"Capacidade de sofrer, para mim, significa saber permanecer no sofrimento a fim de procurar o seu significado. Permanecer aí o tempo suficiente para poder descobrir quem se é verdadeiramente.(...)
Saber viver significa saber estar no sofrimento para aprender a sair dele. (...)
Poderá parecer-vos estranho, mas julgo que saber sofrer significa saber que o sofrimento faz parte da vida.
Por definição.
Irremediavelmente.
De forma inevitável.
Só esta sociedade competitiva nos leva a acreditar que a vida só o é verdadeiramente quando se vence, quando não se sofre. Tanto é assim, que quem não alcança algum tipo de êxito se sente frustrado, irrealizado, deprimido, não importante, não vivo.
Nos dias de hoje, a nossa identidade é construída sobre os êxitos que alcançamos, sobre aquilo que possuímos, sobre o dinheiro, o sexo, a glória; sobretudo, sobre a imagem que damos de nós mesmos. (...)
Para mim, os êxitos têm tanto valor como as derrotas.
Importante, vital, é dar-lhes sentido.
Se eu tiver um êxito, dar-lhe-ei sentido, se viver uma derrota, dar-lhe-ei sentido.
Eu existo porque sou.
Os êxitos e as derrotas são partes integrantes do meu caminho pessoal sobre a terra. Nada mais. São momentos úteis para compreender melhor o sentido da minha viagem terrena, para reduzir o meu apego ao mundo. »
Valerio Albisetti, em "Viagem da Vida"
" Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e, de tudo o que se deseja, nada se pode comparar com ela." - Provérbios 8.11
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
ABRIR-SE À FÉ
«É verdade que a fé é um dom de Deus, mas é necessário facilitar-lhe o caminho, abrimo-nos para recebê-la. (...)
A fé, segundo a minha acepção, é aquela «capacidade» que nos permite viver a realidade como qualquer coisa fora do nosso Eu, exterior a nós, à qual devemos respeito.
A fé, como lugar que nos faz sair do próprio Eu.
A fé diz-nos que já não podemos sentir-nos importantes e orgulhosos pelos nossos êxitos terrenos, mas por Deus. Por isso, se temos fé, não podemos orgulhar-nos daquilo que fazemos, mas daquilo que é feito por nós.
O acto de fé, na mimha opinião, é sair do nosso Eu para nos colocarmos noutro lugar, no lugar da transcendência, da espiritualidade, e não para nos empobrecer, e não para nos debilitar, mas para alcançar a harmonia e a consciência.
Para nos tornarmos adultos.
Só centrando-nos em Deus podemos estabelecer uma verdadeira harmonia connosco mesmos e com os outros.
Só assim podemos entrar em contacto com a parte mais profunda de nós, com o mistério da nossa existência.
Com a nossa verdadeira essência.
Com a nossa divindade. »
Valerio Albisetti, em "Viagem da Vida"
A fé, segundo a minha acepção, é aquela «capacidade» que nos permite viver a realidade como qualquer coisa fora do nosso Eu, exterior a nós, à qual devemos respeito.
A fé, como lugar que nos faz sair do próprio Eu.
A fé diz-nos que já não podemos sentir-nos importantes e orgulhosos pelos nossos êxitos terrenos, mas por Deus. Por isso, se temos fé, não podemos orgulhar-nos daquilo que fazemos, mas daquilo que é feito por nós.
O acto de fé, na mimha opinião, é sair do nosso Eu para nos colocarmos noutro lugar, no lugar da transcendência, da espiritualidade, e não para nos empobrecer, e não para nos debilitar, mas para alcançar a harmonia e a consciência.
Para nos tornarmos adultos.
Só centrando-nos em Deus podemos estabelecer uma verdadeira harmonia connosco mesmos e com os outros.
Só assim podemos entrar em contacto com a parte mais profunda de nós, com o mistério da nossa existência.
Com a nossa verdadeira essência.
Com a nossa divindade. »
Valerio Albisetti, em "Viagem da Vida"
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
APRENDER A SER AMIGO DE SI MESMO
«Se não aprendermos a ser amigos de nós mesmos, arriscamo-nos a identificarmo-nos apenas pelo que o não-amigo diz de nós, pela forma como ele nos vê.
Se não aprendermos a ser amigos de nós mesmos, tornamo-nos cúmplices do não-amigo, daquele que nos está a agredir, daquele que está a escarnecer de nós, que nos está a violar.
Se não aprendermos a ser amigos de nós mesmos, teremos apenas uma visão parcial daquilo que somos, limitada aos nossos aspectos negativos.
Tornar-se amigo de si próprio é uma tarefa psicológica, espiritual.
É um trabalho interior.
Consiste em olhar de frente o nosso lado negativo e mais obscuro. Não nos envergonharmos dele, mas reconciliarmo-nos com ele.
Um homem mede-se pela sua profundidade. E a profundidade de uma pessoa alimenta-se, absorve linfa vital a partir dos seus aspectos mais desconhecidos, mais escondidos, onde dificilmente se consegue chegar.
Por outro lado, são esses mesmos aspectos que tornam forte, vital e corajoso o ser humano. Precisamente porque existem em cada pessoa, incitam-nos a ir à sua procura para lhes podermos dar um novo significado, para os convertermos.
Ser amigo de si próprio significa tentar conhecer com doçura e com ternura aqueles aspectos de nós que os outros, os não-amigos, agridem e, através dos quais, tentam debilitar-nos.
Sermos amigos significa, pois, completar uma viagem interior, em busca da totalidade da nossa pessoa, isto é, em busca de nós mesmos, o que também passa pela aceitação dos nossos pontos mais fracos e negativos, aqueles que os outros tanto se esforçam por pôr em destaque.»
Valerio Albisetti, em "Ser Amigo ou ter Amigos?"
Se não aprendermos a ser amigos de nós mesmos, tornamo-nos cúmplices do não-amigo, daquele que nos está a agredir, daquele que está a escarnecer de nós, que nos está a violar.
Se não aprendermos a ser amigos de nós mesmos, teremos apenas uma visão parcial daquilo que somos, limitada aos nossos aspectos negativos.
Tornar-se amigo de si próprio é uma tarefa psicológica, espiritual.
É um trabalho interior.
Consiste em olhar de frente o nosso lado negativo e mais obscuro. Não nos envergonharmos dele, mas reconciliarmo-nos com ele.
Um homem mede-se pela sua profundidade. E a profundidade de uma pessoa alimenta-se, absorve linfa vital a partir dos seus aspectos mais desconhecidos, mais escondidos, onde dificilmente se consegue chegar.
Por outro lado, são esses mesmos aspectos que tornam forte, vital e corajoso o ser humano. Precisamente porque existem em cada pessoa, incitam-nos a ir à sua procura para lhes podermos dar um novo significado, para os convertermos.
Ser amigo de si próprio significa tentar conhecer com doçura e com ternura aqueles aspectos de nós que os outros, os não-amigos, agridem e, através dos quais, tentam debilitar-nos.
Sermos amigos significa, pois, completar uma viagem interior, em busca da totalidade da nossa pessoa, isto é, em busca de nós mesmos, o que também passa pela aceitação dos nossos pontos mais fracos e negativos, aqueles que os outros tanto se esforçam por pôr em destaque.»
Valerio Albisetti, em "Ser Amigo ou ter Amigos?"
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
A NÃO-AMIZADE
»Há homens que não assassinam fisicamente, mas são muito mais perversos que aqueles que o fazem, porque emporcalham e aniquilam a alma dos seus semelhantes.
Não há maior dor para um ser humano que sentir, ainda em vida, que o seu espírito está a ser destruído, aniquilado.
Podemos enfrentar dificuldades, habituarmo-nos a trabalhos duros, contentarmo-nos em viver modestamente, mas sentimo-nos mortos interiormente quando somos vítimas da maldade e da inimizade de alguém.
A perversidade instala-se no homem, nas relações entre os seres humanos, não nas coisas. A não-amizade utiliza a relação interpessoal, o relacionamento amigável, precisamente para aviltar, maltratar, depreciar, intimidar, dominar e escarnecer dos outros.
Pois a não-amizade não aceita a complexidade, a plenitude, a totalidade do ser humano. Conhece-as bem, mas finge ignorá-las precisamente para poder agredir o outro, para o fazer sofrer, realçando apenas o lado mais fraco, que ataca ostensivamente.
Porque a não-amizade vê o outro de um modo parcial, limitado: redu-lo, simplifica-o, empobrece-o. Identifica-o somente, usando os seus aspectos mais frágeis, mais negativos...
O não-amigo procura as nossas feridas para aumentá-las ainda mais.
A pessoa que é incapaz de experimentar a verdadeira amizade sente-se grande ao fazer que os outros se sintam pequenos.
Humilhar o outro é o acto mais perverso que um ser humano pode levar a cabo. É a expressão mais terrível da não-amizade.
Quando se humilha alguém, está-se a exprimir, em relação ao outro, aquela nossa faceta que queremos renegar.
Quem humilha, procura destruir, no outro, exactamente aqueles aspectos que também se encontram em si mesmo...» Valerio Albisetti, em "Ser Amigo ou ter Amigos?"
Não há maior dor para um ser humano que sentir, ainda em vida, que o seu espírito está a ser destruído, aniquilado.
Podemos enfrentar dificuldades, habituarmo-nos a trabalhos duros, contentarmo-nos em viver modestamente, mas sentimo-nos mortos interiormente quando somos vítimas da maldade e da inimizade de alguém.
A perversidade instala-se no homem, nas relações entre os seres humanos, não nas coisas. A não-amizade utiliza a relação interpessoal, o relacionamento amigável, precisamente para aviltar, maltratar, depreciar, intimidar, dominar e escarnecer dos outros.
Pois a não-amizade não aceita a complexidade, a plenitude, a totalidade do ser humano. Conhece-as bem, mas finge ignorá-las precisamente para poder agredir o outro, para o fazer sofrer, realçando apenas o lado mais fraco, que ataca ostensivamente.
Porque a não-amizade vê o outro de um modo parcial, limitado: redu-lo, simplifica-o, empobrece-o. Identifica-o somente, usando os seus aspectos mais frágeis, mais negativos...
O não-amigo procura as nossas feridas para aumentá-las ainda mais.
A pessoa que é incapaz de experimentar a verdadeira amizade sente-se grande ao fazer que os outros se sintam pequenos.
Humilhar o outro é o acto mais perverso que um ser humano pode levar a cabo. É a expressão mais terrível da não-amizade.
Quando se humilha alguém, está-se a exprimir, em relação ao outro, aquela nossa faceta que queremos renegar.
Quem humilha, procura destruir, no outro, exactamente aqueles aspectos que também se encontram em si mesmo...» Valerio Albisetti, em "Ser Amigo ou ter Amigos?"
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
ÉS AMADO E QUERIDO

«Nenhuma terapia psicológica pode devolver-me o afecto que os meus pais não me deram, pode oferecer-me a atenção dos outros; mas, a partir do momento em que compreendi que tive desde sempre um Pai divino, que é Deus, de Quem provenho, que nasci por um acto de amor desse mesmo Pai, que Ele me escolheu de antemão para realizar esta viagem terrena chamada vida, e para depois regressar a Ele, a falta de afecto da minha mãe, o sofrimento psíquico, a maldade do mundo, por muito dolorosos e terríveis que sejam, alcançaram novo significado, perderam importância, entraram numa nova perspectiva.
Cada vez estou mais convencido - por isso escrevo este livro - que tenho sido e sou continuamente, intimamente, misteriosamente amado e querido.
Estou cada vez mais convencido, depois de ter passado por muitas provas difíceis e dolorosas, que sou constantemente olhado com uma ternura infinita, que sou continuamente guiado.
Onde quer que eu esteja, Ele está comigo.
E o mesmo se aplica a vós, que me ledes.
Quando comecei a recordar que era amado e querido por Deus para vir a esta terra, que estou cá para realizar a minha viagem, as minhas interrogações iniciais, os meus «porquê?», passaram a ser: «Que quererá Deus dizer-me? Que quererá Ele dar-me a entender? Em que ponto da minha viagem me encontro? Que quer Ele ensinar-me, de facto?»
Agora estou muito mais crescido, muito mais livre, muito mais capaz de amar.»
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
VIVER OU SOBREVIVER?

«Viver significa nunca dominar outro ser humano.
A pessoa que sobrevive, pelo contrário, tem necessidade do outro, serve-se do outro.
A pessoa que vive serve o outro.
A pessoa que sobrevive procura controlar o outro, possui-o, deseja-o para si.
A pessoa que vive torna o outro livre, entrega-o às suas responsabilidades, à sua viagem, deseja que ele pertença ao universo.
A pessoa que sobrevive, na realidade, não tem confiança nos outros, na humanidade.
A pessoa que vive confia na humanidade.
A pessoa que sobrevive, de um modo geral, tem êxito nesta sociedade e é bem aceite, mas, no fundo, nunca está serena, nem feliz, nem plenamente realizada.
A pessoa que vive é, por definição, serena, feliz, plenamente realizada.
Quem sobrevive procura sempre fora de si a própria realização, a compensação para as próprias necessidades psicológicas, para as próprias lacunas, para os próprios defeitos, para a própria neurose, para a própria ansiedade.
No fundo, quem sobrevive, ilude-se, pensando viver.
Sobreviver significa ter medo de viver.»
(Valerio Albisetti, em "Viagem da Vida")
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