«Que temos feito com as nossas vidas?
Quantos de nós não traímos o que em verdade poderíamos ter sido? (...)
Sabemos que é pelo sucesso que nos medem e é pelo sucesso que nos medimos a nós próprios. Vivemos aterrorizados pela possibilidade de fracassar. Mas nem o medo podemos admitir, e dominar tornou-se a técnica para o afastar(...)
Assim nunca saberemos o que podemos suportar sem sermos derrotados.
A derrota é o pesadelo que nos ensombra os dias e as noites.
Continuamos a jogar os jogos que nos desgastam e, no fundo do coração, a acalentar o sonho do que poderíamos ter sido, transparentes e autênticos, se alguém nos tivesse querido tal qual éramos.
Mas não. E traímos aquilo que éramos, aquilo que íamos ser, aquilo que deveríamos ter sido, só para que nos quisessem, para que nos admirassem, para que nos amassem.
E perdemos a autonomia, esse estado de graça em que nos sentimos pacificados com os nossos sentimentos e necessidades, sem termos que provar nada a ninguém.
Que temos feito com as nossas vidas?
Temo-nos traído ou sentimo-nos fiéis a nós próprios? (Julgo que é mais do que uma mera pergunta retórica.)
Bom é saber que podemos recomeçar a qualquer momento.
Bom é saber que Aquele que incondicionalmente nos ama, todas as manhãs nos entrega em branco um dia, garantindo-nos que ainda temos hipóteses, que nada do que possamos ter feito nos condena irremediavelmente, que o exame se repete todos os dias, que há sempre um segunda chamada, que se chumbámos ontem, hoje podemos voltar a tentar.
Bom é saber desse Amor e rendermo-nos a ele.»
Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais..."
" Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e, de tudo o que se deseja, nada se pode comparar com ela." - Provérbios 8.11
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
ESPERAR PARA REAGIR
"Escolher a vida, em vez da morte, muitas vezes exige um acto de vontade que contradiz nossos impulsos. Nossos impulsos querem vingança, enquanto nossa vontade quer oferecer perdão. Nossos impulsos nos empurram para uma reacção imediata: quando alguém nos bate na face, impulsivamente queremos revidar.
Como podemos deixar nossa vontade dominar nossos impulsos? A palavra-chave é espera. Independentemente do que aconteça, temos de colocar algum espaço entre o acto agressivo dirigido a nós e nossa reacção. Devemos nos distanciar, ter algum tempo para pensar, discutir com amigos e esperar até que estejamos prontos para reagir de uma forma vivificante. Reacções impulsivas pemitem que o mal nos vença, algo de que sempre nos arrependemos. Mas ponderar para reagir nos ajudará a vencer "o mal por meio do bem" (Rm 12,21)."
Henri J. M. Nouwen, em "Pão para o caminho"
Como podemos deixar nossa vontade dominar nossos impulsos? A palavra-chave é espera. Independentemente do que aconteça, temos de colocar algum espaço entre o acto agressivo dirigido a nós e nossa reacção. Devemos nos distanciar, ter algum tempo para pensar, discutir com amigos e esperar até que estejamos prontos para reagir de uma forma vivificante. Reacções impulsivas pemitem que o mal nos vença, algo de que sempre nos arrependemos. Mas ponderar para reagir nos ajudará a vencer "o mal por meio do bem" (Rm 12,21)."
Henri J. M. Nouwen, em "Pão para o caminho"
sexta-feira, 31 de julho de 2009
ARTE DA VIDA
«A vida não está dependente da quantidade das vivências, mas da sua qualidade.
A arte da vida implica viver cada momento, estar atento a si próprio, estar em sintonia consigo e com o mundo, compreender com todos os sentidos. Quando estou de posse dos meus sentidos, experimento tudo o que vem ter comigo de uma forma intensa. Então vejo em tudo o segredo, vejo em todas as coisas o Deus invisível.
Quando ouço plenamente, ouço o que é inaudível.
A vida não é, antes de mais, consumir, mas percepcionar, sentir, provar e saborear.
Não é quantidade de coisas que eu tomo para mim que decidem se eu vivo realmente, mas o modo como eu percepciono e experimento aquilo que me é oferecido.
Tem a ver, sobretudo, com a intensidade da vida. E essa precisa de sossego, serenidade, liberdade, admiração, entrega àquilo que verdadeiramente é importante.»
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
A arte da vida implica viver cada momento, estar atento a si próprio, estar em sintonia consigo e com o mundo, compreender com todos os sentidos. Quando estou de posse dos meus sentidos, experimento tudo o que vem ter comigo de uma forma intensa. Então vejo em tudo o segredo, vejo em todas as coisas o Deus invisível.
Quando ouço plenamente, ouço o que é inaudível.
A vida não é, antes de mais, consumir, mas percepcionar, sentir, provar e saborear.
Não é quantidade de coisas que eu tomo para mim que decidem se eu vivo realmente, mas o modo como eu percepciono e experimento aquilo que me é oferecido.
Tem a ver, sobretudo, com a intensidade da vida. E essa precisa de sossego, serenidade, liberdade, admiração, entrega àquilo que verdadeiramente é importante.»
Anselm Grün, em "Bento de Núrsia - Mestre da Espiritualidade"
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Vida é aventura
«Esta vida tão improvável que nos é dada, cabe a nós não a desperdiçar. A vida não é um destino, é uma aventura. Ninguém escolheu nascer; ninguém vive sem escolher. Cada qual é inocente de si, mas responsável pelos seus actos. E responsável, portanto, ao menos em parte, por aquilo que se tornou.(...) É forjando que alguém se torna forjador. É bebendo que alguém se torna alcoólico. É realizando acções virtuosas que alguém se torna virtuoso. "Fazer", dizia Lequier, "e, fazendo, fazer-se". Isso não fará de nós outra pessoa, o que ninguém consegue. Mas impede de nos resignarmos rápido demais ao que somos, o que ninguém deve fazer.» - André Comte-Sponville, em "A vida humana" - Martins Fontes, p.26
Fonte: Ricardo Gondim
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
O mestre e o escorpião

Um mestre do Oriente passeava junto ao rio, quando viu que um escorpião se estava a afogar e decidiu tirá-lo da água; mas quando o fez, o escorpião picou-o. Numa reacção instintiva à dor provocada pela picada, o mestre largou o animal que voltou a cair à agua e rapidamente se estava a afogar. O mestre tentou novamente salvá-lo, mas voltou a ser picado.
Alguém que estava a observar a cena aproximou-se do mestre e disse-lhe:"Desculpe-me, mas o senhor é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?"
O mestre respondeu: "A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar”. Então, com a ajuda de uma folha, o mestre tirou o escorpião da água e salvou a sua vida.
Autor desconhecido
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Recado de JESUS aos Corações amedrontados
Este post merece uma introdução condigna.
Hoje, pela primeira vez, publico o mesmo post, em simultâneo, nos meus dois blogs. O objectivo é que o maior número de pessoas possível tenha acesso a este texto.
Há pessoas que visitam regularmente os meus dois blogs; outros que visitam apenas este, ou o Conhecer e seguir jesus. Também há os que visitam os meus blogs e o do autor do texto que irei transcrever e que, por essa razão, provavelmente já leram o texto. Mas, será sempre proveitoso rele-lo, estou certo.
Desejo que todos os que me visitam sintam vontade de ler este texto; crentes, não crentes, ateus, agnósticos, pessoas de diferentes religiões e credos (o texto é dirigido a todos). Desejo que o título do post não gere preconceitos ou desinteresse por parte dos que não crêem. Desejo que abram os vossos corações e recebam as palavras sábias e profundas escritas pelo meu caro amigo Rui Santiago, do blog: Derrotar montanhas( visitem-no sem demora).
Estou convicto que depois de lerem o texto sentirão a vossa alma mais leve, engrandecida, enriquecida, fortalecida, serena, grata( bem, já chega de adjectivos eloquentes)... E o vosso coração? Provavelmente, sentirá uma irresistível vontade de voar acima dos medos e entregar-se à liberdade suprema de um amor incondicional.
Boa leitura!
Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas as cores com que se pintariam os teus dias! Se percebesses de uma vez por todas o teu verdadeiro tamanho, assim como eu próprio te vejo, e o lugar que ocupas no Coração do meu Pai, aprenderias de novo a dançar e a cantar como nos tempos de criança. Mas não dançarias mais como criança… Dançarias como fazem os Sábios de todos os tempos, cantarias como eles, sentirias o teu íntimo em Festa num sereno baile de Alegria e Paz…
Se tu soubesses do que és capaz, deixarias de fechar-te em ti próprio, e eu daria largas ao teu Coração, far-te-ia levantar voo acima dos teus medos, das tuas tristezas e das tuas desistências…
Deixa-me mostrar-te do que és capaz…
Todos os que dão crédito às minhas palavras, lentamente vão percebendo que não lhes minto! Dentro deles o Espírito Santo começa a fazer maravilhas, e eles sentem… Pouco a pouco, vão até aprendendo a colaborar com Ele, vão-lhe aprendendo os ritmos e percebendo os sinais… E, até hoje, nunca nenhum se sentiu defraudado em relação àquilo que lhe prometi! Bem pelo contrário…
Deixa-me mostrar-te do que és capaz…
Sou capaz de ensinar-te como se olha verdadeiramente para a Vida, para a História, para as Pessoas, e para os Desafios que tudo isto traz consigo! Sou capaz de libertar-te das forças autodestrutivas que às vezes ainda te minam o Coração: o ressentimento, o medo, a frustração, a impaciência, a desistência, a vingança, o desânimo…
Se tu soubesses do que és capaz adorarias voltar a ver-te ao espelho, e perceberias que tinhas renascido. Estas coisas escrevem-se-nos no rosto e nos olhos…
Lembras-te da quantidade enorme de desafios complicados que já venceste? São tantos, não são?!
Lembras-te de quantas vezes já pensaste “Desta não saio! Isto é demais! Nunca vou ultrapassar isto!”? Lembras-te?
Eu lembro-me bem, porque estive sempre contigo! Já vencemos juntos tantas coisas… E tudo isto, em vez de te fazer forte, muitas vezes só tem servido para complicares a Vida ainda mais por causa do passado e te assustares diante do rosto feio de alguns dias.
Por isso é que hoje tinha que falar-te assim, e andei às voltas a tentar arranjar uma maneira de o fazer! Porque quero muito que aprendas a olhar para ti como eu próprio te vejo!
Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas como os teus pés se tornariam ligeiros, as tuas pernas fortes, os teus braços vigorosos, o teu peito invencível, a tua cabeça inquebrável, o teu rosto terno, os teus olhos atentos…
Deixa-me mostrar-te do que és capaz!
Não perceberás tudo hoje, nem amanhã ainda… Mas começa hoje! Deixa-me mostrar-te do que és capaz…
Dentro de ti, quero ensinar-te a ver cada coisa com o seu real tamanho e valor, porque às vezes vês grandes demais problemas pequenos, e não prestas atenção a grandes maravilhas… Como tu!
Quando aprenderás a olhar para ti como se contempla uma maravilha? Quando aprenderás a ver-te como eu te vejo?
Não te olho à procura de perfeições, não existe em mim qualquer moralismo, não te exijo que sejas diferente do que és para gostar de ti e para me encantar ao olhar-te. Basta-me que sejas assim como és. Não compliques…
Se tu soubesses do que és capaz, tirarias finalmente muitos projectos da gaveta do teu Coração e darias passos que antes julgavas maiores do que as pernas. Porque se tu soubesses do que és capaz, as tuas pernas cresceriam…
Rui Santiago, Derrotar montanhas
Hoje, pela primeira vez, publico o mesmo post, em simultâneo, nos meus dois blogs. O objectivo é que o maior número de pessoas possível tenha acesso a este texto.
Há pessoas que visitam regularmente os meus dois blogs; outros que visitam apenas este, ou o Conhecer e seguir jesus. Também há os que visitam os meus blogs e o do autor do texto que irei transcrever e que, por essa razão, provavelmente já leram o texto. Mas, será sempre proveitoso rele-lo, estou certo.
Desejo que todos os que me visitam sintam vontade de ler este texto; crentes, não crentes, ateus, agnósticos, pessoas de diferentes religiões e credos (o texto é dirigido a todos). Desejo que o título do post não gere preconceitos ou desinteresse por parte dos que não crêem. Desejo que abram os vossos corações e recebam as palavras sábias e profundas escritas pelo meu caro amigo Rui Santiago, do blog: Derrotar montanhas( visitem-no sem demora).
Estou convicto que depois de lerem o texto sentirão a vossa alma mais leve, engrandecida, enriquecida, fortalecida, serena, grata( bem, já chega de adjectivos eloquentes)... E o vosso coração? Provavelmente, sentirá uma irresistível vontade de voar acima dos medos e entregar-se à liberdade suprema de um amor incondicional.
Boa leitura!
Recado de JESUS aos Corações amedrontados
Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas as cores com que se pintariam os teus dias! Se percebesses de uma vez por todas o teu verdadeiro tamanho, assim como eu próprio te vejo, e o lugar que ocupas no Coração do meu Pai, aprenderias de novo a dançar e a cantar como nos tempos de criança. Mas não dançarias mais como criança… Dançarias como fazem os Sábios de todos os tempos, cantarias como eles, sentirias o teu íntimo em Festa num sereno baile de Alegria e Paz…
Se tu soubesses do que és capaz, deixarias de fechar-te em ti próprio, e eu daria largas ao teu Coração, far-te-ia levantar voo acima dos teus medos, das tuas tristezas e das tuas desistências…
Deixa-me mostrar-te do que és capaz…
Todos os que dão crédito às minhas palavras, lentamente vão percebendo que não lhes minto! Dentro deles o Espírito Santo começa a fazer maravilhas, e eles sentem… Pouco a pouco, vão até aprendendo a colaborar com Ele, vão-lhe aprendendo os ritmos e percebendo os sinais… E, até hoje, nunca nenhum se sentiu defraudado em relação àquilo que lhe prometi! Bem pelo contrário…
Deixa-me mostrar-te do que és capaz…
Sou capaz de ensinar-te como se olha verdadeiramente para a Vida, para a História, para as Pessoas, e para os Desafios que tudo isto traz consigo! Sou capaz de libertar-te das forças autodestrutivas que às vezes ainda te minam o Coração: o ressentimento, o medo, a frustração, a impaciência, a desistência, a vingança, o desânimo…
Se tu soubesses do que és capaz adorarias voltar a ver-te ao espelho, e perceberias que tinhas renascido. Estas coisas escrevem-se-nos no rosto e nos olhos…
Lembras-te da quantidade enorme de desafios complicados que já venceste? São tantos, não são?!
Lembras-te de quantas vezes já pensaste “Desta não saio! Isto é demais! Nunca vou ultrapassar isto!”? Lembras-te?
Eu lembro-me bem, porque estive sempre contigo! Já vencemos juntos tantas coisas… E tudo isto, em vez de te fazer forte, muitas vezes só tem servido para complicares a Vida ainda mais por causa do passado e te assustares diante do rosto feio de alguns dias.
Por isso é que hoje tinha que falar-te assim, e andei às voltas a tentar arranjar uma maneira de o fazer! Porque quero muito que aprendas a olhar para ti como eu próprio te vejo!
Se tu soubesses do que és capaz, nem imaginas como os teus pés se tornariam ligeiros, as tuas pernas fortes, os teus braços vigorosos, o teu peito invencível, a tua cabeça inquebrável, o teu rosto terno, os teus olhos atentos…
Deixa-me mostrar-te do que és capaz!
Não perceberás tudo hoje, nem amanhã ainda… Mas começa hoje! Deixa-me mostrar-te do que és capaz…
Dentro de ti, quero ensinar-te a ver cada coisa com o seu real tamanho e valor, porque às vezes vês grandes demais problemas pequenos, e não prestas atenção a grandes maravilhas… Como tu!
Quando aprenderás a olhar para ti como se contempla uma maravilha? Quando aprenderás a ver-te como eu te vejo?
Não te olho à procura de perfeições, não existe em mim qualquer moralismo, não te exijo que sejas diferente do que és para gostar de ti e para me encantar ao olhar-te. Basta-me que sejas assim como és. Não compliques…
Se tu soubesses do que és capaz, tirarias finalmente muitos projectos da gaveta do teu Coração e darias passos que antes julgavas maiores do que as pernas. Porque se tu soubesses do que és capaz, as tuas pernas cresceriam…
Rui Santiago, Derrotar montanhas
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
A Dádiva mais preciosa

A vida é tão preciosa... e tão bela. Basta escutar o pulsar radiante do coração do novo dia que nasce no horizonte da esperança. Basta inebriar-me com o doce e suave aroma do teu sorriso que desperta pela manhã todos os sonhos que enterrei antes de te conhecer. Basta-me o teu coração como abrigo e os teus braços sempre abertos para me acolher quando as tempestades da alma obscurecem o horizonte da fé e o sol da alegria esconde-se por detrás de nuvens passageiras de dúvidas e medos opressores. Basta a recordação da melodia divina de um pássaro sonhado nas manhãs de uma qualquer primavera da nossa pura inocência. Basta a tua mão entrelaçada na minha a dizer-me que me levantarás sempre que cair e que me perdoarás todos os infortunios das minhas imperfeições.
A vida é um dom. O amor também é um dom. Não amamos porque queremos. Não amamos porque desejamos desesperadamente amar. Amamos porque nos foi concedida essa dádiva maravilhosa, que precisamos cultivar, cuidar, tratar, vigiar, proteger... Tens de dar a tua dádiva para que ela cresça em ti. Tens de dar o teu amor para que ele viva e se renove. Essa dádiva única e preciosa tem de ser compartilhada se quiseres que ela permaneça contigo. Quanto mais deres, mais terás. Sentirás uma alegria inexprimível por partilhares a tua dádiva, mesmo que não recebas nada em troca. Não esperes receber algo em troca para alimentar o teu dom de amar. Acima de tudo preserva a tua dádiva de amor como um tesouro a ser compartilhado diariamente.
Se alguém chora, vai e oferece-lhe a tua dádiva de amor.
Se alguém sofre, vai e oferece-lhe o consolo e conforto do teu dom de amor.
Se alguém está só, vai e oferece-lhe o abrigo do teu coração onde habita a tua dádiva de amor.
Se alguém tem fome, vai e partilha o teu tesouro.
Se alguém desconhece esta dádiva, vai e mostra-lhe que ela existe dentro de cada um de nós.
Se alguém perdeu a esperança, vai e leva-lhe a dádiva de luz que trazes dentro de ti.
Se alguém grita de dor, vai e leva-lhe o silêncio sagrado da tua dádiva.
Se alguém está doente, vai e leva-lhe o conforto da tua presença luminosa.
Se alguém se sente culpado, vai e leva-lhe o poder libertador da tua dádiva.
Se alguém se sente rejeitado, vai e acolhe-o no seio da tua dádiva de amor.
A vida é tão preciosa... O melhor da vida? Este dom gratuito que faz pulsar o coração e é a essência da vida. Ou como alguém muito apaixonado disse: "A vida é a visão do Infinito, de todas as possibilidades e realizações que o amor pode trazer(...) Um homem só pode entregar-se nas mãos de alguém quando o amor é tão grande que o resultado dessa entrega é a liberdade total". Não se pressupõe a existência do amor sem liberdade. Liberdade para ser, para se reinventar, para romper com preconceitos, para superar falsos limites, para enfrentrar todos os medos, para se transformar em luz que ilumina, inspira, cativa, estimula, edifica...
domingo, 12 de agosto de 2007
Sabedoria da Proporcionalidade
O mundo chama-lhe «Capacidade de Encaixe». Eu prefiro chamar-lhe «Sabedoria da Proporcionalidade».
Tem a ver com aprender a reagir diante de cada situação segundo o que ela merece e significa, e não segundo ela provoca. É a sabedoria de vencer a lógica da reacção… Numa re-acção, a acção nunca é nossa, mas daquele que a provoca. Nós não funcionamos senão como um espelho ou uma parede de ricochete, mais ou menos lisa.
Se numa re-acção a acção não é nossa, reagir é não ser livre. Além disso, se a acção não é nossa, reagir é não se construir.
A lógica da reacção persegue-nos a vida toda… Mas não é tão senhora de nós como pode parecer! Não pode ser!!! Temos que aprender a pôr um cabresto à lógica da reacção para que, nos momentos em que ela se insinua em nós, a domemos, dominemos e vençamos. Está ao nosso alcance! O cabresto chama-se Vontade. O treino segue a metodologia da perseverança quotidiana e não desistente.
Sem isto, não somos mais que seres ultra-sensíveis que se torcem e retorcem ao mínimo toque, e que ao primeiro dissabor atiram um ataque feroz contra essa fonte de sabores acres e amargos, sem sequer se darem conta – muitas vezes – que irão morrer à fome porque apertaram cabeças demais e acabaram por matar não só as fontes dos dissabores mas também as fontes de outras doçuras e delícias que lhes fazem falta…
As reacções são cegas, insensíveis e insensatas. Por muito que nos queiramos enganar, elas nunca estão do nosso lado! Nunca entram em jogo para nos fazer ganhar… As suas fintas quase sempre nos fazem marcar golos na própria baliza e sofrer a angústia da derrota.
Encontrar a proporcionalidade correcta entre o estímulo e a resposta. As reacções nunca são proporcionais; são exponenciais.
Aprender a Proporcionalidade é dar a cada coisa a importância que ela merece, e não a importância que lhe atribuem os nossos sentidos, os nossos afectos e emoções, ou as nossas revoltas interiores. Exige que nos livremos a cada dia da nossa «capa de ricochete relacional» para aprendermos a assimilar e centrar o que vem ao nosso encontro, sejam acontecimentos, situações imprevistas, alegrias ou tristezas, sofrimentos ou prazeres.
A «Sabedoria da Proporcionalidade» é o fio condutor da lógica da aprendizagem: descobrir em todos os acontecimentos uma porta de saída com sucesso. Sem ilusões… Dizer saída com sucesso não é sinónimo de solução fácil. Há algumas situações em que a porta de saída pode não ser uma solução, porque talvez nem a haja. Mas há sempre, em todo e qualquer acontecimento, a porta de saída da aprendizagem.
Isto significa validar todas as coisas, isto é, dar-lhes validade, valor, significado, importância. Porque o maior perigo da nossa vida são os dias em branco. Dias em que falhámos, fracassámos, errámos, foram dias em que, apesar de tudo, vivemos, arriscámos, optámos. Mas dias em branco não são mais do que suicídios de alguns pedaços de nós.
Há que recusar a neutralidade como lógica medíocre dos nossos dias, e optimizar a negatividade que de manhã à noite vem ao nosso encontro por mil e um rostos, acontecimentos e situações.
O que está em jogo somos nós próprios. Não basta ter nascido um dia… é preciso renascer todos os dias! É tarefa e necessidade do coração humano a Sabedoria de Viver, a Arte de Ser. Não está ao alcance de todos, porque é preciso conhecer alguns segredos… como este, por exemplo, da «Sabedoria da Proporcionalidade» ou, como o mundo lhe chama, a «Capacidade de Encaixe».
Para que ao vivermos uns com os outros, não nos condenemos a ser todos menos por causa da rudeza dos nossos desencaixes…
Tem a ver com aprender a reagir diante de cada situação segundo o que ela merece e significa, e não segundo ela provoca. É a sabedoria de vencer a lógica da reacção… Numa re-acção, a acção nunca é nossa, mas daquele que a provoca. Nós não funcionamos senão como um espelho ou uma parede de ricochete, mais ou menos lisa.
Se numa re-acção a acção não é nossa, reagir é não ser livre. Além disso, se a acção não é nossa, reagir é não se construir.
A lógica da reacção persegue-nos a vida toda… Mas não é tão senhora de nós como pode parecer! Não pode ser!!! Temos que aprender a pôr um cabresto à lógica da reacção para que, nos momentos em que ela se insinua em nós, a domemos, dominemos e vençamos. Está ao nosso alcance! O cabresto chama-se Vontade. O treino segue a metodologia da perseverança quotidiana e não desistente.
Sem isto, não somos mais que seres ultra-sensíveis que se torcem e retorcem ao mínimo toque, e que ao primeiro dissabor atiram um ataque feroz contra essa fonte de sabores acres e amargos, sem sequer se darem conta – muitas vezes – que irão morrer à fome porque apertaram cabeças demais e acabaram por matar não só as fontes dos dissabores mas também as fontes de outras doçuras e delícias que lhes fazem falta…
As reacções são cegas, insensíveis e insensatas. Por muito que nos queiramos enganar, elas nunca estão do nosso lado! Nunca entram em jogo para nos fazer ganhar… As suas fintas quase sempre nos fazem marcar golos na própria baliza e sofrer a angústia da derrota.
Encontrar a proporcionalidade correcta entre o estímulo e a resposta. As reacções nunca são proporcionais; são exponenciais.
Aprender a Proporcionalidade é dar a cada coisa a importância que ela merece, e não a importância que lhe atribuem os nossos sentidos, os nossos afectos e emoções, ou as nossas revoltas interiores. Exige que nos livremos a cada dia da nossa «capa de ricochete relacional» para aprendermos a assimilar e centrar o que vem ao nosso encontro, sejam acontecimentos, situações imprevistas, alegrias ou tristezas, sofrimentos ou prazeres.
A «Sabedoria da Proporcionalidade» é o fio condutor da lógica da aprendizagem: descobrir em todos os acontecimentos uma porta de saída com sucesso. Sem ilusões… Dizer saída com sucesso não é sinónimo de solução fácil. Há algumas situações em que a porta de saída pode não ser uma solução, porque talvez nem a haja. Mas há sempre, em todo e qualquer acontecimento, a porta de saída da aprendizagem.
Isto significa validar todas as coisas, isto é, dar-lhes validade, valor, significado, importância. Porque o maior perigo da nossa vida são os dias em branco. Dias em que falhámos, fracassámos, errámos, foram dias em que, apesar de tudo, vivemos, arriscámos, optámos. Mas dias em branco não são mais do que suicídios de alguns pedaços de nós.
Há que recusar a neutralidade como lógica medíocre dos nossos dias, e optimizar a negatividade que de manhã à noite vem ao nosso encontro por mil e um rostos, acontecimentos e situações.
O que está em jogo somos nós próprios. Não basta ter nascido um dia… é preciso renascer todos os dias! É tarefa e necessidade do coração humano a Sabedoria de Viver, a Arte de Ser. Não está ao alcance de todos, porque é preciso conhecer alguns segredos… como este, por exemplo, da «Sabedoria da Proporcionalidade» ou, como o mundo lhe chama, a «Capacidade de Encaixe».
Para que ao vivermos uns com os outros, não nos condenemos a ser todos menos por causa da rudeza dos nossos desencaixes…
Rui Santiago cssr
terça-feira, 31 de julho de 2007
Vê com os olhos do coração
« A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que há em ti são trevas, quão grandes são tais trevas!» - Mateus 6, 22,23
Conta a história que uma jovem e dinâmica mulher de negócios mostrava sinais de fadiga e stress. O médico receitou-lhe tranquilizantes e pediu-lhe que voltasse para uma consulta duas semanas depois. Quando ela voltou, ele perguntou-lhe se se sentia diferente.
- Não.- respondeu; mas tenho observado que as outras pessoas parecem estar bem mais relaxadas.
Normalmente, vemos os outros não como são, mas como nós somos. Uma pessoa é, num sentido real, o que ela vê. E ver depende dos olhos. Jesus usa a metáfora dos olhos com mais frequência do que a da mente ou da vontade. O velho provérbio, "os olhos são as janelas da alma", contém uma profunda verdade. Os nossos olhos revelam se as nossas almas são espaçosas ou entulhadas, hospitaleiras ou censuradoras, compassivas ou repreensoras. O modo como vemos os outros é normalmente o modo como vemos a nós mesmos.
O julgamento depende do que vemos, de quão profundamente olhamos para o outro, de quão honestamente encaramos a nós mesmos, de quão dispostos estamos a ler a história humana por trás do rosto apavorado.
Conta a história que uma jovem e dinâmica mulher de negócios mostrava sinais de fadiga e stress. O médico receitou-lhe tranquilizantes e pediu-lhe que voltasse para uma consulta duas semanas depois. Quando ela voltou, ele perguntou-lhe se se sentia diferente.
- Não.- respondeu; mas tenho observado que as outras pessoas parecem estar bem mais relaxadas.
Normalmente, vemos os outros não como são, mas como nós somos. Uma pessoa é, num sentido real, o que ela vê. E ver depende dos olhos. Jesus usa a metáfora dos olhos com mais frequência do que a da mente ou da vontade. O velho provérbio, "os olhos são as janelas da alma", contém uma profunda verdade. Os nossos olhos revelam se as nossas almas são espaçosas ou entulhadas, hospitaleiras ou censuradoras, compassivas ou repreensoras. O modo como vemos os outros é normalmente o modo como vemos a nós mesmos.
O julgamento depende do que vemos, de quão profundamente olhamos para o outro, de quão honestamente encaramos a nós mesmos, de quão dispostos estamos a ler a história humana por trás do rosto apavorado.
Brennan Manning- O Evangelho Maltrapilho
domingo, 29 de julho de 2007
Contentamento

É quase impossível encontrar uma definição completa e definitiva para a felicidade, mas é facto que, qualquer que seja a sua definição, estará associada aos estados de espírito com os quais atravessamos a vida. Podemos, inclusive, alongar a discussão a respeito da distinção entre ser feliz, estar feliz e sentir–se feliz, e sobre como a felicidade é diferente da alegria, que, por sua vez, é diferente da euforia. Mas isso é complicar demais as coisas. O facto é que, se és feliz, então sentes-te feliz, e se tu estás feliz, também te sentes feliz, e esse sentimento de felicidade é, necessariamente, um estado de espírito, que pode ser duradouro, razoavelmente comum ou eventual. Nesse caso, prefiro simplificar um pouco mais e trocar a palavra "felicidade" por "contentamento", que defino como a capacidade de estar satisfeito (de adaptar–se) em qualquer situação. Esse tipo de contentamento não se explica pelas circunstâncias favoráveis e ou confortáveis, mas sim pela capacidade de exercer domínio sobre o estado de espírito de tal maneira que os factores externos que o abalam sejam em número cada vez menor.Contentamento é uma satisfação de dentro para fora. Vicente de Carvalho traduziu muito bem essa experiência do contentamento quando disse que a felicidade, essa árvore frondosa e cheia de frutos, existe sim, mas existe no lugar em que a plantamos, e o problema é que quase nunca a plantamos no lugar onde estamos. A expressão mais comum para os infelizes é que serão felizes "assim que...". Assim que arranjarem um emprego novo; um romance novo; um carro novo; uma casa nova; um chefe novo; e tanto mais, cada vez mais.Esse estilo de vida "assim que..." coloca a felicidade no futuro e perpetua o descontentamento, que impede a alegria de desfrutar o presente, as pessoas que temos em volta, as circunstâncias reais e imediatas que nos oferecem possibilidades de realização. A palavra contentamento deriva do latim contentu ("contido") e sugere a ideia de conteúdo. Nesse caso, contente é aquele que tem conteúdo em si mesmo ou que é capaz de usufruir o conteúdo da realidade na qual está inserido. Em outras palavras, em qualquer lugar, em qualquer companhia, e em qualquer circunstância existe possibilidade de contentamento mas somente para aqueles que sabem explorar a sua riqueza interior, ou as potencialidades do momento, ou ambas.Um momento de contentamento é aquele em que tudo parece certo: não há necessidade de mudar o que estás a fazer, nem a pessoa com quem estás, nem o lugar onde te encontras.
Ed René Kivitz, Vivendo com propósitos
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Parar para ver, ouvir e ler...

Pára um pouco! Desfruta tranquilamente deste momento; ouve com atenção estas palavras, contempla estas imagens, viaja ao som desta melodia... Por instantes, esquece o mundo lá fora, os teus múltiplos afazeres, as tuas pesadas pré-ocupações... Este momento também é importante! A vida é Aqui e Agora!
Autor: Rui Santiago -
http://www.youtube.com/user/ruisantiagocssr
Autor: Rui Santiago -
http://www.youtube.com/user/ruisantiagocssr
Pára mais um pouco. Parar é importante...
Olha, vou fazer-te uma: como foi o teu dia? Não, não, não quero que me digas se correu bem ou mal, não quero que me digas que fizeste isto ou aquilo, não! Interessa-me saber quem és, quem foste hoje. Vá lá, como foi o teu dia? És mais feliz? Quantos sorrisos plantaste hoje? A quantas pessoas enriqueceste hoje, com a tua passagem?
Vês? Há perguntas difíceis, não há? Mas são as mais importantes. Pára um pouco! Liberta-te por um pedaço de tantas coisas urgentes! Sabes, passas os dias à volta de coisas urgentes, e costumas esquecer as importantes. É sempre tudo tão urgente, não é? A vida pede-nos tudo com urgência, tudo para ontem! E o importante, pode sempre ser amanhã. Na maior parte das vezes, um amanhã que demora a chegar…E na lógica das coisas urgentes, deixamos de viver e passamos a existir.Viver como pessoa humana é construir-se em cada dia, é ter-se nas mãos e fazer-se sem descansos, com a argamassa da Amizade, os tijolos do Amor, as ferramentas da Verdade. O ser humano não nasce feito, acabado. Temos que construir-nos como pessoas felizes, e isso acontece na medida em que souberes inventar relações de Amor, relações de bem-querer com aqueles que te rodeiam.
Vou dizer-te um segredo – fixa-o bem! – viver é conviver. Viver é conviver com os outros, porque ninguém é feliz sozinho. Mas a lógica das coisas urgentes costuma empurrar-nos sempre para o egoísmo, não é assim? Pensa bem: quantas vezes hoje te entraram pelos ouvidos frases deste género: “Isso é cá comigo”, “cada um que se arranje”, “eles são eles, eu sou eu”; quantas vezes as ouviste? E, já agora, quantas vezes as disseste? Às vezes, parece que vivemos enroscados em nós próprios, girando infinitamente sobre o nosso belo umbigo; e assim, perdemos o gozo de viver, o sentido dos nossos dias e a alegria que o nosso coração nos pede. Porque nos fechamos ao diálogo, à partilha, à fraternidade, à amizade. Fechar-se aos outros é fechar a porta ao encontro com Deus. Abrir-se aos outros é pôr-se na disposição de ser encontrado pela novidade surpreendente do seu Amor.
Olha, vou dizer-te mais um segredo: com Deus, ninguém fica a perder! A Fé verdadeira, aquela ao jeito de Jesus Cristo, não é uma piedadesinha domingueira, assim a cheirar a bafio e a bolas de naftalina, não! A Fé é uma arte de viver com sentido, a Fé é um descobrir os horizontes máximos da vida em Deus. O Seu Amor é a fonte, o Seu Amor será, no fim, a plenitude.Olha, e se tudo isto fizesse sentido também para ti? E se te abrisses hoje à novidade de Deus? Não o das imagens gastas, mas o Deus de Jesus de Nazaré, aquele Deus que faz nascer Vida Nova no coração daqueles que o acolhem – como tu…
Rui Santiago
sábado, 7 de julho de 2007
Desabituar-se

Desabitua-te!
Desta janela em que escrevo, vejo os comboios a passar lá em baixo, não muito longe de mim. Mas daqui quase não os escuto. No entanto, há casas que estão mesmo coladas à linha férrea. Antes, admirava-me como conseguiriam essas pessoas dormir. Agora já não. Porque falei com algumas e revelaram-me o segredo: “nos primeiros dias ninguém pára, mas depois a gente habitua-se, já nem se dá conta”, disseram-me elas. Eis a maravilhosa capacidade de nos habituarmos.Mas depois, pus-me cá a pensar na nossa vida, e prefiro chamar-lhe assim: eis a perigosa capacidade de nos habituarmos. Porque o barulho dos comboios é como tudo: quando nos conseguimos habituar, deixamos de dar conta. E vejo que nos costumamos habituar a coisas demais. O hábito faz-nos perder a atenção dos acontecimentos, rouba-nos o gozo das novidades, e o sabor irrepetível dos dias; impede-nos de crescer. As pessoas habituam-se a viver juntas, e deixam de prestar atenção umas às outras. Um casal habitua-se ao casamento, e perdem o gozo do namoro. Esquecem a necessidade de se seduzir todos os dias. Habituam-se. E esquecem-se que têm que se pedir um ao outro de novo em casamento, em cada manhã.Deixamos cair até a nossa Fé na rotina do hábito, e tudo se vai tornando estéril. Vamos cumprindo rituais, aos quais chamamos obrigações e deveres. Vamos-nos habituando a cumpri-los, mas sem percebermos verdadeiramente para que servem.Habituamo-nos a ser o que somos, e deixamos de sonhar em ser mais. Habituamo-nos ao ritmo quotidiano, a que chamamos vida, e deixamo-nos engolir por ele. Habituamo-nos às correrias, habituamo-nos às inutilidades sempre tão urgentes, habituamo-nos a andar tristes. Habituamo-nos a encher a boca de queixas e lamentos. E assim, deitamos fora a vontade de mudar e viver de novo cada dia que nos calha em sorte. E depois… depois ainda somos capazes de dizer, com o rosto triste e um encolher de ombros desolado: “É a vida! Temos que nos habituar!”Não, não, amigo! Para ser verdadeiramente Vida, tens é que te desabituar!
Rui Santiago cssr
Hábito

O hábito torna-nos cegos às maravilhas do mundo - indiferentes e inconscientes perante os milagres quotidianos -, embota a força dos sentidos e dos sentimentos - torna-nos escravos dos costumes, mesmo tristes e culpados: suprime a vista, espanto, fogo e liberdade. Escravos, frígidos, insensatos, cegos: tudo propriedade dos cadáveres. A subjugação aos hábitos é uma subjugação da morte; um suicídio gradual do espírito.
(...)O hábito destrói a pouco e pouco o maior dom de Deus - a liberdade. Enquanto livres, somos feitos à imagem de Deus e capazes de nos aproximarmos, de nos reunirmos a Ele. Mas os hábitos, ao impedirem a evasão da mediocridade usual e os novos nascimentos, cancelam a semelhança divina, afastam o homem de Deus(...) Cristo promete o reino dos céus àqueles que se tornam pequenos - precisamente porque as crianças ainda não são afectadas pela camisa-de-forças dos hábitos.
Giovanni Papini - Relatório sobre os homens
sexta-feira, 6 de abril de 2007
A arte de pensar
"Trata um homem de acordo com o que ele é, ele continuará na mesma; trata-o de acordo com o que pode e deve ser, e ele converter-se-á no que pode e deve ser." (J. W. Goethe, escritor alemão)
"Procure ser um homem de valor, em vez de procurar ser um homem de sucesso." (Einstein)
"Estou convencido das minhas próprias limitações - e esta convicção é minha força."
(Mahatma Gandhi)
"Um homem terá pelo menos dado a partida para a descoberta do sentido da vida humana quando começar a plantar árvores frondosas sob as quais sabe muito bem que jamais se sentará." (D. Elton Trueblood)
"A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível." (Maria Montessori, pedagoga italiana )
"A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro." (Cícero)
"Diz-me, e eu esquecerei; ensina-me e eu lembrar-me-ei; envolve-me, e eu aprenderei." (Autor desconhecido)
"Procure ser um homem de valor, em vez de procurar ser um homem de sucesso." (Einstein)
"Estou convencido das minhas próprias limitações - e esta convicção é minha força."
(Mahatma Gandhi)
"Um homem terá pelo menos dado a partida para a descoberta do sentido da vida humana quando começar a plantar árvores frondosas sob as quais sabe muito bem que jamais se sentará." (D. Elton Trueblood)
"A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível." (Maria Montessori, pedagoga italiana )
"A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro." (Cícero)
"Diz-me, e eu esquecerei; ensina-me e eu lembrar-me-ei; envolve-me, e eu aprenderei." (Autor desconhecido)
sexta-feira, 30 de março de 2007
Vamos reflectir
"-Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
-Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
-Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
-Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato."
(Lewis Carroll -Alice no País das Maravilhas)
"Um fracassado é um homem que cometeu um erro e não é capaz de o transformar em experiência." (E. Hubrard)
"É melhor coxear pelo caminho do que avançar a grandes passos fora dele. Porque quem coxeia pelo caminho, embora avance devagar, aproxima-se da meta, enquanto que quem segue fora dele quanto mais corre mais se afasta." (Santo Agostinho)
"O maior acto de fé acontece quando uma pessoa decide que não é Deus." (Autor desconhecido)
-Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
-Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
-Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato."
(Lewis Carroll -Alice no País das Maravilhas)
"Um fracassado é um homem que cometeu um erro e não é capaz de o transformar em experiência." (E. Hubrard)
"É melhor coxear pelo caminho do que avançar a grandes passos fora dele. Porque quem coxeia pelo caminho, embora avance devagar, aproxima-se da meta, enquanto que quem segue fora dele quanto mais corre mais se afasta." (Santo Agostinho)
"O maior acto de fé acontece quando uma pessoa decide que não é Deus." (Autor desconhecido)
segunda-feira, 26 de março de 2007
Carta para a Leonor no dia em que faz 22 anos

" Só tem valor o que não se pode comprar. Podem-se comprar pêssegos mas não podemos comprar o pessegueiro em flor no campo em que floresce. Isto não tem a ver com o dinheiro. Pode-se dar dinheiro por coisas que têm valor. Uma fotografia, por exemplo, tem um custo, mas o seu valor está onde ela não está, de mistura com o sonho que nos agarra quando a vemos. É também assim o amor.
É sempre preciso voltar à banalidade das coisas. O espírito é só o contraste que revela. Somos pesados como a água e leves como o vento. Não paramos de passar. E o mistério das coisas não está nelas, nem em nós. O mistério existe e é tudo. E se quisermos saber tudo ficamos logo cegos. A bondade é o que há de mais belo, Leonor, e não se sabe o que é. É urgente que aprendas a viajar.
E não voltamos nunca. E vamos acabar. O que nos espera não espera por nós. Ficaremos cansados de qualquer maneira, e não há nada a fazer e isso já o sabíamos no começo e no fim não nos podemos queixar. E no entanto vale a pena este lugar, este tempo, esta vida que é um erro. Vale a pena esperar, não esquecer o que nunca está presente. Vamos indo, aos poucos, a um encontro secreto. Leonor, não tenhas medo.
A maldade turva o olhar, não o dos outros, mas o nosso. Não é preciso ter em conta as consequências, é no próprio fazer que a culpa se mede. Olha para os teus olhos antes de olhares para os dos outros. O que os teus olhos vêem vem da luz que tens em ti. Foge do escuro, foge. Foge sobretudo das sombras do teu olhar. O mais precioso, por mais ténue, vale mais do que tudo o resto, mesmo sem existir. Todo o tempo é precioso. Dorme menos.
Não vale a pena dormir com um homem com quem se dorme. O prazer vem só com o que o acompanha da melhor maneira. De resto está só em passar e não há caixa em que se guarde que depois se possa oferecer. Só o longo trabalho salva. E o amor precisa de mais cuidados do que um jardim. Todos os dias é preciso regar o nosso amor. E podar os ramos mortos. Trabalhemos pois, Leonor, que o amor requer trabalho e o trabalho precisa de amor.
Nunca saberemos o que nos une. Nem o que nos separa. Foi sempre assim. É essa a pequena grandeza que nos distingue. Só nisso somos todos iguais. O homem do lixo vale mais do que eu. A ideia que temos do que somos ou seremos é uma luz incerta e vaga. O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar, felizmente. Temos sempre de recomeçar e é nisso que somos eternos. Louvemos pois o que nos separa e nos une, isso mesmo a que é preciso não desagradar.
E quando o corpo cansa e a alma entristece não faças caso. De vez em quando o mundo também precisa de descansar. Admira as árvores e as nuvens e a sua indiferença por ti. Não queiras ser o centro de nada. À tua volta descobre o que não és. A frivolidade gasta a alma numa inútil correria. Sê humilde e sensata. Se for preciso torna-te pesada como uma pedra que, embora pesada, não se levanta contra ninguém. E se for preciso sê como o chicote que corta, doce e alegre Leonor." - Pedro Paixão, em "Vida de Adulto"
É sempre preciso voltar à banalidade das coisas. O espírito é só o contraste que revela. Somos pesados como a água e leves como o vento. Não paramos de passar. E o mistério das coisas não está nelas, nem em nós. O mistério existe e é tudo. E se quisermos saber tudo ficamos logo cegos. A bondade é o que há de mais belo, Leonor, e não se sabe o que é. É urgente que aprendas a viajar.
E não voltamos nunca. E vamos acabar. O que nos espera não espera por nós. Ficaremos cansados de qualquer maneira, e não há nada a fazer e isso já o sabíamos no começo e no fim não nos podemos queixar. E no entanto vale a pena este lugar, este tempo, esta vida que é um erro. Vale a pena esperar, não esquecer o que nunca está presente. Vamos indo, aos poucos, a um encontro secreto. Leonor, não tenhas medo.
A maldade turva o olhar, não o dos outros, mas o nosso. Não é preciso ter em conta as consequências, é no próprio fazer que a culpa se mede. Olha para os teus olhos antes de olhares para os dos outros. O que os teus olhos vêem vem da luz que tens em ti. Foge do escuro, foge. Foge sobretudo das sombras do teu olhar. O mais precioso, por mais ténue, vale mais do que tudo o resto, mesmo sem existir. Todo o tempo é precioso. Dorme menos.
Não vale a pena dormir com um homem com quem se dorme. O prazer vem só com o que o acompanha da melhor maneira. De resto está só em passar e não há caixa em que se guarde que depois se possa oferecer. Só o longo trabalho salva. E o amor precisa de mais cuidados do que um jardim. Todos os dias é preciso regar o nosso amor. E podar os ramos mortos. Trabalhemos pois, Leonor, que o amor requer trabalho e o trabalho precisa de amor.
Nunca saberemos o que nos une. Nem o que nos separa. Foi sempre assim. É essa a pequena grandeza que nos distingue. Só nisso somos todos iguais. O homem do lixo vale mais do que eu. A ideia que temos do que somos ou seremos é uma luz incerta e vaga. O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar, felizmente. Temos sempre de recomeçar e é nisso que somos eternos. Louvemos pois o que nos separa e nos une, isso mesmo a que é preciso não desagradar.
E quando o corpo cansa e a alma entristece não faças caso. De vez em quando o mundo também precisa de descansar. Admira as árvores e as nuvens e a sua indiferença por ti. Não queiras ser o centro de nada. À tua volta descobre o que não és. A frivolidade gasta a alma numa inútil correria. Sê humilde e sensata. Se for preciso torna-te pesada como uma pedra que, embora pesada, não se levanta contra ninguém. E se for preciso sê como o chicote que corta, doce e alegre Leonor." - Pedro Paixão, em "Vida de Adulto"
domingo, 18 de março de 2007
Para ser grande...
Vale a pena...
Viver como as flores

Era uma vez um jovem que caminhava ao lado do seu mestre. Ele perguntou:- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes, outras mentirosas... sofro com as que caluniam...- Pois viva como as flores! - advertiu o mestre.- Como é viver como as flores? - perguntou o discípulo.- Repare nestas flores - continuou o mestre - apontando lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas...É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros nos importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora... Não se deixe contaminar por tudo aquilo que o rodeia... Assim, você estará vivendo como as flores!
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