«Enquanto me dou conta que, de há dez anos, não fazia a mínima ideia de como as coisas me iriam acontecer, continuo, no entanto, a manter a ilusão de que tenho o controlo da minha própria vida. Gosto de decidir tudo à minha maneira, a próxima coisa que farei, o objectivo que quero atingir e imaginar o que os outros pensarão de mim.
Enquanto estou ocupado com a própria vida, torno-me insensível aos movimentos imperceptíveis do Espírito de Deus em mim, apontando-me para direcções bastante diferentes das minhas.
É necessária uma grande capacidade para criar silêncio, solidão interior e nos tornarmos conscientes destas inspirações divinas. Deus não grita nem empurra. O Espírito de Deus é calmo e sereno como uma voz suave ou uma ligeira brisa. É o espírito de amor.
Se calhar, ainda não acreditamos perfeitamente que o Espírito de Deus é, na verdade, o Espírito de amor que nos conduz cada vez mais profundamente para o amor.
Se calhar, ainda não confiamos no Espírito, com medo de sermos conduzidos para lugares que nos possam tirar a liberdade. Ou, quem sabe, ainda pensamos no Espírito de Deus como um inimigo que exige de nós algo que julgamos não ser bom para nós.
Mas Deus é amor, só amor, e o Espírito de Deus é o Espírito de Amor que anseia por nos guiar para lugares onde os desejos mais profundos do nosso coração podem ser satisfeitos.
Com frequência, nem sequer nós próprios sabemos qual é o nosso mais profundo anseio. Ficamos muito facilmente enredados pela nossa cobiça e raiva, partindo do pressuposto errado de que esses sentimentos nos comunicam o que realmente queremos.
O Espírito de amor diz: «Não tenhas receio de pôr de lado a necessidade que sentes de controlar a tua própria vida. Deixa-me preencher os verdadeiros desejos do teu coração.»
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
" Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e, de tudo o que se deseja, nada se pode comparar com ela." - Provérbios 8.11
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quarta-feira, 5 de maio de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
ANSEIO PELO TEU AMOR
«Jesus é Deus-para-nós, Deus-connosco, Deus-dentro-de-nós. Jesus é Deus a dar-se completamente, a derramar-se sem reservas para nós. Jesus não se retrai nem fica agarrado àquilo que lhe pertence. Ele dá tudo o que tem para dar. "Comei, bebei, isto é o meu corpo, isto é o meu sangue...isto sou Eu para vós!"
A palavra que melhor exprime o mistério do amor de autodoação total de Deus é «comunhão». É a palavra que contém a verdade de que, em Jesus e através de Jesus, Deus quer, não só ensinar-nos, instruir-nos ou inspirar-nos, mas fazer-se um connosco.
Deus deseja unir-se plenamente a nós de tal modo que todo o ser de Deus e todo o nosso ser possam unir-se num amor perdurável. Toda a longa história da relação de Deus com os seres humanos é uma história de comunhão cada vez mais profunda... é uma história em que Deus procura caminhos sempre novos para entrar em íntima comunhão com os que foram criados à imagem divina.
Dizia Agostinho: «A minha alma anda inquieta enquanto não repousar em vós, Senhor.» Ao examinar, porém, a tortuosa história da nossa salvação, apercebo-me que não somos só nós que ansiamos por pertencer a Deus: Deus também está ansioso por nos pertencer a nós. É como se Deus estivesse a clamar: «O meu coração anda inquieto enquanto eu não puder repousar em vós, minhas criaturas bem-amadas.»
Deus clama, pedindo para ser recebido por aqueles que lhe pertencem: «Eu criei-te, dei-te todo o meu amor, guiei-te, ofereci-te o meu apoio, prometi-te que se realizariam todos os anseios do teu coração: onde estás, qual é a tua resposta, onde está o teu amor? Eu não vou desistir, vou continuar a insistir. Um dia descobrirás como eu anseio pelo teu amor!»
Henri Nouwen, em "Não nos ardia o coração?"
A palavra que melhor exprime o mistério do amor de autodoação total de Deus é «comunhão». É a palavra que contém a verdade de que, em Jesus e através de Jesus, Deus quer, não só ensinar-nos, instruir-nos ou inspirar-nos, mas fazer-se um connosco.
Deus deseja unir-se plenamente a nós de tal modo que todo o ser de Deus e todo o nosso ser possam unir-se num amor perdurável. Toda a longa história da relação de Deus com os seres humanos é uma história de comunhão cada vez mais profunda... é uma história em que Deus procura caminhos sempre novos para entrar em íntima comunhão com os que foram criados à imagem divina.
Dizia Agostinho: «A minha alma anda inquieta enquanto não repousar em vós, Senhor.» Ao examinar, porém, a tortuosa história da nossa salvação, apercebo-me que não somos só nós que ansiamos por pertencer a Deus: Deus também está ansioso por nos pertencer a nós. É como se Deus estivesse a clamar: «O meu coração anda inquieto enquanto eu não puder repousar em vós, minhas criaturas bem-amadas.»
Deus clama, pedindo para ser recebido por aqueles que lhe pertencem: «Eu criei-te, dei-te todo o meu amor, guiei-te, ofereci-te o meu apoio, prometi-te que se realizariam todos os anseios do teu coração: onde estás, qual é a tua resposta, onde está o teu amor? Eu não vou desistir, vou continuar a insistir. Um dia descobrirás como eu anseio pelo teu amor!»
Henri Nouwen, em "Não nos ardia o coração?"
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
ESPERAR PARA REAGIR
"Escolher a vida, em vez da morte, muitas vezes exige um acto de vontade que contradiz nossos impulsos. Nossos impulsos querem vingança, enquanto nossa vontade quer oferecer perdão. Nossos impulsos nos empurram para uma reacção imediata: quando alguém nos bate na face, impulsivamente queremos revidar.
Como podemos deixar nossa vontade dominar nossos impulsos? A palavra-chave é espera. Independentemente do que aconteça, temos de colocar algum espaço entre o acto agressivo dirigido a nós e nossa reacção. Devemos nos distanciar, ter algum tempo para pensar, discutir com amigos e esperar até que estejamos prontos para reagir de uma forma vivificante. Reacções impulsivas pemitem que o mal nos vença, algo de que sempre nos arrependemos. Mas ponderar para reagir nos ajudará a vencer "o mal por meio do bem" (Rm 12,21)."
Henri J. M. Nouwen, em "Pão para o caminho"
Como podemos deixar nossa vontade dominar nossos impulsos? A palavra-chave é espera. Independentemente do que aconteça, temos de colocar algum espaço entre o acto agressivo dirigido a nós e nossa reacção. Devemos nos distanciar, ter algum tempo para pensar, discutir com amigos e esperar até que estejamos prontos para reagir de uma forma vivificante. Reacções impulsivas pemitem que o mal nos vença, algo de que sempre nos arrependemos. Mas ponderar para reagir nos ajudará a vencer "o mal por meio do bem" (Rm 12,21)."
Henri J. M. Nouwen, em "Pão para o caminho"
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
REGRESSA!
«Deus não exige um coração puro antes de nos abraçar.Mesmo que regressemos apenas porque o seguimento dos nossos desejos não nos trouxe felicidade, Deus aceita-nos na mesma.
Mesmo que regressemos porque ser cristão nos proporciona mais paz do que ser pagão, Deus receber-nos-á.
Mesmo que regressemos porque os nossos pecados não nos deram tanta satisfação como esperávamos, Deus recebe-nos de novo.
Mesmo que regressemos por termos descoberto que não somos capazes de caminhar sozinhos, Deus receber-nos-á.
O amor de Deus não pretende saber porque regressamos.
Deus fica contente por nos ver voltar para casa e apressa-se a dar-nos tudo o que queremos, simplesmente por estarmos em casa.
Porquê protelar?
Deus mantém-se de braços abertos à espera de me abraçar.
Ele não fará perguntas sobre o meu passado.
O que Ele deseja é o meu regresso.»
(Henri Nouwen, em "A Caminho de Daybreak)
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Como as criancinhas

"Ás vezes, em sonho triste
nos meus desejos existe
longinquamente um país
onde ser feliz consiste
apenas em ser feliz. " - Fernando Pessoa
«As crianças a brincar juntas mostram-nos a alegria de estarem juntas, assim..., nem mais nem menos. Um dia, quando eu estava muito ocupado a entrevistar uma artista que admirava bastante, a sua filhinha de cinco anos disse-me: «Fiz um bolo de aniversário com areia. Agora tem de vir e fingir que o está a comer e que gosta dele. Vai ser divertido!» A mãe sorriu e disse-me: «É melhor você brincar com ela antes de falar comigo. Talvez ela tenha mais a ensinar-lhe do que eu.»
A alegria simples e directa duma criança recorda-nos que Deus se manifesta nos lugares onde há sorrisos e até risadas. Os sorrisos e as risadas abrem as portas do reino. Eis por que Jesus faz um apelo a que nós sejamos como crianças.» - Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
domingo, 13 de abril de 2008
Surpreendidos pela Alegria

«Nós somos surpreendidos pela alegria ou pela tristeza?
O grande desafio da fé é sermos surpreendidos pela alegria. Recordo-me duma vez em que estava sentado à mesa de jantar com alguns amigos a discutir sobre a depressão económica do país. Continuávamos a amontoar estatísticas que nos convenciam cada vez mais de que as coisas não podiam senão piorar. Então, de repente, o filho de quatro anos dum dos meus amigos abriu a porta, correu para o pai e disse-lhe: «Olha, pai! Olha! Encontrei um gatinho no jardim... Olha!... Não é giro?» E, enquanto mostrava o gatinho ao pai, o menino acariciava-o com as mãos e apertava-o contra a face. Tudo mudou de repente. O miúdo e o gatinho tornaram-se o centro das atenções. Houve sorrisos, carícias e muitas palavras de ternura. Enfim, fomos surpreendidos pela alegria!
Deus fez-Se um menino no meio dum mundo violento. Seremos nós surpreendidos pela alegria ou contiuamos a dizer: «Sim, é bonito e terno, mas a realidade é diferente?» E que tal se a criança nos revelasse aquilo que, efectivamente, é a realidade?» - Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"
quinta-feira, 3 de abril de 2008
O Amor de Deus

«Não é possível entrar em competição para ver quem é que ganha o amor de Deus. O amor de Deus é um amor que abraça a todos - cada um na sua própria unicidade. Só quando reivindicamos o nosso lugar no amor de Deus é que podemos experimentar o abraço total desse mesmo e incomparável amor e sentirmo-nos em segurança, não só em relação a Deus mas também em relação a todos os irmãos e irmãs. »
Henri Nouwen, em "Viver é Ser Amado"
terça-feira, 25 de março de 2008
A Vida é...
"A vida é uma oportunidade dada por Deus para nos tornarmos quem somos, para afirmarmos a nossa própria e autêntica natureza espiritual. (...)
O mistério insondável de Deus é que Ele é um Enamorado que quer ser amado. Aquele que nos criou está à espera da nossa resposta ao amor que nos deu o ser. "
O mistério insondável de Deus é que Ele é um Enamorado que quer ser amado. Aquele que nos criou está à espera da nossa resposta ao amor que nos deu o ser. "
Henri Nouwen, em "Viver é Ser Amado"
sexta-feira, 14 de março de 2008
Alegria de dar
«A nossa humanidade atinge a sua expressão mais alta no acto de dar.(...)
É triste constatar como, num mundo altamente competitivo e ávido de sucesso, perdemos o contacto com a alegria de dar. Com frequência vivemos até como se a nossa felicidade dependesse de ter. Mas o que acontece é que eu não conheço ninguém que seja realmente feliz pelo que tem. A alegria autêntica, a felicidade e a paz interior, provêm da capacidade de nos doarmos aos outros. Uma vida feliz é uma vida pelos outros. (...)»
É triste constatar como, num mundo altamente competitivo e ávido de sucesso, perdemos o contacto com a alegria de dar. Com frequência vivemos até como se a nossa felicidade dependesse de ter. Mas o que acontece é que eu não conheço ninguém que seja realmente feliz pelo que tem. A alegria autêntica, a felicidade e a paz interior, provêm da capacidade de nos doarmos aos outros. Uma vida feliz é uma vida pelos outros. (...)»
Henri Nouwen, em "Viver é Ser Amado"
Convido-vos a ler (com atenção) e a reflectir (com profundidade) na seguinte parábola: Mar da Galileia/ Mar Morto (clicar)
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Ama em profundidade
Não hesites em amar e amar profundamente. Talvez receies o sofrimento que o amor profundo pode causar. Quando aqueles que amas profundamente te rejeitam, abandonam ou morrem ficas com o coração despedaçado. Mas que isso não te impeça de amar em profundidade. O sofrimento que provém do amor profundo torna o teu amor ainda mais profícuo. É como uma charrua que rasga o solo para permitir à semente ganhar raízes e tornar-se numa planta forte. Sempre que experimentas a dor da rejeição, da ausência ou da morte, enfrentas uma escolha. Podes tornar-te amargo e decidir não amar de novo ou podes enfrentar a tua dor com bravura e deixar que o solo em que permaneces enriqueça e seja capaz de dar mais vida a novas sementes.
Quanto mais tiveres amado e permitido a ti próprio sofrer por esse amor, tanto mais capaz serás de deixar o teu coração alargar-se e aprofundar-se. Quando o teu amor é verdadeiramente generoso e receptivo, aqueles que amas não deixarão o teu coração mesmo quando se afastam de ti. Tornar-se-ão parte de ti, construindo então uma comunidade dentro de ti.
Os que amaste profundamente tornar-se-ão parte de ti. Quanto mais longa for a tua vida tantas mais pessoas terás para amar e para fazer parte da tua comunidade interior. Quanto mais vasta se tornar a tua comunidade interior tanto mais fácil será reconheceres os teus próprios irmãos e irmãs entre os desconhecidos que te rodeiam. Os que estão vivos dentro de ti reconhecerão os que estão vivos à tua volta. Quanto mais vasta a comunidade do teu coração tanto mais vasta a comunidade que te rodeia. Assim, o sofrimento causado pelo desprezo, pela ausência e pela morte pode tornar-se frutífero.
Sim, à medida que amas profundamente, o solo do teu coração rasgar-se-á cada vez mais, mas regozijar-te-ás com a abundância dos seus frutos.
Henri Nouwen, A Voz Íntima do Amor
terça-feira, 22 de maio de 2007
Escrever

A maioria dos estudantes pensa que escrever é colocar ideias, insights e visões no papel. Acham que, primeiramente, precisam ter alguma coisa a dizer antes que possam efectivamente escrevê-la. Para eles, escrever é um pouco mais do que registar um pensamento preexistente. Porém, com esta abordagem, o verdadeiro acto de escrever torna-se impossível. Escrever é um processo no qual descobrimos aquilo que vive dentro de nós. O próprio escrever revela o que está vivo (...) A mais profunda satisfação ao escrever é exactamente que este acto abre novos espaços dentro de nós dos quais não tínhamos consciência antes de começar a escrever. Escrever é embarcar numa jornada cujo destino final não sabemos." - Henri Nouwen
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