Cada nota musical humana é única na sua melodia e beleza. Cada uma dá o seu contributo para a sinfonia da Vida.
«Os seres humanos formam como que uma grande orquestra, na qual todos contribuem para uma harmonia, e onde, por isso mesmo, todos são imprescindíveis, por mais pequeno que seja o contributo.» (Louis Evely)
«Só existe um inferno e talvez já o tenhas conhecido: é o lugar onde nada se espera, onde não se ama absolutamente ninguém e de ninguém se atende absolutamente nada, onde não se tem confiança em ninguém...»
«Ouvir é oferecer um ombro, onde o outro possa colocar a mão, para rapidamente se levantar. (...)
(...) «abre o ouvido do teu coração». Quer dizer: a escuta não se faz apenas com o ouvido exterior, mas com o sentido do coração. A escuta não é apenas a recolha do discurso verbal. Antes de tudo é atitude, é inclinar-se para o outro, é confiar-lhe a nossa atenção, é disponibilidade para acolher o dito e o não dito, o entusiasmo da história ou a sua dor mais ou menos ciciada, o sentimento de plenitude ou de frustração.»
José Tolentino Mendonça, em ""O Hipopótamo de Deus"
«(...) O mundo em que vivemos anda encantado pelo amor e sem esse encantamento não permaneceríamos nele nem um segundo. Somos atirados à nascença para um buraco onde, se não fosse a clarabóia do coração a dar para o céu, não poderíamos deixar de definhar. Nesta vida só o coração é real, então porque teimamos em sonhar com outras coisa? (...)
Deus passeava maravilhado nas palavras deles, como um camponês pelo seu campo. Se Deus não está nas nossas histórias de amor, então elas esmorecem, esboroam e desmoronam-se. Não é essencial que se fale de Deus. Nem sequer é indispensável que os que se amam conheçam o seu nome: basta que se tenham encontrado no céu, sobre a terra. (...)
Se já não respiramos no céu, então sufocamos no vazio: é tão simples como isto»
A solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio duma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz.
Mas, não guardemos esse desejo profundo para o futuro. Acredito que ser feliz, verdadeiramente feliz, implica uma adesão completa, atenta, profunda e cuidadosa ao momento presente.
E não esperemos crescer, não alimentemos o desejo de ser grandes... Façamo-nos pequenos, humildes, porque a verdadeira grandeza consiste em se dar e é maior quem se dá mais! (e esse é, também, o segredo de ser escandalosamente feliz).
Faço minhas as palavras de Adélia Prado: "Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande...". Como escreveu Rubem Alves, acredito que podemos adoecer de ser grandes, por isso, por vezes, "para se curar a "adultite", é preciso tomar chá de infância, virar criança de novo..."
«A vida no Espírito não pode ser emoldurada. É como um campo aberto que convida a ampliar o espaço interior. Quanto mais escavamos no nosso interior - espaço infinito de investigação - tanto mais crescemos em sensibilidade no olhar sobre as coisas mais simples e mais rotineiras do nosso quotidiano. Do homem novo nasce um olhar novo.» Carlos Maria Antunes, em "Só o Pobre se faz Pão"
«Quando contemplamos a beleza de uma árvore nem sempre nos lembramos que o seu segredo está guardado nas suas raízes. Tem uma história que a fez erguer-se, que a tornou majestosa, mas se permaneceu, se cresceu, se resistiu às intempéries da vida, é porque as suas raízes se foram aprofundando. Cresceu em altura, mas também cresceu em profundidade. Há um mistério oculto que acompanha a sua vida, e todas as vidas. O sentido sagrado da existência, vivida no quotidiano, advém daqui. Quanto mais nos adentramos nas nossas raízes tanto mais somos dom, beleza, vida para a vida do mundo.» Carlos Maria Antunes, em "Só o Pobre se faz Pão"
Uma fé adulta e madura implica uma confiança de menino, um espírito de infância capaz de mover as montanhas do medo, das falsas seguranças, das ilusões de poder e de autossuficiência.
«Talvez preferíssemos que a vida fosse uma espécie de piscina para crianças onde a água nos dá pela cintura e nunca perderíamos o pé. Já terá sido assim um dia, mas a vida está feita para ser vivida na liberdade e na confiança e isto não se ganha sem um belo de um mergulho (com chapa ou sem chapa) e depois, a esbracejar ou a nadar, avançamos por águas desconhecidas. Se se aprende a nadar, nadando; também não é menos verdade que só se aprende a viver, vivendo.»
Li e gostei de uma bela e profunda «explicação» da bondade num livro de Abbé Pierre dada por um velho monge indiano.
«O que é? Oh! Reparai numa mãe. O seu filho está a sofrer? Neste caso, ela não tem mais descanso; durante o dia, durante a noite, ela vai, ela luta, ela quer fazer tudo, até morrer ela própria, se for necessário, feliz até por morrer para que ele não sofra mais. Uma verdadeira mãe, isso é a bondade. Então, para sermos bons, lutemos por chegarmos a ser cada um como se fôssemos a mãe de todos os seres humanos que vivem nesta aldeia, na aldeia inteira da terra inteira.»
Abbé Pierre, em "Queria ser marinheiro, missionário ou vagabundo - Diário íntimo inédito"
«Só um coração iluminado pode reparar nas muitas flores que se encontram nos caminhos que percorremos todos os dias, porque um coração iluminado sabe, por experiência própria, que nos alicerces da alegria está o que é frágil, o que não conta, o que de algum modo é marginal, o que não é da ordem do necessário, mas do gratuito. Quando vivemos radicados no coração, os nossos dias tão iguais podem transformar-se na mais bela oração: «Vela com todo o cuidado sobre o teu coração, porque dele jorram as fontes da vida.» (Pr 4,23)
«Os magos vindos do Oriente- gentes vindas de outros mundos, estranhos para a terra de Israel – deixaram-se conduzir, na noite, por uma estrela. Leram os sinais e ousaram seguir-lhe o rasto. Possivelmente, já todos nós, por mais frágil quesintamos que é a nossa fé, experimentámos um dia o brilho intenso de uma estrela. Um brilho vislumbrado no segredo do coração. Não basta o cintilar dessa luz, é necessário abrir-se ao caminho. Diante dos sinais, somos convocados para avançar e a não ter medo dos passos incertos. Podemos ficar presos na nostalgia, também de Deus, só porque não arriscámos dar um passo».
Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez. Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos. Nascemos muitas vezes ao longo da infância quando os olhos se abrem em espanto e alegria. Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca. Nascemos na sementeira da vida adulta, entre invernos e primaveras maturando a misteriosa transformação que coloca na haste a flor e dentro da flor o perfume do fruto. Nascemos muitas vezes naquela idade onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se com laços interiores e caminhos adiados.
Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez. Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar. Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas. Nascemos na prece e no dom. Nascemos no perdão e no confronto. Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra. Nascemos na tarefa e na partilha. Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos. Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.
O que Jesus nos diz é: "Também tu podes nascer", pois nós nascemos, nascemos, nascemos.
Não recorras ao que já sabes do Natal, mas coloca-te à espera daquilo que de repente em teu coração se pode revelar Não reduzas o Natal ao enredo dos símbolos tornando-o um fragmento trémulo sem lugar no concreto da vida Não repitas apenas as frases que te sentes obrigado a dizer como se o Natal devesse preencher um vazio em vez de o desocultar
Não confundas os embrulhos com o dom nem a acumulação de coisas com a possibilidade da festa: o que recebes de graça só gratuitamente poderás partilhar
Cuida do exterior sabendo que ele é verdadeiro quando movido por uma alegria que vem de dentro
Uma só coisa merece ser buscada e celebrada, uma só: o despertar de uma Presença no fundo da alma
Por isso o Natal que é teu não te pertence Só a outro o poderás pedir.
«Não há nada mais Sagrado do que aquela espantosa Humanidade com que nós somos capazes de nos tocarmos uns aos outros... Não há nada mais Divino do que um Ser Humano a realizar o melhor das suas capacidades, depois de ter descoberto que somos o que amamos e levamos os traços fundamentais do nosso Rosto não na nossa cara mas nas palmas das nossas mãos e no tom das nossas palavras...»
«A humildade é viver a partir do que efetivamente somos e não das fantasias que continuamente criamos...
... O nosso Céu está na terra, na terra que somos, essa terra que tanto nos custa amar, tão só porque não corresponde às crenças que interiorizámos ao longo da vida. (...)Descer à terra, uma e outra vez, , acolher o contraditório, o sombrio, o que nos dói, sem desalento e com ternura. Sempre com ternura, porque a terra que somos é o nosso melhor tesouro. Quando abrimos assim o coração, caem os medos, a liberdade ganha outra amplitude, aprendemos a olhar os outros com compaixão e vamos experimentando que Deus vive e respira em nós». Carlos Maria Antunes, em "Só o Pobre se faz Pão"
«Se eu fosse morrer esta noite e me perguntassem o que me move mais neste mundo, eu talvez respondesse: o modo como Deus passa através dos nossos corações. Tudo é engolido pelo amor».
«As pessoas cuja a alma e a carne são feridos têm uma grandeza que jamais terão aquelas que vivem a sua vida em triunfo.»
Christian Bobin
"Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós. Não está apenas num de nós: está em todos nós. E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo. E conforme nos libertamos do nosso medo, a nossa presença, automaticamente, liberta os outros".
Como uma pequena lâmpada subsiste e marcha no vento, nestes dias, na vereda das noites, sob as pálpebras do tempo.
Caminhamos, um país sussurra, dificilmente nas calçadas, nos quartos, um país puro existe, homens escuros, uma sede que arfa, uma cor que desponta no muro, uma terra existe nesta terra, nós somos, existimos
Como uma pequena gota às vezes no vazio, como alguém só no mar, caminhando esquecidos, na miséria dos dias, nos degraus desconjuntados, subsiste uma palavra, uma sílaba de vento, uma pálida lâmpada ao fundo do corredor, uma frescura de nada, nos cabelos nos olhos, uma voz num portal e a manhã é de sol,
nós somos, existimos.
Uma pequena ponte, uma lâmpada, um punho, uma carta que segue, um bom dia que chega, hoje, amanhã, ainda, a vida continua, no silêncio, nas ruas, nos quartos, dia a dia, nas mãos que se dão, nos punhos torturados, nas frontes que persistem, nós somos, existimos.
«Dançaremos eternamente a música do amor com o jeito que aprendermos agora(...)
Quem opta pelo amor entra na dinâmica da criatividade. O amor é um apelo a responder de modo sempre novo e adequado, a fim de facilitara realização e a felicidade dos outros.(...)»
«A minha vida, a vida de cada um de nós, de cada ser humano, é uma imensa e extraordinária melodia que temos a oportunidade de executar. Quando desafinamos, o nosso coração logo nos diz que alguma nota está fora de tom. Corrigimos e continuamos a executar a melodia que, certamente, é um contributo para a beleza da criação». Graças a: https://www.facebook.com/graode.mostarda
«(...) Seduz-nos tanto o futuro programado e garantido, como se tudo dependesse de nós. E vamos dizendo: «mais vale um pássaro na mão do que dois a voar». O que não nos damos conta é que, ao não aceitar a provisoriedade própria da vida, nos fechamos à possibilidade do novo, do revelado, do inesperado. Cercamos a vida nos limites dos próprios «celeiros» que vamos construindo.(...)
Viver implica um grande desapego face à própria vida. Só se vive intensamente quando se está consciente que a qualquer momento podemos partir. Não podemos esquecer a nossa condição de peregrinos; e estes não constroem «celeiros», levam apenas uma pequena mochila com o mais essencial para a viagem».
Uma composição musical belíssima de um cantautor que admiro profundamente. Apreciem com o coração...
Across the oceans across the seas, Over forests of blackened trees. Through valleys so still we dare not breathe, To be by your side.
Over the shifting desert plains, Across mountains all in flames. Through howling winds and driving rains, To be by your side.
Every mile and every year, For everyone a little tear. I cannot explain this, dear, I will not even try.
Into the night as the stars collide, Across the borders that divide Forests of stone standing petrified, To be by your side.
Every mile and every year, For every one a single tear, I cannot explain this, dear, I will not even try.
For I know one thing, Love comes on a wing, For tonight I will be by your side, But tomorrow I will fly.
From the deepest ocean to the highest peak, Through the frontiers of your sleep. Into the valley where we dare not speak, To be by your side. Across the endless wilderness, Where all the beasts bow down their heads. Darling, I will never rest Till I am by your side.
Every mile and every year, Time and distance disappear I cannot explain this, dear no, I will not even try.
And I know just one thing, Love comes on a wing And tonight I will be by your side. But tomorrow I will fly away, Love rises with the day And tonight I may be by your side. But tomorrow I will fly, tomorrow I will fly, Tomorrow I will fly.
"A grandeza não consiste em se colocar acima e exigir, a grandeza não consiste em comandar, a grandeza, por ser grandeza, consiste em se dar e é maior quem se dá mais!".
«Há palavras que queimam como raios, correm como setas e magoam como pedras.
Faltam palavras que brilhem como estrelas. Que se destaquem pela subtileza e que primem pela claridade. Eram essas as palavras que usava o Padre António Vieira. Era assim que ele acolhia as palavras. «Como hão-de ser as palavras? Como as estrelas. As estrelas são muito distintas e muito claras. Assim há-de ser o estilo da pregação: muito distinto e muito claro».
"A fé nasce de um encontro, alimenta-se numa relação e culmina numa entrega. A fé parte da iniciativa de Deus e do acolhimento do homem. Trata-se, pois, de uma proposta e da consequente resposta. É por isso que a fé acaba por ter as feições de cada crente e a moldura do único Deus. A fé é o que, em nós, nos permite ir (muito) além de nós!" Fonte: http://theosfera.blogs.sapo.pt/1694840.html
Afinal, que levaremos connosco quando partirmos? O que conquistámos? O que acumulámos? O que amealhámos? Saadi Muslah-Al-Din tinha uma certeza: «Quando morreres, só levarás aquilo que tiveres dado». A nossa dádiva será o nosso rasto, o nosso lastro. O que tivermos dado na vida de alguém ajudará que a nossa marca se prolongue.Só quem vive para dar, dará motivos para viver. E para nunca deixar de sobreviver! Fonte: http://theosfera.blogs.sapo.pt/2089307.html
“Não temos que perguntar como
produzir o amor em nós. Ele está em nós, do nascimento à morte, imperioso como
uma fome e nós devemos somente saber como conduzi-lo”
“Cada um tem uma vocação de amor
particular. O amor não é uniforme, cada um o encarna à sua maneira, nas
condições determinadas da sua vida pessoal. A vida não possui um sentido único,
geral e válido para todo mundo. Não existe receita. O amor é sempre uma aposta
pessoal”