E do mundo eu for sarando
Dessa herança eu faço o manto 
Em que ambos cicatrizamos 
EU seguro.
Não receio o velho agravo que suturo. 

Abraços rotos, lassos,
Por onde escapam nossos votos.
Abraso os ramos secos, 
Afago, a fogo, os embaraços
E seguro,
Alastro essa chama a cada canto escuro.

Quando o tempo for recobro,
Cada passo abraço forte
E o voto que concordámos
É o amor em que acordamos,
Eu seguro:
Finco os dedos e este fruto está maduro.

Quando o espanto for em dobro,
o esperado mais que a morte,
Quando o espinho já sarámos
No corpo que partilhamos,
Eu seguro.
O que então nascer não será prematuro.

Uníssonos no sono,
O mesmo turno e o mesmo dono,
Um leito e nenhum trono.
Mesmo que brote o desabono
Eu seguro,
Que o presente é uma semente do futuro.»


quinta-feira, 6 de junho de 2013

A GRAÇA DE CONFIAR QUE SE É AMADO


«O que de mais elementar está em jogo, desde o início, é a graça de confiar que se é amado. E a perdição, a dúvida de o ser.» 

(José Frazão, em "A Fé vive de afeto")

terça-feira, 4 de junho de 2013



«Esta é uma das mais estúpidas filosofias de vida que eu jamais ouvi, e não obstante é aquela que conduz toda a nossa civilização: trata-se da ideia de que o objectivo da vida é obter coisas no futuro que ainda não se possui, em vez de desfrutar as coisas que já se tem no presente.» (Peter Kreeft)

domingo, 2 de junho de 2013



«O que se faz de grande faz-se em silêncio» (Erik Geijer)

«É no coração que todo o homem ri, sofre, se perde ou se descobre. 
É nele que tudo nasce ou morre. 
É por dentro de nós que partem todos os caminhos.» 

(Henrique Manuel, em "Mas há sinais")

domingo, 26 de maio de 2013

MORALISMOS

«Detesto o moralismo. Penso que o moralismo falseia o encontro connosco próprios e com a humanidade. O que acontece aos outros acontece a cada um de nós. Dizia o cristianíssimo Dostoievski: “Somos responsáveis por tudo perante todos.” 

O moralismo faz-nos criar os bodes expiatórios. O filósofo René Girard diz que a nossa sociedade tem um sistema vitimário. Colocamos num bode expiatório tudo o que não queremos ver em nós próprios. Então, como os antigos judeus faziam (colocavam num bode todos os pecados e mandavam-nos para o deserto), colocamos numa pessoa só (o maldito, o criminoso) todos os males, excluímos essa pessoa; e isso dá-nos um alívio muito grande. É o sistema do beco sem saída.» José Tolentino Mendonça

sábado, 25 de maio de 2013

ENQUANTO NÃO TIVER DADO A MINHA VIDA...


"Enquanto não tiver dado a minha vida, não poderei afirmar que os meus sonhos não se podem tornar realidade". Henri Le Boursicaud


Se desejarem conhecer um pouco da vida e obra do autor desta frase, podem visitar:

http://henrileboursicaud.blogspot.pt/


quarta-feira, 22 de maio de 2013

O AMOR É DE TODOS!



«Em qualquer cultura, língua, tradição ou religião, a Acção de quem ama é RevelAcção daquele Amor a quem alguns chamam "Deus". » 

Rui Santiago - https://twitter.com/ruisantiagocssr

domingo, 19 de maio de 2013

AS PESSOAS SENSÍVEIS



As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

“Ganharás o pão com o suor do teu rosto” Assim nos foi imposto
E não:
“Com o suor dos outros ganharás o pão”

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoais–lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 16 de maio de 2013

COISAS PEQUENAS




«Às vezes passam dias e dias e parece que nada acontece, ou que não somos visitados por nada, e isso tem a ver com o facto de não abrirmos o coração à música da alegria que nos visita.
Esperamos sempre Deus no máximo e esquecemo-nos de que ele nos visita no mínimo. Quando os monges budistas dizem que Deus está no grão de arroz, há nisso uma grande verdade. É no pequeno, até no insignificante, no mais quotidiano, que Deus nos visita» 

José Tolentino Mendonça

terça-feira, 14 de maio de 2013

A LUZ DO VERÃO




«Quem me dera voltar a ter os olhos dos meus cinco anos. 
A luz do Verão era tão grande – e agora é tão pequena. 
Cabe num bolso.» 

Gabriel Magalhães

sábado, 11 de maio de 2013

HÁ PESSOAS QUE NOS FAZEM VOAR



"Há pessoas que nos fazem voar. A gente se encontra com elas e leva um bruta susto. Primeiro, porque o vento começa a soprar dentro da gente, e lá, de cantos escondidos de nossas montanhas e florestas internas, aves selvagens começam a bater asas, e a gente não sabia que tais entidades mágicas moravam dentro de nós, e elas nos surpreendem, e nós nos descobrimos mais selvagens, mais bonitos, mais leves, com uma vontade incrível de subir até as alturas, saltando, saltando de penhascos, pendurados numa asa-delta (acho que o nome disso é fé…)"
Rubem Alves

quinta-feira, 9 de maio de 2013

HÁ QUEM DIGA




“Há quem diga:
a vida é um palito de fósforo
escasso demais
para o milagre do fogo" 

José Tolentino Mendonça

terça-feira, 7 de maio de 2013

CAMINHO DA INOCÊNCIA


«A inocência não é o estádio antes. Antes da vida, antes da cultura, antes das decisões fundamentais. A inocência é uma descoberta, é um caminho, é uma decisão.
Tem a ver com a possibilidade de permanecer com o espanto a vida inteira, e com uma simplicidade que nos desarma.


O segredo, o mistério está na infância. Que é como quem diz: está nessa dimensão silenciosa, submersa, escondida que nós trazemos.
A infância interessa-me não como um território que deixei, e a que só em memória posso regressar, mas como projeto.»

José Tolentino de Mendonça

domingo, 5 de maio de 2013

HOMENS



Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem

Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas

Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas

Homens que são como danos irreparáveis
Homens que são sobreviventes vivos
Homens que são como sítios desviados
Do lugar

Daniel Faria

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O CÉU



«A mais espantosa das surpresas que nos espera no céu será a de não encontramos lá nada de novo.(...) 
Estou convencido de que o céu consistirá em reviver, numa plenitude de luz, os maravilhosos instantes da nossa existência terrena.»

Louis Evely

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O DESENCANTO E O VAZIO



«O desencanto é mais temível do que o desespero. 
O desencanto é um encolhimento do espírito, 
uma doença das artérias da inteligência que, gradualmente, se vão obstruindo, não deixando passar a luz.» 

Christian Bobin


«O vazio apodera-se da alma das pessoas nas quais a tristeza cresce ao mesmo tempo que o poder. O vazio é o esquecimento da infância, da alegria e do amor. O vazio é um dono que obedece a um dono mais forte: a ambição, o dinheiro e o ressentimento.» 

Christian Bobin

segunda-feira, 29 de abril de 2013




Ele era um andarilho.

Ele tinha um olhar cheio de sol
de águas
de árvores
de aves.
Ao passar pela Aldeia
Ele sempre me pareceu a liberdade em trapos.
O silêncio honrava a sua vida.



Manoel de Barros.

sábado, 27 de abril de 2013

SOPRO DE CONFIANÇA




«Tal como a amendoeira começa a florir no alvor da Primavera, um sopro de confiança faz germinar os desertos do coração. (...)
É a flor que desabrocha de madrugada, quando é possível recomeçar sempre de novo, quando o sopro da confiança nos conduz pela senda de uma bondade serena.»


(Irmão Roger, de Taizé, em "Deus só pode Amar")

quinta-feira, 25 de abril de 2013

PENSAR SOBRE DEUS



«Faz tempo que, para pensar sobre Deus, 
não leio os teólogos,
leio os poetas.»

Rubem Alves

terça-feira, 23 de abril de 2013

MELODIA DA FELICIDADE



«Existe uma felicidade que só mora na beleza. 
E esta, a gente só encontra na melodia que soa, 
esquecida e reprimida no fundo da alma.»

Rubem Alves

sábado, 20 de abril de 2013

A BELEZA DA MÚSICA


«Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. 

A experiência da beleza tem de vir antes". 

Rubem Alves

quinta-feira, 18 de abril de 2013

É NA ESCUTA QUE O AMOR COMEÇA...



"A gente ama não é a pessoa que fala bonito. 
É a pessoa que escuta bonito. 
A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. 
É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. 

Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção."

"Buscamos, no outro, não a sabedoria do conselho, mas o silêncio da escuta; não a solidez do músculo, mas o colo que acolhe."

Rubem Alves

terça-feira, 16 de abril de 2013

QUE SEJA COMO DEUS QUER E SONHOU

Que não seja assim: Fazemos muito mal uns aos outros e depois um dia morremos.

Que seja assim: Amemo-nos uns aos outros com um amor mais forte que os egoísmos, as invejas, os interesses próprios, as impaciências, os ódios, as diferenças, os desentendimentos... 


Com um amor mais forte que a morte, pois, um dia, inevitavelmente, seremos "julgados" pelo Amor.
Se amarmos de verdade e sem medida, revestimo-nos a cada instante de eternidade.

domingo, 14 de abril de 2013

CREIO...


Creio que um dia a beleza, a ternura e a graciosidade triunfarão definitivamente sobre a força e a brutalidade.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

HÁ MOMENTOS...






"Há momentos em que me sinto um passarinho escondido numa grande mão protetora." 

Etty Hillesum

terça-feira, 9 de abril de 2013

PERMANECEMOS HUMANOS


"Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria." 

Rubem Alves

sábado, 6 de abril de 2013

NASCEMOS EM OUTRAS VIDAS



Uma certa tarde, o avô visitou a casa dos seus filhos, sentou-se na sala e ordenou que o neto saísse. Queria falar, a sós, com os pais da criança. E o velho deu entendimento: criancice é como amor, não se desempenha sozinha. Faltava aos pais serem filhos, juntarem-se miúdos com o miúdo. Faltava aceitarem despir a idade, desobedecer ao tempo, esquivar-se do corpo e do juízo. Esse é o milagre que um filho oferece - nascermos em outras vidas. E mais nada falou.

Mia Couto

domingo, 31 de março de 2013

RENASCER EM CRISTO



«Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. 
A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.» Gálatas 2:20

«Cada vez que somos capazes de romper com as nossas rotinas,
as nossas resignações, as nossas condescendências, as nossas alienações
em relação à ordem estabelecida ou à nossa individualidade acanhada. (...)
Cada vez que damos algo de novo à forma humana,
Cristo está vivo, a criação prossegue em nós, por nós, através de nós.
A Ressurreição realiza-se todos os dias

R. Garaudy

«O Ressuscitado pede-nos para renascer, todos os dias,
para nos distanciarmos do nosso pequeno e prepotente eu,
para fazermos viver em nós um Tu maior,
para morrermos para os nossos apegos, as nossas certezas,
para darmos lugar ao deserto e esperarmos pela chuva.
Pela água que desce do céu e faz florescer até a areia.»


Susanna Tamaro, em "O Fogo e o Vento"

sábado, 30 de março de 2013

É POSSÍVEL SER FELIZ SEM OS OUTROS?


«Para estarmos seguros de não ter falhado a nossa vida, bastam três coisas: em primeiro lugar, ver de que sofrem os outros; depois, porque sofrem os outros, e após tal olhar corajoso, saber ouvir o silêncio. O silêncio que pode fazer nascer em nós o pensamento: que significado tem ser feliz sem os outros?»

Abbé Pierre

quinta-feira, 28 de março de 2013

SER FELIZ...


"Ser Feliz é como fazer Amigos: acontece-nos quando andamos à procura de outras coisas, aparece-nos nas esquinas de uma vida a caminho."

Rui Santiago

terça-feira, 26 de março de 2013

LER COM OLHAR ATENTO


“[…]Falamos em ler e pensamos apenas nos livros. Mas a ideia de leitura aplica-se a um vasto universo. Nós lemos emoção nos rostos, lemos os sinais climáticos nas nuvens, lemos o chão, lemos o Mundo, lemos a Vida. Tudo pode ser página. Depende apenas da intenção de descoberta do nosso olhar.”

Mia Couto

domingo, 24 de março de 2013

SONHEMOS...

«Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. 
É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.»

- Dói-te alguma coisa?
- Dói-me a vida, doutor.
- E o que fazes quando te assaltam essas dores?
- O que melhor sei fazer, Excelência.
- E o que é?
- Sonhar.

Mia Couto

sexta-feira, 22 de março de 2013

A GRANDEZA DO SER HUMANO



"A grandeza do ser humano, a sua verdadeira riqueza, não está naquilo que se vê, mas naquilo que traz no coração. 
A grandeza do homem não lhe advém do lugar que ocupa na sociedade, nem do papel que nela desempenha, nem do seu êxito social. Tudo isso pode ser-lhe tirado de um dia para o outro. Tudo isso pode desaparecer num nada de tempo.
A grandeza do homem está naquilo que lhe resta precisamente quando tudo o que lhe dava algum brilho exterior, se apaga. E que lhe resta? Os seus recursos interiores e nada mais."

Diário de Etty Hillesum 1941-1943