Mostrar mensagens com a etiqueta Felicidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Felicidade. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A MORADA DA FELICIDADE

"Não é na posse de rebanhos nem no ouro que se encontra a felicidade de viver: a morada da felicidade é a alma" (Demócrito)

«Muitos buscam a felicidade juntando o máximo de riqueza possível. Mas a riqueza não torna ninguém feliz. Quem não sente a felicidade na sua alma correrá atrás dela em vão no mundo das posses ou do sucesso. Nunca possuirá o suficiente, nunca receberá atenção suficiente, não terá tanto sucesso a ponto de ser feliz. 
A felicidade mora na alma, no âmbito interno do ser humano. Lá onde o homem está em concordância consigo mesmo, onde sente seu carácter único, onde sabe da sua dignidade humana, lá está uma felicidade que nenhum fracasso, nenhuma perda, nenhuma rejeição podem lhe roubar.» (Anselm Grün, em "O Pequeno livro da verdadeira felicidade)

domingo, 20 de março de 2011

DENTRO DE NÓS





"Não é fácil encontrar a felicidade dentro de nós mesmos. E é impossível encontrá-la num outro lugar." O próprio coração, diz Agner Repplier, é o único lugar onde podemos encontrar a felicidade. Podemos viajar aos lugares mais distantes para procurar a felicidade. Não a encontraremos no exterior. Não a encontraremos nas pessoas, na profissão, no sucesso, na riqueza. Ela está somente dentro de nós. 


Mas, embora esteja escondida ali, não é tão fácil encontrá-la. Precisamos de uma grande sensibilidde para percebê-la. Precisamos do silêncio para entrar em contacto com a felicidade que reside no fundo do nosso coração. 
Quando estamos sempre em movimento, não a sentiremos dentro de nós. Ela é como um lago. Somente quando ele está inteiramente tranquilo é que se reflecte nele a beleza do mundo. Somente quando estamos parados e tranquilos é que se reflecte dentro de nós a beleza que nos cerca. Então sentimos a alegria que reside dentro de nós."


Anselm Grün

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A FELICIDADE VEM POR ACRÉSCIMO

«Um trecho do Evangelho diz:
"Procurai em primeiro lugar, o Reino e o resto vos será dado por acréscimo."

A felicidade é justamente o que nos é dado por acréscimo! Razão pela qual se a procurarmos em primeiro lugar, nunca chegaremos a encontrá-la...

A etimologia da palavra felicidade é muito significativa. Como já indiquei com precisão, é a "boa hora"; trata-se de estarmos na hora certa, de estarmos presentes onde estamos!

A infelicidade é justamente não estarmos presentes... onde estamos!
Há duas maneiras de viver o tempo: o presente e o ausente.(...)

A felicidade é reencontrarmos em nós a capacidade para amar, porque tudo o que fazemos sem amor é tempo perdido, é feito em má hora, é uma infelicidade... Enquanto tudo o que fazemos com amor é a eternidade reencontrada, a boa hora reencontrada; desse modo, a felicidade nos é dada por acréscimo.»

Jean-Yves Leloup, em "Amar... apesar de tudo"

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

SER FELIZ

"O desejo mais profundo de uma pessoa é ser feliz. Não só por um momento, mas feliz para sempre. Outra coisa não seria normal! Mas há quem desista desse sonho por lhe parecer uma paixão inútil e impossível, confundindo felicidade com bem-estar ou prazer.
Ser feliz é ser fecundo. É esse o significado da palavra. E uma árvore só é fecunda quando é podada. Não se é feliz sem podar o egoísmo."

(Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos")

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O "Ter"

"O Evangelho tem frases tão provocatórias que por vezes até parecem engano. Esta por exemplo: "Ao que tem dar-se-à e ao que não tem até o que tem lhe será tirado."

Parece não só contraditório como injusto. Mas não, no Evangelho "ter" não significa posse de coisas, mas de amor, esse "ter" significa abertura, ter espaço para acolher. Quem o tem pode receber sempre mais!
Mas quem não tem abertura nem amor não só não pode receber como até desgasta e consome a sua própria realidade, fechado em si. Não tem comunicação. É que a felicidade não vem de ter coisas, mas de ter liberdade e abertura.»

Vasco Pinto de Magalhães, em "Onde há crise, há esperança"

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A FELICIDADE É UMA DÁDIVA

A felicidade é sempre uma dádiva.
A felicidade é sempre um milagre.
Os milagres não se obtêm.
Os milagres acontecem.
Os milagres surpreendem-nos.
Os milagres surgem do nada.
E... vêm sempre do alto.
Eles descem sobre nós,
Nós apenas podemos estender a mão
para que os milagres não nos escapem.

Quanto mais insistirmos em obter
uma felicidade fácil,
mais difícil será alcançá-la.
A felicidade não se ganha
de forma intencional.
Esse estado é próprio daqueles
que só se sentem felizes
quando algo lhes corre bem,
quando sentem que alguma coisa
os toca profundamente.

Quando amamos e o nosso amor
é desinteressado e puro,
então podemos ser felizes.

São muitos os que querem possuir a felicidade
como se tivessem direitos sobre ela.
Esquecem-se que o Homem só pode alcançar a felicidade
se ela for uma dádiva.
Só quando é oferecida
é que o encherá de alegria.
De outra forma, por mais pessoas interessantes que conheça,
a sua presença nunca o poderá preencher.
Por mais bens materiais que possua,
eles nunca o farão feliz.

Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade"

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A ARTE DE SER FELIZ (2ª parte)


Só precisamos de nos maravilhar com a criação que nos rodeia.
Basta-nos observar o que temos perante os olhos
e entender a profundidade daquilo que vemos.
Então, sentiremos o prazer que se desprende
de toda a criação e que nos contagia.
Já não nos limitamos a apreciar a brisa dum dia de Primavera.
Deixamos que ela nos penetre e inunde o coração.
E então, irrompe em nós uma apaixonante alegria de viver.
A atenção que damos a cada momento
é mais do que um simples exercício de concentração,
é o caminho para a felicidade.
Não precisamos de muito
para sermos felizes.
Basta que estejamos atentos.
Quando nos sentimos gratos
pelas coisas que apreciamos,
até os olhos bem treinados são uma fonte de felicidade.
Todos os dias, os nosso olhos têm coisas maravilhosas para ver,
mas é preciso treinar a atenção
para contemplar, de forma consciente,
as maravilhas que nos saltam á vista diariamente:
a beleza de uma rosa,
a majestade de uma montanha,
o zumbido de um besouro
que cruza o nosso caminho,
o encanto de um rosto humano.
O melhor da tua vivência
está nas coisas que te rodeiam.
No prado que se estende
em frente à tua casa.
Nas flores que tens na secretária.
Na música que ouves.
No silêncio que desfrutas.
A felicidade já está à tua volta.
Só tens que a saborear.
Só quando o teu espírito habitar o teu corpo,
quando o teu espírito olhar,ouvir, cheirar, saborear
e tocar com todos os sentidos
é que poderás viver plenamente a felicidade.
Anselm Grün, em "Em cada dia... um caminho para a felicidade" (adaptado)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A FELICIDADE VEM POR ACRÉSCIMO

«Um trecho do Evangelho diz:
"Procurai em primeiro lugar, o Reino e o resto vos será dado por acréscimo."

A felicidade é justamente o que nos é dado por acréscimo! Razão pela qual se a procurarmos em primeiro lugar, nunca chegaremos a encontrá-la...

A etimologia da palavra felicidade é muito significativa. Como já indiquei com precisão, é a "boa hora"; trata-se de estarmos na hora certa, de estarmos presentes onde estamos!

A infelicidade é justamente não estarmos presentes... onde estamos!
Há duas maneiras de viver o tempo: o presente e o ausente.(...)

A felicidade é reencontrarmos em nós a capacidade para amar, porque tudo o que fazemos sem amor é tempo perdido, é feito em má hora, é uma infelicidade... Enquanto tudo o que fazemos com amor é a eternidade reencontrada, a boa hora reencontrada; desse modo, a felicidade nos é dada por acréscimo.»

(Jean-Yves Leloup, em "Amar... apesar de tudo")

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A Felicidade vem do compromisso

«A felicidade vem do compromisso. Alguns pensam que não, que uma pessoa mais solta, sem ligações nem obrigações, é mais feliz! Será? Ela faz o que lhe apetece e não o que quer. Fica escrava das ondas, das emoções, vai para onde puxa o que 'está a dar' e não para onde quer e deve. Estar solto não é o mesmo que ser livre. E comprometer-se livra-nos da escravidão das fantasias e dos apetites.» (Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos')

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Onde mora a Felicidade?


"Não é na posse de rebanhos nem no ouro que se encontra a felicidade de viver: a morada da felicidade é a alma" (Demócrito)

«Muitos buscam a felicidade juntando o máximo de riqueza possível. Mas a riqueza não torna ninguém feliz. Quem não sente a felicidade na sua alma correrá atrás dela em vão no mundo das posses ou do sucesso. Nunca possuirá o suficiente, nunca receberá atenção suficiente, não terá tanto sucesso a ponto de ser feliz. A felicidade mora na alma, no âmbito interno do ser humano. Lá onde o homem está em concordância consigo mesmo, onde sente seu carácter único, onde sabe da sua dignidade humana, lá está uma felicidade que nenhum fracasso, nenhuma perda, nenhuma rejeição podem lhe roubar.» (Anselm Grün, em "O Pequeno livro da verdadeira felicidade)

domingo, 16 de março de 2008

Felicidade Peregrina



«... a felicidade é justamente a colecção das pequenas alegrias que vamos colhendo e celebrando pelo meio do caminho. Como todos nós, a nossa felicidade também é peregrina. Guimarães Rosa sabia disso ao afirmar: "a felicidade não está nem na partida nem na chegada, mas no meio da travessia".

Já que a vida é infinita enquanto dura, então devemos celebrá-la constantemente fazendo o bem e fazendo isso muito bem. Se a felicidade é peregrina, o bem é definitivo. E no meio disso tudo está a vida, dom de Deus a ser celebrado, a ser desfrutado.»

Clovis Pinto de Castro em "Transformados pela Palavra de Deus" - W4 EndoNet - Comunicação.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Ser feliz


«(...) Porque ser Feliz não é sentir-se assim ou assado… Não é a “consequência” de uma maneira de viver ou de certos acontecimentos… É uma maneira de viver! Ser Feliz é uma maneira de viver que, não anulando as experiências de dor, sofrimento, derrota ou traição, as transfiguram no seu âmago! É possível sofrer, falhar e chorar como pessoa Feliz! Ser Feliz é uma maneira de viver, não a consequência desta ou daquela coisa… E se é uma maneira de Viver, ser Feliz é também uma maneira muito especial de sofrer, de chorar e de recomeçar.(...)»


Rui Santiago, Derrotar Montanhas

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Da ruminação pessimista à digestão optimista

Pois é! Às vezes “acontecem” coisas que ninguém estava à espera, situações pelas quais ninguém optou, acontecimentos que ninguém escolheu viver, experiências que ninguém queria. A marcha da vida e as suas surpresas desagradáveis, que nos costumam deixar na boca o travo da injustiça e, às vezes, da revolta…Mas não são só estas… até outras, que nos parecem ainda mais incompreensíveis.

Temos que dar alguns saltos qualitativos para chegarmos à sabedoria da confiança e do optimismo criativo. Este, por exemplo: temos que aprender a reconhecer que a marcha da vida não é obrigatoriamente justa! Às vezes, mesmo sendo competentes e esforçando-se, sendo sérios e empenhados, os resultados podem ser maus. Aqui, há que aceitar e avançar! Que outra hipótese haverá?! Enrodilhar-se num canto e chorar? Nunca fiques aí muito tempo… eu sei que apetece, mas isso faz-te tanto mal…Já alguma vez viste uma vaca a pastar? Engole tudo de uma vez, e depois deita-se calmamente a ruminar, que é o processo de trazer a comida à boca para a mastigar demoradamente! Nós, muitas vezes fazemos algo parecido na nossa mente com os acontecimentos mais negativos e dolorosos da nossa história…É aqui que devemos aprender a passar da ruminação pessimista dos acontecimentos, à sua digestão optimista, ou seja, assimilação, incorporação e… adiante, que o caminho faz-se caminhando!

A ruminação dos acontecimentos encerra-nos na espiral fechada da angústia, pela repetição constante do “Porquê?! Porquê?!” E, muitas vezes, não há mesmo um “porquê”…A digestão insere-nos na espiral aberta do crescimento, pela serena luminosidade da pergunta: “Para quê?... Para quê esta situação? O que aprendo com ela, como posso crescer nela?
Auto-enroscar-se nas causas, ou abrir-se às soluções? Tenho a certeza que nem duvidas do que é melhor… E tenho a certeza que Deus nunca se ausenta nas nossas dificuldades! A maior parte das vezes costumamos é pô-lo a “jogar na equipa contrária”… Deus está por nós!!! Deus não é a causa dos acontecimentos que nos fazem mal, mas sim a saída com sucesso! Deus é em nós fonte de força e discernimento para compreendermos como lidar com todas as situações, como sair delas mais amadurecido e humanizado. Para teu bem, nunca permitas que alguém à tua frente coloque Deus como “causa do mal!” É uma mentira gravíssima, e muito difundida. Deus é o Amor Forte e Novo ao teu dispor, vinte e quatro horas por dia, para te conduzir à Vitória sobre o Mal, à Vitória sobre a Tristeza, à Vitória sobre o Absurdo. Vive-o, testemunha-o, anuncia-o!
E não te deixes ficar muito tempo prostrado! “Agarra-te nas mãos” e refaz-te sem demoras, porque ouvi dizer que “a vida são dois dias”, e às vezes levamos um para despertar! Sabes, aqui entre nós… o papel de vítima pode ser muito confortável, talvez até uma excelente desculpa para não mudarmos… mas não é certamente o caminho que conduz à “Terra Prometida que se chama Felicidade”.

Rui Santiago

domingo, 29 de julho de 2007

Contentamento


É quase impossível encontrar uma definição completa e definitiva para a felicidade, mas é facto que, qualquer que seja a sua definição, estará associada aos estados de espírito com os quais atravessamos a vida. Podemos, inclusi­ve, alongar a discussão a respeito da distinção entre ser feliz, estar feliz e sentir–se feliz, e sobre como a felicidade é diferente da alegria, que, por sua vez, é diferente da euforia. Mas isso é complicar demais as coisas. O facto é que, se és feliz, então sentes-te feliz, e se tu estás feliz, também te sentes feliz, e esse sentimento de felicidade é, necessariamente, um estado de espírito, que pode ser duradouro, razoavelmente comum ou eventual. Nesse caso, prefiro simplificar um pouco mais e trocar a palavra "fe­licidade" por "contentamento", que defino como a capacidade de estar satisfeito (de adaptar–se) em qualquer situação. Esse tipo de contenta­mento não se explica pelas circunstâncias favoráveis e ou confortáveis, mas sim pela capacidade de exercer domínio sobre o estado de espírito de tal maneira que os factores externos que o abalam sejam em número cada vez menor.Contentamento é uma satisfação de dentro para fora. Vicente de Car­valho traduziu muito bem essa experiência do contentamento quando disse que a felicidade, essa árvore frondosa e cheia de frutos, existe sim, mas existe no lugar em que a plantamos, e o problema é que quase nunca a plantamos no lugar onde estamos. A expressão mais comum para os infe­lizes é que serão felizes "assim que...". Assim que arranjarem um emprego novo; um romance novo; um carro novo; uma casa nova; um chefe novo; e tanto mais, cada vez mais.Esse estilo de vida "assim que..." coloca a felicidade no futuro e perpetua o descon­tentamento, que impede a alegria de des­frutar o presente, as pessoas que temos em volta, as circunstâncias reais e imediatas que nos oferecem possibilidades de realização. A palavra contentamento deriva do latim contentu ("contido") e sugere a ideia de conteúdo. Nesse caso, contente é aquele que tem conteúdo em si mesmo ou que é capaz de usufruir o conteúdo da realidade na qual está inserido. Em outras palavras, em qualquer lugar, em qualquer companhia, e em qualquer circunstância existe possibilidade de contentamento mas somente para aqueles que sabem explorar a sua riqueza interior, ou as potencialidades do momento, ou ambas.Um momento de contentamento é aquele em que tudo parece certo: não há necessidade de mudar o que estás a fazer, nem a pessoa com quem estás, nem o lugar onde te encontras.

Ed René Kivitz, Vivendo com propósitos

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Medos - Parte III

À medida que vou conversando contigo, não me sai da cabeça a imagem dos mineiros a aventurar-se em grutas que nunca ninguém percorreu…Há sempre os que ficam à porta da mina, “à superfície”, como eles dizem. A gruta é escura, os túneis desconhecidos, e o medo é mais forte…Tal e qual como na vida: há sempre os que ficam à porta, na superficialidade da existência, no lado de fora da realidade. E há os outros… os que entram. Não sem medo, não sem incertezas, não sem dificuldades… mas entram! E depois, desde a superfície até ao filão de minério que procuram, ainda há um caminho por contar. Mas, para contar, é preciso fazê-lo primeiro…Nesse caminho, há pedaços da gruta que são escuros e bates com a cabeça nos tectos mais baixos, ou tropeças nalgumas pedras mais levantadas e cais. No chão, descobres também que há outras pedras na parede, logo ali, onde podes apoiar as mãos para te levantares outra vez, porque o minério que procuras ainda te chama ao longe. Nesse caminho, há passagens tão estreitas que te arrancam pedaços e te fazem gemer por momentos a dor dos cortes. Mas isso é já depois de teres passado…E continuas a caminho, talvez ensanguentado, mas continuas. E dás-te conta de que o sangue rapidamente estancou. E sorris até, ao reparares que deixas por momentos atrás de ti um trilho marcado com o teu sangue para quem vier atrás, um apelo delineado com a tua própria vida para quem quiser seguir-te na procura dos tesouros que “à superfície” não se encontram.

E começas a sentir-te verdadeiramente feliz. Pela primeira vez saboreias a felicidade de construir um caminho que vale a pena, para ti e para os outros.À medida que avanças, encontras também pequenos charcos de água incrivelmente fresca que brota de nascentes que tens ao alcance da mão. E sentas-te, refrescas-te e saboreias a doçura de momentos como só dentro da gruta tiveste a oportunidade de experimentar. E, ao parares, dás-te conta de que há um companheiro que estava contigo nos primeiros metros de caminhada e já deixou de te acompanhar: o medo. Perdeste o medo, não porque lhe fugiste, mas porque o olhaste de frente e lhe passaste por cima. E diante de gente corajosa, o medo deixa-se ficar para trás.Sentiste-te livre! Descobriste que a liberdade verdadeira é a ausência de medos, e ficaste ainda mais feliz, porque só os homens livres podem ser felizes.

Continuaste a caminhar…E foste encontrando de tudo, entre galerias que se faziam aos pulos e de braços abertos, e passagens tão estreitas que as fazias deixando pedaços de carne e riscas de sangue nas pedras mais salientes. Mas estavas feliz, profundamente feliz, à procura do minério valioso que só na profundidade da gruta podias encontrar.Havia momentos em que caminhavas assobiando, saboreando ainda o fresco das águas das nascentes no teu rosto e nos teus músculos; havia outros em que caminhavas gemendo, sentindo os passos esforçados das pernas ensanguentadas. Esforçados, mas nunca hesitantes!Até que… finalmente!Finalmente…
Abriu-se aos teus olhos uma galeria cujas paredes tinham um brilho que jamais havias sequer imaginado enquanto tinhas andado “à superfície”… Um brilho que mal te cabia nos olhos e certamente não te cabia nas palavras.Tinha valido a pena!Nunca te tinhas sentido tão feliz!Nunca te tinhas deslumbrado com tamanha maravilha!Tudo o que conhecias te parecia de repente mais pequeno…Nesse momento sentiste uma pena imensa de tantos que tinham ficado à entrada da gruta, derrotados pelo medo das inseguranças e das incertezas do que poderia acontecer. Sentiste pena deles…E depois começaste a rir… A rir de vitória por teres enfrentado nos olhos o teu próprio medo. Quase dançavas de alegria com o gozo que dá ser livre! E até as feridas do caminho se transformaram a teus olhos. Farias tudo novamente, mil vezes se fosse preciso, porque agora experimentavas que descer à gruta tinha sido o melhor que já te acontecera na vida. Contra o medo, contra as incertezas, contra as palavras desanimadoras dos que na superfície se despediram de ti, contra os que te chamaram louco. Porque intuías no coração, no meio de tudo isso, que estava em causa a tua vida.E estava…Tudo menos deixar de viver, por ter medo de que a vida nos possa doer!



Rui Santiago cssr

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Medos - Parte II

Mas o mundo não quer que estas coisas se digam muito alto… Não, porque isto põe tudo em causa, e depois começa tudo a transformar-se, tranquilidades a desmoronar-se e rotinas a perder-se. E o mundo tem muito medo que isto tudo aconteça…O que se ouve gritar e repetir nos altifalantes do mundo faz da vida uma carreira, da felicidade uma tranquilidade sem sabor e uma alegria sem sentido. De tal maneira, que ao fim de cada dia quase apetece ir espreitar nas janelas das casas e atirar a pergunta que vi uma vez escrita numa parede da cidade: “Então, foste um bom robot hoje?”Mas nem me responderiam… O que estivessem nesse momento a ver na televisão seria para eles muito mais importante. Pelo menos, a televisão não faz este tipo de perguntas nem põe em causa o sentido da vida e o sabor dos dias. E tudo isto se entende, porque nas entrelinhas de tantas palavras, luzes e movimentos das nossas cidades, serpenteia a palavra “medo”…
Uma das invenções mais recentes da humanidade são as fechaduras. Durante milénios havia apenas trancas nas portas, que qualquer um podia abrir. Foram já os nossos bisavôs e avós que inventaram as fechaduras com chave. Mas ainda não chegava de segurança… Por isso, os nossos pais inventaram as portas blindadas e os vidros inquebráveis… Depois, nós especializámo-nos em sistemas de vigilância e segurança que utilizam as mais complexas técnicas descobertas, desde circuitos fechados de vídeo a detectores de movimento, sensores infravermelhos… e tudo o resto que serene tantos medos…

O pior é que nesta história recente de fechar as portas, também o coração se tem ressentido… Fechamos as portas de casa aos imprevistos da rua, e fechamos as portas do coração aos imprevistos da vida. Tudo em nome da segurança…Mas não é com seguranças que se constrói uma vida feliz; é com opções arrojadas, riscos, iniciativas, enganos e recomeços.Vou dizer-te um segredo: o medo é o que de mais autodestrutivo podes ter ao alcance do coração. Não te deixes vencer! Mas resiste também à tentação de lhe fugir. Ele perseguir-te-á incansavelmente. Só se vence o que se olha nos olhos e se combate de frente, cara a cara, de peito aberto e pés ao caminho. Força! Só assim vale a pena viver: lutando! Construindo, arriscando, descobrindo, inovando, corrigindo… só assim vale a pena. E não temos outra oportunidade.
Também sei que aleija de vez em quando.Também sei que há passos que se dão e deixam algum rasto de sangue atrás. Sim, também sei… Mas, mesmo assim, juro-te que só vale a pena viver se estivermos dispostos a sangrar!Ainda me lembro das vezes sem conta em que rasguei os joelhos para aprender a andar de bicicleta. Num deles ainda tenho as marcas. E já lá vão uns anos… Mas valeu a pena! Uns anos depois de tantos tombos, pude saborear longos passeios entre os pinhais na aldeia dos meus avós, a pedalar na minha bicicleta. E lembro-me como ia ao fim das tardes de verão tomar um banho ao rio, e voltava em caminhos de terra batida que contornavam pedras e arbustos dos que não se encontram nas cidades. E muitas outras lembranças, e muitos outros sabores dos meus longos passeios de bicicleta… Mas, para isso, ainda tenho num joelho as marcas de tantas quedas. Sabes o que te digo? Valeu a pena!!!E na vida também é assim… (continua)

Rui Santiago cssr

Jovens Redentoristas

terça-feira, 10 de julho de 2007

Medos - Parte I

Começa a preocupar-me a tranquilidade do meu mundo e a passividade de tantos irmãos ao meu lado…
Todos procuram desesperadamente seguranças, e não transformações. E nem imaginam o que estão a perder… E nem imaginam que estão a fechar as portas à felicidade verdadeira, que normalmente vem embrulhada no papel dos imprevistos, adornada com o laço das novidades e nas mãos de amores que nos propõem virar de pernas para o ar o nosso coração.
Sim, nem se dão conta de que viver seguro num palácio de portas trancadas evita os assaltos, mas também impede as visitas dos amigos…
Se uma mão descesse do céu obrigando os homens à escolha entre a Felicidade e a Tranquilidade, conheço muitos que abraçariam a Tranquilidade sorridentes. Dão-me pena… As seguranças das vidas tranquilas são mais apreciadas e procuradas que as transformações das vidas felizes.
Não consigo entender uma juventude que não sonha com mais do que uma “vida normal”… Vidas extraordinárias, vidas arriscadas, coração em sobressalto, tudo isso é bonito de ver nos filmes e admirar nos heróis de todos os tempos, os de ontem e os de hoje. Mas os heróis são sempre os outros… Vidas dessas são para ser admiradas e aplaudidas; não vividas.
Porquê?!
Não entendo! Juro que não…
Gostava de perceber melhor as causas do medo. Sim; porque é o medo a raiz de tudo isto. Não duvides…
Se lhes deres a optar entre uma vida feliz mas com riscos, perigos, incertezas, possíveis desilusões, quedas e recomeços, e uma outra vida mais tranquila, monótona até, vulgar e medíocre, mas sem inseguranças, sem riscos, desilusões, possíveis crises nem necessidade de esforço, temo que a maioria, sem hesitar, escolha a segunda.
As pessoas não se atiram de caras à vida, porque têm medo de se aleijar.
Os jovens não assumem grandes riscos, porque têm medo de se enganar.
Quase ninguém assume grandes transformações, porque tem medo das incertezas que sente como espinhos no coração.
São cada vez menos os que amam de verdade, porque são cada vez mais os que têm medo de sofrer.
E assim vamos criando um mundo de gente tranquila mas não verdadeiramente feliz, segura mas não apaixonadamente transformada.
Tenho pena que a maior parte dos meus irmãos ainda não se tenha dado conta de que só vivemos uma vez. E o que se decide numa só possibilidade não pode ser vivido a meio gás!
Tenho pena que tantos se deixem viver pela vida, em vez de a agarrarem nas mãos e perguntarem o que hão-de realmente fazer com ela.

Tenho pena que os homens, por medo, cada vez mais se limitem a existir, e deixem de viver de verdade. Porque viver é infinitamente mais que existir…
Viver de verdade é viver apaixonadamente.
Viver apaixonadamente é pôr o amor à frente das seguranças, a felicidade que se constrói à frente da tranquilidade que nos amarra. (continua)

Rui Santiago cssr