sexta-feira, 30 de maio de 2008

Dois tipos de amor

"Há dois tipos de pessoas, porque há duas formas de amor.
Um amor santo, outro egoísta.
Um se preocupa com o bem comum em favor do entendimento mútuo e da fraternidade espiritual,
o outro procura submeter o bem comum ao próprio bem,
satisfazendo a arrogância e a ânsia de domínio;
um é submisso a Deus,
enquanto o outro trabalha para igualar-se a Deus.

Enquanto um trabalha pela paz,
o outro é insubordinado;
um prefere a verdade às honras humanas,
o outro anseia pelos louvores, ainda que sejam falsos;
um é amigo,
o outro é invejoso;
um deseja para o próximo o mesmo que deseja para si,
o outro deseja submeter o próximo a si mesmo;
um ajuda os demais interessado neles,
o outro se interessa por si mesmo."

(Santo Agostinho)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O AMOR CURA


«Só nos braços de alguém que nos ama podemos ousar mergulhar até ao fundo do abismo do nosso coração, reconhecer o nosso mal, confessá-lo, enfim, sermos verdadeiros perante nós mesmos e perante Deus. E começar uma vida nova».

É verdade que o mal descoberto não pode deixar de causar vergonha, uma vergonha que geraria angústia e desespero se, ao mesmo tempo, no olhar daquele que nos ama, não descobríssemos que há em nós uma beleza, mais profunda que o nosso mal, capaz de suscitar estima e amor.»

(Henri Caffarel, em "Nas encruzilhadas do amor")

domingo, 25 de maio de 2008

Aprender a ser livre


«Ao crescer, o homem descobre paulatinamente que tem um espaço interior, no qual está, de algum modo, à disposição de si mesmo. Ele percebe que, essencialmente, não depende nem dos pais, nem dos professores do colégio; não depende dos meios de comunicação, nem tão pouco da opinião pública. Experimenta um espaço no qual está a sós consigo mesmo, onde é livre. Descobre seu mundo interior, sua própria intimidade.
O íntimo é o que só a pessoa conhece: é o «santuário» do humano. Posso entrar dentro de mim, e aí ninguém pode me aprisionar.
Quando «estou comigo», facilmente percebo quão desnecessário e inclusive ridículo é o buscar a confirmação e o aplauso dos demais. O valor de uma pessoa não depende dos outros, não depende dos aplausos ou gestos de confirmação que possa receber ou não.
Somos mais do que vivemos no exterior. Há um espaço em nós ao qual os outros não têm acesso. É nossa «pátria interior», um espaço de silêncio e quietude. Enquanto não o descubramos, viveremos de um modo superficial e confuso, buscando consolo onde não há - no mundo exterior.
O homem é livre, quando mora na própria casa.
Infelizmente, há muitas pessoas que não «estão consigo», mas sempre com os outros. Não sabem descansar em si mesmas. » (Jutta Burggraf)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Solidão


«O nosso grande tormento na existência vem do facto de estarmos eternamente sós e de todos os nossos esforços, de todos os nossos actos tenderem apenas para um fuga a essa solidão.» - Guy de Maupassant

«Todo o nosso mal provém de não podermos estar sós: daí o jogo, o luxo, a dissipação, o vinho, as mulheres, a ignorância, a maledicência, a inveja, o esquecimento de si e de Deus.» - La Bruyère

terça-feira, 20 de maio de 2008

Eis aqui minha biografia

Senhor, eis aqui minha biografia, meu livro de vida...
É documentário e confesso que é muito difícil escrever a vida como vós quereis...
É difícil, Senhor, escrevê-la quando não se é escritor,
quando nunca se aprendeu tal ofício.
Mas a vida não se aprende:
Toda vida é um romance novo, único no género, sempre obra de primeira mão.
É difícil, Senhor, não poder copiá-lo, pois vós não aceitais plágios.
É difícil, Senhor, não poder corrigi-la.
Dela não podemos arrancar páginas mal escritas, ou apagar alguma coisa.
O que escrevi ficará sempre escrito.
O que eu posso é manifestar meu arrependimento,
escrevendo páginas melhores.
É difícil, Senhor, seguir este ritmo da vida que me leva inexoravelmente adiante...
Mas obrigado, Senhor, por retratar-me das páginas passadas
em cada nova página que escrevo.
É difícil, Senhor, ir virando as folhas, dia a dia,
na angústia de não saber o dia da entrega do manuscrito...
Mas não seria, Senhor, mais angustioso ainda saber o dia e a hora?
É difícil, Senhor, não sabermos quantas folhas em branco nos restam
para desenvolver satisfatoriamente o tema...
Um dia qualquer vós me tomareis a caneta das mãos
e escrevereis debaixo do meu último rabisco:
Fim.
É difícil, Senhor, não poder reclamar, então:
"Ainda não terminei...",
porque há sinfonias inacabadas que são obras primas
e há existências longevas que nunca acertaram o tema.
Tive pena do tempo perdido...
Mas, Senhor, não tivestes minha vida, a cada instante, em vossas mãos?

(Rabindranath Tagore)

domingo, 18 de maio de 2008

Contra ventos e tempestades: SÊ!


«Quanto melhor é uma pessoa, mais incomoda as pessoas más.

Se podes ser melhor do que és, é evidente que ainda não és tão bom como deves.

Quem caminha no sentido oposto ao Ser caminha para o nada.»

(Santo Agostinho)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

És o que dás


"... A morte onde cada um entra absolutamente só,
levando consigo unicamente o que se deu.
O que não se deu fica aí e apodrece pouco a pouco;
mas o que se deu é transformado em ser e vai com a pessoa para a eternidade. Porque o nosso ser constrói-se com o que damos..."

(François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Queres ser grande?

"Queres ser grande? Começa por ser humilde. Planejas levantar o edifício da tua própria perfeição? Começa por escavar os alicerces da tua humildade. E quanto mais alto o edifício, tanto mais profundos os alicerces. Vê bem que os edifícios sobem quando os alicerces são aprofundados. De tal forma que a grandeza torna-se pequena e a pequenez, grande." - Santo Agostinho

terça-feira, 13 de maio de 2008

Livre no amor


"Não se é livre senão para amar,
porque em tudo o que está fora do amor existe o poder de dominar
que oprime e impede o homem de ser plenamente homem."

(François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Dá-me forças


"Dá-me, ó Deus, forças para tornar o meu amor frutuoso e útil.
Dá-me forças para jamais desprezar o pobre nem curvar o joelho ante o poder insolente.
Dá-me forças para levantar o espírito bem alto, acima das futilidades de todo dia.
Dá-me forças para que me humilhe, com amor, diante de Ti.

Não sou mais que um farrapo de nuvens de outono, vagando inútil pelo céu, ó Sol glorioso!
Se é Teu desejo e Teu aprazimento, toma do meu nada, pinta-o de mil cores, irisa-o de ouro,
fá-lo flutuar no vento, e espalha-o pelo céu em múltiplas maravilhas...
E depois, se for Teu desejo terminar à noite tal recreio,
eu desaparecerei, esvaecendo-me em treva,
ou talvez em um sorriso de alvorada,
na frescura da pureza transparente".
(Rabindranath Tagore)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Minha Canção

Minha Canção Te Envolverá Com Sua Música,
como os abraços sublimes do Amor.
Tocará o teu rosto como um Beijo de Graças.
Quando estiveres só, se sentará a teu lado e te falará ao ouvido.

Minha Canção será como asas para os teus sonhos
e elevará teu coração até o Infinito.
Quando a noite escurecer o teu caminho,
minha Canção brilhará sobre ti como a Estrela Fiel.
Se fixará nos teus lindos olhos e guiará teu olhar até à Alma das Coisas.
Quando minha Voz se calar para sempre,
minha Canção te seguirá em teus pensamentos."
(Rabindranath Tagore)

terça-feira, 6 de maio de 2008

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
nem se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 4 de maio de 2008

Do Amor...

O amor dá-se apenas a si mesmo
e nada recebe se não de si próprio.
O amor não possui nem quer ser possuído.
Porque o amor se basta do amor.

Quando amardes,
não deveis dizer que está no meu coração,
mas antes, no coração de Deus.
E não penseis que sois vós quem orienta o rumo do amor,
pois, se vos achar dignos,
será o amor que conduzirá o vosso caminho.

O amor não tem outro desejo
que não realizar-se a si mesmo.
Mas se amardes e sentirdes desejos,
que sejam estes os vossos desejos:
Dissolver-se e ser-se como um regato que desliza e canta à noite a sua melodia.
De tanta ternura conhecer a dor,
ser ferido pela vossa própria concepção do amor
e sangrar de boa vontade e com júbilo.
Acordar para o amor com um coração alado
e dar graças por um outro dia de amor;
e fazer uma pausa à hora do meio dia e meditar sobre o êxtase do amor;
regressar à noite ao lar com gratidão;
e adormecer com uma oração no coração pelo amado,
e nos lábios um hino de louvor.

Kahlil Gibran, em "O Profeta"

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Amizade verdadeira


"Quando nosso quotidiano é preenchido somente com relacionamentos funcionais, pragmáticos, utilitaristas, ficamos doentes. Nossa vida espiritual pode funcionar, mas já não vai irradiar nada da bondade de Deus e do seu amor para as pessoas. Para a nossa vida espiritual ficar sadia e viva, precisamos ter bons relacionamentos, lúdicos e cheios de calor humano, aos quais dedicamos nosso tempo. Uma amizade verdadeira fecunda também a vida espiritual." - Anselm Grün, em "Não se esqueça do melhor"

quinta-feira, 1 de maio de 2008

E O PRÉMIO VAI PARA...


O Abrigo dos Sábios foi nomeado por outro blog amigo: Olhai os lírios do campo. Assim continuamos esta "RedeTeia" cumprindo as regras.
Pela blogosfera decorre uma inciativa com a finalidade de homenagear blogs de amigos que nos visitam ou que nós visitamos e que, de alguma forma, têm pontos em comum connosco.
Desta forma o blog Abrigo dos Sábios foi nomeado pela Viviana, pessoa muito amiga, generosa e amável que possui um espaço que é um convite permanente à reflexão e à contemplação da beleza que nos rodeia. "Olhai os lírios do campo" (http://olhaioliriodocampo.blogspot.com/).

Como é um blog muito bom, sim senhora!
De acordo com as seguintes regras:
1. Este prémio deve ser atribuído aos blogs que gostamos e visitamos regularmente, postando comentários.
2. Ao receber o selo "é um blog muito bom sim senhora"! devemos escrever um post incluindo:o nome de quem nos deu o prémio com o respectivo link de acesso+ a tag do prémio + a indicação de outros 7 blogs.
3. A tag do prémio deve ser exibida no blog.Assim o blog, http://www.abrigodossabios-paulo.blogspot.com/ conhecido por Abrigo dos Sábios, declara que os blogs que visita e comenta, entre outros que comenta e visita lamenta não nomear são:

http://flor-odesabrochar.blogspot.com/ (O Desabochar de uma simples flor)
http://sandrogerio.zip.net/ (Tudo tem seu tempo)

"Porque é um Prado Verdejante onde crescem plantas de sabedoria e de nobreza de carácter."
Viviana

terça-feira, 29 de abril de 2008

O amor fresco e puro...


Não quero o amor que desconhece limites,
como o vinho espumante que rompe o vaso e se derrama,
perdendo-se em um instante.

Envia-me o amor fresco e puro como Tua chuva
que abençoa a terra sedenta e enche as vasilhas do lar.
Envia-me o amor que penetra até ao centro do ser
e daí se espalha, como seiva invisível, pelos ramos da árvore da vida,
fazendo brotar flores e frutos.
Envia-me o amor que mantém o coração tranquilo, com a plenitude da paz.

(Rabindranath Tagore)

domingo, 27 de abril de 2008

Quando estiverem afinadas...


Quando estiverem afinadas, Mestre,

todas as cordas da minha vida,

cada vez que as toques, cantarão de amor.

(Rabindranath Tagore)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O pássaro livre e o pássaro domesticado



O pássaro domesticado vivia na gaiola e, o pássaro livre, na floresta.

Mas o destino deles era se encontrarem, e a hora finalmente havia chegado.

O pássaro livre cantou: - Meu amor voemos para o bosque.

O pássaro preso sussurrou: - Vem cá, e vivamos juntos nesta gaiola.

O pássaro livre respondeu: - Entre as grades não há espaço para abrir as asas.

- Ah, lamentou o pássaro engaiolado - no céu não saberia onde pousar.

O pássaro livre cantou: - Amor querido, canta as canções do campo.

O pássaro preso respondeu: - Fica junto comigo, e eu te ensinarei as palavras dos sábios.

O pássaro da floresta retrucou: - Não, não! As canções não podem ser ensinadas!

E o pássaro engaiolado gemeu: - Ai de mim! Eu não conheço as canções do campo.

Entre eles o amor era sem limites, mas eles não podiam voar asa com asa.

Olhavam-se através das grades da gaiola, mas em vão desejavam se conhecer.
Batiam as asas ansiosamente, e cantavam: - Chega mais perto, meu amor!

Mas o pássaro livre dizia: - Não posso! Tenho medo da tua gaiola com portas fechadas.

E o pássaro engaiolado sussurrava: - Ai de mim! As minhas asas ficaram fracas e morreram. - (Rabindranath Tagore)

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sim, bem sei...


Sim, bem sei, ó Amado do meu coração,
tudo isso não é senão o Teu Amor ;
esta luz dourada que dança sobre as folhas,
estas nuvens preguiçosas navegando pelo céu,
esta brisa fugitiva deixando uma frescura em minha fronte.

A luz da manhã inundou os meus olhos;
essa é a Tua mensagem ao meu coração.
A Tua face debruça-se do alto,
os Teus olhos olham os meus olhos aqui em baixo,
e o meu coração resvala pelos Teus pés.

(Rabindranath Tagore)

domingo, 20 de abril de 2008

Ser Amor

«Estive duas vezes no monte Athos. Lembro-me com prazer da primeira visita há vinte anos. O velho padre nos cumprimentou, a mim e a meu irmão, em Simonos Petras. Não entendemos nada do que ele falava. Mas as mãos que nos estendeu eram tão macias e sensíveis que exalavam amor. E os seus olhos irradiavam tal amor que logo nos sentimos em casa. Então pressenti como uma pessoa pode mudar quando é atravessada por inteiro pelo amor de Deus.
Quando olho tais pessoas que são puro amor lembro-me também de uma velha camponesa em cujo olhar se podia ler amor e misericordiosa doçura. Ela passou por altos e baixos na vida. Não falava muito. Mas em todo o seu ser brilhava um amor que brotava em todos os poros do seu corpo. Dessas pessoas flui um amor que tudo une, Deus, homem e criação. Elas estão em harmonia consigo mesmas e com a sua vida. Elas se amam e se sabem profundamente amadas por Deus. Elas fazem o seu amor fluir para tudo que encontram, para os homens, mas também para os animais e as coisas, que elas tocam amorosamente.
É provável que o leitor também conheça essas pessoas que são preenchidas de amor em todo o seu ser. Perto delas, você se sente em casa, aceite, amado. Mas o que é isso que irradia dessas pessoas? Temos dificuldade quando tentamos definir com mais precisão aquilo a que chamamos amor. Só podemos descrever que o amor é, evidentemente, uma qualidade do sentir, do falar e do agir, uma força que flui de nós, uma irradiação. Nela estão as qualidades da doçura, da bondade, da ternura, da amizade, da mansidão, da alegria. Por fim, estão reunidos no amor todos os frutos do Espírito que Paulo enumera na Epístola aos Gálatas (Gl 5,22s).» - Anselm Grun, "Morar na casa do Amor"

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Liberdade


«Liberdade é uma condição essencial para ser feliz. É muito mais que fazer o que lhe apetecer! Isso é livre-arbítrio, não Liberdade… Liberdade é querer fazer o que considero melhor fazer, ainda que custe, ainda que, superficialmente, não me apeteça. Ser livre implica ser muito forte, porque é um combate que se trava consigo próprio. Ser livre é ser protagonista nas minhas opções, decisões e acções, não porque só se faz o que apetece, mas porque se está radicalmente comprometido com o que se faz.»

Rui santiago, Jovens redentoristas

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Como as criancinhas


"Ás vezes, em sonho triste
nos meus desejos existe
longinquamente um país
onde ser feliz consiste
apenas em ser feliz. " - Fernando Pessoa

«As crianças a brincar juntas mostram-nos a alegria de estarem juntas, assim..., nem mais nem menos. Um dia, quando eu estava muito ocupado a entrevistar uma artista que admirava bastante, a sua filhinha de cinco anos disse-me: «Fiz um bolo de aniversário com areia. Agora tem de vir e fingir que o está a comer e que gosta dele. Vai ser divertido!» A mãe sorriu e disse-me: «É melhor você brincar com ela antes de falar comigo. Talvez ela tenha mais a ensinar-lhe do que eu.»

A alegria simples e directa duma criança recorda-nos que Deus se manifesta nos lugares onde há sorrisos e até risadas. Os sorrisos e as risadas abrem as portas do reino. Eis por que Jesus faz um apelo a que nós sejamos como crianças.» - Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"

domingo, 13 de abril de 2008

Surpreendidos pela Alegria


«Nós somos surpreendidos pela alegria ou pela tristeza?

O grande desafio da fé é sermos surpreendidos pela alegria. Recordo-me duma vez em que estava sentado à mesa de jantar com alguns amigos a discutir sobre a depressão económica do país. Continuávamos a amontoar estatísticas que nos convenciam cada vez mais de que as coisas não podiam senão piorar. Então, de repente, o filho de quatro anos dum dos meus amigos abriu a porta, correu para o pai e disse-lhe: «Olha, pai! Olha! Encontrei um gatinho no jardim... Olha!... Não é giro?» E, enquanto mostrava o gatinho ao pai, o menino acariciava-o com as mãos e apertava-o contra a face. Tudo mudou de repente. O miúdo e o gatinho tornaram-se o centro das atenções. Houve sorrisos, carícias e muitas palavras de ternura. Enfim, fomos surpreendidos pela alegria!

Deus fez-Se um menino no meio dum mundo violento. Seremos nós surpreendidos pela alegria ou contiuamos a dizer: «Sim, é bonito e terno, mas a realidade é diferente?» E que tal se a criança nos revelasse aquilo que, efectivamente, é a realidade?» - Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O Olhar de Amor


«Deus não é o olhar curioso, o olhar inquiridor, o olhar que esquadrinha, o olhar que julga. Deus não é também o olhar condescendente, que vem de cima para baixo, olhar que fere, olhar que ignora o outro como pessoa, olhar que despreza.(...)

Ser bom com Deus: que frase maravilhosa! Não somos bons com Deus se O tratamos como alguém que Ele não é; não somos bons com Deus se O tratamos pura e simplesmente como um juiz.» - François Varillon, em "Viver o Evangelho"


Deus é: "Um olhar de amor que me faz existir e me faz crescer no amor." (clicar)

terça-feira, 8 de abril de 2008

O Beijo de Amor


«(...) o beijo é a troca de respirações, que significa a troca das nossas profundidades: respiro-me em ti, expiro-me em ti e aspiro-te em mim de tal maneira que esteja em ti e tu estejas em mim.

Quer dizer, saio de mim mesmo para já não ser eu o meu próprio centro para que, doravante, o meu centro sejas tu. É a ti que eu amo, és tu o meu centro, vivo para ti e por ti; sei que tu também sais de ti, que já não és tu o teu próprio centro, estás centrado(a) em mim. Eu estou centrado em ti, vivo para ti. Tu estás centrado(a) mim, vives para mim e ambos vivemos um pelo outro. Amar é viver para o outro (é o dom) e viver pelo outro (é o acolhimento). Amar é renunciar a viver em si, para si e por si.» -François Varillon, em "Alegria de Crer e de Viver"

domingo, 6 de abril de 2008

Há amores assim

Donna Maria - "Há amores assim"




Há amores assim
Que nunca têm início
Muito menos têm fim
Na esquina de uma rua
Ou num banco de jardim
Quando menos esperamos
Há amores assim

Não demores tanto assim
Enquanto espero o céu azul
Cai a chuva sobre mim
Não me importo com mais nada
Se és direito ou o avesso
Se tu fores o meu final
Eu serei o teu começo

Não vou ganhar
Nem perder
Nem me lamentar
Estou pronta a saltar
De cabeça contra o mar

Não vou medir
Nem julgar
Eu quero arriscar
Tenho encontro marcado
Sem tempo nem lugar

Je t’aime j’adore
Um amor nunca se escolhe
Mas sei que vais reparar em mim
Yo te quiero tanto
E converso com o meu santo
Eu rezo e até peço em latim

Quando te encontrar sei que tudo se iluminará
Reconhecerei em ti meu amor, a minha eternidade
É que na verdade a saudade já me invade
Mesmo antes de te alcançar
É a sede que me mata
Ao sentir o rio abraçar o mar

Sem lágrima caída
Sou dona da minha vida
Sem nada mais nada
De bem com a vida

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O Amor de Deus



«Não é possível entrar em competição para ver quem é que ganha o amor de Deus. O amor de Deus é um amor que abraça a todos - cada um na sua própria unicidade. Só quando reivindicamos o nosso lugar no amor de Deus é que podemos experimentar o abraço total desse mesmo e incomparável amor e sentirmo-nos em segurança, não só em relação a Deus mas também em relação a todos os irmãos e irmãs. »


Henri Nouwen, em "Viver é Ser Amado"

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Coração Puro

"Quem o tem o coração puro? Aquele que não mancha o seu coração nem com o mal que comete nem com o bem que faz». -Dietrich Bonhoeffer, citado por François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver"

domingo, 30 de março de 2008

O Poder de Dar



"Dar é a expressão mais elevada de potência. No próprio acto de dar, eu experimento a minha força, o meu valor, o meu poder. A experiência de uma elevada vitalidade enche-me de alegria. Eu experimento-me como transbordante, provedor, vivo e, portanto, alegre. Dar causa mais alegria que receber, não porque seja uma privação, mas porque, no acto de dar, encontra-se a expressão da minha vitalidade." - Erich Fromm, citado por Dallas Willard, em "A renovação do coração"

Lanço um apelo ao vosso coração generoso e solidário: uma amiga que é professora teve conhecimento que uma antiga colega de residência encontra-se há três anos a leccionar em S. Tomé e depara-se diariamente com as mais diversas dificuldades. Todos podemos contribuir para ajudar a minorar esta situação. Objectos que temos em abundância (como lápis, canetas, cadernos, livros escolares, dicionários e obras literárias portuguesas) podem fazer a diferença naquela escola e, acima de tudo, na aprendizagem daqueles alunos.

Por favor consultem o blogue:http://projectosaotome.blogspot.com/

Muito obrigado!

sexta-feira, 28 de março de 2008

Quando chegamos ao fundo...


"...é deprimente procurar Deus quando o navio está afundando debaixo de nós; deprimente achegar-nos a Ele como um último recurso, oferecer a nossa pessoa quando não vale mais a pena guardá-la.

Se Deus fosse orgulhoso Ele jamais nos aceitaria nesses termos, mas Ele não é orgulhoso, Ele desce até nós para conquistar, Ele aceita-nos embora tenhamos mostrado que preferimos tudo o mais a Ele, e nos achegamos porque agora não há "nada melhor" que possamos ter.(...)"


C.S. Lewis, em "O problema do sofrimento"

quarta-feira, 26 de março de 2008

Amar é viver

"(...) Vida é o "algo mais" da existência. Não é um suceder de dias gastos e desgastantes, sem passado que alegre nem futuro que entusiasme. É uma construção quotidiana do mais fundo de mim próprio, do que sou, para lá do que tenho ou pareço. É uma descoberta do essencial, do eterno, do "eu" que permanece porque é mais forte que a morte. E só o que tem coração é eterno… só o que tem densidade de amor permanece, porque no frente-a-frente com a morte, só o amor se aventura sem lutar para perder. Seremos eternamente a plenitude do que agora construirmos; e construímo-nos agora na medida em que amamos.(...)"

terça-feira, 25 de março de 2008

A Vida é...

"A vida é uma oportunidade dada por Deus para nos tornarmos quem somos, para afirmarmos a nossa própria e autêntica natureza espiritual. (...)

O mistério insondável de Deus é que Ele é um Enamorado que quer ser amado. Aquele que nos criou está à espera da nossa resposta ao amor que nos deu o ser. "



Henri Nouwen, em "Viver é Ser Amado"

sexta-feira, 21 de março de 2008

Naquele dia, Naquele monte



Ele olhou ao redor da montanha e previu uma cena.
Três corpos pendurados em três cruzes.
Braços estendidos.
Cabeças inclinadas para frente.
Eles gemiam por causa do vento.
Homens fardados estavam sentados no chão, perto dos três.
Homens com roupas de religiosos se afastaram para o lado...
arrogantes, convencidos.
Mulheres envolvidas em sofrimento estão reunidas ao pé da montanha...
rostos marcados pelas lágrimas.

Todo o céu se levantou para lutar.
Toda a natureza se ergueu para o resgate.
Toda eternidade posicionou-se para dar proteção.
Mas o Criador não deu ordem alguma.
"Isso deve ser feito...", disse, e retirou-se.
O anjo disse outra vez: "Seria menos doloroso se..."
O Criador interrompeu brandamente: "Mas não seria amor..."

quinta-feira, 20 de março de 2008

Ser verdadeiramente


"O lugar para o qual Deus nos destina no Seu esquema de coisas é o lugar para o qual somos feitos. Quando o alcançamos, a nossa natureza é preenchida e a nossa felicidade alcançada: um osso quebrado foi colocado no seu lugar no universo, a angústia passou. Quando queremos ser outra coisa que não aquela que Deus quer que desejamos, devemos estar desejando, de facto, aquilo que não nos fará felizes. " - C.S. Lewis, em "O problema do sofrimento"

" Quanto mais deixamos que Deus assuma o controle sobre nós, mais autênticos nos tornamos - pois foi Ele quem nos fez. Ele inventou todas as diferentes pessoas que eu e você tencionávamos ser (...) É quando me viro para Cristo e me rendo à sua personalidade que pela primeira vez começo a ter minha própria e real personalidade." - C.S. Lewis, em "Cristianismo puro e simples"

terça-feira, 18 de março de 2008

1 ANO DE EXISTÊNCIA


Estimados amigos, visitantes e leitores, o "Abrigo dos Sábios" comemora hoje o seu primeiro ano de existência. Estão todos convidados para comer um pedacinho do bolito. É pequenino, mas bem dividido chega para todos. O importante é o espírito de comunhão, partilha e celebração!

Hoje, não há postagens. Este cantinho virtual pertence a todos vós que o visitam, lêem, comentam. Por isso, hoje estão todos convidados para expressarem as vossas opiniões, impressões, reflexões, pensamentos, sentimentos e emoções que este blog vos inspira, provoca, desperta...
Por exemplo: Qual o significado que ele tem para ti? Qual o post que mais te emocionou, marcou? Há quanto tempo o conheces? O que mais gostas e menos gostas no blog?

Estou aberto a sugestões, dicas, conselhos. O importante é melhorar, evoluir, crescer, aprender...

Partilhem comigo reflexões, frases, histórias, pensamentos, contos... Escolherei os que mais gostar para publicar no blog.

Obrigado a todos! Deus vos abençoe!


domingo, 16 de março de 2008

Felicidade Peregrina



«... a felicidade é justamente a colecção das pequenas alegrias que vamos colhendo e celebrando pelo meio do caminho. Como todos nós, a nossa felicidade também é peregrina. Guimarães Rosa sabia disso ao afirmar: "a felicidade não está nem na partida nem na chegada, mas no meio da travessia".

Já que a vida é infinita enquanto dura, então devemos celebrá-la constantemente fazendo o bem e fazendo isso muito bem. Se a felicidade é peregrina, o bem é definitivo. E no meio disso tudo está a vida, dom de Deus a ser celebrado, a ser desfrutado.»

Clovis Pinto de Castro em "Transformados pela Palavra de Deus" - W4 EndoNet - Comunicação.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Alegria de dar

«A nossa humanidade atinge a sua expressão mais alta no acto de dar.(...)

É triste constatar como, num mundo altamente competitivo e ávido de sucesso, perdemos o contacto com a alegria de dar. Com frequência vivemos até como se a nossa felicidade dependesse de ter. Mas o que acontece é que eu não conheço ninguém que seja realmente feliz pelo que tem. A alegria autêntica, a felicidade e a paz interior, provêm da capacidade de nos doarmos aos outros. Uma vida feliz é uma vida pelos outros. (...)»

Henri Nouwen, em "Viver é Ser Amado"


Convido-vos a ler (com atenção) e a reflectir (com profundidade) na seguinte parábola: Mar da Galileia/ Mar Morto (clicar)

quinta-feira, 13 de março de 2008

Só dê ouvidos a quem te ama


«Só dê ouvidos a quem te ama. Outras opiniões, se não fundamentadas no amor, podem representar perigo. Tem gente que vive dando palpite na vida dos outros. O faz porque não é capaz de viver bem a sua própria vida. É especialista em receitas mágicas de felicidade, de realização, mas quando precisa fazer a receita dar certo na sua própria história, fracassa.Tem gente que gosta de fazer a vida alheia a pauta principal de seus assuntos. Tem solução para todos os problemas da humanidade, menos para os seus. Dá conselhos, propõe soluções, articula, multiplica, subtrai, faz de tudo para que o outro faça o que ele quer.

Só dê ouvidos a quem te ama, repito. Cuidado com as acusações de quem não te conhece. Não coloque sua atenção em frases que te acusam injustamente. Há muitos que vão feridos pela vida porque não souberam esquecer os insultos maldosos. Prenderam a atenção nas palavras agressivas e acreditaram no conteúdo mentiroso delas. Há muitos que carregam o fardo permanente da irrealização porque não se tornaram capazes de esquecer a palavra maldita, o insulto agressor.

Por isso repito: só dê ouvidos a quem te ama. Não se ocupe demais com as opiniões de pessoas estranhas. Só a cumplicidade e conhecimento mútuo pode autorizar alguém a dizer alguma coisa a respeito do outro.
Ando pensando no poder das palavras. Há palavras que bendizem, outras que maldizem. Descubro cada vez mais que Jesus era especialista em palavras benditas. Quero ser também. Além de bendizer com a palavra, Ele também era capaz de fazer esquecer a palavra que amaldiçoou. Evangelizar consiste em fazer o outro esquecer o que nele não presta, e que a palavra maldita insiste em lembrar. Quero viver para fazer esquecer... Queira também. Nem sempre eu consigo, mas eu não desisto. Não desista também. Há mais beleza em construir que destruir.

Repito: só dê ouvidos a quem te ama. Tudo mais é palavra perdida, sem alvo e sem motivo santo. Só mais uma coisa. Não te preocupes tanto com o que acham de ti. Quem geralmente acha não achou nem sabe ver a beleza dos avessos que nem sempre tu revelas. O que te salva não é o que os outros andam achando... mas é o que Deus sabe a teu respeito.»

Pe. Fábio Melo

terça-feira, 11 de março de 2008

O frio que vem de dentro

Seis homens ficaram bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve. Teriam que esperar até ao amanhecer para poderem receber socorro. Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam. Se o fogo apagasse - eles sabiam -, todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.
Chegou a hora de cada um colocar a sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver.

O primeiro homem era um racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura. Então ele raciocinou consigo mesmo: - "Aquele negro! Jamais darei a minha lenha para aquecer um negro". E guardou-a, protegendo-a dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu no círculo em torno do fogo bruxuleante, um homem da montanha, que trazia a sua pobreza no aspecto do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas ao valor da sua lenha e enquanto mentalmente sonhava com o seu lucro, pensou: - "Eu? Dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso?" E reservou-a.
O terceiro homem era um negro. Os seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela superioridade moral que o sofrimento ensina. Seu pensamento era muito prático: - "É bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além disso, eu jamais daria a minha lenha para salvar aqueles que me oprimem". E guardou a sua lenha com cuidado.
O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve. Ele pensou: - "Esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar a minha lenha."
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas. Nem lhe passou pela cabeça oferecer da lenha que carregava. Ele estava preocupado demais com as suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.
O último homem trazia, nos vincos da testa e nas palmas calosas das mãos, os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido. - "Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem o menor dos meus gravetos".

Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira cobriu-se de cinzas e finalmente apagou-se. Ao alvorecer do dia, quando os homens do Socorro chegara à caverna, encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de Socorro disse: - "O frio que os matou não foi o de fora, mas o frio que veio de dentro".

Autor desconhecido







domingo, 9 de março de 2008

Deus Procura-te


Hoje, quero partilhar convosco um texto de um escritor que admiro imenso. É um texto retirado de um livro maravilhoso que aconselho vivamente: "O Regresso do Filho Pródigo". Este trecho que escolhi reflecte em parte o que tem sido a minha busca e experiência de Deus. Mas, o que eu considero mais importante neste trecho é o facto de que "Deus é o Pai que anda em busca dos filhos, vela por eles, corre ao seu encontro, os abraça, roga, suplica e anima a que voltem para casa. Por estranho que pareça, Deus deseja encontrar-me tanto, se não mais, do que eu desejo encontrar Deus. Sim, Deus reclama-me tanto como eu a Ele.".
Mas, Deus não se impõe, não pressiona, não oprime. Bem a propósito são as palavras de outro autor cristão que muito estimo: "Deus respeita de modo absoluto a liberdade do ser humano. Ele a criou, e não foi para petrificá-la, ou violentá-la. É por isso que ele jamais grita, nem impõe. Ele sugere, propõe, convida. Ele não diz "Eu quero", mas "Se tu quiseres ... " Expressões como "os mandamentos de Deus" ou "a vontade de Deus" devem, assim, ser tomadas com cuidado, e compreendidas segundo o amor. Deus não repreende: ele deixa esse cuidado à nossa consciência. "Ele é maior que o nosso coração", diz São João na sua primeira carta. Ele fica escondido para não se tornar irresistível.. A sua invisibilidade é uma forma de pudor". - François Varillon


«Ao longo de toda a minha vida tenho lutado por encontrar Deus, por conhecer Deus, por amar a Deus; procurei seguir as directrizes da vida espiritual - orar constantemente, trabalhar pelos outros, ler as Escrituras - e evitei muitas tentações de arranjar desculpas. Falhei muitas vezes, mas voltei sempre a tentar, mesmo quando estive à beira do desespero. Agora pergunto se durante todo este tempo tive ou não suficiente consciência de que Deus andou a procurar encontrar-me, conhecer-me e amar-me.
A questão não é «Como hei-de encontrar Deus?», mas: «Como hei-de deixar que Deus me encontre?». A questão não é «Como posso conhecer Deus?» , mas: «Como posso deixar que Deus me conheça?». Finalmente, a questão não é: «Como vou amar a Deus?», mas: «Como vou deixar-me amar por Deus?».

Deus anda por longe à minha procura, tratando de me encontrar e desejando levar-me para casa. Nas três parábolas em que Jesus responde à pergunta: porque come com os pecadores? , põe a tónica na iniciativa de Deus. Deus é o pastor que vai à procura da ovelha perdida. Deus é a mulher que acende uma candeia, varre a casa e procura por todo o lado até encontrar a moeda perdida. Deus é o Pai que anda em busca dos filhos, vela por eles, corre ao seu encontro, os abraça, roga, suplica e anima a que voltem para casa. Por estranho que pareça, Deus deseja encontrar-me tanto, se não mais, do que eu desejo encontrar Deus. Sim, Deus reclama-me tanto como eu a Ele. Deus não é o patriarca que fica em casa, imóvel, à espera que os filhos voltem para ao pé dele, à espera que peçam desculpa pelo seu comportamento, que peçam perdão e prometam emendar-se. Pelo contrário, abandona a casa sem fazer caso da sua dignidade, corre à procura deles, não quer saber de desculpas e promessas de emenda, e condu-los à mesa magnificamente preparada.»

Henri Nouwen, em "O Regresso do Filho Pródigo"

sexta-feira, 7 de março de 2008

Ser feliz


«(...) Porque ser Feliz não é sentir-se assim ou assado… Não é a “consequência” de uma maneira de viver ou de certos acontecimentos… É uma maneira de viver! Ser Feliz é uma maneira de viver que, não anulando as experiências de dor, sofrimento, derrota ou traição, as transfiguram no seu âmago! É possível sofrer, falhar e chorar como pessoa Feliz! Ser Feliz é uma maneira de viver, não a consequência desta ou daquela coisa… E se é uma maneira de Viver, ser Feliz é também uma maneira muito especial de sofrer, de chorar e de recomeçar.(...)»


Rui Santiago, Derrotar Montanhas

quinta-feira, 6 de março de 2008

Blog do Emanuel

Já conheces o Blog do Emanuel?(clica sobre as palavras) Não?! Então, não sabes o que perdes!
Visita-o assim que puderes. Ele gosta muito de fazer amigos e está sempre disponível para ajudar todos aqueles que o procuram e aprendem a amá-lo.

Agora, deixo que o Emanuel se apresente pessoalmente. Só Deus sabe se não poderá ser o início de uma bela e eterna amizade!


Splaaashh!...






Afinal, o que é isso da Ressurreição?





"Então, (i)Reverência?!"






terça-feira, 4 de março de 2008

O coração humano

Certo dia, Deus viu que estava a ficar cansado das pessoas. Elas estavam sempre a incomodá-lo, pedindo coisas e mais coisas... Então disse: “ Vou esconder-me por uns tempos! ” Reuniu alguns dos seus conselheiros e perguntou-lhes: “ Qual é o melhor lugar para eu me esconder? ”
Alguns disseram: “ no cume da montanha mais alta da terra! ”. Outros, pelo contrário, achavam que era no fundo do mar. Aí, certamente, ninguém O encontraria. Outros responderam: “ O melhor lugar é na lua! Lá é impossível alguém descobrir o Senhor. ”
Então Deus perguntou ao seu conselheiro mais inteligente: “ Onde achas melhor eu esconder-me? ” E ele, sorridente, respondeu: “ Senhor, esconda-se no coração do ser humano. Esse é o único lugar onde ele nunca vai! ”

(Autor desconhecido)

domingo, 2 de março de 2008

Depende de nós

Um dia, um jovem chegou a uma povoação à procura de uma casa e de emprego. Antes, porém, queria saber como eram os moradores daquela terra. Aproximou-se de um homem idoso e perguntou-lhe:
- Bom-dia! Como são os habitantes desta terra?
O homem respondeu: - Antes de responder, gostava de saber como são as pessoas da terra, de onde vem.
- As pessoas onde eu morava eram más, pessimistas, desumanas, antipáticas. Gente pior não existe - respondeu o jovem.
- Pois bem, o meu amigo vai encontrar aqui a mesma espécie de gente- respondeu, por sua vez, o idoso.
Passados alguns dias, chegou um outro forasteiro àquela terra. Procurou também informações acerca das pessoas daquele lugar. Dirigiu-se ao mesmo velhinho e fez-lhe a mesma pergunta:
- Que tal os habitantes desta terra?
O velho sábio replicou: - Primeiro conte-me alguma coisa da terra de onde vem.
- É gente maravilhosa, hospitaleira, simpática. Parece uma boa família.
- Pois bem, meu jovem, é esse o mesmo tipo de gente que irá encontrar aqui - respondeu com sabedoria o idoso.

Autor desconhecido

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Quem sabe


Quem sabe do medo é quem sente,
quem sabe da dor é quem tem
quem sabe do amor é quem se entrega
quem sabe da solidão é a vida
quem sabe da vida é a morte
quem sabe da mentira é quem mente
e quem sabe da verdade é a liberdade.

Ainda que o medo te assole,
ou que a dor te amole,
ainda que o amor te rejeite
e a solidão não te respeite
ainda que a vida te destrua
e a morte se mostre crua,
ainda que a mentira te acuse
e os mentirosos te usem
ainda assim,
a verdade te trará a liberdade
de viver o que tu desejas ser

Fonte: Alice no País do Pensamento


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Quando amamos mostramos Deus



Deus est mortali iuvare mortalem: "Para o mortal, Deus é ajudar o mortal". Essa frase de Plínio, o Velho, recolhida também por Cícero, chega até nós, por conseguinte, do próprio mundo pagão. Por pouco que sobre ela se medite, percebe-se uma profundidade abismal. Remete, por um lado, à presença activa de Deus, que não é um "estar" apático ou inerte, mas é sempre "acontecimento" vivo, sobretudo onde tal presença é acolhida e prolongada na liberdade humana. E por outro lado, aponta para o lugar privilegiado desse acontecer, pois Deus nunca "acontece" tão profunda, intensa e puramente como quando um homem ou uma mulher acorre em ajuda de outro homem ou de outra mulher. Onde alguém ama, está tornando visível e operante a presença de Deus.

Andrés Torres Queiruga em "Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus"

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O fabuloso destino de Amélie e os Tindersticks

"O Fabuloso destino de Amélie", é um dos filmes da minha vida. A personagem Amélie, interpretada por Audrey Tautou, é simplesmente deliciosa, divertida e insólita. O filme é apaixonante, cativante e cheio de originalidade.
Sobre o filme alguém disse:" «O fabuloso destino de Amélie» não é, aos meus olhos, um filme. É um sonho. Um sonho maravilhoso que nos acompanha eternamente, depois de o termos, e que nunca mais queremos esquecer.
Jean Pierre-Jeunet pinta, neste quadro, das histórias mais brilhantes dos últimos anos, com um argumento apaixonante, original, envolvente, desdobrado em personagens que nos impelem, de tal forma, para que vejamos o mundo com os seus olhos, que se tornam parte de nós, nos consomem, recriam e fazem pensar incessantemente."
Hoje, decidi falar sobre este filme, porque há pouco tempo encontrei no "You Tube" um video (não oficial) de uma canção que considero fabulosa, maravilhosa. Curiosamente as imagens do video são deste filme que mencionei. Na minha opinião, a junção da música com as imagens está harmoniosa. Grande filme, grande canção!

Tindersticks - "Buried Bones"

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Vida é aventura

«Esta vida tão improvável que nos é dada, cabe a nós não a desperdiçar. A vida não é um destino, é uma aventura. Ninguém escolheu nascer; ninguém vive sem escolher. Cada qual é inocente de si, mas responsável pelos seus actos. E responsável, portanto, ao menos em parte, por aquilo que se tornou.(...) É forjando que alguém se torna forjador. É bebendo que alguém se torna alcoólico. É realizando acções virtuosas que alguém se torna virtuoso. "Fazer", dizia Lequier, "e, fazendo, fazer-se". Isso não fará de nós outra pessoa, o que ninguém consegue. Mas impede de nos resignarmos rápido demais ao que somos, o que ninguém deve fazer.» - André Comte-Sponville, em "A vida humana" - Martins Fontes, p.26

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O amor é mestre

MEUS IRMÃOS, não temam o pecado, amem o homem mesmo no pecado, é isso a imagem do amor divino, um amor como não há maior na terra. Amem toda a criação no seu conjunto e nos seus elementos, cada folha, cada raio de luz, os animais, as plantas. Amando cada coisa, compreenderão o mistério divino nas coisas. Tendo-o compreendido uma vez, vocês o conhecerão sempre mais, a cada dia. E acabarão por amar o mundo inteiro com um amor universal...... o amor é mestre, mas é preciso saber adquiri-lo, porque se adquire dificilmente, ao preço de um esforço prolongado; é preciso amar de facto, não por um instante, mas até o fim. Qualquer um, até mesmo um criminoso, é capaz de um amor fortuito.

O Stárets Zósima de Fiódor M. Dostoiévski em "Os irmãos Karamázov" - Ediouro, ps 320-321

Fonte: Ricardo Gondim

domingo, 17 de fevereiro de 2008

"Canção triste" que enche a alma

Descobri esta canção ontem, num blog que costumo visitar com alguma frequência e no qual já tive o prazer de descobrir verdadeiras pérolas musicais.
A música captou de imediato a minha atenção pela diferença, intensidade e as emoções que desperta.
Estive para postar o video oficial, mas descobri outro que me tocou profundamente. Creio que as imagens se enquadram no espírito da canção. É um alerta sobre as espécies animais ameaçadas, em perigo de extinção. Oiçam e vejam com atenção:

Fredo Viola - "Sad Song"

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sabes que te amo?


Para a minha doce, amorosa e bela princesa...

O dia de hoje foi estipulado ser o dia dos (e)namorados. Para assinalar a data, decidi voltar a dedicar-te um texto que escrevi há algum tempo e que postei neste blog.
Tu és a fonte de inspiração dessas palavras escritas com amor profundo e verdadeiro. Quero que entre nós permaneça vivo este estado de enamoramento que nos enche o coração de ternura, serenidade, alegria e paz. Quero que o nosso amor se renove, recrie, amadureça e cresça cheio de beleza, inocência, pureza, ternura, compreensão, confiança, sinceridade e paixão.

Sabes que te amo?

Por vezes, sou acordado de manhã, com a tua voz sussurrando ao meu ouvido: «Sabes que te amo?». Outras vezes, enquanto escrevo ou estou profundamente concentrado na leitura de um livro, sinto uma carícia suave e aconchegante sobre os meus cabelos e a tua voz doce e ternurenta murmura: «Sabes que te amo?». Respondo quase sempre com um sorriso de indisfarçável alegria e satisfação, e retribuo com beijos e afagos o profundo e sincero afecto com que me aquietas a alma e aqueces o coração. Eu sinto-me grato(e algumas vezes, sinto vontade de chorar, porque sinto que não mereço).

«Sabes que te amo?», repetes a pergunta, que não é retórica, nem é como aquelas perguntas que por vezes fazemos, com o intuito de satisfazer a curiosidade, esclarecer algumas dúvidas, ou simplesmente para tentar saciar a insaciável sede de aprender e conhecer.«Sabes que te amo?»- Sei que é mais uma afirmação que uma interrogação. Penso que tu queres afirmar e queres que eu esteja seguro que, apesar de todos os meus defeitos, falhas e imperfeições, tu me amas como eu sou. Apesar das críticas que te dirijo; das coisas que te recuso; do meu aparente desinteresse; do meu espírito por vezes tão ausente; da minha impaciência irritante; das minhas crises de ansiedade; dos meus hábitos invulgares; das minhas opiniões irreflectidas; dos meus gestos impensados; das minhas pequenas obsessões; do meu desajeitado sentido prático; da minha falta de autoconfiança; das minhas inseguranças nocivas; dos meus medos injustificados; do cansaço que por vezes trago e com o qual te sobrecarrego; dos meus acessos de preguiça aguda; do meu despojamento em relação a tantas coisas(que para ti são importantes); do meu apego aquilo que considero que realmente importa e é essencial(mas que para ti pode não ser); do meu feitio caseiro e fechado; da falta de ousadia e coragem para correr riscos que por vezes se apodera de mim... e de tantas outras coisas que agora não me ocorrem e que, a serem lembradas, tornariam esta lista um relatório fastidioso e aborrecido.

«Sabes que te amo?» - Sim, eu sei.(raramente te respondo assim, porque creio que a tua intenção não é obter uma resposta, ou pelo menos, esta resposta) Tu queres reafirmar o teu amor por mim... Tu queres dizer-me:" Eu amo-te como tu és! Não me importa se por vezes falhas, se fracassas, se me desiludes, se me magoas, se não correspondes ás minhas expectativas... Eu sinto amor... é amor...". Então, vem-me à mente uma passagem bíblica, "o amor cobre uma multidão de pecados...". E quanto mais reflicto mais frases me ocorrem: "o amor é paciente...Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

«Sabes que te amo?» E parece que te oiço dizer:« Deixa-me amar-te... gosto tanto de amar-te... é tão bom amar-te.» E eu sinto-me amado e cheio de gratidão. Mas não mereço.Eu acredito e sinto que me amas, minha amada. O teu amor flui no meu coração como um bálsamo suave e inebriante. Sinto-me então mais confiante, sereno, ousado, corajoso, dinâmico, aberto aos outros, compreensivo, compassivo e paciente.

Eu também te amo, meu tesouro. Sabes que te amo? Quero que saibas que só sei amar-te como sou e amo-te como és. Não tenhas medo, minha flor. Não tenhas receio das trevas, pois também há luz no meu olhar. Não te assustes com as sombras; fixa o teu olhar no meu sorriso de criança feliz quando me dizes: «sabes que te amo?».Conta-me histórias de encantar quando à noite chegar cansado. Beija os meus densos cabelos negros e brancos, quando me sentires ausente ou ansioso. Deixa-me mergulhar com os meus medos nas águas tranquilas do teu regaço. Contagia-me com o teu entusiamo e alegria quando me sentires fustigado pelas tempestades da vida. Levanta-me com as tuas mãos suaves e maternas quando eu tropeçar e cair. Acalma-me com os teus beijos suaves e ternos quando o meu corpo tremer de ansiedade. Encoraja-me com as tuas palavras doces e meigas quando eu começo a vacilar. Pega nas minhas mãos frias e cansadas com as tuas mãos suaves e macias e diz-me mais uma vez: «sabes que te amo?».

Quero que saibas também que é o teu amor, meu amor(minha musa), que me faz escrever assim. Eu que já não escrevia assim há tanto tempo e agora escrevo, só porque acordei esta manhã com a tua voz doce de menina a segredar-me ao ouvido: «Sabes que te amo?».

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Responsabilidade humana

«A essência da liberdade, se é que lhe interessa saber, não consiste apenas em ter a galhardia ou a honradez de assumir os próprios erros sem ficar procurando desculpas a torto e a direito. O indivíduo responsável é consciente do que sua liberdade tem de 'real'. Emprego 'real' no duplo sentido, de 'autêntico' ou 'verdadeiro' e também 'próprio de um rei', aquele que toma decisões sem que nenhum superior lhe dê ordens. Responsabilidade é saber que cada um de meus actos vai-me construindo, vai-me definindo, vai-me inventando. Ao escolher o que quero fazer vou-me transformando pouco a pouco. Todas as decisões deixam marca em mim mesmo antes de deixá-la no mundo que me cerca». (Fernando Savater em "Ética para meu Filho" - Editora Martins Fontes).

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A liberdade do verdadeiro amor



"Todo o ser humano vive as suas experiências de amor. Cada um já amou uma vez e também já foi amado. E experimentou, nesta ocasião, o milagre do amor. Porém,muitas vezes, também viveu o fracasso e as complicações em que o amor pode colocá-lo. O amor, sem sombra de dúvidas, é uma das forças mais poderosas no ser humano; no mínimo, uma força que ninguém pode ignorar. E em todas as experiências de amor, nas bem-sucedidas e nas fracassadas, o ser humano aspira por amor verdadeiro, por um amor que não fira nem destrua, mas que vivifique e enobreça; que não controle e aprisione, mas liberte e abra um espaço para a vida. Na verdade, o ser humano aspira ser amado incondicionalmente em tudo o que é. Ele aspira por um amor que lhe permita viver autenticamente em liberdade."

Anselm Grün - Obra: Abra seu coração para o amor - Ed. Vozes

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O que é a alegria?



«O que é a alegria? Um 'sim' espontâneo à vida que brota de dentro de nós, às vezes quando menos esperamos. Um 'sim' ao que somos, ou melhor, ao que sentimos ser. Quem tem alegria já recebeu o prémio máximo e não carece de nada; quem não tem alegria - por mais sábio, bonito, sadio, rico, poderoso, santo, etc., que seja - é um miserável que carece do mais importante. Pois bem, ouça: O prazer é magnífico e desejável quando sabemos colocá-lo a serviço da alegria, mas não quando a turva ou a compromete. O limite negativo do prazer não é a dor, nem mesmo a morte, mas a alegria: quando começamos a perdê-la por um determinado deleite, com certeza estamos desfrutando o que não nos convém». (Fernando Savater em "Ética para meu Filho" - Editora Martins Fontes).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Quantos Mozart já se perderam?

«Marx dizia: 'Eu não asseguro que em cada jovem se abrigue um Mozart, porém almejo que, se num jovem existir um Mozart, esse Mozart possa revelar-se'. Pensemos em quantas mulheres-Mozart não se revelaram impedidas pelo machismo. Pensemos em quantas mulheres geniais foram reprimidas somente pelo facto de ser mulheres! Não saberemos jamais se a irmã de Mozart possuía uma genialidade musical superior à do irmão, porque, ainda que a tivesse tido, o pai certamente não lhe teria oferecido a mesma educação e as mesmas oportunidades favoráveis que ofereceu ao jovem Wolfgang». (Domenico De Masi em "Diálogos criativos" - De Leitura).

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O Inferno


"O inferno não são 'os outros'. O inferno é trabalhar tão duramente para obter o sucesso de forma a corroer nosso relacionamento com os outros; a enxergar os outros somente em função do que eles podem fazer por nós. Isto me faz pensar em Fausto, que vendeu a sua alma pelo poder ilimitado do mundo, e que se tornou imensamente solitário ao alcançá-lo. Para ele inferno é a solidão de ter tudo e saber que ainda não é o bastante. (Será que todos fazemos os nossos pactos com o demônio, recebendo o que pensamos que queremos e perdendo em troca parte de nossas almas?)". (Harold Kushner em Quando Tudo não é o Bastante).


domingo, 3 de fevereiro de 2008

Canções da minha vida IV

Talvez poucos conheçam esta bela e inspirada canção interpretada por duas grandes vozes, que marcaram uma geração de admiradores fieis e entusiastas. Com certeza, que uma maioria já ouviu falar de Morrissey e dos The Smiths, grupo do qual ele foi líder e vocalista, durante grande parte da década de 80. Quanto a Siouxie, acredito que poucos devem ter ouvido falar desta senhora contemporânea de Morrissey, que tive a honra de ver e ouvir ao vivo num concerto histórico na cidade da Figueira da Foz.
A canção é quase perfeita e o video uma verdadeira pérola.
Minhas senhoras e meus senhores, tenho a honra e o prazer de vos apresentar:

Morrissey and Siouxie - "Interlude"



Time is like a dream
And now, for a time, you are mine
Lets hold fast to the dream
That tastes and sparkles like wine

Who knows (who knows)If its real
Or just something were both dreaming of
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love

Loving you
Is a world thats strange
So much more than my heart can hold
Loving you
Makes the whole world change
Loving you, I could not grow old

No, nobody knows
When love will end
So till then, sweet friend ...

Time is like a dream
And now, for a time, you are mine
Lets hold fast to the dream
That tastes and sparkles like wine

Who knows (who knows)If its real
Or just something were both dreaming of ?
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love