terça-feira, 10 de julho de 2007

Medos - Parte I

Começa a preocupar-me a tranquilidade do meu mundo e a passividade de tantos irmãos ao meu lado…
Todos procuram desesperadamente seguranças, e não transformações. E nem imaginam o que estão a perder… E nem imaginam que estão a fechar as portas à felicidade verdadeira, que normalmente vem embrulhada no papel dos imprevistos, adornada com o laço das novidades e nas mãos de amores que nos propõem virar de pernas para o ar o nosso coração.
Sim, nem se dão conta de que viver seguro num palácio de portas trancadas evita os assaltos, mas também impede as visitas dos amigos…
Se uma mão descesse do céu obrigando os homens à escolha entre a Felicidade e a Tranquilidade, conheço muitos que abraçariam a Tranquilidade sorridentes. Dão-me pena… As seguranças das vidas tranquilas são mais apreciadas e procuradas que as transformações das vidas felizes.
Não consigo entender uma juventude que não sonha com mais do que uma “vida normal”… Vidas extraordinárias, vidas arriscadas, coração em sobressalto, tudo isso é bonito de ver nos filmes e admirar nos heróis de todos os tempos, os de ontem e os de hoje. Mas os heróis são sempre os outros… Vidas dessas são para ser admiradas e aplaudidas; não vividas.
Porquê?!
Não entendo! Juro que não…
Gostava de perceber melhor as causas do medo. Sim; porque é o medo a raiz de tudo isto. Não duvides…
Se lhes deres a optar entre uma vida feliz mas com riscos, perigos, incertezas, possíveis desilusões, quedas e recomeços, e uma outra vida mais tranquila, monótona até, vulgar e medíocre, mas sem inseguranças, sem riscos, desilusões, possíveis crises nem necessidade de esforço, temo que a maioria, sem hesitar, escolha a segunda.
As pessoas não se atiram de caras à vida, porque têm medo de se aleijar.
Os jovens não assumem grandes riscos, porque têm medo de se enganar.
Quase ninguém assume grandes transformações, porque tem medo das incertezas que sente como espinhos no coração.
São cada vez menos os que amam de verdade, porque são cada vez mais os que têm medo de sofrer.
E assim vamos criando um mundo de gente tranquila mas não verdadeiramente feliz, segura mas não apaixonadamente transformada.
Tenho pena que a maior parte dos meus irmãos ainda não se tenha dado conta de que só vivemos uma vez. E o que se decide numa só possibilidade não pode ser vivido a meio gás!
Tenho pena que tantos se deixem viver pela vida, em vez de a agarrarem nas mãos e perguntarem o que hão-de realmente fazer com ela.

Tenho pena que os homens, por medo, cada vez mais se limitem a existir, e deixem de viver de verdade. Porque viver é infinitamente mais que existir…
Viver de verdade é viver apaixonadamente.
Viver apaixonadamente é pôr o amor à frente das seguranças, a felicidade que se constrói à frente da tranquilidade que nos amarra. (continua)

Rui Santiago cssr

1 comentário:

Flôr disse...

Ainda hoje uma irmã me dizia... depois de ter sido assaltada... fiquei com medo de sair à rua... eu oro ao Senhor para que me tire este medo!!... Ele que me perdoe, porque o medo é contrário à fé...

Gostei deste post.... gosto imenso do blog do Rui Santiago... já à algum tempo que não passo por lá.... falta-me tempo... mas
é sem dúvida um blog a indicar :)

Votos de uma noite tranquila. Que o Senhor aumente e fortaleça a nossa fé.

Abração da Flor :))