domingo, 30 de julho de 2017

Apenas sei...

Apenas sei que caminho como quem 
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco

[Sophia de Mello Breyner Andresen]

terça-feira, 25 de julho de 2017

Vivos e juntos

"Guardo uma recordação do meu pai: não gostava que os seus filhos se levantassem tristes. Então, um dia, levantou a voz e disse-nos "não compreendo que os meus filhos ponham má cara pela manhã, porque estamos vivos e juntos." 

[Christian Bobin]

sábado, 22 de julho de 2017

A chuva...

"A chuva constrói em torno do teu rosto o seu mosteiro de gotas de água" 

[Christian Bobin]

terça-feira, 18 de julho de 2017

Devagarinho

"O mundo matou a lentidão. Ele não sabe mais onde a enterrou" [Christian Bobin]

Numa alusão à letra da música "Amar pelos dois"  (Salvador & Luísa Sobral), que venceu brilhantemente o último Festival da Eurovisão, acrescento:

Talvez devagarinho a gente volte a aprender...

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Cada dia...


"Cada dia é uma luta com o anjo das trevas, 
aquele que põe as suas mãos geladas sobre os nossos olhos, 
para nos impedir de ver a glória escondida sob a nossa miséria."

[Christian Bobin]

domingo, 9 de julho de 2017

As mulheres...

"Os homens são como toda a gente, as mulheres são como ninguém." 

[Christian Bobin]

quarta-feira, 5 de julho de 2017

O conhecimento inconsolável


"No dia do enterro da sua mãe, C. foi picada por uma abelha. Estava muita gente no pátio da casa da família. Vi C., no íntimo dos seus quatro anos, ser surpreendida primeiro pela dor que a picada lhe provocara; a seguir, mesmo antes de começar a chorar, buscar avidamente com os olhos, por entre todos os que ali estavam, aquela que desde sempre a consolara, e parar bruscamente essa procura, por, de repente, ter compreendido tudo acerca da ausência e da morte. Esta cena, que durou apenas alguns segundos, é a mais pungente que jamais vi.

Existe para cada um de nós uma determinada hora em que o conhecimento inconsolável nos invade a alma e a despedaça.
É à luz dessa hora, já chegada ou não, que todos nós nos deveríamos falar, amar, e se possível, rir juntos."

Christian Bobin, in "Ressuscitar"