quarta-feira, 23 de junho de 2010

A DÁDIVA

«Estendemos os braços e tentamos tocar-nos. Em vão. Porque nunca nos atrevemos a dar-nos.»
Dag Hammarskjoeld

Vós pouco dais quando dais de vossas posses.
É quando dais de vós próprios que realmente dais.
Pois, o que são vossas posses senão coisas que guardais
por medo de precisardes delas amanhã? (...)

Há os que dão pouco do muito que possuem,
e fazem-no para serem elogiados,
e o seu desejo secreto desvaloriza as suas dádivas.

E há os que têm pouco e dão-no integralmente.
Esses confiam na vida e na generosidade da vida,
e seus cofres nunca se esvaziam.

E há os que dão com alegria, e essa alegria é já a sua recompensa.
E há os que dão com pena, e essa pena é o seu baptismo.

E há os que dão sem sentir pena nem buscar alegria nem pensar na virtude:
Dão como, no vale, o mirto espalha sua fragrância no espaço.
Pelas mãos de tais pessoas, Deus fala;
e através de seus olhos
Ele sorri para o mundo.

É belo dar quando solicitado;
é mais belo, porém, dar sem ser solicitado, por haver apenas compreendido. (...)

Dizeis muitas vezes: “Eu daria, mas somente a quem merece”.
As árvores de vossos pomares não falam assim,
nem os rebanhos de vossos pastos.
Dão para continuar a viver,
pois reter é perecer.

Khalil Gibran

1 comentário:

ismael de almeida disse...

Alma pequenina sofredora e triste,
Porque vives na efemera ilusão,
E persegues a felicidade em vão,
E do verdadeiro bem sempre fugiste?

Pobre alma que clama desvalida,
E no mundo arredio te sentes pequenina,
Com a visão turvada de neblina,
Sentes no coração a esperança fenecida.

No entanto o sol brilha luminoso,
A vida canta uma canção de amor,
E as estrelas brilham num céu esplendoroso.

Porque choras alma triste torturada,
Sse teu coração clama com fervor,
Se tens em ti a pazafortunada?