domingo, 11 de novembro de 2007

Procuram-se amigos

Encontrei este texto no blog Metanoia e decidi postá-lo quase na íntegra. Creio que o autor partilha alguns bons conceitos de amizade com os quais me identifico.

Mesmo com tantas decepções insisto em garimpar bons amigos.
Quero ser amigo de quem valorize a lealdade.
Mesmo depois que a ditadura militar libertou o meu pai,
o estigma de “subversivo” grudou-se nele.
Um dia papai contou-me, com lágrimas nos olhos,
que os seus antigos colegas da Aeronáutica
desciam a calçada para não se verem obrigados a cumprimentarem-no publicamente.
Ainda guardo esse trauma e, sinceramente, não consigo lidar com amizades que só se mantêm por causa de conveniências, qualquer uma.
Quero acreditar em amizades que não se intimidam com censuras,
que não retrocedem diante do perigo
e que não abandonam na hora do apedrejamento.
Amigos não desertam.
Quero ser amigo de quem não precise me proteger
e que não tenha medo de mim.
Não creio em companheirismos repletos de suspeitas.
Os grandes amigos são vulneráveis.
Conversam sem se policiar, rasgam a alma
e sabem que os seus segredos jamais serão lançados em rosto ou expostos publicamente.
Quero ser amigo de quem não se melindra facilmente.
Por mais que tente, continuo tosco;
magoo com os meus silêncios, com minha introspecção e,
muitas vezes, com meus comentários ácidos e impensados.
Portanto, preciso de amigos que tolerem as minhas heresias, minhas hesitações e meus pecados. Busco amizades que aguentem o baque das minhas inadequações; que sejam teimosos.
Quero ser amigo e não um mero cúmplice de vocação.
Já preguei em algumas igrejas que, depois que o pastor me deixou na calçada do aeroporto,
nunca mais tive notícias dele ou da sua igreja.
Não vou mais colocar o meu nome em conferências e congressos que me dêem prestígio
ou em que eu só sirva para reforçar a programação.
Quero ser amigo de quem não se contenta em re-encaminhar mensagens re-encaminhadas de power-point.
Também não gosto de cartões de aniversário com frases prontas e óbvias.
Acredito que os verdadeiros amigos têm o que repartir
e que sentem necessidade de expressar os seus sentimentos, as suas dúvidas
e principalmente os seus medos e desesperos.
Amizades superficiais são mais danosas para o espírito do que inimizades explícitas.
Quero ser amigo de quem não é muito certinho.
Não tolero conviver com quem nunca tropeça nos próprios cadarços(significa: atacadores dos sapatos).
Vez por outra, gosto de relaxar, rir do passado, sonhar maluquices para o futuro e conversar trivialidades.
Quero amigos que se deliciem em ouvir uma mesma música duas vezes para perceber a riqueza da letra;
de comentar o filme que acabaram de assistir e o último livro que leram.
Como é bom chorar com poesia!
Quero terminar os meus dias e poder dizer que,
mesmo descrendo das ideologias, dos sistemas económicos e das instituições religiosas,
cri em verdadeiras amizades porque tive bons amigos.
Até porque Deus não só ama, como também nos chamou de amigos.

Ricardo Gondim

2 comentários:

Lia disse...

Olá Paulo.
Andava por aqui à procura de uma música para me distrair um pouco
e deparo com este post... muito
bem...
Também me identifico com este conceito de Amizade!
Mas, como é difícil encontrar assim amigos com estes adjectivos...
Fica bem. Lia

mar disse...

Amigos... amigos... sabem q há dias em que certo tipo de conversas não me dizem nada, sinto-as banais e corriqueiras,... mas não deixam de ser importantes. Os momentos de as lerem é que as tornam rotina!