terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A PRISÃO DO ORGULHO

Choro, metido na masmorra
do meu nome.
Dia após dia, levanto, sem descanso,
este muro à minha volta;
e à medida que se ergue no céu,
esconde-se em negra sombra
o meu ser verdadeiro.

Este belo muro é o meu orgulho,
que eu retoco com cal e areia
para evitar a mais leve fenda.

E com este cuidado todo,
perco de vista
o meu ser verdadeiro.

(Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera")

domingo, 28 de dezembro de 2008

EGOÍSMO

Fui sozinho à minha entrevista,
Quem é esse que me segue
na escuridão calada?

Afasto-me para ele passar,
mas não passa.

Seu andar soberbo
levanta poeira,
sua voz forte
duplica a minha palavra.

Senhor,
é o meu pobre eu!
Ele não se importa com nada.
Mas como sinto vergonha
por ter de vir com ele à tua porta!

(Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera")

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

UMA NOITE ILUMINADA, A PARTIR DE DENTRO


Um Santo e abençoado Natal para todos vós: amigos, leitores, irmãos.
Sintam-se abraçados fraternalmente.
"É tempo de luzes, de corridas nas lojas e de prendas.
Que qualidade de vida é esta?
Dar presentes ou ser presentes?
Não valeria mais a pena estar presente, dar atenção, dar tempo, dar ouvidos, dar oportunidades, dar-se?
Vamos dar a nós mesmos um espaço para reflectirmos e para nos alegrarmos?
Ou vamos ter mais um Natal de consumo, sem sumo nenhum?"

(Vasco Pinto de Magalhães, em "Não há soluções. Há caminhos")

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O MUNDO NOVO DO AMOR VERDADEIRO

«Aprender a dar e a receber gratuitamente pressupõe uma reeducação longa e laboriosa da nossa psicologia, que não está «estruturada» para um tal regime, pois está condicionada por milénios de necessidade de luta pela sobrevivência.
Diria talvez que a irrupção da revelação divina e do Evangelho no mundo, é como que um fermento evolutivo que tem por objectivo «transferir» o nosso psiquismo para uma lógica de gratuidade - a do Reino, a do amor. Trata-se de um processo de divinização, pois o objectivo é chegarmos a amar como Deus ama: «Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste» (Mt 5, 48) (...)

Não podemos adoptar uma nova maneira de ser senão à custa do «luto» de muitos dos nossos comportamentos naturais, de uma espécie de agonia. No entanto, uma vez transporta a «porta estreita» da conversão da mentalidade, o universo ao qual acedemos é esplêndido: é o Reino, o mundo onde o amor é a única lei, um paraíso de gratuidade onde o amor pode permutar-se sem limites, dar-se e receber-se sem restrições, onde já não há «direitos» nem «deveres», nada a defender nem nada a conquistar, nenhuma oposição entre o «teu» e o «meu», onde o coração se dilata ao infinito.

Neste mundo novo, reina o amor, um amor terrivelmente exigente (pois quer tudo: enquanto não amarmos totalmente, não amamos de verdade), mas soberanamente livre, pois não tem outra lei senão ele próprio.»

(Jacques Philippe, em "A Liberdade Interior")

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

DAR E RECEBER GRATUITAMENTE

Estamos no mundo para aprender a amar, matriculando-nos na escola de Jesus.
Aprender a amar é extremamente simples: é aprender a dar gratuitamente e aprender a receber gratuitamente....

Dar gratuitamente não é para nós espontâneo. Temos uma grande tendência para dar para receber em troca. O dom de nós mesmos é sempre motivado, em maior ou menor grau, pela expectativa de alguma gratificação. O Evangelho convida-nos a pôr de parte essa limitação para praticar um amor tão puro e desinteressado como o do próprio Deus, um amor que seja livre precisamente por ser capaz de existir e de durar sem ser condicionado pela resposta nem pelo mérito daquele a quem se destina...

Também não temos facilidade em receber gratuitamente...
Receber gratuitamente pressupõe que tenhamos confiança naquele que dá, que tenhamos o coração aberto e disponível para receber...

Não podemos receber gratuitamente se não nos reconhecermos e nos aceitarmos como pobres; e o orgulho recusa-se terminantemente a fazê-lo. Somos capazes de reivindicar, de exigir, mas raramente de aceitar.

Pecamos por falta de gratuidade sempre que, nas nossas relações com Deus ou com os outros, o bem que tivermos realizado nos sirva de pretexto para reivindicar algum direito, para exigir reconhecimento ou qualquer gratificação por parte de outro. E também, mais subtilmente, sempre que tivermos receio, por causa desta ou daquela limitação ou falha pessoal, de não receber amor, como se o amor devesse pagar-se ou merecer-se.»

(Jacques Philippe, em "A Liberdade Interior")

domingo, 14 de dezembro de 2008

Por causa do Teu Amor

«Trata-se de uma autêntica revolução interior: proceder de maneira a não me apoiar no amor que tenho a Deus, mas exclusivamente no amor que Deus me tem...
Quando já não acreditares no que podes fazer por Deus, continua a acreditar no que Deus pode fazer por ti...

Deus não me ama por causa do bem de que sou capaz, do amor que Lhe tenho, mas ama-me de uma maneira absolutamente incondicional, por causa de Si mesmo, da Sua misericórdia e da Sua infinita ternura, unicamente em virtude da Sua Paternidade para comigo.

Esta experiência produz um grande abalo na vida cristã, que vem a ser uma graça imensa: o fundamento da minha relação com Deus, da minha vida, não mais está em mim, mas total e exclusivamente em Deus.» Jacques Philippe, em "A Liberdade Interior"

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A VIDA É ESPANTOSA...


«Tem nove meses. Está sentado ao meu lado no carro que conduzo através de um campo inundado de sol. Enquanto tomo atenção à estrada, observo-o de vez em quando.
Tem nos olhos a gravidade de um sábio. Estuda as luzes, as sombras e os laços dos sapatinhos, que agarrou. Por vezes um pensamento fá-lo franzir a testa.

Abrando um pouco, inclino-me para ele e digo-lhe a rir: "A vida é espantosa. Vamos todos morrer mas mesmo assim é fabulosa."
Ele interrompe os estudos, fixa em mim os olhos negros como ameixas, sorri de lado e retoma os pensamentos profundos, imperturbável, majestoso.» (Christian Bobin, em "Ressuscitar")

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

ALMAS PURAS E SIMPLES


Os orgulhosos ensinaram-me a humildade,
os impacientes a lentidão,
os perversos ensinaram-me a rectidão e,
quanto aos raros que possuíam uma alma simples,
ensinaram-me a ler no seu coração os enigmas do universo visível e invisível,
tão facilmente como um recém-nascido lê na face da sua mãe.

Há poucas alegrias neste mundo
que não tenham secretos laivos de melancolia,
e é uma felicidade sem mácula descobrir uma alma pura.
São almas que se parecem com os primeiros livros infantis:
também contêm poucas palavras e são igualmente coloridas.

Não há alegria mais violenta que encontrar uma alma pura:
dá vontade de morrer de imediato."

(Christian Bobin, em "Ressuscitar")

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O CORAÇÃO DE DEUS


Deus é mais fácil de matar do que um pardal,
e o Seu coração
mais fácil de rasgar do que uma folha de papel -
até as crianças sabem disso...

(Christian Bobin, em "Ressuscitar")


domingo, 7 de dezembro de 2008

O Pintarroxo


"Tornei-me amigo de um pintarroxo. Olhava para mim, de patitas solidamente plantadas num ramo de árvore.
Um Deus trocista brilhava nos seus olhos e parecia dizer-me:
"Porque passas a vida a tentar fazer coisas? Ela é tão boa quando vai passando, indiferente a razões, projectos e ideias.".
Não soube que responder-lhe." - Christian Bobin, em "Ressuscitar"

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O MAL VEM PREENCHER UM VAZIO

«Observei muitas vezes que as pessoas mais críticas são aquelas que têm em si um grande vazio espiritual. Chego a perguntar-me se determinadas pessoas não sentem necessidade de fabricar inimigos para poderem exisitir, precisamente por ser enorme o seu vazio interior...

Se o mal penetra o nosso coração, é porque aí encontra um lugar onde se instalar, uma certa cumplicidade.
Se o sofrimento nos faz azedos e maus, é por termos o coração vazio: vazio de fé, de esperança e de amor.
Pelo contrário, se nele houver uma total confiança em Deus, se esperar tudo da Sua bondade e fidelidade, se a finalidade da nossa vida não for a procura de nós mesmos, mas fazer a vontade de Deus, amá-l`O de todo o coração e amar o próximo como a nós mesmos, então o mal não pode penetrar nele de maneira nenhuma.

Se nos enraizarmos em Deus pela fé e pela oração, se deixarmos de censurar aqueles que nos rodeiam por tudo o que não corre bem na nossa vida e de nos considerar vítimas dos outros ou das circunstâncias, se assumirmos decididamente as nossas próprias responsabilidades e aceitarmos a nossa vida como é, se lançarmos mão, constantemente, das nossas capacidades de crer, esperar e amar, se estivermos resolvidos a conquistar a liberdade de que temos falado (liberdade interior), ela ser-nos-á progressivamente concedida.» (Jacques Philippe, em "A Liberdade Interior")

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

NÃO JULGAR

Quantos de nós não nos irritamos e julgamos os outros, sem compaixão; sem tentar compreender as suas motivações mais íntimas; a dor e o sofrimento que podem estar por detrás de uma determinada atitude, reacção ou comportamento?

Partilho convosco uma história que li há pouco tempo:

«Stephen Covey lembrou-se de um incidente enquanto andava no metro de Nova York, num domingo de manhã. Os poucos passageiros a bordo estavam lendo jornal ou cochilando. Era uma viagem silenciosa, quase sonolenta.
Covey estava absorto em sua leitura quando um homem, acompanhado de vários filhos pequenos, entrou na estação seguinte. Em menos de um minuto irrompeu-se um tumulto. As crianças corriam para cima e para baixo no corredor, gritando, berrando e brigando entre si no chão. O pai deles não fez nenhuma tentativa de intervenção.
Os passageiros mais idosos, irritados, mudavam de lugar. O stress se transformou em angústia. Certamente o pai faria algo para restabelecer a ordem: uma gentil palavra de correção, uma ordem severa, alguma expressão de autoridade paterna—qualquer coisa. Nada disso aconteceu. A frustração aumentava.

Depois de uma pausa apropriada e generosamente longa, Covey se virou para o pai e disse gentilmente:
- Senhor, seria possível restabelecer a ordem aqui dizendo a seus filhos que voltem e se sentem.
- Eu sei que deveria fazer alguma coisa —, respondeu o homem. — Nós acabamos de sair do hospital. A mãe deles morreu há uma hora. Simplesmente não sei o que fazer.
[1]

A compaixão sincera que provoca o perdão amadurece quando descobrimos onde nosso inimigo chora.»

Brennan Manning, em "O Impostor que vive em mim"
[1] Stephen Covey, The seven habits of highly effective people, seminário gravado em cassette. Provo, ut.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A Corrente do Teu Amor


Permite que de mim reste apenas aquele pouco,
pelo qual eu possa chamar-Te o meu tudo.
Permite que da minha vontade reste apenas aquele pouco,
pelo qual eu possa sentir-Te em todo o lugar,
chegar a Ti em cada coisa,
e em cada momento oferecer-Te o meu amor.

Permite que de mim reste apenas aquele pouco,
pelo qual eu jamais possa Te esconder.

Permite que das minhas correntes reste apenas aquele pouco,
pelo qual eu fique ligado à Tua vontade,
aquele pouco pelo qual
o Teu projecto se realiza na minha vida:
a corrente do Teu amor.

(Rabindranath Tagore)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

AMAR EM FRATERNIDADE


«Que significa amar?
Amar um ser é esperar nele para sempre.
Amar um ser é não o julgar; julgar um ser é identificá-lo com aquilo que dele se conhece. «Agora, conheço-te. Agora julgo-te. Sei aquilo que vales»... Isto representa matar um ser.
Amar um ser é esperar sempre dele algo de novo, algo de melhor.

O que é uma Fraternidade?
É um ambiente onde, graças aos outros, se é mais igual a si próprio, onde se tem necessidade dos outros para se ser autêntico.
Porque os outros esperam algo de nós, acreditam em nós, confiam em nós, atrevemo-nos a mostrar-nos tão bondosos, tão suaves, tão humildes, simples, serviçais e generosos como eles nos incitam a ser.

E nós? Sentimos necessidade de ser vários para sermos nós próprios?
Quando te sentes mais tu mesmo? Quando estás sozinho a remoer as tuas queixas, a ruminar a tua amargura? Ou quando deparaste com uma fraternidade, alguns amigos junto dos quais és muito mais tu mesmo?
Porque eles te estimam e têm confiança em ti e desse modo tu consegues revelar-te tão bondoso, tão delicado, tão generoso e tão alegre quanto de ti depende, tudo aquilo que os outros te impedem habitualmente de ser, porque não acreditam em ti...»

(Louis Evely, em "Fraternidade e Evangelho")

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

ACREDITA!


"O sol falava esta manhã tão claramente que, se eu tivesse podido tomar nota daquilo que ele dizia, teria escrito o mais belo livro de todos os séculos." (Christian Bobin, em "Ressuscitar")

Acredita, amigo (a)...
Há dentro de ti um SOL que quer, através de ti, projetar seus raios o mais longe que puder...
Não ponhas à frente dele obstáculos de lamentações, revoltas e materialismos...
Deixe-O livre para expandir Luz, Calor e Felicidade...
Quanto mais creres que tens este SOL
e que Ele te é vida de verdade e abundante,
mais eliminas a escuridão em teu interior,
e te abres ao optimismo e à esperança...
Passas a desfrutar de paz, amor e felicidade
que jamais esperavas possuir,
e nasce em ti um mundo novo, mais claro, mais alegre, mais feliz...

Acredita no teu SOL!
Põe sua Luz no que fazes,
e confia teu presente e teu futuro em Deus...
Deixa o teu SOL brilhar em teu interior
e serás o primeiro a ser iluminado(a)!!
(Autor desconhecido)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

UM AMOR LIBERTADOR

«O meu amor deve impulsionar o outro a amar-se a si mesmo.
Devemos avaliar o nosso êxito no amor não por aqueles que nos admiram pelas nossas realizações, mas por aqueles que atribuem a sua própria inteireza ao nosso amor por eles; por aqueles que viram a sua beleza reflectida nos nossos olhos, que ouviram as suas virtudes através do calor da nossa voz.

Somos como espelhos uns para os outros. Ninguém sabe como é a sua aparência antes de ver o seu reflexo num espelho.
É absolutamente certo que ninguém reconhece a sua própria beleza ou percebe o sentido do seu próprio valor até que seja reflectido no espelho do amor e cuidado de outro ser humano.

O sentido do próprio valor é, sem dúvida, o maior presente que podemos oferecer a alguém, a maior contribuição que podemos dar a uma vida. Só podemos oferecer este presente e dar esta contribuição através do amor.
No entanto, é essencial que o nosso amor seja libertador, não possessivo. Devemos sempre dar àqueles que amamos a liberdade de serem eles mesmos. O amor reconhece o outro como uma outra pessoa. Não deve possui-lo nem manipulá-lo como uma propriedade sua.

Cabe aqui a citação de Frederick Perls: «Não vieste ao mundo para satisfazer as minhas expectativas. E eu não vim ao mundo para satisfazer as tuas. Se nos encontrarmos, tudo será belo. Se não, nada há a fazer.» - John Powell, em "O segredo do amor eterno"

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O AMOR É TUDO!

«Um pensamento paralisou-me: pela primeira vez na minha vida, vi a verdade como é cantada por tantos poetas, proclamada como a sabedoria final por tantos pensadores.
A verdade é que o amor é o objectivo derradeiro e mais alto a que o homem pode aspirar. Então compreendi o significado do maior segredo que a poesia, o pensamento e a crença humana podem desvendar: a salvação do homem faz-se através do amor e no amor.» Viktor Frankl , in "Man searching for Meaning»

"A jornada para o amor é a jornada para a plenitude da vida. Só através dele o ser humano se torna capaz de se conhecer, de amar aquilo que é e o que virá a ser, e de encontrar a plenitude da vida, que é a glória de Deus. Só no amor o homem encontrará a razão de uma celebração eterna." - John Powell, em "O Segredo do Amor Eterno"

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

APRENDER A SER AMIGO DE SI MESMO

«Se não aprendermos a ser amigos de nós mesmos, arriscamo-nos a identificarmo-nos apenas pelo que o não-amigo diz de nós, pela forma como ele nos vê.

Se não aprendermos a ser amigos de nós mesmos, tornamo-nos cúmplices do não-amigo, daquele que nos está a agredir, daquele que está a escarnecer de nós, que nos está a violar.

Se não aprendermos a ser amigos de nós mesmos, teremos apenas uma visão parcial daquilo que somos, limitada aos nossos aspectos negativos.

Tornar-se amigo de si próprio é uma tarefa psicológica, espiritual.

É um trabalho interior.

Consiste em olhar de frente o nosso lado negativo e mais obscuro. Não nos envergonharmos dele, mas reconciliarmo-nos com ele.

Um homem mede-se pela sua profundidade. E a profundidade de uma pessoa alimenta-se, absorve linfa vital a partir dos seus aspectos mais desconhecidos, mais escondidos, onde dificilmente se consegue chegar.
Por outro lado, são esses mesmos aspectos que tornam forte, vital e corajoso o ser humano. Precisamente porque existem em cada pessoa, incitam-nos a ir à sua procura para lhes podermos dar um novo significado, para os convertermos.

Ser amigo de si próprio significa tentar conhecer com doçura e com ternura aqueles aspectos de nós que os outros, os não-amigos, agridem e, através dos quais, tentam debilitar-nos.

Sermos amigos significa, pois, completar uma viagem interior, em busca da totalidade da nossa pessoa, isto é, em busca de nós mesmos, o que também passa pela aceitação dos nossos pontos mais fracos e negativos, aqueles que os outros tanto se esforçam por pôr em destaque.»

Valerio Albisetti, em "Ser Amigo ou ter Amigos?"

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A NÃO-AMIZADE

»Há homens que não assassinam fisicamente, mas são muito mais perversos que aqueles que o fazem, porque emporcalham e aniquilam a alma dos seus semelhantes.

Não há maior dor para um ser humano que sentir, ainda em vida, que o seu espírito está a ser destruído, aniquilado.

Podemos enfrentar dificuldades, habituarmo-nos a trabalhos duros, contentarmo-nos em viver modestamente, mas sentimo-nos mortos interiormente quando somos vítimas da maldade e da inimizade de alguém.

A perversidade instala-se no homem, nas relações entre os seres humanos, não nas coisas. A não-amizade utiliza a relação interpessoal, o relacionamento amigável, precisamente para aviltar, maltratar, depreciar, intimidar, dominar e escarnecer dos outros.

Pois a não-amizade não aceita a complexidade, a plenitude, a totalidade do ser humano. Conhece-as bem, mas finge ignorá-las precisamente para poder agredir o outro, para o fazer sofrer, realçando apenas o lado mais fraco, que ataca ostensivamente.
Porque a não-amizade vê o outro de um modo parcial, limitado: redu-lo, simplifica-o, empobrece-o. Identifica-o somente, usando os seus aspectos mais frágeis, mais negativos...

O não-amigo procura as nossas feridas para aumentá-las ainda mais.

A pessoa que é incapaz de experimentar a verdadeira amizade sente-se grande ao fazer que os outros se sintam pequenos.

Humilhar o outro é o acto mais perverso que um ser humano pode levar a cabo. É a expressão mais terrível da não-amizade.
Quando se humilha alguém, está-se a exprimir, em relação ao outro, aquela nossa faceta que queremos renegar.

Quem humilha, procura destruir, no outro, exactamente aqueles aspectos que também se encontram em si mesmo...» Valerio Albisetti, em "Ser Amigo ou ter Amigos?"

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

"Existe para cada um de nós uma determinada hora em que o conhecimento inconsolável nos invade a alma e a despedaça.
É à luz dessa hora, já chegada ou não, que todos nós nos deveríamos falar, amar, e se possível, rir juntos...

Perante a morte, estaremos como na altura do nosso nascimento, radicalmente privados de qualquer poder.
É a esta nossa fraqueza que, para todo o sempre, o amor se deveria dirigir."

Christian Bobin, em "Ressuscitar"

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

ÉS AMADO E QUERIDO


«Nenhuma terapia psicológica pode devolver-me o afecto que os meus pais não me deram, pode oferecer-me a atenção dos outros; mas, a partir do momento em que compreendi que tive desde sempre um Pai divino, que é Deus, de Quem provenho, que nasci por um acto de amor desse mesmo Pai, que Ele me escolheu de antemão para realizar esta viagem terrena chamada vida, e para depois regressar a Ele, a falta de afecto da minha mãe, o sofrimento psíquico, a maldade do mundo, por muito dolorosos e terríveis que sejam, alcançaram novo significado, perderam importância, entraram numa nova perspectiva.

Cada vez estou mais convencido - por isso escrevo este livro - que tenho sido e sou continuamente, intimamente, misteriosamente amado e querido.
Estou cada vez mais convencido, depois de ter passado por muitas provas difíceis e dolorosas, que sou constantemente olhado com uma ternura infinita, que sou continuamente guiado.

Onde quer que eu esteja, Ele está comigo.

E o mesmo se aplica a vós, que me ledes.

Quando comecei a recordar que era amado e querido por Deus para vir a esta terra, que estou cá para realizar a minha viagem, as minhas interrogações iniciais, os meus «porquê?», passaram a ser: «Que quererá Deus dizer-me? Que quererá Ele dar-me a entender? Em que ponto da minha viagem me encontro? Que quer Ele ensinar-me, de facto?»
Agora estou muito mais crescido, muito mais livre, muito mais capaz de amar.»

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

VIVER OU SOBREVIVER?


«Viver significa nunca dominar outro ser humano.

A pessoa que sobrevive, pelo contrário, tem necessidade do outro, serve-se do outro.

A pessoa que vive serve o outro.

A pessoa que sobrevive procura controlar o outro, possui-o, deseja-o para si.

A pessoa que vive torna o outro livre, entrega-o às suas responsabilidades, à sua viagem, deseja que ele pertença ao universo.

A pessoa que sobrevive, na realidade, não tem confiança nos outros, na humanidade.

A pessoa que vive confia na humanidade.

A pessoa que sobrevive, de um modo geral, tem êxito nesta sociedade e é bem aceite, mas, no fundo, nunca está serena, nem feliz, nem plenamente realizada.

A pessoa que vive é, por definição, serena, feliz, plenamente realizada.

Quem sobrevive procura sempre fora de si a própria realização, a compensação para as próprias necessidades psicológicas, para as próprias lacunas, para os próprios defeitos, para a própria neurose, para a própria ansiedade.

No fundo, quem sobrevive, ilude-se, pensando viver.

Sobreviver significa ter medo de viver
(Valerio Albisetti, em "Viagem da Vida")

sábado, 8 de novembro de 2008

O Deus Humilde


"Ouvi contar esta história.
Uma criança com toda a naturalidade, voltou-se para Deus e perguntou-lhe:
"E tu, o que é que queres ser quando fores grande?"
"Pequeno", respondeu-lhe Deus, também com toda a naturalidade.
Os homens querem ser grandes, mas a grandeza de Deus está em tornar-se pequeno, em dar a vida, em desaparecer pelo bem do outro."
(Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos")

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

REGRESSA!

«Deus não exige um coração puro antes de nos abraçar.
Mesmo que regressemos apenas porque o seguimento dos nossos desejos não nos trouxe felicidade, Deus aceita-nos na mesma.

Mesmo que regressemos porque ser cristão nos proporciona mais paz do que ser pagão, Deus receber-nos-á.

Mesmo que regressemos porque os nossos pecados não nos deram tanta satisfação como esperávamos, Deus recebe-nos de novo.

Mesmo que regressemos por termos descoberto que não somos capazes de caminhar sozinhos, Deus receber-nos-á.

O amor de Deus não pretende saber porque regressamos.

Deus fica contente por nos ver voltar para casa e apressa-se a dar-nos tudo o que queremos, simplesmente por estarmos em casa.

Porquê protelar?

Deus mantém-se de braços abertos à espera de me abraçar.

Ele não fará perguntas sobre o meu passado.

O que Ele deseja é o meu regresso.»

(Henri Nouwen, em "A Caminho de Daybreak)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

USAR AS COISAS

"Haverá outro meio de uma pessoa tirar satisfação de outra que não o amor ou a dádiva?

Não confundas o amor com o delírio da posse.
Contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer.
O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse, sim, faz sofrer.

Haverá outro meio de uma pessoa tirar satisfação de outra que não o amor ou a dádiva?

Talvez devêssemos lavrar e semear o coração com esta lei, tão certa como a da gravidade:
Aprender
a usar as coisas
e a amar as pessoas;
não a amar as coisas
e a usar as pessoas."

(Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais...")

domingo, 2 de novembro de 2008

ESTE TAMBÉM SOU EU!


"Há anos que B. lê livros religiosos; passa noites inteiras debruçado sobre algumas frases cuja delicadeza admira, como um lapidador de diamantes, que inclinado sobre uma pedra com uma água particularmente pura, medita, sublinha, copia, em busca da verdade, sempre em vão, pois há muito que a encontrou. Falta-lhe apenas tirá-la dos livros onde definha para a fazer entrar no coração, único local onde poderia viver.
(Christian Bobin, em "Ressuscitar")

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

QUE TEMOS FEITO COM AS NOSSAS VIDAS?


«Que temos feito com as nossas vidas?
Quantos de nós não traímos o que em verdade poderíamos ter sido? (...)

Sabemos que é pelo sucesso que nos medem e é pelo sucesso que nos medimos a nós próprios. Vivemos aterrorizados pela possibilidade de fracassar. Mas nem o medo podemos admitir, e dominar tornou-se a técnica para o afastar(...)
Assim nunca saberemos o que podemos suportar sem sermos derrotados. A derrota é o pesadelo que nos ensombra os dias e as noites.
Continuamos a jogar os jogos que nos desgastam e, no fundo do coração, a acalentar o sonho do que poderíamos ter sido, transparentes e autênticos, se alguém nos tivesse querido tal qual éramos.

Mas não. E traímos aquilo que éramos, aquilo que íamos ser, aquilo que deveríamos ter sido, só para que nos quisessem, para que nos admirassem, para que nos amassem.
E perdemos a autonomia, esse estado de graça em que nos sentimos pacificados com os nossos sentimentos e necessidades, sem termos que provar nada a ninguém.

Que temos feito com as nossas vidas?

Temo-nos traído ou sentimo-nos fiéis a nós próprios? (Julgo que é mais do que uma mera pergunta retórica.)

Bom é saber que podemos recomeçar a qualquer momento.

Bom é saber que Aquele que incondicionalmente nos ama, todas as manhãs nos entrega em branco um dia, garantindo-nos que ainda temos hipóteses, que nada do que possamos ter feito nos condena irremediavelmente, que o exame se repete todos os dias, que há sempre um segunda chamada, que se chumbámos ontem, hoje podemos voltar a tentar.

Bom é saber desse Amor e rendermo-nos a ele

(Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais...")

terça-feira, 28 de outubro de 2008

POR QUE TE TRAÍSTE?

«Ouve, por que te traíste a ti próprio?

Afirmas com lamentos que tudo de mal te acontece e não reparas que, afinal, te enganas, julgando-te impotente para modificar a tua vida.

As bênçãos transbordam da tua mão, mas tu, criança mimada pela abundância, não lhes dás atenção.

Pergunta-te e responde se os obstáculos que produziram os teus fracassos não existem apenas na tua mente.

O meu orgulho por ti não conhece limites.
És a minha criação suprema, o maior milagre, em ti pus todos os segredos, até o de mover montanhas e desbravar o impossível.
Descobre-o, confia e rasga um dia novo, uma clareira mais perfeita na tua existência.

O que fizeste com essa força tremenda?

O que passou, passou. Pouco importa o que fizeste, importa o que és.

Conta as tuas bênçãos, os teus dons.

Proclama a tua singularidade, despe-te de máscaras e recomeça, sem angústia e sem pressa.
Concentra-te no poder que tens para escolher e procura pôr amor no que fazes. Amor por ti, pelos outros, amor por mim, teu Deus, que te criou. Não voltes a diminuir-te; a menos que seja para servir livremente.

Não te conformes com as migalhas da vida, nem com a metade de fruto nenhum.

Enxuga as tuas lágrimas, beija as cicatrizes, estende a tua mão, sente o calor da minha e vive este dia com toda a força que te dou.

Não o ouvimos já, e de tantas formas? Senão como o saberíamos?»

(Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais...")

domingo, 26 de outubro de 2008

O QUARTO DA ALMA


«Uma cama de luz,
uma cadeira de silêncio,
uma mesa em madeira de esperança,
nada mais:
assim é o pequeno quarto de que a alma é locatária."

(Christian Bobin, em "Ressuscitar")

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Aí fora


«Ando à procura de Deus», respondeu a criança quando o pai lhe perguntou porque corria ela para a Igreja.

- Mas Deus não está em todo o lado? - insiste o pai.
- Sim, Deus está em todo o lado.
- E não é sempre o mesmo onde quer que esteja?
- É, responde a criança, Deus é sempre o mesmo. Eu é que não sou o mesmo em todos os sítios...

Conta-se também que havia uma senhora muito devota. Deus ocupava o lugar cimeiro da sua vida. Todas as manhãs, mal o dia começava, ia à igreja rezar. Pelo caminho havia sempre quem precisasse da sua ajuda, mas ia tão concentrada nas suas devoções que não os via.
Um dia, depois de ter percorrido o caminho habitual em direcção à igreja, e no momento em que o culto ia começar, empurrou a porta, mas ela não se abriu. Insistiu. Em vão. A porta estava fechada à chave!
Aflita por, pela primeira vez na sua vida, não poder assistir ao culto e não sabendo já que fazer, olhou para o céu. E foi então nesse movimento do olhar que, precisamente ali, frente aos seus olhos, viu um papel colado na porta da igreja com este pequeno recado manuscrito: Estou aí fora.»

(Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais...")

terça-feira, 21 de outubro de 2008

SANTAS


"As santas que conheci não se preocupavam com sê-lo. Tinham todas as idades e aparências. E, em comum, o passar pelo mundo com uma grande naturalidade e alegria como se nunca tivesse havido lei nem moral.

Sem pensar, cada uma delas dava mais amor do que o sol luz.

Uma, já idosa, ocupava-se de um jardinzinho e dormia num quarto do tamanho de uma casca de noz.
Outra trazia consigo a alegria como um pardal que esvoaçasse nos seus olhos claros.
Uma terceira, com quatro anos de idade, descobria, nas brincadeiras de que não se fartava, razão bastante para rir o dia inteiro." (Christian Bobin, em "Ressuscitar")

domingo, 19 de outubro de 2008

CONVERSA SILENCIOSA


"Acabo de ter uma conversa silenciosa com um bébé de dez meses. Olhámo-nos nos olhos durante mais de um quarto de hora. A nossa conversa era de ordem metafísica. Eu alegrava-me com a sua presença e ele admirava-se com a minha. Chegámos à mesma conclusão, o que nos fez desatar a rir ao mesmo tempo." - Christian Bobin, em "Ressuscitar"

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A meta é o Amor!

"O mandamento do amor não é uma simples exigência moral que podemos cumprir por um acto de vontade. Trata-se antes do começo de um longo caminho de desenvolvimento no decorrer do qual desmascaramos e expulsamos aquele egocentrismo tão profundamente arraigado em nós, e então conseguimos entrar em contacto com o nosso verdadeiro centro do qual brota o amor. A meta do nosso caminho de amadurecimento é o amor. Por meio de suas palavras e do seu exemplo, Jesus nos capacita para esse amor que não transforma só a nós mesmos, mas, pouco a pouco, também à sociedade humana." (Anselm Grün, em "Jesus - Porta para a Vida")

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

NÃO É FÉ

Se a nossa fé
não nos fizer acreditar que o dia de hoje pode ser melhor do que o de ontem;
se não nos arrancar da mesquinhez egoísta que nos esmaga de solidão e morte;
se não nos puxar os braços para os outros, na gratuidade natural de quem respira;
se não fizer com que a poesia desça ao nosso peito e as crianças e velhos bebam luz dos nossos olhos;
se formos secos de ternura e apenas e só prudentes como as serpentes;
se não passarmos de atarefados medricas a fugir, dias fora, da própria sombra;
se faz tremer a verdade e não rói os alicerces à mentira;
se não estrangula o desespero e incendeia a alegria;
se não nos fizer pôr na vida a beleza das palavras que engendramos,
então não é fé, pelo menos não é cristã.


Agarra-nos pelos ombros e diz-nos outra vez: «se a tua fé fosse sequer do tamanho de um grão de mostarda, dirias a esta montanha: vai daqui para ali, e ela iria e nada te seria impossível.» (Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais...")

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A MAIOR DÁDIVA


«Todos somos radicalmente insatisfeitos, pois todos somos estimulados e treinados a viver voltados para o futuro, planeando para o futuro, ou então para o passado, lamentando-o ou analisando-o repetidamente. Nossa insatisfação nos faz perder a única oportunidade que temos de contentamento, de plenitude de vida. A única oportunidade que temos é o momento presente. Se o deixamos escapar, perdemos tudo.

Viver no passado ou no futuro só implica descontentamento, pois a preocupação excessiva com o que nos falta e com o que desejamos impede-nos de enxergar o que nos é dado. (...)
O estado de descontentamento é determinado não pelo espírito de amor, mas pelo egoísmo. O único caminho para a paz é o reconhecimento e a aceitação daquilo que nos é dado. Geralmente, a maior dádiva que recebemos nos escapa à atenção. Geralmente não conseguimos vê-la. Não se trata de saúde, riqueza, beleza ou talento. A maior dádiva é o nosso ser, simplesmente o facto de sermos." Laurence Freeman, em "A Luz que vem de dentro"

sábado, 11 de outubro de 2008

DEUS EM NÓS


"Tudo o que sei do céu me vem do espanto que experimento perante a bondade inexplicável desta ou daquela pessoa, à luz de uma palavra ou de um gesto tão puros que me revelam bruscamente que nada no mundo poderia ser a sua origem. (...)

Há almas nas quais Deus vive sem que elas disso se apercebam. Nada deixa supor essa presença sobrenatural, senão a grande naturalidade que inspira aos gestos e às palavras daqueles em que habita." Christian Bobin, em "Ressuscitar"

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

POBREZA


"Quando se perde algo de material, cai imeditamente uma moeda de ouro no mealheiro da Pobreza.

Retirei muitas coisas inúteis da minha vida e Deus aproximou-se para ver o que se passava." - Christian Bobin, em "Ressuscitar"

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

AS TENTAÇÕES HUMANAS EM RELAÇÃO AO AMOR

Dar-se-sem-se-dar: brincar ao amor sem se comprometer. Tocar sem se deixar afectar, sem perder as suas seguranças. Os homens querem deixar sempre livre o caminho de regresso. Então dão-se mas não se dão. Querem ter a sensação de que amam mas sem correr nenhum risco pessoal.

Fazer-coisas-em-vez-de-estar: Pensar que o amor se pode trocar por fazer coisas, não entender que consiste sobretudo em estar presente... O amor não consiste em horas, nem em cânticos, nem em roupas, nem em sorrisos, nem em reuniões, nem em nada do que se possa fazer por fora. O amor consiste em dar-se a si mesmo e para isso é preciso ter tempo para estar com o outro, ter tempo para simplesmente estar.

Dar-a-mão-sem-se-abaixar: Pensar que se pode amar sem se abaixar, sem ficar a perder. Mas amar é aceitar chegar a perder para que o outro fique a ganhar. Amar é quebrar a linha que nos mantém sempre por cima, na nossa auto-suficiência.

Dar-para-se-preencher: Procurar uma outra pessoa para tapar os seus próprios buracos. Só pode amar quem aceita viver a sua própria solidão e sabe que não precisa do outro para sobreviver. A solidão não é o contrário do amor - como os homens muitas vezes pensam -, é o seu alicerce escondido. O verdadeiro amor alimenta a independência. Quem deixa de ser quem é não pode amar. O amor não te faz ser outro, diferente de ti, faz-te ser o melhor de ti próprio.

Vender-se-para-agradar: Os homens, para agradar àqueles que dizem amar, são capazes de empenhar o que têm de mais sagrado. Vendem os seus ideais, comportam-se como se não fossem eles, tornam-se incapazes de dizer o que realmente pensam, relativizam aquilo em que realmente acreditam para não perderem o outro.

Manipular-o-outro-para-não-o-perder (esta é a maior das tentações): seduzir o outro de forma a que ele não possa recusar o amor, a que não possa viver sem nós, e fique convencido de que já não é ninguém sem esse amor…

Nuno Tovar de Lemos, em "O Príncipe e a Lavadeira" (adaptado)

sábado, 4 de outubro de 2008

AJUDAR O QUE SOFRE

"Sofre-se muito neste mundo e todos nós sofremos ao ver os outros sofrer. E sofremos até porque lhes queríamos arranjar uma solução e não sabemos onde está, nem como encontrá-la. Mas quem sofre, a maior parte das vezes, mais do que uma solução, só quer partilhar a sua dor, ser ouvido e apreciado, acompanhado. Não é estranho que seja dessa ajuda, que todos podemos dar, que a maior parte de nós foge?" (Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos")

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Prémio Butterfly Award


A minha amiga Viviana do blogue "Olhai os lírios do campo", acabou de me distinguir com este prémio, que ela por sua vez recebeu do blogue "Práxis Cristã"

As regras para receber esse mimo são:
1)Colocar este logo no seu blog;
2)Adicionar o link do blog que lhe ofereceu o prêmio;
3)Indicar no mínimo 7 outros blogs;
4)Adicionar no seu blog os links destes outros blogs que acabou de premiar;
5)Comunicar os premiados.

Pela riqueza de conteúdos e pelos valores que transmitem, os contemplados são:
Muitos mais havia para nomear. Contudo, segundo as regras, apenas posso distinguir sete.
Agradeço a todos os que visitam o blogue. A vossa "presença" e os comentários que deixam são um estímulo importante. Deus vos abençoe!


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Não-é-bastante


No romance de N. Kazantzaki, Última Tentação de Cristo (depois adaptado ao cinema por Martin Scorcese), um personagem dirige-se a Deus e pergunta-lhe qual o seu verdadeiro nome.
E uma voz responde:
- O meu nome é «Não-é-bastante». É o nome que eu grito em silêncio a todos aqueles que se atrevem a amar-me.

Não-é-bastante... Talvez seja este o nome de todo o verdadeiro amor.

Nunca se ama o suficiente. O amor é uma estrada que continua sempre para além do horizonte.

No horizonte visual duma grande planície pomo-nos a andar em direcção ao horizonte. Mas quando chegamos onde antes nos parecia ser o fim do horizonte, o fim deslocou-se para além do horizonte...

S. João da Cruz dizia que «o amor é fogo que arde com apetite de arder mais. Sempre mais!»

E a tal voz:

«O meu nome é "Não-é-bastante". É o nome que eu grito em silêncio a todos aqueles que se atrevem a amar-me.» (Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais...")

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

BOM OU BURRO?

«Ser bom, para alguns, em nada difere de ser burro.

- Que diferença vai de bom para burro?
É um olhar.

É verdade que a força e o poder fazem parte da nossa auto-imagem e da imagem que procuramos vender. E tantas energias gastamos nas lides do poder e da imagem. Tantas guerrilhas e artifícios até ao dia da imobilidade, como os anjos de pedra dos frisos do barroco.

Tenho diante de mim um trecho do Talmude, esse conjunto de leis e tradições religiosas do judaísmo pós-bíblico... Não é fácil interpretá-lo... Creio, no entanto, que este trecho dispensa interpretações eruditas:
«O ferro é forte, mas o fogo funde-o.
O fogo é forte, mas a água apaga-o.
A água é forte, mas as nuvens fazem-na cair.
As nuvens são fortes, mas o vento arrasta-as.
O vento é forte, mas o homem controla-o.
O medo é forte, mas o sono fá-lo esquecer.
O sono é forte, mas a morte supera-o.
A morte é fortíssima, mas a bondade sobrevive-lhe

- Que diferença vai de bom para burro?
Embora seja uma perspectiva, diria que é grande a diferença.
Primeiro, porque «o perfume fica sempre na mão de quem oferece a rosa».
Depois, porque «a morte é fortíssima, mas a bondade sobrevive-lhe». (Henrique Manuel, em "Mas Há Sinais...")

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

PERDER A ALMA


"A terra cobre-se de uma nova raça de homens, simultaneamente instruídos e analfabetos, que dominam os computadores e não sabem nada sobre as almas, tendo mesmo esquecido o que semelhante palavra pôde um dia designar.
Quando algo na vida, apesar de tudo, os atinge - um luto ou uma ruptura - essas pessoas têm menos defesas que um recém-nascido. Ser-lhes-ia então necessário falar uma língua que deixou de ter lugar, muito mais subtil que a gíria informática." - (Christian Bobin, em "Ressuscitar")

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

FALTA DE AMOR

"O maior perigo que ronda o ser humano consiste na falta de amor e nas consequências que esta falta acarreta. Quem não se sente amado rejeita-se a si mesmo, condena-se, torna-se duro, frio e vazio, é incapaz de amar a si mesmo e aos outros. Torna-se necessário, então, um amor que não se poupa, que não recua nem mesmo diante da própria morte para curar-nos da ferida mortal da falta de amor." (Anselm Grün, em "Jesus - Porta para a Vida")

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

CRER


«Crer é confiar. Crer é permitir. Crer, principalmente, é aderir, entregar-se, numa palavra, crer é amar. (...)

Crer é «caminhar na presença de Deus» (Gn 17, 1). A fé é, ao mesmo tempo, um acto e uma atitude que agarra, envolve e penetra tudo o que a pessoa humana é: a sua confiança, a sua fidelidade, o seu assentimento intelectual e a sua adesão emocional. Compromete a história inteira de uma pessoa: com os seus critérios, atitudes, conduta geral e inspiração vital. (...)» (Ignacio Larrañaga, em "O Silêncio de Maria")

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Teu Silêncio


Se não falas, vou encher o meu coração
Com o Teu silêncio, e aguentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.
A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará,
e a Tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.
Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.

(Rabindranath Tagore)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A LUZ QUE ILUMINA TUDO O RESTO

"Se Deus é luz, e tantas religiões usam esta imagem para falar do divino, então Ele é o que não se vê mas faz ver. A luz não é para ser vista, é para iluminar tudo o resto. Se vejo as coisas, e as vejo em profundidade e com o seu verdadeiro sentido, escondido aos olhos comuns, então é porque algo, alguém, me faz ver. Procuras Deus? Olha para o mundo com olhos de ver." (Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Ñão há soluções, há caminhos")

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

"AMA E FAZ O QUE QUISERES"

"Ama e faz o que quiseres". Esta famosíssima frase do santo Agostinho tem que se lhe diga. É que quem ama, só pode fazer o bem. E querer o bem é muito exigente. Não é "ama e faz o que te apetece", o que seria uma contradição. É antes: "Se amares de verdade, vais saber escolher o bem e o melhor." (Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos")

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

VIDA E LUZ


"Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." (João 8, 12)

"Vida e luz estão estreitamente ligadas. A vida verdadeira nasce do entendimento correcto. Quando vejo o mundo e a mim mesmo como somos realmente, consigo viver de maneira correcta. A luz faz o mundo ficar claro, dá-me a possibilidade de entender, de compreender a minha vida e a mim mesmo.

Deus como luz significa que só em Deus consigo enxergar claramente a minha vida, que aquilo que há de escuro e absurdo dentro de mim só é esclarecido por Jesus...
Em Jesus é tirado o véu que escurece a essência do nosso ser humano.
Nele reconhecemos a nossa originalidade. E reconhecemos nele Deus, o fundamento de todo o ser, o princípio da nossa existência humana.
Jesus quer abrir-nos os olhos para que percebamos o mundo como ele é, para que reconheçamos nele e em cada ser humano a realidade divina.
Em Jesus, nós homens vemos Deus. E nele somos transportados para dentro dessa intimidade com o Pai. Em Jesus estamos, por assim dizer, no seio do Pai. Assim, a nossa vida fica iluminada." (Anselm Grün, em "Jesus - Porta para a Vida")

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A PAZ SE EXPANDE

«A experiência de paz interior também irradia pensamentos pacíficos para os meus semelhantes. Pensamentos hostis e raivosos não têm lugar aqui. A meu ver, a paz não é primordialmente um apelo para viver pacificamente com todos. A paz com as pessoas nasce, antes, da experiência da minha paz interior. Não preciso, então, criar nenhuma paz. Em mim há paz. E ela se expande por si mesma.» (Anselm Grün, em "O Pequeno livro da verdadeira felicidade")

domingo, 7 de setembro de 2008

Devedor de amor

"Estamos sempre em dívida perante os outros. S. Paulo disse esta coisa espantosa: "Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser o amor que devemos uns aos outros." Nunca deixo de ser devedor de amor! Nunca posso dizer que trato alguém bem de mais. E, pela nossa limitação e egoísmo, ficamos sempre aquém daquilo que devíamos dar." (Vasco Pinto de Magalhães, s.j. in "Não há soluções, há caminhos")

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

DAR LUGAR AO AMOR

«Para que o amor seja consumado, é preciso que o egoísmo seja consumido.
Para que o amor seja consumado em bem-aventurança, é preciso que o egoísmo seja consumido num arrependimento purificante." (François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A Felicidade vem do compromisso

«A felicidade vem do compromisso. Alguns pensam que não, que uma pessoa mais solta, sem ligações nem obrigações, é mais feliz! Será? Ela faz o que lhe apetece e não o que quer. Fica escrava das ondas, das emoções, vai para onde puxa o que 'está a dar' e não para onde quer e deve. Estar solto não é o mesmo que ser livre. E comprometer-se livra-nos da escravidão das fantasias e dos apetites.» (Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos')

domingo, 31 de agosto de 2008

TRILHA RUMO À VIDA

«Os pais nem sempre nos deram aquilo de que precisaríamos. Mas, mesmo assim, devemos parar de lhes censurar isso. Devemos lhes agradecer pelo que realmente nos deram de positivo. Também nos foi possível ganhar coisas deles. Eles são as raízes das quais vivemos hoje. Sem elas nossa árvore da vida seca.


Para que aceitemos o que os nossos pais nos deram e tornemos isso frutífero para a nossa vida, é importante compreendê-los em sua limitação e em sua própria história. Quando os compreendemos, não os condenamos. Vemos os pais envolvidos em sua própria história familiar. Podemos deixar com eles o que eles não nos deram e nos feriram, sem passar a vida toda censurando-os por isso.


Quem sempre responsabiliza os pais por seu destino e nega a própria responsabilidade por sua vida, nunca encontrará a sua forma externa e interna, nunca descobrirá a trilha que o conduz à vida.» (Anselm Grün, em "O Pequeno livro da verdadeira felicidade")

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

TOCAR AS NOSSAS FERIDAS (2ª parte)

"Uma só coisa é importante:
que sejamos verdadeiros, que escapemos às mentiras, às ilusões, ao jogo de aparências
e mesmo aos sonhos e às teorias que nos fecham num mundo ilusório
em que somos cortados da nossa realidade profunda.

Na medida em que aceitamos as nossas feridas,
entramos no caminho da unidade;
na medida em que recusamos olhar de frente a nossa verdade,
mantemos uma fissura no interior de nós próprios.


Assim que aceitamos essa parte de nós próprios que recusávamos olhar,
que recusávamos reconhecer,
que recusávamos admitir,
a unidade começa a fazer-se no nosso interior,
e é da unidade que jorra a fecundidade.


Para sermos homens e mulheres fecundos,
é preciso que vivamos na verdade,
é preciso que encontremos a unidade no nosso interior.
Não se trata de negar as nossas feridas mas de as acolher,
de descobrir que Deus está presente nelas."

(Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas")

domingo, 24 de agosto de 2008

TOCAR AS NOSSAS FERIDAS (1ª parte)

«O grande perigo para cada um de nós é o de viver na ilusão em relação a si próprio.
É-se frequentemente bastante clarividente para julgar os outros,
mas para nós próprios é muito mais difícil,
julgamo-nos maravilhosos ou abomináveis,
exaltamo-nos ou denegrimo-nos,
mas temos a maior das dificuldades em vermo-nos tal como somos.


Há muitas vezes em nós coisas que não queremos ver, que negamos,
um alcoólico, por exemplo, raramente reconhece que é alcoólico
e cada um de nós tem tendência a negar uma parte de si próprio.
Jesus veio ensinar-nos a conhecermo-nos tais como somos,
com a nossa vocação profunda para o amor,
com todos os nossos dons,
com toda a beleza que está em nós,
mas também com tudo o que está ferido,
com tudo o que é frágil,
com tudo o que é pobre

(Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas")

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Onde mora a Felicidade?


"Não é na posse de rebanhos nem no ouro que se encontra a felicidade de viver: a morada da felicidade é a alma" (Demócrito)

«Muitos buscam a felicidade juntando o máximo de riqueza possível. Mas a riqueza não torna ninguém feliz. Quem não sente a felicidade na sua alma correrá atrás dela em vão no mundo das posses ou do sucesso. Nunca possuirá o suficiente, nunca receberá atenção suficiente, não terá tanto sucesso a ponto de ser feliz. A felicidade mora na alma, no âmbito interno do ser humano. Lá onde o homem está em concordância consigo mesmo, onde sente seu carácter único, onde sabe da sua dignidade humana, lá está uma felicidade que nenhum fracasso, nenhuma perda, nenhuma rejeição podem lhe roubar.» (Anselm Grün, em "O Pequeno livro da verdadeira felicidade)

domingo, 17 de agosto de 2008

Descobrir a Pérola


«Devemos, em algum momento, assumir a responsabilidade por nossa vida. Isso também significa que devemos nos reconciliar com as feridas que sofremos na infância, que podem, então, tornar-se fonte de vida. Nossas feridas viram pérolas, como diz Hildegard von Bingen. Quando contemplamos nossas feridas, podemos compreendê-las melhor. Não nos condenamos mais por reagir com tanto melindre. É compreensível sermos tão melindrosos com essas feridas, tão susceptíveis, tão temerosos em relação à autoridade. É só a compreensão que nos livra da autocondenação.
Mas não se pode parar na compreensão. É importante que em minhas feridas eu descubra o meu talento, a pérola que torna a minha vida preciosa. Na ferida está a minha oportunidade. Se, por exemplo, recebi pouco carinho, posso ser sensível com todas as pessoas que sofrem falta de amor. E, por não me ter saciado em minha necessidade de amor e proximidade, segui o caminho espiritual. Não me contento em ter uma boa situação. Permaneço vivo em meu anseio por Deus.
Descubro a minha trilha para a vida justamente nas minhas feridas. Estas se tornam minha oportunidade de reconhecer o meu carisma e vivê-lo. Desse modo, minhas feridas se tornam fonte de benção para mim e para os outros.» (Anselm Grün, em "O Pequeno livro da verdadeira felicidade")

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

ESPIRITUALIDADE NO DIA A DIA

«O caminho da espiritualidade tem de conduzir ao quotidiano. Consiste simplesmente em fazer aquilo que é «necessário», aquilo que devo fazer no momento, aquilo que devo a mim e ao meu ser, aquilo que devo ao outro e aquilo que devo a Deus. (...)


A espiritualidade tem de ser uma coisa concreta. Esta revela-se na configuração do dia, através de rituais curativos. Revela-se num relacionamento amável com os seres humanos, na disponibilidade para ajudar quando os outros precisam do meu trabalho, e numa ocupação em que sirvo as pessoas e não a minha própria imagem. O facto de um ser humano ser espiritual ou não é uma coisa que, segundo São Bento, conseguimos ler sempre no seu quotidiano: na sua maneira de lidar com as pessoas, como organiza o seu tempo e, não menos importante, como lida consigo próprio. Torna-se assim evidente se ele faz girar tudo à sua volta ou, em última análise, à volta de Deus.

Para São Bento, o objectivo de toda e qualquer espiritualidade é «que Deus seja glorificado em tudo». E, na sua regra, ele coloca este princípio precisamente num prosaico capítulo sobre os artíficies. A forma como trabalham e como lidam com o produto do seu trabalho é decisiva para avaliar se se deixam conduzir por cobiça ou avidez, ou se estão preocupados com a glorificação de Deus.» (Anselm Grun, em "O Livro das Respostas")

domingo, 10 de agosto de 2008

PARAR


«É preciso parar, para me acalmar. Preciso cessar de correr por aí, de agitar-me. Preciso ficar parado, ficar em mim mesmo. Quando paro, encontro-me antes de tudo comigo mesmo. Daí, não posso mais transferir para fora a minha inquietude. Vou percebê-la em mim mesmo. Apenas quem resiste à própria inquietude alcança a calma.

Ao amamentá-la, a mãe acalma a criança que chora de fome. Também devo acalmar a minha alma, que chora por dentro. Quando não corro mais de um lado para o outro, a fome do meu coração se apresenta. Ele precisa de alimento. Devo me voltar maternalmente para o meu coração, para que haja paz. Mas muitos têm medo de se envolver com o coração ruidoso. Preferem evitá-lo, precipitando-se de um lugar para o outro. Mas o teu coração continua a gritar. Ele não se deixa evitar. Precisa de atenção. Quer ser acalmado.» (Anselm Grün, em "O Pequeno livro da verdadeira felicidade")

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O LUGAR QUE DEUS ESCOLHEU

“Deus procura a Si mesmo em nós, e a aridez e o pesar do nosso coração são o pesar de Deus que não é conhecido em nós, que não pode encontrar a Si mesmo porque não ousamos acreditar ou confiar na incrível verdade de que Ele pode viver em nós, e o faz por escolha, por preferência. Mas de facto existimos somente para isto: para sermos o lugar que Ele escolheu para Sua presença, Sua manifestação no mundo, Sua epifania.” (Thomas Merton, in "The Hidden Ground of Love")

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Aceitar a Vontade de Deus

"Quem se encontra em sintonia consigo mesmo, consegue entregar-se ao trabalho. Tudo aquilo que reprimimos, aquilo com que não fazemos as pazes, nos impede de trabalhar e viver. E nos custa muita força interior. Durante as conversas com pessoas esgotadas, percebemos rapidamente que a sua exaustão não está relacionada à quantidade de trabalho ou ao tipo de trabalho que fazem, nem às expectativas provenientes do meio externo e também não ao contexto em que vivem. Na maior parte das vezes, trata-se da falta de paz experimentada por ela. Em última instância, lutam contra a vida com que Deus as confronta. Preferem agarrar-se a ilusões e vivem fantasiando sobre como deveria ser a sua vida. E é exactamente esta cisão entre a ilusão e a sua realidade que lhes rouba toda e qualquer energia." (Anselm Grun, em "Fontes da Força Interior")

domingo, 3 de agosto de 2008

Deus em nós

“Para encontrarmos Deus em nós, temos de parar de olhar para nós mesmos, de nos inspecionar e verificar no espelho da nossa futilidade; devemos contentar-nos em ser em Deus e de fazer o que Ele quiser, conforme as nossas limitações, julgando os nossos actos não à luz das nossas ilusões, mas à luz da Sua realidade que nos cerca nas coisas e pessoas com quem vivemos.” - Thomas Merton, em "Homem algum é uma ilha"

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Para ser realmente livre


"Nada ter, tudo possuir", assim se pode descrever a postura dos sábios de todas as religiões, de todos os tempos. Apenas quem não prende seu coração ás coisas criadas, quem sabe se soltar onde os outros se prendem, é realmente livre" (Anselm Grün, em "O Pequeno livro da verdadeira felicidade")

terça-feira, 29 de julho de 2008

TEM ESPERANÇA!

"A esperança - tal como diz o filósofo francês Gabriel Marcel, que desenvolveu a sua própria filosofia da esperança - é sempre uma esperança para ti e para mim. Aquele que tem esperança diz o seguinte: espero que se altere alguma coisa em mim e que eu consiga lidar melhor com o sofrimento. E, no teu caso, tenho esperança de que a tua tristeza se altere e que entres em contacto com a força que há em ti. A esperança é capaz de esperar. Tem paciência. Existem sempre pessoas à minha volta para as quais isso não é benéfico e que se «vergam». A esperança tem confiança de que essas pessoas sairão da crise. Na esperança, não desisto do outro. Tenho confiança de que ele irá encontrar o seu caminho. E consigo esperar pacientemente até que o outro volte a entrar em contacto com a sua própria força.


Ter esperança significa confiar no invisível e acreditar que ele se tornará mais forte do que aquilo que vejo actualmente." (Anselm Grün, em "O Livro das Respostas")

domingo, 27 de julho de 2008

Deficiências

« “Deficiente” é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

“Louco” é quem não procura ser feliz com o que possui.

“Cego” é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

“Surdo” é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

“Mudo” é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

“Paralítico” é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

“Diabético” é quem não consegue ser doce.

“Anão” é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:“Miseráveis” são todos que não conseguem falar com Deus.» (Mário Quintana)


Fonte: Caio Fábio

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ai de quem nos desencorajar de amar!

«Ai de quem nos desencorajar de amar!», escrevia Bernanos. Ai de quem não levar a sério ou pensar que é interesseira essa mão que se estende, num gesto que, muitas vezes, só é possivel após um longo debate interior, após uma vitória heróica sobre o egoísmo.»- Henri Caffarel, em "Nas Encruzilhadas do Amor"

terça-feira, 22 de julho de 2008

Amar é fazer crescer

"Amar uma pessoa não significa fazer as coisas por ela, mas ajudá-la a descobrir sua própria beleza, unicidade, a luz escondida no seu coração e o significado da vida. Através do amor uma nova esperança é comunicada a essa pessoa e um desejo de crescer e viver." - Jean Vanier

domingo, 20 de julho de 2008

És o que amas

"Pouco importa quanto fazes, o que importa é quanto amas."
Pouco importa quanto tens. O que importa é o que tu és."-
(Santo Agostinho)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

UMA LUTA QUE VALE A PENA


"A humanidade precisa voltar para este Deus humilde e amoroso, que é todo coração. Ela precisa redescobrir a mensagem da suavidade, da ternura, da não violência e do perdão, para redescobrir a beleza do nosso universo, da matéria, de nosso próprio corpo e de toda a vida. Esse caminho de redescoberta vai ser uma luta, mas uma luta que vale a pena." (Jean Vanier)

terça-feira, 15 de julho de 2008

DAR ESPAÇO À ALMA

"No lugar onde uma pessoa foi muito magoada na sua infância, formam-se pontos sensíveis. E estes pontos sensíveis são a porta para as ofensas. Para que não adoeçamos recorrentemente, é importante que nos reconciliemos com as nossas feridas e nos aceitemos com os nossos pontos sensíveis.(...)

Se estivermos completamente no nosso meio e em harmonia connosco próprios, os outros não nos conseguem magoar tão facilmente. É verdade que ouvimos as palavras ofensivas, mas elas não nos atingem em profundidade.(...)

Salutar para a alma é o facto de se saber amada e de também se amar a si mesma, juntamente com tudo aquilo que nela existe. E é também salutar que a alma possa respirar. Há muitas pessoas que não estão em contacto com a sua alma. Vivem apenas à superfície. Esta separação da alma torna-as doentes. Só quando obtemos o acesso interior à alma é que ela pode renascer e desenvolver-se. A alma precisa de alimento.

Por um lado, é o amor que faz bem à alma, mas também a actividade espiritual. Muitas pessoas adoecem porque não dão espaço à alma. A alma precisa de asas, de agilidade, de amplitude. Aquele que restringe o espaço à alma está a retirar-lhe força. (Anselm Grün, em "O Livro das Respostas")

domingo, 13 de julho de 2008

Lealdade


«Ser leal para com o outro significa dizer-lhe: "Podes confiar em mim. Estou ao teu lado, tal como tu és. A minha aceitação da tua pessoa não está ligada a quaisquer ressalvas. Mas isso não significa que eu permita que tu me desvies do caminho certo, nem das minhas convicções interiores, nem do meu verdadeiro ser."
Ser leal para com o outro também não significa que eu deixe que ele me conduza para alguma coisa má. Pelo contrário, ser leal para com o outro significa o seguinte: "Não brinco com a nossa relação. Estou ao teu lado e não te abandono quando descubro em ti algo que não me agrada. Tenho confiança de que voltarás a encontrar o teu verdadeiro ser, caso tenhas sido desviado dele."
Normalmente, a lealdade para com o outro também me faz bem a mim mesmo. Prende-me, dá-me firmeza e forma-me.

(...) A lealdade é a promessa de permanecer leal ao longo de todas as mudanças que ocorrem em mim e no outro. Digo sim a uma pessoa, apesar de não saber no que ela se vai tranformar. Nesse sentido, a lealdade é também um risco e uma aventura.» (Anselm Grun, em "O Livro das Respostas")

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O nosso amor imperfeito

«Precisamos ter uma visão correcta em relação a nós próprios e ao outro. Não devemos esperar tudo do outro. O outro nunca nos poderá oferecer o amor absoluto, uma tranquilidade absoluta e uma compreensão total. Os psicólogos dizem que temos de desmistificar as relações entre duas pessoas, que não devemos exagerar nas exigências, para que o amor possa amadurecer. Só Deus poderá proporcionar algo absoluto. Se elevarmos a relação a um nível ideal e esperarmos do outro o Paraíso na Terra, estaremos a exigir demasiado dele através das nossas expectativas. Nesse caso, a relação tornar-se-á cada vez mais difícil. No entanto, se aceitarmos, agradecidos, aquilo que o outro, com as suas limitações, nos oferece em termos de amor, tranquilidade e compreensão, a nossa relação será facilitada. Reconhecemos, naquilo que recebemos do outro, uma referência ao amor absoluto. E, desta forma, a relação com o outro permanece viva no nosso percurso rumo ao amor absoluto, que Deus representa. É por esse motivo que, para mim, a relação com Deus é uma grande ajuda para que a relação entre as pessoas tenha êxito.» (Anselm Grun, em "O Livro das Respostas")

terça-feira, 8 de julho de 2008

Caminho para a verdade

"Quando o amor revela a mágoa que há em nós, não é raro pensarmos que foi o outro quem nos magoou. E pagamos-lhe na mesma moeda, magoando-o também. Surge assim um ciclo vicioso de mágoa recíproca, que não aprofunda o amor, mas antes o destrói. Aquele que se entrega ao caminho do amor deve saber que se trata de um caminho para a verdade, um caminho onde descubro a minha própria verdade e também a do outro. É o reconhecimento da verdade que é verdadeiramente doloroso. Mas o amor é também a oportunidade de curar esta lesão. Se me aceitar a mim próprio com as minhas feridas e não julgar o outro devido às suas lesões, mas o amar tal como ele é, é possível que o amor cure as minhas feridas e as dele." (Anselm Grun, em "O Livro das Respostas")

domingo, 6 de julho de 2008

Caminhos do Amor

«Para que o amor tenha êxito a longo prazo, não devo confundi-lo com a emoção. Amar não significa estar eternamente apaixonado. O estar apaixonado tem de se transformar num amor que aceita o outro tal como ele é. É frequente descobrirmos o outro com as nossas próprias imagens e desejos e amarmos mais a imagem que fizemos do outro do que aquilo que ele na realidade é. Amar o outro tal como ele é não é tarefa fácil. Exige que abdiquemos de todas as ilusões que criámos sobre ele. E exige também que abdiquemos da ilusão de que o amor é sempre maravilhoso. Frequentemente, é apenas lealdade para com o outro. Isso significa mais do que simplesmente suportá-lo. É dizer-lhe que sim no carácter mediano e banal. E o amor não é sinónimo de uma felicidade duradoura. Não existe amor sem dor. No amor, abro-me ao outro, e, ao fazê-lo, torno-me vulnerável. Sem esta sinceridade, o amor não seria possível. No amor pelos outros, conhecemo-nos com todas as lesões que sofremos na vida. O amor pode magoar, mas também é capaz de curar essa lesão.» (Anselm Grun, em "O Livro das Respostas")

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O Poder do Amor

“O que nos é pedido é apenas uma coisa: amar; e, se algo pode consegui-lo, é certamente esse amor que há-de tornar, tanto a nós quanto o próximo, dignos. De facto, isso é uma das coisas mais importantes em matéria de amor. Não existe neste mundo outra maneira de tornar alguém digno de amor senão amando-o. Logo que alguém reconhece ser amado – se não é tão fraco que não suporte mais ser amado – sente-se instantaneamente transformado e a caminho de ser digno de amor. Procurará, então, corresponder, extraindo das profundezas do seu ser um misterioso valor espiritual, uma identidade nova, chamada a existir pelo poder do amor que lhe é dedicado.” - Thomas Merton

terça-feira, 1 de julho de 2008

Liberdade no Espírito


"Liberdade é aceitar que, quando pertencemos a um grupo, raça, tribo, família, comunidade, religião, nenhum desses é perfeito, cada um tem os seus limites e fragilidades. Toda a comunidade de humanos tem a sua luz e sua escuridão. Todos nós somos parte de algo maior do que nós. Todos nós fluimos de uma fonte insondável e estamos todos caminhando para ela, levando connosco a luz da verdade e do amor. Cada um de nós é chamado a estar em comunhão com a fonte e centro do universo. Os infinitos anseios de nosso coração nos chamam para estar em comunhão com o Infinito. Nenhum de nós pode se satisfazer com o limitado e com o finito. Cada um de nós deve ser livre para seguir o Espírito de Deus." (Jean Vanier)

domingo, 29 de junho de 2008

Uma Viagem surpreendente


"Deus é uma palavra que por um aceno nos chama. Chama-nos para fora de nós mesmos, para lá de nós mesmos. É o Deus das surpresas, sempre a criar de novo.

Ele actua no coração de cada ser humano, ama a cada um, e atrai-o para Si. Não faz acepção de pessoas, nem respeita nenhuma das hierarquias humanas sociais ou profissionais, que para Ele não contam. "Derruba os poderosos dos seus tronos, e exalta os humildes". Ele actua nos Cristãos de qualquer denominação, em qualquer religião, e até nos corações dos que professam não ter religião alguma. Nenhuma religião pode monopolizar a acção de Deus, embora a maior parte delas o tente fazer, proclamando que todo aquele que não seguir o caminho que ela lhe aponta, não pode salvar-se.

Nós fomos feitos à imagem de Deus, e partilhamos do seu mistério. Se todos nós temos impressões digitais diferentes, não é de supreender que cada um de nós tenha de ter uma maneira única de conhecer e compreender Deus. Seguimos todos na mesma viagem, mas o caminho é diferente para cada um, e temos de o descobrir em liberdade. Na Igreja Cristã há guias que Ele nos oferece, sobretudo pela Sagrada Escritura e pela tradição docente, mas, em última análise, somos nós que havemos de encontrar o caminho, somos os responsáveis pela nossa viagem.

O termo dela é Deus. Mas Deus é mistério, o que não parece ser para nós uma grande fonte de informação. É como se nos mandassem fazer uma viagem, não só necessária, mas uma viagem que é para nós questão de vida ou de morte, e quando perguntássemos o destino dessa tão importante viagem, nos respondessem que não se sabe, nem se pode saber, e só nos dissessem "Ânimo e boa viagem!"» (George W. Hughes, em "O Deus das surpresas")

quinta-feira, 26 de junho de 2008

APELO DE DEUS

«Quantas vezes, um encontro não esbarrou contra barreiras de blocos de cimento em mim!

Coração de pedra, coração de pedra,
sinto... medo,
fuga em mim...
Incapaz de amar, de escutar,
procuro esquivar-me.
Quem poderá libertar-me?

Aquele que se agarra à segurança do trabalho quotidiano,
do horário, da organização, da família e das amizades,
esse já não vive.

Para viver, é preciso a segurança,
mas mais ainda
a aventura, o risco, o dinamismo, o dom de si, a solidariedade com os outros.

Medo de perder o meu dinheiro, o meu tempo,
a minha reputação, a minha liberdade;
medo, sobretudo, de me perder a mim próprio,
medo do desconhecido,
porque a miséria é uma terra desconhecida;
terror do desespero: essas mãos... essas mãos,
essas mãos que se estendem para mim,
essas mãos,
tenho medo de as tocar,
porque me podem submergir
num futuro desconhecido...

Então, volto as costas... e fecho-me em mim...
na minha segurança...
sozinho dentro de mim mesmo...

Recuso-me a amar... porque tenho medo da tua mão estendida,
que me chama para o desconhecido do amor... ;
porque tenho medo do vazio que há em mim, da minha pobreza, do chamamento para a morte;
tenho medo de mim próprio e fecho o meu coração... bloco de cimento que me separa de ti,
meu irmão desesperado...

Tu, sim, tu estás numa prisão de desespero e tristeza.
Eu também sou prisioneiro, as minhas grades são,
os meus supostos amigos, os meus clubes, as convenções sociais de moda;
barreiras que eu consolidei para te tirar da minha vida, meu irmão,
porque a tua presença, miserável, triste, é um apelo...
Desvio o olhar, ou, então, tenho a ousadia...
(o amor é o maior de todos os riscos)
de me dar a ti, meu irmão.

Terei eu a coragem de mergulhar no redemoinho da água viva, do amor fiel?

Que eu tenha a audácia,
a audácia de crer no teu apelo silencioso,
nas tuas lágrimas de silêncio.

Mas há também o mundo da eficiência, das técnicas, dos diplomas, dos negócios (negócios são negócios!),
e os amigos que pensam que sou louco... (serão meus amigos? estarei eu louco?)
a dúvida, as forças inimigas, a lassidão;
o medo.

Todavia, a vida chama-me, a compaixão mora nas minhas entranhas,
essa guerra estranha e silenciosa...
Terei a ousadia de crer? Terei a ousadia de fugir ao Teu apelo?
«Se abrires a tua alma ao faminto, e fartares o aflito; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia. O Senhor te guiará continuamente, e te fartará até em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca falham. E os que de ti procederem edificarão as ruínas antigas; e tu levantarás os fundamentos de muitas gerações; e serás chamado reparador da brecha, e restaurador de veredas para morar.» (Isaías 58, 10-12)

Ó Deus, ó meu Deus,
não me deixeis vergar, diminuir!
Não me deixeis afundar num sono sem fim!
Impedi que caia na prisão dos hábitos egoístas cujas grades são os amigos superficiais,
os «cocktails», as gargalhadas estúpidas, os beijos sem amor,
os presentes para glória do ofertante, os negócios e as administrações sem coração;
essas grades que impedem a vida cheia de cor em busca do infinito, aberto ao Teu apelo.»

(Jean Vanier, em "Novas perspectivas do amor")