"Sabemos pouco do amor, da sua extraordinária ternura e poder. Muito facilmente usamos a palavra «amor; o militar usa-a, o carniceiro usa-a, o homem rico usa-a, assim como o rapaz e a rapariga. Mas sabemos pouco do amor, da sua vastidão, da sua imortalidade, da sua profundidade. Amar é ter consciência da eternidade.
O relacionamento é uma coisa estranha; muito facilmente caímos na habituação a um relacionamento particular, onde as coisas são tomadas como garantidas, com a situação aceite, não se tolerando qualquer variação; não se considera nenhum movimento em direcção à incerteza, mesmo por um segundo. Tudo é de tal modo regulado, tornado «seguro», bem amarrado, qua não há qualquer hipótese de frescura, de um respirar revivificador. A isto, e a muito mais, se chama relacionamento. Se observarmos de muito perto, verificamos que o verdadeiro relacionamento é muito mais subtil, mais rápido que um relâmpago, mais vasto do que a Terra, pois ele é vida. A vida é conflito.
Queremos fazer do relacionamento uma coisa grosseira, rígida, manipulável. Deste modo, ele perde a sua fragância, a sua beleza. Isto surge porque não amamos, e o amor é certamente a maior das coisas, pois nele acontece o completo abandono de nós mesmos. (...)
É preciso grande inteligência para um homem e uma mulher se esquecerem de si mesmos, para poderem viver juntos, não se rendendo um ao outro ou não sendo dominados um pelo outro. O relacionamento é a coisa mais difícil da vida."
J. Krishnamurti, em "Cartas a uma jovem amiga"
" Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e, de tudo o que se deseja, nada se pode comparar com ela." - Provérbios 8.11
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
PERDER A ALMA

"A terra cobre-se de uma nova raça de homens, simultaneamente instruídos e analfabetos, que dominam os computadores e não sabem nada sobre as almas, tendo mesmo esquecido o que semelhante palavra pôde um dia designar.
Quando algo na vida, apesar de tudo, os atinge - um luto ou uma ruptura - essas pessoas têm menos defesas que um recém-nascido. Ser-lhes-ia então necessário falar uma língua que deixou de ter lugar, muito mais subtil que a gíria informática." - (Christian Bobin, em "Ressuscitar")
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Deus entre as pessoas
«Quando perguntavam a Martin Buber - o grande filósofo e teólogo judeu - "Onde Deus está?", ele foi suficientemente esperto para não dar a resposta estereotipada: Deus está em toda parte, Deus é encontrado nas igrejas e sinagogas.
Buber respondia que Deus está nos relacionamentos. Deus não é encontrado nas pessoas, mas entre as pessoas. Quando duas pessoas estão verdadeiramente em sintonia uma com a outra, Deus se aproxima e preenche o espaço entre elas para que fiquem unidas. Tanto o amor quanto a verdadeira amizade são mais do que apenas uma forma de saber que somos importantes para alguém. Eles são uma maneira de levar Deus para um mundo que, de outro modo, seria um vale de egoísmo e solidão.» -Harold Kushner
Fonte:Ricardo Gondim
Buber respondia que Deus está nos relacionamentos. Deus não é encontrado nas pessoas, mas entre as pessoas. Quando duas pessoas estão verdadeiramente em sintonia uma com a outra, Deus se aproxima e preenche o espaço entre elas para que fiquem unidas. Tanto o amor quanto a verdadeira amizade são mais do que apenas uma forma de saber que somos importantes para alguém. Eles são uma maneira de levar Deus para um mundo que, de outro modo, seria um vale de egoísmo e solidão.» -Harold Kushner
Fonte:Ricardo Gondim
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
O modo como tratamos os outros
«Numa tribo na Nova Guiné, está entendido que as crianças que nascem à terça-feira são inteligentes, solares e vencedoras e, as que nascem à sexta, são estúpidas, falhadas e vencidas. O pior, é que isso acaba por acontecer porque o tratamento que os outros lhes dão é que faz delas escravas ou vencedoras.»
Extraido de "O Riso de Deus" de António Alçada Baptista
Extraido de "O Riso de Deus" de António Alçada Baptista
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Sobre o casamento

«O compromisso conjugal não é um atalho para o prazer indolor, mas um passo na direcção da coragem para o autoconhecimento, da transformação e do crescimento pessoal, no intercâmbio de forças e fraquezas, em que um faz o outro melhor, muitas vezes às custas de atrito e faísca, pois somente o ferro com ferro se afia.
Costumo dizer que durante a vida de solteiro nos estragamos, e o casamento é a principal resposta terapêutica de Deus. Quem não quer crescer, vencer limites emocionais, reescrever a sua história, exorcizar os seus demónios, fica solteiro e pula de paixão em paixão, em relações que são eternas enquanto duram. Isso sem falar na saúde das futuras gerações e no equilíbrio sistémico possível apenas a uma sociedade que saiba valorizar a família». - Ed Rene Kivitz, em "Outra Espiritualidade"
domingo, 4 de novembro de 2007
Quero

Proposta de Jorge Bucay sobre as relações interpessoais que foi publicada originalmente no prólogo do livro "Cartas para Claudia".
Quero que me oiças sem me julgares
Quero que me dês a tua opinião sem me aconselhares
Quero que confies em mim sem me exigires
Quero que me ajudes sem tentares decidir por mim
Quero que cuides de mim sem me anulares
Quero que olhes para mim sem projectares as tuas coisas em mim
Quero que me abraçes sem me asfixiares
Quero que me animes sem me empurrares
Quero que me apoies sem te encarregares de mim
Quero que me protejas sem mentiras
Quero que te aproximes sem me invadires
Quero que conheças as coisas que mais te desagradem em mim
Que as aceites e não pretendas mudá-las
Quero que saibas... que hoje podes contar comigo...
Sem condições.
Jorge Bucay, em "Contos para pensar"
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
O mestre e o escorpião

Um mestre do Oriente passeava junto ao rio, quando viu que um escorpião se estava a afogar e decidiu tirá-lo da água; mas quando o fez, o escorpião picou-o. Numa reacção instintiva à dor provocada pela picada, o mestre largou o animal que voltou a cair à agua e rapidamente se estava a afogar. O mestre tentou novamente salvá-lo, mas voltou a ser picado.
Alguém que estava a observar a cena aproximou-se do mestre e disse-lhe:"Desculpe-me, mas o senhor é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?"
O mestre respondeu: "A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar”. Então, com a ajuda de uma folha, o mestre tirou o escorpião da água e salvou a sua vida.
Autor desconhecido
domingo, 28 de outubro de 2007
O Tamanho das Pessoas

Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...
Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu,
quando te trata com carinho e respeito,
quando te olha nos olhos e sorri .
É pequena para ti quando só pensa em si mesma,
quando se comporta de uma maneira pouco gentil,
quando fracassa justamente no momento em que
teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas:
a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amor.
Uma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida,
quando procura alternativas para o seu crescimento,
quando sonha junto contigo.
É pequena quando se desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela,
mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou pequenez dentro de um relacionamento,
pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade:
as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros,
mas de acções e reacções, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande...
É a sua sensibilidade, sem tamanho...
William Shakespeare
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Lição de vida

Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
mesmo sabendo que as rosas não falam.
Que eu não perca o OPTIMISMO,
mesmo sabendo que o futuro que nos espera não é assim tão alegre.
Que eu não perca a VONTADE DE VIVER,
mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, dolorosa.
Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo,eles acabam indo embora das nossas vidas...
Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, reconhecer e retribuir esta ajuda.
Que eu não perca o EQUILÍBRIO,
mesmo sabendo que inúmeras forças querem que eu caia.
Que eu não perca a VONTADE DE AMAR,
mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo,
pode não sentir o mesmo sentimento por mim...
Que eu não perca a LUZ e o BRILHO NO OLHAR,
mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo, escurecerão os meus olhos...
Que eu não perca a GARRA,
Que eu não perca a GARRA,
mesmo sabendo que a derrota e a perda são dois adversários extremamente perigosos.
Que eu não perca a RAZÃO,
mesmo sabendo que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas.
Que eu não perca o SENTIMENTO DE JUSTIÇA,
mesmo sabendo que o prejudicado possa ser eu.
Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO,
mesmo sabendo que um dia os meus braços estarão fracos...
Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VER,
mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos
e escorrerão pela minha alma...
Que eu não perca o AMOR PELA MINHA FAMÍLIA,
mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige esforços incríveis
para manter a sua harmonia.
Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR
que existe no meu coração,
mesmo sabendo que muitas vezes ele
será submetido e até rejeitado.
Que eu não perca a vontade de SER GRANDE,
mesmo sabendo que o mundo é pequeno...
E acima de tudo...
Que jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente,
que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um
é capaz de mudar e transformar qualquer coisa,
pois.... A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS E CONCRETIZADA NO AMOR!
Edgar Furtado
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Porque gritamos?

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: - Por é que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma - disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao nosso lado? Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, respondeu outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar: - Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?
- Gritamos porque perdemos a calma - disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao nosso lado? Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, respondeu outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar: - Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?
O facto é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, os seus corações afastam-se muito. Para diminuir esta distância precisam de gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos os seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem.
É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
Por fim, o pensador conclui, dizendo:- Quando discutirem, não deixem que os vossos corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Dulcineia

O autor cristão Brennan Manning, no livro "A assinatura de Jesus" , partilha um pequeno trecho de uma peça de teatro inspirada na obra-prima de Miguel de Cervantes -"Dom Quixote" .
O autor descreve uma cena que se passa na peça O homem de La Mancha:«Na peça ocorre um diálogo entre Alonso Chiana(também conhecido como Dom Quixote) e Aldonza, uma criada e prostituta. No seu delírio Alonso vê aquela mulher como uma aristocrata, e trata-a de forma compatível. Ele chama a meretriz rude e vulgar de "minha senhora" e "minha doce Dulcineia" . Num primeiro momento ela fica perplexa e indignada; não consegue entender este louco. Mas há uma pungente beleza nele. Por que razão ela se sente tão atraída por este homem misterioso? Porque dele vem a afirmação de que ela é um tesouro e deve ser estimada e tratada como tal. Ele faz em pedaços a muralha do seu medo e atitude defensiva.- Dulcineia! - brada Aldonza. - Meu Deus, ele conhece toda a história da minha vida. E ainda assim chama-me de Dulcineia!
Para esta mulher coberta de vergonha, é uma palavra que faz surgir um raio de luz nas profundezas de um mar negro. Atordoante na sua simplicidade, transformadora no seu poder, espantosa na sua sabedoria, Dulcineia é a indizível declaração das profundezas místicas do próprio Deus. Dulcineia é a esmagadora revelação de que Deus vê as coisas de modo diferente do que nós.
Perto do final da história o mundo de sonhos de Dom Quixote é despedaçado, e um desnorteado Alonso Chiana está a morrer na casa da sua família. Aldonza irrompe no quarto. Alonso não a reconhece. Ele está fraco, doente e confuso.
- É possível que eu a tenha conhecido, mas não me recordo - diz ele. Aldonza ajoelha-se ao lado da cama e implora:
- Tente lembrar, por favor!
- É assim tão importante?
- É tudo! - responde ela. - A minha vida inteira. O senhor falou comigo e tudo... mudou.
- Falei consigo?
- Chamou-me por outro nome. Dulcineia... Quando o senhor disse o nome foi como se um anjo sussurrasse: "Dulcineia... Dulcineia...".
Todo o anseio reprimido no coração humano de Aldonza vem à tona enquanto ela derrama diante de Alonso o que aconteceu quando ele a chamou por esse nome, o terramoto de espírito causado pelo seu amor e aceitação. Ele tê-la chamado de "senhora" despertara nela algo que ela pensava que jamais poderia ser. Ela havia estado morta, congelada, imune à emoção humana. O triunfo da sua vida tinha sido não precisar de ninguém. Mas ele invadira-lhe a câmara fechada do coração, e ela começara a derreter. Sementes de esperança, há muito enterradas, vieram à vida. Ela começara a crer que era Dulcineia. Tudo mudara porque ela havia sido tocada pelo amor de um velho sonhador que se chamava a si mesmo de Dom Quixote.
"A Assinatura de Jesus", Brennan Manning
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Parar para ver, ouvir e ler...

Pára um pouco! Desfruta tranquilamente deste momento; ouve com atenção estas palavras, contempla estas imagens, viaja ao som desta melodia... Por instantes, esquece o mundo lá fora, os teus múltiplos afazeres, as tuas pesadas pré-ocupações... Este momento também é importante! A vida é Aqui e Agora!
Autor: Rui Santiago -
http://www.youtube.com/user/ruisantiagocssr
Autor: Rui Santiago -
http://www.youtube.com/user/ruisantiagocssr
Pára mais um pouco. Parar é importante...
Olha, vou fazer-te uma: como foi o teu dia? Não, não, não quero que me digas se correu bem ou mal, não quero que me digas que fizeste isto ou aquilo, não! Interessa-me saber quem és, quem foste hoje. Vá lá, como foi o teu dia? És mais feliz? Quantos sorrisos plantaste hoje? A quantas pessoas enriqueceste hoje, com a tua passagem?
Vês? Há perguntas difíceis, não há? Mas são as mais importantes. Pára um pouco! Liberta-te por um pedaço de tantas coisas urgentes! Sabes, passas os dias à volta de coisas urgentes, e costumas esquecer as importantes. É sempre tudo tão urgente, não é? A vida pede-nos tudo com urgência, tudo para ontem! E o importante, pode sempre ser amanhã. Na maior parte das vezes, um amanhã que demora a chegar…E na lógica das coisas urgentes, deixamos de viver e passamos a existir.Viver como pessoa humana é construir-se em cada dia, é ter-se nas mãos e fazer-se sem descansos, com a argamassa da Amizade, os tijolos do Amor, as ferramentas da Verdade. O ser humano não nasce feito, acabado. Temos que construir-nos como pessoas felizes, e isso acontece na medida em que souberes inventar relações de Amor, relações de bem-querer com aqueles que te rodeiam.
Vou dizer-te um segredo – fixa-o bem! – viver é conviver. Viver é conviver com os outros, porque ninguém é feliz sozinho. Mas a lógica das coisas urgentes costuma empurrar-nos sempre para o egoísmo, não é assim? Pensa bem: quantas vezes hoje te entraram pelos ouvidos frases deste género: “Isso é cá comigo”, “cada um que se arranje”, “eles são eles, eu sou eu”; quantas vezes as ouviste? E, já agora, quantas vezes as disseste? Às vezes, parece que vivemos enroscados em nós próprios, girando infinitamente sobre o nosso belo umbigo; e assim, perdemos o gozo de viver, o sentido dos nossos dias e a alegria que o nosso coração nos pede. Porque nos fechamos ao diálogo, à partilha, à fraternidade, à amizade. Fechar-se aos outros é fechar a porta ao encontro com Deus. Abrir-se aos outros é pôr-se na disposição de ser encontrado pela novidade surpreendente do seu Amor.
Olha, vou dizer-te mais um segredo: com Deus, ninguém fica a perder! A Fé verdadeira, aquela ao jeito de Jesus Cristo, não é uma piedadesinha domingueira, assim a cheirar a bafio e a bolas de naftalina, não! A Fé é uma arte de viver com sentido, a Fé é um descobrir os horizontes máximos da vida em Deus. O Seu Amor é a fonte, o Seu Amor será, no fim, a plenitude.Olha, e se tudo isto fizesse sentido também para ti? E se te abrisses hoje à novidade de Deus? Não o das imagens gastas, mas o Deus de Jesus de Nazaré, aquele Deus que faz nascer Vida Nova no coração daqueles que o acolhem – como tu…
Rui Santiago
terça-feira, 24 de julho de 2007
Relações(2ª parte)

Já te falei de auto-estradas, de carreirismo e de sprinters…
Queria ainda falar-te de duas palavras que conheces muito bem: entras num supermercado e, se reparares, encontras-te num mar de produtos light e artigos descartáveis.Tudo é light, dos sumos às manteigas, e tudo é descartável, desde as fraldas às giletes.O pior é que o critério light e descartável aninhou-se nas relações entre as pessoas. As relações são cada vez mais light, sem compromisso real, sem disponibilidade para aguentar sofrer naqueles momentos em que amar faz doer, sem promessa de fidelidade incondicional… A relação light é a típica relação do “vamos ver se dá”…O resultado imediato das relações light é que se tornam rapidamente relações descartáveis, relações de “usar e deitar fora”…
Se todos acordássemos para isto, o mundo poderia começar a ser diferente…Se as auto-estradas fossem só uma questão de alcatrão… mas são o sinal de uma mentalidade que nos entrou nas veias, a mentira de fazer da vida uma carreira, que nos impede de nos sentarmos nos bancos de jardim do coração a partilhar o dia com os amigos porque, na verdade, não há amigos mas sim adversários.
Se os critérios light e descartável fossem só uma questão de calorias e vasilhame… mas são o sinal de uma superficialidade que se nos colou ao coração e vai reduzindo as nossas relações a encontros à flor da pele e atitudes que não transformam mais que a casca da vida. Se todos nos déssemos conta de que criar relações verdadeiramente humanas é optar por viver em atitudes e gestos de bem-querer e atenção aos outros, de compromisso vital para que ninguém fique mais triste, pobre ou infeliz por nos ter conhecido…Se percebêssemos que este é exactamente o segredo mais profundo da nossa construção pessoal…Se tivéssemos os olhos bem abertos, perceberíamos que só o amor nos constrói…E se tivéssemos o coração suficientemente disponível para assumir o amor como sentido dos nossos dias, tenho a certeza que seríamos muito mais felizes!
Rui Santiago cssr
Jovens Redentoristas(Visitem!)
domingo, 22 de julho de 2007
Relações(1ª parte)

Uma das grandes invenções do nosso tempo são as auto-estradas. Até em relação à informática e aos meios audiovisuais se fala já das “auto-estradas da comunicação”. Só que reduz-se a tal “comunicação” a um intercâmbio de informação…É um sinal bem claro do que vem acontecendo às relações entre as pessoas nas últimas décadas. Cada vez está mais fácil e imediata a comunicação, mas cada vez são mais precárias e breves as relações. Porque talvez não nos andemos a encontrar ao nível certo…
As auto-estradas estão construídas para ultrapassar. Por isso é que é impossível ter uma só faixa de rodagem, porque isso dificultaria as ultrapassagens. A característica que identifica uma auto-estrada é possibilitar do início ao fim a “arte da ultrapassagem”.Ora, é exactamente a imagem do mundo que vimos construindo, onde as pessoas não se encontram verdadeiramente nem caminham juntas. Apenas se cruzam e entrecruzam enquanto se tentam ultrapassar.E o pior é que estamos a inocular esta “arte da ultrapassagem” no sangue inocente das crianças. Cada vez que comparamos uma criança com outra para a fazer sentir-se diminuída, ensinando-a a tirar daí motivação para ultrapassar a outra criança, estamos a inscrever desde logo no seu inconsciente (onde ganham raízes os valores que moldam a personalidade) que o importante não é ser bom. O mais importante é ser melhor que o outro. Mais importante que vencer-se cada um a si próprio, nas suas limitações e dificuldades, é vencer os outros. E assim vamos desde cedo envenenando o futuro…Deixamos de ter amigos porque os olhamos como rivais, os companheiros de caminhada passam a ser adversários, e os que caminham mais devagar não passam de estorvos.
Sabes que mentalidade é esta?A mentalidade daqueles que não esperam da vida mais que uma carreira!E não penses que isto está tão longe de ti como te pode parecer. Pensa bem…Desde pequenos, à célebre pergunta: “O que queres ser quando fores grande?”, somos ensinados a responder com uma carreira: “Quero ser professor, médico, advogado, veterinário…”. Quase nenhuma criança foi ensinada a responder: “Quero ser feliz!”Conheço muita gente que troca a vida por uma carreira. E isto – garanto-te – não é mais que um suicídio em câmara lenta.Foi esta mentalidade de “carreirismo” que inventou as famosas auto-estradas do coração, onde os outros não são mais que adversários a deixar para trás quanto antes.No nosso mundo, os heróis são todos “sprinters”.
O logótipo do sucesso é sempre alguém que, orgulhosamente só, chegou mais longe e mais rápido que todos os outros que queriam chegar ao mesmo, ficando assim no topo de um pedestal onde apenas há lugar para um, sobre todos aqueles que, por terem ficado para trás, lhe são submissos, ainda que a submissão esteja enraizada na inveja, no desejo de ver o outro fracassar ou na injustiça.Os heróis são os sprinters, os que chegam à meta em primeiro lugar e sozinhos. Quanto mais distantes dos seguintes, maior o brilhantismo. Parar pelo caminho para dar a mão aos companheiros é perda de tempo e chegar à meta de mãos dadas é “falta de espírito competitivo”. E no nosso mundo, só os que competem podem triunfar…(continua)
Rui Santiago cssr
sexta-feira, 6 de abril de 2007
A arte de pensar
"Trata um homem de acordo com o que ele é, ele continuará na mesma; trata-o de acordo com o que pode e deve ser, e ele converter-se-á no que pode e deve ser." (J. W. Goethe, escritor alemão)
"Procure ser um homem de valor, em vez de procurar ser um homem de sucesso." (Einstein)
"Estou convencido das minhas próprias limitações - e esta convicção é minha força."
(Mahatma Gandhi)
"Um homem terá pelo menos dado a partida para a descoberta do sentido da vida humana quando começar a plantar árvores frondosas sob as quais sabe muito bem que jamais se sentará." (D. Elton Trueblood)
"A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível." (Maria Montessori, pedagoga italiana )
"A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro." (Cícero)
"Diz-me, e eu esquecerei; ensina-me e eu lembrar-me-ei; envolve-me, e eu aprenderei." (Autor desconhecido)
"Procure ser um homem de valor, em vez de procurar ser um homem de sucesso." (Einstein)
"Estou convencido das minhas próprias limitações - e esta convicção é minha força."
(Mahatma Gandhi)
"Um homem terá pelo menos dado a partida para a descoberta do sentido da vida humana quando começar a plantar árvores frondosas sob as quais sabe muito bem que jamais se sentará." (D. Elton Trueblood)
"A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível." (Maria Montessori, pedagoga italiana )
"A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro." (Cícero)
"Diz-me, e eu esquecerei; ensina-me e eu lembrar-me-ei; envolve-me, e eu aprenderei." (Autor desconhecido)
domingo, 18 de março de 2007
Viver como as flores

Era uma vez um jovem que caminhava ao lado do seu mestre. Ele perguntou:- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes, outras mentirosas... sofro com as que caluniam...- Pois viva como as flores! - advertiu o mestre.- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.- Repare nestas flores - continuou o mestre - apontando lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas...É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros nos importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora... Não se deixe contaminar por tudo aquilo que o rodeia... Assim, você estará vivendo como as flores!
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