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quarta-feira, 21 de julho de 2010

A CAPACIDADE DE AMAR

«A maior dignidade do homem, seu poder essencial e peculiar, o segredo mais íntimo daquilo que constitui sua humanidade, é a capacidade que ele tem de amar. Esse poder escondido nas profundezas da alma humana imprime no homem a imagem e semelhança de Deus.

Diferentes das demais criaturas que nos cercam, temos o poder de penetrar no mais íntimo santuário do nosso próprio ser. Podemos penetrar em nós como em templos de liberdade e de luz. Podemos abrir os olhos do nosso coração e contemplar face a face Deus, nosso Pai.

Podemos com Ele falar e ouvir-lhe a resposta. E Ele nos diz não apenas que somos chamados a viver como homens e dominar o mundo, mas que temos uma vocação ainda mais elevada.
Somos seus filhos.»

Thomas Merton

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A ÚNICA COISA NECESSÁRIA

«Um dos principais obstáculos a essa perfeição de caridade generosa é a ansiedade egoísta de tirar o máximo de cada coisa, de ter um brilhante êxito aos nossos olhos e aos dos outros. Só podemos livrar-nos dessa ansiedade se aceitarmos perder algo em quase tudo o que fizermos. Não podemos dominar tudo, provar tudo, compreender tudo, esgotar totalmente cada experiência. Mas, se tivermos a coragem de abrir mão de quase tudo, provavelmente conseguiremos reter o único necessário – seja ele qual for. Se formos por demais ávidos de ter tudo, quase com certeza perderemos até a única coisa que necessitamos.

A felicidade consiste em descobrir precisamente o que pode ser essa ‘única coisa necessária’ em nossas vidas e renunciar alegremente a todo o resto. Pois então, por um divino paradoxo, constatamos que tudo o mais nos é dado junto com a coisa única de que precisamos.»

Thomas Merton, em "Homem algum é uma ilha"

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A FUGA DE DEUS

"Se temos medo de ficar sozinhos, medo do silêncio, talvez seja em virtude da nossa secreta desesperança de reconciliação íntima. Se não temos a esperança de ficar em paz connosco em nossa própria solidão e em nosso silêncio pessoal, jamais seremos capazes de nos encarar: continuaremos correndo sem parar.

E essa fuga do eu é, como indicou o filósofo suiço Max Picard, uma "fuga de Deus".
Afinal de contas, é nas profundezas da consciência que Deus fala, e, se recusamos a nos abrir por dentro e a olhar essas profundezas, também recusamos nos confrontar com o Deus invisível presente dentro de nós."

Thomas Merton, in "Amor e Vida"

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O PERIGO DO ÓDIO



«Não é só o nosso ódio aos outros que é perigoso, mas também, e sobretudo, o nosso ódio a nós mesmos. E esse ódio a nós mesmos é tão profundo e tão forte que não pode ser enfrentado. Pois é isso que nos faz ver nossa própria maldade nos outros e nos torna incapazes de vê-la em nós mesmos.»

Thomas Merton

segunda-feira, 28 de junho de 2010

UM SILÊNCIO...

«Existe em todas as coisas
uma doçura inesgotável,
uma infinita pureza,
um silêncio que é fonte
de toda a acção e alegria.
Ergue-se numa candura sem palavras
e flui de mim
de raízes invisíveis
de todo o ser criado.»
Thomas Merton

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O que significa a vontade de Deus?

“Se quisermos saber o que significa "vontade de Deus", esta é uma forma de termos uma boa ideia. A "vontade de Deus" certamente está em qualquer coisa exigida de nós para podermos estar unidos uns aos outros no amor. (…) Tudo o que me é pedido para que eu trate todas as outras pessoas efectivamente como seres humanos é "desejado para mim por Deus dentro da lei natural". (…)

Tenho de aprender compartilhar com os demais suas alegrias, sofrimentos, ideias, necessidades e desejos. Tenho de aprender a fazer isso não só em relação aos que são da mesma classe, profissão, raça e nação que eu, mas também quando os que sofrem pertencem a outros grupos, mesmo aos grupos considerados hostis. Fazendo isso, obedeço a Deus. Recusando-me a fazê-lo, desobedeço-Lhe. Não se trata, portanto, de coisa deixada ao capricho subjectivo.”

Thomas Merton, em" Novas Sementes de Contemplação"

segunda-feira, 23 de março de 2009

AMOR É O MEU NOME


“ Dizer que fui criado à imagem de Deus é dizer que o amor é a razão de minha existência, pois Deus é amor.
Amor é a minha verdadeira identidade.
Esquecimento de mim mesmo é meu verdadeiro eu.
Amor é meu verdadeiro caráter. Amor é meu nome...

...o amor de Deus é como um rio que brota das profundezas da substância divina e se derrama incessantemente através da criação, comunicando, em abundância, a todas as coisas, vida, bondade e força.

(Thomas Merton, em "Novas sementes de contemplação")

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O LUGAR QUE DEUS ESCOLHEU

“Deus procura a Si mesmo em nós, e a aridez e o pesar do nosso coração são o pesar de Deus que não é conhecido em nós, que não pode encontrar a Si mesmo porque não ousamos acreditar ou confiar na incrível verdade de que Ele pode viver em nós, e o faz por escolha, por preferência. Mas de facto existimos somente para isto: para sermos o lugar que Ele escolheu para Sua presença, Sua manifestação no mundo, Sua epifania.” (Thomas Merton, in "The Hidden Ground of Love")

domingo, 3 de agosto de 2008

Deus em nós

“Para encontrarmos Deus em nós, temos de parar de olhar para nós mesmos, de nos inspecionar e verificar no espelho da nossa futilidade; devemos contentar-nos em ser em Deus e de fazer o que Ele quiser, conforme as nossas limitações, julgando os nossos actos não à luz das nossas ilusões, mas à luz da Sua realidade que nos cerca nas coisas e pessoas com quem vivemos.” - Thomas Merton, em "Homem algum é uma ilha"

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O Poder do Amor

“O que nos é pedido é apenas uma coisa: amar; e, se algo pode consegui-lo, é certamente esse amor que há-de tornar, tanto a nós quanto o próximo, dignos. De facto, isso é uma das coisas mais importantes em matéria de amor. Não existe neste mundo outra maneira de tornar alguém digno de amor senão amando-o. Logo que alguém reconhece ser amado – se não é tão fraco que não suporte mais ser amado – sente-se instantaneamente transformado e a caminho de ser digno de amor. Procurará, então, corresponder, extraindo das profundezas do seu ser um misterioso valor espiritual, uma identidade nova, chamada a existir pelo poder do amor que lhe é dedicado.” - Thomas Merton

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Imaturidade e narcisismo do amor

Provavelmente uma das mais belas, profundas e verdadeiras reflexões sobre o Amor que já tive oportunidade de ler. Apreciem com o coração aberto e disponível este verdadeiro tesouro de sabedoria e espiritualidade:


"Os psicólogos usam palavras bem ásperas para a imaturidade e o narcisismo do amor na nossa sociedade mercadológica, na qual ele é reduzido a uma necessidade puramente egoísta que exige satisfação imediata ou manipula os outros de maneira mais ou menos inteligente a fim de obter o que deseja. Mas a pura verdade é esta: o amor não é uma questão de se obter o que se deseja. Muito pelo contrário. A insistência em sempre ter o que se deseja, em sempre obter satisfação, em sempre ser saciado, torna o amor impossível. Para amar, você precisa sair do berço, onde tudo é ‘obter’, e crescer para a maturidade da doação, sem se preocupar em obter alguma coisa especial em troca. O amor não é uma transação, é um sacrifício. Não é marketing, é uma forma de culto.
Na realidade, o amor é uma força positiva, um poder espiritual transcendente. É, de facto, o poder criativo mais profundo na natureza humana. Enraizado nas riquezas biológicas da nossa herança, o amor floresce espiritualmente como liberdade e como resposta da criatura à vida num encontro perfeito com uma outra pessoa. É uma apreciação viva da vida como valor e como dom. Responde à fecundidade, à variedade e à total riqueza da própria experiência viva; ele ‘conhece’ o mistério interior da vida. Deleita-se com a vida como uma fortuna inesgotável. O amor aprecia essa fortuna de uma maneira impossível ao conhecimento. O amor tem a sua própria sabedoria, sua própria ciência, sua própria maneira de explorar as profundezas interiores da vida no mistério da pessoa amada. O amor sabe, compreende e satisfaz as exigências da vida, na medida em que responde com calor, abandono e entrega.

O amor é o nosso verdadeiro destino. Não encontramos o sentido da vida sozinhos ­— nós o encontramos com um outro. Não descobrimos o segredo de nossas vidas apenas pelo estudo e pelo cálculo em nossas meditações isoladas. O sentido de nossa vida é um segredo que nos tem de ser revelado no amor, por aquele que amamos.”

Thomas Merton, em "Amor e Vida"

domingo, 16 de dezembro de 2007

Transformados pelo Poder do Amor


« Quando as pessoas realmente amam, experimentam muito mais do que apenas a necessidade de companhia e aconchego mútuos. Na sua relação com o outro, tornam-se pessoas diferentes: são mais do que de costume, mais vivas, mais compreensivas, mais pacientes, mais resistentes... São refeitas como seres novos. Transformadas pelo poder do seu amor.

O amor é a revelação do nosso sentido, valor e identidade pessoais mais profundos. Mas esta revelação é impossível enquanto formos prisioneiros do nosso egoísmo. Não posso encontrar-me em mim mesmo, mas só no outro. O meu verdadeiro sentido e valor são-me mostrados não na avaliação que faço de mim mesmo, mas nos olhos de quem me ama; e este deve amar-me como sou, com as minhas falhas e limitações, revelando-me a verdade de que essas falhas e limitações não podem destruir o meu valor aos olhos daquele que me ama; e que sou, portanto, valioso como pessoa, a despeito das minhas falhas, a despeito das imperfeições do meu “pacote” exterior.
O pacote é totalmente irrelevante. O que importa é essa mensagem infinitamente preciosa que só posso descobrir no meu amor por outra pessoa. E essa mensagem, esse segredo, só me é plenamente revelado se, ao mesmo tempo, eu for capaz de ver e entender o valor singular e misterioso daquele que amo.» - Thomas Merton, em "Amor e Vida"

«O amor não é só uma maneira especial de estar vivo: é a perfeição da vida. Aquele que ama está mais vivo e é mais real do que quando não amava.» - Thomas Merton, em "Amor e Vida"

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Sentido da Vida Revelado no Amor


« O amor é o nosso verdadeiro destino. Não encontramos o sentido da vida sozinhos, e sim com outro. Não descobrimos o segredo das nossas vidas apenas por meio de estudo e de cálculo em nossas meditações isoladas. O sentido da nossa vida é um segredo que nos tem de ser revelado no amor, por aquele que amamos. E, se esse amor for irreal, o segredo não será encontrado, o sentido jamais se revelará, a mensagem jamais será decodificada. No melhor dos casos, receberemos uma mensagem confusa e parcial, que nos enganará e confundirá. Só seremos plenamente reais quando nos permitir-nos amar — seja uma pessoa humana ou Deus.» -Thomas Merton, em "O Amor e a Vida" (os grifos são meus)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Aprender Quem Somos

« A vida consiste em aprender a viver de maneira autónoma, espontânea e livre: para isso é preciso reconhecer-se a si mesmo – estar familiarizado e à vontade consigo mesmo. Isso significa, basicamente, aprender quem somos e aprender o que temos para oferecer ao mundo contemporâneo e, depois, aprender como fazer para que essa oferta seja válida.
A finalidade da educação é mostrar a uma pessoa como se definir autêntica e espontaneamente em relação ao seu mundo – não é impor uma definição pré-fabricada do mundo e, menos ainda, uma definição arbitrária do próprio indivíduo.
O mundo é feito de pessoas que estão plenamente vivas dentro dele: isto é, de pessoas que podem ser elas mesmas nele e podem nele estabelecer umas com as outras uma relação viva e frutífera. O mundo, portanto, é mais real na proporção em que as pessoas nele são capazes de ser mais plenamente e mais humanamente vivas: isto é, mais capazes de fazer um uso consciente e lúcido de sua liberdade. Basicamente, essa liberdade deve consistir, antes de tudo, na capacidade de escolherem as suas próprias vidas, de se encontrarem no nível mais profundo possível. Uma liberdade superficial de vagar sem destino, ora aqui, ora ali, de experimentar isto e aquilo, de fazer uma escolha de distrações (…) é simplesmente um simulacro. Pretende ser uma liberdade de “escolha” ao passo que se esquiva da tarefa básica de descobrir quem é que escolhe. Não é livre porque não está querendo enfrentar o risco da autodescoberta.» - Thomas Merton, em "Amor e Vida" ( os grifos são meus)