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domingo, 21 de outubro de 2007

Poesia...



DESCOBERTA

Quero aqueles gestos puros
nascidos de dentro da alma
como uma criança que vem ao mundo
e exprime seus sentimentos
sem explicações
Porque os gestos puros
eles não tem máculas
simplesmente existem
nascidos da semente do coração
Quero aquele olhar cheio de encanto
que quebra a beleza da noite
e parte as estrelas em mil pedaços
E arregaça a lua toda
descobrindo seus segredos
ouvindo as canções puras
que emanam do verdadeiro ser
Quero aquelas palavras
vindas de dentro do coração
que não são achadas em livros
nem em poesias
aquelas que ninguém ainda disse
frases inéditas
que vivem presas nas teias da alma
Quero aquele impulso latente
da verdade sem máscaras
descobrir o segredo da vida
encantar-me com a musica
embutida nos sonhos
E viver como uma criança
descobrindo pelo tacto
pelo cheiro
pelo olhar
tudo totalmente inédito e puro
como o primeiro respirar

®Mary Fioratti -http://encontrodasaudade.blogspot.com/2006/08/descoberta-quero-aqueles-gestos-puros.html




PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 30 de setembro de 2007

O que é o amor... visto pelas crianças


Tenho o hábito de navegar pela blogsfera. Praticamente todas as semanas sou abençoado com a descoberta de novas pérolas de sabedoria que vou guardando na minha caixinha dos favoritos e linkando nos meus blogs. A semana passada, fiz uma das melhores descobertas dos últimos meses: encontrei um blog recheado de pérolas de sabedoria! O nome do blog não podia ser mais adequado: Pérolas de Sabedoria! O link é:http://perolasdesabedoria.blogspot.com/

Neste blog, encontrei coisas maravilhosas. Para hoje, escolhi um texto que fala sobre o amor visto pelos olhos e sentido pelo coração das crianças. Várias crianças descrevem o que é para elas o amor. São descrições/ definições encantadoras, enternecedoras. Nunca me deixo de espantar e encantar com a espontaneidade, pureza, simplicidade, sinceridade, alegria, transparência, inocência e sabedoria das crianças.

Para mim, estão aqui reunidas algumas das melhores descrições do amor que já tive oportunidade de ler.


“Amor é quando alguém te magoa, e tu, mesmo muito magoado, não gritas porque sabes que isso vai ferir os sentimentos da outra pessoa.”

“Quando a minha avó ficou com artrite, e deixou de poder dobrar-se para pintar as unhas dos pés, o meu avô passou a pintar as unhas dela, apesar dele também ter muita artrite.”

“Amor é quando uma menina põe perfume e o menino põe loção pós-barba, depois saiem juntos e se cheiram um ao outro.”

“Eu sei que a minha irmã mais velha me ama porque ela dá-me todas as suas roupas velhas e tem que sair para comprar outras.”

“Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são muito amigos, apesar de se conhecerem há muito tempo.”

“Quando alguém te ama, a forma de dizer o teu nome é diferente...”

“Amor é quando sais para comer e ofereces as tuas batatinhas fritas sem esperar que a outra pessoa te ofereça as batatinhas dela.”

“Amor é quando a minha mãe faz café para o meu pai e toma um gole antes, para ter a certeza que está ao gosto dele.”

“Amor é quem está com a gente no Natal.”

“Se queres aprender a amar melhor, deves começar com um amigo de quem não gostas.”

“Quando contas a alguém alguma coisa feia sobre ti próprio, e ficas com medo que essa pessoa por causa disso deixe de gostar de ti, aí ficas mesmo surpreendido, que descobres que não só te continuam amando, como ainda te amam mais!”

“Há dois tipos de amor: o nosso amor e o amor de Deus. Mas o amor de Deus consegue juntar os dois.”

“Amor é quando a nossa mãe vê o nosso pai chegar suado e mal cheiroso e ainda diz que ele é mais bonito que o Robert Redford.”

“Durante a minha apresentação de piano, eu vi o meu pai na plateia, acenando-me e sorrindo. Era a única pessoa que fazia isso, e eu não sentia medo.”

“Amor é quando dizes a um rapaz que a camisa que ele usa é muito bonita, e ele a veste todos os dias.”

“Não deveríamos dizer amo-te a não ser quando realmente o sentimos. E se sentimos, então devíamos dizê-lo muitas vezes. As pessoas esquecem-se de o dizer.”

“Quando amas alguém, os teus olhos sobem e descem, e pequenas estrelas saem de ti!“

"Amor é quando o teu cão te lambe a cara, mesmo depois de o teres deixado sozinho o dia inteiro."

Fonte:http://perolasdesabedoria.blogpsot.com/



terça-feira, 1 de maio de 2007

A criança e o sábio


Um dia, uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe: "Que tamanho tem o universo? " Acariciando a cabeça da criança, ele olhou para o infinito e respondeu: "O Universo tem o tamanho do teu mundo."
Perturbada, ela indagou novamente: "Que tamanho tem o meu mundo?" O pensador respondeu: "Tem o tamanho dos teus sonhos."

Esta pequena e simples história encerra uma grande verdade. Há pouco tempo decidi partilhá-la com uma pessoa muito querida que, em breve, irá formar-se e exercer uma profissão muito nobre e que valorizo imenso. As crianças fazem parte do seu mundo e ela do mundo das crianças.

Quando olhamos em redor, abrimos as páginas de um jornal ou assistimos ás notícias na televisão, deparamos com um mundo manchado pela violência, fome, guerras, pobreza, desespero, solidão, egoísmo... Vemos crianças inocentes serem vítimas de todo este terror; crianças com um olhar sem brilho, carregado de tristeza e opressão. Como será o mundo dessas crianças? Ainda sonham? Quem alimenta os seus sonhos? Quem lhes incute esperança e as ajuda a ver para além da cortina do terror e da miséria?
Mesmo as crianças que vivem longe dos cenários de violência, pobreza e miséria, não serão elas afectadas pelos efeitos nefastos desses males? Creio que sim.
O mundo das crianças é um mistério tão belo e fascinante. Podemos aprender tanto com elas!

Jesus amava profundamente as criancinhas. Abençoava-as, acariciava-lhes o cabelo e as faces e dizia:" Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele." (Lucas 18: 16, 17)

Considero muito importante na formação de uma criança o desenvolvimento da capacidade de sonhar e lutar pelos sonhos. Nesta questão, pais, professores, educadores desempenham uma função muito importante e que deve ser mais valorizada e apoiada.
Eu recomendo a todos a leitura de um livro fascinante que nos encoraja e estimula a lutar pelos nossos sonhos e a nunca desistir deles por maiores que sejam os obstáculos e as dificuldades.
"Nunca desista dos seus sonhos" de Augusto Cury é um livro impregnado de esperança, fé, força, coragem, determinação, perseverança e convicções fortes. Não podemos ficar indiferentes à história de vida de grandes sonhadores que mudaram a história. Como é que eles conseguiram mudar a história? Mudaram a história através dos seus grandes projectos. "Tiveram grandes projectos porque viveram grandes sonhos. Os seus sonhos aliviaram o seu sofrimento, trouxeram esperança na perda, renovaram as suas forças nas derrotas. Os seus sonhos transformaram a sua inteligência num solo fértil. "
Se Deus quiser, voltarei a falar deste livro em breve.

domingo, 22 de abril de 2007

O mendigo


Não sou um grande contador de histórias(uma arte admirável), mas vou tentar contar, com as devidas limitações, um sonho que tive há muito e que ainda hoje está tão vivo e nítido na minha memória. Foi um sonho, não foi um pesadelo... Eu não queria acordar...
Estou no centro de uma cidade enorme, percorro uma avenida cujo fim não consigo vislumbrar. Até onde os meus olhos conseguem alcançar, no fundo do horizonte, avisto um deserto árido e tenebroso. Ao longo da avenida, caminha uma multidão de seres que me parecem humanos mas, ao mesmo tempo, me parecem completamente destituídos de humanidade.
Não há luz na cidade. O sol está ausente durante quase todo o sonho. O céu está coberto por um véu negro de escuridão impenetrável. O ar que respiro é oprimente e impregnado pelo cheiro das almas doentes que vagueiam pela avenida apressadas e indiferentes umas ás outras.Todas elas parecem rumar para o deserto que vislumbro no fundo do horizonte.
Penso que deserto será aquele: o deserto das suas vidas? O inferno? O fim de tudo ou o princípio de nada?
A certa altura, apercebo-me que nem todos caminham em direcção ao deserto estampado no fundo do horizonte. Alguns seres que me parecem claramente diferentes dos restantes, estão recostados nas paredes das casas e estendem as suas mãos para os que passam sem os ver. Neste sonho, consigo ter a percepção do interior do coração e da alma das pessoas, e passo por elas sem que se apercebam da minha presença. Julgo ser um ser etéreo.
O que vejo no coração e na alma daqueles seres que caminham apressados para o nada no fundo do horizonte? Vejo corações vazios; prisioneiros de si mesmos; oprimidos; sem amor e sem liberdade. Vejo almas cheias de si mesmas; cheias de nada; um deserto de solidão em cada uma. Mas, quando olho mais atentamente para os outros seres parados junto ás casas, com as mãos sujas e gastas estendidas num gesto carente de ajuda e partilha, perco a percepção anterior e vejo apenas seres que me parecem tão humanos quanto a humanidade almeja ser. Têm algumas semelhanças físicas com os mendigos da realidade da vida de cada um de nós, e com os quais nos cruzamos quase diariamente quando atravessamos apressados as ruas e avenidas das cidades onde moramos. Contudo, pressinto neles um mistério insondável.
Aproximo-me de um desses mendigos que me estende ambas as mãos. Vejo no seu rosto traços da indiferença e da rejeição das pessoas que passam. Olho no fundo dos seus olhos e vejo um quadro da solidão que acompanha os seus dias. Olho com mais profundidade e sou invadido por um sentimento de compaixão e compreensão profundos que não consigo ocultar. O mendigo permanece de mãos estendidas, e eu sem saber bem o que fazer, revolvo os bolsos sem encontrar moedas ou notas. Com um gesto de profundo pesar, digo-lhe que lamento, mas não tenho nada para lhe dar. Ele estende ainda mais as suas mãos que parecem clamar pelas minhas. Não sei então o que fazer e, com um gesto espontâneo e natural, estendo-lhe as minhas mãos vazias e agarro as dele. Entrelaçamos as mãos, e pela primeira vez, vejo-o sorrir( como certamente há muito não sorria). É um sorriso de criança encantada, deslumbrada perante o milagre de existir.É o sorriso transbordante de quem sempre viveu num deserto morrendo à sede e, inesperadamente, encontra uma fonte onde pode momentaneamente saciar a sua sede. É o sorriso de um homem profundamente grato pelo meu gesto simples e afectuoso.
Naquele momento, eu queria que ele soubesse que, para mim, aquele sorriso era a dádiva mais preciosa. Eu também me sentia só e esquecido naquela cidade cheia de seres vazios. Eu também sentia sede...
O sonho não acaba aqui...Olhei de novo com profundidade os olhos do mendigo enquanto sorria, e vi nascer do fundo uma luz muito brilhante e pura... A luz crescia e tornava-se mais intensa, até que transbordou o limite do seu olhar e inundou tudo... as casas, os seres cheios de nada, as almas moribundas...O véu escuro que cobria o céu desapareceu e um sol alegre, ameno e risonho iluminou toda a cidade. No fundo do horizonte, já não se avistava aquele deserto de solidão para o qual aqueles estranhos seres pareciam caminhar. Agora, eu via um jardim coberto de flores e árvores. O ar da cidade estava agora impregnado pelo perfume extasiante das flores. Ouviam-se notas de uma música distante que inspirava paz e serenidade. Aqueles seres antes tão apressados e agitados, paravam agora junto aos mendigos, agarravam as suas mãos estendidas e arrebatavam-os para uma dança de prazer e alegria. Também entrei na dança.
Enquanto dançava extasiado, acordei do sonho com um sorriso de criança a moldar-me os lábios. Finos raios de sol primaveril penetravam por entre as frechas da janela do nosso quarto e anunciavam o nascimento de um novo dia. Levantei-me com a alma serena, limpa e leve...Abri a janela e, por instantes, admirei profundamente a beleza que me rodeava...Tive a sensação de que tudo era novo, diferente... e que uma nova vida me havia sido dada de presente pelo mendigo do sonho que acabara de sonhar, e que ainda hoje está tão vivo na minha memória como a imagem do nosso primeiro beijo, ou o sorriso familiar daquela criança que acaba de passar por nós.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

A arte de pensar

"Trata um homem de acordo com o que ele é, ele continuará na mesma; trata-o de acordo com o que pode e deve ser, e ele converter-se-á no que pode e deve ser." (J. W. Goethe, escritor alemão)

"Procure ser um homem de valor, em vez de procurar ser um homem de sucesso." (Einstein)

"Estou convencido das minhas próprias limitações - e esta convicção é minha força."
(Mahatma Gandhi)

"Um homem terá pelo menos dado a partida para a descoberta do sentido da vida humana quando começar a plantar árvores frondosas sob as quais sabe muito bem que jamais se sentará." (D. Elton Trueblood)

"A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível." (Maria Montessori, pedagoga italiana )

"A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro." (Cícero)

"Diz-me, e eu esquecerei; ensina-me e eu lembrar-me-ei; envolve-me, e eu aprenderei." (Autor desconhecido)