terça-feira, 31 de julho de 2007

Vê com os olhos do coração

« A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que há em ti são trevas, quão grandes são tais trevas!» - Mateus 6, 22,23

Conta a história que uma jovem e dinâmica mulher de negócios mostrava sinais de fadiga e stress. O médico receitou-lhe tranquilizantes e pediu-lhe que voltasse para uma consulta duas semanas depois. Quando ela voltou, ele perguntou-lhe se se sentia diferente.
- Não.- respondeu; mas tenho observado que as outras pessoas parecem estar bem mais relaxadas.

Normalmente, vemos os outros não como são, mas como nós somos. Uma pessoa é, num sentido real, o que ela vê. E ver depende dos olhos. Jesus usa a metáfora dos olhos com mais frequência do que a da mente ou da vontade. O velho provérbio, "os olhos são as janelas da alma", contém uma profunda verdade. Os nossos olhos revelam se as nossas almas são espaçosas ou entulhadas, hospitaleiras ou censuradoras, compassivas ou repreensoras. O modo como vemos os outros é normalmente o modo como vemos a nós mesmos.

O julgamento depende do que vemos, de quão profundamente olhamos para o outro, de quão honestamente encaramos a nós mesmos, de quão dispostos estamos a ler a história humana por trás do rosto apavorado.

Brennan Manning- O Evangelho Maltrapilho

1 comentário:

Mizi disse...

Com toda a certeza. As pessoas são o reflexo do que pensamos sobre nós mesmos... Não é a toa que o mandamento diz:

"amai ao próximo com a ti mesmo".

Quem não ama a si mesmo é capaz de amar o próximo? é muito importante sabermos olhar para dentro de nós mesmos antes de pensar ou fazer algo com relação ao nosso próximo. Acho que aqueles homens do evangelho, no fundo, queriam apedrejar a si mesmos e não à mulher adúltera. Foi preciso que o mestre lhes abrisse o olhar interior para que eles pudessem curar a si mesmos e aprender a não julgar os outros (mais do que a si mesmos).

É um belo texto, Paulo... Parabéns!

Abraços!